Em São Paulo, Pierre Cardin fala sobre socialismo, o cosmo e as mulheres

29/04/2011

por | Moda

pierre-cardin-ministra-palestra-em-sao-pauloLooks históricos de Pierre Cardin ©Reprodução

Completando a agitada agenda de compromissos em São Paulo que incluiu um encontro com a imprensa, o desfile retrospectivo, a noite de autógrafos e a abertura de sua exposição, entre outras coisas, o lendário estilista Pierre Cardin concedeu na sexta-feira (29.04) uma palestra para convidados na sala de cinema do Shopping Iguatemi – com direito até a pipoca e refrigerante.

Assim como durante a coletiva de imprensa, que o FFW já falou aqui, Cardin, prestes a completar 89 anos, estava animado e de vez em quando até “atropelava” o tradutor, que tentava acompanhar seu ritmo. Misturando francês, italiano (ele é filho de italianos e nasceu na cidade de San Biagio di Callalta, onde morou até os dois anos, antes de se mudar para a França) e espanhol, Cardin chegou a se arriscar no nosso idioma, afirmando “Eu não falo português” e pescando algumas palavras do tradutor. Ele também se mostrou envolvido com a plateia, e fazia questão que as pessoas que fizeram perguntas ao fim da palestra se levantassem, para que ele pudesse vê-las com clareza e falar diretamente com elas.

Logo ao início da apresentação, o estilista já arrancou risos dos presentes: “Vou contar uma história da juventude; não muitas, porque tenho muitos anos, mas também fui jovem um dia, eu não nasci velho”, ele começou. Fazendo uma rápida retrospectiva do seu trabalho, Cardin contou curiosidades e falou sobre suas convicções; veja alguns dos destaques:

A introdução ao mundo da moda

“Eu queria ser ator, dançarino, mas não tinha dinheiro, então fui tentar trabalhar com moda. Uma amiga minha que lia mãos em Vichy me deu o endereço de um amigo dela, que trabalhava na maison Paquin, e eu fui procurá-lo. Chegando perto do lugar, pedi direções para um homem e falei que estava procurando a pessoa tal, que estava indo encontrá-lo na casa dele. E ele me disse: ‘Você é um mentiroso, porque eu sou essa pessoa e eu não te conheço’. Mas então nos apresentamos, e ele me apresentou à [estilista Jeanne] Paquin”.

Juventude e a vocação socialista

“Eu trabalhava na alta-costura, mas era socialista, como todos os jovens. Quando a gente é jovem, temos a ilusão de que podemos fazer tudo melhor que os outros. E isso é uma ilusão boa, porque então somos contestadores. E eu era contestador, na alta-costura, porque muita gente não tinha dinheiro para consumir aquilo. O prêt-à-porter era mal visto, mas eu saí da Chambre Syndicale, como um contestador, e fiz certo. Muitas pessoas me copiaram, e posso dizer que fiz minha fortuna com o prêt-à-porter”.

A inspiração feminina

“A moda evolui, e eu percebi que as coisas mudaram. As mulheres trabalhavam, eram brilhantes, inteligentes – hoje em dia elas trabalham mais que os homens. Eu sempre pensei na mulher que trabalha, por isso minha moda é moderna”.

O amor pelo cosmo e pela forma circular

“Eu sempre fui influenciado pelo cosmo, por cosmonautas, satélites. E eu sempre soube que o homem iria para a lua. Eu sou a única pessoa no mundo a ter vestido a roupa e sentado da cadeira do astronauta que foi à Lua — e fiz roupas inspiradas nisso: como as pessoas se vestiriam se estivessem na Lua”. Quanto à formas circulares e de “bolha”, recorrentes em seu trabalho, ele explica: “Nós não paramos quando somos redondos; quando você lança uma bola, ela vai longe, enquanto um quadrado quica e pára. A Terra é redonda, tudo é redondo, até o pó é redondo. Por isso esse é o meu símbolo”.

O sentimento de realização… e uma provocação

“Continuo criando até hoje porque ainda amo o meu trabalho. Eu sei que tive muita sorte porque realizei tudo o que eu quis e sou meu próprio banqueiro. Eu quero que vocês também realizem, que façam como eu”. Depois, rindo, ele pergunta à platéia: “O que vocês preferem: ser jovens e não ter nada ou ser velho e ter tudo?”.

+ Saiba mais sobre a semana de atividades de Pierre Cardin no site pierrecardinnobrasil.com.br

Exposição “Pierre Cardin – Criando Moda Revolucionando Costumes”
De 29 de abril a 29 de maio
De terça a sábado, das 12h às 21h; domingo, das 14h às 20h
Entrada franca
Shopping Iguatemi São Paulo
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2232 – 9º andar

Assista ao vídeo do desfile de Pierre Cardin em SP, com entrevistas

27/04/2011

por | Moda

O FFW filmou o desfile de Pierre Cardin no Iguatemi e conversou com diversas personalidades que compareceram ao evento.

O mais emocionante fica por conta da declaração do próprio estilista, que faz um baita elogio ao Brasil.

Assista ao vídeo abaixo:

Cardin: na guerra, uma lata de sardinha vale mais que um perfume

26/04/2011

por | Gente, Moda

pierre-cardin-no-brasilPierre Cardin em coletiva no shopping Iguatemi ©Cacau Araújo

Pierre Cardin chegou ao Brasil para divulgar a exposição que leva seu nome e que fica em cartaz em São Paulo por um mês. Simpático e falante — segundo o próprio, por conta de suas raízes italianas, ele gesticula bastante e diz que se sente em casa no Brasil — Cardin deu uma entrevista coletiva nesta terça-feira (26.04), quando contou suas histórias, e, por consequência, deu uma aula de história da moda.

Cardin chegou ao shopping e foi bastante fotografado. Seguiu para conhecer as instalações com os assessores e só depois, com algum atraso, seguiu para a coletiva. O espaço não era muito grande, de forma que ele se sentou bem próximo aos jornalistas. Falou com paixão e empolgação e parecia querer dispensar os serviços do tradutor. “Ninguém aqui entende bem francês?”, perguntou e arrancou risadas. “Italiano, posso falar um pouco de italiano também, fica mais fácil”, continuou. A língua não foi entrave; Cardin falava e esperava o tradutor, mas quando o assunto despertava paixão no estilista, ele atropelava o tradutor e se fazia compreender.

pierre-cardin4Pierre Cardin ©Cacau Araújo

Cardin tem 88 anos (quase 89, que completará em julho) com a empolgação e o brilho no olhar de quem está começando. O estilista — e arquiteto, e ator, e dançarino, e produtor de teatro e embaixador da Unesco, entre outras profissões — mostra lucidez na hora de falar sobre seus negócios, suas criações e a importância de cada feito.

O FFW selecionou as declarações mais bacanas do designer que é lenda viva da moda:

Começo da carreira

“Sou o mais antigo e mais velho estilista vivo. Aposto que muitos de vocês nem eram nascidos quando eu comecei a trabalhar com moda. Fui o primeiro empregado de Christian Dior, chegava para trabalhar às 8h e saia às 21h. Desde que abri meu próprio negócio, nunca tive financiador, o trabalho foi meu. A decisão de não depender de ninguém me trouxe mais liberdade, mas me obrigou a ter muito mais responsabilidade”.

O amor pelo teatro

“Trabalhei por três anos com Dior e depois fui fazer figurinos. Gosto da moda, mas amo mesmo os figurinos, eles aproximam as pessoas. Minha relação com o teatro é intensa, sempre me interessei pelo tema, até comprei um teatro. Dirijo e produzo também, minha última produção foi ‘Casanova’, tem a ver com essa minha origem italiana”.

As profissões de Cardin

“Já fui ator e dançarino, estudei arquitetura, sou diretor de teatro há 45 anos, sou embaixador da Unesco e já fiz parte da Cruz Vermelha. Na época da Cruz Vermelha, eu era jovem, tinha uns 18, 19 anos e vivia com um pedaço de pão por dia. Você imagina o que é ser um menino nessa idade e passar o dia com um pedaço de pão? Sou também jornalista, já editei revistas, além disso sou acadêmico da Academia de Belas Artes. Não estou me vendendo, apenas explicando quem eu sou”.

Segredo de gestão

“Já trabalhei muito, amo meu trabalho, prefiro trabalhar a tirar férias. O período em que eu estive na Cruz Vermelha me ensinou a administrar pessoas, naquela época eu já fazia isso diariamente, tinha que lidar com centenas de pessoas diferentes. Trouxe esse conhecimento para minha marca e nunca dependi de ninguém. Sou 100% dono do meu negócio. Gosto de brincar que sou meu próprio banqueiro, sempre fui”.

O valor da marca Pierre Cardin

“Se eu venderia minha marca por um bilhão de euros? Se o mundo tem sete bilhões de pessoas, imagine se cada pessoa desse um euro pela minha empresa? Então eu teria sete bilhões de euros. Tenho uma marca mundial, meu nome é muito conhecido, estou em vários produtos licenciados, roupa, chocolate, hotel, água. Se cada pessoa pudesse dar um euro pela minha empresa, por que eu a venderia por apenas um bilhão?”.

Licenciamento

“É impossível não fazer licenciamentos, não dá para viver só de alta-costura. Fui para o prêt-à-porter por causa disso. Não há nenhuma vulgaridade em vestir quem trabalha. Sempre tive um quê de socialista, de as pessoas conseguirem comprar minhas roupas. A alta-costura é muito cara, porque o processo de fazer a roupa é muito caro. Com o prêt-à-porter, tive oportunidade de vender em lojas de departamento no mundo inteiro, na Inglaterra, Itália, Alemanha, Japão… Eu queria deixar uma marca, não um arranhão. Meu nome não está só em roupas, está em chocolates, água mineral, hotéis, sardinhas… Já questionaram essa minha decisão, mas a verdade é que eu sou do tempo da Segunda Guerra Mundial e na guerra, uma lata de sardinha vale muito mais do que um vidro de perfume”.

pierre-cardin5Pierre Cardin ©Cacau Araújo

Pelo mundo

“Viajei o mundo, já fui à Rússia várias vezes, inclusive na época em que ela era um país fechado. China, Japão, Egito. Já passei muito pela América do Sul também, devo ter vindo umas 15 vezes ao Brasil. Conheci pessoas como o [Nelson] Mandela e o imperador japonês. Amo observar as pessoas, me interesso por elas, a política, a cultura, as origens. A moda vem daí, de conhecer as pessoas e sua cultura”.

Ser elegante

“A elegância vem de dentro, é um comportamento. Uma pessoa elegante se nota pelo gesto, não pela roupa. Não é só porque você usa roupas caras que você será elegante. Uma pessoa usando roupa comum pode ser elegante e uma pessoa muito rica pode não ser elegante, alguém da realeza pode não ter elegância e isso não é um problema”.

Passarela e originalidade

“Esse meu desfile [que acontece nesta terça no Iguatemi de São Paulo] é uma retrospectiva do meu trabalho. São modelos antigos, mas também haverá modelos atuais, que criei nos últimos anos. Ser costureiro é como ser um artista, que tem seu próprio estilo, uma autenticidade e características capazes de serem identificadas. É importante as pessoas pegarem nas roupas e falarem ‘isso é um Balenciaga’, ‘isso é um Dior’. Se alguém copia seu trabalho é porque você é autêntico”.

Cardin e o Brasil

“Já vim muito ao Brasil. Tive até um tio que veio morar aqui, mas ele já morreu, é claro. Atuei em um filme dirigido por Cacá Diegues ["Joanna Francesa", de 1973] e por causa das filmagens, viajei o Brasil. Conheci Manaus, Fortaleza, Bahia… Quando eu trabalhava na Dior, as modelos brasileiras eram as mais bonitas. Vocês têm uma raça internacionalizada, que é a mistura de todas as raças. As grandes modelos hoje são brasileiras. A mulher brasileira é bonita, elegante naturalmente. A sul-americana em geral é, mas a brasileira em particular”.

Conselho para os novatos

“Trabalhe muito, goste do seu trabalho. Não há sucesso sem trabalho. Não copie, saiba o que foi feito para não repetir. Viajei muito, conheci muitos museus e obras, não para copiar, mas para saber o que já existia para que eu fizesse diferente. Acho que hoje em dia deve ter muito mais gente avant-garde do que na minha época, com mais informação, mais possibilidade de escolha. Mas a verdade é que a criatividade tem de ser provocante e, na maioria das vezes, incomoda”.

Pierre Cardin – Criando Moda Revolucionando Costumes

De 29 de abril a 29 de maio
De terça a sábado, das 12h às 21h; domingo, das 14h às 20h
Entrada franca

Shopping Iguatemi São Paulo
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2232 – 9º andar

Pierre Cardin chega ao Brasil para semana de eventos e lançamentos

25/04/2011

por | Moda

Foto Pierre 1-1O estilista Pierre Cardin © Divulgação

Nesta terça-feira (26.04) São Paulo recebe a visita de Pierre Cardin, estilista visionário, que nos anos 60, ajudou a mudar os rumos da moda junto com os colegas Paco Rabanne e André Courrèges, com seus traços futuristas, sempre antecipando os estilos e gostos de amanhã. Até hoje, suas criações “espaciais” são inspirações e referências ricas para designers mais novos. Ele vem para uma semana de eventos, que inclui um desfile e uma exposição histórica de sua marca (veja abaixo).

Cardin, com 88 anos, continua olhando para a frente e com os dois pés firmes no chão, apesar de todas as conquistas que ele vivenciou e todos os mimos que recebeu em décadas de trabalho como um dos mais importantes estilistas da história da moda. Reconhecido por sua humildade, ele foi nomeado Embaixador da Boa Vontade pela ONU, em 1991.

Em uma iniciativa conjunta da produtora cultural Urban Jungle ART e da agência Mix Brand Experience, Cardin virá ao Brasil para prestigiar a abertura da exposição “Pierre Cardin – Criando Moda, Revolucionando Costumes”, e a apresentação de um megadesfile, com 160 looks. Um documentário sobre sua trajetória também será exibido como parte da mostra.

nurses-uniforms-by-pierre-cardin-1970A série Nurses Uniforms, de 1970

Sob o olhar da curadora de arte Denise Mattar, a exposição traz referências da carreira – e do talento – do estilista, com dezenas de fotos, croquis, roupas e acessórios, tudo fornecido pela Fundação Pierre Cardin Paris.

Quem conta um pouco do backstage dessa superprodução é Kalina Bourgeois, sócio-diretora da Urban Jungle, que idealizou o projeto junto com Marco Scabia, da Mix, após uma viagem a Paris, em que visitou o Museu Pierre Cardin e se apaixonou por sua história. Sua sogra, Maria Bourgeois, foi modelo de Cardin nos anos 60 e deu um pontapezinho para uma aproximação maior com o estilista. E lá foi Kalina de novo para Paris, desta vez para conhecer o mestre, em seu atelier. “Tudo aconteceu no tempo certo. No ano passado ele comemorou 60 de marca e lançou um livro colaborativo, com eventos no mundo inteiro. Queríamos colocar o Brasil nesse circuito de celebrações e, desde esse primeiro encontro, estamos nos encontrando, conversando e criando todos juntos”, diz Kalina em entrevista ao FFW. Por “todos juntos” entenda-se uma equipe de 120 pessoas envolvidas na cenografia, curadoria, produção, parcerias e ideias.

Com o aval de Cardin, Kalina fez outras idas e vindas entre Paris e São Paulo para afinar suas pesquisas e as escolhas dos looks do desfile. “Eu passei bastante tempo com a diretora de alta-costura e com a museóloga dele e foi quando pude entender a verdadeira relevância de Cardin para a moda, a visão que ele tem sobre o mundo”, conta.

ARP1963033Desfile gigante que Cardin fez no deserto de Dunhuang, na China, em 2007 © Reprodução

O desfile, com looks femininos e masculinos, será histórico para o Brasil. São 160 looks da carreira do estilista, mostrados em 40 minutos de apresentação (normalmente uma marca grande, como a Louis Vuitton, mostra cerca de 60 looks).

Tudo, mostra e desfile, vai acontecer no nono andar do shopping Iguatemi. Uma pré-seleção de casting já foi feita e, alguns dias antes do evento, a equipe mais próxima de Cardin aterrissa por aqui para cuidar dos últimos detalhes, finalizar o casting, fazer prova de roupa e de beleza e ensaiar.

Quem assina a beleza do desfile de Pierre Cardin é o hairstylist Wanderley Nunes e a equipe do Studio W. O cabelo e a maquiagem do desfile no Brasil seguem o conceito apresentado na passarela do estilista na temporada de inverno de Paris. Os cabelos serão soltos e lisos, mas com movimento, a maquiagem será em cores neutras, com pele com visual leve e aparência saudável, na boca, um leve brilho em tom rosado.

Durante sua pouca convivência com Cardin, Kalina foi tocada pela generosidade do estilista e pelas sensações que seu trabalho provoca. “Tem um móvel no Museu Cardin inspirado no útero de uma mulher grávida de três meses. Quando você fecha os olhos e passa a mão, é uma sensação maluca, como se tivesse tocando essa mulher mesmo. Ele tem adoração pelo corpo feminino e seu trabalho é muito sensorial”. Segundo Kalina, Cardin é um apaixonado pelo Brasil e tem uma memória surpreendente de suas experiências no país, como quando fez o figurino de “Jeanne la Française” (1972), com sua ex-mulher Jeanne Moreau, dirigido por Cacá Diegues. “Ele lembra de tudo, das roupas, da trilha… Pierre continua muito criativo, sempre pensando em algo que não aconteceu que ainda pode acontecer.”

Pierre Cardin, italiano radicado na França, trabalhou com Elsa Schiaparelli e Christian Dior antes de abrir sua própria grife. Em 1959 ele escandalizou o meio ao lançar sua primeira coleção de prêt-à-porter. Acabou expulso da Chambre Syndicale, a instituição reguladora da alta-costura na França.

Jean Paul Gaultier tem uma frase famosa sobre Cardin que diz assim: “com ele aprendi que com uma cadeira pode-se fazer um chapéu”. Assim é Pierre Cardin,  que com o seu olhar avant-garde rompeu as fronteiras da moda, do design, da arquitetura e da cultura. Veja na galeria abaixo alguns looks marcantes da trajetória do criador.

Seja para quem acompanha o trabalho do estilista ou para os iniciados e curiosos, essa é uma boa oportunidade de mergulhar em sua obra. Realizada através da Lei Rouanet, a exposição e o desfile têm patrocínio da Havaianas e da Oi, com apoio do shopping Iguatemi, Oi Futuro, Senac e Consulado da França no Brasil.

Pierre Cardin – Criando Moda, Revolucionando Costumes

De 29 de abril a 29 de maio de 2011

Shopping Iguatemi – 9 andar

Gratuito

Perdeu alguma coisa? Então clique aqui para ler os melhores links da semana

01/04/2011

por | Sem Categoria

Quer saber quais as notícias mais legais que rolaram aqui no FFW nesta semana? Separamos os links mais bacanas dos últimos dias, da a inspiração do momento de Dita Von Teese, que falou com exclusividade ao site, às fotos históricas de Peter Lindbergh. Confira!

Saiba tudo sobre a exposição e o desfile do estilista Pierre Cardin no Brasil.

nurses-uniforms-by-pierre-cardin-1970© Reprodução

Olha que lindas essas fotos de Peter Lindbergh, em exposição na China.

A designer Diana Moss tem um blog ótimo em que compara looks de rua com obras de arte e cenas de filme. Vale o clique!

comparacao-cor3© Reprodução

Lembra da nova seção “Quem te inspira”. O FFW perguntou a Dita Von Teese. Quer saber qual a inspiração atual da diva?

dita-von-tesse-fala-sobre-sua-inspiração-jean-gabirl-domergue© Divulgação

Soube que a Neon de Dudu Bertholini e Rita Comparato está de endereço novo?

A Lily Allen abriu uma loja no ano passado, e coloca nas ruas uma coleção própria.

lilyvintage_04© Reprodução

Alexander Wang resolveu expandir seu império e criar uma linha masculina.

E a Amapô que está com um projeto de campanhas colaborativas? Artistas, stylists e fotógrafos amigos de Carô Gold e Pitty Taliani farão suas próprias versões de imagens que representem a linha jeans da marca.

amapo-jeans-campanha-camila-levy© Divulgação

Marcas como Vivienne Westwood e Asos estão apostando em produzir peças no Quênia. O país africano pode, em breve, estar nas etiquetas de suas roupas.

asos-africa-fabricada-quenia© Reprodução

Na coluna de Marina Acayaba, veja as obras do novo vencedor do prêmio Pritzker, o “oscar da arquitetura”.

No blog, a exposição de James Franco junto com o diretor Gus Van Sant, com pinturas feitas pelo diretor de cinema ao longo dos anos e filme que mostra cenas inéditas do ator River Phoenix, que morreu em 1993, aos 23 anos.

2011_02_19_vansant-11© Reprodução

De volta para o futuro: anos 1960 ressurgem no verão 2011

29/07/2010

por | Moda

cardin.slide2_Looks 1960s de Pierre Cardin ©Reprodução

O foco no corte, na forma e nas superfícies texturizadas deste verão 2011 recolocou os anos 1960 no centro das atenções. Para entender melhor o movimento, é preciso embarcar numa breve viagem no túnel do tempo: pegando carona na Guerra Fria _que teve como efeito colateral a Corrida Espacial_ estilistas como André Courrèges, Paco Rabanne e Pierre Cardin romperam paradigmas, viajaram para o espaço sideral, imaginaram como seria o homem do século 21 e, com isso tudo, revolucionaram a moda.

O mestre Yves Saint Laurent afirmou na época: “A moda nunca mais será a mesma depois de André Courrèges”. E de fato não foi. Aliás, depois de Courrèges e principalmente de Pierre Cardin que, em 1959, escandalizou a indústria ao introduzir a primeira coleção de prêt-à-porter. A ousadia resultou na sua expulsão da Chambre syndicale de la haute couture, mas abriu os caminhos para a moda como a conhecemos hoje.

Os vestidos 1960s de corte quadradão, caimento afastado do corpo, com todo tipo de recortes circulares e mangas orbitais sobre os braços eram ícones não só da Space Age, como também da explosão da cultura jovem. Capacetes aviadores, minissaias, meias-calças coloridas e a inovação dos tecidos sintéticos expressavam o fascínio pela vida no espaço e por todas as possibilidades que as novas tecnologias prometiam para vida na Terra.

pierre cardin2Looks de Pierre Cardin ©Reprodução

Roupas em forma de protesto. Emancipação feminina que vinha traduzida no corte prático e nos tecidos funcionais, possibilitando as mulheres irem trabalhar, almoçar, jantar, dirigir, cuidar da casa e tudo mais que fosse necessário. Liberdade _de movimento, de ideais, de sexualidade (foi nos anos 60 que a moda unissex também começou a ganhar força).

Quarenta anos depois, o século 21 chegou e continuamos em busca do futuro. A ironia é olhar para trás, para os anos 60, em busca do amanhã: afinal os mesmos conceitos de liberdade de movimento, conforto e praticidade continuam em voga. Menos futurismo e mais funcionalidade. É assim que os anos 60 reaparecem _reinterpretados_ nesta temporada.

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60sDa esquerda para a direita, de cima para baixo: Reinaldo Lourenço, Priscilla Darolt, Alexandre Herchcovitch, Forum e Gloria Coelho verão 2011 ©Agência Fotosite

Traduzido nas formas aerodinâmicas de Reinaldo Lourenço, na aparente simplicidade expressionista das cores de Alexandre Herchcovitch ou na exploração têxtil de Priscilla Darolt. Cortes simples, formas retas e pureza de design que remetem às criações de Courrèges, Cardin e Rabanne.