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Das loucuras de Jeremy Scott ao glamour de Michael Kors

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PROENZA SCHOULER

Native American. A inspiração de Lazaro Hernandez e Jack McCollough vem de uma viagem de carro que fizeram de Santa Fé para Wyoming, estado americano localizado na região das Montanhas Rochosas, lugar de beleza natural abundante. As texturas vem de cobertores e outros objetos que eles reuniram ao longo da viagem. Chegando em NY, tudo foi escaneado e manipulado em um computador.

Coleção: O efeito é lindo, as estampas e as cores usadas enriquecem e tornam a coleção bem diferente do que tem se visto até agora nessa estação. A coleção é feita de calças mais curtas, vestidos com barra assimétrica e bons cardigans e jaquetas, mas a boa ideia fica por conta das camisas, mais longas, que são usadas metade para dentro, metade para fora.

Opinião: É uma proposta diferente para o inverno. A estamparia étnica traz uma sensação de calor e acolhimento, talvez pela vibração que vem das cores, bem mais interessante do que a avalanche de pretos e cinzas que normalmente dominam os dias frios.

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MICHAEL KORS

O estilista Michael Kors, um dos big names da indústria de moda nos EUA, comemorou 30 anos de carreira com uma fila A replete de celebridades, entre elas o casal Michael Douglas e Catherine Zeta-Jones. Com Donna Summer cantando “I Feel Love” na trilha, Kors mostrou seu glamour relax em um casting dos sonhos: Carol Trentini, Karolina Kurkova, Isabeli Fontana, Carmen Kass, Erin Wasson, Angela Lindval, Chanel Iman e a novata Arizona Muse.

Coleção: Ao todo foram 60 looks, entre feminino e masculino. Kors mostrou looks monocromáticos em tons como pele, cinza, preto, marrom, ameixa, off-white, rosa antigo, vermelho, bordô em uma série de ótimas calças de alfaiataria, mais amplas, casacões e cardigans. Tudo muito bem pensado e executado, mas o que mais chama a atenção é que as roupas são muito chiques porém parecem confortáveis e relax. Essa ideia foi ao extremo no look que mostrou bodies de caschmere de corpo inteiro só com um belo casacão jogado por cima.

Opinião: Uma coleção que consegue ser sexy, chique, confortável, impecável e descomplicada. São anos de trabalho, tombos e experiências para chegar nessa equação. Foco nos básicos e clássicos, aquelas peças atemporais em que vale investir e usar por muito tempo. É comercial sim, mas também o que uma grande parcela das mulheres procura: roupas usáveis e com personalidade.

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JEREMY SCOTT

Meio clubber o desfile de Jeremy Scott, não? Sim, ele se inspirou nos anos 90, quando se montava para ir para as festas, e pelo visto sua viagem deve ter sido bem forte. Scott sempre foi um outsider, faz as coisas à sua maneira, gosta de se divertir e pouco liga para o que falam dele. Há riscos, como o que ele tomou ao assinar essa coleção, mas há algumas peças que certamente falarão com sua consumidora, como os microvestidos e as malhas super coloridas.


Coleção: Por onde começar? Tops e vestidos com o logo da Coca-Cola com a inscrição Enjoy God; cores vibrantes, mix de cores vibrantes, metalizados, logo do Super-Homem e do Batman, desenhos de raios, jaquetas de plástico, microshorts, microvestidos, microsaias, microtops, uma roupa masculina que parece de astronauta e por aí vai.


Opinião: Gostando ou não é bom ver alguém com a liberdade de expressão de Jeremy Scott. A moda precisa dos loucos.

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3.1 PHILLIP LIM

Phillip Lim está acostumado a vestir mulheres exigente, entre elas Demi Moore e Natalie Portman. Mas desta vez o estilista tailandês radicado nos EUA se inspirou nas garotas que vão do trabalho à festa de bicicleta e tentou aliar shapes contemporaneous a praticidade necessária para… pedalar.

Coleção: Há uma mistura de sportswear com alfaiataria que funciona, com maxicardigans e malhas jogados por cima de leggings com a barra puxada e bermudas. As calças são muito boas, mais amplas na parte de cima com a boca afunilada, destaque para o modelo de couro que abre o desfile. Há ainda macacões e vestidos de seda, que também seguem o clima easygoing da apresentação.

Opinião: Suas roupas sempre trazem um elemento de rua misturado a suas ideias de moda. Nessa coleção ocorre o mesmo, mas os looks parecem complicados demais para a situação proposta. Claro que se nos prendermos a essa única atividade, tiramos o estilista a liberdade que ele tem de interpretar essa inspiração de maneiras diferentes. O que ele faz, com sucesso, é aproximar o lado cool e prático da moda de rua com a elegância da moda de noite e da alfaiataria.

Veja todos as coleções na seção Desfiles

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Das loucuras de Jeremy Scott ao glamour de Michael Kors

Use com moderação: anos 70 fazem retorno minimal no inverno

look-anos-70Looks de Kenzo, Salvatore Ferragamo, 3.1 Philip Lim, Chloé e Marc Jacobs ©firstVIEW

O minimalismo está de volta na moda. E se para alguns estilistas a tendência continua apática (looks de modelagem simples e tonalidades neutras como os da Celine e Jil Sander, só pra citar alguns exemplos), para outros ela vem bem menos careta: elementos típicos dos anos 1970 surgem como uma das mais importantes vontades da temporada.

Marc Jacobs e Philip Lim investiram no visual à la Annie Hall (do filme “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, de 1977), dando o pontapé inicial nos setentismos. A confirmação veio em Milão, onde Miuccia Prada e Salvatore Ferragamo reforçaram o movimento, enquanto em Paris coube a Kenzo e a Hannah MacGibbon, na Chloé, dar cara atual ao look de Ali MacGraw no clássico “Uma História de Amor”, também dos anos 1970.

A vibe 70s de agora vem aliada ao clima da estação: um guarda-roupa real para mulheres contemporâneas que precisam de praticidade + sofisticação + elegância. À medida que a modelagem skinny perde força, a pantalona volta a colocar a cintura na sua posição natural, enquanto as pernas ganham mais conforto nas modelagens amplas, quase bocas-de-sino.

No caso das calças, vale mencionar a importância do guarda-roupa masculino com o rigor típico da alfaiataria – elemento essencial para esta estação. Blusas levemente volumosas e arrematadas com laços nas golas são combinadas aos blazeres acinturados e pantalonas evasês. O mesmo pode ser dito para as saias e vestidos alongados que servem de base para sobreposições interessantes com vários tricôs de aspecto vintage que apareceram ao longo de toda temporada. Estampas florais, ou então grafismos geométricos, surgem como alternativa para os tons neutros que prevalecem nesta estação.

Use com moderação: anos 70 fazem retorno minimal no inverno

Sportswear, conforto e praticidade: tudo começou nos anos 1950

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Conforme os excessos caem em desuso com a preferência por roupas simples feitas em tecidos de altíssima qualidade e tratamentos avançados, o legado de Bonnie Cashin, estilista conhecida como “mãe do american sportswear“, se faz mais presente e relevante do que nunca.

Phoebe Philo, com sua coleção de estreia no verão 2010 da grife Celine, é a referência mais forte para outros estilistas que desfilaram no inverno 2010 da New York Fashion Week. Marc Jacobs, Phillip Lim e Michael Kors foram alguns dos nomes que trilharam os rumos apontados por Philo, detentora do mérito de ser umas das primeiras estilistas a detectar essa necessidade por roupas reais, que estejam em sintonia com o dia a dia das mulheres de verdade.

A atenção extrema ao material empregado na construção de peças de modelagem simples, favorecendo o conforto da mulher em diversas ocasiões do dia, contudo, tem origem nos anos 1950, quando Bonnie Cashin revolucionou a moda e o modo como as mulheres se vestiam num período em que a moda ainda era ditada pelas grandes maisons de altacostura em Paris.

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Dior vivia o auge com o seu New Look, devolvendo a feminilidade à moda que andava sóbria e masculina por conta da 2ª Guerra Mundial. Enquanto isso, nos EUA, as mulheres começavam a ganhar mais independência e assumir uma vida profissional de fato. Bonnie Cashin, aparentemente cansada do mimetismo da moda apresentada na Europa, lançou em 1952 a Bonnie Cashin Designs, abrindo caminho para uma série de marcas como Ralph Lauren, Donna Karan e Calvin Klein.

Na contramão da moda ultra feminina da época, revolucionou ao purificar as formas, trabalhando tecidos e cores de forma totalmente original e inovadora, criando coleções compostas por roupas feitas para durar.

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Cashin se cansou de ser controlada pelos fornecedores e foi a primeira a trabalhar com diferentes empresas ao mesmo tempo, produzindo coleções muito mais abrangentes e com preços ultra democráticos: suas etiquetas variavam entre US$ 15 e US$ 2.000.

Em 1951 introduziu o conceito das sobreposições de finas camadas de tecidos, influenciando o modo como nos vestimos até hoje. Dois anos mais tarde, em 1953, foi uma das primeiras a usar couro e camurça para moda de luxo; e em 1955 passou a utilizar materiais industriais para decorar suas criações. Em 1975, foi a primeira a lançar o conceito de “Sete Peças Fáceis”, de itens intercambiáveis e combináveis entre si.

Reverenciada por sua abordagem intelectual, artística, independente e ousada da moda, Bonnie Cashin foi considerada uma pioneira no segmento. Toda essa reinterpretação que a moda tem feito das roupas, em busca de looks mais confortáveis, com alta durabilidade, materiais de extrema qualidade e foco nas vontades das consumidoras é, de certa forma, graças ao legado de Cashin.

+ bonniecashinfoundation.org

Sportswear, conforto e praticidade: tudo começou nos anos 1950

“Estamos entrando num período modernista”, diz analista

Assim como as artes, literatura e música, a moda também passa por diferentes movimentos estilísticos. Do Clássico ao Barroco e Rococó, do Surrealismo ao Futurismo. Segundo a analista de tendências globais do site Stylesight, Sharon Graubard, “estamos entrando num período Modernista”.

Nem tanto pelas formas abstratas que artistas desse movimento gostavam de explorar, mas sim pela extrema atenção ao trabalho com forma e materiais. “Para os Modernistas, o que importa no o conjunto final é a essência do material, a o trabalho de formas pura que explora toda qualidade da matéira”, explica Sharon. “E para o inverno 2010, os tecidos são os elementos mais importantes”.

As texturas – e suas diversas coordenações – são essenciais para dar um toque extra às roupas simples de formas básicas que se mostram como um dos principais rumos desta estação. “Queremos roupas de verdade, não mais aquele básico chato de antes, mas um novo ‘supe básico’”, comentou Sharon em entrevista ao FFW. “Roupas como as que Phoebe Philo mostrou na Celine no verão 2010, ou como Marc Jacobs apresentou em seu inverno 2010”.

Phililp Lim, estilista jovem com faro apurado para o que suas consumidoras desejam, foi outro que sentiu essa necessidade de uma moda mais pé no chão, mas nem por isso menos interessante. Sua coleção apresentada na última quarta-feira (17/02) aqui em Nova York foi uma das mais bem sucedidas da sua carreira, dessa vez trazendo um estudo de materiais responsáveis por enriquecer as peças de cortes e modelagens simples.

3.1-philip-lim-inverno-20103.1 Philip Lim inverno 2010 © FirstView

Buscando inspiração no fim dos anos 1970, quando a Era disco começava a se fundir com o punk, Lim encontrou terreno fértil para trabalhar de maneira sutil a tendência boêmia que também tem sido recorrente.

Casacos impactantes em couro, forrados com lã ou com aplicações de peles (outro elemento recorrente) vêm sobrepostos aos vestidos túnicas leves e blusas transparentes numa excelente coordenação de tecidos de pesos e opacidades diferentes. Calças são um caso à parte. Com cintura alta, corte reto ou levemente evasê, elas são objetos de desejo indispensáveis junto aos casacos de aspecto pesado responsáveis por transformar a menina delicada de antes numa mulher sofisticada com roupas modernas, simples, que transmitem extrema segurança e força.

Nos estúdios Milk, no Meatpacking District, a música começou a tocar bem alto: “I can be a freak every day of the week”. Era o desfile de Jeremy Scott que, depois de algumas temporadas se apresentando em Paris, voltou a seu pais de origem. E enquanto o novo single da cantora Estelle (devidamente sentada na primeira fila do desfile) tinha tudo a ver com o universo da marca, o que se viu na passarela foi quase que o oposto.

jeremy-scott-inverno-2010Jeremy Scott inverno 2010 ©FristView

Se Scott quer ser um freak (aberração, em português) todos os dias da semana, então seu inverno 2010 é mais normal do que se espera. As estampas bem humoradas e as extravagâncias – aqui em fivelas de cinto em forma de corps femininos do tamanho das modelos – estavam todas lá, mas de forma amenizada. As roupas, às vezes decoradas com aplicações de joias, vinham prontas para o consumidor final, como os vestidos de tricô soltinhos, os justos de couro e as jaquetas esportivas.

A mensagem – eque resume a temporada de modo geral – veio no meio do desfile: uma camiseta alongada, de mangas amplas onde se lia a palavra “style” de um braço ao outro, atestando que o inverno 2010 não fala sobre moda, mas sobre estilo.

Na apresentação da grife Proenza Schouler, Jack McCollough e Lazaro Hernandez parecem ter voltado às suas origens para resgatar alguns de seus elementos mais essenciais e misturá-los com a atitude ingenuamente sexy que se tornou característica da marca nas últimas coleções.

Dessa forma, com calças ultra justas de cintura alta, voltam os blazeres e jaquetas que lembram uniformes escolares, às vezes com leve toque militar. Adornados por peles levíssimas (que chegam a ter movimento), eles ganham ar maduro, de mulher sofisticada, mas que não perdeu seu espírito jovem.

proenza-schouler-inverno-2010Proenza Schouler inverno 2010 © FirstView

Vestidos curtinhos, com leggings e meias calças atribuem o mesmo efeito, substituindo as peles por um interessante trabalho de jacquard, ou então ganhando ares mais descontraídos quando combinados aos pulôveres de tricô simples. Interessante também o trabalho de estampas de grafite, mais bem resolvido quando apresentado em boas coordenações de cores, como os brancos com azuis. O resultado final pode não ser tão inventivo ou cativante como o da última coleção da dupla, mas essa retomada do passado e o investimento em peças simples com detalhes especiais faz sentido para o atual momento da moda.

“Estamos entrando num período modernista”, diz analista