#PFW Verão 2011: as 10 belezas mais incríveis da temporada!

13/10/2010

por | Beleza

Passou rápido: a temporada de Verão 2011 encerrou-se com um desfile da Miu Miu na 4ª feira (06/10), em Paris. E a última parada no cenário internacional rendeu ótimas belezas, algumas adaptáveis e outras… só para apreciação mesmo, já que apenas profissionais do naipe de Guido Palau conseguiriam fazer.

ALEXANDER MCQUEEN

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Guido Palau impressionou com o penteado trançado, inspirado no paganismo e em artefatos de palha. A técnica, inclusive, foi a mesma: “comecei a tecer o cabelo como fazem com cestas de palha”, disse ao WWD. Vale notar que também havia ali alguns apliques! A beleza de Peter Philips deixou a atenção com os cabelos: pele perfeita e pontos de luz bastaram.

CHRISTIAN DIOR

Christian Dior Verão 2011 ©Firstview

Pat McGrath descreveu o make como uma “Betty Page tecnicolor”: a pele perfeita foi adornada com sobrancelhas marcadas, pálpebras e lábios bem acesos. Orlando Pita aproveitou a referência para criar um penteado parecido com o da pin-up, feito primariamente com perucas.

DRIES VAN NOTEN

Dries van Noten Verão 2011 ©Firstview

A beleza de Dries, idéia de Peter Philips, foi tremendamente simples: pele perfeita e com um toque de cor (verde limão!) abaixo das sobrancelhas. O cabelo de Paul Hanlon seguiu a mesma sacada: penteado para trás e de dupla textura, com spray nas raízes e levemente ondulado nas pontas.

JEAN PAUL GAULTIER

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Meio Joan Jett, meio Ziggy Stardust: essa foi a tarefa de Stéphane Marais e Guido Palau. Marais criou esfumados explosivos, tipo anos 1970, em turquesa, roxo e preto, enquanto Guido inspirou-se na integrante do The Runaways para picotar de maneira punk e colorida diversas perucas.

LOUIS VUITTON

Louis Vuitton Verão 2011 ©Firstview

Na China da Louis Vuitton, Guido Palau criou o que chamou de “chignon moderno”. Parte do cabelo espertamente dividido cobria um dos olhos e, enrolado em si mesmo, era preso na parte de trás, perto do pescoço. O make de Pat McGrath gritava anos 1970: tinha lábios vinho com gloss por cima e lindo um esfumado dourado e roxo.

NINA RICCI

Nina Ricci Verão 2011 ©Firstview

Mais um da dupla Pat & Guido. Ela apagou as sobrancelhas, marcou o blush, contornou os olhos com lápis preto e esfumou-os com rosa forte. Palau partiu o cabelo ao meio e fez um coque baixo, que cobria as orelhas e tinha fios soltos, descritos por ele como “Eduardiano e setentista”.

PEDRO LOURENÇO

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O cabelo de princesa-futurista-espacial tinha uma aparência bem molhada e era preso num nó bem no topo da cabeça, o que Guido Palau disse ajudar a alongar o pescoço e a silhueta. O make resumia-se a uma pele perfeita, sobrancelhas apagadas, um pouco de blush pêssego e sombra rosa, com gloss por cima, puxada num gatinho.

RICK OWENS

Rick Owens Verão 2011 ©Firstview

A maquiagem dark foi criada com precisão por Lucia Pieroni, que escolheu tons de base que combinavam com a coleção para fazer marcas na região das sobrancelhas. Já o cabelo, um chignon baixo e rígido, foi feito por Luigi Murenu, que acomodou no coque os pentes especiais desenhados pelo estilista. O resultado foi um bem conceitual, mas simples.

ROCHAS

Rochas Verão 2011 ©Firstview

Lucia Pieroni inspirou-se na aurora boreal para criar um belo esfumado azul, feito com lápis azul marinho e sombra azul e com um gatinho leve. Já Eugene Soleiman enrolou as madeixas das modelos em rolinhos laterais, e deixou alguns fios desarrumados. Para parecer ainda mais orgânico, Soleiman fez penteados um pouco diferentes em cada uma.

YVES SAINT LAURENT

Yves Saint Laurent Verão 2011 ©Firstview

Os lábios da Yves Saint Laurent, que consistiam num vinho profundo com um gloss transparante aplicado generosamente por cima, foram o destaque da maquiagem, que também teve sobrancelhas apagadas. Já Guido Palau inspirou-se mais uma vez na era Eduardiana para os cabelos: cheios de gel e partidos ao meio, eram enrolados em si mesmos lateralmente ao redor da cabeça.

EXTRA: JUNYA WATANABE

Junya Watanabe Verão 2011 ©Firstview

Ok, o desfile não envolveu nada de maquiagem, já que o rosto das modelos estava coberto por um tecido esbranquiçado, e o ápice relacionado à beleza foram as perucas super coloridas, mas a apresentação de Watanabe vem pra lembrar que nem só de sombra e batom é feito um bom visual: o efeito nas fotos ficou deslumbrante!

+ Veja as fotos de Paris Verão 2011

Nas ruas de Paris: os melhores looks off-passarelas da #PFW

09/10/2010

por | Moda

Sexto dia de Paris Fashion Week: nas ruas da cidade-luz, a correspondente Ana Clara Garmendia registra os melhores momentos e looks off-runaway. E o FFW te mostra tudo!

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+ Ana Clara Garmendia é jornalista, fotógrafa de street-fashion e autora do blog Moda Paris.

Nas ruas de Paris: os melhores looks off-passarela da #PFW

07/10/2010

por | Moda

Sexto dia de Paris Fashion Week: nas ruas da cidade-luz, a correspondente Ana Clara Garmendia registra os melhores momentos e looks off-runaway. E o FFW te mostra tudo!

anaclaraAlexa Chung ©Ana Clara Garmendia

anaclara4Franca Sozzani e Ana Piaggi ©Ana Clara Garmendia

anaclara1À esquerda, a modelo Anja Runik ©Ana Clara Garmendia

anaclara3Carine Roitfeld ©Ana Clara Garmendia

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anaclara6©Ana Clara Garmendia

+ Ana Clara Garmendia é jornalista, fotógrafa de street-fashion e autora do blog Moda Paris.

DIRETO DE PARIS: chinoiserie na Vuitton e despedida na Hermès

07/10/2010

por | Moda

>> Paris está há alguns dias em estado de alerta para possíveis atentados terrorista. Fato que fez com que alguns editores andassem com sapatilhas em suas bolsas para uma rápida troca de sapato na eventual necessidade de uma corrida desesperada. Pelo menos é isso que confessou a editora chefe da “InStyle” americana.

>> Jean Paul Gaultier queria que seu inverno fosse um bom mix de romântico com agressivo. Só que na passarela o agressivo acabou falando mais alto. Como a gente disse aqui, as peruquinhas Joan Jett, as jaquetas de couro com ombros pontudos, os corsets, as peças de metais e muita lingerie falavam da mais pura atitude punk aliada ao melhor e mais clássico estilo Gaultier.

No meio das mil e uma poses, do caminhar de passos marcados, o romantismo acabou escondido, junto com alguns outros detalhes. Algo como os plissados que permeiam toda a coleção: de uma camiseta navy a um chemise de seda até as calças e trench-coats. Outra curiosidade que só viemos a saber depois da visita ao ateliê do estilista na manhã desta quarta-feira (06/10) é que as estampas 3-D (que só funcionam com a peça parada) e os jeans desfilados fazem parte de uma coleção cápsula com preços mais acessíveis.

61953900>> Desfile que começa na hora é praticamente um mito fashion. Ainda assim, os últimos desfiles da Louis Vuitton têm conseguido fazer disso uma realidade. Marcado para às 14h30 de quarta-feira (08/10), o de verão 2011 não foi diferente. Os convidados afoitos para não perder a hora até chegaram com uns bons 20 min de antecedência, quando as portas  sequer haviam sido abertas. Porém, 14h28 as luzes começaram a piscar anunciando o início da apresentação e pontualmente às duas e meia da tarde a cortina de veludo vermelha que escondia a boca da passarela se abriu ainda com as luzes apagadas.

Quando estas se ascenderam novamente já embalada pela trilha, eis que vemos três tigres “empalhados”, dois na lateral e um na lateral da passarela de mármore preto. Estaria Marc Jacobs nos levando para uma viagem exótica e glamourosa pela China?

Para ser mais preciso, seria uma viagem no tempo para 1977 quando Yves Saint Laurent apresentou sua coleção chinesa. Daí os vestidos de gola Mao, com franjas ou estampas de orquídeas ou listras coloridas; a alfaiataria incrível, agora toda estampada, as calças volumosas, os blusés esvoaçantes… Glamour com força total.

Rendas, franjas, bordados, brilhos e animal prints. Muito animal print. Excessos não são suficientes. Nesses, havia algo do estilista japonês Kansai Yamamoto, principalmente nas estampas paetizadas de zebra e tigre de alguns tricôs. Vestidos-túnica, uma versão ajustada em zebra colorida, enquanto a girafa, onipresente, aparecia algumas vezes de modo localizado, como na lateral de uma calça, subindo até o paletó.

Marc Jacobs sempre trabalha temas similares entre suas próprias coleções e as que desenvolve para a Louis Vuitton, e dessa vez não foi diferente. Os anos 70 voltam com força total, e as referências de Yves Saint Laurent mais ainda. Aquele sensação de diversão e bem estar com a própria roupa aqui toma ares mais sofisticados, aliados uma exuberância que beira a cafonice. É justamente nesse tênue limite que o estilista sai ganhando.

Brincando com a noção de excessos e extravagância, Marc busca uma certa subversão extremamente bem humorada. Da decoração do desfile aos mínimos detalhes _como os saltos dos sapatos em forma de patas de animais_ tudo vem na mais deliciosa ironia fashion. Cafona-chic-galmour! E assim o estilista tira sarro das noções de bom gosto, subvertendo-as, ironizando-as e até mesmo ignorando-as.

Em tempos de moda minimalista, o estilista lembra que menos, nem sempre é mais. E quando o assunto é bom humor, mais é sempre bem mais.

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>> Na Hermès o clima era de despedida. O verão 2011 apresentado sobre uma passarela marrom transformada num campo de hipismo marcou o fim da era Gaultier na maison francesa. Depois de 7 anos na direção criativa, o estilista deixa seu posto para Christophe Lemaire, para poder se focar melhor na sua marca. E o que vimos no desfile? A mais pura essência Hermès.

Em outras palavras, a tradição eqüestre da marca veio com força total. Calças de montaria, ferragens e outros elementos de selaria nos acessórios, botas e até chicotes. O couro também tem posição privilegiada aparecendo em quase todas as suas formas _das mini Birkins, corsets até saias, calças, bermudas e os mais perfeitos blazeres. É nessa alfaiataria afiada, de ombros acentuados e extrema precisão de corte, que Gaultier faz valer a sua identidade, mostrando o casamento perfeito que foi essa parceria entre o mais alto luxo e mais deliciosa perversão.

DIRETO DE PARIS: leveza na McQueen e sucesso na Valentino

06/10/2010

por | Moda

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>> Conforme os convidados chegavam à sala toda pintada num tom de creme, ficava evidente o caminho pelo qual Maria Grazia Chiuri e Pier Paolo Piccioli estão levando a Valentino. Quando nos deparamos com Alexa Chung, Astrid Muñoz, Giovanna Battaglia e mais todo um entourage de jovens endinheiradas vestindo a última coleção apresentada em março deste ano, não restou dúvida que a dupla está na direção certa.

A tarefa não é fácil. Se estilistas já encontram enormes dificuldades em dar continuidade a grifes cujos fundadores estão há décadas afastados, imagine quando este deixou a direção criativa apenas alguns anos atrás _e ainda se encontra vivo, aplaudindo o desfile de pé, depois de atrair uma massa imensa de fotógrafos por onde quer que fosse.

A coleção vem como continuidade a passada, toda em tonalidades neutras de nude, rosa claro, marrom capuccino, pontuados sempre pelo clássico vermelho Valentino. Todo aquele romantismo que a dupla vem trabalhando de forma contemporânea, com pitadas discretas de subversão, aqui também se faz presente no lindo trabalho de renda com pequenos pontinhos pretos ou então com algum brilho. Babados onipresentes, comprimentos em sua maioria curtos, porém com alguns amplos longos. Nos pés, sapato de salto médio e sandálias.

A coleção, apesar de fiel ao legado do fundador da maison tanto em sua nova visão de feminilidade e romantismo quanto em sua execução, falha ao tentar comunicar uma mensagem forte como no inverno 2010. A imagem final é um tanto fraca e sem o finesse tão típico de Valentino que deu imensa força de expressão aos looks da última estação.

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>> As expectativas não eram pequenas. A primeira coleção feminina de Sarah Burton para a Alexander McQueen, depois da morte de seu fundador, era sem dúvida uma das apresentações mais aguardadas da temporada. E antes do desfile Mrs. Burton já havia avisado: “Meu estilo é um pouco mais suave que o de Lee”. E de fato foi.

Não que isso signifique uma falta de adequação aos princípios e estilos da marca. Muito pelo contrário. Tendo trabalhado com McQueen toda sua vida, Burton absorveu toda a subversão do estilista. Mais ainda, se tornou expert nos trabalhados manuais a acabamentos artesanais que faziam das coleções do falecido estilista algo quase que do outro mundo, tamanha sua preciosidade _vide os incríveis bordados, as rendas, e os maravilhosos vestidos de folhas negras e douradas, os surreais de borboletas e as saias de plumas.

E o verão 2011 não foi nada além da mais pura confirmação disso. “Cumprindo com o requisito”, Sarah Burton olhou para a natureza, tirando dela diferentes aspectos _da beleza crua presente no make das modelos, ao efeito tipo corrosão ou envelhecimento presente nos desfiados dos lindos bordados brilhantes no meio do desfile ou nas partes (principalmente ombros) que pareciam se soltar do resto das peças, como  se fossem cair.

A transparência, tão em alta, vem trabalhada de forma absolutamente única. O que parece ser duas ou três peças, na verdade é uma só. Imprime também uma sensualidade discreta,  natural, inevitável. A estamparia vem forte, aliada ao apurado trabalho de construção. A paixão de McQueen pelo passado se faz presente nas peças de imponência imperial, muitas vezes arrematadas por grandes cinturões de couro. Sua tão impecável alfaiataria ganha agora contornos mais suaves e femininos. Ajustadas e moldadas ao corpo da mulher.

Leve, sexy, feminino e subversivo na medida certa, o verão 2011 de Sarah Burton eliminou quaisquer dúvidas sobre sua capacidade em levar o legado de McQueen adiante.

Nas ruas de Paris: os melhores looks off-passarela da #PFW

05/10/2010

por | Moda

Quinto dia da Paris Fashion Week: Céline, Givenchy, e John Galliano deram bastante assunto e trabalho para modelos. Mas e nas ruas? A correspondente Ana Clara Garmendia registrou os melhores momentos e looks off-runaway, e o FFW te mostra tudo:

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ANACLARA4As modelos Irina Kulikova e Sasha Sasha Pivovarova ©Ana Clara Garmendia

ANACLARA6O fotógrafo e artista plástico Jean Baptiste Mondino ©Ana Clara Garmendia

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ANACLARA1A editora de moda Giovanna Battaglia ©Ana Clara Garmendia

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Destaque na Givenchy, Marcelia Freesz encanta Carine Roitfeld

05/10/2010

por | Gente

Marcelia Freesz (WAY), a capixaba de 20 anos que chamou atenção na temporada nacional, estreou em Paris de maneira memorável: desfilando o Verão 2011 da Givenchy.

O diretor criativo Riccardo Tisci, que adora brasileiras (principalmente Léa T.), pediu que as outras modelos imitassem os passos de Marcelia e sugeriu inclusive que algumas tingissem o cabelo temporariamente no mesmo tom da brasileira _a veterana platinada Natasha Poly, que abriu o desfile, acatou.

O desfile rendeu também um ótimo contato para Freesz: Carine Roitfeld, que atua como consultora da marca. Segundo sua agência, a francesa encantou-se com a modelo e considera fotografá-la para a “Vogue Paris”.

Mais uma top brasileira a caminho?

marcelia-givenchyPolaroid recente de Marcelia, que atualmente mora em Nova York (e), e no desfile da Givenchy ©Divulgação

DIRETO DE PARIS: a epopeia de Karl Lagerfeld para a Chanel

05/10/2010

por | Moda

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>> E não é que a manhã chuvosa desta terça-feira (05/10) aqui em Paris foi perfeita para o desfile da Chanel? O cinza do céu, por entre as estruturas de ferro e vidro do teto do Grand Palais arrematou o jardim francês de pequenas pedras em branco e preto formando arabescos em torno das três fontes que se espalhavam por quase toda extensão da locação. Há tempos não se via uma passarela tão extensa na grife.

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>> Não era apenas a locação que era grandiosa. Ao todo o casting somava 80 modelos _entre as quais estavam Inès de la Fressange, Stella Tenant e, como as únicas representantes do Brasil, Aline Weber e Isabeli Fontana. Ah, claro, e o “queridinho” de Karl Lagerfeld, Jean Baptiste Giabiconi.

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>> Alguém me dá um pouco disso que a Coutrney (a Love) tomou? Na primeira fila do desfile, a cantora parecia em êxtase, dançando e pulando em seu lugar ao som da orquestra que reinterpretou, com toda uma grandiosidade, músicas de artistas contemporâneos como Björk e The Verve. Próximos a euforia da ex de Kurt Cobain estavam também Alexa Chung, Florence Welsh e Lily Allen.

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>> E como analisar um desfile e uma coleção sem deixar se levar pela emoção da apresentação? Talvez a separação não deva ser feita tão estritamente em todos os casos, talvez nem seja possível. O fato é que ao fim do desfile, Karl Lagerfeld estava arrancando suspiros da plateia.

Enquanto o cenário transmitia uma certa serenidade, a partir do momento em que as primeiras duas modelos pisaram juntas na passarela ao som épico da orquestra ali presente, as emoções foram só se acumulando num crescendo sem fim.

Dos famosos casacos Chanel _agora rasgados, quase como que comidos por fungos_ com jeans manchados, passando pelas lindas estampas florais até os looks escuros e sofisticados no final, com plumas no colarinho fechado de um vestido preto de ombros marcados. Havia algo de obscuro e sombrio no ar. Aquele mesmo que deu aspecto pesado e até mesmo “sujo” para coleção de alta-costura em julho, só que agora mais trabalhado.

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Há sempre algo de especial na visão e modo com que os temas são abordados por Karl Lagerfeld. E para o verão 2011, o jogo do masculino e feminino _tão Chanel_ ganha um significado completamente diferente. Para além das camisas e blazeres adaptados ao corpo da mulher, aqui a mais pura feminilidade vem subvertida. Masculinizada, quase que bruta, ou tomada numa atitude de descuido proposital.

Era essa a sensação nas dramáticas saias longas de cintura ligeiramente mais baixa _como que caídas_ combinadas com casaquetos quadrados de proporções um pouco afastadas do corpo, camisas ou blusas simples e sapatos pesados, como que para destoar propositalmente da  sofisticação do look. Ou então, nas calças com cavalo baixo com as jaquetas rasgadas, nos chemises acinturados e plissados e nos tricôs com motivos assimétricos, numa desordem proposital, e inteiramente desejável. Como dizem por aqui, “dressed up”, mas sem se levar muito a sério. Estar arrumada, ao mesmo tempo que parecer desarrumada.

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DIRETO DE PARIS: Stella McCartney, Ungaro, Yves Saint Laurent e +!

05/10/2010

por | Moda

>> É interessante como algumas roupas podem parecer completamente apáticas na foto, e ao vivo fazem você querer esfregá-las todinhas pelo seu corpo. Com essa atual onda pró-minimalismo, então, isso é ainda mais comum. Virtualmente, as roupas da Céline podem parecer nada além de linhas puras e uma enorme limpeza no design. Porém, ao vivo, a perfeição de execução e acabamento, aliado ao mais puro conceito de simplicidade, funcionam quase como um calmante visual.

Simples. Elegante. Sofisticado. Luxuoso sem querer assim parecer. Era essa a sensação ao entrar na loja com decoração bruta, como se estivesse em reforma, com tubulações de ar e tijolos aparentes. Isso e a vontade de apertar e acariciar toda e qualquer peça texturizada exposta quase como uma obra de arte.

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>> Aconteceu hoje no famoso prédio de paredes cinza da Avenue Montaigne, o press day da Dior. Trata-se de um grande showroom onde a imprensa pode conferir de perto as roupas da mais recente coleção desfilada na última sexta-feira (01/10) aqui em Paris. Tipo um backstage pós-desfile _só que com comidinhas e bebidas.

Nos manequins e araras a coleção exatamente como desfilada imprimiu ainda mais comercial. Sem a iluminação, música e toda aquela emoção da apresentação, são roupas prontas para a vida real. Aliás, uma vida real à beira-mar. Sempre bem colorido, o mais interessante foi poder ver de perto os tingimentos _em seda ou em crochê, quase como uma versão simplificada daqueles utilizados no inverno 2010 de alta-costura em julho deste ano_, e o trabalho artesanal de tiras de tecidos entrelaçados.

Cacharel Spring 2011 Ready-to-Wear>> Afastada das passarelas desde 2003, a Cacharel marcou seu retorno para a semana de moda parisiense na última temporada (inverno 2010), atraindo uma considerável atenção de imprensa e compradores. De lá para cá, a marca expandiu com extrema rapidez sua presença em lojas de departamemto ao inaugurar novos pontos de venda ao redor do mundo _só nos EUA foram 50.

O sucesso não é à toa. Agora sob o comando do estilista francês Cédric Charlier a marca dá início a uma nova fase _mais contemporânea e jovial, ainda que mantendo sua essência. Assim, o verão 2011 vem todo trabalhado em cima das cores. Dos neutros aos ácidos são elas que dão força a coleção, toda trabalhada em algodão e seda.

As formas são simples, quase geométricas, com algumas sobreposições interessantes _principalmente quando aparecem os tricôs_, sempre em silhuetas afastadas do corpo. A camisaria é um elemento importante, aparecendo desde sua versão clássica (ou de smoking) e longos chemises com micro pregas no centro, até desconstruções mais elaboradas as transformando em micro coletes.

E os florais que se associam tão facilmente com a marca, agora ficam abstratos. Olhando para o trabalho de pintura de Kim Gordon, Charlier pensou em estampas quase como uma explosão de tintas, mas cujas formas se assemelhavam à flores.

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>> “Girls who are boys, who like boy to be girls, who do boys like they’re girls, who do girls like they’re boys…” E assim, ao som de Blur, Stella McCartney falou exatamente sobre um dos principais rumos do verão 2011: o incansável jogo do masculino no feminino que encontrou na atual vontade minimalista e em algum resquício dos anos 80 a desculpa perfeita para se fazer mais uma vez presente.

E aí falou das calças de cintura alta, das camisas _aqui totalmente abotoadas_, das tão em alta camisetas-túnicas de mangas, das pantalonas e das sobreposições. Todos elementos que a estilista há tempos chama de “seus”, bem antes de toda essa onda pró-minimalista. Mais interessantes são seus vestidos longos de manga inflada, com torso ajustado e saias longas com plissados assimétricos e as estampas de limões e laranjas que aparecem no último bloco do desfile. Mais do mesmo? Pelo menos foi divertio.

Chlo�>> O problema do minimalismo é que, na verdade, ele é chato. Fazer algo dentro desta estética sem cair na mesmice não é tarefa fácil. Tanto que apenas uma estação após ter se tornado a nova coqueluche fashion, a tendência já começa a dar sinais de desgaste. A antropofagia reciclável da moda tomou proporções tão extremas que os habituais 6 meses já são suficientes para fazer do novo, velho?

Se a gente tomar como exemplo o verão 2011 da Chloé a resposta pode ser: sim. Quer dizer, pode ser: talvez. Para não dizer que não houve nenhuma mudança, Hannah MacGibbon deixou o sportswear da coleção passada de lado para dar contornos mais elegantes para esta atual. Fato que, aliás, acabou eliminando sua jovialidade.

Se antes havia uma clara distinção entre a mulher Chloé e a Céline, agora essas duas praticamente se confundem. O desenho purista, as linhas e cortes simples, falam de uma maturidade um tanto austera demais para marca.

Vestidos de saia no meio da perna vinham, então, na mais perfeita execução. Corte preciso, linhas puras e uma cartela de cores neutras que só reforçou a sensação de sofisticação limpa da coleção. Tecidos encorpados nas partes de cima delineavam ainda mais firmemente as formas clássicas da coleção. Roupas lindas, mas um tanto herméticas demais. Onde antes havia algo de diversão e bem estar jovem, agora há caretice.

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>> Tudo bem que era um dos desfiles mais aguardados, mas ninguém imaginou que a estréia de Giles Deacon na direção criativa da Ungaro fosse causar tamanho alvoroço. Fãs (da marca ou do estilista?) se aglomeravam na entrada do desfile impedindo que alguns importantes nomes da indústria conseguissem passar para o lado de dentro.

E numa passarela coberta de grama (artificial?) com carros antigos repletos de flores, Deacon levou a Ungaro de volta… bem, de volta para a França. Roupas extremamente femininas, que incluíam vestidos envelopes, saias drapeadas, blusas transparentes, lenços, calças cigarretes, laços, rendas, lingeries à mostra e todo aquele je ne sais quoi que fazem das mulheres parisienses particularmente sexy estavam ali na passarela. Havia também algo de lúdico na apresentação. No caminhar das modelos, nas poses… Um pouco daquele humor irreverente do novo estilista.

Jovial como nunca, sofisticada, bem humorada e provocativa, a coleção de verão 2011 sob comando de Giles Deacon, parece estar finalmente colocando a Ungaro no caminho certo.

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>> Será que podemos dizer que a alta dose de glamour e todo clima 1970s presentes no desfile da Yves Saint Laurent seriam uma adequação de Stefano Pilati as vontades do momento? Ou seriam o caminho inverso? Afinal de contas, o grande Yves Saint Laurent em si é referência máxima para esta temporada.

Seja lá qual for a resposta, o que importa mesmo é que Pilati apresentou uma das melhores interpretações da década. Uma versão obscura, com batons mate bem escuros, cabelos presos e sensualidade latente no ar. Calças de cintura bem marcada (e alta) vinham combinadas com blusas-colete frente única ou bons macacões de silhueta seca, saias estreitas faziam par com blusas volumosas ou camisas de manga ampla,vestidos transparentes no melhor estilo 70s, e acessórios felpudos imprimiam ainda mais sensualidade e glamour.

O mais interessante, contudo, é como Pilati conseguiu fazer tudo parecer autêntico e atual. Aplicando recortes geométricos em suas peças _como as fendas arrematadas por pequenos bolsos nas saias evasês_ o estilista fala de uma certa contemporaneidade discreta, balanceando bem passado e presente.

Nas ruas de Paris: os melhores looks off-passarelas da #PFW

04/10/2010

por | Moda

Quarto dia da Paris Fashion Week: Viktor & Rolf, Jean Paul Gaultier e Comme Des Garçons nas passarelas. Mas e nas ruas? A correspondente Ana Clara Garmendia registrou os melhores momentos e looks off-runaway, e o FFW te mostra tudo:

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+ Ana Clara Garmendia é jornalista, fotógrafa de street-fashion e autora do blog Moda Paris.

Duas décadas depois, Inès de la Fressange retorna à Chanel

04/10/2010

por | Gente

Parece que não é só Veruschka que sentiu falta das passarelas: segundo o WWD, Inès de la Fressange desfilará para a Chanel em 5 de outubro, em Paris. “Ela é mais que maravilhosa”, disse Karl Lagerfeld. A última vez que Inès desfilou foi há duas temporadas, para Jean Paul Gaultier.

De la Fressange, hoje com 53 anos, é conhecida como a primeira modelo a assinar um contrato de exclusividade _no caso com a própria Chanel, já sob o comando do Kaiser, nos anos 1980. Uma ruptura entre estilista e musa ocorreu em 1989, quando ela decidiu emprestar seu rosto ao busto de Marianne, símbolo da França.

chanel-ines-de-la-fressangeInès de la Fressange para Chanel, em 1986: o primeiro contrato de exclusividade foi dela ©Karl Lagerfeld/Reprodução

Mas os dois não guardam mágoas e, 21 anos depois, Inès estrelará a campanha de Verão 2011 da maison ao lado de outras duas favoritas de Lagerfeld, Stella Tennant e Freja Beha.

DIRETO DE PARIS: Céline, John Galliano, Givenchy e +

04/10/2010

por | Moda

Colaborou Augusto Mariotti

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>> Céline! O nome mais comentado _e desejado_ dos últimos tempos. Referência máxima e absoluta para as redes de fast-fashion (e muitos jovens estilistas), mas que, por enquanto, só parece agradar os guarda-roupas de fashionistas.

O tão aguardado 3º desfile da grife, agora sob comando da britância Phoebe Philo, apontada como a responsável por a atual onda minimalista na moda, aconteceu na manhã deste domingo no Tennis Club de Paris _locação afastada, que acabou gerando consideráveis reclamações por parte dos fashionistas que tiveram que acordar um pouco mais cedo (ou menos tarde) que o normal.

Na passarela, Philo deu continuidade a sua vibe minimalista, só que dessa vez expandindo um pouco suas propostas para incluir algo de descontraído em seu looks. Suas famosas calças retas _agora em tecidos dos mais leves, como a seda_ vêm com modelagem ligeiramente diferenciada: a cintura cai para a linha do quadril, e as pregas (antes discretas ou inexistentes) geram volumes suaves ampliando a proporção. Combinadas com parkas, jaquetas, túnicas e camisetas quadradas _muitas vezes em couro ou outros tecidos encorpados com barras sem acabamento_ imprimem uma imagem interessante: sofisticada e low-profile, com um luxo elegante, ao mesmo tempo com algo de rústico _principalmente naqueles tops de aparência felpuda, num macramê de pontas desfiadas e nas estampas geométricas que quebravam o domínio neutro da coleção.

O recorrente dilema do masculino vs. feminino que vem pautando muitas das coleções em Paris aparece aqui de um jeito totalmente único, onde as formas mais duras e geométricas ganham contornos de extrema elegância e adaptação ao corpo feminino. Menos poder e mais confiança. É assim que podemos definir o trabalho de Philo, que desde sua primeira temporada na direção da marca vem se dedicando a encontrar uma nova alfaiataria para a mulher do século 21. Ainda assim, fica difícil não se perguntar até quando a estilista conseguirá manter esse visual atual ou relevante. Por mais que seja extremamente desejável, seu novo minimalismo começa a mostrar sinais de fadiga, com pouca evolução de uma coleção para outra.

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>> Demorou quase 1h para começar, e os convidados já reclamavam dos lugares apertados. Mas a espera valeu a pena. O verão 2011 da John Galliano foi uma de suas melhores coleções dos últimos anos. Não que algo de muito inovador tenha sido apresentado. Na verdade, foi um pouco mais daquilo que Galliano sempre gostou _um forte estilo romântico, com alguma decadência e subversão_, porém com uma maestria na execução acumulada ao longo de intensos anos de trabalho na sua marca e na Christian Dior.

Os tão amados anos 1920 voltam em cena, inspirados em Maria Lani, artista que pediu para que diversos outros como Henri Matisse, Jean Cocteau e Marc Chagall fizessem retratos seus com a promessa de que entrariam para um filme no qual iria estrelar. Porém, o filme nunca sequer chegou a ser produzido e Lani acabou vendendo as obras e fugindo para os EUA com todo dinheiro.

Assim, cada roupa veio pensada como um retrato. Único, individual, com estilo próprio. As modelos _entre elas Jasmin Lebon_, cada uma como uma personagem, caminhavam num passado encenado, fazendo mil e uma poses _fato que irritou os fotógrafos, que gritavam para que elas dessem espaço para o clique do próximo look. Vestidos em viés em tecidos transparentes revelavam lingeries provocantes, e os blazeres acinturados em materiais brilhosos eram combinados com as mais incríveis calças volumosas extremamente desejáveis. Decadence avec elegance.

Mas o que fez do desfile de John Galliano algo especial não foi apenas o espetáculo _dessa vez com direito a um palco de verdade, na Opéra Comique. Muito menos suas roupas incríveis, que embora enaltecidas como peças de um figurino de ópera podiam facilmente descer do palco rumo a vida real. O que fez seu verão 2011 brilhar como uma verdadeira grande comédia (aqui no significado teatral da palavra) foi a paixão de cada detalhe _da barra da saia, ao olhar da modelo. Paixão e sentimento que fazem de tudo aquilo algo autêntico e com força de expressão, capaz de despertar desejo e emocionar.

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>> Na mesma locação das últimas 2 estações, o Licee Carnot, o italiano Riccardo Tisci mostrou na noite de domingo aqui em Paris uma coleção levemente punk para Givenchy, assim encerrando mais um dia da semana de moda francesa.

No casting as brasileiras Lais Ribeiro, Marcelia Freez e Izabel Goulart, que segundo boatos fará a próxima campanha da maison. Ah, e como não podia faltar, a transsexual mineira e amiga do estilista, Lea T. Na primeira fila, nomes poderosos: Justin Timberlake e Liv Tyler, garotos propaganda de perfumes da grife, Ronnie Wood e sua namorada brasileira Ana Araujo, Lily Allen e Courtney Love.

O desfile abriu com um interessante trabalho com zíperes que dividiam jaquetas, blazers e coletes em varias partes. Funcionais e decorativos, vinham ora como junções entre partes de uma peça, ora com algum adorno para delinear os ombros, marcar a cintura ou potencializar a conotação sexual.

Outro ponto forte _e quase onipresente_ foi a estampa de leopardo, elemento recorrente no trabalho de Tisci para Givenchy. Clássica, ou então como um jacquard nas peças pretas, a padronagem vinha ora discreta, ora marcante, ganhando até um interessante efeito meio deep-dye, indo do preto à sua cor natural. Junto com o vermelho, branco e preto, o animal print é elemento essencial da identidade da marca sob o comando do estilista italiano.

Havia também um duelo entre as partes de cima, ajustadas e rígidas, com as de baixo, em saias esvoaçantes e transparentes, muitas vezes sobre calças de modelagem levemente evasê. A sensação era um tanto dramática, com algo de romântico. Um atitude poderosa, provocativa, ao mesmo tempo com um toque de suavidade e delicadeza.

A imagem final pode não ser das mais interessantes para a temporada. Talvez pesada para o verão e sem incorporar algo de novo para o legado de Tisci. Mas numa estação onde o masculino vs. feminino está em foco, Tisci deu voz própria ao tema e ainda mostrou imensa precisão na construção e execução de suas peças _principalmente na sua já excelente alfaiataria.

DIRETO DE PARIS: Nuit Blanche, fast fashion, masculino no feminino e +

03/10/2010

por | Moda

Par3500681Hotel de Ville iluminado para Nuit Blanche © Reprodução

>> E viva La Nuit Blanche. Por isso o pequeno atraso na matéria de hoje. Trata-se de um festival de arte, noite à dentro pelas ruas de Paris. São performances, instalações, galerias e mais uma infinidade de trabalhos artísticos que ganham exposição gratuita durante toda uma noite. Museus e outros pontos turísticos também ganham hora extra e entrada livre. Quase como uma virada cultural, porém, sem a música e mais focado em arte. Não que  o evento não sirva de pretexto para as pessoas saírem nas ruas bebendo, conversando e se divertindo até o amanhecer. Entre os acontecimentos mais legal desse ano teve a iluminação (quase como projeções mesmo) da catedral Notre Dame pelo designer Thierry Dreyfus.

>> Nas ruas de Paris calça seca, camisa e jaqueta de couro virou o uniforme do jovem francês. O look não é novidade, vem sendo utilizado há anos por membros das bandas descoladas, mas só agora parece ter chegado na rua de forma quase que massificada.

>> As lojas de fast-fashion como Zara e H&M vivem lotadas. Só a fila para passar no caixa já dão um desânimo absurdo para qualquer possível compra. Seja uma jaqueta aviador tipo Burberry, um blazer bege como o da Chloé ou então um sobretudo verde-militar como o da Céline. Ah, aqui as coleções de inverno já estão na loja, e logo mais devem entrar em liquidação.

>> Já na loja feminina da Balenciaga da Rue George V só dá as russas (ou de algum lugar do leste europeu cujo idioma se faz irreconhecível). Nas araras as peças incríveis da coleção desfilada em março de 2010 _os maravilhosos tricôs embolotados como maxi plástico bolhas, os casacos com recortes em pele, e a alfaiataria futurista em camadas estruturadas. Mas veja bem, tudo isso nas araras. O que parece vender mesmo _além das bolsas_ são as jaquetas de couro tipo motoqueiro ou perfecto em cores como vermelho, amarelo e azul.

>> A medida em que a semana de moda de Paris caminha fica possível identificar certos elementos em comum que até então não apareceram de maneira tão marcante em Nova York, Londres ou Milão. O eterno jogo do masculino no feminino _algo que por alguma razão parece extremamente parisiene_, então se mostra como um dos principais rumos das coleções apresentadas até agora. Ora de maneira mais literal como na Balmain ora mais criativa com certo toque de rebeldia (Balenciaga) e surrealismo como no divertido desfile de Viktor & Rolf.

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A dupla holandesa focou todo seu verão 2010 na camisaria. Trouxe desde modelos convencionais até os mais absurdos chemises, onde punhos em cascastas se maximizam ao ponto de se tornarem ombreiras gigantes. Babados, recortes em cetim e mais uma variedade imensa de volumes sempre como certo toque lúdico e de fantasia (ainda bem) se misturavam a tecidos opacos e ajustados ao corpo. Até mesmo o vestido de noiva derivou da camisa. Gigantesco ocupando toda a passarela com sua cauda feita de vários pedaços de camisas.

A imagem final é da mais pura fantasia teatral, com alta dose de humor. Porém, ainda assim os estilistas conseguiram encaixar peças que além de inspiração, despertavam desejos de consumo quase que imediatos: vide as calças de alfaiataria impecáveis, os chemises menos volumosos e até mesmo alguns modelos em branco repleto de recortes e decorações assimétricas.

>> O diálogo entre masculino e feminino não é nenhuma novidade para Rei Kawakubo e sua Comme des Garçons. Assim, por mais que seu verão 2011 venha repleto de balzeres assimétricos não é exatamente sobre isso que a estilista deseja falar nessa temporada, mas sim sobre algo como dupla ou múltiplas personalidades.

France Fashion

Cerebral como sempre, Kawakubo parte então de uma premissa simples e aparentemente boba, porém extremamente presente nos indivíduos e sociedades contemporâneas. O dilema de não saber o que vestir, que começa de maneira de certo modo bem humorada no desfile, até se revelar uma perturbadora questão de não saber que se é ou quer ser.

Assim suas modelos vinham com jaquetas 2, ou 3 em 1. Com duas ou mais peças _ou parte delas_ hibridizadas numa coisa só. Onde de uma lado aparecia um blazer liso em comprimento tradicional, do outro uma versão curta acinturada em tecido tipo piqué e mais um terceiro modelo solto pendurado nas costas. E assim vinham todas as outras peças. Vestidos, jaquetas, saias, camisas, calças… O melhor vem no final quando essas peças indecisas que penduravam-se nas costas das modelos, vem conectadas a uma segunda pessoa, quase como a materialização dessa segunda personalidade.

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>> O tema do masculino no feminino também não é novidade para Jean Paul Gaultier (afinal, para quem é?). Porém foi justamente por esse território familiar que o estilista caminhou nesta temporada. Com perucas tipo Joan Jett alguma de suas músicas mais conhecidas na trilha, o estilista mandou uma parada de jaquetas de ombros pontudos, recortes em renda e algumas peças de lingerie.

As modelos _e aí incluindo a cantora Beth Ditto_ com aquela mais pura irreverência glamourosa tão típica de Gaultier deram conta de uma ótima apresentação, que contou até com estampas 3-D como eu seu desfile de alta-costura. Mas ainda assim, o sentimento de déja-vú nos deixa querendo ver Gaultier ir com pouco além.

>> Outros bons desfiles que aconteceram ontem (02/10) foram o de Haider Ackermann _extremamante sensual, com vestido longos bem soltos pelo corpo, como um certo glamour decadente. E também o de Junya Watanabe com sua coleção navy repleta de listras e uma ótima alfaiataria.

Nas ruas de Paris: os melhores looks off-passarelas da #PFW

02/10/2010

por | Moda

No terceiro dia da Paris Fashion Week: muita chuva, muitos desfiles importantes a estreia de Pedro Lourenço no lineup oficial. Mas e nas ruas? A correspondente Ana Clara Garmendia registrou os melhores momentos e looks fora das passarelas, e o FFW te mostra tudo:

ANA2À esquerda, Carine Roitfeld e Mario Sorrenti ©Ana Clara Garmendia

ANA5©Ana Clara Garmendia

ANA3©Ana Clara Garmendia

ANA6BabettDjian ©Ana Clara Garmendia

ANA1À direita, Vanessa Friedman, do Financial Times ©Ana Clara Garmendia

ANA4Anna Dello Russo e FridaGustavsson ©Ana Clara Garmendia

ANA7À direita, Karlie Kloss ©Ana Clara Garmendia

+ Ana Clara Garmendia é jornalista, fotógrafa de street-fashion e autora do blog Moda Paris.

DIRETO DE PARIS: Dior, Lanvin, Pedro Lourenço e a falta de educação

01/10/2010

por | Moda

PARIS, 01 de outubro de 2010
Por Luigi Torre
Colaborou Augusto Mariotti

>> “Com licença, senhora, você poderia trocar de lugar comigo, por favor? Assim não te darei cotoveladas enquanto fotografo o desfile”. Foi assim que começou o primeiro dia de desfiles do FFW na semana de moda de Paris. Com um pedido super educado do fotógrafo Bill Cunnigham (um dos primeiros de streetstyle) para a editora da V Magazine e fundadora da Visionaire, Cecília Dean. Educação e cordialidades desse tipo andam meio démodé entre os fashionistas aqui na cidade.

Summer 2011 fashion show during Paris Fashion Week on October 1, 2010 in Paris, France

>> Talvez tenha sido a festa de 90 anos da Vogue Paris na noite anterior, talvez o horário relativamente cedo para o povo da moda _11h da manhã_, o fato é que a plateia do desfile de verão 2011 de Issey Miyake não estava lá das mais bombadas como em temporadas passadas. Dos importantes nomes da imprensa internacional, apenas Suzy Menkes (International Herald Tribune) e Hilary Alexander (Telegraph). Dos top compradores das principais lojas de departamento, apenas a equipe da Bloomingdales.

E antes mesmo das luzes se apagarem a voz de Alfred Hitchcock soou fantasmagórica anunciando o começo do desfile: “There is nothing like a dark room to attract ghosts” (Não há nada como um quarto escuro para atrair fantasmas). E assim, de uma boca de cena profunda e coberta de fumaça branca, suas modelos surgiam trazendo roupas assombradas por fantasmas.

Segundo Dai Fujiwara, atual diretor criativo da grife, o ponto de partida foram justamente as tais criaturas do outro mundo. Eram essas que passeavam por vestidos de plissados miúdos gerando volumes em ondas por toda parte. Ou então, ampliavam as formas de um top, dessa vez em plissados mais largos, e também faziam evaporar estampas e cores à medida que estas se aproximavam das extremidades das peças.

O problema aqui é que ao querer mostrar toda aquela exploração têxtil e de novas técnicas de confecção que caracterizam a marca, Fujiwara acabou tornando sua coleção um tanto confusa. Entre plissados estruturados, estampas digitais de uma trama de ráfia e tingimentos, os fantasmas que serviram de inspiração, enevoaram a clareza de uma mensagem mais consistente para o verão 2011.

>> Você pode não ter convite, mas quem se importa? Afinal de contas, a entrada da Christian Dior no “Jardin des Tuileries” é praticamente um desfile a parte. A única diferença é que ao invés dos fotógrafos italianos, que dominam os pits parisienses, ali a maioria é chinesa ou coreana. Ah, tem a luz natural também, o vento que ao mesmo tempo em que descabela, dá todo um glamour especial para foto e… Bem, para o verão 2011 teve a ameaça de chuva como uma catástrofe fashion prestes arruinar qualquer look.

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>> Do lado de dentro da tenda onde aconteceu o desfile da Dior, assinado por John Galliano, uma primeira fila digna dos mais importantes shows _Kate Moss chegou chegando, cercada por centenas de paparazzis que se acotovelavam para tirar uma foto da modelo _fato que, obviamente, acabou atrasando o desfile.

Karlie Kloss, a atual queridinha de Galliano, abriu o desfile com seu andar inconfundível, projetando as pernas à frente do corpo e cruzando os passos por trás do torso. A roupa? Uma parka de algodão em tom de areia sobre vestido curto com estampa de folhas e chapéu de marinheiro.

Numa busca constante em rejuvenescer a imagem da tradicional maison, Galliano mixa Bettie Page e Kate Perry na passarela com uma viagem às praias do Pacifico Sul. Verão ultra colorido, de muitos vestidos curtos, calças amplas, um bonito trabalho de trama de crochê feito na saia usada por Martha Streck.

O resultado é uma imagem bem mais descontraída _e jovem_ do que aquela super luxuosa das últimas estações. Os curtos de saias soltinhas em seda e outros tecidos leves em cores bem fortes, às vezes com discretos tingimentos, são objeto de desejo imediato para as consumidoras mais jovens da marca. Até mesmo quando os longos entram no bloco final, a sensação não é mais daquela roupa no pedestal, e sim de certa proximidade e simplicidade com a vida real.

Ainda que calcado nos arquivos da Dior, Galliano conseguiu ao menos dar certo respiro ao repertório da grife. Não é, nem de longe, uma coleção incrível como fazia na primeira metade dos anos 2000, quando a marca se permitia desfilar mais imagem do que produtos. Ainda assim, o verão 2011 consegue transmitir um ar de leveza e frescor há tempos não visto em suas passarelas.

E assim as luzes se apagam e Galliano, vestido de marinheiro, entra na passarela, fumando cigarro, para receber os aplausos de suas fiéis clientes, como Marisa Berenson, dando um show à parte.

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>> Na Lanvin _que estava marcada para as 17h30, mas só foi começar depois das 18h40_ Alber Elbaz deu alguns sinais de mudanças. O desfile começou com um top ajustado e saia de seda toda esvoaçante, evoluindo daí para modelos curtos, ajustados ao corpo com tecidos drapeados se enrolando pelo corpo, ou então como uma segunda metade do look.

Como que se livrando dos volumes e drapeados enviesados que dominaram suas últimas coleções, Elbaz vai então cortando os detalhes de sua roupa. Deixando essa mais limpa e cada vez mais próxima ao corpo.

Delineando bem as formas femininas, sem jamais desrespeitá-las ou desconfortá-las. Por mais justas e envoltas no corpo que suas roupas possam parecer, há sempre uma sensação de adequação e conforto nos looks. Exatamente como aquela mulher que deve querer abrir mão do vestido drapeado por outro mais seco e assertivo para a hora do trabalho.

E assim, a partir dessa noção de limpeza e objetividade, o estilista trabalha em cima das várias necessidades da mulher contemporânea. Da roupa do trabalho _um blazer de ombros marcantes, torso ajustado e saia reta sobre legging de aspecto esportivo_ aos dias de folgas em lugares e ocasiões glamourosas _como nos vestidos e combinações de saias e camisas envoltas ao corpo, arrematadas por maxi acessórios. E o mais impressionante de tudo, é que mesmo com uma imensa variedades de propostas, o resultado final continua extremamente coeso. Na era do pode tudo, Alber Elbaz apresenta mesmo de tudo _e para todas.

Pedro Louren�o-1>> “Adorei as combinações de cores, os trabalhos com couro… Sua técnica e acabamento são simplesmente incríveis”, disse o diretor de moda da i-D e editor da revista Vogue, Edward Enninful, sobre o segundo desfile de Pedro Lourenço na semana de moda de Paris.

E de fato, após seu mais do que bem sucedido debut parisiense, Pedro não deixou as expectativas em baixa. Seu ponto de partida dessa vez foi Josephine Bonaparte (a mulher de Napoleão) e os uniformes de baseball. Combinação aparentemente complexa, mas que no fundo, pouco importa para se perceber toda a força desta coleção.

O que Pedro quis com esse inusitado mix de referência era, na verdade, trabalhar novas formas de sensualidade. “Fugir do óbvio e explorar outras partes do corpo feminino”, contou ao FFW após seu desfie.

Só isso já dava conta de explicar as incríveis transparências que faziam suas roupas parecem coladas ao corpo, onde indivíduo e roupa são uma coisa só. Todos os aparentes tomara-que-caia vinham com espécie de alça/gola em um tule tão fino que se confundia com a pele. O efeito era excepcional e extremamente contemporâneo.

Ao contrário do inverno 2010, os ombros literalmente caem. Ficam à mostra durante quase toda coleção, falando de uma sensualidade de certo modo natural _quiçá até vulnerável, onde a atenção se dirige não mais para imponência dessa parte do corpo quando estruturada, mas para todo resto.

Principalmente para o colo, reforçado pelas várias silhuetas império em vestidos de couro com incríveis volumes nas costas. Falando em couro, Pedro começa a fazer do material sua marca registrada. Se antes pareciam super-estruturados, agora vêm mais leves e dotados de uma feminilidade moderna sensacional. Plissados, ondulados ou lisos caindo soltos pelo corpo.

As calças-botas _ com couro do joelho para baixo e tule de lá para cima_ são bem interessantes. Mais ainda os aparentes macacões verticalizados que na realidade são duas peças parecendo uma só. Com faixas primeiro em verde, depois em vermelho são ótimos exemplos dos trabalhos quase de ilusão de óptica que Pedro exercitou nessa coleção. Além do jogo entre transparente e opaco, o jovem e talentoso estilista faz uso desses recortes gráficos para ressaltar a silhueta alongada que tanto gosta de trabalhar.

E quase como que para fechar com chave de ouro, vestidos longos em tecidos transparentes onde apenas faixas retangulares cobriam seios e partes íntimas femininas, falando dessa nova sensualidade totalmente exposta, ao mesmo tempo que velada e inocente.

Se em março passado Pedro fez seu nome conhecido, agora vai se fazer lembrado. Mais maduro, mais polido e com visão mais afiada do que nunca, não restam dúvidas de seu potencial como um dos estilistas jovens mais talentosos se apresentando na cidade.