Em Paris, novos estilistas buscam excelência em qualidade e acabamento

12/03/2010

por | Moda

Paris pode não ser a cidade mais indicada para jovens estilistas. Os preços altos de aluguel, mão de obra e matéria prima deixam a cidade bem mais cara em comparação a outras capitais criativas como Berlim e até mesmo Nova York. Mas mesmo assim, superando todas as dificuldades, uma leva de novo nomes têm chamado considerável atenção nas semanas de moda, atestando que o novo sempre vem.

Paris, ou melhor, a França conta com poucos programas de incentivo e apoio para novos estilistas. As publicações locais tampouco parecem interessadas em promover as marcas jovens que lutam para ter seu espaço entre as grandes maisons. Assim, a moda local parece um tanto quanto estagnada em sua rica e vasta tradição no ramo, tornando o mercado um tanto quanto árido para embriões fashion.

“É muito difícil começar uma grife de moda aqui na França”, conta a especialista em corsets Linda Vongdara que, depois de 5 anos fazendo lingeries sob medida, decidiu lançar sua primeira coleção de prêt-à-porter. Com pano de fundo fetichista, seu Inverno 2010 é inspirado nos uniformes – dos militares aos escolares. Da fonte jorram casacos de marinheiros decorados com faixas vermelhas, capas de alfaiataria desconstruída e saias com plissados nas costas, num estilo bem colegial.

“Quis me focar em peças de corte simples, fáceis de usar, decoradas apenas nos detalhes”, explica a estilista que se encarregou sozinha de todos os processos da pequena coleção – do desenho a costura. E se a imagem final é pouco inovadora, o contrapeso está no acabamento de alta qualidade. “Como é a minha primeira coleção, sei que os compradores prestam muito atenção na qualidade das peças e nos detalhes internos”.

maxime-simones_inverno2010Looks da Maxime Simoens Inverno 2010: o jovem estilista francês tem extremo cuidado com os detalhes. A estampa que parece de oncinha é, na verdade, formada por micro borboletas © Divulgação

Qualidade e atenção aos detalhes também são elementos essenciais no trabalho de Maxime Simoens. O estilista transforma micro borboletas em animal print de oncinha, canutilhos em estampa abstrata e ainda conta com um manuseio têxtil de alta qualidade.

Seus vestidos próximos ao corpo e suas jaquetas ajustadas em tecidos encorpados com toque militar e um leve clima anos 1940 trazem um equilíbrio muito interessante. “Eu me esforço para nunca cair no excesso, em vestidos muitos elaborados, com decorações over”, diz. “Tenho sempre em mente que a moda será, acima de tudo, vestida por alguém”.

taralis-inverno-2010Inverno 2010 de Nicolas Andreas Taralis: sua alfaiataria é tratada com cuidados meticulosos, resultando em cortes primorosos © Divulgação

Nicolas Andreas Taralis é outro nome que merece destaque. Depois de três anos longe do circuito fashion, o estilista, que passou rapidamente pela direção criativa da Cerruti, retorna com uma coleção que oscila entre o formal e o casual – com algumas pitadas de sensualidade. Capas de alfaiataria com corte afiado, ângulos precisos e linhas retas, jeans e jaquetas decoradas com zíperes aparentes e vestidos que pareciam maxi echarpes transparentes enroladas pelo corpo.

E já que estamos falando da nova geração, não podemos deixar de lado o jovem brasileiro Pedro Lourenço, que debutou nas passarelas francesas neste Inverno 2010. “A coleção levou três meses para ficar pronta”, contou ao FFW após seu desfile. “Sendo que um mês foi só de desenvolvimento técnico”. O resultado foi positivo: no vídeo acima, a editora da “Vogue Nippon” Anna Dello Russo se declara surpreendida pela qualidade das roupas do estilista que tem somente 19 anos de idade.

Paris inverno 2010: as mulheres ‘de verdade’ da Louis Vuitton

10/03/2010

por | Moda

PARIS, 10 de março de 2010

Por Luigi Torre

Fotos Augusto Mariotti

Cintura no lugar, bustos favorecidos, quadris acentuados e tecidos sofisticados. Para o Inverno 2010 da Louis Vuitton, Marc Jacobs pisa no freio e tira um tempo para apreciar as coisas belas da vida. “Num momento onde qualquer um pode ter qualquer informação com um clique no computador, é bom reduzir a velocidade e pensar nessas coisas, nessa beleza eterna”, comentou o estilista momentos após seu desfile no Cour Carrée du Louvre, aqui em Paris.

Aproveitando o chafariz da locação, Marc Jacobs soltou suas modelos numa passarela redonda com apenas um minuto de atraso. As meninas vinham à bordo de formas voluptuosas, saias amplas de comprimento no meio da perna, com cintura bem marcada, top justo evidenciando os seios e um combo de casacos sensacionais: sempre em lã, de alfaiataria, nas mais variadas texturas, retos, terminando um pouco abaixo da cintura, alongados em corte evasê.

O mais marcante, contudo, não são as roupas que talvez sejam mesmo retrôs de mais para mulheres que podem não dispor dessa pausa para apreciação de “belezas etentar.  Mas o fato de Marc Jacobs, assim como Miuccia Prada, ter abordado uma moda para mulheres mais amadurecidas. Uma mulher adulta, com formas já bem desenvolvidas e que sabe explorar sua sensualidade de diversas maneiras, que consegue favorecer suas curvas. A tradução derradeira desta vontade veio no casting: Lara Stone, Laetita Casta, Alessandra Ambrósio, Adriana Lima, Karolina Kurkova e até a lendária Elle Macpherson fechando o desfile. Marc Jacobs, na Louis Vuitton, engrossa o coro da pergunta que não quer calar nesta temporada: estaria a moda entrando num período de mudanças sociais?

Depois de anos em busca da juventude perdida, parece que os estilistas finalmente conseguem aceitar que o tempo passa para todos.

+ Aguarde as fotos da coleção completa!

Paris inverno 2010: o último suspiro de Alexander McQueen nas passarelas

Paris inverno 2010: o último suspiro de McQueen nas passarelas

09/03/2010

por | Moda

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Em parte como homenagem, em parte para mostrar que a grife não morreu com seu criador, a coleção que Alexander McQueen finalizou dias antes de cometer suicídio foi apresentada nesta terça-feira (09/03) aqui em Paris. Num desfile fechado apenas para alguns poucos jornalistas, o legado de um dos maiores estilistas desse começo de século parece ter chegado ao fim.

O último respiro de McQueen estava presente na concisa coleção de apenas 15 looks. Pautadas por um certo clima medieval, as roupas traziam o aprofundamento histórico que sempre marcou seu trabalho. Desta vez, além das formas tiradas das vestes religiosas e da monarquia britânica, havia também as estampas – outra paixão do estilista – que vinham ora como reproduções das infâmes pinturas de Bosch, ora em versões digitalizadas de detalhes de madeira entalhada. O passado no presente. Nos pés, sapatos dourados. Nas cabeças, penachos em forma de moicano.

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+ Veja a coleção completa de Alexander McQueen para o Inverno 2010

Apesar de toda a precisão técnica, foi impossível não sentir o vazio. As últimas roupas de McQueen pareciam sem vida. Talvez exista de fato uma conexão muito forte entre o estado de espírito do criador e a cara de suas criaturas. Talvez Alexander estivesse mais focado em ostentar sua extrema habilidade técnica do que a sua verve teatral, superexposta nas coleções anteriores.

Essa coleção traz à tona muitas perguntas que dificilmente serão respondidas. A única certeza é clara: Lee Alexander McQueen deixou um vácuo que dificilmente será preenchido na moda.

Paris inverno 2010: com iceberg na passarela, Chanel faz viagem polar

Paris inverno 2010: o expresso polar de Karl Lagerfeld para a Chanel

09/03/2010

por | Moda

PARIS, 9 de março de 2010

Por Luigi Torre

capa_homeA passarela da Chanel para o Inverno 2010: iceberg de verdade, água e modelos encapotadas em peles e tricôs © Augusto Mariotti/FFW

Já era possível prever que o cenário do desfile da Chanel, que aconteceu na manhã desta terça-feira (09/03) no Grand Palais aqui em Paris, seria grandioso. Ao entrar no amplo espaço onde a grife apresenta suas coleções há anos, uma imensa caixa branca retangular escondia a atração principal no centro da passarela. Quando a música – digna de de um filme de fantasia – soou alto nas caixas de som, a estrutura se levantou revelando um imenso iceberg (de gelo mesmo!) sobre uma fina camada d’água. Criaturas felpudas, envoltas em casacos de pele – seriam elas um cruzamento entre ursos e esquimós? – encaravam os fotógrafos deixando a plateia boquiaberta.

Caminhando sobre esse espelho d’água sobre o qual pairava uma fina camada de fumaça, as modelos vinham com sapatos de estruturas rígidas feitas de plástico, vestindo tweeds adaptados a essa moda quase selvagem, esse retorno às origens, que aos poucos ganha força nos desfiles de todo o mundo.

Tricôs de pontos largos, aspecto rústico, looks decorativos. Barras, mangas, punhos e até calças vêm cobertas de peles de animais. Em alguns momentos da apresentação, Karl Lagerfeld parece homenagear a fase “russa” de Coco Chanel, em outras parece viajar pelos pólos desvendando a cultura dos esquimós, um tema que Mauricío Ianês explorou aqui no Brasil nos desfiles de Alexandre Herchcovitch e TNG, lembra?

O boho também entra em cena com os vestidos mais simples, seguido pela ala “masculina” representada pelos looks preto e branco – pura elegância Chanel. Só que agora o clássico tailleur de tweed ganha leve toque rústico. Suas trama vão, numa mesma peça, dos pontos fechados e pequenos até os mais largos de aparência quase artesanal.

É preciso uma mente genial para abordar um tema tão óbvio – o frio no inverno – e apresentá-lo de modo tão encantador e autoral. Onde vivem os monstros? No glamouroso inverno da Chanel.

+ Aguarde fotos da coleção completa do inverno 2010 da Chanel.

Direto de Paris: roupas brasileiras são hype nos showrooms

08/03/2010

por | Moda

PARIS, 7 de março de 2010

Por Luigi Torre

Poucas capitais ao redor do mundo entram em tamanha sintonia com um evento como acontece em Paris durante a semana de moda. Em todos os cantos da cidade, é possível encontrar grupos de pessoas comentando sobre o assunto ou até mesmo importantes personalidades da indústria da moda (que vão de editoras até celebridades) pelas ruas ou tomando cafés nos charmosos bairros.

Além dos quase 100 desfiles que acontecem na Cidade Luz, uma quantidade enorme de showrooms e feiras de negócios aproveita a ocasião para apresentar novos produtos. Atmosphères, The Box, Rendez-vous, Première Classe, Paris Sur Mode e Tranoï são apenas algumas das mais conhecidas por concentrarem marcas de todo o mundo, inclusive do Brasil.

Na Paris Sur Mode, por exemplo, há um corner dedicado exclusivamente a moda brasileira, onde se encontram Alessa e Adriana Degreas. Na Tranoï, Carlos Miele, Isabela Capeto, Cecilia Prado, UMA Raquel Davidowicz e Coven dão conta de representar as terras brasilis numa das mais importantes feiras da temporada.

IMG_1736Cecilia Prado em seu espaço na feira Tranoï Femme © Augusto Mariotti/FFW

“Todos os compradores do mundo estão por aqui nesta época do ano”, contou Cecilia ao FFW. A estilista apresenta seu showroom em Paris há 9 anos, além de levar suas peças também a eventos similares em Nova York e Tóquio. Segundo ela, outra vantagem de mostrar em Paris é o formato das apresentações. Enquanto nas outras cidades os showrooms são quase como mini desfiles, aqui o contato é mais pessoal. “Bem tête-à-tête mesmo, e isso ajuda muito na venda”.

IMG_1733Isabela Capeto na Tranoï Femme em Paris © Augusto Mariotti/FFW

Isabela Capeto, que está no seu 16º showroom em Paris, conta também que boa parte dos compradores são asiáticos e do Oriente Médio. “O pessoal ‘das arábias’, como a gente brinca, está cada vez mais interessado na moda brasileira”, conta. O fato também se confirma para Cecilia Prado que tem no Oriente Médio e Ásia seus mais fiéis compradores.

O que eles procuram? “Roupas incrementadas”, responde Cecilia. “No Brasil, há uma preferência por roupas mais básicas, enquanto aqui os compradores procuram peças mais trabalhadas”. Para Isabela, o ponto forte são as decorações bem brasileiras. “Os vestidos com bordados e aplicações bem regionalistas têm feito o maior sucesso”.

Isso e o preço. De acordo com Isabela, depois da crise, compradores internacionais de todas as nacionalidades estão cada vez mais atenciosos aos preços. “O importante para eles é ter uma boa relação de custo e benefício”. Cecilia Prado ainda revela que “antes da crise, eles pouco se preocupavam com o valor das peças, agora a postura é mais consciente”.

Direto de Paris: a estilista coreana que quer revolucionar o menswear

08/03/2010

por | Moda

PARIS, 05 de março de 2010

Por Luigi Torre

O nome pode ser difícil de entender, mas a roupa é bem fácil de assimilar. Wooyoungmi (tente pronunciar em três tempos: “woo – young – mi”) é atualmente uma das grifes de menswear mais comentadas aqui em Paris. Integrante do calendário parisiense na semana de moda masculina desde a temporada de Verão 2010, a marca – que leva o nome de sua estilista – é originária da Coreia do Sul e foi criada em 2002.

loja-wooyoungmiA vitrine da loja de Wooyoungmi em Paris © Luigi Torre/FFW

O portal FFW aproveitou uma brecha entre os desfiles e visitou a loja no descolado bairro do Marrais.

Wooyoungmi comprova que a riqueza da moda masculina está nos detalhes. Até mesmo aqui em Paris, onde os homens abusam do estilo, a grife se destaca através de roupas com sutis alterações de proporções e modelagens, compondo uma alfaiataria que justifica o hype da grife entre os franceses.

O trabalho da estilista é marcado por linhas puras, formas simples e elementos clássicos do armário masculino. O refresh vem nos pequenos ajustes que deixam blazeres um pouco mais curtos, ou então com silhueta mais ajustada ao corpo. As calças variam: algumas são amplas, outras quase adesivas. A região dos ombros ganha detalhes de inspiração militar, às vezes feitos de tricô. Mas o destaque mesmo são as mangas das peças.

wooyoungmi_ss010Campanha da Wooyoungmi para o Verão 2010 © Reprodução

É nelas que o trabalho de desconstrução se faz mais presente. Com recortes na altura do cotovelo, blazeres parecem indecisos (no bom sentido) entre mangas longas e curtas. Trench coats ganham camadas interessantes nos braços, confundindo o olhar, dando a impressão de que são mais de uma peça, quando, na verdade, são peças unitárias. Jaquetas mais esportivas trazem zíperes que, além de decorativos, permitem transformar mangas longas em curtas.

Com silhueta e proporções totalmente up-to-date e elementos utilitários tratados de forma sofisticada, fica fácil entender o giga hype em torno dessa nova estilista que promete encabeçar uma nova revolução no guarda-roupa do homem moderno.

Loja Wooyoungmi em Paris
ONDE 44 rue Vieille du Temple – 75004 – Paris
CONTATO 33 01 4277 7684 / 33 01 4277 7963 / e-mail: dane@wooyoungmi.com
+ wooyoungmi.com

Paris inverno 2010: acompanhe as coleções completas!

08/03/2010

por | Moda

Clique aqui para ver as coleções completas dos principais desfiles de Paris Inverno 2010.

Paris inverno 2010: Givenchy abandona romantismo dark

07/03/2010

por | Moda

PARIS, 7 de março de 2010

Por Luigi Torre

Colaborou Augusto Mariotti

Quando se pensa na Givenchy sob o comando de Ricardo Tisci a primeira imagem que aflora é aquela de um romantismo dark, carregado de elementos do cristianismo ou étnicos que o estilista tanto gosta de trabalhar. Mas o Inverno 2010 da grife vem cheio de frescor, propondo uma abordagem totalmente nova para a maison, mas sem perder a força sensual do seu diretor criativo.

Minimalismo, alfaiataria precisa e um interessante mix de tecidos, sempre com alta dose de sensualidade. Tisci deixou um pouco seu lado emocional de lado na última apresentação deste domingo (07/03) aqui em Paris, e se concentrou nas linhas precisas que andam tomando conta da temporada. Blazeres com cortes quadrados, camadas geométricas de comprimentos variados, blusas justas com faixas em cores diferentes e saias e vestidos de neoprene com abertruras que revelam peças rendadas ou com estampas estilo alpino foram alguns dos vários elementos trabalhados nessa precisa e interessante coleção. Por trás disso tudo, uma leve homenagem à Michael Jackson podia ser lida nas luvas decoradas com maxi pedras brilhantes, em perfeita combinação com bolsas e sapatos na mesma cor.

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+ Aguarde review na íntegra e fotos da coleção completa.

No casting, a surpresa foi a presenca de Malgosia Bela que quase já não desfila mais. Na ala brasileira, Aline Weber e Lais Ribeiro foram as únicas que marcaram presença. A segunda, aliás, tem aparecido nos principais desfiles da temporada. Já na fila A, com poucas celebridades, se destacaram a cantora Beth Ditto (que cancelou sua turnê pelo Brasil) e a bombshell Adriana Lima vestindo um curtíssimo Givenchy branco da coleção de Verão 2010. Ambas falaram com a FFWTV. Assista no player acima!

Paris inverno 2010: a aclamada estreia de Pedro Lourenço

05/03/2010

por | Moda

PARIS, 5 de março de 2010

Por Luigi Torre

Atrair grandes nomes da moda para o desfile de um jovem estilista marcado apenas meia hora antes da apresentação do gigante Yohji Yamamoto não é tarefa nada fácil. Mas a assessoria de comunicação de Pedro Lourenço, a grosso calibre KCD, fez um ótimo trabalho.

+ Veja a coleção completa de Inverno 2010 de Pedro Lourenço

Faltando pouco menos de cinco minutos para o desfile começar, a fila A já estava tomada por cardeais da moda global: Jefferson Hack, da “Another Magazine”; Anna Dello Russo, da “Vogue Nippon”; Sarah Mower, do Style.com; Hamish Bowles, da “Vogue US”; e Carine Roitfeld, da “Vogue Paris” eram apenas alguns dos nomes estrelados que assistiram a estreia deste que já é considerado o mais novo enfant terrible da moda brasileira.

A inspiração foi um mix de caçadoras usando vestidos e casacos arquitetônicos em homenagem ao gênio Oscar Niemeyer. “Quero falar do Brasil, mas de coisas boas, e não daquela visão colonizada que muitos têm do nosso país”, revelou Pedro ao FFW momentos após o término do desfile (aguarde um vídeo com a entrevista!).

+ Veja detalhes do desfile de Pedro Lourenço em Paris

A identidade de Pedro Lourenço ganha mais consistência, trazendo um jogo de tecidos em diferentes opacidades e texturas de forma super autoral, num casamento perfeito entre conceito e execução. A técnica vem mais apurada com o uso de materiais com tratamentos tecnológicos – couros ultra rígidos em formas curvilíneas e com aparência de madeira, acabamentos pintados a mão, jérsei e veludos dublados.

+ Fotos exclusivas de backstage e beleza do desfile de Pedro Lourenço Inverno 2010

Paris inverno 2010: sensualidade na Colette por Olivier Zahm

04/03/2010

por | Moda

PARIS, 4 de março de 2010
Por Luigi Torre

CAMINHOS DA ÍNDIA

manisharora_inverno2010-4Foi-se o tempo em que Paris era uma capital da moda puramente francesa. Hoje, a variedade de estilistas e marcas de diferentes nacionalidades que se apresentam por aqui torna a cidade um dos epicentros de criatividade do mundo. Não por acaso, o indiano Manish Arora veio para cá em busca do sucesso.

Uma trupe cada vez maior de jornalistas, editores e compradores comparece à sua apresentação que já se mostra pequena perante o hype gerado. “Caos total!”, exclamou Suzy Menkes, editora de moda do jornal “International Herald Tribune”, ao se deparar com a turba na frente da locação escolhida para o desfile.

Numa biblioteca transformada em passarela, Arora foi buscar nas geometrias da Art Déco a inspiração para sua coleção texturizada e, literalmente, brilhante. Vestidos com saias abaloadas, leggings listrados, jaquetas estruturadas com camadas rígidas, vestidos alongados com inspiração 1920s e ombros bem marcados pontuaram a apresentação supercolorida e decorada.

+ Veja aqui a coleção completa de Manish Arora Inverno 2010

PURPLE RAIN

De todos os aspectos inerentes a Paris, um deles é incontestável: a cidade transpira moda. Conforme o turista se aproxima das regiões onde se concentram as principais grifes do mundo, é possível sentir a sofisticação materializada nos looks dos transeuntes, nas vitrines de luxo ou mesmo na atmosfera aristocrática. Pode ser na rue Cambon, onde reside o prédio histórico da Chanel, no número 31. Ou então na rua Saint Honoré, onde se encontra a Colette. Loja conceito, apelidada de “Meca do Hype”, a Colette é hotspot garantido durante a semana de moda.

O movimento por ali chega a ser caótico durante os dias da fashion week. Afinal de contas, desde sua abertura, com curadoria de Sarah Lerfel, a loja virou referência para tudo o que há de mais atual e descolado no mundo da moda, música, artes e tecnologias.

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Entre artigos grifados de Yves Saint Laurent, Balenciaga e Undercover (além do divertido boneco do fotógrafo Terry Richardson), a Colette traz ainda a exposição Purple Diary. Uma versão impressa – em pequenos retratos dispostos numa parede toda roxa no segundo andar da loja – dos registros que o diretor/editor da revista “Purple”, Olivier Zahm, faz em seu blog.

São imagens carregadas de irreverência e sensualidade, clicados pelo próprio Olivier entre suas viagens e eventos em Nova York e Paris. Modelos, editores, jornalistas e clubbers das duas capitais aparecem em cenas e poses provocativas, em estilo snapshot, imprimindo a atitude ousada não apenas da revista, mas também do seu próprio editor.

Serviço:
“Purple Diary @ Colette”
QUANDO De 01/03 à 03/4
ONDE 213 Rue Saint-Honoré, 75001 – Paris
+ www.colette.com.fr

Paris inverno 2010: Balenciaga resgata futurismo street

04/03/2010

por | Moda

PARIS, 3 de março de 2010
Por Luigi Torre

Nicolas Ghesquière já havia dado o recado na sua coleção de Outono 2010. Agora, com a passarela iluminada num mix de “2001″ (de Stanley Kubrick) + “Embalos de Sábado a Noite”, ficaram claras as duas principais referências que norteiam o Inverno 2010 da grife. De um lado, o futurismo característico de Ghesquière. Do outro, um toque 1970s, uma década em evidência nesta temporada.

Veja as coleções completas das principais grifes que desfilam em Paris no Inverno 2010

Assim como na coleção anterior (veja aqui o Verão 2010), Ghesquière se mantém focado numa moda street transportada para o universo de sofisticação e perfeição técnica quase que exclusivos da maison Balenciaga. Desta vez, os protagonistas são os tecidos. Trabalhados quase como bricolagens, trazem uma gama de texturas e coordenações de diferentes materiais que muitas vezes chegam a confundir o olhar. O que parece estampa, na verdade, são tramas, aplicações e bordados de materiais em cortes diferentes. As proporções também são ultra up-to-date: peças de tricôs acinturados, saias curtinhas com pulôveres mais ajustados, ou calças secas com jaquetas próximas ao corpo.

+ Veja aqui a resenha FFW e a coleção completa.

Paris inverno 2010: Gareth Pugh evolui técnica, mas não conceito

04/03/2010

por | Moda

PARIS, 03 de março de 2010

Por Luigi Torre

Colaborou Augusto Mariotti

DRIES VAN NOTEN: MISSION IMPOSSIBLE!

O voo em que saímos do Brasil estava previsto para chegar em Paris às 14h30. O desfile de Dries Van Noten, marcado para às 15h – parecia missão impossível. Infelizmente, assim foi. O avião com mais de uma hora e meia de atraso desovou a equipe FFW sem tempo hábil para chegar ao desfile do estilista belga. Um começo de viagem truncado, mas uma coleção que, como vimos nas fotos, tocou de maneira excepcional no principal assunto da temporada: a simplicidade.

Veja a coleção completa da grife Dries Van Noten Inverno 2010

dries-van-noten-ivnerno-2010Dries Van Noten Inverno 2010: o foco do belga está na simplicidade © Firstview

Van Noten pode ser conhecido por seu constante mix de estampas e tecidos de diferentes culturas. Mas em sua coleção para o Inverno 2010, ele achou melhor deixar essa forte característica de lado e focar-se na mistura de proporções e modelagens de diferentes décadas: anos 1950, 60 e 70. O resultado foi uma das coleções mais emblemáticas de sua carreira. Clique aqui para ler a resenha FFW na íntegra.

O DILEMA DE GARETH PUGH

O caso de amor entre Gareth Pugh e Paris é recente, porém avassalador. O estilista entrou para o line up da semana de moda parisiense em 2008, quando ganhou um prêmio da ANDAM (Association Nationale pour le Développement des Arts de la Mode). Em seu primeiro desfile na Cidade Luz, Mr. Pugh levou para a primeira fila gente como Carine Roitfeld, todo-poderosa editora da “Vogue Paris” e entusiasta do estilista: “É incrível ver o nosso calendário se renovando. Gareth Pugh é muito bem vindo em Paris”, disse na época ao portal FFW (que ainda era site SPFW, lembra).

Dois anos se passaram e, no meio do caminho, Gareth optou por uma apresentação em vídeo. Não deu muito retorno, e desta vez o estilista uma vez chamado de enfant terrible volta com força total. Na primeira fila do seu Inverno 2010, power players do mundo da moda que iam desde Grace Coddington (“Vogue US”), passando por Michael Roberts (“Vanity Fair”) até sua madrinha Carine e as editoras Cathy Horyn e Suzy Menkes, a dupla dinâmica do NY Times/International Herald Tribune.

+ Veja a coleção completa de Gareth Pugh para o Inverno 2010

Os demais convidados podiam não ser tão ilustres quanto a elite na fila A, mas certamente chamavam (muito) mais atenção: casacos pretos alongados, jeans skinny, maquiagem preta carregada (em alguns casos quase borrada), ankle boots para meninas e também para meninos. O secto de Gareth Pugh parece um exército de clones do estilista. Impressionante como ele influencia a sua geração de admiradores/clientes.

IMG_1549Gareth Pugh inverno 2010: o estilista londrino parece acorrentado às suas origens góticas © Augusto Mariotti/FFW

Na passarela o que se viu foi um exercício de aperfeiçoamento técnico e sofisticação visual. Numa temporada onde os casacos são peças chave, Pugh destaca jaquetas de couro esculpidas no formato do corpo ou em geometrias desafiadoras. Além da construção aparentemente perfeita, as peças merecem ovação pelo material escolhido: o couro. Costurado, texturizado, emborrachado. Foi um salto nota 10 no quesito elementos técnicos, mas levou nota baixa no quesito originalidade: Gareth parece estar acorrentado à estética gótica que fez sua fama no início da carreira. Clique aqui para ler a resenha FFW na íntegra.

Veja as coleções completas das principais grifes que desfilam em Paris no Inverno 2010