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Trabalho escravo e a moda: o que, por que, como – e até quando?

zara©Divulgação

UPDATE “caso Zara” (20.12.11)

O caso Zara continua gerando notícia. A marca espanhola, pertencente ao mega grupo Inditex, assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho comprometendo-se a investir R$ 3,4 milhões em ações de caráter preventivo e a responsabilizar-se caso algum de seus fornecedores ou empresas terceirizadas voltem a empregar trabalhadores de forma irregular. Assim, caso seja averiguada a reincidência da Zara ou de suas contratadas em questões de ordem trabalhista, a empresa será obrigada a subsidiar R$ 50 mil para um fundo de emergência que apoie o funcionário migrante.

Inicialmente, o Ministério Público do Trabalho pretendia o pagamento de R$ 20 milhões em indenizações por parte da Zara. No entanto, com a lentidão do processo e com a aceitação da marca espanhola em assumir a responsabilidade sobre as suas parceiras, o órgão público aceitou o acordo citado acima.

Victoria’s Secret

Recentemente, em uma investigação realizada pelo site Bloomberg foi averiguado que o algodão orgânico utilizado em boa parte dos produtos da marca Victoria’s Secret vem de uma fazenda em Burquina Faso, país africano, que emprega mão-de-obra infantil.

O artigo, publicado em 15 de dezembro, relata as condições em que crianças, como a jovem Clarisse, de 13 anos, trabalham nas plantações que fornecem a matéria-prima para a marca de lingeries americana. Em 2007, a Victoria’s Secret afirmou que a “parceria” com as fazendas de algodão em Burquina Faso eram resultado de um acordo de livre-comércio que visava o apoio à utilização de materiais orgânicos e beneficiava plantadoras africanas. Ainda de acordo com o site, tais incentivos deram origem a muitos casos de exploração infantil, já que no país em questão a população vive com menos de dois dólares (cerca de quatro reais) por dia.

Sobre o conhecimento da Victoria’s Secret a respeito desta prática, o Bloomberg não conseguiu nenhuma comprovação. A vice-presidente de Comunicações da empresa detentora da Victoria’s Secret, Tammy Roberts Myers, afirma que o grupo não estava a par da situação e desaprova o trabalho infantil.

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A notícia já foi reproduzida nos principais sites de notícias do Brasil e é topo do trending topics nacional desde ontem (16.08) à noite, quando uma reportagem especial do programa “A Liga”, da TV Bandeirantes, mostrou as condições de trabalho irregulares de trabalhadores em uma oficina de costura em Americana, interior de São Paulo, que produzia peças de roupa para a Zara, do grupo espanhol Inditex.

O vídeo, que você assiste na íntegra abaixo, denuncia as condições sanitárias e de segurança dessa oficina terceirizada, em uma situação descrita como “análoga à escravidão” pela agência de notícias Repórter Brasil, que acompanhou a mesma investigação retratada na reportagem da Band e que publicou um relatório bem completo sobre o caso.


Fios elétricos desencapados, alvenaria improvisada, extintores vencidos, alimentação precária, higiene deficiente, falta de equipamentos adequados, ausência de registro trabalhista, impedimento de livre circulação e, principalmente, as longas jornadas de trabalho que chegam a até 14 horas diárias são apenas algumas das irregularidades flagradas pela equipe da “A Liga”.

A própria reportagem questiona, então, o que leva tais trabalhadores a saírem de seus países e buscar empregos na indústria têxtil brasileira. Um funcionário da oficina que não quis mostrar o rosto no vídeo explica: a busca por melhores condições de vida. Em seu país de origem, ele conta que ganhava um salário de 800 bolivianos, equivalente a cerca de 170 reais; já no Brasil, ganhando por peça costurada, ele consegue 900 por mês, — mas a custo das condições descritas acima.

A agência de notícias Repórter Brasil afirmou que o grupo Inditex, dono da Zara, classificou o caso como “terceirização não autorizada”, já que a contratação da oficina foi feita por uma empresa intermediária contratada pela marca espanhola. História que, infelizmente, não é novidade na indústria da moda, nacional ou internacional. Para quem quiser se aprofundar nesse assunto, um material bem interessante é o filme “Gomorrah” (2008), baseado no livro homônimo do jornalista italiano Roberto Saviano, que documentou nessa obra a ação da máfia de seu país e que, por isso, vive hoje sob proteção do governo. No longa, o personagem Pasquale é um alfaiate de alta-costura que passa a treinar operários chineses concorrentes da máfia dominante. Veja o trailer abaixo:

E daí vem a pergunta que você provavelmente está se fazendo agora: “por que casos como esses continuam acontecendo em pleno século 21 – e o que pode ser feito a respeito?”. Cobrar ações do governo na criação e regulamentação de leis trabalhistas? Aumentar as multas nos casos de comprovação de irregularidades? Fornecer subsídio a empresas da indústria têxtil para equilibrar a concorrência desleal de importados baratos?

Quem sabe? Mas a melhor solução, talvez, seja a que o jornalista e ativista social Leonardo Sakamoto, coordenador do já citado Repórter Brasil, sugeriu em reportagem da “Trip” de março deste ano, retuiada por ocasião da polêmica envolvendo a Zara: o poder do consumidor. “Quando você compra, deposita seu voto na empresa, na forma como aquela mercadoria foi produzida. É uma ferramenta que pode até ser mais forte do que o voto eleitoral, porque você tá ‘votando’ todo dia. O ato de compra é um ato político”, ele opina.

Abrindo a discussão para os leitores: o que você acha que poderia ser feito para dar fim a essa situação?

Trabalho escravo e a moda: o que, por que, como – e até quando?

Polêmica: fotos de crianças com cigarro causam desconforto e geram discussões

Imagem da série  “A beleza de um vício feio” ©Frieke Janssens/Reprodução

A arte é usada constantemente para causar reflexão. Através do impacto de uma imagem, ou um texto, diversos artistas se propuseram a questionar aspectos da vida em sociedade, considerados banais ou não. A fotógrafa belga Frieke Janssens resolveu discutir o hábito de fumar e as leis antitabagistas unindo elementos que na maioria das vezes são opostos entre si: crianças e nicotina. A série intitulada “A beleza de um vício feio” (“The beauty of an ugly addiction”) traz meninas e meninos entre quatro e nove anos vestidos de maneira retrô em poses imponentes e portando cigarros, cigarrilhas ou charutos.

As fotografias, esteticamente belas, porém chocantes, têm um ar melancólico e decadente que lembra a atmosfera de um filme noir. O intuito de Frieke é confrontar a imagem de glamour do ato de fumar, propagada por tantos anos pela indústria do entretenimento, com o vício prejudicial que ele realmente é. A inspiração para o projeto veio a partir de um vídeo, postado na internet, que apresentava um bebê indonésio que chegava a consumir 40 cigarros diariamente. Questionada sobre a polêmica série, a belga se defendeu afirmando que ao colocar crianças no lugar de adultos, a atenção se voltaria completamente para o fumo.

“Candy Cigarette”, de 1989 ©Sally Mann/Reprodução

Todavia, a proposta de Janssens não foi assim tão inovadora. O artista plástico israelense Nir Hod e a fotógrafa americana Sally Mann já fizeram obras com fio condutor semelhante ao da série da belga de apenas 31 anos. Na exibição “Genius”, Hod produziu mais de 50 pinturas de jovens e crianças com roupas de época e cigarros em mãos. Já Mann criou em “At Twelve: Portraits of Young Women”, de 1988, uma de suas imagens mais icônicas, que mostra uma garota de menos de 12 anos displicentemente segurando um cigarro.

Se o objetivo de Frieke Janssens foi criar polêmica e repercutir seu trabalho ou realmente pensar a respeito dos malefícios da nicotina, não é possível saber ao certo. As imagens, no entanto, causam verdadeiro desconforto e ponderação, mesmo com a informação de que os cigarros utilizados nas fotografias foram feitos de queijo e incenso.

Frieke_Janssens-Smoking_Kids2

©Frieke Janssens/Reprodução

Imagem da série 'A beleza de um vício feio'

Polêmica: fotos de crianças com cigarro causam desconforto e geram discussões

E a polêmica continua: novo anúncio é banido no Reino Unido

Campanha do desodorante Lynx é banida no Reino Unido ©Divulgação

O Advertising Standards Authority (ASA), órgão que regulamenta a indústria da propaganda no Reino Unido, tem andado muito atarefado ultimamente. Depois de banir a veiculação da campanha do perfume Oh, Lola!, de Marc Jacobs, estrelada por Dakota Fanning, e de censurar uma das imagens de Hailee Steinfeld para a Miu Miu, o órgão proibiu agora a veiculação dos anúncios para internet do desodorante masculino Lynx (que tem o nome “Axe” no Brasil) por considera-los “sexy demais”.

As campanhas mostram a modelo Lucy Pinder com pouca roupa, em poses provocativas e acompanhada de frases insinuantes como “ela consegue te fazer perder o controle?” e “quanto tempo você dura?”; o ASA afirmou que recebeu 10 reclamações sobre essas imagens. Além disso, o “The Guardian” divulgou que a campanha de um outro produto Lynx, desta vez um sabonete líquido (imagem à direita), recebeu 113 reclamações. Nela, uma modelo loira de biquíni azul com o top caído é acompanhada da frase “The cleaner you are the dirtier you get” (“Quanto mais limpo, mais ‘sujo’ (com o duplo sentido de ‘safado’) você é”).

De acordo com reportagem publicada no “The Guardian”, a maioria das reclamações feitas ao ASA alegava que as campanhas são ofensivas porque são sexualmente sugestivas, indecentes, provocativas, glamurizam o sexo casual e objetificam e humilham as mulheres. O ASA acrescentou ainda que as propagandas “claramente pretendem sugerir que o uso dos produtos anunciados leveria a um comportamento sexual mais desinibido”.

A Unilever, dona da Lynx, se defendeu afirmando que seus consumidores “esperam, e se sentem confortáveis, com a narrativa, o tom e o conteúdo visto em seus anúncios”, e que as campanhas “foram projetadas para ser divertidas, sexy e bem humoradas, e não para causar ofensas”. Quem acompanha o FFW deve lembrar que, em outubro, um outro comercial da Lynx/Axe foi banido, desta vez na África do Sul, depois que cristãos reclamaram que o vídeo ofendia suas crenças religiosas.

E ainda tem mais: no início do mês, o ASA baniu a campanha abaixo, da marca britânica de biquínis Drop Dead, por considerar a modelo magra demais. Muito pano pra manga nessa discussão, não? O que você acha da ação do ASA na regulamentação dos anúncios publicitários no Reino Unido?

Campanha de biquíni da Drop Dead é banida no Reino Unido ©Reprodução

+ A campanha da Miu Miu é “irresponsável”? O que dizer destas, então?

+ Campanha de lingerie com Gisele é acusada de sexismo; qual a sua opinião?

E a polêmica continua: novo anúncio é banido no Reino Unido

A campanha da Miu Miu é “irresponsável”? E estas, então?

A campanha Inverno 2011 da Miu Miu que foi banida no Reino Unido ©Divulgação

O FFW já falou aqui sobre a campanha da Miu Miu estrelada pela jovem atriz Hailee Steinfeld que foi banida no Reino Unido por ter sido considerada “irresponsável”. Pois o site “Fashionista” teve a ótima sacada de fazer graça com essa polêmica e fez um post cheio de ironia, relembrando campanhas que, pela lógica do órgão que proibiu a veiculação da imagem da Miu Miu, também deveriam ter sido censuradas.

Confira abaixo a lista de campanhas “irresponsáveis” selecionadas e legendadas pelo “Fashionista”, além de alguns extras indicados pelo FFW:

“Miranda Kerr para Rag & Bone: Miranda está arriscando muitas coisas aqui — cair da doca, rasgar seu jeans Rag & Bone, arruinar essas botas lindas”.

“Karlie Kloss para Oscar de la Renta: Quer dizer, um carro pode sair daquela garagem a qualquer momento”.

“Pixie Geldof para Diesel: Esses anúncios literalmente disseram para as pessoas fazerem coisas estúpidas como essa”.

“Marion Cotillard para Dior: Apesar de impressionante, escalar a Torre Eiffel usando salto alto e segurando uma bolsa de mão provavelmente não é uma boa ideia”.

“Alexander McQueen: Ficar parada em cima de um vulcão em erupção geralmente é pouco aconselhável”.

“Hugo Boss Orange: Não estou vendo nenhum colete salva-vidas, seus jovens imprudentes em um barco”.

“Daphne Groeneveld e Anaïs Pouliot para Louis Vuitton: Já ouviram falar em cinto de segurança?”.

“Maryna Linchuk para o perfume Miss Dior Cherie: Isso parece divertido, mas definitivamente não é seguro”.

“Irina Kulikova para Moschino: Porque ficar de pé em um barco que se aproxima de uma ponte é sempre uma boa ideia”.

“Sisley: Isso não te faz querer usar drogas?”.

E os extras do FFW: 

Hermès: da série “Irresponsabilidades em bancadas abertas”.

DKNY: da série “Irresponsabilidades no trânsito”.

Bvlgari: da série “Irresponsabilidades com animais selvagens”.

Sisley: da série “Irresponsabilidades com cobras – parte 1″.

Alexander McQueen: da série “Irresponsabilidades com cobras – parte 2″.

A campanha da Miu Miu é “irresponsável”? E estas, então?

O bar, a demissão, a repercussão: um dossiê completo do caso Dior & Galliano

la perleVisão geral do bar La Perle, em Paris ©Juliana Lopes

Por Juliana Lopes, de Paris

O bar La Perle, onde tudo aconteceu: o La Perle não virou exatamente um ponto turístico estilo “túmulo do Jim Morrison”, mas a curiosidade fez muita gente ir fotografar o local. Quando FFW foi visitar o bar, algumas pessoas tiravam fotos e comentavam. Um dos funcionários do bar, que não quis se identificar, disse que ninguém mais aguenta as mesmas perguntas. Contou que jornalistas e passantes vão direto ao ponto: “Como foi o que aconteceu? Como é que ele estava? Você viu?”. Alguns frequentadores do bar se irritaram bastante com Galliano – que mora ali perto.

O La Perle continua sendo um lugar com um estilo particular, interessante, onde vão pessoas que trabalham com moda ou não. (78 Rue Vieille du Temple, 75003 Paris).

A apresentação de Galliano: o evento para mostrar a coleção de John Galliano aconteceu em atmosfera de mistério, mas foi um sucesso. O endereço foi mantido em segredo na medida do possível. As grandes editoras de moda do planeta apareceram em peso. Correm rumores em Paris que elas, inclusive, falaram sobre isso antes, num clima de “vamos lá dar uma força”. Foram apresentações pequenas e intercaladas para cada grupo que chegava. A decoração bizarro-burlesca ambientou a coleção que agradou a maioria. “Foi maravilhoso, mas eu estou sem palavras porque a situação, no final das contas, é muito triste”, disse ao FFW a jornalista italiana Giovanna Battaglia. Como a também italiana Anna dello Russo, Battaglia ainda se emocionava com toda a polêmica do caso.

A posição da imprensa: Ninguém fala abertamente que a Dior não deveria ter demitido Galliano. Mas existe uma admiração por Galliano entre jornalistas de moda que é inegável. O jornal francês Le Monde, um dos principais do país, inclusive, publicou uma entrevista com o professor Benoît Heilbrunn, do Instituto Francês de Moda, com declarações polêmicas sobre a Dior: “é preciso saber se a Dior demitiu o Galliano por causa do que ele falou ou porque queria se livrar dele”. Heilbrunn comenta que “é muito difícil alguém ser criativo na marca depois de 15 anos” e também disse que a Dior estava descontente porque Galliano estaria “trabalhando pouco”. Para ele a demissão foi um gesto “oportunista” da Dior, que já queria de algum modo, afastar o estilista.

No show room da Dior, a posição da Dior do Brasil: A diretoria central da Dior na França proibiu as representantes em outros países de darem pronunciamentos oficiais sobre o caso. Rosângela Lyra, diretora da grife no Brasil, conversou com FFW no show room da Dior. “Acompanho há 25 anos a Dior e todas as trocas de estilistas foram, ao longo tempo, positivas para a marca. É preciso pensar pra frente. Nas últimas semanas decisivas antes do desfile, onde o estilista dá o toque final na coleção, Galliano já não estava presente. Então podemos pensar que, mesmo nessa coleção, já existem sinais dessa transição”, disse Rosângela.

Sobre quando Dior vai contratar outro designer: Colocar alguém para assumir a marca não vai ser simples. Mas, principalmente na moda, o tempo pressiona. A próxima cruise collection, prévia da primavera, tem que estar pronta em junho. “O dead line é apertado, é preciso ter alguém para assumir o quanto antes”, diz Rosângela Lyra da Dior Brasil. “Ao mesmo tempo uma pessoa que vai entrar na marca precisa fazer uma imersão profunda no universo Dior. Esse novo nome vai ter que desenhar coisas que seriam feitas se Dior estivesse vivo”, complementa. Um dos nomes que tem sido aposta de fashionistas é o de Ricardo Tisci, da Givenchy. Até agora ninguém se pronunciou a respeito.

O bar, a demissão, a repercussão: um dossiê completo do caso Dior & Galliano

No desfile da Dior, editoras e modelos choram por Galliano

the king is gone 2Única manifestação na porta do desfile da Dior ©Juliana Lopes

Por Juliana Lopes, de Paris para o FFW

Foram menos de sete dias entre o aparecimento do vídeo que mostra o estilista John Galliano proferindo xingamentos nada leves, sua demissão da grife Christian Dior, as acusações do governo francês contra ele e ainda uma internação em centro de reabilitação. Não só o mundo da moda — mas o mundo “todo” acompanha a saga de um dos fashion designers mais famosos do mundo. Muitos nomes igualmente ou mais conhecidos também não pouparam comentário: a atriz Natalie Portman se disse “enojada”, e o estilista Karl Lagerfeld também demonstrou seu pesar.

Hoje, em Paris, no auge de toda a polêmica, os sentimentos se misturaram. Viu-se menos indignação e mais tristeza. A moda está triste. Uma das editoras mais “ensolaradas” do mundo fashion saiu do desfile da Christian Dior bastante abatida. Anna Dello Russo estava apagada, mesmo cheia de maçãs douradas na cabeça que provavelmente serviam como um amuleto anti-mau-humor. Sempre disposta a posar para os fotógrafos, desta vez preferiu aparecer de costas. “Na moda nos preparamos para ver um momento de glamour, mas na realidade não foi isso que vimos. Uma situação ruim, foi isso que vivemos”, disse Russo ao FFW.

anna “O que podemos aprender com esse fato é que não adianta sermos profissionais brilhantes, devemos também cuidar de nossas almas”, diz Anna Dello Russo ©Juliana Lopes

Pouco antes do desfile, o diretor da Dior, Sidney Toledano, deu uma declaração aos presentes. “O que aconteceu na última semana foi uma provação terrível e dolorosa para todos nós. Tem sido profudamente sofrido ver o nome Dior associado às declarações infelizes atribuídas a seu estilista, independente do quão brilhante ele possa ser”.

As modelos que desfilaram estavam emocionadas. “Trabalhei com ele muitas vezes e eu sinto falta dele sim”, disse a brasileira Martha Streck. “Sabe o que eu acho? Que todos têm que ter liberdade de expressão, mas ninguém tem o direito de julgar”, completou.

fridaFrida chora na saída do desfile ©Juliana Lopes

A top Frida Gustavsson, que foi embora de moto para o próximo desfile, não aguentou e chorou. Escondeu o rosto com o capacete e pediu por favor que não a filmassem. A movimentação nas ruas em torno ao desfile foi além do normal e o policiamento ultra-reforçado. Pelo jeito, esperava-se manifestações diversas, mas apenas um manifestante apareceu, o performer Igor Dewe, 21 anos. Ele apareceu vestido como um mensageiro sagrado, cheio de flores e uma placa. “Não acho que ele estava nele mesmo quando falou tudo aquilo. Mas é justo que tenha sido punido. Não se pode dizer coisas assim estúpidas por aí”, disse o performer.

No final do desfile, ao invés de Galliano, entraram na passarela dezenas de designers que trabalham para a Dior. Esse momento serve para trazer outra coisa à tona: que um estilista não trabalha sozinho. A filha de Costanza Pascolato (que não foi ao desfile), Consuelo, já havia comentado exatamente isso antes do desfile começar: “Já faz muito tempo que um designer não trabalha sozinho”, disse ao FFW. “São muitas responsabilidades, impossível cuidar de coleção, pré-coleção e todas as estapas. No caso do Galliano ele ainda tinha que administrar a sua própria marca”, comentou Consuelo. “Mas ficou bem claro que ele não tinha estrutura para aguentar o próprio sucesso e acabou acontecendo isso”.

No desfile da Dior, editoras e modelos choram por Galliano

Conheça Emmanuelle Alt, a nova editora-chefe da “Vogue Paris”!

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Emmanuelle Alt ©Reprodução

Confirmando os rumores publicados pelo WWD, Emmanuelle Alt, diretora de moda da “Vogue Paris”, foi nomeada hoje (07/01) como a nova editora-chefe da revista, substituindo Carine Roitfeld, que anunciou seu pedido de demissão em dezembro de 2010. No site oficial da publicação, Emmanuelle declara: “É uma grande honra para mim, mas também um grande prazer me tornar a editora da ‘Vogue Paris’ que conheço tão bem. Trabalhando com equipes muito talentosas, tentarei desenvolver o incrível potencial da ‘Vogue Paris’”.

Na revista desde 2000, Emmanuelle Alt divide com Carine Roitfeld o mesmo background em styling e, como analisado pela jornalista Cathy Horyn, do New York Times, representa um contraponto masculinizado e rock’n’roll ao estilo sexy e materialista de Roitfeld. De acordo com boatos recentes, porém, o equilíbrio que antes funcionava bem estava se desfazendo.

O fashionista.com alega que, “de acordo com fontes confiáveis, Roitfeld e Alt não estavam se dando bem recentemente. Roitfeld foi até Jonathan Newhouse (presidente da Condé Nast International), reclamando que ‘alguma coisa precisa ser feita’ sobre a situação”. Ainda segundo o site, Newhouse, estressado com as acusações de que Carine teria “emprestado” peças da pré-coleção da Balenciaga para a Max Mara, “disse à editora que a coisa a ser feita era a sua demissão”.

Engrossando a polêmica, o site racked.com publicou uma reportagem em que suas fontes alegam que “Alt é ainda ‘menos letrada’ do que Roitfeld”, o que a tornaria “inadequada para comandar a “Vogue Paris””.

Resta agora acompanhar a evolução da revista e, a cada leitor, formar sua própria opinião.

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Conheça Emmanuelle Alt, a nova editora-chefe da “Vogue Paris”!

Hermès e o escudo anti-LVMH: entenda o novo desdobramento dessa batalha

hermes-tem-aprovacao-para-criacao-de-holding-contra-lvmhBernard Arnault, do grupo LVMH, em colagem ©Romeuuu

Lembra de quando o FFW contou sobre o investimento agressivo da LVMH, que comprou um total de 20,21% das ações da Hermès? À época, a Hermès aguardava aprovação da AMF, agência que controla o mercado financeiro da França, para criar uma holding própria com mais de 50% das ações com direito a voto da companhia e, assim, se proteger de novas investidas da LVMH.

Pois a decisão acaba de sair, e a família Hermès foi autorizada a criar essa holding sem ter que lançar uma oferta pública. Isso significa que o grupo LVMH terá mais dificuldades para conseguir uma participação significativa no capital da Hermès e, consequentemente, terá menos chances de tomar o controle da empresa.

Especialista em mercado financeiro, o professor Sergio Sayeg* explica: “Companhias com ações em bolsa, como é o caso das duas, têm uma distribuição dessas participações em vários pedaços. 50% + 1 de uma companhia, em princípio, permite que o detentor desse bloco tenha a possibilidade de administrar a empresa e consequentemente, de liderá-la, às vezes com autonomia e às vezes tendo acompanhamento, na administração, de representantes de outros investidores que sejam os proprietários dos outros 49% restantes. Eu tenho metade + 1, então eu ganho a eleição, para, por exemplo, escolher os dirigentes da empresa, decidir pela compra de outra empresa, decidir pela venda de um pedaço da empresa, para fazer investimentos no Brasil. Essas decisões são feitas normalmente por quem detém a maioria, e a maioria é 50% + 1”. Ou seja, ele continua, “em tese, a obtenção de um acordo de acionistas sólido e de longo prazo, que englobe pelo menos 51% do capital votante de familiares Hermès por meio dessa nova holding, pode representar um desestímulo para novas investidas da LVMH”.

*Sergio Sayeg é conselheiro de administração e conselheiro fiscal certificado pelo IBGC, consultor empresarial e professor da Fia, do Ibmec-RJ e do Insper

Relembre o desenrolar do caso:

+ LVMH será investigada por aquisição de 17,1% da Hermès

+ Amor, dinheiro e ódio: LVMH e Hermès continuam novela mexicana

+ O império contra-ataca: LVMH anuncia compra de mais ações da Hermès

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Hermès e o escudo anti-LVMH: entenda o novo desdobramento dessa batalha

Courtney Love xinga mto no Twitter e é alvo de processo milionário

Courtney Love está fazendo história, mas não é com o rock. A vocalista do Hole é alvo de um processo judicial inédito nos EUA _foi chamada à corte por ter postado declarações nada educadas sobre a estilista Dawn Simorangkir, conhecida como Boudoir Queen, em sua conta no twitter (@CourtneyLoveUK).

courtney_dawnCourtney Love em dois momentos usando a marca de Dawn Simorangkir. Com Bono e Scarlett Johansson em evento beneficente e em show da banda Hole © Reprodução

Segundo a Reuters, o desentendimento começou quando a estilista cobrou de Courtney (também no Twitter) o pagamento de US$ 40 mil em roupas supostamente feitas por encomenda. Courtney era cliente de Dawn, e uma das impulsionadoras da sua carreira. Revoltada, Courtney escreveu em sua página (na época com cerca de 40 mil seguidores) que Dawn era uma “prostituta drogada”, com um histórico de ataques e agressões, e tirou proveito de sua fama antes de roubá-la.

Courtney ainda escreveu: “Ela recebeu de mim uma GRANDE quantia de dinheiro, acima de 40 mil dólares, e eu não torno as pessoas famosas e AINDA sou estuprada!”. No dia seguinte ela reproduziu as  mensagens em outras redes sociais, inclusive no site de vendas Etsy, onde Dawn possui uma loja online. A confusão rendeu um processo milionário de difamação sobre Love, além do posto de primeiro julgamento nos EUA de um processo por difamação envolvendo comentários no Twitter.

O advogado de Dawn, Bryan Freedman, declarou que tentará convencer o júri que as afirmações da roqueira destruíram a carreira dela como estilista. Ele poderá, inclusive, usar como argumento o fato de Courtney ser um ícone de estilo, e que isso influenciaria (de maneira negativa a respeito da estilista) seus seguidores.

courtney_valentinoCourtney Love no desfile de Alta Costura da Chanel, vestindo Valentino, em foto postada no blog “What Courtney Wore Today” © Reprodução

Serão apresentados no julgamento estudos de Jessie Stricchiola, uma especialista em redes sociais, além de e-mails e telefones de Courtney para Dawn, alguns dos quais alegando remorso pelas mensagens postadas pela roqueira. O advogado de Courtney, James Janowitz, não acredita que a cantora terá que pagar milhões à estilista: “Não acreditamos que haja difamação alguma, e mesmo que houvesse afirmações difamatórias, não houve danos”.

Advogados especializados na Primeira Emenda da Constituição dos EUA afirmam que será analisado se o usuário médio do Twitter iria interpretar os comentários ofensivos de Love como fatos verdadeiros em vez de opiniões pessoais, o que deve ser crucial no processo.

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RT @portalFFW: acontecimentos marcantes e notícias polêmicas de 2010

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O grafiteiro e “marginal” Zevs, que veio ao Brasil para uma palestra do Pense Moda, fez uma performance em frente à loja da Louis Vuitton, em São Paulo – onde assassinou a modelo Marina Dias

A cantora Lady Gaga, a usuária com mais seguidores do site Twitter, cometeu suicídio virtual a pedido de outra artista, Alicia Keys. Não entendeu? Clica!

Não teve para ninguém em 2010: Kanye West chamou mais atenção do que todos. O ápice de sua megalomania veio no curta-metragem “Runaway”: assista

Michael Jackson feelings? Aos nove anos, Willow Smith — filha do ator norteamericano – começa carreira na música batendo cabelo

Quando a top número 1 do mundo (à época) dançou Poker Face” para o site do Showstudio, todos os fashionistas pararam para assistir. Pouco tempo mais tarde, Raquel Zimmermann repetiu o feito… para o FFW!

Sim, nós temos Paris Hilton. A herdeira da rede hoteleira passou pelo São Paulo Fashion Week e o portal FFW conversou com ela – confira!

Mais Lady GaGa. Agora, oito minutos épicos ao lado do fotógrafo Steven Klein em “Alejandro”

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