Vocalista do Hot Chip fala sobre novo álbum ao portal FFW

28/01/2010

por | Cultura Pop

Um dos discos mais aguardados de 2010, “One Life Stand”, o quarto álbum do Hot Chip, foi anunciado como “o melhor da carreira da banda”. O portal FFW conversou com Joe Goddard, uma das cabeças por trás do enigmático grupo britânico que fundiu os limites entre o eletrônico cabeçudo e o pop acessível.

hotchipcov4522Capa de “One Life Stand”, o quarto disco de estúdio do Hot Chip © Divulgação

Como é o processo criativo da banda?
Geralmente somos eu e o Alex que escrevemos as músicas. Os meninos entram com sugestões, insights e tal. Mas varia muito… Alguns dias eu levo uma melodia, dia que Alex traz uma letra. Depende muito.

O que vocês estão preparando para a nova turnê que começa em 12 de fevereiro?
Vamos usar muitos equipamentos high-tech e tocar todas as músicas antigas em versões inéditas. Queremos experimentar coisas novas. Temos um novo baterista, também, e isso tem sido ótimo. A partir de fevereiro vamos começar a tocar em festivais ao redor do mundo. Depois faremos o verão europeu. Vamos tocar no Brasil também!

Acima, videoclipe da música “One Life Stand”, que dá nome ao novo álbum do Hot Chip

Você já tocou no Brasil uma vez, no Tim Festival. Que lembranças tem desses shows?
Comprei muitos discos!

Quais?
Hmm… Caetano Veloso, Jorge Ben, Gilberto Gil. Desde clássicos da Tropicália até coisas contemporâneas como baile funk. O Brasil tem um senso de ritmo maravilhoso.

O que você ouvia quando criança, adolescente, jovem… e agora.
Quando era criança eu ouvia muita música clássica e Beach Boys. Foi a minha formação. Depois, com uns 12, 13 anos, eu adorava Velvet Underground e Beastie Boys. Depois comecei a conhecer grunge, como Smashing Pumpkins, Nirvana. Quando era mais velho, uns 20 anos, ouvia drum and bass, house music e, mais recentemente, Disco music. Hoje eu voltei a ouvir house e tecno alemão.

O que te levou de volta a esses dois gêneros?
Acho que foi discotecando. Hoje eu tenho pouco tempo pra ouvir música como passatempo. Algo como 20 minutos diariamente. Mas discotecando, profissionalmente, eu sou obrigado a pesquisar coisas, comprar muitos discos.

Para que direção você acha que a música eletrônica vai caminhar nos próximos anos?
[Pensativo] Bom, é difícil saber. Mas eu acho que na Inglaterra estão acontecendo coisas interessantes inspiradas no estilo garage. É claro que muitas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo, e de diferentes maneiras. Mas a minha aposta seria nessas bandas, que se inspiram no garage rock e procuram novas formas de fazê-lo.

Ouça o Hot Chip no Myspace: myspace.com/hotchip

Siga o grupo no twitter: twitter.com/hot_chip

Cat Power e Mudhoney em São Paulo – e de graça!

27/01/2010

por | Cultura Pop

A cantora Cat Power, a banda grunge Mudhoney, o cantor Manu Chao e o badalado autor da trilha de “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, Yann Tiersen, devem tocar gratuitamente na próxima Virada Cultural Paulista. O evento, que acontece de 22 para 23 de maio, oferece 24 horas de atividades culturais em diversas cidades do interior de SP e foi inspirado no festival cultural parisiense Nuits Blanches. A versão paulista acontece há três edições.

A Agência Estado publicou no início desta semana informações sobre as apresentações – todos os artistas já passaram pelo Brasil em turnês próprias. Cat Power toca em Jundiaí (22) e São José dos Campos (23). Mano Chao toca às 00h na Praça Mauá Santos (22) e às 17h em Araraquara (23). Yan Tierssen toca em Piracicaba (22) e em São José da Boa Vista (23). O Mudhoney ainda não tem datas e locais confirmados.

Surpresa boa, não? A programação completa você confere no site da Secretaria Da Cultura do Estado de São Paulo.

Goldfrapp volta aos anos 80 (de novo!) com “Head First”

26/01/2010

por | Cultura Pop

Alguém ainda aguenta os anos 80? O quinto disco de estúdio do Goldfrapp, “Head First”, já teve seu primeiro single divulgado. “Rocket” marca o retorno da banda aos sintetizadores e ao eletrônico oitentista – mas dessa vez Alison Goldfrapp parece estar pouco inspirada. Até mesmo na capa, que remete ao filme “Xanadu” e à atriz Olivia Newton John.

Influência confessa de Madonna, Björk, Christina Aguilera e diversos produtores do mundo pop, Alison foi uma das responsáveis por trazer de volta a sonoridade 80s com o disco “Black Cherry”, de 2003.

Ouça o single (“Rocket”) e confira o tracklist do novo disco:

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1. Rocket
2. Believer
3. Alive
4. Dreaming
5. Head First
6. Hunt
7. Shiny And Warm
8. I Wanna Life
9. Voicething

“Head First” será lançado em 22/03 pela EMI/Mute Records.

Site oficial da banda: goldfrapp.com

Ouça o Goldfrapp no Myspace: myspace.com/goldfrapp

Top 5 momentos music @ SPFW

22/01/2010

por | Cultura Pop

Quando o assunto é música, teve de tudo um pouco (e um pouco de tudo) nesta 28ª edição do SPFW. Rock, pop, metal, hip-hop e MPB e até tecnobrega. Confira abaixo o top 5 de trilhas do maior evento de moda da América Latina.

_CVA1212Menção honrosa: Fause Haten tocou ao vivo no seu próprio desfile, da marca FH © Gabriel Marchi/FFW

Alexandre Herchcovitch Feminino – Composta por Max Blum, a trilha é uma mixagem da frenética “Midnight Directives“,  da banda-de-um-homem-só Final Fantasy, aka Owen Pallet. Intenso e maximalista, a canção deu ainda mais força à coleção apresentada.

Huis Clos – Para uma coleção que remetia às lembranças e memórias, o DJ Max Blum mixou brilhantemente vocais, cordas e o folk de Nico Muhly, com “Two Sisters”.

Do Estilista – Em uma brilhante mixagem da mesma música, o músico Paulo Bega deu voz ao desfile com “What’s A Girl To Do”, do Bat For Lashes. Climático e com tom de melancolia.

Jefferson Kulig – Com o DJ Horácio nas pick ups, a trilha foi clássica. Orquestras de cordas deram o tom ao desfile que falava sobre todas as mulheres do mundo.

Alexandre Herchcovitch Masculino – Com um remix pesado de “One Hundred Years”, do The Cure, Max Blum deu o tom mórbido e pesado para a melhor coleção da temporada.

Ouça as trilhas do último dia de SPFW

22/01/2010

por | Cultura Pop, Moda

Cada um no seu quadrado: se cada estilista tem uma identidade própria, cada trilha tem uma sonoridade única. No último dia do SPFW, as canções, mixagens e artistas foram tão diversas quanto as imagens de cada marca. Ouça os áudios completos abaixo:

IMG_4168Luciana Curtis no desfile Do estilista; composta por Paulo Bega, trilha deu tom à coleção soturna de Marcelo Sommer © Agência Fotosite

Isabela Capeto – Totalmente instrumental, a trilha composta por Dany Roland era contida e minimalista, para uma coleção inspirada num tema bastante subjetivo: filtros.

Carlota Joakina – Johnny Luxo, sempre fervido, trouxe uma trilha meio pop, meio experimental com “Jungle Drum” de Emiliana Torrini.

Reserva – Com “A melhor banda de todos os tempos da última semana”, a Reserva desfilou com trilha composta por Jackson Araújo. Ainda rolou a surf music brazuca com “Mintchura”, de Neuzinha Brizola.


Do Estilista
– Em uma brilhante mixagem da mesma música, o músico Paulo Bega deu voz ao desfile com “What’s A Girl To Do”, do Bat For Lashes. Climático e com um tom de melancolia.

André Lima – Com o DJ Zé Pedro nas pickups, o desfile do estilista paraense trouxe ao SPFW o som do tecnobrega, que mistura forró e eletrônico. Teve “Womanizer”, “PokerFace” e outros hits do pop com tempero nacional – Ouça abaixo:

Rock pesado e música clássica: as trilhas sonoras do SPFW

22/01/2010

por | Cultura Pop

O penúltimo dia do SPFW foi de rock and roll e música clássica. De Black Sabbath a uma versão pesada do The Cure, passando por orquestras delicadas nos desfiles de Lino Villaventura e Jefferson Kulig.

Ouça:

Jefferson Kulig - SPFW Inverno 2010

Alexandre Herchcovitch – Com um remix pesado de “One Hundred Years”, do The Cure, Max Blum deu o tom mórbido e pesado para a melhor coleção da temporada.

Jefferson Kulig – Com o DJ Horácio nas pick ups, a trilha foi clássica. Orquestras de cordas deram o tom ao desfile que falava sobre todas as mulheres do mundo.

Neon – Animais na passarela e metal na caixa de som: Boris Fratogianni mixou Black Sabbath (com “N.I.B”) e Cream (com “I Feel Free”).

Wilson Ranieri - Composta por Andrea Gram,  o desfile teve um rock que viajou do leve ao pesado.

Lino Villaventura – Num clima de valsa e de música clássica, a trilha da coleção de Inverno 2010 de Lino foi composta por Felipe Venâncio.

Peter, Paul, Mary e Madonna: o iPod de Dudu Bertholini

21/01/2010

por | Gente

Desfile de Neon é sempre um acontecimento. Os fashionistas mais fervidos, a plateia mais colorida e a música mais animada são itens obrigatórios. E foi sobre música que o portal FFW conversou com Dudu Bertholini momentos antes do desfile acontecer, aqui na Bienal do Ibirapuera, SP.

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Confira as faixas que mais marcaram a vida do abravanista original:

“Sweet Child Of Mine” – Gun’s And Roses

“Falling To Pieces” – Faith no More

“Vogue” – Madonna

“Leaving On A Jet Plane” – Peter, Paul And Mary

“Homeward Bound” – Simon And Garfunkel

Com Lovefoxxx e Jesus Luz, ouça as trilhas do SPFW

20/01/2010

por | Cultura Pop

Com Jesus Luz e Luísa Lovefoxxx nas pick ups dos desfiles, o terceiro dia do SPFW foi de muitas trilhas boas… e algumas bem ruins. Ouça as trilhas nos players abaixo e deixe a sua opinião nos comentários!

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Iódice – Um batidão poderoso de Zé Pedro embalou a mulher da Triton.

Ronaldo Fraga – Caetano Veloso e música uruguaia foram o pano de fundo de uma coleção extremamente artística do estilista mineiro.

Simone Nunes – Composta por Edu Corelli, a trilha começa bem com “Sweet Disposition”, do The Temper Trap – mas perdeu a mão com o eletrônico pesado seguinte.

Fábia Bercsek – Composta por dois colaboradores de longa data de Fabia, Edu Corelli e Luís Depeche usaram o rock industrial.

Ellus – Com a presença “ilustre” de Jesus Luz nas pickups, faltou ritmo, força, e sinergia entre a confusa trilha de Jesus e a coleção assinada por Adriana Bozon.

Triton – A segunda convidada da noite para as pickups foi Lovefoxxx, do CSS; com Sonic Youth, Xx e Yeah Yeah Yeahs, a trilha deu gás a coleção maximalista.

Tecnobrega, Lady Gaga e The xx: o iPod de Jackson Araujo

19/01/2010

por | Gente

Ligado em tudo o que acontece na música e na moda, Jackson Araujo tem um dos iPods mais antenados de São Paulo. Jornalista, consultor de tendências e DJ, ele contou ao portal FFW o que tem ouvido recentemente: “Estou num momento super mega hiper Lady Gaga. Acho que ela trouxe o elemento da moda de volta para o pop”.

Como DJ, ele também comanda mensalmente as pick ups do Bar Secreto em São Paulo. “É uma experiência”, conta. “Assim como fui a primeira pessoa a tocar funk carioca em São Paulo, sou o primeiro a tocar tecnobrega num bar mais moderninho. Sem perceber, as pessoas estão dançando kaoma e achando a coisa mais incrível do mundo”

Ouça abaixo!

DSC09092Jackson Araujo: DJ, consultor e jornalista sabe-tudo de música © Acervo FFW

“Bad Romance”  – Lady Gaga

“Stars” – The Xx

“Something a la Mode” – G Strink

“Esperar Pra Quê” – Cidadão Instigado

“Me Libera” – Deja Vu

Uma rapidinha com… Lovefoxxx!

19/01/2010

por | Gente

No SPFW para comandar a trilha sonora da Triton, Luísa Lovefoxxx, (a vocalista do CSS), é todo um carão. Com a banda – que já foi considerada a mais hype do mundo – de férias, ela se divide entre a ponte-aérea São Paulo-Londres, onde é casada com Simon Taylor, da banda Klaxons.

Confira a rapidinha que ela deu com a gente:

loveLuísa Matushita, aka Lovefoxx: o carão é sua especialidade © Acervo FFW

Sonho mais recente.
Sonhei que um bofe que eu tava afim cozinhava pra mim com duas frigideiras ao mesmo tempo.

Quem é seu cineasta favorito?
John Waters. Cada hora eu gosto de um filme. Recomendo “Desperate Movie”, aquela cena em que os personagens dizem: “The children are having seeex!” [risos].

As pessoas deveriam desencanar de…
Gossip Girl. Não entendo o hype! Aqueles bofes que parecem o Ken da Barbie, aquelas meninas uó,  outra que tenta ser a Courtney Love. Detesto. Gosto mesmo é de True Blood, que os bofes são incríveis (e imortais).

Onde você estava ontem à meia noite?
[risos] Em casa tomando banho.

Uma virtude que admira num homem.
Saber cozinhar.

Um talento escondido.
Saber cozinhar!

Uma coisa que te irrita.
Milhões de coisas. Taxista que dirige devegar. Aí quando peço pra acelerar eles ficam putos.

Palavra favorita.
Aquaris. É engraçada, e atrai coisas boas.

A maior extravagância.
Ai, não sei! Sou muito consumista!

O maior tombo que você levou num show.
Nossa, tem vários! Teve um em Londres, no Koko. Enrosquei o pé num cabo – e como eu fazia Ai Ki Do quando era criança, tive um reflexo e acabei fazendo um enrolamento. Mas eu caí de verdade no chão!

E o pior voo que fez durante uma turnê?
Lembro direitinho. Foi no dia 8 de abril de 2009. Da Austrália para Oakland para Santiago. Foram 35 horas.

Como você se ocupou durante todo esse tempo?
Quis morrer! Tomei um remédio tipo Dramin para dormir e fiquei grogue o tempo inteiro. Mas o momento mais excitante foi quando um rato apareceu num aeroporto. Pânico!

Judaísmo, medleys e anos 1990: ouça as trilhas do SPFW

19/01/2010

por | Cultura Pop

Acordes dramáticos, canções judaicas e batidão. No segundo dia de desfiles do SPFW, as trilhas sonoras foram pesadas, intensas e deram força (ou excesso?) às coleções apresentadas.

Ouça abaixo:

Maria Bonita – No cenário imponente do SESC Pompeia, a coleção assinada por Danielle Jensen teve Vinicius e Baden Powell com “Pro Samba”. Saravá!

Alexandre Herchcovitch - Composta por Max Blum, a trilha é uma faixa frenética da banda-de-um-homem-só Final Fantasy, aka Owen Pallet. Intenso e maximalista, a trilha deu ainda mais força à coleção apresentada.

Reinaldo Lourenço – Composta por Giancarlo Lorenci, a trilha do desfile – que tinha uma pitada de inspiração em militares judeus e no filme Bastardos Inglórios – começou bem com “Hava Nagila”, uma tradicional canção judaica. Mais tarde, electro e clima 80s à la Siousxie And The Banshees.

Maria Garcia – Inspirada pela música e a nostalgia dos anos 90, a coleção assinada por Camila Cutolo teve o grupo de hip-hop Salt\’n\’Pepa e o grupo norte-americano Cake, com “Daria” na trilha. Quem assina a trilha é Adriano Costa e Boris Fratogianni.

Cori – A visão musical de Arthur Joly dá luz à coleção de inverno da Cori, assinada por Gisele Nasser. Um rock poluído, com cara de shoegaze, deu ritmo ao desfile baseado em alfaiataria.  

Forum Tufi Duek - Intercalando uma orquestra de cordas dramáticas e um batidão de electro, o DJ só acertou com o remix de “Big Time Sensuality”, da Björk, ao final do desfile.

Samuel Cirnansk – Dramático e poderoso. O jornalista e DJ Jackson Araújo fez um medley da trilha de “Sherlock Holmes” (de Hans Ziemer) mixados com trechos do novo disco da Yoko Ono, inspirada pelo amor. Ouça abaixo:

Uma rapidinha com… Alexandre Herchcovitch!

18/01/2010

por | Moda

No comando de três coleções nessa temporada (Rosa Chá + suas duas linhas de prêt-à-porter), Alexandre Herchcovitch é um homem de poucas palavras. Mas de palavras exatas.

O estlista conversou com o portal FFW sobre a sua mãe, seus defeitos e suas músicas favoritas. Confira:

DSC09037Alexandre Herchcovitch; o topete não tem segredo “é só pentear para um lado e depois para o outro” © Gabriel Marchi

Um talento escondido.
Coloca [pensa longamente]… cozinheiro.

Um defeito.
Insistir no mesmo erro várias vezes. Ou seja, burrice.

Uma coisa que irrita.
Não tem só uma. Tem milhares.

Uma virtude em você.
Generosidade.

Uma virtude nos outros.
Dedicação.

Modelo favorita (não vale a Geanine Marques! [musa do estilista])
Yasmeen Ghauri.

Você desfila sem a Geanine no backstage? [a modelo é uma espécie de amuleto da sorte para Herchcovitch]
Hoje, por exemplo! Aqui na Rosa Chá não precisa.

Um ritual diário?
Podar o jardim. Alimentar os cachorros. E escolher as flores mais bonitas para colocar na casa.

Descreva a sua mãe em uma frase.
Uma vencedora que me inspira todos os dias.

Sonho mais recente?
Eu lembro de todos! Tive um muito bizarro recentemente.

Como era?
[pensa longamente] Agora não consigo lembrar!

Quantas vezes você vai à praia por ano?
Uma vez por ano. Eu adoro. De preferência as praias desertas.

SETLIST

“French Kiss” – Lil’ Loves

“Black Money”  - Culture Club

“Do They Know Its Christmas” - Band Aid

No iPod de Maurício Ianês: ouça Morrissey, Melvins e mais!

18/01/2010

por | Cultura Pop, Moda

Diretor criativo da TNG, braço direito de Alexandre Herchcovitch, artista plástico, diretor de arte: Maurício Iânes parece ter toque de Midas. Tudo em que toca vira ouro. Na Bienal para o desfile de Alexandre Herchcovitch, Ianês elencou cinco músicas que têm ouvido ultimamente – e as que não deixa de ouvir nunca.

Aperte o play:

Clipboard02Maurício Ianês abriu seu iPod (barulhento!) para o portal FFW © Becky Maynes / Agência Fotosite

“Big Church” - Sun (o)))

“Pornography” – The Cure

“Color Green” - Sibtyle Baier

“This Charming Man” – The Smiths

“Qualquer Uma!” - Melvins

“Late Night” - Morrisey

Lenda viva da Galeria do Rock, Calanca fala ao portal FFW

Por Patrícia Favalle

A 28ª edição do SPFW tem como ponto de partida o desfile da Cavalera, grife originalmente fundada por Igor, um dos membros do grupo Sepultura – indiscutivelmente a banda de heavy metal brasileira mais bem-sucedida de todos os tempos. A marca, conhecida por suas apresentações épicas em lugares como o Museu do Ipiranga, Autódromo de Interlagos e até as margens do Rio Tietê, desta vez elegeu a Galeria do Rock, no Centro de São Paulo, para desfilar sua coleção de inverno 2010.

Roupas pretas, cabelos desgrenhados (ou seriam meticulosamente descuidados?), tatuagens, brincos, piercings: embalados por riffs de guitarras inquietas, os corredores da Galeria traduzem perfeitamente as diferenças de sons e estilos em todas as suas vertentes. Por ali, entre os 450 estabelecimentos que vendem de camisetas a acessórios e hits de decoração, 190 são dedicados exclusivamente ao rock and roll.

galeria-do-rock-2A arquitetura moderna de Alfredo Mathias, de 1963, projetou os contornos do conjunto comercial mais headbanger de Sampa. Criada para ser uma espécie de Shopping Center, a Galeria do Rock deixou a vocação para o óbvio no passado e se atreveu a desbravar uma seara de ritmos mais intensos © Reprodução

Foi depois da instalação da produtora e gravadora independente, Baratos Afins, no final dos anos 70, que o lugar mudou o foco. “O comércio se transformou com a chegada de lojas especializadas em música”, diz Luiz Calanca, proprietário da Baratos. Daí até cair no gosto popular foi questão de tempo: e o destino arrematou também as agendas culturais alternativas. Entre apaixonados por The Beatles, Sepultura e Raul Seixas – que desfrutam de sedes particulares de fã clubes –, há ambientes especializados na colocação de piercings, estúdios de tattoo e até ateliês de alfaiataria. Com tanta diversidade e um público cativo – já passaram por lá gente como Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden; e Kurt Cobain (fundador e ex-vocalista do Nirvana) – a Galeria do Rock é um pólo de tendências.

Luiz Calanca, dono da loja Baratos Afins, foi também pioneiro na realização dos desfiles de moda no espaço da Galeria do Rock, isso na década de 80. Antes da estreia da Cavalera neste solo quase sagrado (para os roqueiros), o polêmico produtor cultural falou com exclusividade ao portal FFW.

Como você vê a importância da Baratos Afins para a identidade cultural paulistana?
É muito diferente quando ouço este tipo de coisa. Para mim, é simplesmente o meu ganha-pão. É daqui que mantenho minha família. Quando vim pra cá, há 30 anos, o perfil comercial do espaço era bem diferente, com quase todas as lojas dedicadas aos produtos de eletroeletrônica e de serigrafia. Eu havia comprado o local onde funcionava a Grilo Falante e trouxe o acervo adquirido com a antiga Wop Bop. Aliás, a denominação “Galeria do Rock” veio com a chegada de pontos voltados à música.

Como era antes?
O nome do edifício é Shopping Center Grandes Galerias, então dá pra imaginar que era uma chatice, não? [o projeto foi desenhado pelo mesmo arquiteto que assinou o Shopping Center Iguatemi, inspirado nas curvas ‘copanescas’ de Niemeyer].

luiz-calanca-baratos-e-afinsLuiz Calanca, fundador da Baratos e Afins: a loja desencadeou o movimento que transformou o Shopping Center Grandes Galerias em Galeria do Rock © Divulgação

Nesta trajetória de sucesso, o que mais te causa orgulho?
O acervo variado, os clientes que passam por aqui diariamente e o fato de nossa produtora ter contribuído para o surgimento de bandas incríveis, como o Ratos de Porão [a produtora Baratos Afins também lançou títulos exclusivos de Arnaldo Baptista, Mercenárias e Tom Zé]. Com a chegada da internet, a produção e a venda destes trabalhos deu uma esfriada. As pessoas baixam músicas sem respeitar os direitos morais e autorais dos artistas e dos profissionais envolvidos neste mercado. Espero que um dia a legislação alcance a velocidade das novas tecnologias.

O que você imagina que será melhor no futuro?
Acho que os “www” e os “http” serão substituídos por um grande sistema de pesquisa que fará da rede uma gigantesca versão das páginas amarelas. A frase de [Andy] Warhol que diz que todos terão direito a 15 minutos de fama amanhã será substituída por “todos serão famosos por conhecer 15 pessoas”.

Galeria do Rock
ONDE Rua 24 de Maio, 62
QUANDO De segunda a sexta, das 9h às 20h; sábados, das 9h às 17h.
COMO CHEGAR Veja o mapa

Baratos e Afins
CONTATO (11) 3223.3629‎
+ baratosafins.com.br

“A cópia não importa quando há interpretação”, diz Godfrey Deeny

15/01/2010

por | Moda

Eu sempre gostei de roupas, mesmo quando não entendia nada de moda“, conta Goodfrey Deeny. Autoridade no jornalismo de moda internacional, Deeny já foi diretor criativo da “Vogue Hommes”, editor-chefe do “WWD” e correspondente dos jornais mais importantes do mundo.  E bastou fazer uma única pergunta pra que ele disparasse a falar, compartilhando o seu olhar clínico para a moda e contando mil histórias. Deeny mostra que consegue ser tão boa-vida quanto workaholic.

Confira os melhores trechos da entrevista na sequência:

godGodfrey Deeny: jornalista de moda não se incomoda com a cópia quando há interpretação © Priscilla Vilariño/FFW

Antes da moda
Eu era muito mais sério! Trabalhava como correspondente da Dow Jones em Milão. Mas já fui jornalista de esportes, economia, música. Eu só comecei a  escrever sobre moda depois dos 29 anos.

Primeiro emprego
Foi no WWD em Paris. Era um cargo excelente: Andre Leon Talley e muitos outros passaram por lá. Fiquei alguns anos em backstages, aprendendo a língua mãe da moda, entrevistando Galliano, Lagerfeld, Albert Elbaz… E quando estava com uns 35 anos, percebi que havia construído uma reputação. Depois disso, você começa a destruir a sua reputação [risos].

Repertório amplo
Eu era um boêmio em Nova York no começo dos Anos 80. Frequentava as galerias do Soho, vi o começo do punk rock, o nascimento da MTV… Tive uma boa formação em cultura pop. Já tinha uma ótima formação em cultura erudita, então acho que foi isso que fez de mim um bom jornalista.

Conectividade
Sempre fiz conexões entre a moda e as outras áreas da cultura. E é essa a qualidade dos bons designers, dos bons jornalistas, dos bons cineastas. Quando você vai a um backstage da Prada, você não encontra só modelos lá. Martin Scorsese está lá. Artistas estão lá. Entende?

Fila A
A primeira fila é como bom vinho: você experimenta uma vez e não quer mais largar. Luxo é uma coisa viciante.

Correspondente de moda
A melhor parte [de ser repórter] é fazer um tour arquitetônico do mundo. No Rio, apesar de existirem limites por causa da violência, eu pude conhecer igrejas antigas, o Forte de Santa Teresa… Já estive em Veneza, na Ásia, em todo lugar [...] Quando fui diretor criativo da “Vogue Hommes”, podia realizar o que quisesse, existiam recursos. Por outro lado, você precisa sentar na primeira fila pra fazer negócios.

Cópia x Autoria
Sempre existe inspiração. Quando eu me visto de manhã, lembro de editoriais de “Vogue” que vi há 20, 30 anos. A cópia não importa quando há interpretação. O que considero ruim é quando não há visão nenhuma em cima da inspiração. E é o que acontece na maioria das vezes.

Alessa x Cópia
Eu gostei do desfile (veja fotos aqui). Estou certo de que ela se inspirou em uma nova designer londrina chamada Mary Katrantzou, que fez vestidos com estampas de frascos de perfumes. Procure o nome dela no Google. Essa garota, a Alessa, claramente se inspirou nela. Mas ela colocou na coleção o seu próprio charme, sua identidade, seu twist. E fez isso de maneira competente.

Moda brasileira
Gosto muito da Osklen. Sou viciado nas calças deles, como você pode ver [durante a entrevista, Godfrey usava um modelo da grife]. Em São Paulo, o Reinaldo Lourenço é o melhor de todos. Quanto ao Alexandre Herchcovitch, ele é um designer importante; mas já vi coleções muito ruins e muito boas dele. Entre os novos estilistas, a Patrícia Viera faz um dos trabalhos mais interessantes. Também gostei do Lucas Nascimento.