Hot stuff: Christopher Alexander, o jovem por trás dos maxi brincos do momento

08/12/2013

por | Gente

Por Guilherme Takahashi, em colaboração para o FFW

O designer Christopher Alexander ©Debby Gram

De um ano para cá, o nome de Christopher Alexander começou a aparecer, sempre ligado a marcas bacanas. O designer de 28 anos está por trás das peças de impacto que já foram vistas em coleções, parcerias e desfiles de grifes como André Lima, Neon, Alcaçuz, Alê Brito e Valérie Ciriadès. E é justamente essa diversidade que o torna interessante — perceber como um mesmo designer consegue criar para Alcaçuz e Alê Brito, duas empresas com necessidades tão distintas, sem perder seu DNA. Seus brincos enormes, braceletes e acessórios para o cabelo já estão sendo reconhecidos por uma mistura bem característica entre formas, cores e materiais.

Christopher começou como vendedor da marca As Gêmeas quando ainda era um garoto e hoje está focado no desenvolvimento de sua marca, que ainda tem uma estrutura muito pequena, mas com um futuro certamente próspero. Conheça mais abaixo sobre Christopher Alexander, designer em ascensão.

Como você entrou na área de design de acessórios?

Comecei trabalhando como vendedor da marca As Gêmeas, na galeria Ouro Fino, em São Paulo. Como a gente tinha uma relação muito próxima e elas participavam da Casa de Criadores, me perguntaram se eu não queria desenhar um acessório para desfile. Fiz apenas um brinco, mas deu super certo. Na temporada seguinte fiz de novo, em quantidade maior: uma pulseira, um brinco e uns broches – que venderam bem. No total, desenhei oito coleções pra As Gêmeas. Só que naquela época criar era um hobbie e não o foco da minha vida. Ainda cheguei a trabalhar com várias outras coisas, até produção de figurino. Fiz um curso de design de joias na Escola PanAmericana e comecei a trabalhar com a joalheira Camila Sarpi. Por lá fiquei até que decidir criar a minha marca. Levou um tempo todo esse processo.

E quando foi criada a sua marca?

Apresentei minha primeira coleção na Casa de Criadores em 2011 e em setembro daquele ano já comecei a comercializar as peças.

E em seu processo criativo, vi que você se inspira muito em artes plásticas, artes decorativas, filmes, livros, teatro…

É, na realidade não gosto de usar outra joia ou uma peça de outro designer pra me inspirar. Não fico olhando coleções de outras marcas nem nada, porque fica fácil você cair na cópia assim. Busco inspiração em outras coisas.

Mas aí no caso, o que você tenta absorver desses filmes e livros é mais um comportamento, uma atitude que encontra neles ou um conceito estético?

Acho que é tudo. Desde a coisa mais abstrata da sensação que o filme me causa, até algo mais estético.

Peças da linha de Christopher Alexander para a grife Alcaçuz no Inverno 2013 ©Reprodução

Existe alguma década da qual você gosta mais?

Gosto de todos os períodos da história da arte, mas desde o começo da minha carreira até hoje, acho que as décadas que mais entram no meu trabalho são as da virada do século, a Belle Époque, Art Noveau e depois o Art Déco, anos 20, 30, 40.

No momento em que você vai criar algum acessório, qual é o perfil de mulher que você imagina que usaria aquela peça?

Tento não definir muito isso. Não é uma preocupação pra mim. As pessoas que usam os meus brincos em primeiro lugar são as minhas amigas mais próximas, então se elas gostam, eu já fico mais tranquilo.

Quando você desenha seus acessórios, você pensa na possibilidade de um homem usá-los?

Até penso nessa possibilidade, mas acabo não criando especificamente peças para homens. O Dudu Bertholini, por exemplo, sempre usa meus brincos. Mas ele é uma pessoa que não tem muita barreira de gênero. Talvez eu até faça versões menores de alguns brincos…

O seu negócio ainda é jovem, mas você já faz muitas parcerias. Como funcionam esses processos?

A minha primeira parceria após As Gêmeas foi com a Valérie Ciriadès. E rolou uma identificação entre a gente. Foi muito fácil porque entendi o que ela queria e foi uma delícia o processo de fazer algo juntos. Em todas as marcas com as quais trabalhei, tive liberdade para criar. Eles me passam um briefing, eu faço e eles aprovam o desenho. A única vez em que precisei que me adaptar mais ao mercado da marca foi com a Alcaçuz, que é maior, tem lojas em shopping e um público bem definido. Mas pra mim, foi ótimo, é uma coisa que eu gosto. Outra parceria que me marcou foi com o André Lima, porque foi minha primeira colaboração com uma marca do SPFW e deu uma repercussão grande.

Os maxi brincos de Christopher Alexander para André Lima no desfile de Verão 2013 no SPFW ©Reprodução

Vendo suas peças, é possível perceber que os materiais são relativamente simples e se contrastam com o rebuscamento das formas. Você pensa em explorar mais materiais ou gosta desse contraste do metal mais liso com o desenho extravagante dos acessórios?

Eu gosto, o que não me impede de buscar novos materiais. Na Alcaçuz trabalhei com o acrílico, que era algo que eu nunca tinha usado antes. Gosto muito de vidro, cristal, mas o material não é a minha primeira preocupação. Ele acaba sendo o desdobramento de algo que eu quero.

Como é o tamanho da sua equipe?

Eu não tenho ninguém trabalhando comigo diretamente. Só a minha sócia, que cuida mais da parte financeira e administrativa da marca, o que é muito importante, porque não tenho cabeça pra fazer planilha, contas, essas coisas. E se eu não tivesse ela na minha vida, meu business não ia rolar. Não tenho ninguém, e nem penso em ter alguém tão cedo. Acho que pra quem está começando, é super importante se manter o mais enxuto possível. Não tenho loja ainda, quero ter um ateliê antes, mas sei que agora não é o momento. É mais uma questão mesmo de evitar gastos fixos. Mas já tenho prospectado uma oficina para o caso de ter algum pedido grande, de forma que eu consiga cumprir os prazos de entrega.

Onde podemos encontrar seus acessórios?

Na Loja Choix, no Liceu de Maquiagem e no meu e-commerce.

Serviço:
Loja Choix: rua Prof. Artur Ramos, 181, São Paulo. (11) 2649-4265
Liceu de Maquiagem: rua Pedro Taques, 110, São Paulo. (11) 3083-050

Lançamentos

10/07/2013

por | Moda

Dudu Bertholini mostra algumas das bolsas da Neon para a Fuseco ©Divulgação

Menos de um mês após anunciar o fechamento de seu ateliê, a Neon lança na Francal, feira que acontece de 9 a 12 de julho em São Paulo, uma linha de acessórios em parceria com a Fuseco. Durante o evento, Dudu Bertholini promove também a coleção de bolsas e mochilas que desenvolveu, sem Rita Comparato, em parceria com a Sestini.

Composta por bolsas, guarda-chuvas e malas de viagem, sendo todas as peças estampadas, a linha da Neon para a Fuseco chega em breve em multimarcas de todo o Brasil, incluindo a Choix, em São Paulo. Bertholini e Comparato buscaram resgatar padronagens célebres da marca, como as criadas pelos artistas plásticos Fábio Gurjão e Fernando Vilela. As bolsas grandes, que variam entre R$ 200 e R$ 1.200 dependendo do material, vêm com um lenço de dois metros.

Já a coleção de Bertholini para a Sestini só deve chegar às lojas de todo o Brasil em meados do segundo semestre e divide-se em três linhas: étnica, selvagem metalizada e gráfica urbana. A assessoria de imprensa, no entanto, ainda não divulgou a média de preços das peças.

+ Veja na galeria abaixo mais imagens das peças:

Neon-para-Fuseco-Francal
©Divulgação

“Não encaramos isso como o fim”, diz Dudu Bertholini sobre nova fase da Neon

20/06/2013

por | Moda

Rita Comparato e Dudu Bertholini no desfile da Neon, SPFW Verão 2014 ©Rafael Chacon/Agência Fotosite

O mundo da moda foi pego de surpresa com a notícia do fechamento do ateliê da Neon no mesmo mês em que a marca completa dez anos de vida. A decisão, no entanto, representa não o fim, mas uma reformulação do modelo de negócios para a dupla Dudu Bertholini e Rita Comparato, que passa a investir em branding, licenciamentos e parcerias. “Queremos encarar isso como uma mudança que, por mais que exija alguns sacrifícios, é positiva e pra frente”, diz Dudu ao FFW. Confira abaixo mais da entrevista concedida pelo estilista sobre a nova fase da Neon:

Sobre os motivos para a reestruturação da Neon: ”Estamos adaptando o nosso negócio aos novos tempos. Este é um momento muito pulverizado e competitivo do mercado, e marcas pequenas e de identidade têm tido dificuldade em sobreviver com poucos incentivos, muitos impostos e um produto feito 100% no Brasil — o que deveria ser uma vantagem, mas na verdade dificulta bastante, porque ficamos com preços muito altos. E de um tempo pra cá, temos percebido como a nossa propriedade intelectual é lucrativa e como podemos aplica-la aos mais diferentes produtos. A Neon sempre foi uma marca de parceria, desde o primeiro desfile; o que estamos fazendo é mudar o foco do negócio. Vestir mulheres é o nosso ofício e pretendemos continuar fazendo roupas, mas em novos formatos – não mais com uma confecção própria”.

Sobre a propriedade intelectual da Neon: ”Hoje em dia, identidade é o que mais protege as marcas contemporâneas: é o que faz uma pessoa querer comprar uma roupa sua, e não de outra grife. E temos um produto altamente identificável: você bate o olho numa estampa e sabe que é da Neon, com esse estilo exuberante, tropical, brasileiro. O que percebemos é que isso não estava atrelado ao nosso espaço físico, e que essa propriedade não depende da nossa confecção. A experiência de produzir mais de 50 mil peças pra Macy’s, por exemplo [em 2012, como parte da campanha “Brasil: A Magical Journey”], mostrou como mesmo sem uma estrutura física montada a gente consegue criar uma coleção porque temos essa propriedade intelectual de estampas, de modelagem, de estilo, de marketing”.

Desfile da Neon, SPFW Verão 2014 ©Marcelo Soubhia/Agência Fotosite

Sobre a mudança da Neon e do mercado: ”Pra mim teve uma super simbologia, este é o ano treze, o ano da serpente, da mudança, de trocar de pele. E a gente não tem medo de se reinventar. O mundo vive mudando, e temos sempre que estar abertos pra adaptar a nossa história, negócio, vida. Há 10 anos existia um cenário mais próspero, por exemplo, de multimarcas; e existia um consumo maior de moda brasileira autoral. De 10 anos pra cá, o mercado ficou mais competitivo – tirando a pequena esfera do alto luxo, no geral a moda precisa de preços mais acessíveis, maior produtividade e um aproveitamento melhor dela própria devido às questões sustentáveis. Isso mudou muito, mas seria taxativo dizer que marca de moda não dá certo – pelo contrário. Você tem que entender o seu nicho, seu mercado, seu momento, seu tamanho, seu público-alvo… O que estamos fazendo é adaptar a nossa visão empresarial. Acho isso super bonito e contemporâneo, na verdade. Não somos a única marca a perceber novos modelos de negócio. Hoje em dia, cada um tem que descobrir qual é o melhor formato e modelo”.

Sobre a participação ou não da Neon em desfiles de moda: ”Não descarto de forma alguma a gente fazer desfile, porque estamos fazendo vários produtos, e a confecção não está descartada na possibilidade de novas parcerias. A passarela sempre foi uma grande plataforma de comunicação, a Neon tem uma linguagem de passarela super característica que se firmou ao longo dessa década no SPFW, então ela continua sendo uma opção super possível pra que a gente divulgue nossos produtos e as novas parcerias”.

Sobre onde encontrar a marca: ”Na Francal já vamos lançar uma parceria com a Fuseco, uma marca de Taiwan radicada no Brasil com ampla distribuição nacional, com modelos de bolsas, mala de viagem, guarda-chuvas, e está sendo super legal poder aplicar o nosso produto a isso. Já temos duas de movelaria, que são com a Oppa e o Alex Cerello; estão em andamento parcerias de porcelanas, utensílios domésticos e calçados; e estamos em conversa com um grande magazine pra fazer uma pequena coleção de roupas. E continuamos com pontos de venda especiais; quem quiser comprar Neon hoje pode ir pra lugares como a Galeria Nacional, que inaugurou nesta semana na Barão de Capanema, e a Choix [ambos em São Paulo]“.

Sobre a expectativa para a nova fase da Neon: ”O ateliê fecha no fim de junho. Muitos clientes que fidelizamos ao longo desses 10 anos gostam de comprar diretamente da gente, por isso estamos com uma linda demanda no ateliê, que não parou nesse último mês — este foi um dos mais agitados em toda a sua existência. Escutamos pessoas falando que estão chocadas, mas o que queremos é encarar isso como uma mudança que, por mais que exija alguns sacrifícios, é positiva, pra frente. De maneira nenhuma a marca está morrendo e, sim, se transformando. Convidamos todo mundo que gosta da Neon e do nosso trabalho a trilhar esse caminho com a gente, e mais uma vez estar conosco nessa etapa tão importante”.

+ “Moda é amor e garra” e mais do nosso entrevistão com os estilistas da Neon

+ Relembre aqui os desfiles da Neon no SPFW

Dudu Bertholini

18/04/2013

por | Moda

Por Raisa Carlos de Andrade, em colaboração para o FFW

O estilista Dudu Bertholini, da Neon ©Barbara Dutra/Agência Fotosite

Dudu Bertholini acaba de tornar coordenador de cursos da Escola de Moda Sigbol Fashion. Estilista da Neon, ele divide a marca com a modelista Rita Comparato desde 2003 e já era nome certo para palestras no assunto. Agora, Dudu irá atuar no corpo docente para a elaboração e análise dos conteúdos acadêmicos, a fim de dividir sua experiência de forma dinâmica. “Fiquei muito contente com o convite. Acredito que o mais gratificante neste desafio é poder compartilhar o meu conhecimento com os alunos da Sigbol e saber que isso será uma ferramenta importante para o crescimento dos futuros profissionais de moda do Brasil”.

A parceria entre a escola e o estilista visa dar aos alunos outra dimensão sobre o mercado de moda. Dudu começou como stylist e traçou rumos que irão agregar à formação dos novos profissionais. Além da experiência no comando da Neon, ser graduado em moda se torna ponto alto para que o estilista alcance os alunos de forma direta no que diz respeito à realidade da profissão. “O conhecimento técnico é o suporte imprescindível para qualquer criador. Meu papel na Sigbol é dividir o meu conhecimento e inspirar o universo criativo dos alunos, não só dos cursos de criação, mas também os técnicos. Minha sócia, Rita Comparato, por exemplo, é modelista também e participa ativamente da etapa de criação. Nosso papel, na parceria com a Sigbol, é unir a técnica com a criação, desenvolvendo um processo completo”, explica.

+ “Moda é amor e garra” e mais do nosso entrevistão com os estilistas da Neon

Sorteio

13/03/2013

por | Moda

Fila final do desfile de Primavera/Verão 2013 da Cavalera ©Zé Takahashi/Agência Fotosite

Na próxima segunda-feira (18.03) começa a edição Primavera/Verão 2013/14 do São Paulo Fashion Week e, mais uma vez, o FFW irá sortear convites para assistir aos desfiles do evento. A novidade é que, nesta temporada, daremos um par de convites a cada ganhador. Para participar é simples, basta entrar na aba Sorteios da nossa fanpage no Facebook e clicar em “Quero participar”. Veja abaixo os desfiles e suas respectivas datas:

Cavalera: desfile na segunda-feira (18.03), às 21h30; as inscrições começam na noite desta quarta-feira (13.03) e terminam na sexta-feira (15.03), às 19h – Vencedora: Catharine Malfatti (Link do resultado)

Forum: desfile na terça-feira (19.03), às 19h30; as inscrições começam na noite desta quarta-feira (13.03) e terminam no sábado (16.03), às 19h – Vencedor: Fabricio Godoy (Link do resultado)

Neon: desfile na quarta-feira (20.03), às 20h; as inscrições começam na noite desta quarta-feira (13.03) e terminam no domingo (17.03), às 19h – Vencedor: Adonis Fernandes (Link do resultado)

Samuel Cirnansck: desfile na quinta-feira (21.03), às 20h; as inscrições começam na noite desta quarta-feira (13.03) e terminam na segunda-feira (18.03), às 19h – Vencedora: Mari Freitas (Link do resultado)

Lino Villaventura: desfile na sexta-feira (22.03), às 21h30; as inscrições começam na noite desta quarta-feira (13.03) e terminam na terça-feira (19.03), às 19h – Vencedor: Dan Hay (Link do resultado)

Pedimos que habilitem o envio de mensagens pelo Facebook para que possamos combinar a entrega do convite. O(a) ganhador(a) precisará confirmar a presença até 24h após a divulgação do resultado. Caso ele(a) não entre em contato até esse horário, o sorteio será refeito e os convites serão passados a outra pessoa.

Os convites só serão entregues mediante a apresentação de um documento oficial com foto (R.G. ou C.N.H./carteira de motorista). Para cada dia haverá somente um (a) vencedor (a), sendo impossível este (a) participar novamente dos outros sorteios. Gastos com transporte, alimentação ou qualquer outro item ficam por conta dos participantes; o FFW só se coloca responsável pelo sorteio e a entrega dos convites.

Inverno 2013

14/11/2012

por | Moda

Look de Inverno 2013 da marca Printing ©Divulgação

Como a temporada de lançamentos do Inverno 2013 marcou uma mudança no calendário e foi a terceira vista neste ano, algumas marcas não desfilaram nos eventos, o que não significa que deixaram de lançar suas coleções para a próxima estação. Por isso, o FFW está publicando as fotos feitas para o lookbook das marcas na seção de Desfiles, juntamente com as grifes que desfilaram.

Entraram na galeria as marcas Iódice, Printing, AnimaleFernanda Yamamoto e Cris Barros.

A coleção da Neon foi publicada em Notícias por conta do formato das fotos.

Look de Inverno 2013 da Animale ©Divulgação

Neon

30/10/2012

por | Moda

Dudu Bertholini, da Neon, durante o SPFW Inverno 2013 ©Ricardo Toscani

A Neon, marca de Dudu Bertholini e Rita Comparato, que não está presente nesta edição do SPFW, resolveu apresentar a sua coleção de Inverno 2013 somente para o atacado. As vendas acontecem até o final do mês de novembro para imprensa e atacadistas no FashionRoom, no bairro dos Jardins, em São Paulo.

O inverno da Neon traz uma estampa assinada pelo artista plástico Luiz Paulo Baravelli e parte da sua obra “O Povo da Floresta”. A outra estampa, em seda, é uma interpretação de Rita e Dudu da obra “Teatro”, da artista plástica francesa dos anos 20 Sonia Delaunay. Porém, a grande novidade que a Neon reservou para os seus fãs é a reedição das melhores estampas e modelagens da marca por preços mais acessíveis, em uma coleção intitulada “We Love Neon”. Todas as peças, em seda, jérsei e malha, sugerem movimento e sedução, pilares de inspiração da proposta da marca para este Inverno de 2013.

Veja na galeria abaixo algumas peças da coleção:

Neon @FASHIONROOM
R. Estados Unidos 388 Jardim Paulista
São Paulo- SP

Rita Comparato, da Neon, começa linha sob medida para noivas

09/10/2012

por | Moda

Rita Comparato ©Divulgação

A estilista Rita Comparato, da Neon, começa a partir de novembro a fazer vestidos de festa e de noivas sob encomenda. Para quem conhece o trabalho super colorido da grife que ela comanda ao lado de Dudu Bertholini, a novidade pode parecer inusitada, mas para Rita, cuja especialidade é a modelagem, a ideia faz muito sentido. Depois de ministrar diversas aulas de modelagem pelo Brasil, e de identificar no mercado uma carência de estrutura e mão de obra especializada nessa área, ela decidiu oferecer um serviço em que pudesse criar vestidos de acordo com a personalidade e estrutura física de cada cliente.

“Como modelista, consigo transformar o corpo da mulher, valorizando o que ela tem de melhor, dando volume onde não tem e deixando-a linda e poderosa para ocasiões especiais. Pensando nisso, decidi atuar no mercado também como modelista sob medida”, ela explica. As primeiras experiências foram em família: para o vestido de casamento de sua irmã, Rita tomou como ponto de partida as bailarinas do artista francês Edgar Degas para criar um modelo de tule de poá, renda jacquard e três camadas de tule plissado, com busto em zibeline rosa coberto com renda.

Os fãs da Neon, porém, não precisam temer: a grife continua operando normalmente – inclusive, o atendimento do sob medida de Rita acontecerá no ateliê da marca. O tempo de produção de uma peça, da prova de roupa até a finalização, é de três meses. Para garantir um modelo exclusivo, cujos preços começam nos R$ 7 mil, é necessário agendar um horário pelo email comercial@neonbrazil.com.br

+ “Moda é amor e garra” e mais do nosso entrevistão com os estilistas da Neon

Vestido de noiva sob medida de Joana Comparato, assinado por Rita Comparato ©Divulgação

Vestido de noiva sob medida assinado por Rita Comparato ©Divulgação

Detalhe de vestido de noiva sob medida assinado por Rita Comparato ©Divulgação

Detalhe de vestido de noiva sob medida assinado por Rita Comparato ©Divulgação

Detalhe de vestido de noiva sob medida assinado por Rita Comparato ©Divulgação

Detalhe de vestido de noiva sob medida assinado por Rita Comparato ©Divulgação

Petit

21/09/2012

por | Moda

©Divulgação

Neste fim de semana (22 e 23.09), Neon e Amapô lançam suas coleções infantis em São Paulo. A novidade é fruto dos frequentes pedidos de algumas clientes de ambas as marcas, que desejam “brincar de boneca” com suas crianças, segundo brincou a própria Rita Comparato, estilista da Neon ao lado de Dudu Bertholini.

Apesar de ambas as marcas estarem investindo no segmento infantil, a Amapô desenvolveu peças voltadas a crianças de colo, bebês mesmo, enquanto a Neon criou itens para os pequenos que já andam. A média de preços é de R$ 79 a R$ 178.

Lançamento Amapô e Neon @ São Paulo
Rua Campevas, 599, Perdizes
Sábado, das 10h às 18h, e domingo, das 12h às 18h
Informações: (11) 3828-1920

Neon-e-Amapo-Infantil-2
©Divulgação
Neon
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Bazar!

02/05/2012

por | Moda

Flyer do Bazar e peça da Amapô ©Divulgação

A temporada oficial de Verão 2012/13 começa já no final deste mês (o Fashion Rio tem início no dia 22.05), assim como as liquidações e os megabazares de coleções passadas – chance imperdível para quem quer adquirir peças incríveis a preços mais acessíveis.

Neste sábado (05.05), a partir das 11h, a Casa Juisi + Phosphorus, espaço que reúne brechó e galeria de exposições, recebe o bazar das marcas Amapô, AMONSTRO e Neon, que dura até o dia 12 de maio.

Moletom (R$ 40) e vestido (R$ 50), ambos AMONSTRO ©Divulgação

Regata (R$ 65) e T-shirt (R$ 110) ©Divulgação

Jeans da Amapô (R$ 160) ©Divulgação

Bazar Amapô, AMONSTRO e Neon @ Casa Juici
Rua Alberto Simonsen, 108, Sé, São Paulo – SP (Próximo ao metrô São Bento)
De 05.05 a 12.05 (não abre aos domingos)

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©Divulgação

Também neste sábado (05.05) acontece o “Garage Sale” das amigas Roberta Troisgros e Fernanda Quentel, que oferece roupas novas e seminovas, além de acessórios, eletrônicos, objetos de decoração e até móveis a preços amigos. O “Bazar des Amies”, site de Ana Paula Fonseca e Roberta Balbino, entra como parceiro do evento ao trazer itens de grifes como Chanel, Pucci, Prada, Marc Jacobs, Louis Vuitton e Diesel.

“Garage Sale” @ Rio de Janeiro, RJ
Rua Girondino Esteves, 83, Horto
Sábado (05.05) e domingo (06.05), das 12h às 19h

“Moda é amor e garra” e mais do nosso entrevistão com os estilistas da Neon

08/03/2012

por | Moda

Rita Comparato e Dudu Bertholini do atelier da Neon, no dia da entrevista ©Juliana Knobel/FFW

Dudu Bertholini e Rita Comparato gentilmente abriram as portas de seu atelier, em São Paulo, para receber o FFW para uma conversa sobre o tema “Identidade”. O resultado é o entrevistão abaixo, que vai do conceito da marca até a crítica de moda, passando por uma realidade alternativa de tupperwares estampados. Confira:

A origem da Neon

Dudu: A Rita e eu nos conhecemos na Santa Marcelina, os dois estudantes de moda, e a gente tem uma proximidade de nascimento muito grande, somos librianos de 79, com 15 dias de diferença, e ficamos muito amigos de cara. O primeiro trabalho que fizemos juntos foi o TCC da Rita, que ela me chamou pra fazer o styling. Era lindo o trabalho, todo calcado em modelagem, e já tinha características do estilo dela, uma mistura de algodão com lycra, silhuetas mais justas, com pregas. E eu fiz fivelas, cintos e acessórios que respeitavam as formas da modelagem. E ali a gente percebeu que existia uma sinergia.

Em 2002, o J.R. Duran me chamou pra um editorial pra revista independente de imagem “Freeze”, e era uma matéria de uma showgirl oriental super sexy. Eu quis fazer uns maiôs de vedete, ultra trabalhados, cavados, bordados, e chamei a Rita pra fazer comigo. E foi muito legal, foram duas peças, que consideramos as primeiras da história da Neon. Até 2003, fizemos uma marca de “maiôs urbanos” — eram collants pra cidade, muitos deles você nem podia nadar, porque a gente trabalhava com cottons, lycras antigas, com alças de cerâmica, madeira, contas. O muito legal é que já era uma mistura de praia com cidade, que é um conceito que nunca deixou de existir na Neon, que é a natureza do nosso trabalho, e muito a natureza do Brasil. E aí, em 2003, a Rita e eu estávamos lá na Casa Búlgara, comendo burekas, e ela sugeriu: “Por que a gente não chama a marca de Neon?”.

Um dos dois primeiros maiôs da Neon, criado para editoral da “Freeze” ©Reprodução

O começo da marca

Rita: Eu acho que é tudo sem querer querendo na vida. Eu sempre digo, cuidado com o que você pede, porque vem. Tudo que a gente tem, a gente que pediu; Deus dá o frio conforme o cobertor. E o nosso trabalho é muito calcado no instinto que cada um tem e preserva até hoje — não só nós dois, como as pessoas que trabalham pra gente. E uma equipe, porque a gente nunca teve a pretensão de ser estilista – aliás, era a última coisa que eu queria, e o Dudu também. Foi simplesmente amor, paixão, humildade e instinto: meu instinto pela modelagem, mais o instinto dele por ser stylist. A gente é trabalhador. A gente é bon vivant. E o resto foi isso, foi luta, não teve muito tempo. Deus é um cara gozador, uniu energia, acho que foi muito isso, um trabalho de equipe, de união, cada um sabendo o que quer… por amor.

Dudu: De fato, a princípio o nosso propósito não era sermos estilistas. A Rita tinha uma coisa forte com a modelagem e eu estava muito envolvido com styling; eu sempre digo que a minha história é construção de imagem. Nem quando a gente começou a Neon veio com esse formato de que seria um desfile, de que seria uma marca. O primeiro exercício era o exercício em cima das peças.

A virada foi em 2003, quando decidimos fazer a primeira estampa exclusiva, nossa. Por isso que todas as nossas estampas são assinadas — porque naquele momento tinha uma simbologia da gente provar que a estampa foi feita por nós. Chamamos o Fabio Burjão, que é um artista plástico que colabora muito com a gente até hoje, que fez estampas super clássicas da história da Neon, como é o caso da Pavão, e o Kleber Matheus, diretor de arte, juntou os desenhos e ali a gente criou a nossa primeira estampa. Quando chegamos na estamparia pra dizer que queríamos fazer uma estampa de oito cores na lycra com cores fluorescentes, as pessoas falavam: “Vocês são loucos!”. Porque isso tem um custo industrial inicial absurdo. Só grandes marcas com grandes quantidades fazem isso. E a gente comprou essa primeira briga. Isso também é uma diferença minha e da Rita, porque compramos as brigas que foram aparecendo. Cada dificuldade que se anunciou, seja no trabalho, seja entre nós, a gente encara elas de frente. Consegui um patrocínio e falei: “Bom, se a gente vai ter todos esses metros de tecido já não justifica termos peças únicas e artesanais; vamos ter peças que possam ser produzidas em série”. Ops, estamos fazendo uma marca.

Desfile e a dinâmica de trabalho da Neon

Dudu: Eu não acho que toda marca e todo estilista deva optar pelo desfile; a passarela ou a apresentação tem que ser pra quem tem o que dizer na passarela. Hoje em dia tem tantas maneiras de você divulgar o seu trabalho, mídias alternativas, as próprias mídias sociais… só que eu venho de uma linguagem de passarela, a construção de moda é o meu grande input. A Rita eu acho mais estilista nesse ponto, ela é mais envolvida na construção, com a roupa. Ao fazer o primeiro desfile, que foi na sala na minha casa, histórico, com nossas mães recebendo as pessoas, as modelos se trocando no quarto e na cozinha, automaticamente já veio uma mulher que era uma mistura da Rita e de mim, com o rigor, a elegância dela, com a minha exuberância, e junto com isso, o nosso desejo de feminilidade, de ser bon vivant.

Rita: Eu acho que existe esse contraponto, um sempre puxa o outro. Existe esse equilíbrio, o bem e o mal, como no “Star Wars” [ela aponta para uma foto do R2D2 e C3PO pendurada na parede], eu e o Dudu.

Dudu: Eu, com o jeito do homem de fazer moda, tenho uma coisa que é teatral, que pode ser mais afetada; e daí se você olha o resultado da Neon, a Rita sempre arremata isso com uma elegância, um charme.

Assista abaixo ao primeiro desfile da Neon:

O papel da moda

Rita: A gente gosta da vida, e gosta de mulher mesmo. Eu não faço concorrência, muito pelo contrário, amo vesti-las — mulher de verdade. Não a “sou feliz todo dia”. É uma mulher vivida. É a coisa mais linda saber levantar, rir, aprender e curtir a vida porque o dia de amanhã, não sabemos. E aqui é muito de dentro pra fora. Porque eu atendo 20 mulheres por dia, do pau de virar tripa até a “to gorda, to gorda, to gorda”. E quando elas usam Neon, o que é lindo pra mim, é que elas contam que foram ao restaurante e que a mulher foi atrás dela no banheiro pra saber a roupa que ela tá usando. E isso começa a dar uma segurança de que ela é linda, de que ela não é gorda, de que ela tem uma personalidade, seja ela qual for. E eu acho que a Neon dá essa força pra elas esteticamente, que na verdade vem de dentro pra fora.

Dudu: Poder participar da vida das nossas clientes dessa forma é gratificante, ainda mais fazendo uma coisa que é exercício nosso.

Rita: E a mulher de verdade, não adianta nada se você não assume; aí não tem Louis Vuitton, Chanel que te ajude, minha filha, se você não sabe quem você é! É uma conjunção dos dois.

Dudu: Eu insisto muito nisso também porque se você se apoia na moda pra se sentir bem, está justamente fazendo a experiência contrária do que a moda te sugere. Ela te dá possibilidades de se expressar, de ser quem você é, e de ter essa coerência entre o que você é, o que você tem e, portanto, o que você veste. Então se você se apoia na bolsa porque acha que aquilo é o que vai te garantir uma aceitação, isso é uma experiência inversa ao que a moda está pronta a te oferecer.

Dos kaftans aos tubinhos: o estilo passarela da Neon

Dudu: É sempre importante, ainda mais na passarela, a gente se desafiar a experimentar coisas que a gente tem vontade, aonde vai o nosso instinto, e pra nós, o exercício de cor é tão importante quanto o exercício de estamparia, por exemplo. E na verdade, se você vem na Neon, todo mundo sabe que vai encontrar as peças estampadas mais incríveis, o nosso trabalho continua sendo super focado na estamparia…

Rita: Katfan a gente tem em todas as coleções comerciais; agora, se eu por só kaftan na passarela toda vez você vai me falar o quê?

Dudu: Pra gente é um exercício. No primeiro desfile, só tinha uma estampa, isso e mais dois tecidos, então o desfile inteiro era estampado. Quando tivemos o boom da estampa que foi justamente com a de pavão, que tinha filas na porta do showroom pras pessoas comprarem Neon, falavam tanto das estampas, que a gente fez um desfile com os 15 primeiros looks totalmente lisos — e eu lembro até meu pai falava: “Começou o desfile, nem achei que era da Neon, Dudu!”. E no final a gente editou de uma maneira absolutamente caótica, aí vinha uma estampa que não tinha nada a ver com a outra, e aquilo criava uma combinação. Tinha uma mensagem naquilo, de “a gente não faz só estampa, o nosso trabalho também tem esse estilo, mas olha como a gente faz estampa de um jeito incrível”. Quando chegamos num ápice comercial, de ter um direcionamento de distribuição que atendia o Brasil todo, chegamos a ter 26 estampas exclusivas, e aí editamos o desfile cada look com uma estampa. Então sempre encontramos formas de fazer com que a estampa converse e seja coerente com o momento que a marca está, e traduza o nosso espírito.

Assista abaixo ao desfile Verão 2012 da Neon:

Rita: Eu sou suspeita pra falar porque eu sou a mãe, e não vou falar mal do meu filho (risos). Mas a gente começou não pra ser comercial, pra fazer essa imagem de moda, pra fazer o desfile. Então no começo, tudo o que tinha na passarela era vendido no comercial. Isso com o tempo foi mudando. Hoje em dia, o desfile é a parte que a gente pode exercitar.

Dudu: É muito difícil não criar essa distância entre a roupa comercial e a roupa da passarela. Mesmo porque no nosso processo de criação, primeiro vem a ideia, a imagem, o conceito do que a gente vai fazer nessa temporada, quais são os nossos desejos. A partir disso, a gente volta atrás e desenha o comercial. Mas é muito importante que o comercial tenha toda a “energia”, o máximo que a gente puder linkar isso dentro da história, da filosofia do desfile, melhor. Então a gente pensa primeiro, volta atrás pro comercial, aí vai fazer o desfile, e aí vai fazer a venda. É uma coisa de vai e vem, e é muito interessante; tenho certeza que a maioria dos estilistas com que você conversar enfrenta essa distância do que eles desfilam do que é comercial.

A estamparia da Neon

Rita: Acho importante falar que não são estampas que eu peguei na estamparia, são de artistas plásticos convidados, e a gente preserva os traços, as sutilezas, é quase um artesanato.

Dudu: Eu acho que é por isso que a gente teve essa relevância comercial, por ter resgatado um processo muito old school de como fazer a estampa, porque muito na história da estamparia no Brasil, principalmente nos anos 1960, existia essa colaboração de artistas mais relevantes da época com marcas e tecelagens. E hoje em dia os bureaus vendem estampas digitais a preço de banana, isso banalizou, e o digital é uma linguagem que se você não souber usar, te domina. As pessoas perderam muito desse traço manual e dessa sutileza, e a Neon realmente preserva isso e carrega isso com força, é um grande diferencial do nosso trabalho.

Moda vs. Arte

Dudu: Pra mim moda não é arte porque acho que ela tem uma funcionalidade, um propósito, ela tem que te vestir, tem que te cobrir do frio; mesmo se ela fosse arte, a gente teria que fazer quatro coleções por ano, e respeitar esse timing de mercado, a parte do consumo, da roupa. Eu teria que mostrar o meu produto de qualquer forma: nem que fosse com uma plaquinha de preço parada na frente da minha cliente, de alguma maneira eu teria que vendar aquela roupa. O que a moda faz de lindo é que ela consegue construir toda uma narrativa e uma dialética por trás daquele produto, e consegue criar emoção, desejo, narrativa, pra um produto que poderia simplesmente estar na arara vendido.

Rita: Pra mim é diferente. Eu acho que é arte, não só o que a gente faz, como o que cada um faz com amor.

Dudu: Que lindo isso! Também faz sentido pra mim, apesar de eu não achar — os dois fazem sentido.

Rita: Pra mim, artista é quem levanta da cama e continua. Seja advogado, escritor, músico, todos têm prazo, tudo é comercial no fim das contas. Mas tem que fazer com amor, que é o que te faz ter a garra pra enfrentar o dia a dia, porque nem tudo são flores.

Dudu Bertholini e Rita Comparato durante entrevista ao FFW ©Juliana Knobel/FFW

A crítica de moda

Dudu: Eu sou super aberto e receptivo, não tenho problemas em ler críticas negativas – não é fácil pra ninguém, só que eu jamais me chateio com jornalista, ou vou tirar satisfação. Eu acho que você tem que ter uma segurança do seu trabalho. Só você sabe o que pensou, o que fez, o que realizou. A realização é algo concreto, e ninguém a tira de você. Só que quando você coloca um look na passarela, você está dando ele pro mundo, é um parto. Se você não tem segurança do seu trabalho, você não está pronto nem pras críticas positivas nem pras negativas, e uma coisa é tão perigosa quanto a outra.

Eu acho que você fica a mercê de críticas que as vezes podem ser bem fundadas ou não, podem ter um toque pessoal ou não ter, e isso pode ter um reflexo dentro do seu trabalho, do seu comercial; não é fácil. Existe uma responsabilidade do crítico de moda, ele também faz parte dessa engrenagem, e eu acho que são poucos os que têm essa bagagem e o compromisso e a seriedade com o reflexo do que eles estão escrevendo. Porque realmente, assim como o nosso papel não é simplesmente fazer um exercício maravilhosamente autoral de design na passarela porque a gente tem todo um compromisso por trás, o dele também não é apenas dar o viés analítico dele da maneira que for. Eu acho que é entender o compromisso dele dentro do mercado; isso é muito sério.

Rita: Eu não sou contra que eu ache que não deva existir. Mas como é muita coisa que eu pus muito, eu acho um pouco cruel. Não que eu ache que não deva existir, mas eu não leio. Que nem escola de samba, essa coisa de primeiro, segundo, terceiro, quarto, é tão relativo. E é uma comunidade, por mais que você não goste, foi muito trabalho, pra acabar com “9.8″, “6.7″, acho que não se define nisso.

O melhor período comercial da Neon

Rita: Ainda vai chegar.

Dudu: Olha, depende. Esse momento varia, mas eu te digo: 2005 a 2007 foi uma época que a gente vendeu muito volume. Hoje em dia pensamos diferente sobre o nosso negócio, porque acreditamos que o nosso trabalho é mais autoral, mais atelier, e é um produto tão marcante, tão precioso, que a gente prefere ter poucos e bons – não necessariamente poucos, mas pontuados com butiques que fazem um trabalho fiel com a gente — do que uma venda predatória. Então hoje fazemos uma coleção que é metade do que fazíamos antes, e a produtividade da coleção é muito maior, com produtos muito mais assertivos.

Rita: Nem tudo que reluz é ouro, não é porque você vendeu mais que foi a coleção que mais teve lucro. E essa coisa de “qual foi a coleção que mais” eu acho que todas. Porque a gente tá sempre aprendendo, no erro mesmo, na raça, é uma maturidade de saber que “eu não estaria aqui se não tivesse passado por tudo isso”.

Dudu: Hoje sabemos que só vamos desenhar o que podemos produzir, e já pensando como que essa produção vai funcionar, no preço final do produto. Antes de começar cada coleção, analisamos um book de vendas pra ver quanto vendeu cada peça, em qual cor, pra poder entender e afunilar. É muito louco, porque a coleção que a gente mais vendeu em número foi uma coleção em que ficamos no vermelho. Porque a gente tinha uma administração predatória, que fez com que o nosso desenvolvimento fosse caríssimo.

Rita: E este ano foi quando, com menos pessoas, com menos produtos, conseguimos uma produtividade maior. Mas precisou daquilo pra chegar nisso, porque na verdade começamos muito jovens, não fizemos administração, aprendemos na raça mesmo.

Dudu: Hoje estamos com uma equipe mais enxuta, mudamos pra cá, que é um lugar onde a gente consegue otimizar o nosso trabalho de uma forma muito mais sensata e coerente do que quando a gente vendia milhões pra um monte de loja, às vezes colocando em praças conflitantes.

Rita: Eu acho que a gente aprendeu que ser proprietário significa ser diretor. Então você não precisa saber fazer, mas você escolhe quais os personagens. Quem é que vai fazer a gostosa, a má, a boazinha, e você está lá pra ver — se o diretor não estiver lá, não tem timing. É isso que a gente vem descobrindo, e é esse o grande ensinamento.

Looks do desfile mais recente da Neon, de Inverno 2012 ©ImaxTREE

Sabendo o que vocês sabem hoje, o que teriam feito de diferente?

Dudu e Rita: Nada.

Dudu: A gente fala que faria tupperware, três tamanhos de embalagens com cores diferentes, estampadinho (risos). Mas eu acho que realmente, a gente só poderia se arrepender do que não fez.

Rita: Acho que tudo na vida tem um porquê. O ruim é quando você tem um problema e não consegue olhar pra si mesmo e aprender.

A moda como profissão

Rita: Na moda você não para. O chef de cozinha é o primeiro a acordar porque ele tem que ir pra feira comprar fresco, e ele é o último a ir embora. Moda é a mesma coisa. É muito puxado, é amor e é garra.

Dudu: O diploma de moda é um dos mais plurais hoje em dia e isso é muito legal; você se forma em moda, e pode trabalhar em um milhão de campos de atuação diferentes. E realmente, ser estilista é o grande fetiche das pessoas, mas poucos diplomas te oferecem tantas possibilidades de campo de atuação quanto o de moda.

Rita: Acho que todas as faculdades são assim, medicina também oferece uma pluralidade. Faculdade em geral te ensina o básico que você precisa saber; o resto é na raça. Mas eu acho que isso é importante no jovem, porque se ele soubesse, ele não faria. Se ele já tivesse esse rancor, esse ranço que a gente já tem (risos), ele não iria. Então tá tudo certo.

A novas tecnologias e o futuro da Neon

Dudu: Isso se anunciou como um caminho muito legal pra nós. E estamos entre os sites de maior visibilidade do SPFW. Temos parceria com a Karina Kotake, da KOK Fashion Lab; vi que ela estava realmente propondo modelos de negócios e aumento de visibilidade de marca, e ela viu na Neon uma oportunidade incrível de conteúdo, de identidade, e de frescor. Estreamos a nossa fan page no desfile de Verão passado no MuBE, criamos a campanha We Like Neon, e tudo isso foi pensado pra gente chegar no e-commerce, inaugurado há menos de um mês, que está tendo um resultado legal, o que nos deixa muito felizes. O que a gente faz na Neon muito bem é que não temos uma verba de investimento pra marketing; o nosso marketing é o desfile. Não anunciamos em campanhas, não temos essa grana.

Rita: Esse tempo (risos).

Dudu: Mas a gente consegue, através das mídias sociais e do desfile, ampliar o nosso alcance com custos baixíssimos. Eu acredito muito nisso, acho que tem muito por vir ainda com as mídias sociais. E eu tenho um sonho, que acho que isso é um problema do Brasil, de no futuro poder retomar a exportação, que hoje em dia, com os impostos, meu produto chega mais caro que o da Missoni, da Pucci. Não consigo ter um preço competitivo no mercado externo. Mas eu enxergo isso: a gente cada vez mais enxuto, preciso e precioso, e as parcerias e licenciamentos e a nossa capacidade de branding explodindo cada vez mais.

Preview: veja em primeira mão detalhes da coleção da Neon, Juliana Jabour e +!

19/01/2012

por | Moda

Dois croquis da coleção Inverno 2012 da Neon ©Divulgação

Quer saber o que a Neon está preparando para a sua apresentação de Inverno 2012, que acontece na terça-feira (24.01)? De acordo com a marca, a inspiração é a cultura multiétnica de Istambul, e a proporção é a “protagonista do desfile, e se estende à modelagem, cartela de cores, locação e coreografia das modelos”. As “flores e as grandezas áureas da natureza” são elementos fortes da coleção, que tem como peças-chave os tubinhos, boleros, paletós e vestidos-paletó. Os shapes principais são o ombro estruturado, ombro marcado e quadril alargado, com matérias-primas como o jérsei, crepe e camurça de lã; a lã Bouclé; seda pura, jérsei e brim; e a palha e metal.

A cartela de cores inclui o amarelo, laranja, pink, vermelho, vinho, roxo, verde-petróleo, azul-marinho e preto. Para quem ama as estampas da Neon, já podemos adiantar que há uma estampa “Arca de Noé” criada pelo artista plástico Fernando Vilela; a “Gatos”, em que os rabos dos animais se entrelaçam formando luminárias turcas; e a “Persa” e “Ikat”, que reproduzem tramas étnicas originais.

Quanto as colaborações, a grife já divulgou que o designer Hector Albertazzi assina toda a linha de metais do desfile. Além disso, todos os sapatos são da Mr. Cat, com scarpins que dialogam com as cores de cada look; e as meias-calças são Trifil em cores especialmente desenvolvidas para a Neon. O desfile acontece no Teatro Tucarena, no dia 24 de janeiro, às 11h30.

+ Saiba como concorrer a convites para a fila A da São Paulo Fashion Week

Croqui da coleção Inverno 2012 da Neon ©Divulgação

Confira mais previews de coleções que serão desfiladas no SPFW Inverno 2012:

+ Preview do Inverno 2012 da Cori (desfile dia 19.01)
+ Preview do Inverno 2012 de Alexandre Herchcovitch feminino (desfile 20.01)
+ Preview do Inverno 2012 da Cavalera (desfile dia 22.01)
+ Preview do Inverno 2012 da FH por Fause Haten (desfile dia 22.01)
+ Preview do Inverno 2012 da Juliana Jabour (desfile dia 22.01)
+ Preview do Inverno 2012 da UMA (desfile dia 23.01)
+ Preview do Inverno 2012 do João Pimenta (desfile dia 23.01)
+ Preview do Inverno 2012 da Neon (desfile dia 24.01)

Luz, câmera, ação! Os 10 filmes de moda mais legais da temporada

14/10/2011

por | Moda

Carol Trentini em foto clássica com o cinegrafista do documentário “The September Issue” ©Reprodução

Por mais surpreendente que isso pareça, dada a sua natureza extremamente visual, a paixão da moda por filmes não é tão antiga. Até pouco tempo atrás, as marcas e a imprensa preferiam focar em outras estratégias, como ensaios e campanhas estáticas, e vez ou outra surgia um vídeo para dar uma animada na temporada. No entanto, tudo isso mudou drasticamente com o advento da tecnologia, e hoje praticamente toda grande marca lança simultaneamente a sua campanha impressa, uma campanha em vídeo, e os veículos de comunicação não se atém mais apenas às fotos.

E ao contrário dos anúncios caríssimos veiculados em revistas do mundo todo, um vídeo colocado no YouTube ou Vimeo rapidamente se espalha pela rede, sendo replicado em sites, blogs e redes sociais sem nenhum custo adicional para a marca além da produção do vídeo. Parece um negócio bom, não? E é.

Nessa temporada, além da quantidade absurda de material que é lançada quase todos os dias, a qualidade também impressiona, com uma safra dos melhores vídeos de moda dos últimos tempos. E o FFW selecionou os mais marcantes, dentre internacionais e brasileiros, e mostra tudo pra vocês.

+ Confira abaixo os 10 (e mais 1!) preferidos do Fashion Forward, em ordem alfabética!

ALEXA CHUNG PARA MADEWELL

DELÍRIO TROPICAL PARA FFW

HUIS CLOS VERÃO 2012

MARKUS LUPFER RESORT

MISE EN DIOR (a versão de make não é menos legal, e a gente já falou dela aqui)

MULBERRY FALL 2011

RAQUEL ZIMMERMANN PARA “ELLE

THE MIU MIU WOMEN’S TALES: “MUTA”

TRITON VERÃO 2012

WE LOVE NEON

+ LANVIN FALL 2011 (que já é hors concours de tão divertido)

Para ver os videos mais legais da temporada passada, clique aqui.

Dudu Bertholini e Rita Comparato abrem as portas da Neon

13/10/2011

por | Moda

Quem nunca teve curiosidade de saber como funcionam os bastidores das principais grifes criadoras de moda do Brasil? O FFW TV inaugura uma nova série de vídeos que desvendam um pouco desse universo particular, começando pela Neon. Os estilistas Dudu Bertholini e Rita Comparato dão um tour pelo ateliê, mostram o acervo da grife e falam sobre a sua dinâmica de trabalho — com uma referência nerd a dois personagens da saga “Star Wars”. Vale a pena ver!

Marca de Paulo Vilhena convida Neon para lançar linha especial de camisetas

23/08/2011

por | Moda

abreAs duas duplas vestem Candy Shop + Neon ©Divulgação

Uma nova parceria de moda deve agradar quem curte a básica The Candy Shop Flavor, de Paulo Vilhena e Roberta Alonso, e a extravagante Neon, de Dudu Bertholini e Rita Comparato. As duas marcas resolveram criar uma linha exclusiva de camisetas, entrando com a cartela de cores e modelagens da Candy Shop, com trabalho de estamparia da Neon.

Serão apenas 500 unidades das camisetas da parceria em todo o Brasil. É a primeira vez que a Candy aposta em uma estampa, mas as duas duplas tentaram mixar os pontos fortes de cada marca. “O Dudu (Bertholini) sempre foi um cliente assíduo, desde a primeira coleção ele curtiu de cara a proposta da marca. Ao longo dos anos fomos mantendo uma relação estreita, com troca de ideias. Daí surgiu a ideia de juntar o maior potencial das duas marcas: as estampas da Neon com a modelagem e conforto da Candy”, afirma Paulo Vilhena ao FFW, explicando como surgiu a união.

O processo para a coleção de camisetas foi todo com participação das duas duplas (Paulinho e Roberta + Dudu e Rita). “Trabalhamos juntos desde a escolha da estampa até a decisão das modelagens e tecidos. Até trouxemos modelagens da Neon para as camisetas. Em um dado momento eu falei ‘Dudu, você tem essa coisa das modelagens mais amplas, longas. Desenvolve um modelo também, vamos trazer esse ponto da Neon para a linha’”, conta, avisando que entre as peças haverá uma espécie de mini-kaftan.

pauloPaulo Vilhena com uma das camisetas da coleção ©Divulgação

A Candy nunca tinha trabalhado com estampas. As camisetas da marca eram todas trabalhadas com diferentes cartelas de cores e modelagens. “O básico já está consolidado, é o nosso carro-chefe, sempre vai ser. A proposta de colocar estampas é inserir a Candy no meio da moda, mas sem perder a identidade”, avisa Paulinho. De acordo com o sócio da marca, as estampas são simples, de uma cor só, como marcas d’água nas camisetas, que trazem a mistura de DNAs das duas grifes.

Para o futuro, a The Candy Shop Flavor pretende fazer novas parcerias com estilistas e artistas nacionais para agregar ainda mais informação de moda à pegada básica da marca. “A gente tem esse plano. Conversei com alguns amigos, alguns conhecidos do meio, mas antes precisamos consolidar essa história, ter um feedback desta primeira tentativa e depois ver o que a gente consegue fazer”, pondera Paulinho.

O lançamento da linha de camisetas exclusivas será na próxima quinta-feira (25.08). Será possível comprá-las nas lojas das duas marcas, em São Paulo; quem mora fora da capital paulistana poderá comprar as camisetas por telefone.

THE CANDY SHOP FLAVOR
Rua Augusta, 2690 (Galeria Ouro Fino ), loja 226, São Paulo – SP
(11) 3062-3288 (com Michel ou Jéssica)
candyshop@tcsf.com.br

NEON
Rua Campevas, 599, Perdizes – São Paulo – SP
(11) 3828-1920 (com Larissa ou Marília)
lojaneon@gmail.com