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Alta-costura verão 2011: Givenchy faz apresentação intimista e repleta de detalhes

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Ainda é possível identificar os traços góticos, a silhueta alongada e aquele romantismo dramático que vem marcando as coleções de Riccardo Tisci para a Givenchy. Porém, há algo de novo nessa mais recente coleção de alta-cosutra verão 2011 que o estilista apresentou para apenas alguns membros da imprensa e clientes mais do que especiais. Algo extremamente delicado e precioso.

Seguindo o formato intimista de apresentação que iniciou na temporada passada _pelo menos para as coleções de alta-costura_ Riccardo Tisci novamente deixou a passarela de lado, optando por um formato que permitia uma inspeção minuciosa de cada de look, com direito até ao toque. Formato que permitiu aos presentes conferirem todos os microdetalhes, como as pérolas envoltas em georgette de seda, os paetês opacos que formam falsas estampas e mais uma infinidade de delicadezas que transformam esta coleção numa das melhores já apresentadas por Tisci.

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O ponto de partida foi Kazuo Ohno, ícone da dança Butoh japonesa que morreu ano passado aos 103 anos. Vêm daí, então, todas as referências,  como os ombros marcados tipo delicadas armaduras, os motivos de aves que parecem ganhar vida nas costas e as transformações em cima do clássico obi oriental (faixa de tecido usada para amarrar quimonos e vestidos). Quase todos em tonalidades neutras, os vestidos ganham força com pontos fluorescentes nos ombros e, principalmente, nas costas.

Mas se a dança em si tem algo de sombrio, girando em torno da dor, a coleção vem quase na direção oposta. Talvez com um pouco da dramaticidade nas transparências e formas alongadas, ou nas ornamentações que chegam a acumular um total de 4.000 horas de trabalho manual. Justamente por isso, por toda essa preciosidade que só a couture pode proporcionar, os apenas 10 looks apresentados ganham exclusividade máxima.

+ Veja o desfile completo aqui

Alta-costura verão 2011: Givenchy faz apresentação intimista e repleta de detalhes

Radar FFW: terror invade o rock (ou quando os indies viram góticos)

Como a moda, a música tem seus ciclos de vontades. A da vez foi enquadrada por jornalistas como “spookycore” ou”witch house“.

Suspiria Mater Vision, grupo que mixa vídeo, música, editoriais de moda e virais online (e que estreou um filme na festa Decandance, em São Paulo) é outro grupo que sintetiza bem esta geração, que mal entrou nos vinte poucos anos mas assistia as reprises de filmes de horror “B”. É daí que vêm as inspirações imagéticas e sonoras, e onde o movimento se diferencia dos emos, que sofrem por amor. O som também é outro: mais pesado, oitentista e com traços de rock industrial, noise e electro.

Em seu blog, o jornalista Lúcio Ribeiro atribui ao The Horrors (a banda favorita de Costanza Pascolato!) esta onda. Ao lado deles, outras bandas muito jovens vinham bebendo dessas fontes: a favorita do FFW é  Zola Jesus, pseudônimo de Nika Rosa Danilova, uma garota de 21 anos que lançou três EPs macabros e abriu os shows do Fever Ray (outra banda com os dois pés no dark). O som é uma mistura vagarosa de  Sigur Rós, The Cure e música ambiente para mansões mal-assombradas.

Outro grupo, uma aposta do FFW, é o Esben And The Witch, que caiu no radar dos principais jornalistas de música no mundo inteiro e lança seu antecipado primeiro disco em 2011. Cancões com narrativas complexas, sombrias e baseadas em folclore infantil nórdico. No ano passado, a aventura musical do ator Ryan Gosling, a banda Dead Man’s Bones, também olhava para essa direção; o disco foi lançado no Halloween e falava sobre… morte.

“Marching Song” – Esben And The Witch

A moda  é parte importante desta cena, com muito preto, figurinos brecholentos customizados, rasgados e sangrentos; assim como a internet, principal plataforma de viralização e divulgação do coletivo. Vídeos com colagens de filmes antigos, gravações trash e proporcionalmente amadoras são publicadas em blogs e páginas do Myspace, Facebook, Twitter e HypeMachine.

Clipboard01Desfile de verão 2011 da Givenchy ©firstVIEW

A Givenchy, sob comando criativo do estilista Riccardo Tisci, é o carro-chefe do movimento gótico na moda internacional. Preto, correntes, tachas e uma trilha sonora dark são obrigatórios _esta última, sempre assinada pelo pesquisador Frederic Sanchez, teve faixa “King Knight”, do Salem, banda deste movimento que tem feito barulho na blogosfera. Fredéric assina trilhas de desfiles como Marc Jacobs, Prada e Miu Miu, e é famoso por catapultar bandas desconhecidas ao sucesso.

“King Knight” – Salem

Deu certo: Salem já faz parte do quadro de artistas da Sony Music, uma das cinco maiores gravadoras do mundo.  Se tudo der certo, está na hora dos indies tirarem os seus lápis de olho da gaveta.

+ www.myspace.com/deadmansbones

+ www.myspace.com/thehorrors

+ www.myspace.com/matersuspiriavision

+ www.myspace.com/s4lem

+ www.myspace.com/esbenandthewitch

+ www.myspace.com/zolajesus

Radar FFW: terror invade o rock (ou quando os indies viram góticos)

Sexo, indefinido: mundo da moda reacende debate sobre gêneros

CANDY 1 from Luis Venegas on Vimeo.

Lea T. e seu repentino status de transex superstar da moda é só a ponta do iceberg. Afinal, a cultura do crossdressing-trangêneros-travestis-e-afins vem há algum tempo retomando força. Só no ano passado, por exemplo, vimos a primeira revista inteiramente segmentada _a “Candy”, de Luis Venegas. Agora em sua segunda edição, a publicação independente mostrou ainda mais vigor com seu time de fotógrafos e modelos consagrados _James Franco de mulher na capa não é pouca coisa, ainda mais num retrato de Terry Richardson.

Hercules 9, Mariano Vivanco from Luca Finotti on Vimeo.

A “Hercules Magazine”, uma da publicações mais legais dos últimos tempos, também dedicou boa parte de sua nona edição ao movimento. A “i-D” _uma das primeiras revistas, junto com a “The Face” lá nos anos 80, a celebrar o transsex, dragqueens e travestis_ dedicou uma seção especial para as figuras mais “exuberantes” da noite londrina em sua edição especial de aniversário.

Ainda na moda, talvez Riccardo Tisci, na Givenchy, seja o responsável por alçar o “travestismo” a proporções nunca antes imaginadas ao escalar sua musa, amiga e então assistente, a transex brasileira Lea T., para campanha da coleção inverno 2010 da marca. Meses depois, a mesma Lea apareceu caminhando no desfile masculino da grife para o verão 2011, e mais tarde também vestiu um vestido todo branco, com rendas e muitas transparências para a apresentação do inverno 2010 de alta-costura.

Paralelamente, veio todo buzz da mídia especializada. “Vogue Paris”, “Vogue Itália”, “WWD” e “The Telegraph” foram apenas alguns dos veículos de peso que dedicaram algumas linhas _às vezes algumas páginas_ aos perfis e matérias sobre Lea.

andrej-pejic-vogue-turquia-novembro-2010Andre Pejic em editorial da “Vogue” Turquia de novembro de 2010 ©Reprodução

Mas Lea não foi a única. Durante os desfiles masculinos de junho e julho deste ano uma outra figura andrógina deixou editores em dúvida sobre o que estaria uma menina fazendo no casting masculino de estilistas como Paul Smith, Jean Paul Gaultier, John Galliano e Raf Simons _que, aliás, teve o famoso filme-ícone da cena underground de Nova York, “Paris Is Burning”, como uma de suas inspirações para temporada. Na verdade, tratava-se de um menino, o australiano Andre Pejic, com uma deliciosa obsessão pelos ícones pop da contracultura britânica _leia-se: Boy George, Ladynoise, Tasty Tim e The Divine David.

Falando em Londres, Inglaterra, talvez seja lá o epicentro desse revival super-tranny. Das festas underground do East End, passando por galerias de artes conceituais até redes de televisão como a BBC, a cultura do crossdressing e transgêneros está por toda parte.

8982Obra de Marc Quinn na The White Cube Galery ©Reprodução

Recentemente, na galeria The White Cube, no Hoxton Square em Londres, o artista plástico Marc Quinn mostrou uma série de esculturas em bronze baseadas no ator pornô Buck Angel, uma transexual feminina _uma mulher que virou homem, mas que decidiu manter seus órgãos genitais femininos. Em posições andróginas ou praticando sexo com outras figuras do mais exótico transexualismo, as obras receberam consideráveis criticas elevando-as de mera exploração dos limites sexuais à conseqüências da biologia avançada sobre os fundamentalismo da humanidade.

Durante o London Lesbian and Gay Film Festival desse ano, David Hoyle, celebridade da noite londrina, mais conhecido como The Divine David, estrelou seu primeiro filme, “Uncle David”. Em sua primeira obra cinematográfica, David interpreta um pedófilo que assassina seu amante adolescente com duas injeções de heroína para “salvá-lo” da sociedade do consumo. O filme tagueado como radical pelo festival, acabou recebendo uma aceitação jamais prevista por membros mainstream da indústria do cinema e televisão local.

Falando em televisão, a BBC é responsável pela produção e transmissão de “Worried About The Boy”, série que revisita a vida de Boy George nos anos que antecederam sua fama nos anos 80.

Do outro lado do oceano, nos EUA, RuPaul emplacou um verdadeiro sucesso de audiência _e aceitação_ com sua Drag Race, um tipo de Project Runway mixado com America’s Next Top Model, só que no caso: America’s Next Top Drag.

Em solo nacional, tivemos a recente notícia de que o cartunista Laerte havia aderido ao crossdressing. Pouco antes, o documentário “Dzi Croquettes” nos lembrava de quão antiquados e conservadores nos tornamos ao longo dos últimos anos. Antes uma questão de gêneros, depois a mais pura expressão artística, hoje uma lembrança, talvez, de que precisamos deixar a caretice e conservadorismo de lado e abraçar o novo, aceitar o diferente.

Sexo, indefinido: mundo da moda reacende debate sobre gêneros

DIRETO DE PARIS: Céline, John Galliano, Givenchy e +

Colaborou Augusto Mariotti

Celine verao 2011

>> Céline! O nome mais comentado _e desejado_ dos últimos tempos. Referência máxima e absoluta para as redes de fast-fashion (e muitos jovens estilistas), mas que, por enquanto, só parece agradar os guarda-roupas de fashionistas.

O tão aguardado 3º desfile da grife, agora sob comando da britância Phoebe Philo, apontada como a responsável por a atual onda minimalista na moda, aconteceu na manhã deste domingo no Tennis Club de Paris _locação afastada, que acabou gerando consideráveis reclamações por parte dos fashionistas que tiveram que acordar um pouco mais cedo (ou menos tarde) que o normal.

Na passarela, Philo deu continuidade a sua vibe minimalista, só que dessa vez expandindo um pouco suas propostas para incluir algo de descontraído em seu looks. Suas famosas calças retas _agora em tecidos dos mais leves, como a seda_ vêm com modelagem ligeiramente diferenciada: a cintura cai para a linha do quadril, e as pregas (antes discretas ou inexistentes) geram volumes suaves ampliando a proporção. Combinadas com parkas, jaquetas, túnicas e camisetas quadradas _muitas vezes em couro ou outros tecidos encorpados com barras sem acabamento_ imprimem uma imagem interessante: sofisticada e low-profile, com um luxo elegante, ao mesmo tempo com algo de rústico _principalmente naqueles tops de aparência felpuda, num macramê de pontas desfiadas e nas estampas geométricas que quebravam o domínio neutro da coleção.

O recorrente dilema do masculino vs. feminino que vem pautando muitas das coleções em Paris aparece aqui de um jeito totalmente único, onde as formas mais duras e geométricas ganham contornos de extrema elegância e adaptação ao corpo feminino. Menos poder e mais confiança. É assim que podemos definir o trabalho de Philo, que desde sua primeira temporada na direção da marca vem se dedicando a encontrar uma nova alfaiataria para a mulher do século 21. Ainda assim, fica difícil não se perguntar até quando a estilista conseguirá manter esse visual atual ou relevante. Por mais que seja extremamente desejável, seu novo minimalismo começa a mostrar sinais de fadiga, com pouca evolução de uma coleção para outra.

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>> Demorou quase 1h para começar, e os convidados já reclamavam dos lugares apertados. Mas a espera valeu a pena. O verão 2011 da John Galliano foi uma de suas melhores coleções dos últimos anos. Não que algo de muito inovador tenha sido apresentado. Na verdade, foi um pouco mais daquilo que Galliano sempre gostou _um forte estilo romântico, com alguma decadência e subversão_, porém com uma maestria na execução acumulada ao longo de intensos anos de trabalho na sua marca e na Christian Dior.

Os tão amados anos 1920 voltam em cena, inspirados em Maria Lani, artista que pediu para que diversos outros como Henri Matisse, Jean Cocteau e Marc Chagall fizessem retratos seus com a promessa de que entrariam para um filme no qual iria estrelar. Porém, o filme nunca sequer chegou a ser produzido e Lani acabou vendendo as obras e fugindo para os EUA com todo dinheiro.

Assim, cada roupa veio pensada como um retrato. Único, individual, com estilo próprio. As modelos _entre elas Jasmin Lebon_, cada uma como uma personagem, caminhavam num passado encenado, fazendo mil e uma poses _fato que irritou os fotógrafos, que gritavam para que elas dessem espaço para o clique do próximo look. Vestidos em viés em tecidos transparentes revelavam lingeries provocantes, e os blazeres acinturados em materiais brilhosos eram combinados com as mais incríveis calças volumosas extremamente desejáveis. Decadence avec elegance.

Mas o que fez do desfile de John Galliano algo especial não foi apenas o espetáculo _dessa vez com direito a um palco de verdade, na Opéra Comique. Muito menos suas roupas incríveis, que embora enaltecidas como peças de um figurino de ópera podiam facilmente descer do palco rumo a vida real. O que fez seu verão 2011 brilhar como uma verdadeira grande comédia (aqui no significado teatral da palavra) foi a paixão de cada detalhe _da barra da saia, ao olhar da modelo. Paixão e sentimento que fazem de tudo aquilo algo autêntico e com força de expressão, capaz de despertar desejo e emocionar.

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>> Na mesma locação das últimas 2 estações, o Licee Carnot, o italiano Riccardo Tisci mostrou na noite de domingo aqui em Paris uma coleção levemente punk para Givenchy, assim encerrando mais um dia da semana de moda francesa.

No casting as brasileiras Lais Ribeiro, Marcelia Freez e Izabel Goulart, que segundo boatos fará a próxima campanha da maison. Ah, e como não podia faltar, a transsexual mineira e amiga do estilista, Lea T. Na primeira fila, nomes poderosos: Justin Timberlake e Liv Tyler, garotos propaganda de perfumes da grife, Ronnie Wood e sua namorada brasileira Ana Araujo, Lily Allen e Courtney Love.

O desfile abriu com um interessante trabalho com zíperes que dividiam jaquetas, blazers e coletes em varias partes. Funcionais e decorativos, vinham ora como junções entre partes de uma peça, ora com algum adorno para delinear os ombros, marcar a cintura ou potencializar a conotação sexual.

Outro ponto forte _e quase onipresente_ foi a estampa de leopardo, elemento recorrente no trabalho de Tisci para Givenchy. Clássica, ou então como um jacquard nas peças pretas, a padronagem vinha ora discreta, ora marcante, ganhando até um interessante efeito meio deep-dye, indo do preto à sua cor natural. Junto com o vermelho, branco e preto, o animal print é elemento essencial da identidade da marca sob o comando do estilista italiano.

Havia também um duelo entre as partes de cima, ajustadas e rígidas, com as de baixo, em saias esvoaçantes e transparentes, muitas vezes sobre calças de modelagem levemente evasê. A sensação era um tanto dramática, com algo de romântico. Um atitude poderosa, provocativa, ao mesmo tempo com um toque de suavidade e delicadeza.

A imagem final pode não ser das mais interessantes para a temporada. Talvez pesada para o verão e sem incorporar algo de novo para o legado de Tisci. Mas numa estação onde o masculino vs. feminino está em foco, Tisci deu voz própria ao tema e ainda mostrou imensa precisão na construção e execução de suas peças _principalmente na sua já excelente alfaiataria.

DIRETO DE PARIS: Céline, John Galliano, Givenchy e +

Europeus consideram Lea T. a primeira supermodelo transexual

25399-800wDepois do buzz gerado pela campanha de inverno 2010 da Givenchy e da foto com perfil (ao lado) que saiu na “Vogue Paris“, a transexual brasileira Lea T. virou trending topic no mundo da moda. A confirmação do hype vem agora pelo jornal “The Guardian” que manchetou Lea como sendo “a primeira supermodelo transex do mundo”.

“Nós [transexuais] nascemos e crescemos sozinhos”, disse Lea na entrevista. “Depois da operação [de troca de sexo] renascemos, mas novamente ficamos sozinhos. E morremos sozinhos. É o preço que pagamos”.

Boa parte de seu sucesso hoje é devido ao amigo de longa data Riccardo Tisci. Bem antes de se tornar um renomado estilista e diretor de uma das maisons mais conhecidas da frança [Givenchy], foi ele um dos primeiros a reconhecer a personalidade feminina de Lea quando se conheceram na Itália, onde o ainda Leonardo Cerezzo estudava. “Uma noite ele me convenceu a ir a uma festa de salto alto”, contou.

O “Guardian” sintetiza o dilema da brasileira Lea com uma das frases mais impactantes que ela soltou numa entrevista para a “Vanity Fair”: “É uma escolha entre ser infeliz para sempre, ou tentar ser feliz”.

+ guardian.co.uk

Europeus consideram Lea T. a primeira supermodelo transexual

Preconceito zero: editora da Vogue Paris aposta em transexual brasileira

Depois de fazer parte do casting da campanha de inverno 2010 da Givenchy e desfilar para a marca na semana de alta-costura, a transexual brasileira Lea T. ganha perfil na nova edição da “Vogue Paris“, completamente nua, mostrando parte daquilo que deixará pra trás depois da mudança de sexo que pretende fazer futuramente. A foto, que já é histórica (pensem rápido: alguma revista de moda brasileira faria isso?), faz parte de uma seleção que a editora da revista Carine Roitfeld fez de suas apostas para o mercado.

Lea é assistente e amiga de Riccardo Tisci, diretor criativo da Givenchy, e depois de estrelar a campanha, ganhou matéria especial na “Vanity Fair” italiana. Além disso, ela é a nova contratada da agência Women, que tem no casting modelos como Natasha Poly, Aline Weber, Mariacarla Boscono (musa de Tisci), Isabeli Fontana, entre outras.

25399-800wLea T. nas páginas da nova edição da “Vogue Paris”: a revista de moda sai mais uma vez na frente ao apostar no preconceito zero ©Reprodução

Preconceito zero: editora da Vogue Paris aposta em transexual brasileira

Sobre como Raf Simons e Lanvin sintetizaram a temporada masculina

Na semana de moda masculina de Paris (que terminou no dia 27/06) a alfaiataria esteve no centro das atenções. Estilistas dos mais variados pareciam obcecados por encontrar um “novo terno” para o homem contemporâneo. Um uniforme masculino mais “iPad” ou “Twitter”, menos “486” ou “Startac”.

Alteraram proporções, inverteram silhuetas, ampliaram as partes de baixo, ajustaram as de cima, substituíram costuras por zíperes, esconderam botões, eliminaram golas, deceparam mangas e injetaram um pouco mais de criatividade do que aquilo que vimos em Milão.

masculinosYves Saint Laurent, Rick Owes, Kris Van Assche e Dior Homme verão 2011 ©firstVIEW

Stefano Pilati na Yves Saint Laurent eliminou as laterais das jaquetas, transformou calças em bermudas-saias com corte em “A”, e experimentou ao máximo nas proporções. Rick Owens alongou seus blazeres e arrancou as mangas num misto de androginia com religiosidade. Kris Van Assche deu extrema leveza a sua alfaiataria de volumes assimétricos na Dior Homme e a fundiu extraordinariamente com o sportswear numa das melhores coleções de sua própria marca.

Dries Van Noten misturou mods + skinheads e encurtou as barras de suas calças. Paul Helbers fez uma viagem étnico-cultural incorporando diversos elementos (de forma super inteligente) numa de suas melhores coleções para Louis Vuitton. E Riccardo Tisci, na Givenchy, uniu o blazer a calça, agora com gancho baixo, sobre camisa rendada em forma de estampa animal.

Mas o problema da alfaiataria, ou melhor, do terno, vai muito além dessas miudezas de modelagem, silhueta e proporção. Não diz respeito apenas à escassez de empregos, incerteza econômica, tão pouco à flexibilização dos dress-codes dos ambientes de trabalho. O real problema que assombra o tradicional costume masculino é sua atual falta de relevância sóciocultural.

Há muito tempo se foi a época em que a combinação calça + camisa + paletó vinha acompanhada de valores como respeito, prestígio, status social. Em tempos de hiperindividualidade, esse uniforme contemporâneo (em seus moldes convencionais), já não faz tanto sentido na vida das pessoas. São poucos aqueles (e principalmente da geração Y) que encontram nos ternos alguma real conexão com suas vidas.

O que parece faltar na moda masculina, então, é justamente acompanhar essa evolução desenfreada, ultraveloz e experimental que já faz parte das vidas de seus consumidores.

raf-simons-verao-2011Raf Simons verão 2011 © firstVIEW

É por isso que o verão 2011 de Raf Simons parece tão mais convincente. Há 15 anos no ramo, o estilista belga fez valer seu mérito como um dos designers de moda masculina mais vanguardistas do momento (foi ele que lá nos anos 90 introduziu o primeiro terno skinny, bem antes que Hedi Slimane fosse creditado, indevidamente, pela façanha).

Numa coleção repleta de ícones de sua carreira, Simons trabalhou a mesma silhueta alongada que deu o tom da temporada, porém com um impressionante equilíbrio entre precisão e emoção. Amplas calças que cobriam os pés vinham combinadas com suas famosas jaquetas/túnicas sem mangas mais ajustadas ao corpo. Nas costas, aplicou pesados zíperes industriais sobre faixas de cores intensas. A imagem final é menos formal e mais experimental, e nem por isso distante dos consumidores. Como dizia uma das estampas de suas camisetas,  foi uma coleção para falar de realismo (“realness”).

lanvin-verao-2011Lanvin verão 2011 © firstVIEW

Lucas Ossendrijver, sob a tutela do diretor criativo Alber Elbaz, parece também ter capturado o atual clima da moda masculina. Sua mais recente coleção para Lanvin falava justamente da urgência, ação e mobilidade que nos rodeia. Agora a silhueta parecia ansiosamente ajustada ao corpo, barras e acabamentos incompletos sugeriam uma constante pressa, ao mesmo tempo em que roupas ultratexturizadas (vide os ternos em bordados de pequenos recortes de seda) falavam de uma certa intimidade e necessidade de toque.

Algo de esportivo nas blusas enroladas nos ombros ou na cintura, nas calças levemente ajustadas nos tornozelos, nos blazeres abraçando o tronco e nas bermudas de tricô que simulavam aquelas de ciclistas, vinham agora não só falando de uma alfaiataria ou elegância despojada, mas também da agilidade e funcionalidade acentuada dos dias de hoje.

+ Veja as fotos das coleções completas que desfilaram o masculino em Paris Verão 2011.

Sobre como Raf Simons e Lanvin sintetizaram a temporada masculina

O canto do cisne: Givenchy não desfilará altacostura

O calendário de altacostura de Paris ficou mais enxuto: a Givenchy não desfilará mais suas coleções. As informações são do “WWD”, que também informa que uma apresentação acontecerá apenas para clientes e editores convidados, em 6 de julho, nos luxuosos salões da grife – que pertence ao conglomerado LVMH Moët Hennessy Louis Vuitton – na Avenue George V, em Paris.

natalia-vodianova-haute-couNatalia Vodianova entra com o último look da coleção de Verão 2010 de altacostura da Givenchy ©Hanneli Mustaparta/Reprodução

“Quero fazer a couture ainda mais especial do que é, não apenas outro desfile”, disse o estilista Riccardo Tisci. Serão apenas 10 looks – e nenhum preto, o que Tisci considera “um desafio” – e a apresentação deve custar cerca de 35% mais que um desfile normal.

Afinal, as fotos do lookbook serão feitas por um fotógrafo famoso (Willy Vanderperre) e as modelos serão tops disputadas (Mariacarla Boscono e Lara Stone, por exemplo). O período pós-crise, segundo Tisci, “é um retorno forte à exclusividade”.

Outro motivo luxuoso para a mudança de formato é que alguns clientes da Givenchy, como membros da família real, não apareciam nos desfiles por questões de privacidade e segurança. Além das roupas, haverá também a apresentação de uma coleção de jóias.

+ Veja as fotos do desfile de Verão 2010 de altacostura da Givenchy

O canto do cisne: Givenchy não desfilará altacostura

Riccardo Tisci coloca transexual brasileira na campanha da Givenchy

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Tem brasileira na nova campanha da Givenchy. Só que dessa vez não se trata de uma top model nacional, e sim da transexual Lea T.

Nascida Leo, a transexual é amiga do diretor criativo da grife, Riccardo Tisci, e também atua como sua assistente pessoal, além de ter trabalhado como modelo de prova de roupas de sua própria marca.

Lea aparece ao lado de outros noves modelos, incluindo Mariacarla Boscono, Malgosia Bela e Joan Smalls, em fotos clicadas pela dupla Mert Alas e Marcus Piggott. Segundo Riccardo, a escolha de sua amiga representa, da melhor forma possível, a fusão entre masculino e feminino que viraram sinônimo de seu trabalho na Givenchy.

givenchy01Lea T. (de batom vermelho à direita), transexual brasileira que estrela a nova campanha para o inverno 2010 da Givenchy ©Mert Alas & Marcus Piggot

Riccardo Tisci coloca transexual brasileira na campanha da Givenchy

Paris inverno 2010: Givenchy abandona romantismo dark

PARIS, 7 de março de 2010

Por Luigi Torre

Colaborou Augusto Mariotti

Quando se pensa na Givenchy sob o comando de Ricardo Tisci a primeira imagem que aflora é aquela de um romantismo dark, carregado de elementos do cristianismo ou étnicos que o estilista tanto gosta de trabalhar. Mas o Inverno 2010 da grife vem cheio de frescor, propondo uma abordagem totalmente nova para a maison, mas sem perder a força sensual do seu diretor criativo.

Minimalismo, alfaiataria precisa e um interessante mix de tecidos, sempre com alta dose de sensualidade. Tisci deixou um pouco seu lado emocional de lado na última apresentação deste domingo (07/03) aqui em Paris, e se concentrou nas linhas precisas que andam tomando conta da temporada. Blazeres com cortes quadrados, camadas geométricas de comprimentos variados, blusas justas com faixas em cores diferentes e saias e vestidos de neoprene com abertruras que revelam peças rendadas ou com estampas estilo alpino foram alguns dos vários elementos trabalhados nessa precisa e interessante coleção. Por trás disso tudo, uma leve homenagem à Michael Jackson podia ser lida nas luvas decoradas com maxi pedras brilhantes, em perfeita combinação com bolsas e sapatos na mesma cor.

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+ Aguarde review na íntegra e fotos da coleção completa.

No casting, a surpresa foi a presenca de Malgosia Bela que quase já não desfila mais. Na ala brasileira, Aline Weber e Lais Ribeiro foram as únicas que marcaram presença. A segunda, aliás, tem aparecido nos principais desfiles da temporada. Já na fila A, com poucas celebridades, se destacaram a cantora Beth Ditto (que cancelou sua turnê pelo Brasil) e a bombshell Adriana Lima vestindo um curtíssimo Givenchy branco da coleção de Verão 2010. Ambas falaram com a FFWTV. Assista no player acima!

Paris inverno 2010: Givenchy abandona romantismo dark