Já começaram os desfiles que marcam os lançamentos do Verão 2013 no Fashion Rio. Nos links abaixo você pode ler sobre as inspirações das marcas e ver as coleções completas, com a ferramenta superzoom que permite um olhar mais atento aos detalhes, além de fotos de beleza, acessórios e backstage.
A relação entre cinema e moda é, de forma indubitável, simbiótica. Involuntariamente – ou até voluntariamente – esses dois universos artísticos se influenciam e transformam o cotidiano em poesia, as formas e cores em tendências. O FFW selecionou alguns longas-metragens, clássicos e atuais, que representam em definitivo essa ligação. De Antonioni e Buñuel a Sofia Coppola e Tom Ford, assista aos trailers e deixe-se levar pela beleza e o drama tão inerentes a essas obras.
“A Bela da Tarde” – “Belle de Jour” (1967)
Luis Buñel consolidou o surrealismo na 7ª arte com seu grande clássico, obrigatório para estudantes de cinema, “Um Cão Andaluz” (1929). Em “A Bela da Tarde” (1967), Catherine Deneuve faz o papel de uma pacata dona de casa em Paris que decide viver suas fantasias sexuais, não supridas pelo seu marido, nas ruas, como uma prostituta em suas horas vagas. Com figurino de Yves Saint Laurent e com a musa da elegância no século 20, Deneuve, no elenco, a relação do filme com a moda fala por si só.
“Direito de Amar“ – “A Single Man“ (2009)
Dirigido pelo estilista Tom Ford, ex-diretor criativo da Gucci, este filme respira moda. Com Colin Firth e Julianne Moore no elenco, o trama aborda a vida de George, um professor de inglês em Los Angeles após a morte de seu namorado. Com pensamentos suicidas, George acaba influenciando aqueles à sua volta pelo peso do luto, enquanto isso, o personagem se prepara para a morte. Atenção a fotografia e a cenografia do filme, impecáveis. Entre outros destaques, está o figurino assinado por Arianne Phillips, e a presença estonteante da modelo brasileira Aline Weber.
“Barbarella“ (1968)
Um clássico do cinema trash sexual de ficção científica, “Barbarella” (1968) é tudo o que o “futurismo” sessentista tinha de melhor, incluindo o figurino, feito por Paco Rabanne, designer francês conhecido pela estética futurista em suas roupas. Na história, a personagem de Jane Fonda, Barbarella, é uma astronauta do século 41, que vai ao Planeta Lythion (!) para combater o vilão alienígena Durang Durang – sim, foi disto que a banda tirou o nome – na cidade de Sogo, curiosamente as duas primeiras sílabas de Sodoma e Gomorra.
“Dolls” (2002)
“Dolls” se destaca em relação aos outros filmes, tanto por ser o único não-ocidental, mas também por possuir um dos melhores figurinos na lista. Se há um mérito em que o cinema japonês se sobressai dos outros é o uso das cores. Com vermelhos saturados, brancos estourados e um belo uso de constrastes, a fotografia e direção de arte fazem um espetáculo a parte. Neste filme do diretor japonês Takeshi Kitano, são contadas três histórias, a de um amor em oposição às decisões da família, a de um mafioso Yakuza que vive a nostalgia de um amor perdido e a de um pop star desfigurado que se vê diante do fanatismo de sua maior fã.
“Flashdance“ (1983)
Dança é pura expressão corporal, e por este viés está relacionada com a moda. Um dos grandes clássicos sobre a dança é “Flashdance” (1983), onde Jennifer Beals faz o papel de Alex Owens, uma operária de dia e dançarina de boate à noite que treina incessantemente para tentar entrar em uma conceituada escola de ballet. Deste filme saiu a música Maniac, enorme referência cult nas boates hoje em dia.
“Laranja Mecânica“ – “A Clockwork Orange“ (1971)
Provavelmente a grande obra-prima de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica (1971) é um marco do cinema, tendo influenciado não somente a moda (veja o desfile de Alexandre Herchcovitch Verão 2011), mas também toda uma geração de artistas, seja pela paleta de cores (laranja, branco e preto), pelas interpretações ou pela direção de arte. É o cult no mais sentido mais completo do termo: cultuado. Na história, Alex DeLarge é o líder dos The Droogs, uma gangue suburbana em uma Inglaterra futurista. Eles se encontram todas as noites para espalharem o caos pela cidade, estuprando, espancando mendigos, roubando e matando. Eventualmente Alex é preso e submetido a uma lavagem cerebral que o torna dócil, transformando-o em uma propaganda para o governo.
“Maria Antonieta“ - “Marie Antoinette“ (2006)
Maria Antonieta foi a rainha da França e Navarra no século 18. A esposa de Luís XVI, é hoje uma das maiores representação icônica do luxo e da moda imperial. Tendo como residência, em maior parte de sua vida, o palácio de Versailles. Neste filme, protagonizado pela bela Kirsten Dunst e dirigido por Sofia Coppola, a história toma conta de sua ascênsão e declínio, que terminou com a perda de sua cabeça, literalmente falando, após julgamento durante a revolução francesa. No que diz respeito ao figurino, vencedor do Oscar em 2007, Milena Canonero criou uma infinidade de vestidos, que aliados com elaborados penteados e cerca de vinte sapatos especialmente criados por Manolo Blahnik, fizeram jus ao estilo vivido pela rainha.
“Velvet Goldmine“ (1998)
Um homônimo da música de David Bowie e com “Rise” e “Fall” no subtítulo, se torna óbvio que o filme trata da vida do artista britânico; mas não. Apesar de ser esta a intenção do diretor, Bowie não quis vender os direitos autorais de suas músicas, alegando pretender fazer ele mesmo um filme sobre o Glam Rock algum dia. Direitos à parte, é disso que o filme trata. Longe de ser somente um estilo musical, o Glam foi o estilo de uma geração, tendo influenciado a moda em todos os segmentos com seus couros, metais, cabelos vermelhos e poses à la Ziggy Stardust. Com Ewan McGregor e Christian Bale, o filme conta a história de de um repórter(Bale) que investiga a vida de Brian Slade (McGregor), um astro glam dos anos 1970.
“Bonequinha de Luxo“ - “Breakfast at Tiffany’s“ (1961)
Baseado no romance de Truman Capote, “Bonequinha de Luxo” (1961) traz o que pode ser considerado o principal papel de Audrey Hepburn no cinema. Paul Varjak (George Peppard), um escritor se muda para um apartamento em Nova York, onde começa a observar os costumes de sua vizinha, Holly Golightly (Audrey Hepburn), é uma acompanhante de luxo que esbanja sensualidade, classe e sofisticação nas festas da cidade, mas esconde uma personalidade frágil e metódica, fruto de problemas pessoais como seu casamento aos 14 anos e sua fuga de casa devido à pobreza familiar. Se há uma imagem que resume beleza e luxo no cinema do século 20, com certeza é a de Audrey Hepburn usando Givenchy com colar, luvas e seu cigarro na piteira.
“Studio 54“ (1998) e “Boogie Nights“ (1997)
Dois filmes sobre lendária discoteca de Manhattan e outro a indústria pornográfica na Californa, mas a mesma proposta: ilustrar o estilo de vida, comportamento e a moda nos anos 70. Em “Studio 54″ (1998) é contada a história de Steve Rubell (Mike Myers), o criador do clube que tinha como frequentadores praticamente todas as celebridades interessantes vivas nos anos 70. De Sinatra a Warhol e Michael Jackson a Woody Allen, a casa era o antro da cultura pop, onde fãs só podiam sonhar sobre as conversas que saiam do lugar. Pulando para outro mundo glamuroso, “Boogie Nights” (1997) se passa na outra costa dos Estados Unidos. Centrado na indústria pornográfica da California, onde Eddie Adams (Mark Wahlberg) conhece o diretor de cinema pornô Jack Horner (Burt Reynolds), que o transforma em Dirk Diggler, um astro da pornografia. Dois lados opostos do mesmo país e duas cenas sociais são unidas pela mesma palavra: glamour.
“Blowup“ – “Blow-up: Depois Daquele Beijo“ (1966)
Antes de qualquer coisa, “Blowup” (1966) é uma aula. Uma aula de semiótica, fotografia, moda e direção. Baseado no conto “As Babas do Diabo” (1959), de Júlio Cortázar, o filme de Michelangelo Antonioni também entra para a lista dos obrigatórios para qualquer estudante de fotografia e moda. No enredo, Thomas (David Hemmings), um fotógrafo de moda conceituado, divide seu trabalho com outros fetiches particulares. Durante o exercício de um deles, acaba fazendo imagens voyeurs de Jane (Vanessa Redgrave) e seu provável amante. Analisando as fotos, Thomas fica obcecado por um detalhe atrás de uma árvore, o que o leva crer que tenha ocorrido um assassinato no momento em que estava fazendo as fotos. Este foi um dos primeiros filmes na carreira de Jane Birkin, além de também mostrar a eterna musa da moda Veruschka em ensaios sexuais sensuais.
De há uns anos para cá, já se tornou comum ver nomes de designers que normalmente associamos a passarelas em vários outros tipos de negócio. Bares, restaurantes, hotéis e recentemente, feiras ou salões de móveis. Na mais importante de todas, o Salone Internazionale del Mobile, que acontece anualmente em Milão, as marcas Marni, Maison Martin Margiela e Hermès são algumas que este ano se destacaram. Mas não são os únicos com linhas para a casa. Missoni, Rick Owens, e até a fast-fashion Zara já criaram linhas “Home”, para quem quer vestir a sua casa exatamente com a sua cara.
A casa Hermès estreou no ano passado no Salão com uma coleção de mobiliário contemporâneo e repetiu o feito este ano, com a colaboração do arquiteto japonês Shugeru Ban, que criou uma instalação em painéis de alumínio coloridos, intitulada “Module H”, inspirada na arte nipónica do Origami, que pode ser usada para separar cômodos da casa. A Maison Martin Margiela, que já tinha apresentado a sua coleção em São Paulo, esteve presente também no salão italiano, no showroom dos designers de mobiliário Cerruti Baleri, com quatro ambientes diferentes, todos com uma inspiração surrealista, a que chamaram “Cher Voisins” (queridos vizinhos). A Marni apresentou este ano uma série de 100 cadeiras em PVC colorido feitas por ex detentos colombianos. O lucro da venda das peças será revertido a favor de uma instituição que ajuda os presidiários a se inserirem na sociedade.
Nem sempre as peças são feitas somente com a proposta de criar uma linha de mobiliário, muitas vezes elas nascem de uma vontade do designer de criar outra coisa que não roupas. Rick Owens, por exemplo, tem uma coleção de móveis que recheia a sua casa e agora exposições pelo mundo, com peças inspiradas em Michele Lamy, sua esposa, e que concretiza com a ajuda da mesma. Segundo o designer, é ela quem se responsabiliza por toda a produção, interagindo com os artesãos na procura de matérias primas originais e diferenciadas.
Se por um lado o designer, enquanto artista, sente necessidade de expelir a sua criatividade excessiva através de outras formas, por outro, o fato das marcas de moda venderem móveis não deixa de ser um bom negócio. As peças de mobiliário criadas por estilistas conceituados acabam sempre por refletir traços caraterísticos dos próprios e ainda carregam o seu nome, tradição e mais importante que isso, o seu estilo de vida.
No Brasil temos também alguns exemplos disso. A Tok Stok, marca de varejo para quem quer decorar a sua casa com móveis mais modernos sem estourar o orçamento é perita em fechar parcerias. A lista de designers (não só ligados à moda) que já criaram coleções para as suas prateleiras vai longe. Desde o arquiteto Marcelo Rosenbaum até os estilistas Alexandre Herchcovitch, Amir Slama e Ronaldo Fraga, todos criaram linhas, inspiradas em coleções desfiladas nas passarelas.
O designer Reinaldo Lourenço, que criou uma coleção especial para a Dell Anno, fala no vídeo abaixo sobre a estreita ligação que a moda tem com a decoração de interiores e com o design de móveis.
E parece que todos os designers ou diretores criativos dividem uma mesma opinião. Em sua visita ao Brasil, Eduardo Dente, diretor criativo da Maison Martin Margiela, quando perguntado sobre o que sentia ao unir moda com mobiliário, respondeu: “Não acha que são mais ou menos a mesma coisa? Todas são belas formas de arte.” E se todas são belas formas de arte, nada mais natural então deixa-las conviver no mesmo universo, o da beleza.
Em 2009, o mundo conheceu o filme “Avatar”, projeto ambicioso de James Cameron, que demorou quase 14 anos tirá-lo do papel. Apesar de que falar sobre a ambição e grandiosidade de filmes deste diretor é quase uma redundância, “Avatar” está no topo das bilheterias de todos os tempos principalmente por outro fator: a popularização do cinema 3D. Desde então praticamente não há um filme hollywoodiano de ação ou aventura que não tenha sido produzido usando tecnologia 3D, seja nas filmagens ou na pós-produção.
O WGSN fez uma matéria sobre o assunto, intitulada “O futuro do 3D na publicidade”, onde ressalta a importância de Hollywood para a popularização do 3D, que se tornou uma espécie de artimanha infalível para conseguir uma alta bilheteria. Assim, as pessoas começaram a pagar mais caro para assistir a filmes 3D que não acrescentavam em nada. Mas há esperanças. Jeffrey Katzenberg, CEO da DreamWorks Animation, diz acreditar no futuro do 3D: “Se você coloca ferramentas nas mãos de visionários, talentos verdadeiros, elas conseguem ser incríveis”.
Mas e quando isso irá sair de Hollywood? Já saiu e aos poucos está incorporando outros setores, principalmente o da moda. Não existe marca melhor para começar a falar de inovação do que a Burberry: já conhecida como a marca mais eficiente nas redes sociais, ela também foi pioneira no uso da tecnologia quando passou o vídeo do desfile de sua coleção Inverno 2010 ao vivo em 3D para fashionistas em Tóquio, Nova York, Paris e outras capitais. Pouco depois, a Armani Exchange soltou a sua campanha em 3D para a mesma temporada. Já em setembro de 2011, Nicola Formichetti realizou um vídeo para a Mugler em sua loja pop-up em Nova York, além de permitir que as pessoas interagissem com seus iPads.
Campanha 3D da Armani Exchange Inverno 2010:
Interação e realidade. É nestes fatores que Robin Harvey da Atelier, parte da agência de publicidade Leo Burnett, acredita que reside o verdadeiro futuro na moda. “A indústria de moda tem usado muito bem o 3D em projeções por mapping e hologramas”. A Ralph Lauren demonstrou isto em 2010, com projeções nas fachadas de suas lojas em Nova York e Londres. Já em abril de 2011, a Burberry realizou um evento para celebrar a abertura de sua nova loja em Pequim com mistura de projeção 3D com hologramas e modelos reais:
Para além do espetáculo
Para Norma Kamali, a tecnologia 3D pode e deve ir além do espetáculo. No final de 2011, Ermenegildo Zegna lançou sua loja online 3D, onde a atriz Milla Jovovich aparece como hostess de um ambiente onde o usuário pode navegar pelas prateleiras e vestir modelos com suas roupas. Até um novo nome está sendo promovido pelo criador do conceito, James Lima, que também trabalhou em “Avatar”. Em vez do website, temos o webplace.
As marcas Brooks Brothers e a Selfridges também pensam da mesma maneira e criaram um sistema onde um leitor faz uma leitura do corpo do cliente para que este possa “experimentar” roupas em suas lojas virtuais. Apesar de ser uma ideia genial, a tecnologia ainda é cara demais para ser encontrada em qualquer lugar.
Loja virtual 3D da Ermenegildo Zegna para o iPad:
O que o futuro nos reserva?
Apesar de parecer perfeitamente engatilhado, Robin Harvey da Atelier diz que tudo irá depender do sucesso da tecnologia, ou seja, se as televisões 3D começarem a ser vendidas, o mercado irá atrás, mas não é o que está acontecendo agora. O cinema parece estar bem consolidado quanto a isso, mas não se vê ou ouve falar de muitas pessoas que compraram um aparelho 3D para suas casas.
É claro que o otimismo prevalece. No mundo da moda, o 3D ainda está em fase de experimentos, mas o que todos ressaltam é a importância de se ter em mente que o seu uso deve ter um sentido, uma utilidade, e não somente ser usado para encantar o público. Nas palavras de Chris Spencer, diretor da Brand Transparency: “Atualmente me parece que o 3D é um brinquedo. Com o tempo nós vamos ver um firmamento entre o entretenimento, info-entretenimento, brand utility e brand experience”, com os dois últimos termos se referindo a elementos em produtos que deem sentido e agreguem um valor às vidas de quem os consome.
“Então eu chego ao desfile cerca de uma hora antes de começar e a primeira coisa que vejo é a maquiagem sendo feita. Como eu vou conseguir reinventar a fotografia disso se já é o meu décimo desfile? Eu não sei. Já tinha visto tudo aquilo antes, mas então noto que a legião de fotógrafos não está prestando atenção no que me interessa. Eles estão fazendo fotos comerciais de beleza, rostos e roupas, que é o que vende”. Esta frase foi retirada do blog do fotógrafo britânico – e membro da lendária agência Magnum Photos – Martin Parr, no post em que conta como foi fotografar o backstage do desfile da Dior logo após o afastamento de John Galliano, em março de 2011. Este comentário mostra a diferença de olhares dos fotógrafos que cobrem uma semana de moda. Escolas, visões de mundo e referências diferentes resultam em imagens distintas, como você pode ver abaixo, em fotos ora belas, ora inusitadas ou divertidas.
O blog Big Picture, criado por três editores de fotografia do jornal ”The Boston Globe”, mostra três vezes por semana uma seleção das melhores fotos de acontecimentos importantes do mundo todo. Uma das últimas atualizações foi sobre a semana de moda de Nova York, com cliques de fotógrafos de agências renomadas como Reuters, Associated Press e Getty Images. Como é de se esperar, as imagens não são como as que comumente vemos publicadas em veículos de moda. A estética com a qual estamos acostumados dá lugar a toques de humor, composições geométricas minimalistas, com ângulos e momentos diferentes, que às vezes não favorecem a “beleza” das modelos. Na escolha destas fotos, a importância não está em ressaltar quem é a modelo ou qual marca está desfilando, mas sim em mostrar imagens poéticas e atraentes que traduzem o tema em questão. Como o próprio subtítulo do blog diz: “notícias por meio de fotografias”.
A Harvard Business School, localizada em Boston, nos Estados Unidos, é uma das escolas de pós-graduação mais prestigiadas do mundo, conhecida por formar visionários do mundo dos negócios. O que se tem observado agora é que cada vez mais, esses visionários se interessam pelo negócio da moda e estão trazendo para esse universo não só todo o conhecimento de uma instituição histórica, como também uma maior visão de negócio para o mercado. E claro, tudo aliado ao fluxo crescente de novos modelos de negócio de comércio online.
O sucesso de sites de vendas de marcas de luxo online como o Net-a-Porter, LuisaviaRoma e o pioneiro Gilt Group, fundado por duas alunas de 2004 de Harvard, Alexandra Wilkis Wilson e Alexis Maybank, prova que o estigma de que “comprar online é comprar pior” morreu, e traça novos caminhos para o comércio de moda.
Foi aliás com o Gilt Group que muitos dos empresários saídos de Harvard começaram a analisar o modelo de negócio da área da moda e a encontrar oportunidades em criar novos modelos. Aslaug Magnusdottir, fundadora do Moda Operandi, site especializado em vender peças quase diretamente da passarela, cita as fundadoras do Gilt como “inspirações para quem quiser transformar as ineficiências da indústria de moda tradicional em oportunidades de sucesso de compra e venda online”. Outras menções honrosas para graduados da Harvard Business School vão para Jinhee Anh Kim e Sarah Paiji, que fundaram o Snapette, aplicativo que permite aos usuários fotografar uma peça de roupa ou um acessório bacana, partilhar essa foto e encontrar qual o local mais próximo onde podem encontrar esse item, através do sistema de GPS do celular; e ainda para o Rent The Runway, fundado por alunas formadas em 2009, Jennifer Hyman e Jennifer Fleiss, que permite alugar peças da passarela. Hoje em dia, o Moda Operandi e o Gilt Group são estudados em Harvard como casos de sucesso.
As marcas de luxo tornaram-se acessíveis a mais pessoas devido a estas evoluções de modelos de negócio que, coincidência ou não, são vistas como resultado da crise financeira global que fizeram com que os consumidores atuais repensassem seus hábitos de consumo, dando mais valor a sua compra.
Para isso, as pessoas veem os sites multimarcas de luxo como aliados – eles não apenas agregam as melhores marcas de luxo em um só lugar, como conseguem baixar os preços devido ao baixo custo de manutenção da plataforma (nada, se comparado com uma loja na Quinta Avenida em pleno coração de Manhattan), e também agem como uma curadoria no grande e confuso mundo da internet.
E, mais importante que isso, os alunos de instituições prestigiadas e voltadas para os negócios como a Harvard Business School perceberam essa oportunidade e querem responder ao consumidor de uma forma cada vez mais profissional e rentável.
Seguindo o calendário internacional, chegamos à semana de moda de Londres para o Inverno 2012/2013. Segunda na sequência que inclui Nova York, Milão e Paris, a capital britânica é palco de diversas marcas e estilistas conhecidos, como Burberry, Vivienne Westwood e Mark Fast, entre outros. Confira abaixo as fotos das coleções mais importantes, com os links para a nossa seção de desfiles, onde você poderá ver com detalhes todos os looks na nossa ferramenta de superzoom.
Partindo da ideia de “roupas de fim de semana ou de descanso, o tipo de coisa que você veste quando está confortável em casa”, a estilista Roksanda Ilincic apresentou um Inverno 2012/2013 bastante comercial e fácil de usar — embora seja difícil imaginar alguém que se contente em usar essas peças só para ficar em casa. Alguns momentos da apresentação surgiram mais pesados, com o uso de muita pele de raposa e de proporções exageradas. Os melhores looks, porém, foram os que seguiram a proposta inicial da estilista, de elegância clean.
Pela primeira vez apresentada em forma de desfile desde a sua criação, há seis anos, a McQ mostrou um Inverno 2012/2013 elogiado, que a “Vogue” britânica definiu como “sensacional”. A inspiração foi claramente militar, mas sob a batuta de Sarah Burton, a coleção teve um equilíbrio certeiro entre impacto visual, rigor técnico, usabilidade e feminilidade. Os looks começam com mais severidade, fechados, em cores escuras, mas rapidamente vão ganhado leveza — especialmente na parte feminina. Rendas, transparências, cores vivas, tules e adornos florais vão aparecendo look a look, até culminarem na entrada final, protagonizada por Kristen McMenamy, em um vestido branco acinturado de comprimento midi, com camadas e mais camadas de tule.
Com o tema “Cidade e Campo”, Christopher Bailey propôs a criação de uma ponte que unisse esses dois estilos divergentes; o resultado, como engraçadamente resumiu Suzy Menkes, do “International Herald Tribune”, pode ser “aproximadamente traduzido em luvas cravejadas de tachas segurando bolsas com enfeites de animais”. Piadas à parte, a Burberry apresentou um Inverno 2012/2013 prático, jovial e desejável, com ótimas opções de ternos com gravata skinny para eles, e muitos casacos e saias com babados diagonais para elas. Os enormes bolsos laterais e o peplum que veio em grande parte dos looks podem ser um desafio para a vida real, mas eles criaram um efeito bonito na passarela. Detalhe para as luvas com tachas citadas por Suzy Menkes, e para os guarda-chuvas com alças em formatos de cabeça de cachorro e pato, usados ao fim do desfile, que teve chuva artificial.
O ponto de partida de Christopher Kane para esta temporada foi uma imagem clicada pelo fotógrafo Joseph Szabo que mostra uma garota usando um vestido de moiré. E esse visual de tecido ondeado realmente veio forte na coleção, mas o estilista escolheu trabalhar com muitas outras texturas em combinações inusitadas, mas que, ainda assim, resultavam em looks sóbrios e usáveis. Como escreveu Suzy Menkes, do “International Herald Tribune”, Christopher Kane “cuidadosamente trabalhou para fazer tecidos inesperados, combinações estranhas e construções sutis parecerem enganosamente simples” — o grande trunfo do estilista.
Representante da frente de grifes da London Fashion Week que têm como principal atrativo o trabalho de estamparia, a Peter Pilotto não decepcionou os fãs nesta temporada e apresentou uma coleção vibrante inspirada em subculturas asiáticas. Azuis, amarelos e verdes foram as cores principais do Inverno 2012/2013 da marca, que aproveitou as estampas gráficas em praticamente todos os looks da coleção — e mesmo quando a peça não levava a estampa, ela vinha com o padrão de cores ácidas da temporada, como foi o caso das peles de raposa. A silhueta veio seca e ajustada ao corpo (mas sem restringir os movimentos), e com muitos detalhes de vazados e tiras transpassadas na parte do colo dos vestidos. Ponto para as jaquetas da coleção, volumosas e atraentes.
Em 2012 Matthew Williamson completa 15 anos de marca, e para este Inverno 2012/2013, ele apresenta uma coleção que mistura passado e futuro com referências setentistas e do look boêmio que o fez famoso, combinados a elementos com um quê de futurismo/tecnologia — como as estampas do início do desfile, que lembram circuitos elétricos. Apesar de este ser um desfile de inverno, há relativamente poucas propostas de casacos e jaquetas; o foco ficou com os vestidos de festa, especialidade de Williamson. Destaque para os vestidos curtos, sem mangas e de silhuetas básicas, próximas ao corpo, mas com o detalhe sensual do vazado na altura das costelas.
Vivienne Westwood decidiu baixar o tom da teatralidade do desfile para este Inverno 2012/2013 (vide a maquiagem e cabelos-statement de estações passadas, combinadas às caras e bocas que as modelos faziam para os fotógrafos), mas isso não quer dizer que a estilista estivesse fugindo de suas raízes. Muito pelo contrário: a proposta da marca para esta temporada foi justamente falar sobre o espírito britânico, usando como meio a combinação do domínio técnico da alfaiataria + a subversão e irreverência que caracterizam o trabalho da estilista. Na passarela, muitos casacos e jaquetinhas assimétricas, peças amplas cheias de movimento, estampas étnicas e o clássico xadrez, e o detalhe das tatuagens desenhadas nas pernas, mãos e pescoço das modelos.
Inspirada na ideia de uma jornada de Moscou a Pequim, a estilista brasileira Daniella Issa Helayel apresentou uma coleção recheada de referências às roupas usadas na Rússia, Mongólia, Índia e China. Combinações estampadas de vestido + legging surgiram em várias estampas étnicas, seguidas por looks com chapéus e adornos de peles e peças bordadas com motivos chineses. No tudo-ao-mesmo-tempo-agora que foi o desfile, que incluiu por exemplo um look bordado com manguinhas de pele com legging de veludo, houve espaço também para vestidos com um quê de anos 1930, além, é claro, de peças prontas para virarem parte do guarda-roupa de Kate Middleton, cliente mais famosa da Issa.
Pensando na possibilidade de que 2012 marque mesmo o fim do mundo — e aproveitando o lado libertador dessa ideia — a Basso & Brooke apresentou uma coleção desenvolvida sobre um sentimento de liberdade. Bruno Basso, metade da dupla responsável pelas estampas, após ler a biografia de Matisse, se inspirou pela maneira como o artista, ao fim de sua vida, passou a se permitir explorar novas possibilidades de criação com o trabalho de colagens. Assim, para o Inverno 2012/2013 da Basso & Brooke, as famosas estampas da grife vêm com cara nova, assimétricas e quase como colagens de várias estampas e texturas maximizadas. Por sua vez, livre da “obrigação” de ter que respeitar a simetria das estampas, Christopher Brooke teve mais liberdade para controlar o corte das peças. O resultado foi uma coleção cool e que trouxe, além da novidade das estampas assimétricas, o destaque para o knitwear e para as ótimas bolsas estampadas em parceria com a Cambridge Satchel Company.
Como em todo grande setor, acabamos sempre esbarrando em notícias sobre casos de disputa de direitos autorais, acusações de plágio e outros assuntos em que os fashionistas não se animam muito em participar. Para discutir estes e outros temas foi criado um novo termo, o Fashion Law, cujo conceito já é bem conhecido no exterior, contando até com um curso específico na Fordham University em Nova York. A importância do assunto está presente em todas as fases da indústria da moda: desde a criação até a confecção, processos de importação e divulgação do produto. Pela primeira vez no Brasil, teremos um evento para tratar especificamente destes problemas.
Marcado para o dia 8 de dezembro, o 1º Seminário Brasileiro de Direito e Moda terá nove painéis, em que especialistas em direito irão abranger temas como burocracias durante importações, confecção, registros e patentes, direito da imagem, contratos, e-commerce e produtos piratas. O evento pretende atrair estudantes e profissionais da área de advocacia e, é claro, da moda, já que é essencial que se tenha conhecimento da legislação vigente para que o estilista saiba proteger seu nome e suas criações. Além disso, tal conhecimento ajuda o designer a não se tornar uma vítima de processos burocráticos que podem vir a prejudicar a marca, os produtos e consequentemente os consumidores. Apesar dos temas serem focados no setor da moda, são também de interesse geral para qualquer profissional da área criativa, como fotógrafos, designers gráficos , artistas, jornalistas e muitos outros.
Confira abaixo a programação do seminário:
8h00 Recepção e credenciamento
9h00 Abertura
9h20 A Moda fora da vitrine Palestrante: Carlos Magno Corrêa Gibrail • A transformação do conceito de Moda
• Comunicação através da Moda
• A Moda como indústria e negócio
10h10 A cadeia da Moda – do croqui às prateleiras Palestrante: Sara Matenauer Zutin
Diplomatizar Assessoria e Consultoria
• A relação entre o Direito e as etapas do ciclo produtivo
• Burocracias para confecção, exportação e importação de produtos
• Meios para evitar autuações e o que fazer quando elas ocorrerem
11h00 Intervalo
11h15 A proteção da criatividade – transforme suas idéias em um negócio lucrativo Palestrante: Paulo Mariano (Mariano, Prado & Associados)
• Necessidade de proteção através de registros e patentes
• Proteção como estratégia negocial
• Cuidados necessários para exportação
12h05 Desvendando os contratos no universo da moda Palestrante: Advogado Especialista
• Principais contratos utilizados na indústria fashion
• Peculiaridades das cláusulas contratuais na área da moda
12h55 Almoço
14h00 A proteção da imagem pública Palestrante: Mariana Hamar Valverde Godoy e Michelle Hamuche Costa (Valverde Advogados)
• O Direito de Imagem no mundo Moda
• Riscos na utilização indevida de imagens
• Cases
14h50 Pirataria na Indústria Fashion Palestrante: Maria Fernanda Pallerosi Suplicy (Advocacia José Del Chiaro) • Limites entre fonte de inspiração e cópia não autorizada
• Prejuízos da Pirataria para indústria da Moda
• Imitação dos sinais de uma marca para desvio de clientela
15h10 Debate- Produto pirata: herói ou vilão? Participantes: Maria Fernanda Pallerosi Suplicy, Juliana Ali (Mediadora) e Membro da ABIT
15h50 Intervalo
16h20 Cases
Stroke – Inovação para vencer no mercado global Palestrante: Executivos
Fashion.Me – A transformação no consumo da Moda Palestrante: Lígia Dutra
18h00 Encerramento
1º Seminário Brasileiro de Direito e Moda – Fashion Law Brasil
Quando: 08 de dezembro, das 9h às 18h. Onde: Rua Tabapuã, 81, Itaim Bibi – Auditório Térreo – São Paulo
O Instituto Rio Moda e a Casa Electrolux foram os anfitriões de um bate-papo entre a estilista Lenny Niemeyer, o designer Guto Indio da Costa e o vice-presidente global de design da Electrolux, Henrik Otto. Moda e design foram os temas centrais da conversa que envolveu os convidados na última quinta-feira (20.10), na Casa Electrolux, flagship store da marca, em São Paulo.
A jornalista Alexandra Farah foi a mediadora do debate que começou com cada um apresentando o seu trabalho. A estilista Lenny contou de como começou a fazer seus biquínis no Rio de Janeiro há 30 anos e que há 20 criou sua marca própria e começou a se firmar como estilista. Guto Indio da Costa é designer e possui um escritório onde a equipe cria “em um dia barcos, no outro, fogões e geladeiras, depois quiosques de praia”, segundo o próprio. Quem completou o time de debatedores foi Henrick Otto, que comanda de seu escritório em Estocolmo, na Suécia, o design global da Electrolux.
A discussão começou pela frase do designer francês Philippe Starck, citada pela mediadora: “O design no século XXI vai ser imaterial e humano”. Guto disse que o design caminha cada vez mais para recursos de interação rápida e fácil e destacou que hoje em dia, a vida é muito virtual. Sobre este fato, Lenny confessou: “Só há um ano comecei a conseguir fazer trabalhos como estudo de cores no computador”, mas em contraponto, seu trabalho usa muitos materiais tecnológicos. Já Henrik afirmou apostar na performance como ponto fundamental dos produtos atuais de design.
Foram levantadas questões interessantes como um apelo ao retorno das texturas. Henrik disse que a tecnologia touch não traz nenhum apelo para o tato, e que ela é um dos exemplos de como o design está começando a esquecer a “poesia” dos produtos. “Você às vezes fica fascinado pelo produto antes mesmo de saber o que ele é”, destacou.
Uma discussão que não poderia faltar, claro, são as diferenças e semelhanças entre moda e design de outros produtos. Lenny destacou a importância de inovar na moda. Segundo ela, suas clientes, por mais que optem muitas vezes por modelos clássicos como os de lacinho nos lados, gostam de saber o que tem de novidade, o que a marca está fazendo. “As coisas não evoluem na moda, no sentido de uma mesma peça ser melhorada. Cada coleção nova tem de surpreender”, defende.
Guto concorda que a efemeridade na moda é inegável, e que os produtos se transformam muito rápido, mas ele acredita que o design também pode ser descartável. “O design que perdura tem que ter muita qualidade. O bom design permanece, por que a moda não pode permanecer também?”, levantou o questionamento.
Ao final, o público pôde fazer perguntas aos debatedores e uma das conclusões da noite – que conseguem resumir bem a discussão que aconteceu – foi de Henrik, que definiu que atualmente, as pessoas estão em busca de produtos capazes de ser, de certa forma, uma extensão de cada um. “As pessoas vão atrás de produtos que reflitam sua personalidade, que funcionem como uma extensão de como você quer ser visto”, concluiu. Você concorda?
Para quem cresceu assistindo aos clássicos da Disney, os vestidos usados pelas personagens principais são bastante icônicos e memoráveis. Quem nunca se encantou com o vestido de baile da Cinderela, que desaparecia após as 12 badaladas, ou com o rodado amarelo usado por Bela para dançar com a Fera?
No entanto, a ilustradora Claire Hummel, de Los Angeles, percebeu que ninguém tinha parado para pensar se as vestimentas das meninas da Disney tinham precisão histórica, ou seja, se fariam sentido no contexto histórico no qual se passava a história. Claire decidiu então fazer sua pesquisa, e embora o resultado seja um tanto diferente daquele tão vívido na memória popular, traz uma visão interessante de história da moda.
+ Confira na galeria as versões refeitas dos guarda-roupas Disney:
Diogo Veiga, Fabiano Faccini, Fred Motta, Gabriel Martinez, Leo Calil, Leo Capote, Marcelo Stefanovicz, Paulo Bega, Sandro Mencarini… Quem acompanha a última década da moda no Brasil certamente lembra de ao menos um desses nomes.
Tops em um mercado em que geralmente são as meninas que mais se destacam, os modelos mencionados acima marcaram época e fizeram, cada um a seu modo, um pouco de história.
Anos depois e afastados do mondo modelo, casaram, tiveram filhos, mudaram de profissão, se reinventaram… No texto a seguir você reencontra e descobre por onde andam e que caminhos percorreram estes veteranos das passarelas e campanhas…
Quanto tempo trabalhou como modelo? Comecei no primeiro semestre de 1998 e de vez em quando ainda pego uns trabalhos…
Como começou? Fui convidado para participar do Dakota Elite Model Look de 1997, em Santa Catarina. Ganhei e vim para São Paulo trabalhar na Elite.
Por que parou? Necessidade de mudança. Também não queria esperar a carreira acabar pra depois ter que correr atrás de outra coisa.
Melhor lembrança da época de modelo? São muitas! Fiz muitos amigos que tenho até hoje. Mas as oportunidades de morar na Europa e conhecer muitos lugares maravilhosos, adquirir culturas diferentes e aprender outras línguas, tudo isso é inesquecível.
E a pior lembrança? Não tenho.
O que faz hoje? Era gerente da Diesel, do Iguatemi, mas agora não estou trabalhando…
Família? Moro com minha mulher há um ano e não temos filhos. Ela trabalha com produção de moda na Mint e também como hostess no D-Edge.
Como começou? Em 1997 eu tinha 19 anos, era treinador no Mc Donald’s no shopping Beira Mar, em Florianópolis, e estava no caixa quando atendi um grupo de cinco garotas que usavam uma blusa escrito “Projeto Modelo”, que era um projeto em Florianópolis de um rapaz chamado Elian Gallardo. Elas me perguntaram se eu já havia pensado em ser modelo. Eu falei que não, que nunca tinha pensado. Elas me deram o telefone do Elian pois achavam que eu levava jeito. Pouco tempo depois participei do concurso Dakota Elite Models Look e fui um dos três escolhidos para entrar na Elite. Passei por algumas agências até entrar na agência L’Equipe onde trabalhei por oito anos.
Por que parou? Parei de modelar porque já tinha 29 anos e o mercado da moda exige novos rostos e eu também buscava uma nova rotina com maior estabilidade. Vida de modelo nem sempre é fácil, né..? Então durante um showroom para a Calvin Klein Jeans surgiu a oportunidade de trabalhar em uma nova loja da Calvin como vendedor e topei. Para mim foi um desafio pois não tinha experiência no varejo.
Melhor lembrança da época de modelo? São várias, como as viagens para trabalhos no Brasil e no exterior e os grandes desfiles.
E a pior lembrança? O que não deixou muitas saudades eram alguns castings que demoravam uma eternidade. Já esperei nove horas para fazer um casting, realmente não é nada agradável…
O que faz hoje? Hoje sou Gerente da Calvin Klein Jeans do Morumbi Shopping.
Família: Tenho uma namorada há quatro anos, a Priscila, que é esta comigo nesta foto em Florença. E a outra foto é uma foto do meu book que eu gosto muito, feita por um grande amigo meu, Carlo Locatelli.
Quanto tempo trabalhou como modelo: 13 anos e pretendo continuar!
Como começou? Saí de BH com 17 anos para jogar vôlei pelo Pinheiros. Um dia fui dar uma volta no shopping Iguatemi e uma pessoa me convidou para ser modelo, não levei muito a sério pois meu foco era ser jogador de vôlei. Só que comentei com meu pai, que achou legal, e me levou a uma agência de modelos. Ele acertou com um fotógrafo para fazer o meu book e foi embora para BH. Alguém da Ford viu essas fotos, entrou em contato comigo e acabei já assinando um contrato com eles. Estou lá até hoje!
Melhor lembrança da época de modelo? Tenho ótimas memórias, de muitas viagens e amizades que fiz ao longo desses anos. Tive várias fases, fases de morar com uma galera, bagunça e fase de curtir minha esposa, como nós fizemos em Nova York… Foi sensacional e sinto saudades!
O que faz hoje? Minha esposa e eu administramos um complexo automobilístico, o ECPA, em Piracicaba, além de trabalhar como modelo.
Família? Hoje sou casado com a Daniella e pai de dois filhos maravilhosos: a Vitória, de sete anos, e o Pedro, de sete meses.
Quanto tempo trabalhou como modelo: Uns cinco anos.
Como começou? Comecei em 1999 e fui até 2003. Fiz muitos trabalhos bacanas, como Dolce & Gabbana, Thierry Mugler, Zoomp, Vila Romana, Aramis. Também desfilei na temporada de Paris para Dior e outras marcas e fiz ensaios para “Vogue”, “Elle”, “Nova”, “Marie Claire”, “GQ”, campanha da Galeries Lafayette, lançamento do Mercedes Classe A no Brasil…
Por que parou? Gostei muito de ter trabalhado como modelo e não trocaria por nada as experiências que tive, mas nunca me adequei a ideia de que, por mais que eu me esforçasse e me dedicasse à profissão, no fim das contas o que realmente é considerado é o gosto do cliente pela sua aparência física. O modelo é um objeto, um produto. Nada de errado com isso, mas me incomodava.
Melhor lembrança da época de modelo? Viajar e conhecer diversos lugares com certeza é uma das melhores coisas do mundo. Lembro que em 2001 eu não parava quieto e estava sempre em um lugar diferente, o tempo parece que rende mais. Cada semana pode render uma experiência nova. Hoje em dia, com o meu trabalho, a rotina não nos reserva grandes surpresas e os meses passam sem a mesma intensidade de quem viaja.
E a pior lembrança? Da insegurança de não saber se na semana seguinte eu teria um trabalho. De ir a castings e esperar para ser analisado se servia ou não para aquele trabalho.
O que faz hoje? Tenho uma produtora, a Lado B. Sempre gostei de vídeo. Desde pequeno brincava de fazer filme com os amigos. Enquanto era modelo, já comprava revistas especializadas em vídeo. Ficava deslumbrado com essa área. Em 2004 comecei a trabalhar numa produtora de filmes comerciais e após dois anos de muito trabalho, decidi abrir a produtora com um amigo que conheci lá. Em 2006 inauguramos a Lado B. Como tenho que tomar conta de empresa, também tenho que absorver a função de financeiro (pagar contratados, pagar impostos, pagar contas…). Mas o meu maior prazer é trabalhar com animação. Dá uma olhada nos trabalho que ele já fez aqui…
Como começou? Depois de minha mãe insistir muito, entrei em uma agência no interior de São Paulo, depois fui convidado para uma agência de SP.
Por que parou? Porque essa profissão tem data de validade e já não estava me agregando mais nada… Resolvi seguir outro rumo.
Tem saudades dessa época de modelo? Qual sua melhor lembrança desse período? Olha, saudades não tenho. Mas tenho muitas boas lembranças. A melhor foi a primeira vez que cheguei em Paris a trabalho. Tudo novo e diferente.
E a pior lembrança? Foi quando cheguei em Milão. Me disseram que estava tudo certo sobre a agência adiantar meu apartamento e quando cheguei lá não foi bem assim. Tive que me virar para arrumar um canto pra mim. Se não fossem meus amigos… E algo que não tenho saudades nenhuma é do meio. Muito fútil, também pudera trabalhar com a imagem…
O que faz hoje? Consultor imobiliário.
Família? Namoro há quatro anos, não temos filhos. Minha namorada é estudante de RH.
Como começou? Fui acompanhar um amigo que já era modelo em um teste e fui chamado para trabalhar também.
Por que parou? Sempre tive outro ramo de atividade no qual sou formado, que é o design.
Melhor lembrança da época de modelo? São as viagens, os lugares que visitei, amigos que ganhei. Dá uma saudade…
E a pior lembrança? Momentos difíceis, como a falta de trabalho no exterior estando longe de tudo e de todos, e também pagar excesso de bagagem (rs).
O que faz hoje? Trabalho como designer e cuido da loja de ferramentas do meu avô, Casa das Três Meninas, em Santa Cecília. A loja tem 56 anos, foi onde cresci. Depois que meu avô faleceu, passei a cuidar diariamente dela.
Família? Sou casado há oito anos, tenho uma filha de três anos e um enteado de 11. Minha esposa trabalha na administração de um escritório de arquitetura.
Como começou? Por meio de um convite de uma scouter.
Por que parou? Tudo começou como uma brincadeira, mas nunca imaginei que isso perduraria mais que um ou dois anos. A brincadeira virou trabalho sério, porém não me satisfazia e profissionalmente eu tinha outros planos.
Melhor lembrança da época de modelo? São várias, todo o tempo que morei em Paris foi ótimo. Saudades principalmente de alguns amigos com os quais não mantive contato.
E a pior lembrança? A vontade de voltar para casa durante a primeira viagem a Milão.
O que faz hoje? Trabalho com arte, design, fotografia mais ou menos nessa ordem.
Família: “Casamento moderno” sem papelada e por enquanto sem filhos. Minha namorada é estilista (Marcelo namora Carina Duek).
Quanto tempo trabalhou como modelo: oito anos, de 1998 a 2006
Como começou? Conheci uma menina, com 18 anos, que me apresentou à profissão. Mas antes trabalhei por quatro anos como jardineiro, estoquista da marca Explosão e como militar. Depois fui procurar a L´Equipe e tudo começou a rolar.
Por que parou? Parei porque cheguei a um ponto em que não tinha mais cara de menino, mas também não tinha cara de homem. Deixei a profissão e fui trabalhar na Diesel, como vendedor.
Melhor lembrança da época de modelo? Todas as viagens que fiz e lugares que conheci, ainda mais sendo pago por isso! Viajei para muitos países e aprendi a falar italiano e inglês.
E a pior lembrança? Acho que é sempre quando você descobre que não é mais fashion para o mercado.
O que faz hoje? Depois da minha experiência na Diesel, estou prestes a começar minha própria marca, mas é algo que vai acontecer mais para o fim do ano
Família: Namoro há seis anos e minha namorada é gerente da Lacoste da Oscar Freire.
Entre os inúmeros blogs de street style um se destaca por ser focado em um tipo diferente de fotografado. No “Advanced Style” seu criador e editor Ari Seth Cohen percorre as ruas de Nova York procurando os idosos mais estilosos e criativos. “Respeite os mais velhos e deixe essas senhoras e senhores ensinarem algumas coisas sobre viver a vida. ‘Advanced Style’ oferece prova de que o estilo avança com a idade”, afirma Cohen em seu perfil no blog.
O blog começou em agosto de 2008, quando Ari percebeu pelas ruas de Nova York muitas senhoras e senhores carregando um estilo apuradíssimo com o tempo. Diferente de muitos sites que retratam a moda na rua, no Advanced Style, Aria não publica apenas fotos feitas por ele, ele também edita retratos de idosos estilosos que chegam do mundo inteiro.
As principais inspirações de Cohen para criar o endereço foram sua avó e a atriz e modelo Mimi Weddells, que fez sucesso nessas profissões depois dos 60 anos. Foi logo depois de assistir o documentário “Hats Off” sobre a vida de Mimi — e de fotografá-la — que ele decidiu começar o blog.
O site “Nowness” apresentou um curta produzido por Ari Seth Cohen e dirigido pela cineasta Lina Plioplyte conversando e mostrando o estilo de algumas senhoras nova-iorquinas que têm lições preciosas a ensinar. Elas contaram o que acham chic, como se vestem e de onde vêm suas escolhas.
Em entrevista ao “Nowness”, Ari Seth Cohen contou que ele ainda gostaria que China Machado (a musa de Richard Avedon nos anos 60), Jane Schmitt (que recentemente apareceu na campanha da coleção da Lanvin para a H&M) e Yoko Ono aparecessem em seu blog. Ari disse também que acredita que muitas jovens estão se apropriando do estilo das mulheres mais velhas. “Estampas de animal, pele, turbantes e chapéus são coisas que mulheres mais velhas usam naturalmente, com mais confiança. Com o blog, não quero apenas mostrar como as mais velhas são criativas e vitais, mas também mostrar que as pessoas não precisam ter medo de envelhecer”, contou.
Veja algumas fotos do Advanced Style na galeria e veja o que os mais experientes têm a ensinar sobre estilo.
Os interessados em moda que estiverem em São Paulo no final de janeiro não têm desculpas para não se aprofundarem nesse universo: além do SPFW, acontece na capital paulista a Mostra Cinema de Moda, que tem como uma de suas atrações o desfile “Por Mares Nunca Dantes Navegados”, inspirado nas poesias dos escritores Luis de Camões e Fernando Pessoa.
A apresentação, gratuita e aberta ao público, vai exibir 10 looks de novos estilistas sob a proposta de criar novas linhas a partir de trajes antigos e de expressar o mar, o ar e a terra vistos pelos navegantes portugueses que desembarcaram por aqui. A performance vai começar dentro do Centro Cultural Banco do Brasil e seguir ao ar livre pela Rua Álvares Penteado antes de retornar ao ponto de partida.
O desfile “Por Mares Nunca Dantes Navegados” é apenas uma das atrações da Mostra Cinema de Moda; de 18 a 30 de janeiro também serão realizados debates e mesas redondas, além de exibir 30 filmes que de alguma forma influenciaram a moda. A Mostra integra a 3ª edição do Circuito SP de Moda e Arte, que conta com exposições, desfiles, encontros e debates realizados em espaços como a Casa das Rosas, Reserva Cultural e unidades da Aliança Francesa.
A Mostra Cinema de Moda é uma realização do CCBB, com patrocínio do Banco do Brasil. O Circuito SP de Moda e Arte é idealizado por Danilo Blanco e Fernando Zelman da Galeria Central e tem apoio institucional do São Paulo Fashion Week.
Desfile-performance “Por mares nunca dantes navegados”
Duração: 20 minutos
Data: 28 de janeiro, às 12h30
Entrada franca
Ficha técnica
Concepção e direção da performance: Jô Souza
Looks confeccionados: Ana Paula Andrade, Andiara Pires, Carolina Rodrigues e Tabata Resende
Produção executiva e Styling: Carolina Rodrigues, Jô Souza e Tabata Resende
Execução da roupas: Maurice Fückner
Trilha sonora: Harald Weiss
Makeup e hair: Alessandro Tierni – assistência de Marcio Akiyoshi
Consultoria histórica: Luciano Ramos
Fotos: Daniel Malva
O kaiser da Chanel foi só elogios para a cantora _e queridinha da redação do FFW_ Janelle Monáe. Em um vídeo gravado na véspera do seu aniversário (01/12) e publicado nesta quarta-feira (14/12), no site oficial de Monáe, os dois aparecem abraçados e conversando após um show dela em Moscou, Na Rússia.
“Ela é muito talentosa, seu grupo é maravilhoso. As pessoas estão muito encantadas, elas se levantam [para aplaudir de pé] espontaneamente. Eu prefiro esse tipo de música, que você pode ouvir de pé – ficar sentado em uma poltrona é muito burguês”, ironizou. Karl ainda comentou sobre a dança de Janelle. “Ela tem um jeito único de se mover, é realmente algo que inventou”.
Não seria a primeira vez que o estilista adota uma cantora como musa inspiradora. Eels, vocalista do Vive La Fête, já assumiu essa posição no início da década, assim como Cat Power e Amy Winehouse. Outras queridinhas dele, sempre convidadas para as filas A de seus desfiles, são Courtney Love e Beth Ditto. Mais recentemente, Lily Allen estrelou uma campanha de bolsas da Chanel.
Assista:
Em tempo: Janelle se apresenta em São Paulo, Recife e Florianópolis em janeiro, ao lado de Amy Winehouse e Mayer Hawthorne, no Summer Soul Festival. Saiba mais na FFW Agenda.
O artista plástico francês Zevs, famoso por “derreter” logos de grifes icônicas, fez uma performance na madrugada desta quarta-feira (01/12) na rua Haddock Lobo, em São Paulo _iluminado pelas vitrines da Armani, Diesel e Louis Vuitton. Cerca de 60 pessoas, entre fashionistas, jornalistas e fotógrafos curiosos passaram lá para vê-lo: o artista havia anunciado o happening durante sua palestra no Pense Moda na última semana.
Na peça “fashion victim“, apresentada pela primeira vez no Brasil, Zevs “assassinou” a modelo Marina Dias, nua e com o rosto coberto por sangue falso, com um logo da Louis Vuitton pintado ao seu lado. Com Marina imóvel no chão, o francês (todo de preto, com capuz cobrindo o rosto e maquiagem vermelha cobrindo os olhos), gritou à plenos pulmões no meio da rua, tentando chamar atenção. Foi de longe o momento mais intenso.
Cerca de 15 fotógrafos clicavam compulsivamente, além de uma equipe de TV. A movimentação que chamou a atenção de traunsentes: um entregador de pizza olhou para trás, um carro sedan desacelerou, uma pessoa gritou de dentro de outro. Enquanto os blindados passavam sem olhar, Zevs fazia um contorno de pó branco ao redor do corpo estirado, deixando então uma evidência “policial” da morta pela moda.
A pouca tensão que poderia ter sido gerada se dissipou em poucos momentos. Zevs distribuiu bottons em formato de triângulo para os presentes, que sussurravam. Após o momento, alguns disputaram segundos de atenção do artista, que foi solícito, mas sempre evasivo com todos.
Desde que foi preso no Japão, ao pintar um logo da Chanel em uma loja da Armani e ter seu rosto exibido nos jornais, não dá para chamar Zevs de vândalo. Ele, na verdade, acabou incorporando muito do universo que critica – do hype, dos círculos restritos, da arte-conceito. Ter seu evento divulgado via assessoria de imprensa não soa exatamente anárquico.
Embora seja difícil aceitar que um artista controverso não está mais às margens da sociedade, Zevs segue como um marginal da aristocracia e do luxo _únicos valores que restam a ele romper.