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A viagem astral de Yoon Hee Lee sob o olhar do stylist Marcio Banfi

yoon verao 2011“Em que tipo de mundo viveríamos se a cultura dos nativos americanos se tornasse dominante, incorporando-se à cultura europeia?” Foi com essa pergunta que a estilista recém-formada Yoon Hee Lee ganhou o coração dos fashionistas sem ao menos ter colocado suas roupas na passarela.

Durante a banca de formandos da Faculdade Santa Marcelina, Lee caiu nas graças de Thais Losso, que passou a divulgar o seu trabalho em seu blog e dividir sua descoberta com todos os amigos. Não precisou de muito para que alguns dos principais olhos do mercado da moda nacional se voltassem para essa libriana de 22 anos, natural da Coreia do Sul e radicada em São Paulo. “Um dia depois do desfile da faculdade recebi uma ligação com uma proposta da Adriana Bozon [diretora criativa da Ellus]“, conta Yoon, que hoje faz parte do time de criação da grife.

Com a promessa de ser a grande estreia desta 27ª Casa de Criadores, o FFW conversou com Yoon sobre carreira, moda e sobre a nova coleção que ganhou cliques exclusivos do stylist Marcio Banfi durante a prova de roupa.

Confira:

Como que você veio parar em São Paulo?
Meus pais foram os pioneiros da minha família no Brasil, haviam imigrado em busca de uma vida financeira melhor.

E a moda, como que ela surgiu na sua vida?
Desde cedo tive interesse na área artística, cheguei a pensar em fazer desenho industrial, mas acabei me identificando mais com a moda.

Isso bem antes de você vir para o Brasil?
Não, porém na Coreia do Sul a arte é muito valorizada e todas as escolas têm aulas de arte até o colegial.

Então, o fato de você ter crescido lá acabou te influenciando de alguma forma.
Não posso dizer que não, pois como disse temos aulas de arte desde a pré-escola até o colegial. Sem contar que a educação por lá é muito rígida, o conceito de estudar não é somente estudar, mas também criar sonhos e realizá-los de forma a fazer a diferença para o país.

Você ia fazer um curso em St. Martins, em Londres, mas que foi adiado por conta do convite da Ellus. Sobre o que era o curso?
Pós-graduação em Fashion Design.

Como veio o convite da Casa de Criadores?
O diretor André Hidalgo me ligou perguntando se eu tinha interesse em participar do evento, imagino que tenha sido através da Thais Losso que tenha conhecido meus trabalhos.

Pode adiantar alguma coisa da coleção?
A coleção está baseada num tema que se chama “viagem astral”.

A viagem astral de Yoon Hee Lee sob o olhar do stylist Marcio Banfi

Projeto Lab: a incubadora dentro da incubadora que não para de crescer

projeto-labDa esquerda para direita: look masculino e feminino Karin Feller inverno 2010, e looks de Juliana Altafim e Najla Dib inverno 2009 ©Agência Fotosite

Uma incubadora dentro de outra incubadora? Foi assim, para acabar com tal ambigüidade que nasceu o Projeto Lab – braço da Casa de Criadores voltado aos estilistas e marcas realmente iniciantes. Antes um espaço dedicado a experimentações, hoje uma das principais vitrines de novos talentos da moda brasileira, o Lab vem ganhando força e relevância a medida que a organização e participantes vão absorvendo atuais necessidades do mercado.

Criado em maio de 2000, na 8ª edição da CdC, o evento nasceu para oferecer uma melhor plataforma aos trabalhos mais experimentais dos novos integrantes. “Na CdC começamos a manter um casting fixo de estilistas que, quanto mais desfilavam suas coleções no evento, mais cresciam comercialmente”, explica o diretor e idealizador do evento, André Hidalgo. “Mas a imprensa continuava a chamá-los de novos talentos e a comparar seus trabalhos com os de quem estava começando. Decidimos então criar um evento dentro do evento que fosse mais adequado conceitualmente para quem fazia sua estreia na moda com uma estrutura pequena.”

Para o jornalista e blogueiro Lula Rodrigues, apoiador e entusiasta do projeto, o Lab tem papel essencial para os novos talentos da moda. “É como dar papinha de criança, alimentar o bebê para que ele se desenvolva com força para aguentar as exigências do mercado”. Para ele, o Lab funciona como uma versão atualizada das manifestações underground dos anos 1980. “Se antes podíamos ver performances de 15 minutos, hoje não temos mais todo esse tempo”, explica, fazendo referência aos desfiles do projeto que são mais curtos do que um desfile convencional.

projeto-lab_02Da esquerda para a direita: Jadison Ranieri inverno 2010 e looks feminino de Arnaldo Ventura inverno 2010 © Agência Fotosita

André Hidalgo explica que o evento funciona como uma porta de entrada para própria CdC (quando não para o próprio mercado de moda). Estilistas começam ali de forma pequena, com um pequeno desfile de 10 looks. Depois de três edições, se o trabalho tiver boa aceitação pelo mercado e pela imprensa e o estilista souber se adaptar a realidade dos seu tempo, a marca migra para o line up oficial da CdC. Foi assim com os estilistas Samuel Cirnansck, Fábia Bercsek, Simones Nunes, Der Metropol e Karin Feller.

Inicialmente, o Projeto Lab era formado por marcas que a própria organização apostava. Hoje a seleção de quem desfila no evento é mais democrática. “A partir da 16ª edição da Casa de Criadores, passamos a abrir as inscrições para todo e qualquer interessado, que deve nos mandar um projeto de coleção + 1 look executado”, explica André. A partir daí uma comissão julgadora formada por profissionais da área avalia quem deve participar do projeto.

Dessa forma, o nível dos trabalhos apresentados tem ganhado cada vez mais relevância. Segundo André, “as marcas que hoje fazem parte do Lab chegam mais preparadas, com uma visão maior de mercado”. Com a maioria dos participantes vindos das faculdades de moda, a criação continua como foco principal, mas sem deixar de lado o aspecto comercial.

“O Brasil possui o maior número de cursos de graduação em moda e estilismo no mundo, e o Lab é uma das vitrines existentes para que os jornalistas e o mercado possam avaliar a qualidade de ensino e sua evolução nestes últimos anos”, diz Ricardo Oliveros, jornalista que acompanha o Lab desde a primeira edição. “A questão é que um projeto voltado para a nova geração precisaria de um mercado mais atento para poder absorver esta nova leva e possibilitar o real desenvolvimento do potencial apresentado, e isto não acontece”.

Projeto Lab: a incubadora dentro da incubadora que não para de crescer

Estreante na Casa de Criadores, Gabriela Sakate quer fazer roupas ‘possíveis’

Virginiana, natural de São Paulo e com apenas 23 anos, Gabriela Sakate é uma das novas integrantes do line up do Projeto LAB – braço da Casa de Criadores dedicado aos novos estilistas.

“Minhas inspirações são coisas lúdicas, olhares sobre momentos, situações, objetos” conta. Tecidos não muito estruturados prometem trazer uma certa leveza inspirada nos trabalhos do designer Jaime Hayon, enquanto papéis metálicos e recortes em estruturas fluídas vão dar conta dos destaques da coleção que ela desfila no verão 2011 da CdC.

croqui

Como surgiu o interesse em moda?
Desde pequena sempre quis trabalhar com moda, minha mãe fazia quase todas as roupas dela em uma costureira e eu desenhava os modelos. Mesmo no colégio eu sempre fazia os trabalhos com algum tema de moda, ou desenhava croquis. Daí quando eu tinha 14 anos, comecei a trabalhar com um designer que fazia desenvolvimento de aviamentos de moda, catálogo para algumas marcas, etc. Foi aí, então, que comecei a trabalhar mesmo com moda.

Você cursou faculdade de moda?
Fiz Design de Moda com habilitação em Estilismo na Universidade SENAC.

Você também passou um tempo na Saint Martins, em Londres. Como que foi essa experiência?
Fiz o curso de Estamparia Digital, onde aprendíamos todas as técnicas de utilização dos programas digitais e até mesmo como trabalhar com bases diferentes, possibilitando declinar o curso para a linha de acessórios, etc. Estudar na CSM foi uma das melhores experiências que já tive. A escola é totalmente ligada a explorar a criatividade pessoal, proporcionar ao aluno maneiras de cada um experimentar técnicas novas, conceitos, sair dos padrões estabelecidos na elaboração de projetos. Os professores deixam os alunos livres para criar de verdade e da maneira como se sentem mais confortáveis e acredito que isso é um diferencial de lá.

Você já produz suas coleções? Comercializa em algum ponto de venda?
Produzo. Não tenho ainda um ponto de venda então acabo vendendo através do meu blog (gabrielasakate.blogspot.com) e do Flickr (flickr.com/gabrielasakate). Mas tenho planos de abrir uma loja ainda este ano.

Quem é seu público-alvo?
São mulheres dinâmicas, que buscam estar informadas, valorizam sua independência e que, independente de faixa etária, se sintam jovens. Pessoas que visualizem a moda também como uma maneira de complementar o dia a dia. Acho legal pessoas que gostam de fazer composições. De sair daquele padrão combinadinho. Saber trabalhar a peça, misturando com outras do seu guarda-roupa. Acho que a mulher que vai vestir minha marca também gosta de criar para cada peça maneiras de torná-la usável em diferentes situações.

E qual a principal característica da sua marca?
Procuro trabalhar sempre fazendo peças que podem deixar a passarela e ir direto para a loja. Vejo que muitas pessoas têm dificuldade em coordenar as peças de desfile pois são conceituais demais. Também foco na questão de acabamentos que acho que é um diferencial das peças; além de você oferecer ao cliente um produto de qualidade compatível.

Você diria então que seu trabalho é mais comercial?
Quando falo em peças comerciais é porque acredito que fazer o experimental e trazer coisas novas para a moda não significa apenas fazer peças totalmente revolucionárias em termos de materiais, modelagem e tornar a roupa algo que só possa ser visto na passarela. Acredito que o trabalho de experimentação acaba sendo mais um desafio se aliado ao ponto de vista de como tornar aquela peça algo desejável para se usar no dia a dia.

O Projeto LAB, assim como outros projetos de moda visam sim buscar e trabalhar a criatividade, mas acredito eu que, uma das características desses projetos é visar também o lado empreendedor do negócio, uma vez que, é um projeto para lançar pessoas com ideias novas e, além disso, introduzi-las para se manterem no mercado.

Falando LAB, como surgiu o convite?
Enviei meu portifólio para seleção e soube que havia ganhado.

Na sua opinião qual a importância de participar de um evento como a Casa de Criadores?
É uma maneira de começar um projeto sabendo que pessoas que estão no mercado de moda há muito tempo e que são essenciais para a moda brasileira acreditam no seu trabalho. De certa forma, é saber que essas pessoas viram no meu trabalho algum diferencial e potencial. É um grande desafio e ao mesmo tempo uma realização pessoal.

Tem algum ídolo?
Não…

Nem na moda?
Gosto muito do trabalho do Marc Jacobs, admiro o Phillip Lim e também o Alexandre Herchcovitch, que sempre tem um olhar muito a frente e é bem inovador. Amo o trabalho da Coco Chanel.

Estreante na Casa de Criadores, Gabriela Sakate quer fazer roupas ‘possíveis’

Casa de Criadores inverno 2010: moral da história. Com novas plataformas para descobrir talentos, mostra sinais de evolução.

A 26ª edição da Casa de Criadores, que aconteceu entre os dias 22 e 27 de novembro, já durante sua fase de divulgação dava sinais de que seria um marco na trajetória do evento. E de fato o foi. A semana de moda, que nasceu como incubadora de novos talentos, fez valer sua missão que há tempos parecia esquecida e/ou mal-sucedida.

A Casa de Criadores cresceu. Tanto no seu formato como na sua proposta. Para muito além da passarela restrita aos convidados, para além dos enfadonhos desfiles. Começando pela Fashion Mob, a “passeata fashion” que levou mais de 2.000 pessoas para as ruas do Centro de São Paulo, tirando qualquer dúvida sobre a presença de mentes criativas interessadas em se expressar através da moda.

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Durante o Fashion Mob conhecemos Luiz Leite, estilista autodidata que levou o prêmio de desfilar como integrante do Projeto Lab na próxima edição da Casa de Criadores ©Agência Fotosite

Outra boa surpresa desta edição foi o Projeto Lab. Com line-up mais enxuto, os desfiles promoveram marcas jovens de estilistas que, embora inexperientes, já mostram sinais de evolução quando comparados ao que foi feito na edição anterior. Muitos deles são promessas para a moda brasileira.

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Looks de Karin Feller e Danilo Costa, dois estilistas do Projeto Lab que estão entre os nossos favoritos ©Agência Fotosite

Quer nomes? Karin Feller com sua coleção feminina e romântica, mas nada boba, com execução e acabamentos que merecem destaque. Ou então Danilo Costa que, com sua moda simples, consegue despertar desejo por pequenos detalhes ou alterações em modelagens que fazem de suas peças lúdicas verdadeiros objetos de desejo instantâneos.

Outra frente que se mostra cada vez mais bem resolvida é o Ponto Zero. O projeto tem como objetivo premiar estudantes de algumas faculdades brasileiras. Quem levou o prêmio desta vez foi a estilista da Faculdade Santa Marcelina com sua coleção que explorava formas e sobreposições de pequenos tecidos. Além dela, outros estudantes também apresentaram ótimos trabalhos, como o jovem Bruno Gonzada, da FAAP, que apresentou uma coleção repleta de tecidos sintéticos e formas soltas que mixavam informação de moda com alta dose de vida real através de uma cartela de cores coordenada de forma muito inteligente.

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Desfile de Bruno Gonzaga, aluno da FAAP que desfilou como parte do projeto Ponto Zero ©Agência Fotosite

A Casa de Criadores reafirmou nesta edição a sua vocação para promover novos talentos. Por outro lado, a forte presença desses jovens causa um desequilíbrio imediato no line-up principal do evento.

As grifes principais, que já estão consolidadas no evento, persistem nos mesmos problemas: acabamento ruim, modelagem problemática, temas mal explorados, desfiles sem edição de moda. Junte isso ao calendário demasiadamente intenso e as apresentações diárias se tornam cada vez mais cansativas. É como colocar uma lente de aumento em todos os defeitos.

Não por acaso, os destaques continuam sendo os mesmos: Gêmeas, Walério Araújo, João Pimenta, Rober Dognani e, a única novidade, Weider Silveiro. E a conclusão que tiramos? O novo sempre vem. E chegou a hora da Casa de Criadores rever sua velha-guarda.

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Com as novas plataformas se mostrando bem resolvidas e promissoras, não seria hora de repensar critérios para algumas marcas que se apresentam no line-up oficial? ©Agência Fotosite

Casa de Criadores inverno 2010: moral da história. Com novas plataformas para descobrir talentos, mostra sinais de evolução.

CdC inverno 2010: Projeto LAB. Com line-up mais enxuto, marcas do braço de novos talentos da Casa de Criadores mostram sinais de evolução

Karin Feller

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O quinto e penúltimo dia da 26ª edição da Casa de Criadores começou com os desfiles do Projeto Lab, braço do evento destinado às marcas mais jovens, que nesta edição veio com line up enxuto e de qualidade superior.

Quem deu início aos trabalhos foi a Karin Feller. Assim como em suas coleções anteriores, Karin mantém a atenção nas formas e construções das roupas que agora vêm com toque extra de feminilidade. Seja pela cartela de cor suave repleta de neutros contrapostos a cítricos e fluo, seja pela modelagem, silhueta e proporções dos looks que sempre comunicam uma feminilidade nada boba ou ingênua.

Merece destaque a imensa preocupação com acabamento e o bom manuseio de tecidos. Sem parecer forçado demais acrescenta pregas, recortes, babados, laços e aplicações de pedras e brilhos, de forma totalmente inteligente e despretensiosa, enriquecendo a bagagem e informação de moda dos looks. Exemplos? Todas as saias excelentes com cintura no lugar e comprimentos que variavam entre curtos fofinhos e um pouco a cima de joelho, as camisetas com profusão de babados no ombros e a calça de alfaiataria em moletom.

Danilo Costa

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Sua coleção de verão inspirada no artistas plástico Jeff Koons na edição passada, ficou entre os destaques do evento pela alta carga lúdica e as soluções simples e esperta para moda masculina. Agora, em sua segunda apresentação no evento, Danilo continua focado em tais elementos só que olhando para as corridas caninas como fonte de inspiração.

Daí vem as estampas de casinhas de cachorros, câmeras fotografias, rostos de cachorros ou então pictogramas desses e até a frase “I wanna be your dog” (quero ser seu cão). E apostando em peças e modelagens aparentemente básicos e simples, vai incrementando detalhes responsáveis por despertar desejo em cada peça que entrava na passarela. As camisetas vinham em algodão especialmente tratado, com toque e caimento diferenciado e de melhor qualidade. As bermudas tinham seus botões substituídos por pequenos brilhantes falsos, enquanto peças um pouco mais sofisticadas ganhavam tratamento bem casual em tecidos leves e de aparência despretensiosa.

Rachel Grandinetti

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Quem dá o tom para o inverno 2010 de Rachel Grandinetti é ninguém menos que Maria Antonieta. De seus vestidos ultra-exuberantes, de volumes exagerados, saem as formas dos vestidos, blusas e casacos, quase sempre arrematados por volumosas saias forradas de tule. Num mix suave de referências folk (nas formas, recortes e xadrezes), acaba transportando para atualidade as formas dos vestidos da rainha da frança, enquanto dá um toque mais real aos casacos longos e vestidos que parecem grandes de mais pelo volume das saias, que devem ser reduzidos para vida real.

Contudo, comparado as outras duas ótimas coleções anteriores, ficamos esperando aquele elemento surpresa, e aquela inovação tão essencial e características de jovens estilistas.

Jadson Raniere

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Jadson Raniere gosta de colocar um pouco de drama em sua passarela, seja por temas mais complexos, seja pelo trabalho de formas extravagantes em suas coleções. Dessa vez foi olhando para a trajetória dos ladrões americanos Butch Cassidy e Sundance Kid que conseguiu unir as duas formas, numa coleção mais bem amarrada que mostrou o estilista dosando mais a mão na ornamentação dos looks e investindo mais no manuseio e coordenação de tecidos.

Tendo elementos das vestimentas do século XIX e principalmente o folk como pano de fundo, investe em diferentes imagens para seu inverno 2010. Primeio uma mais dark, ainda que com alta dose de glamour traduzida pela constante presença de brilhos em plaquetas ou maxi patês que dividiam espaço com longas franjas negras. Aos poucos, esse clima obscuro vai perdendo força, a medida que cores mais claras entram em cena, até a chegada de roxos e rosas em tecidos sintéticos como vinil e lamê, trazem um pouco da estética new rave ou clubber para o mundo folk moderno de Raniere.

Arnaldo Ventura

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Drama é também predileção do paraibano Arnaldo Ventura. Depois de um verão pós-apocalíptico cheio de referências safáris e militar, o estilista olha agora para os pássaros como fonte de inspiração. Ainda com ar sombrio, aproveita para focar-se no trabalho de textura e construção, a medida que picota pedaços de tecidos que compõem casacos e vestidos de formas orgância, quase sempre com capuz, para simular as plumas, que também são referenciadas por penas mais para o fim do desfile.

A alfaiataria vem novamente salpicada por referências militares, quase como um resquício da coleção passada. Só que agora, as formas puras e estruturadas que marcavam os ombros, vem hibridizadas (num interessante trabalho de desconstrução) a formas orgânicas, com volumes conseguidos através de moulage seja nos tecidos texturizados ou então em versões mais simplificadas e com apelo para um público um pouco mais vasto, como no macacão risca de giz ou no vestido preto com delicado volume assimétrico em um dos lados. Os demais, texturizados e com volumes mais evidentes, são perfeitos para meninas que não dispensam um dose de drama ou extravagância na hora de se arrumar, e que também não ligam muito para pequenos problemas de modelagem e acabamento.

CdC inverno 2010: Projeto LAB. Com line-up mais enxuto, marcas do braço de novos talentos da Casa de Criadores mostram sinais de evolução