Luxo americano x luxo europeu: quais as principais diferenças?

03/08/2011

por | Moda

6a00d834527a7669e20111688a89f3970c-800wiLazaro Hernandez e Jack McCollough, estilistas da Proenza Schouler ©Reprodução

Existe uma diferença entre o luxo americano e o europeu? Certamente, mas o questionamento foi feito pela editora de moda do “Finantial Times”, Vanessa Friedman, que se aprofundou mais no assunto. De acordo com um artigo publicado por Vanessa em seu blog, ela vem pensando nisso desde que foi publicada a notícia de que a marca americana Proenza Schouler receberia um investimento milionário.

De acordo com ela, quando parte da marca foi vendida ao Grupo Valentino (que também tem um contrato de 10 anos de licensiamento da M Missoni), o objetivo do Grupo era colocar a Proenza Schouler no patamar de grifes de luxo como Hugo Boss pelas bandas europeias, mas o resultado não foi bem esse. De acordo com o release oficial após o término das negociações, o Grupo Valentino afirmou que “o negócio da Proenza é o futuro do luxo americano e ela está pronta para competir no mercado global, atualmente dominado por designers europeus”.  Para Vanessa, a pergunta mora aí. Por que então, no anúncio, eles não disseram que a grife era apenas o “futuro do luxo”?

“De início, é possível pensar que tem a ver com estilo, a diferença entre uma estética yankee, diferente da europeia”, afirma Vanessa. No entanto, ela já afirma que, das marcas mais novas de sucesso nos EUA (como Jason Wu e Derek Lam), a Proenza Schouler é a que menos grita “Americana!”. A Proenza sussura “cool chique” e o que faz a marca ser americana é o fato dela estar baseada nos EUA. “O que parece uma distinção ridícula, mas quando o assunto é lançar um negócio de moda, produção, fábricas, distribuição e proteção de copyright, é importante onde você está baseado”, diz.

Friedman ainda explica que essa é uma das razões por que tantas marcas da Europa ainda veem seus negócios nos Estados Unidos como estando no estágio inicial. “As logísticas do mercado são diferentes”, conta. Para ela, talvez este seja um dos motivos para a grife americana ter se unido a um grupo de investimento europeu.

Essa é uma discussão que rende muito assunto. No Brasil também há esse tipo de questionamento. Você é um estilista brasileiro porque aqui nasceu, e não significa que tem que colocar elementos de brasilidade em seu trabalho. Certo ou não? E vocês, acham que a “diferença de luxos” é uma questão estética ou comercial?

Proenza Schouler desponta com investimento milionário #$$$$

02/08/2011

por | Moda

proenza-estilistasJack McCollough e Lazaro Hernandez, estilistas da Proenza Schouler ©Reprodução

Após mais de um ano de negociações, a grife Proenza Schouler agora faz parte do Valentino Fashion Group. A marca, criada em 2002 por Jack McCollough e Lazaro Hernandez, integra um time com 20 investidores liderados pelo veterano da indústria Andrew Rosen e o financiador John Howard. A novidade deve dar um empurrão financeiro e acrescentar expertise ao departamento comercial para a marca se expandir.

De acordo com o portal “WWD”, o grupo chegou a investir entre 10 e 20 milhões de dólares no negócio da Proenza Schouler em troca de uma parcela da posse da marca. Ainda segundo o site, pouco do novo dinheiro irá para o bolso dos estilistas McCollough e Hernandez. Os dois preferiram receber menos e ter mais controle sobre seus próprios destinos.

proenza-desfile-2011Desfile de Inverno 2011 ©FFW

O resultado da negociação é mais uma mostra de como a marca nova-iorquina tem feito sucesso. Jack e Lazaro se conheceram enquanto estudavam na Parson’s School of Design (renomada escola em Nova York) e, juntos, fizeram um projeto de graduação que resultaria na primeira coleção da Proenza Schouler, que foi colocada à venda na Barneys e completamente arrematada. Eles também receberam um empurrãozinho de Anna Wintour, que faz bem para qualquer estilista em início de carreira. O nome da grife é a junção dos sobrenomes de solteira das mães dos estilistas.

ps-2008-invernoDesfile de Inverno 2008 ©FFW

A grife ficou famosa pela atenção aos detalhes em suas peças, que são sempre muito refinadas, mas tem a jovialidade que conquista meninas no mundo inteiro. A mistura da inspiração na arte contemporânea e da cultura jovem, combinada a uma alfaiataria impecável e tecidos desenvolvidos especialmente para eles também é ponto forte da Proenza Schouler.

A marca fez parte de um movimento revigorante para a moda norte-americana. Ainda enquanto estavam em ascensão, em 2004, McCollough e Hernandez foram premiados com o CFDA Vogue Fashion Fund e começaram a se estabelecer como um talento líder na indústria. Em 2007, eles foram premiados novamente, com o prêmio de designer do ano de moda feminina e, este ano, ganharam mais um CFDA na mesma categoria.

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Acessórios da marca
©Reprodução

Outro ponto forte da Proenza Schouler são as bolsas, cintos e sapatos que fazem a cabeça dos maníacos por acessórios. A primeira linha de sapatos assinada pela dupla foi lançada em 2008. No mesmo ano, foi lançada a PS1, uma bolsa de estilo clássico, que logo virou sinônimo de luxo e desejo. Tanto que muitos magazines fizeram versões da PS1, só que, claro, muito mais baratas.

ps1A famosa PS1 ©Reprodução

Atualmente, os produtos da marca são vendidos em mais de 100 lojas no mundo inteiro, incluindo Barneys New York, Bergdorf Goodman, Harvey Nichols, Colette, e Joyce. Mas agora, com o novo investimento, é só questão de tempo para as lojas próprias começarem a aparecer.

Das loucuras de Jeremy Scott ao glamour de Michael Kors

17/02/2011

por | Moda

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PROENZA SCHOULER

Native American. A inspiração de Lazaro Hernandez e Jack McCollough vem de uma viagem de carro que fizeram de Santa Fé para Wyoming, estado americano localizado na região das Montanhas Rochosas, lugar de beleza natural abundante. As texturas vem de cobertores e outros objetos que eles reuniram ao longo da viagem. Chegando em NY, tudo foi escaneado e manipulado em um computador.

Coleção: O efeito é lindo, as estampas e as cores usadas enriquecem e tornam a coleção bem diferente do que tem se visto até agora nessa estação. A coleção é feita de calças mais curtas, vestidos com barra assimétrica e bons cardigans e jaquetas, mas a boa ideia fica por conta das camisas, mais longas, que são usadas metade para dentro, metade para fora.

Opinião: É uma proposta diferente para o inverno. A estamparia étnica traz uma sensação de calor e acolhimento, talvez pela vibração que vem das cores, bem mais interessante do que a avalanche de pretos e cinzas que normalmente dominam os dias frios.

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MICHAEL KORS

O estilista Michael Kors, um dos big names da indústria de moda nos EUA, comemorou 30 anos de carreira com uma fila A replete de celebridades, entre elas o casal Michael Douglas e Catherine Zeta-Jones. Com Donna Summer cantando “I Feel Love” na trilha, Kors mostrou seu glamour relax em um casting dos sonhos: Carol Trentini, Karolina Kurkova, Isabeli Fontana, Carmen Kass, Erin Wasson, Angela Lindval, Chanel Iman e a novata Arizona Muse.

Coleção: Ao todo foram 60 looks, entre feminino e masculino. Kors mostrou looks monocromáticos em tons como pele, cinza, preto, marrom, ameixa, off-white, rosa antigo, vermelho, bordô em uma série de ótimas calças de alfaiataria, mais amplas, casacões e cardigans. Tudo muito bem pensado e executado, mas o que mais chama a atenção é que as roupas são muito chiques porém parecem confortáveis e relax. Essa ideia foi ao extremo no look que mostrou bodies de caschmere de corpo inteiro só com um belo casacão jogado por cima.

Opinião: Uma coleção que consegue ser sexy, chique, confortável, impecável e descomplicada. São anos de trabalho, tombos e experiências para chegar nessa equação. Foco nos básicos e clássicos, aquelas peças atemporais em que vale investir e usar por muito tempo. É comercial sim, mas também o que uma grande parcela das mulheres procura: roupas usáveis e com personalidade.

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JEREMY SCOTT

Meio clubber o desfile de Jeremy Scott, não? Sim, ele se inspirou nos anos 90, quando se montava para ir para as festas, e pelo visto sua viagem deve ter sido bem forte. Scott sempre foi um outsider, faz as coisas à sua maneira, gosta de se divertir e pouco liga para o que falam dele. Há riscos, como o que ele tomou ao assinar essa coleção, mas há algumas peças que certamente falarão com sua consumidora, como os microvestidos e as malhas super coloridas.


Coleção: Por onde começar? Tops e vestidos com o logo da Coca-Cola com a inscrição Enjoy God; cores vibrantes, mix de cores vibrantes, metalizados, logo do Super-Homem e do Batman, desenhos de raios, jaquetas de plástico, microshorts, microvestidos, microsaias, microtops, uma roupa masculina que parece de astronauta e por aí vai.


Opinião: Gostando ou não é bom ver alguém com a liberdade de expressão de Jeremy Scott. A moda precisa dos loucos.

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3.1 PHILLIP LIM

Phillip Lim está acostumado a vestir mulheres exigente, entre elas Demi Moore e Natalie Portman. Mas desta vez o estilista tailandês radicado nos EUA se inspirou nas garotas que vão do trabalho à festa de bicicleta e tentou aliar shapes contemporaneous a praticidade necessária para… pedalar.

Coleção: Há uma mistura de sportswear com alfaiataria que funciona, com maxicardigans e malhas jogados por cima de leggings com a barra puxada e bermudas. As calças são muito boas, mais amplas na parte de cima com a boca afunilada, destaque para o modelo de couro que abre o desfile. Há ainda macacões e vestidos de seda, que também seguem o clima easygoing da apresentação.

Opinião: Suas roupas sempre trazem um elemento de rua misturado a suas ideias de moda. Nessa coleção ocorre o mesmo, mas os looks parecem complicados demais para a situação proposta. Claro que se nos prendermos a essa única atividade, tiramos o estilista a liberdade que ele tem de interpretar essa inspiração de maneiras diferentes. O que ele faz, com sucesso, é aproximar o lado cool e prático da moda de rua com a elegância da moda de noite e da alfaiataria.

Veja todos as coleções na seção Desfiles

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NEW YORK fashion week January_2011_MICHAEL_KORS_

#TrendingTopics: as camisas da vez e suas (des)construções

05/01/2011

por | Moda

Edição: Luigi Torre (@luigi_torre)

Com o eterno jogo do masculino no feminino como um dos principais rumos para o verão 2011 do Hemisfério Norte, a clássica camisa branca surge como peça chave da temporada. O mais legal porém, são suas variações, seja em tecidos molinhos e transparentes, ou em desconstruções de modelagem, decepando mangas, ampliando e deslocando colarinhos, ou simplesmente substituindo esses por grandes laços _afinal os anos 1970 estão com tudo, não é mesmo?

FFW fashion digest: Dior, vaga na Maria Bonita Extra, Victoria Beckham e +!

06/09/2010

por | Moda

A Dior está mesmo investindo em filmes de moda. Além da série de curtas envolvendo Marion Cottilard e a bolsa Lady Dior, agora é vez dos meninos _mais especificamente de Guy Ritchie e Jude Law. Para sua mais nova fragrância masculina a grife francesa encomendou um filme dirigido pelo ex-marido de Madonna (Ritchie) e estrelado por um de seus atores favoritos (Law).

Com data de estreia prevista para a quarta-feira (08/09), o filme traz todo mistério do trabalho de Ritchie, com suas cenas obscuras e sensualidade subliminar, ao lado do charme e elegância de Law. Para não deixar que seus fãs morram de ansiedade, então, a Dior liberou uma espécie de teaser que você confere acima.

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Saiu o resultado final de um julgamento que se arrastava há mais de 2 anos: LVMH vs. eBay. O motivo da briga foram transações online feitas entre 2001 e 2006 envolvendo produtos falsificados da Louis Vuitton, Christian Dior, Guerlain, Givenchy e Kenzo. Em última instância, a Justiça condenou o eBay a pagar uma indenização de € 5,7 milhões _uma pechincha se comparada ao valor original pedido pelos tubarões da LVMH: € 40 milhões. A Justiça tarda, dá um descontinho, mas não falha.

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A Maria Bonita Extra está dando continuidade ao seu projeto Trainee Personal Stylist. Voltado para escolas de moda do Rio de Janeiro, trata-se de um programa de estágio no qual estudantes passam por um treinamento no setor de estilo da marca para poderem ajudar as clientes a compor looks com peças das coleções. Ao fim do projeto, dois participantes são escolhidos para integrar as equipe de estilo e marketing da empresa. Interessou? Mais informações no site da marca.

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keith-haring-by-nicholas-kirkwood-2Os sapatos esculturais de Nicholas Kirkwood em homenagem ao legado de Keith Haring ©Divulgação

Uma colaboração póstuma. É mais ou menos por aí a nova parceria do designer de sapatos Nicholas Kirkwood. Conhecido por suas criações para marcas como Rodarte e Peter Pilotto, Kirwood agora se junta a Keith Haring, ou melhor, a sua fundação para uma coleção de sapatos a ser lançada em fevereiro de 2011. O resultado (fotos acima) é um mix do design ousado de Nicholas Kirkwood com os grafismos inconfundíveis de Keith Haring.

+ haring.com

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Victoria Beckhams no Twitter existem várias _DVBstyle, REALvicbeckahm… Porém, a verdadeira Posh Spice só aderiu ao micro blog recentemente com nome de @vbfashionweek. A ex-Spice Girl promete updates sobre tudo o que acontece durante as semanas de moda de Nova York, Londres, Milão e Paris, eventos onde ela certamente terá seu lugar cativo nas filas A mais disputadas. Bota pra seguir!

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Falando nela, Victoria Beckham _ao lado de Burberry, Mulberry e Pringle of Scotland_ foi indicada ao prêmio de melhor marca do ano para o British Fashion Awards de 2010. Outros nomes concorrendo ao prêmio são Christopher Kane, Erdem Moralioglu e Phoebe Philo na categoria de melhor estilista do ano.

+ britishfashionawards.com

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Muito mais eficaz que uma campanha. Para o inverno 2010 os estilistas da Proenza Schouler convidaram o diretor de cinema Harmony Korine para criar um pequeno filme sobre a coleção. O resultado teve estreia online na última semana no site da marca, mostrando a perfeita sintonia entre o cineasta e o estilista, em imagens que falam de juventude e seus dilemas nos dias de hoje. Assista acima!

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lookbook-maria-garciaLook book da Maria Garcia para o verão 2011: ambientalmente correto (sem ser eco-chato), artesanal e fofo _muito fofo! ©FFW

O look book da Maria Garcia que chegou aqui na redação do FFW é tipo de colecionador. Todo feito à mão, com as fotos (de Ana Carranca e todas sem nenhum tratamento de pós produção) e informações coladas ou costuradas manualmente no caderninho. Trata-se também de uma alternativa para os catálogos convencionais _impressos_, já que estes têm tiragem super limitada (apenas 40 exemplares para imprensa), estando disponível também no site da marca a partir do dia 13/09. Muito fofo!

“Estamos entrando num período modernista”, diz analista

18/02/2010

por | Moda

Assim como as artes, literatura e música, a moda também passa por diferentes movimentos estilísticos. Do Clássico ao Barroco e Rococó, do Surrealismo ao Futurismo. Segundo a analista de tendências globais do site Stylesight, Sharon Graubard, “estamos entrando num período Modernista”.

Nem tanto pelas formas abstratas que artistas desse movimento gostavam de explorar, mas sim pela extrema atenção ao trabalho com forma e materiais. “Para os Modernistas, o que importa no o conjunto final é a essência do material, a o trabalho de formas pura que explora toda qualidade da matéira”, explica Sharon. “E para o inverno 2010, os tecidos são os elementos mais importantes”.

As texturas – e suas diversas coordenações – são essenciais para dar um toque extra às roupas simples de formas básicas que se mostram como um dos principais rumos desta estação. “Queremos roupas de verdade, não mais aquele básico chato de antes, mas um novo ‘supe básico’”, comentou Sharon em entrevista ao FFW. “Roupas como as que Phoebe Philo mostrou na Celine no verão 2010, ou como Marc Jacobs apresentou em seu inverno 2010”.

Phililp Lim, estilista jovem com faro apurado para o que suas consumidoras desejam, foi outro que sentiu essa necessidade de uma moda mais pé no chão, mas nem por isso menos interessante. Sua coleção apresentada na última quarta-feira (17/02) aqui em Nova York foi uma das mais bem sucedidas da sua carreira, dessa vez trazendo um estudo de materiais responsáveis por enriquecer as peças de cortes e modelagens simples.

3.1-philip-lim-inverno-20103.1 Philip Lim inverno 2010 © FirstView

Buscando inspiração no fim dos anos 1970, quando a Era disco começava a se fundir com o punk, Lim encontrou terreno fértil para trabalhar de maneira sutil a tendência boêmia que também tem sido recorrente.

Casacos impactantes em couro, forrados com lã ou com aplicações de peles (outro elemento recorrente) vêm sobrepostos aos vestidos túnicas leves e blusas transparentes numa excelente coordenação de tecidos de pesos e opacidades diferentes. Calças são um caso à parte. Com cintura alta, corte reto ou levemente evasê, elas são objetos de desejo indispensáveis junto aos casacos de aspecto pesado responsáveis por transformar a menina delicada de antes numa mulher sofisticada com roupas modernas, simples, que transmitem extrema segurança e força.

Nos estúdios Milk, no Meatpacking District, a música começou a tocar bem alto: “I can be a freak every day of the week”. Era o desfile de Jeremy Scott que, depois de algumas temporadas se apresentando em Paris, voltou a seu pais de origem. E enquanto o novo single da cantora Estelle (devidamente sentada na primeira fila do desfile) tinha tudo a ver com o universo da marca, o que se viu na passarela foi quase que o oposto.

jeremy-scott-inverno-2010Jeremy Scott inverno 2010 ©FristView

Se Scott quer ser um freak (aberração, em português) todos os dias da semana, então seu inverno 2010 é mais normal do que se espera. As estampas bem humoradas e as extravagâncias – aqui em fivelas de cinto em forma de corps femininos do tamanho das modelos – estavam todas lá, mas de forma amenizada. As roupas, às vezes decoradas com aplicações de joias, vinham prontas para o consumidor final, como os vestidos de tricô soltinhos, os justos de couro e as jaquetas esportivas.

A mensagem – eque resume a temporada de modo geral – veio no meio do desfile: uma camiseta alongada, de mangas amplas onde se lia a palavra “style” de um braço ao outro, atestando que o inverno 2010 não fala sobre moda, mas sobre estilo.

Na apresentação da grife Proenza Schouler, Jack McCollough e Lazaro Hernandez parecem ter voltado às suas origens para resgatar alguns de seus elementos mais essenciais e misturá-los com a atitude ingenuamente sexy que se tornou característica da marca nas últimas coleções.

Dessa forma, com calças ultra justas de cintura alta, voltam os blazeres e jaquetas que lembram uniformes escolares, às vezes com leve toque militar. Adornados por peles levíssimas (que chegam a ter movimento), eles ganham ar maduro, de mulher sofisticada, mas que não perdeu seu espírito jovem.

proenza-schouler-inverno-2010Proenza Schouler inverno 2010 © FirstView

Vestidos curtinhos, com leggings e meias calças atribuem o mesmo efeito, substituindo as peles por um interessante trabalho de jacquard, ou então ganhando ares mais descontraídos quando combinados aos pulôveres de tricô simples. Interessante também o trabalho de estampas de grafite, mais bem resolvido quando apresentado em boas coordenações de cores, como os brancos com azuis. O resultado final pode não ser tão inventivo ou cativante como o da última coleção da dupla, mas essa retomada do passado e o investimento em peças simples com detalhes especiais faz sentido para o atual momento da moda.

O “timing” da moda: capitais reajustam calendários

23/12/2009

por | Moda

Sabe quando você entra numa loja e encontra peças que não são exatamente aquelas que você viu no último desfile ou apresentação da marca? Essas roupas que ficam nas araras depois que o calor passou, ou antes do frio chegar, muito provavelmente brotaram de uma resort ou pre-fall collection.

Os nomes em inglês podem parecer confusos. Ainda mais porque não possuem uma tradução definitiva: o clima no Brasil impede a existência, por exemplo, de um outono como no Hemisfério Norte. Mas vamos explicar: as resort ou cruise collections, que lá fora dizem respeito a uma época do ano onde o calor de fato fica restrito aos balneários e encostas, por aqui ganharam o nome de Alto Verão, acontecendo justamente no período de fim de ano e férias de verão, auge do calor. Já as pre-fall collections (equivalentes ao outono), quase não fazem sentido do lado de baixo do Equador, ficando por aqui conhecidas como “previews de inverno” ou, em raríssimos casos, “coleções de outono”.

No metiê internacional, a existência dessas duas temporadas intermediárias faz todo sentido. Com o surgimento do esquema fast-fashion – coleções e peças novas que abastecem lojas a cada 15 dias –, as principais grifes de luxo se viram obrigadas a mudar a lógica de suas apresentações e entregas de novos produtos. A solução foi encontrada nessas coleções de meia estação, que reduzem o tempo com que novas roupas e acessórios chegam à loja, oferecendo assim uma resposta à dinâmica das grandes redes como H&M e Zara, ao mesmo tempo que atendem algumas demandas mais imediatas dos consumidores.

Desfile Chanel pre-fall 2010
Desfile Chanel pre-fall 2010 ©Marcio Madeira

E por mais comerciais (ou pouco criativas) que essas coleções possam ser, o formato e o timing dos lançamentos parecem cada vez mais adequados aos hábitos de consumo da atual sociedade.

Em julho de 2009, o CFDA (Council of Fashion Designers of America) realizou um encontro encabeçado pela presidente do conselho, a estilista Diane Von Furstenberg, cujo objetivo era justamente discutir a relevância e dinâmica da New York Fashion Week.

“Parece haver algo desconectado. Pra nós, os desfiles se tornaram algo da imprensa. Estão nos blogs, as revistas publicam matérias e fotos direto das passarelas e, quando chegam às lojas, [as roupas] parecem meio velhas”, argumentou Jack McCollough, um dos estilistas da Proenza Schouler, na ocasião . “O consumidor está completamente confuso e está dizendo um basta. Nós estamos gastando dinheiro em desfiles e quando o consumidor tem a oportunidade de comprar os produtos, eles já estão em liquidação”, completou a veterana Donna Karan.

Na logística da indústria da moda internacional, uma coleção pode demorar até 6 meses entre sair das passarelas e chegar às lojas. Ainda assim, as roupas chegam com considerável antecedência em relação à estação do ano. Por exemplo, o Inverno 2009 que desfilou em Nova York, Londres, Milão e Paris entre fevereiro e março de 2009 chegou às lojas do Hemisfério Norte em agosto, em pleno verão.

Esse esquema de apresentações tem seus fundamentos lá nos Anos 60, quando o prêt-à-porter passou a dominar a indústria e o mercado da moda. Na época, comparado ao esquema da altacostura que reinava soberano, esse processo era totalmente adequado e muito mais ágil para os consumidores finais.

A questão é que, depois de meio século passado, uma série de mudanças aconteceram. A economia agora é outra, as redes de comunicação evoluíram, a internet revolucionou a sociedade. Como consequência desse bombardeio de informações, a dinâmica de consumo da moda ficou muito mais intensa e rápida. O mundo mudou, as pessoas mudaram, o consumo mudou, a sociedade mudou, mas a lógica de apresentação de coleções continuou a mesa. Então não é surpresa que os consumidores se sintam perdidos no meio disso tudo. É natural que as pessoas achem as roupas – as “tendências” – ultrapassadas quando chegam às lojas.

É exatamente em resposta a esse cenário que as cruise e pre-fall collections ganham relevância. À medida em que atendem demandas de mercado quase imediatas, se relacionando de forma mais direta e dinâmica com o desejo presente no imaginário das pessoas, se mostram mais ágeis do que as grandes coleções de prêt-à-porter.

Desde o surgimento da internet, a moda (o mundo todo!) começou uma corrida louca em busca do “tempo zero”. No jornalismo de moda, isso ficou evidente pela cobertura praticamente ao vivo dos desfiles. Notas curtas e objetivas relatam tudo o que acontece “em tempo real”. Esse imediatismo causado pela rede é um dos responsáveis pela confusão na cabeça do consumidor a que Donna Karan se referiu – essa sensação de que a roupa já está velha quando chega às lojas.

Sendo assim, o modo – ou melhor, o timing – como a gente (aqui no Brasil, através do SPFW e do Fashion Rio) vem apresentando e lançando coleções faz muito mais sentido. Em vez de esperar até 6 meses para as roupas chegarem às lojas, trabalhamos com um intervalo de apenas 3 meses. Quando os desfiles acontecem em janeiro, as coleções começam a chegar às araras em março. Tempo que (ainda) é suficiente para manter acesa a chama do desejo.

+ Acesse nossa seção de desfiles para a cobertura completa das temporadas de moda no Brasil e no mundo.

Despentados, descoloridos e coloridos novamente em tonalidades artificais: é a nova onda de cabelos

24/11/2009

por | Beleza

O efeito chamou a atenção primeiro no Verão 2010 da Proenza Schouler, em Nova York, e era explicado pelo tema: garotas surfistas, de pele bronzeada, cabelos ressecados e danificados pelo mar. Em seguida, madeixas bicoloridas apareceram no desfile de Giles Deacon, em Paris.

1Desfiles de Proenza Schouler e Giles Deacon: atenção aos cabelos ©FirstView

Logo, estamos as identificando em todo canto: “POP”, “Dazed & Confused”, “Vogue China”, “Vogue Korea”, “Vogue America”, até na campanha de Inverno 2009 de Marc by Marc Jacobs, que passou batido antes. É um jeito diferente de adotar a beleza atlética (por falta de uma palavra melhor), onde o rosto é clean e os cabelos, desleixados.

Tudo bem enquanto conceito, mas e nas ruas? Além de Lady Gaga, a editora da “Dazed”, Katie Shillingford, foi uma das poucas mulheres que apareceu, de fato, com cabelos similares:

2O ombrée azul de Shillingford ©Jack & Jill

Roupa de esquimó no verão?

Parkas e anoraques ganham força na temporada porque são funcionais, confortáveis e duráveis; saiba mais!

19/11/2009

por | Moda

Quais são os temas em alta na moda? As referências aos uniformes esportivos, os Anos 90 e as peças funcionais, confortáveis e duráveis. Coloque tudo isso numa única peça. Qual o resultado? Parkas e anoraques! Nas coleções para o Verão 2010, essas duas peças marcaram presença em todas as semanas de moda, e também serviram como base de modelagem para uma grande variedade de roupas com apelo esportivo.

A origem das duas peças é creditada aos esquimós (a etimologia das palavras também é deles), que as usavam originalmente confeccionadas em pele animal para combater o frio extremo das regiões árticas. Por volta dos Anos 50, com o surgimento do náilon, a parka – caracterizada pelo seu comprimento até o meio das coxas, fechamento e bolsos frontais e cadarços que correm em sua bainha, originando um leve franzido – foi adotada como importante peça do uniforme militar de soldados americanos, enquanto o anoraque – com fechamento frontal, bolsos funcionais, capuz e comprimento até o quadril –, também em material impermeável, foi adotado para práticas esportivas.

1Looks Marni, TopShop Unique e Kenzo verão 2010 © FirstView

A inclusão dessas peças na indústria da moda, contudo, demorou um pouquinho mais. Foi só nos Anos 60, maravilhados pela praticidade dos vários bolsos das parkas, que os ingleses deram o aval fashion para a peça. Desde então a indústria fashion passou a usufruir constantemente da imensa versatilidade e funcionalidade das peças.

Não existe uma receita de bolo na hora de usar uma parka ou um anoraque. Afinal, as peças vêm numa imensa variedade de tecidos (de sintéticos emborrachados ultra-coloridos até versões mais sofisticadas de seda em tonalidades neutras) e formas (das mais esportivas, as hibridizadas com vestidos e peças de alfaiataria). Vale se inspirar nas sobreposições mais pesadas do grunge dos Anos 90, como na Proenza Schouler que, amarrando as parkas na cintura, as transformou em saias. Ou então em versões mais sofisticadas com babados, marcando a cintura e investindo em sobreposições mais leves e sofisticadas como na Marni. Isso sem contar nas outras peças que têm suas modelagens baseadas nas formas dos anoraques e parkas esportivos como muitos dos vestidos e macacões da Huis Clos e Alexandre Herchcvotich ou as blusas da Chloé.