Conheça a neo top Renata Sozzi, garota propaganda da Calvin Klein

24/02/2010

por | Gente

Com apenas 19 anos de idade e natural de Guarulhos, em São Paulo, Renata Sozzi está com tudo no circuito internacional. A agência Way Model, que cuida da carreira dela por aqui, acabou de confirmar com exclusividade ao FFW que Renata é a nova garota propaganda da Calvin Klein e que sua presença nos próximos anúncios da marca já está confirmada.

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No Brasil, a modelo é um dos rostos das mais quentes da nova geração e fez uma ótima temporada no eixo Fashion Rio-SPFW, desfilando para marcas como Alexandre Herchcovitch, Rosa Chá, Andrea Marques, New Order, Patachou, Glória Coelho, entre outras.

+ Veja os desfiles do SPFW Inverno 2010

+ Veja os desfiles do Fashion Rio Inverno 2010

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Na Semana de Moda de NY (veja as coleções completas aqui), Renata desfilou para as grifes Alice + Olivia, Juan Carlos Obando, Rachel Boy, Alexa Chung for Madewell, Tory Burch e Bryan Reyes.

Aqui no Brasil, ao lado de Carol Thaler, Viviane Orth e Alicia Kuczman, ela apareceu em editorial 3D (foto abaixo) para a revista “The KTRL Collective”, do fotógrafo Jacques Dequeker.

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“O que me motiva é dizerem que não vou conseguir algo. Daí corro atrás para provar que consigo! O que eu quero muito é ser feliz. Poder crescer, aprender diariamente, continuar a fazer o que gosto e ter força para mudar”, disse a modelo em entrevista para a revista “s/nº“, do fotógrafo Bob Wolfenson e de Hélio Hara e que estampou Renata na capa da edição “Calor”.

+ waymodel.com.br

Sportswear, conforto e praticidade: tudo começou nos anos 1950

23/02/2010

por | Moda

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Conforme os excessos caem em desuso com a preferência por roupas simples feitas em tecidos de altíssima qualidade e tratamentos avançados, o legado de Bonnie Cashin, estilista conhecida como “mãe do american sportswear“, se faz mais presente e relevante do que nunca.

Phoebe Philo, com sua coleção de estreia no verão 2010 da grife Celine, é a referência mais forte para outros estilistas que desfilaram no inverno 2010 da New York Fashion Week. Marc Jacobs, Phillip Lim e Michael Kors foram alguns dos nomes que trilharam os rumos apontados por Philo, detentora do mérito de ser umas das primeiras estilistas a detectar essa necessidade por roupas reais, que estejam em sintonia com o dia a dia das mulheres de verdade.

A atenção extrema ao material empregado na construção de peças de modelagem simples, favorecendo o conforto da mulher em diversas ocasiões do dia, contudo, tem origem nos anos 1950, quando Bonnie Cashin revolucionou a moda e o modo como as mulheres se vestiam num período em que a moda ainda era ditada pelas grandes maisons de altacostura em Paris.

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Dior vivia o auge com o seu New Look, devolvendo a feminilidade à moda que andava sóbria e masculina por conta da 2ª Guerra Mundial. Enquanto isso, nos EUA, as mulheres começavam a ganhar mais independência e assumir uma vida profissional de fato. Bonnie Cashin, aparentemente cansada do mimetismo da moda apresentada na Europa, lançou em 1952 a Bonnie Cashin Designs, abrindo caminho para uma série de marcas como Ralph Lauren, Donna Karan e Calvin Klein.

Na contramão da moda ultra feminina da época, revolucionou ao purificar as formas, trabalhando tecidos e cores de forma totalmente original e inovadora, criando coleções compostas por roupas feitas para durar.

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Cashin se cansou de ser controlada pelos fornecedores e foi a primeira a trabalhar com diferentes empresas ao mesmo tempo, produzindo coleções muito mais abrangentes e com preços ultra democráticos: suas etiquetas variavam entre US$ 15 e US$ 2.000.

Em 1951 introduziu o conceito das sobreposições de finas camadas de tecidos, influenciando o modo como nos vestimos até hoje. Dois anos mais tarde, em 1953, foi uma das primeiras a usar couro e camurça para moda de luxo; e em 1955 passou a utilizar materiais industriais para decorar suas criações. Em 1975, foi a primeira a lançar o conceito de “Sete Peças Fáceis”, de itens intercambiáveis e combináveis entre si.

Reverenciada por sua abordagem intelectual, artística, independente e ousada da moda, Bonnie Cashin foi considerada uma pioneira no segmento. Toda essa reinterpretação que a moda tem feito das roupas, em busca de looks mais confortáveis, com alta durabilidade, materiais de extrema qualidade e foco nas vontades das consumidoras é, de certa forma, graças ao legado de Cashin.

+ bonniecashinfoundation.org

O fim do clássico? Americanos rompem com os padrões fashion

20/02/2010

por | Moda

Três anos atrás, quando Thom Browne apresentou seus primeiros ternos de proporções reduzidas, parecia improvável para muitos que em pleno século 21 homens fossem aderir ao look justinho, que muito lembrava o modo de se vestir no interior dos EUA.

Revolução sartorial para uns, experimentações quase que ridículas para outros. Qual não deve ser a surpresa para aqueles que torceram seus narizes para as propostas de Browne agora que esses elementos encontraram seu caminho para o guarda roupa do homem contemporâneo.

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Os blazeres ajustados ao corpo, de comprimento encurtado e acompanhados por calças de modelagem seca, cujas barras terminam alguns centímetros antes do tornozelo hoje já se encontram disponíveis em locais como a Bergdorf Goodman, passando pelo descolado Soho até as principais redes de fast-fashion e outras grifes.

A moda atual já aponta novos rumos – uma silhueta mais ampla e confortável –, mas a aceitação deste visual é marcante nas ruas da Nova York. Entre os sisudos ternos dos executivos da Wall Street, versões contemporâneas e mais casuais da alfaiataria “mini” são recorrentes na Big Apple.

O homem americano, conhecido por favorecer um modo de se vestir clássico e tradicional, aos poucos dá espaço às proporções e formas menos conservadoras. Das barras das calças enroladas ou dobradas para revelar os tornozelo aos blazeres ajustados ao corpo, é como se o homem americano finalmente estivesse se permitindo algo comum na moda: a experimentação.

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“Sem se distanciar muito das tradições, os homens estão aprendendo que podem trabalhar um visual alternativo sem necessariamente colocar sua sexualidade em questionamento”, comentou o jornalista de moda Tim Blanks, do Style.com. Mudanças sutis num dos principais braços da indústria da moda: a alfaiataria.

“São pequenos elementos que acompanhamos nas passarelas há tempos e que, aos poucos, são destilados para o consumidor”, confirma Tim Blanks.

Para analista de tendências Sharon Graubard, “talvez seja uma conseqüência da Era pós-feminista ou da liberação sexual, mas hoje os homens finalmente estão se soltando e se permitindo brincar e experimentar com as roupas”.

Fotos © Tommy Ton para GQ e The Sartorialist

“Estamos entrando num período modernista”, diz analista

18/02/2010

por | Moda

Assim como as artes, literatura e música, a moda também passa por diferentes movimentos estilísticos. Do Clássico ao Barroco e Rococó, do Surrealismo ao Futurismo. Segundo a analista de tendências globais do site Stylesight, Sharon Graubard, “estamos entrando num período Modernista”.

Nem tanto pelas formas abstratas que artistas desse movimento gostavam de explorar, mas sim pela extrema atenção ao trabalho com forma e materiais. “Para os Modernistas, o que importa no o conjunto final é a essência do material, a o trabalho de formas pura que explora toda qualidade da matéira”, explica Sharon. “E para o inverno 2010, os tecidos são os elementos mais importantes”.

As texturas – e suas diversas coordenações – são essenciais para dar um toque extra às roupas simples de formas básicas que se mostram como um dos principais rumos desta estação. “Queremos roupas de verdade, não mais aquele básico chato de antes, mas um novo ‘supe básico’”, comentou Sharon em entrevista ao FFW. “Roupas como as que Phoebe Philo mostrou na Celine no verão 2010, ou como Marc Jacobs apresentou em seu inverno 2010”.

Phililp Lim, estilista jovem com faro apurado para o que suas consumidoras desejam, foi outro que sentiu essa necessidade de uma moda mais pé no chão, mas nem por isso menos interessante. Sua coleção apresentada na última quarta-feira (17/02) aqui em Nova York foi uma das mais bem sucedidas da sua carreira, dessa vez trazendo um estudo de materiais responsáveis por enriquecer as peças de cortes e modelagens simples.

3.1-philip-lim-inverno-20103.1 Philip Lim inverno 2010 © FirstView

Buscando inspiração no fim dos anos 1970, quando a Era disco começava a se fundir com o punk, Lim encontrou terreno fértil para trabalhar de maneira sutil a tendência boêmia que também tem sido recorrente.

Casacos impactantes em couro, forrados com lã ou com aplicações de peles (outro elemento recorrente) vêm sobrepostos aos vestidos túnicas leves e blusas transparentes numa excelente coordenação de tecidos de pesos e opacidades diferentes. Calças são um caso à parte. Com cintura alta, corte reto ou levemente evasê, elas são objetos de desejo indispensáveis junto aos casacos de aspecto pesado responsáveis por transformar a menina delicada de antes numa mulher sofisticada com roupas modernas, simples, que transmitem extrema segurança e força.

Nos estúdios Milk, no Meatpacking District, a música começou a tocar bem alto: “I can be a freak every day of the week”. Era o desfile de Jeremy Scott que, depois de algumas temporadas se apresentando em Paris, voltou a seu pais de origem. E enquanto o novo single da cantora Estelle (devidamente sentada na primeira fila do desfile) tinha tudo a ver com o universo da marca, o que se viu na passarela foi quase que o oposto.

jeremy-scott-inverno-2010Jeremy Scott inverno 2010 ©FristView

Se Scott quer ser um freak (aberração, em português) todos os dias da semana, então seu inverno 2010 é mais normal do que se espera. As estampas bem humoradas e as extravagâncias – aqui em fivelas de cinto em forma de corps femininos do tamanho das modelos – estavam todas lá, mas de forma amenizada. As roupas, às vezes decoradas com aplicações de joias, vinham prontas para o consumidor final, como os vestidos de tricô soltinhos, os justos de couro e as jaquetas esportivas.

A mensagem – eque resume a temporada de modo geral – veio no meio do desfile: uma camiseta alongada, de mangas amplas onde se lia a palavra “style” de um braço ao outro, atestando que o inverno 2010 não fala sobre moda, mas sobre estilo.

Na apresentação da grife Proenza Schouler, Jack McCollough e Lazaro Hernandez parecem ter voltado às suas origens para resgatar alguns de seus elementos mais essenciais e misturá-los com a atitude ingenuamente sexy que se tornou característica da marca nas últimas coleções.

Dessa forma, com calças ultra justas de cintura alta, voltam os blazeres e jaquetas que lembram uniformes escolares, às vezes com leve toque militar. Adornados por peles levíssimas (que chegam a ter movimento), eles ganham ar maduro, de mulher sofisticada, mas que não perdeu seu espírito jovem.

proenza-schouler-inverno-2010Proenza Schouler inverno 2010 © FirstView

Vestidos curtinhos, com leggings e meias calças atribuem o mesmo efeito, substituindo as peles por um interessante trabalho de jacquard, ou então ganhando ares mais descontraídos quando combinados aos pulôveres de tricô simples. Interessante também o trabalho de estampas de grafite, mais bem resolvido quando apresentado em boas coordenações de cores, como os brancos com azuis. O resultado final pode não ser tão inventivo ou cativante como o da última coleção da dupla, mas essa retomada do passado e o investimento em peças simples com detalhes especiais faz sentido para o atual momento da moda.

Blogueiros viram celebridades nas semanas de moda

17/02/2010

por | Moda

Na última terça-feira (16/02), na saída escorregadia da Marc by Marc Jacobs, um grupo de repórteres tentava fugir da neve que caia mais forte perguntando em coro para todos que passavam se Bryan Boy ou Tavi Gevison (blogueira de 14 anos do Style Rookie) assistiram ao desfile. Assim, como uma tendência fashion que aparece de uma hora para outra, os blogueiros são as novas celebridades.

Tudo começou ano passado, quando a Dolce & Gabbana deslocou importantes compradores para a segunda fila dando lugar a alguns blogueiros de moda. Como se não bastasse, Marc Jacobs chegou a nomear uma bolsa sua “BB” em homenagem a Bryan Boy, a Rodarte se inspirou na adolescente Tavi em sua coleção para a Target e uma série de outras grifes passaram a garantir convites privilegiados aos bloggers para os desfiles.

tavi-gevinson-bryan-boyA dupla de blogueiros campeã no quesito “popularidade impopular”: Tavi Gevinson (e) e Bryan Boy © Reprodução

O assunto voltou à tona em janeiro desse ano, quando Tavi sentou na primeira fila do desfile de altacostura da Dior com um imenso laço na cabeça, dificultando a visão dos jornalistas atrás dela. O fato gerou um imenso rebuliço – para não dizer guerra – na indústria, que passou a ser questionada sobre o modo como tais profissionais eram tratados.

tavi-gevinson-e-john-gallianoJohn Galliano ao lado de Tavi Gevinson na altacostura da Dior: a garota abdicou da adolescência em nome de roupas Comme des Garçons e primeiras filas de desfiles © Reprodução

Quinze minutos de fama ou o futuro da comunicação online? Ninguém arrisca um palpite, mas o fato é que os blogs já  fazem parte da indústria da moda. Resta saber qual é o papel que devem cumprir.

Uma conferência que reuniu alguns dos blogueiros mais conhecidos da internet aqui em Nova York debateu essa superexposição. “Depois do hype, sempre há uma retraída”, disse o blogueiro de estilo de rua, Phil Oh, do Street Peeper. “Só não sei quando isso acontecerá”.

Para Susie Lau, blogueira veterana e autora do Style Bubble, a pergunta que poucos estão fazendo é: “De onde veio tudo isso?”. Segundo ela: “Estão todos muito deslumbrados com essa nova forma de comunicação, mas ninguém se perguntou seu real significado”.

E de fato, a relação que as grandes marcas cultivam com os blogs é bastante nebulosa. Há uma consciência de que não se pode dar as costas para a internet e para revolução das mídias sociais. Como conseqüência, muitas grifes viram nos blogueiros uma ferramenta de marketing poderosa. Ao mesmo tempo em que eles ajudam a imprimir uma imagem atual e sintonizada no que há de mais moderno, também geram uma imensa quantidade de mídia espontânea. Afinal, toda aquela discussão sobre o laço da Tavi não chegou a lugar nenhum, mas serviu para tornar ainda mais evidente a grife Dior. As consequência a longo prazo, contudo, permanecem incógnitas: estariam as senhoras ricaças russas (aquelas que de fato têm dinheiro para movimentar a indústria da haute couture) dispostas a dividir os holofotes com uma pré púbere afetada?

susie-bubblesSusie Bubbles: blog com conteúdo e estilo pessoal inconfundível fazem da blogueira uma das mais respeitadas do metiê © Style Bubble

Num período de desejos instantâneos e intimidades escancaradas, nada mais natural que o leitor sinta necessidade de uma informação mais próxima da sua realidade. Não que a opinião de editores, jornalistas e críticos perdeu sua importância, mas apenas se tornou distante da realidade do leitor, ou então mais próxima da indústria e do mercado. Numa época onde a individualidade é tão exaltada, faz sentido o leitor querer uma informação com opinião mais pessoal, com referências e associações com as quais se identifique, longe da Torre de Marfim onde vivem os críticos escolados. Aqui vale mencionar que o extremo oposto disso também é mal visto: blogs sem linearidade, feitos sem verdade, por figuras deslumbradas, são os grandes vilões da história. Talvez daqui brote o repúdio coletivo em relação a gente como Tavi e Bryan.

Difícil afirmar com precisão se as marcas estão de fato abraçando uma nova forma de comunicação, mais livre e próxima da realidade do consumidor, ou se estão apenas explorando o hype do momento. Mas a resposta talvez não esteja tão distante, basta relembrar uma frase de Anna Wintour da época em que assumiu o comando da “Vogue US”: “Moda não é arte, não é nem cultura. Moda é marketing”.

+ Blog de Bryan Boy: bryanboy.com

+ Blog de Susie Bubbles: stylebubble.co.uk

+ Blog de Tavi Gevinson: tavi-thenewgirlintown.blogspot.com

NYFW: a cidade como inspiração e a temporada dos casacos

17/02/2010

por | Moda

Nova York possui um certo egocentrismo suspenso no ar. É como se a cidade por si só se bastasse. Como se o resto do mundo fosse mero adereço – ou extensão – de tudo que acontece por aqui. E na moda não é diferente. Afinal, as marcas que se apresentam na New York Fashion Week parecem muito mais preocupadas em atender aos caprichos de seus consumidores internos do que em apresentar propostas inspiradoras de forma universal, ressonantes pelas outras capitais da moda ao redor do globo.

Um mecanismo que há anos garante a sobrevivência das marcas locais, além de reforçar aquele clássico estilo americano – talvez um modus operandis que os estilistas brasileiros devessem levar em consideração. Bem coisa de americano: tudo o que eles fazem é feito olhando para o próprio umbigo. Faz perfeito sentindo, então, que muito do que tem se visto por aqui mantenha uma forte relação com a vida na cidade. Nesta temporada, Nova York é a maior inspiração dos estilistas. Algo que transformou a moda Velho Oeste que Derek Lam apresentou na manhã da terça-feira (16/02) em algo perfeito para as calçadas hypadas do Meatpacking District ou as sofisticadas ruas do Uptown.

derek-lam-inverno-2010Desfile de Derek Lam inverno 2010 © FirstView

Enquanto vestidos com franjas de couro, peças em camurça e bordados de referências indígenas traduziam de forma quase que literal a referência country, ótimos casacos de alfaiataria adaptavam perfeitamente o western ao clima cosmopolita da cidade. Blazeres, jaquetas e japonas longas, levemente evasês, traziam em si a conexão precisa entre aquela tendência selvagem/aventureira que anda dominando as coleções por aqui.

Narciso Rodriguez é outro que sempre manteve uma íntima relação com a cidade. Suas formas arquitetônicas e roupas quase que monocromáticas são escolhas certeiras para as mulheres de Nova York que gostam de passar aquela imagem de  ”não estou pra brincadeira”. Dessa vez o toque urbano se fez ainda mais presente com propostas cada vez mais voltadas ao dia a dia e menos para as festas da cidade.

narciso-rodriguez-inverno-2010Desfile Narciso Rodriguez inverno 2010 © FirstView

Com as principais editoras e compradores presentes – e até o roqueiro Jeff Beck –, suas construções geométricas, de formas e linhas bem definidas agora foram levadas às últimas consequências. Numa temporada onde casacos se mostram como peça chave, Narciso dá a eles precisão quase que cirúrgica. Ora mais afastados, ora delineando perfeitamente o corpo das modelos, os casacos mostravam algo de novo ao flertarem com o clássico american sportswear quando combinados com ótimas calças de modelagem levemente solta.

Também pareceu fresco e apropriado (para uma temporada dominada pelo preto) o trabalho de cores apresentado por Narciso. Em vestidos onde bons drapeados lutavam com formas rígidas de tecidos texturizados, degradês e sombreados atribuíam cor e vida aos vestidos que nem por isso perdiam a seriedade tão típica de Nova York.

O mesmo pode ser dito sobre a Rodarte, marca que sempre dá um respiro na semana de Nova York – não por acaso, a grife é atração imperdível para grandes nomes da indústira e celebridades  descoladas com Kirsten Dunst, quase despercebida com sua jaqueta de couro preta, cabelos presos e óculos escuros na primeira fila da sala de desfile.

Dessa vez, as irmãs Kate e Laura Mulleavy deixaram suas referências de filmes de terror de lado e se focaram numa moda mais romântica, de cores suaves e um certo clima de memória afetiva que permeia discretamente a maioria das coleções apresentadas até agora.

rodarte-inverno-2010Desfile Rodarte inverno 2010 © FirstView

O ponto de partida foram os sonâmbulos e a vida de trabalhadores da fronteira dos EUA que se vestem ainda no escuro da madrugada para irem ao trabalho. E se o tema pareceu difícil de interpretar na passarela ou até mesmo pouco explorado, não há como deixar de notar a evolução e amadurecimento no repertório da grife.

Texturas, que têm sido extremamente relevantes nessa temporada da semana de moda de Nova York, sempre foram o ponto forte das irmãs Mulleavy. Sobreposições e coordenações de tecidos de pesos e opacidades diferentes também não são novidades. Então toda maestria técnica do trabalho manual – drapeados, repuxes, amarrações, sobreposições e bordados – é agora aplicado de forma extremamente sensível e em prefeita sintonia com o clima atual da moda, sem perder autoria.

Aqueles elementos de memória afetiva, roupas com história e emoção mais humanas, aparecem nos elementos étnicos e no conforto que as peças do inverno 2010 querem transmitir. Estampas florais e cores suaves trazem acalmam os ânimos da moda. Os tricôs esgarçados e detonados de antes abrem caminho para macramês e crochês de aspecto retrô, quase rústico, naquela onda naturalista que vem ganhando força na temporada.

O mais interessante, contudo, é o novo caminho tomado pelas irmãs Mulleavy: é como se a moda da Rodarte quisesse se aproximar da vida real, do dia a dia das consumidoras.

A vida real também foi o foco da Marc by Marc Jacobs. Mirando uma clientela jovem, com sede de novidades, Marc Jacobs parte do mesmo fundamento de sua linha principal, só que adicionando um boa dose de nonchalance .

marc-by-marc-inverno-2010Desfile Marc by Marc Jacobs inverno 2010 © FirstView

Com trilha animada e plateia repleta de jovens consumidoras, o clima não podia ser melhor. Passando pelas principais tendências do momento, Marc usa o militarismo para trabalhar casacos em formas amplas, dar forma às jaquetas ajustadas ou então encurtar outras em contraste com as calças de alfaiataria mais largas em moletom ou feltro. Cardigans fininhos, alongados, vêm por cima de vestidos com tops justos e saias rodadas. E até uma alfaiataria despojada ganha destaque em tecidos confortáveis. Aliás, conforto é a palavra chave para a coleção. Ou melhor, para a estação.

+ Veja fotos dos principais desfiles da Semana de Moda de Nova York inverno 2010

NYFW: “beleza não é o suficiente?”

16/02/2010

por | Moda

Nova York estava de férias nesta última segunda-feira (15/02). Era “President’s Day”. E com o sol amenizando o frio que tomou conta da cidade na última semana, os americanos aproveitaram o dia de folga para fazer a economia circular. Por mais que haja um clima de incerteza pairando no ar quanto à situação financeira do país, sacolas e mais sacolas passeavam do SoHo ao Uptwon, mostrando que os consumidores estão aos poucos retomando sua confiança.

Nostalgia do período pré crise, ou prenúncio de uma nova fase. E como moda é reflexo da sociedade, tudo isso apareceu também nas passarelas da New York Fashion Week. Como se estilistas e marcas estivessem otimistas quanto a retomada no consumo ou como chamam por aqui no reganho de “consumers confidence”. Não tão ostensivo como no passado, nem tão recessionista com nas duas últimas temporadas. Os desfiles desse dia 15 de fevereiro trouxeram o que parece ser uma justa medida para o luxo do inverno 2010.

Moda pode ser movida por sonhos. Uma fábrica de fantasias que inspira e desperta desejos. Mas quando os tempos ficam difíceis, são as roupas, aquelas que vestimos todos os dias, quem ditam as regras.

Durante a tarde de ontem, na loja de Marc Jacobs no SoHo, enquanto vendedoras garantiam aos consumidores que seus nomes estariam na lista do desfile mais tarde, estes selecionavam das araras peças em potencial. Entre as peças de pre-fall, aquela profusão de babados do verão passado encontrava-se tanto em formas diluídas (mais comerciais) como em versões quase iguais a da passarela. Porém, para aquele grupo de meninas vestidas com jaquetas de couro de cortes angulares à la Rick Owens, eram justamente as versões mais simples que iam para um passeio no guarda-roupas.

DSC-234Imagem da fila final do desfile de Marc Jacobs inverno 2010 - foto: Luigi Torre/FFW

A moda sempre será movida por imagens fantasiosas, mas há momentos em que as roupas que podem ser usadas de fato pedem atenção especial. Ao acabamento, aos tecidos, à modelagem e à porpoção capaz de tornar um simples blazer alongado em objeto de desejo instantâneo como fez Marc Jacobs em seu mais recente desfile na noite desta última segunda-feira.

marc-jacobs-inverno-2010Desfile Marc Jacobs inverno 2010 - foto: FirstView

Quando o bege e outras tonalidades neutras, em peças simples, de modelagem quase clássica, saltam aos olhos, ou quando tons pastel se tornam exuberantes, é porque algo de realmente extraordinário está acontecendo.

marc-jacobs_inverno-2010_aDesfile Marc Jacobs inverno 2010 - foto: FirstView

Assim, sem um minuto de atraso sequer, e com a promessa cumprida de nenhuma celebridade na plateia, Marc Jacobs e seu sócio, Robert Duffy, puxaram o papel marrom que cobria a caixa onde um exército de modelos vestidos todas em tons neutros se agrupavam esperando o comando para saírem em marcha.

E daí veio o primeiro look: uma simples camiseta cinza com bermuda larga, seguido de vestido e blazer acinturado em tonalidades parecidas e mais uma série de looks neutros, de silhueta alongada, num verdadeiro pout-pourri de fases e coleções passadas de Jacobs. Só que agora dotadas de uma simplicidade estonteante. Acabamento, corte e proporções das mais corretas. Volumes extremamente bem calculados, aplicações de peles que vão crescendo ao longo do desfile, porém sem jamais roubar a atenção da imensa realidade práticas das roupas, ao mesmo tempo em que conferem emoção extra.

O porquê de toda essa dose de realidade? “Por que a beleza não pode ser o suficiente?” rebate o estilista momentos após seu desfile. Sim, infinitamente menos criativa que coleções anteriores. Mas há de se levar em conta a extrema sintonia com os dias de hoje e com o período incerto que a moda está passando. Como um revolução silenciosa, Marc Jacobs aponta para um luxo simplificado, quase que velado, presente entre pontuações de exuberância por reais valores de design.

zac-posen-inverno-2010Desfile Zac Posen inverno 2010 - foto: FirstView

Menos festa e mais vida real. Roupas para o dia com detalhes precisos que agregavam imenso valor à cada peça. Vestidos com estruturas de corsets, pregas diagonais que delineavam a silhueta feminina, casacos de corte simples sobre blusas sofisticadas e excelente calças de alfaiataria com leve toque 1940s, e um monte de aplicações de pele para um glamour instantâneo.

Decorações simples, construção e modelagem precisas que enalteciam a peça por si só, sem precisar de brilhos, maxi volumes ou adornos extravagantes.

Ainda nas tendas do Bryant Park, foi a vez da Carlos Miele mostrar sua dose de equilíbrio. Balanço este, que assim como em coleções passadas, fica entre características puramente brasileiras e aqueles elementos que tornam a moda do empresário e estilista desejável para suas consumidoras do Hemisfério Norte.

carlos-mieleDesfile Carlos Miele inverno 2010 - foto: FirstView

O ponto de partida para seu inverno 2010 foi o construtivismo russo e as formas geométricas da arte abstrata. Dessa fonte brotam recortes delineados por correntes, formas simples com justaposição de tecidos e o delicado trabalho de textura que vem como uma verdadeira colagem de imagens. No meio disso, surgem fuxicos e  formas sensuais que sempre permeiam o trabalho de Miele.

O resultado, porém, fica preso entre a vitalidade e leveza do lado brasileiro de Miele e a frieza sóbria e precisa do construtivismo russo. Pedindo maior exploração, como se as duas referências tivessem sido trabalhadas separadamente, raramente se cruzando. Ao se focar meramente no recorte, junção e verdadeira colagem de tecidos, Miele perde um pouco da vitalidade típica de seu país de origem, o nosso Brasil. Com exceção das boas calças amplas de bio denim (um jeans ecologicamente correto), os vestidos justos e outras peças pareciam sem inovações nem diferenciais.

+ Veja fotos das principais grifes que desfilam no inverno 2010 da New York Fashion Week

New York Fashion Week muda de endereço e entra em nova fase

15/02/2010

por | Moda

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Talvez seja a sombra da morte de Alexander McQueen ou a nevasca que atingiu Nova York que complicaram os primeiros dias da semana de moda. Mas é impossível não perceber o clima nostálgico, de fim de festa mesmo, que paira sobre as tendas do Bryant Park.

Assim, a temporada de inverno 2010 desenrola uma trama que promete amarrar os próximos anos da moda americana. Essa é a última estação em que as grifes desfilam suas coleções no Bryant Park: a partir de setembro, o novo local eleito pela organização do evento será o Lincoln Center.

Em clima de despedida, as tendas que ainda resistem nesta semana carregam frases de importantes profissionais da área sinalizando não só os grandes momentos da NYFW, mas também a importância do evento para a moda americana.

Desde 1993, quando os desfiles passaram a se concentrar num só lugar, as tendas do Bryant Park se mostraram estrategicamente bem localizadas. Não só eram próximas dos escritórios e ateliês dos principais nomes da moda americana (Donna Karan, Oscar de La Renta e Carolina Herrera), como também eram o quintal de uma região conhecida como Garment District – onde se concentravam boa parte das lojas e fábricas de tecidos e aviamentos, ateliês de costura e modelagem.

Reunindo no mesmo evento alguns dos principais estilistas norteamericanos, as tendas funcionavam como verdadeira síntese de toda uma cadeia de produção responsável por consideráveis movimentações financeiras na economia do país.

Porém, inseguros com os rumos do mercado após uma das piores crises da história e ameaçados pela velocidade e baixo custo da produção made in China, toda essa rede se viu severamente ameaçada. Na última década, uma quantidade assustadora de tecelagens, ateliês e lojas de aviamento se viram forçados a fechar suas portas. Estilistas tiveram que cortar custos e se render aos fornecedores do outro lado do mundo.

Primeiro se foram os fornecedores e agora as tendas.

Evidenciando ainda mais o período de mudanças, já na temporada passada a marca de cosméticos MAC e os estúdio Milk lançaram o evento paralelo à Merdedes-Benz Fashion Week, com um modelo de negócio mais favorável aos novos estilistas e ao novo cenário econômico da moda global – e bem mais próximo do que temos no Brasil com o SPFW e Fashion Rio.

Com aluguéis de sala mais baratos, planos de incentivo às marcas e uma série de benefícios para os participantes do evento, a MAC & Milk se mostra muito mais atrativa para marcas jovens ou aquelas em busca de uma imagem mais fresh.

Sem uma série de pré-requisitos exigidos pela IMG (organizadora da Mercedes-Benz Fashion Week), a MAC & Milk se mostra muito mais aberta a novas ideias e experimentações tão necessárias para os dias de hoje.

Não é de se surpreender então que boa parte das marcas mais descoladas do line up da NYFW já tenham migrado para o novo evento .

De 25 marcas no verão 2010 para 32 agora no inverno 2010, a MAC & Milk se mostra em plena expansão. E segundo o diretor criativo dos estúdios Milk, Mazdack Rassi, os planos para a próxima temporada são ainda maiores: “Para próxima estação, a MAC & Milk gostaria de envolver todo o Meatpacking District através de eventos especiais abertos ao público”.

A equipe do portal FFW está em Nova York para acompanhar de perto os principais desfiles da semana de moda. Fiquem ligados!

Por Luigi Torre

Acompanhe os desfiles de inverno 2010 direto de Nova York

13/02/2010

por | Moda

Clique aqui para ver as coleções completas que a equipe FFW está cobrindo direto da semana de moda de Nova York inverno 2010.