Marca masculina jovem, usável e com bom preço? Sim, ela existe!

01/12/2011

por | Moda

Guilherme e Rafael, sócios da Cotton Project, em seu atelier em São Paulo ©Juliana Knobel/FFW

Entre muitas visitas à loja Surface to Air, em São Paulo, uma marca sempre chamava a atenção: Cotton Project. Pendurada nos cabides, há uma série de camisetas masculinas com tons, texturas e shapes que a gente não acha com facilidade por aí.

Por trás dessa marca estão os amigos Rafael Varandas, 25, e Guilherme Neves, 26. Rafael trabalhava na Box 1824 e Guilherme ficava na administração da empresa do pai. O surf era o ponto de intersecção entre os dois e também o berço da Cotton. “Começamos de forma despretensiosa, a gente não sabia nada de tecido”, conta Rafael. Os meninos pegaram influências mais urbanas, como fotografia, moda, shows e design, e aplicaram nas peças, só que com um astral praiano. Por isso, as peças são confortáveis, têm uma cartela de tons agradável e divertida e detalhes que diferenciam as roupas, como a amarração colorida no jeans (veja foto abaixo). A marca trabalha com um algodão que já foi encolhido e não deforma ou encolhe a camiseta após as lavagens. “Estava cansado de pagar uma grana por uma camiseta que perdia o shape logo na primeira lavagem”, diz Rafael. As peças da marca vão de R$ 89 (camiseta estampada) e R$ 270 (calça de shino).

Calças e camisetas da marca ficam expostas em um espaço semi-aberto em uma casinha na Vila Madalena ©Juliana Knobel/FFW

Criada em 2008, a Cotton sempre foi o projeto paralelo na vida dos meninos, que lançavam linhas pequenas e mais experimentais. Até agora. A partir desta coleção para o Verão 2012, eles passaram a se dedicar totalmente à marca. O que significa dar o sangue mesmo, já que Rafael e Guilherme fazem tudo sozinhos, do desenho da roupa às fotos de divulgação. “Uma marca de tamanho reduzido, que se conecta com uma cultura global e é responsável pelo ambiente que vive. A estrutura horizontal da Cotton Project possibilita uma maior interação entre o cliente e o criador do produto”, diz em um texto postado no site oficial.

O jardim que ficam na frente das araras  ©Juliana Knobel/FFW

Aliás, se você quer saber das novidades da grife, é através da internet mesmo, única ferramenta de comunicação usada pelos meninos, e mais do que suficiente (e eficiente) no caso deles.

 

COTTON PROJECT / ONDE ENCONTRAR

São Paulo

Estúdio, showroom e loja: r. Harmonia, 239, casa dos fundos, Vila Madalena

Surface to Air: al. Lorena, 1.985

Tag and Juice: r. Gonçalo Afonso, 99, Vila Madalena

Rio

Sala de Estar: r. Sorocaba, 585, Botafogo

Porto Alegre

Pandorga: r. Miguel Tostes, 897

 

Para eles saiba o que uma gola diferente pode fazer pelo seu look

01/11/2011

por | Moda

©Reprodução

O WGSN juntou seu time de moda para detalhar o quente do verão quando o assunto é camisa masculina. Muito além dos básicos, o bureau de tendências mostra que os rapazes vão ter opção de fazer diferente dando atenção aos detalhes nos tipos de colarinho, que vêm com inspiração vintage, do mundo dos esportes e da alfaiataria.

Colarinho resort

Street style ©WGSN / Lou Dalton ©Reprodução

A gola com lapela aberta é um detalhe essencial para as camisas com cara de resort. As proporções podem ser clássicas (como na primeira foto), ou até mesmo com pontas mais arredondadas (segunda foto).

Colarinho abotoado casual


General Ideas
©Reprodução

Um jeito casual de usar o colarinho abotoado, típico do uso formal de camisa (com gravata, por exemplo). Botões coloridos (foto) ou o uso de tecidos mais informais como o jeans inovam o jeito de abotoar o colarinho.

Colarinho micro

Primavera de Yigal Azrouël ©Reprodução / Burberry Prosum ©Imaxtree

O colarinho micro dá um tom minimalista e clean ao uso das camisas. Pode ser usado completando camisas de modelagem mais justas ao corpo, ou contrastando com proporções mais volumosas. Pode ser acentuado quando a gola contrasta com camisas estampadas ou de cor diferente.

Colarinho redondo


Street style em cliques de Scott Schuman e do WGSN ©Reprodução

O colarinho redondo acrescenta uma estética vintage elegante à clássica camisa branca e pode dar cara nova ao look de trabalho mais casual.

Camisa de fraque


Street style ©WGSN

A camisa com colarinho usado no clássico da alfaiataria é renovado quando colocado fora do conjunto. Novos tecidos como cambraia ajudam o look a ficar ainda mais com a cara do verão e são um jeito mais despojado de usar camisa com gravata.

Gola padre


Emporio Armani ©Imaxtree / Roark at Tranöi @Reprodução

Não é exatamente novidade, mas a gola tipo padre continua como uma importante alternativa para adicionar um efeito elegante com cara de vintage a looks formais e casuais.

Sem colarinho


Richard Chai ©Reprodução

As camisas sem colarinho, como as usadas pelos jogadores de baseball, dão uma pegada minimalista ao look. A falta de gola combina bem com camisas tanto na versão manga longa ou manga curta.

Colarinho contrastante


Primavera de General Idea, street style e Yigal Azrouël ©Reprodução

Colarinhos contrastando com as camisas em que estão aplicados atualizam o look. Cai bem na tendência do color-blocking ou no contraste de camisa estampada com gola lisa.

Mr. Hare, o nome do momento: ‘Meus sapatos são minhas opiniões’

30/08/2011

por | Moda

mr_hare_abre“Mr. Hare”, a marca ©Reprodução

Mr. Hare é uma importante marca de sapatos masculinos, mas ao contrário de outros nomes do segmento, que existem há muitos anos, a Mr. Hare surgiu em 2008, e já é vendida no Mr. Porter, na Harrods, Selfridges e Dover Street Market. O nome por trás da grife é quase o mesmo: Marc Hare, nascido em julho de 1970, em Londres, filho de pai jamaicano e mãe inglesa, que costumava trabalhar como Relações Públicas de marcas como Nike, Adidas, New Balance e Dr. Martens, até um dia que, estando na Espanha, se encantou pelos sapatos de um cavalheiro que estava no mesmo recinto, e pensou onde conseguiria pares como aqueles. “Cinco minutos depois, Mr. Hare, a marca, nascia”, explica o designer na biografia de seu site, onde conta também que nunca teve formação em “fazer sapatos”.

Apesar de super bem conceituada no mundo da moda, a marca é pequena, mas por decisão do dono. Segundo ele, a ideia é fazer extremamente bem um pequeno número de produtos essenciais, “para pessoas que os desejam ao máximo”. Marc também explica que seus sapatos são criados para deixar qualquer look utilitário com estilo e perfeito para a noite. “Isso não significa que eles não podem ser usados durante o dia. Só significa que quando eu os desenhei, eu estava pensando em ter uma ótima noite ao ar livre, com amigos, com ótima comida e bebida, e dança. Muita dança”, explica Marc. Para ele, o objetivo da marca é ser atemporal. “Quando você olha para uma foto velha e vê alguém vestindo algo tão acentuado que isso queima em sua consciência e aquilo se torna uma influência, é esse o meu objetivo”.

mrhare“Mr. Hare”, a pessoa ©Reprodução

Além disso, Mr. Hare é uma marca que preza qualidade, tanto que, apesar de Marc ser inglês, e viver e trabalhar em Londres, os sapatos são todos feitos na Itália, a Meca dos sapatos. O sapateiro, que é muito bem-humorado, justifica sua escolha: “Para ser honesto, minhas duas maiores considerações foram o clima e a comida. Eu tenho que gastar muito tempo visitando as fábricas, então um espaguete “scoglio” seguido de um “branzino al forno” sob um pôr do sol em Toscana me balançou. Se você pudesse escolher visitar Northampton a cada duas semana ou a Toscana, onde você faria seus sapatos?”. Os materiais, como não poderiam deixar de ser, são escolhidos a dedo. “Eu sempre quis que meus sapatos favoritos fossem feitos dos melhores materiais. Eu estou tentando fazer o melhor possível de acordo com meu conhecimento cada vez maior. Ele tem que ser relevante para a situação, e da maneira mais bonita possível”, explicou o sapateiro.

Mr. Hare também já fez uma coleção para a rede de fast fashion Topman, especificamente para a linha “AAA” inspirada no rock’n roll. Como Hare faz sapatos, digamos assim, mais sofisticados, é intrigante saber como foi unir sua própria estética à linha. “Foi fácil. Os sapatos Mr. Hare são geralmente desenhados com um humor de “vocalista”. Para AAA eu só tive que pensar sobre o que o baterista, o baixista, os guitarristas e os roadies poderiam querer usar. A parte mais difícil foi convencer Topman sobre o projeto piloto”. Os preços também são bastante diferentes, sendo os sapatos Mr. Hare várias vezes o preço de um Topman, mas o designer explicou: “Para qualquer um que possa ficar confuso, na Mr. Hare nós escolhemos os melhores materiais disponíveis e deixamos o preço se ditar por si mesmo. Na Topman eles escolhem o melhor preço e deixam os materiais se ditarem por si mesmos. Enquanto me lembrei para quem eu estava trabalhando, não foi difícil”.

topmanModelos para a Topman ©Reprodução

Ao ser perguntado sobre suas inspirações, Marc Hare dá uma excelente resposta: “Costumo visitar todas as grandes feiras de comércio para ver o que está acontecendo no mercado, visitar todas as lojas, reunir todos os “trend reports”, imprimir imagens de blogs; então eu e minha equipe reunimos tudo e queimamos todas essas coisas em uma enorme fogueira, junto com mescalina, e batemos tambores e dançamos para os deuses dos sapatos. Depois de três dias de devaneios orgásticos, nós fazemos o que qualquer um conseguir rascunhar”.

E qual a melhor coisa em poder fazer seus próprios sapatos? Hare não tem menos bom humor ao responder: “Quando as pessoas me perguntam o que eu faço, minha resposta tem apenas três palavras. Eu faço sapatos. É o mesmo que ‘Bond. James Bond’”.

Uma das curiosidades de sua marca é que quase todos os modelos levam o nome de uma pessoa criativa, como um escritor ou músico. A razão disso? “Tributos. É um pequeno reconhecimento a todas as pessoas e coisas que ficaram acima das minhas expectativas. Espere jogadores de futebol, surfistas, rappers, pratos de aperitivos, e arquitetos para o futuro”. Já no quesito “sapateiros”, a lista de nomes que Hare admira e o influencia também não é pequena: “Eu olho de tudo, de sapatos femininos a sneakers de passarela e acessórios. No momento eu estou realmente animado com os acessórios Céline. O trabalho artesanal e as ideias trabalham perfeitamente. Sou fascinado por Alexander Wang, que força! Em sapatos, eu sempre gostei de Dries Van Noten e Margiela. Tem sempre muita coisa acontecendo discretamente em seus sapatos”.

colecaoLookbook da coleção Primavera/Verão 2011, “Ain’t no app for that” ©Reprodução

Para os próximos 10 anos, Mr. Hare tem esperanças ambiciosas: “Eu gostaria de ver mais homens fazerem mais esforços com seus sapatos. A indústria muda conforme a demanda dos consumidores, então até que os homens comecem a levar a sério e realmente desafiar os limites no jogo dos sapatos, a maioria das lojas continuará a vender quadrados de dedos únicos com solado de borracha”.

E “ai” de quem achar que sapatos… São só sapatos. “São expressão pessoal. Algumas pessoas concorrem à presidência, algumas fazem arte. Eu faço sapatos. Meus sapatos são minhas opiniões”, finaliza.

Homens em Milão: o chic-irônico e os looks soltinhos

27/06/2011

por | Moda

Por Juliana Lopes, de Milão

capa leveza ferragamoLeveza no desfile de Ferragamo ©Juliana Lopes

Verão 2012 – Três tipos de homens ficaram marcados durante a semana de moda de Milão: o esportivo, o british-rocker e o casual-boêmio. Parecem contrastantes entre si, mas são apenas direções superficiais. Independentemente da memória de estilo que cada um desses homens nos provoca, existe um ar geral, comum – seria a tal “macrotendência”, palavra que os trendsetters amam? – de um certo despojamento na moda. Uma des-ostentação, des-obrigação, informalismo.

Despojamento para o “bem” da elegância, ou seja, não estamos falando de desprezo pela moda. Um despojamento… de qualidade. Mesmo porque, estamos na Itália. O mercado italiano – e nisso entram marcas de outros países que vêm para cá produzir – é bastante rigoroso com os detalhes, mínimos que sejam. Na moda masculina, onde as mudanças são sempre mais discretas, esse rigor ganha ainda mais força. Então, onde está o despojamento?

volume e leveza ferragamoVolume e leveza na Ferragamo ©Juliana Lopes

Os italianos são conhecidos por seu ar ‘arrumadinho’, até quando estão na praia. Com pouco dinheiro, é possível comprar uma bermuda bem desenhada, uma jaqueta com caimento incrível, tecido de qualidade. E os italianos adoram. A elegância está presente em todas as faixas sociais. Uma camisa bem passada, ou “crocante” como alguns dizem (tão ‘durinha’ que parece que vai quebrar), não é só pro dia do casamento.

Entendido isso, pensemos: como assim um look “amassadinho” na passarela da super tradicional Salvatore Ferragamo? Algo acontece. O luxo mudou de cara. Esse “algo” é a vontade de livrar-se da ostentação, uma espécie de minimalismo no approach com a moda. Anna dello Russo já pescou a informação e foi bem menos espalhafatosa aos desfiles. Está menos fashionista? Pelo contrário.

amassadinho da ZegnaAlfaiataria “amassadinha” na Zegna… ©Juliana Lopes

amassadinho detalhe…e um close no efeito amassado

Dentro desse despojamento vemos: modelagens desconstruídas (menos geometria nos cortes), cavalo baixo para as calças, tecidos que ajudam a proporcionar mais volume, distanciando do corpo, mais presença de calças curtas, estilo pescador. Menos classicismo. Materiais que, embora de grande qualidade, não precisam do ferro de passar. Travel friendly. Nesses looks soltos, os tecidos escolhidos são cada vez mais leves: toda a indústria de matéria-prima, ano a ano, nos últimos tempos, pontua evolutivamente numa alta tecnologia que produz, cada vez mais, os fios mais leves. Quanto mais “peso pena”, melhor. Menos gramas na balança possível. Alessandro Sartori, da Zegna, no backstage, em menos de duas frases já fala da gramatura dos linhos e sedas.

Se o look é mais estruturado, o formalismo é quebrado nas padronagens, com o mesmo mood de humor que já dava sinais na temporada passada: quadriculados ou vários tipos de xadrezes, que continuam super. Dessa vez em Milão vemos xadrezes misturados com listras, e xadrezes que brilham, em tecidos que parecem engomados. Mas é um engomado “de brincadeira”, como os trench coats da Gucci, acetinados, mas ao mesmo tempo com uma textura esportiva-emborrachada. Ou seja, um chic-irônico.

xadrezes GucciOs xadrezes da Gucci ©Juliana Lopes

É chic-irônico um homem vestido em alfaiataria impecável deixando canelas de fora e misturando xadrezes, não? É também chic-irônico usar uma camisa ou jaqueta sequinha e, embaixo, calça de cavalo baixo, com volume quase indiano. A moda cortou o excesso de pretensão e seriedade em algum aspecto da roupa, sem desvalorizar sua qualidade. Por isso a tendência, aberta pela Prada, do sapato social, que tem sola grossa com detalhes de palha (!) daquelas de espadrilhas ou alpagartas. Todo mundo usou nas primeiras filas e as lojas da Prada estavam sem estoque. Por isso vale usar uma calça aparentemente largada, feita com a melhor lã do mundo.

“Estou de camisa crocante porque estamos trabalhando, mas vejo que a coleção na passarela está muito mais leve, casual”, comenta Alessio Esposito, 31, fashion merchandiser da Salvatore Ferragamo, na saída do desfile. “A moda fica fácil de usar. Pessoalmente aposto que vai vender mais”, opina.

Leia aqui as Rapidinhas de Milão

Ame ou odeie: novos creepers da Prada são hit na moda masculina

04/06/2011

por | Moda

prada_abrePradismo ©Reprodução

É um consenso: tudo o que Miuccia Prada coloca nas passarelas torna-se desejo instantâneo da população fashionista, instiga diversas cópias ao redor do globo e faz todo mundo querer se vestir do mesmo jeito.

A peça-hit da vez são os “brogues-creeper-shoes”, nome comprido para os sapatos tipo brogues (uma espécie de Oxford, só que mais formal) com solado alto, quase como uma plataforma, desfilados no Verão 2011, tanto no feminino quanto no masculino da marca italiana. Que o sapato faria sucesso com as mulheres já era possível prever, mas acontece que a versão masculina também caiu no gosto dos homens – geralmente tidos como menos abertos às ousadias da moda. O item esgotou e agora tem até lista de espera para adquirir um par, que custa cerca de € 550 e pode ser customizado. As cópias pipocam por toda a internet, custando menos de US$ 100.

creeper_90Os creeper shoes dos anos 90 ©Reprodução

O modelo é quase uma releitura dos “brothel creepers”, hit dos anos 90 e da cultura clubber, mas que ganhou as ruas mesmo nos anos 70, quando Malcolm McLaren e Vivienne Westwood (namorados na época) abriram uma loja em Londres chamada “Let it Rock” e começaram a comercializar o modelo, que fez um enorme sucesso. Miuccia repaginou os “brothel” com ares tropicais no solado mesclados a aparência formal dos brogues.

Para o editor de moda da “MAG!”, Paulo Martinez, os sapatos podem funcionar no Brasil: “Quem vai comprar, aqui e lá fora, são as pessoas “trendy”, que vão usar essa estação e depois vão querer ver só daqui a 15 anos, quando já for vintage”.  O stylist Thiago Ferraz aprova o modelo. “É um sapato incrível, boto a maior fé. A Prada fez uma versão com a sola bem carregada e que remete aos sapatos clubbers dos anos 90. Mas todos os desfiles masculinos do Verão 2012 vieram com a mesma estrutura de sapatos, só que com as solas mais vida real. O que eu tenho, por exemplo, é um do Paul Smith, que é adaptado para um solado mais confortável, mais para a rua”. Aqui no Brasil a British Colony também fez sua versão, mas ao invés dos brogues, atualizou docksides com solados altos.

sapatos2012Burberry, Prada e British Colony com suas versões de creeper shoes para o Verão 2012 ©GQ e Agência Fotosite

“Como é um sapato clássico (por causa do brogue), dá certo com tudo, mas depende do gênero que você faz. Pode até sair todo colorido, como mostrou na passarela, mas eu sou meio contra sair inteiro de Prada, sabe? Fico até espantado de todo mundo querer esse sapato. Aconselharia a sair do seu jeito!”, finaliza Martinez.

+ Veja na galeria como os creeper shoes estão sendo usados

Manhunt #4: Pedro Frizon, o recordista de desfiles da temporada

02/06/2011

por | Gente

via @felipeabe @betosiqueira

Pedro Frizon©Felipe Abe

Hoje nos deparamos com o recordista de desfiles dessa temporada do Fashion Rio. Pedro Frizon fez nove dos 12 desfiles masculinos e também está confirmado em alguns castings da SPFW. O gato fotografou com Mariano Vivanco para a “Dazed & Confused” e participou da Gucci Tour por quatro países asiáticos.

Nome: Pedro Frizon

Idade: 21

Agência: Ten

Como começou: “Comecei bem por acaso. Estava sem muita opção na vida e fui abordado por uma booker que estava fazendo uma seleção pra uma agência em Cascavel, no Paraná, onde nasci. Um mês depois já estava morando em São Paulo, três meses depois estava em Paris!”

Qual a sua melhor experiência: “Com certeza Hong Kong. Lá eles tratam modelo realmente com respeito. É diferente da Europa ou do Brasil, onde você é só mais um rosto bonito. Lá me trataram realmente como profissional. E aconteceu algo engraçado. Como jogava basquete durante a adolescência, acabei sendo convidado pra jogar num time  local. Rolou até de participar de um campeonato!”.

E a sua relação com a moda: “Fui aprendendo com a profissão, há uma cobrança enorme como representante da classe. Mas me informo vivendo no meio da moda mesmo, não pesquiso muito nem uso tendências, gosto de peças confortáveis e básicas”.

Pedro Frizon©Felipe Abe

Exclusivo WGSN: calças masculinas de shapes amplos conquistam as ruas

05/05/2011

por | Moda

ABRE-CALCASEstilosos na rua experimentam novas modelagens de calça ©Reprodução/WGSN

Para quem acredita que não há muitas opções de modelagens variadas na moda masculina, um compilado do WGSN mostrou as principais tendências só pra eles nos modelos de calças que passeiam pelas ruas de Tóquio, Paris, Nova York e outras cidades.

Os estilos cheios de volume estão ficando populares, em tecidos leves, como as calças ‘parachute’ e as de trilha ou em calças mais pesadas, com pernas largas, num shape que lembra um pouco o dos rappers dos anos 90. Elas vêm com gancho bem baixo, com jeito de calça harém, mas com pegada mais urbana.

calca-haremModelos bem amplos para eles ©Reprodução/WGSN

As calças tipo chino (essas mais soltinhas, geralmente em tons de marrom e bege) ganharam um jeitão mais relaxado e agora estão mais folgadas, amplas.Versões jeans e em tons escuros também renovam o modelo.

calca-chinoPara completar o estilo da calça chino, barra dobrada ©Reprodução/WGSN

A cargo (aquele tipo de calça que geralmente vem com bolsos laterais) está com os bolsos ainda maiores e com um quê de calça de corrida, como os elásticos no tornozelo, que deixam os looks mais frescos.

calca-cargoPara completar o estilo da calça chino, barra dobrada ©Reprodução/WGSN

Outra modelagem que ganhou as ruas é um modelo mais ajustado, com cara de vintage. Nada muito justo, mantendo a cara de confortável, mas nada largo demais, como as calças harém. Bem básico, o modelo mais comum e atemporal de todos.

calca-fitCalças em modelagem mais clássica, mas também com barra dobrada ©Reprodução/WGSN

Um truque em comum nas calças dos estilosos pelo mundo é a barra da calça dobrada. Será que as modelagens diferentes — e o truque da dobra — colam por aqui? Se depender dos meninos antenados que, já há algum tempo, vêm dobrando as barras da calça, essa é uma moda que vai pegar.

Alexander Wang expande seu império com linha masculina

29/03/2011

por | Moda

wang_abreTeaser da primeira coleção masculina de Alexander Wang © Reprodução Style.com

O estilista Alexander Wang, californiano que mora em Nova York desde seus 18 anos, está numa excelente maré em sua carreira: acabou de abrir as portas de sua primeira loja na Big Apple, no bairro-descoladinho do Soho, tem sob sua batuta duas marcas, a homônima e a T by Alexander Wang, e acaba de anunciar que os homens também poderão ter uma peça Alexander Wang para chamar de sua, no outono.

O curioso é que Wang, que entrou para valer no mundo da moda apenas em 2007, ganhou os prêmios de melhor Designer Masculino do CFDA e da revista masculina GQ pela sua segunda linha, a T by Alexander Wang, que mescla feminino e masculino. A linha também ficou entre as finalistas do prêmio Swarovski, na categoria Designer Revelação de Moda Masculina. Com tudo isso, Wang não teve saídas “Eles realmente me encorajaram e reforçaram a ideia que achavam que era a hora certa, e eu pensei, bom, vamos fazer isso!”, contou ao Style, e acrescentou “É sobre a hora certa, a oportunidade certa, então uma coisa levou a outra”. E não há grandes dúvidas sobre o sucesso da linha masculina, pois segundo o estilista, moda masculina está entre os itens mais pedidos de sua nova loja.

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Peças do masculino da segunda linha de Wang, a T by Alexander Wang, da coleção Fall 2011 © Reprodução Style.com

Para sua coleção de estreia oficial no masculino, o estilista salienta que será quase como uma coleção cápsula, com poucas peças à disposição, e os preços vão variar de US$ 375 a US$ 1.150 (com um trench-coat todo de couro de US$ 2.150). O fio condutor da coleção é o utilitarismo, algo que Wang sempre gostou de trabalhar, e desenvolve a ideia de pegar uma peça formal e deixá-la com jeito de todo-dia, e o contrário, de transformar algo casual em uma super peça. Para isso Wang abusa da mistura de materiais, como nylon, couro, gabardine, seda, e moletom. E nos planos para a segunda coleção (Spring 2012) já está incluso uma linha de acessórios.

Conheça os símbolos por trás do estilo de Barack Obama

18/03/2011

por | Moda

O presidente norte-americano, Barack Obama, chega neste sábado ao Brasil _a visita inclui Brasília e Rio de Janeiro_ e inicia um tour que passa por Chile e El Salvador. A primeira dama, Michelle Obama, e as duas filhas do casal acompanham Obama na viagem. Michelle chama atenção pelas roupas desde a época da campanha, mas o presidente não fica fora da moda.

obama-party-amtseinfuehrung-11318389-q,templateId=renderScaled,property=Bild,height=349 (1)Smoking do estilista Hart Schaffner Marx

Em 2008, Obama foi capa da “Men’s Vogue” e a fotógrafa Annie Leibovitz o acompanhou em seus comícios. O terno azul-marinho da marca Hartmarx, que ele usou em eventos da campanha em 2008,  sumiu das lojas de departamento que vendiam a grife, a US$ 1.500. A revista “Forbes” já o chamou de trendsetter e sua escolha para o primeiro dia como presidente dos EUA foi um terno assinado por Hart Schaffner Marx _o smoking que ele usou nas festividades também levou a assinatura do estilista americano.

jeans-criticadoJeans Levi’s largadão

Obama também já se envolveu em uma “polêmica” quando foi criticado por usar um jeans Levi’s, que escolheu para jogar a primeira bola de um jogo de baseball, em 2009. O presidente chegou a justificar sua escolha. “Sou um pouco largado, odeio fazer compras e esses jeans são confortáveis. Para vocês que querem que seu presidente fique ótimo em seus jeans apertados, desculpem, eu não sou esse cara”.  Recado enviado.

No mesmo ano da história do jeans, Barack Obama _e Michelle_ entraram para a lista dos mais bem vestidos da revista “Vanity Fair”. No ano passado, a primeira-dama conseguiu entrar pela quarta vez no ranking, já o presidente ficou de fora.

obama-ravatasA simbologia das gravatas

As escolhas do presidente “largado” são quase sempre acertadas e muitos veículos já o chamaram de ícone de estilo. Geralmente, em suas aparições formais, Obama opta pela combinação de ternos escuros _preto ou azul marinho_  com camisa branca e gravata que dificilmente foge do vermelho ou azul. Segundo o “WWD”, a gravata vermelha foi a opção de Obama do ano passado, querendo demonstrar força. Já 2011 é o ano da gravata azul que “reflete o desejo de união.”

Nos finais de semana, Obama costuma se vestir de forma mais casual, optando pelo conforto do jeans e de camisas com a manga dobrada, ou pólos. Suas escolhas informais também já foram criticadas. Resta saber qual será a escolha de Barack Obama _e de Michelle_ para visitar o Brasil. Com um clima tão instável, é bom que o Presidente e a Primeira-Dama tenham algumas boas opções dentro da mala.

#TrendingTopics: decretado o fim da ditadura skinny para homens!

27/01/2011

por | Moda

Edição: @luigi_torre

Nos desfiles masculinos de Milão e Paris elas foram item essencial nas principais coleções. Aposta certeira do inverno 2011 do Hemisfério Norte, as calças de modelagem bem mais ampla ganham força a medida que a moda masculina caminha para o lado mais confortável do guarda-roupa, sem que isso signifique deixar a elegância de lado. Meio 70s, meio anos 1940, com barra encurtada ou cobrindo os pés (as favoritas do FFW), masculinas e andróginas ao mesmo tempo.

Confira na galeria abaixo alguns dos principais modelos que foram sucesso nas passarelas e já começam a dar as caras nas ruas.

O masculino de Paris e a busca por uma nova forma de elegância

26/01/2011

por | Moda

RICKRAFDRIESLANDIOR© Romeuuu

Se os desfiles masculinos de Milão pareceram algo sem sentido, os de Paris foram bem o oposto. A alfaiataria pode continuar no centro das atenções, mas ao invés de tentar re-inventá-la, estilistas estavam mais preocupados em usá-la como meio para um outro fim: a busca por um novo conceito de elegância.

Conceito que independe de qualquer associação com idade, como Yohji Yamamoto deixou bem claro em seu casting de diferentes tipos físicos e faixas etárias. Como denominador comum nessa ode à variedade/individualidade vinha sua mais que perfeita alfaiataria, agora em formas amplas, como nas ótimas calças e blazeres oversized. Em tecidos pesados, como tweed, traziam um certo rigor, porém suavizados e até sensualizados pelo caimento das formas que se afastam do corpo, quase que num misto de proteção com conforto.

Na Lanvin, Lucas Ossendrijver e Alber Elbaz tiveram questionamento similar: como falar de uma elegância atrelada ao conceito e universo jovem? A resposta veio num hibridismo perfeito entre as formas e tecidos da alfaiataria pensados e usados como se fossem do sportswear. Sem qualquer ornamentação aparente e silhueta alongada, a imagem trazia uma completa pureza visual, onde nem mesmo botões tem espaço _casacos e camisas são fechados por imãs escondidos no interior das peças.

Calças de modelagem ampla, blazeres de corte perfeito, levemente ajustados ao corpo e chapéus falavam _com toda sensibilidade peculiar dos estilistas_ de um dandismo contemporâneo, onde passado, presente, novo, velho, causal e formal sem encontram como algo totalmente novo, sem quaisquer amarras com algum desses conceitos.

Essa mesma silhueta alongada ganha fluidez na Dior Homme, onde Kris Van Assche parece cada vez mais em sintonia com o universo da maison. Dando continuidade a coleção de peças esvoaçantes do verão passado, para o inverno 2011 o estilista buscou trabalhar o mesmo efeito, porém com tecidos ditos mais invernais. O efeito fluído vem com as sobreposições de casacos e capas de pegada minimalista, sobre os famosos ternos, agora combinados com ótimas calças de pernas largas, estendendo-se até o chão. Toda monocromática, com pitadas de vermelho, Van Assche trouxe um certo drama para coleção, que junto com os chapéus de abas largas exalava as referências da cultura Amish _onipresente na temporada.

Definir a elegância pela decadência, por mais complexo e paradoxal que possa parecer, foi exatamente o que fez Rei Kawakubo em sua Comme des Garçons. Combinou blazeres e casacos de corte preciso com maxi calças _ou até saias_ de seda estampada que se alongavam até o chão.

Dries Van Noten foi pelo caminho inverso, buscando falar de um glamour masculino, sem que para isso precisasse de quaisquer elementos femininos. Vem daí sua alfaiataria rigorosa, em tecidos texturizados com extremo foco nas golas _rígidas ou volumosas em pele. Blazeres de ombros marcados, sobre calças amplas traziam quase que um duelo de oposto, melhor caracterizado no look de jaqueta de smoking creme + calça cargo. Ah, e tudo isso com uma ótima beleza à la David Bowie deixando todo conceito de glamour ainda mais latente nessa excepcional coleção.

Porém, quem talvez tenha se aproximado melhor de uma resposta _plausível e coerente_ sobre o que define a elegância no século 21 seja o belga Raf Simons. O conceito por trás de sua coleção falava da necessidade de abandonar a nobreza para abraçar a geração Facebook, porém sem deixar o hype do nome ofuscar o artesanato. Pode parecer complexo, mas na prática faz perfeito sentido.

Assim como no verão 2011 que apresentou para Jil Sander, Simons concentrou-se aqui no estudo sobre as formas. Casacos de ombros arredondados, fechamento traseiro (tipo vestes de hospital) e calças amplas combinadas com suéteres ajustados ao corpo, falavam de uma elegância nada óbvia, jovem e 100% voltada para o presente. A essência da moda masculina mergulhada nas formas da alta-costura de maneira totalmente possível.

+ Veja todos os desfiles aqui.

Perdeu o masculino de Milão? Contamos quais foram nossas coleções favoritas

21/01/2011

por | Moda

A semana de moda masculina de Milão terminou na última terça-feira (18/01)  sem deixar grandes marcas. Confusas com o turbilhão de informações que assola a mente do consumidor nesse pós-recessão, grifes focaram-se em peças simples com modelagens descomplicadas. De olho no consumidor de fato e não em arquétipos masculinos que dificilmente encontrariam seu modelo real, deixaram as inovações de lado e debrussando-se sobre questões como qualidade e herança.

Elementos comuns foram um certo senso de conforto, com peças em modelagens amplas e tecidos com qualidade no toque; um flerte constante com um mundo dos esportes, tendo as “track suits” (calças com ajuste elástico no tornozelo) como item favorita; e novamente uma enorme atenção as cores vibrantes em contraposição aos eternos neutros. Mas qualquer conexão maior entre as grifes nesse sentido poderia parecer forçoso e sem qualquer fundamento de fato. Sendo assim, listamos abaixo nossas coleções favoritas.

MILANO© Romeu Silveira

Umit Benan

O estilista turco vem se mostrando um dos hot tickets da temporada masculina. Dessa vez fez a apresentação mais bem comentada da fase milanesa do circutio fashion, mostrando uma visão bem peculiar sobre o universo e uniforme dos banqueiros de Wall Street _tema recorrente nesta estação. Com Patrick Bateman (o Psicopata Americano) em mente pensou num homem obsecado por si mesmo, e daí criou ternos que traziam blazeres de ombros marcado à la anos 1980, calças com um ótimo gancho mais baixo e camisas com caudas ou mangas amplas. Alterações pontuais e discretas sobre clássicos, porém feitas com inteligência e originalidade, são pontos que só somam em sua promissora carreira.

Marni

Sem dúvida uma das melhores coleções masculinas que a Marni já apresentou. Inspirada nas roupas de operários, trouxe tecidos de aparência pesada, imprimindo uma proporção super desejável _calças mais curtas, com cintura super alta + blazeres e casacos curtos. As estampas são o meio pelo qual as cores se fazem presentes, quebrando a neutralidade que domina a coleção. Interessante o modo como a estilista Consuelo Castiglioni conseguiu dar leveza e contornos atuais à referências e imagens tão pesadas.

Prada

Sem aquele efeito de choque e sem toda a perversão e sexualidade de coleções passadas, Miuccia Prada apresentou um inverno que brincava com proporções um tanto esquisitinhas bem ao gosto da marca. Casacos e blazers de proporções aumentadas ao extremo, com maxi ombros e mangas que só deixavam as pontinhas dos dedos de fora, sobrepunham-se a pulls de lurex, as vezes com padrões art decó e calças estranhamentes curtas, terminando logo abaixo do joelho com meia 3/4 logo em seguida. É esse híbrido de alfaiataria com esporte que fica como principal destaque na coleção.

Alexander McQueen

O primeiro masculino inteiramente com a mão de Sarah Burton não decepcionou. Bem pelo contrário, falou de traços essenciais da grife como a paixão pelo estilo inglês, aqui traduzido desde veste militares da Era Napoleônica, até um certo dandismo meio Oscar Wilde. Mostrou uma grande sensibilidade ao trabalhar todo repertório histórico tão importante para McQueen, sem perder o foco na atualidade. No meio disso tudo conseguiu ainda imprimir seu estilo mais suave e menos agressivo _daí a ausência daquele estranhamento e as vezes repulsa que acompanhavam as apresentações do estilista falecido ano passado. Uma das melhores sacadas são as aberturas nos ombros dos blazeres _cheio de significados escondidos_, a alfaiataria impecável, bem nos moldes tradicionais, e os bons flertes com o sportswear, como nas boas calças com ajustes no tornozelo.

Neil Barret

O estilista vem ganhando bastante destaque nas últimas estações e para o inverno 2011 apresentou uma das melhores coleções da temporada. Sua apresentação começa com um contraponto entre casacos afastados do corpo e leggings quase futurista, mas logo caminha por um caminho responsável por dar fresco a seu repertório. Olhando para o passado militar de seu pai e avô, aumenta o volume de suas peças, dando força a golas revestidas por pela de ovelha e prendendo as calças _agora numa vibe meio utilitária_ por dentro de botas tipo coturno.

+ Veja todos os desfiles aqui.

Gaga, Formichetti, Vivanco, Kremer: o alto comando da Mugler em Paris

20/01/2011

por | Moda

A semana de moda masculina de Paris começou ontem já causando um bom barulho. Foi na tarde da última quarta-feira (19/01) que o mundo da moda acompanhou atento o retorno de uma das mais icônicas marcas dos anos 80 e 90, a Thierry Mugler _que a partir de agora passa a se chamar só Mugler.

Sob comando do super stylist Nichola Formichetti, a marca ressurge com força total, e prometendo um novo modelo de criação para o século 21.

mugler©firstVIEW

Com trilha exclusiva de Lady Gaga, que aproveitou a ocasião e amizade com Formichetti para lançar sua nova música (só que remixada para o desfile), a apresentação foi quase uma síntese de como se apresenta e se consome moda hoje em dia. Com um vídeo rolando ao fundo durante toda a apresentação (feito por Mariano Vivanco), modelos entravam vestindo ternos meticulosamente alterados _zíperes em lugares não-convencionais, cortes mais geométricos, proporções alteradas_ e truques de styling pensados para uma combinação perfeita entre projeção e realidade. Cabeças pintadas de preto com uma tinta viscosa, quase um vinil derretido, mangas de látex preto, coletes tipo armaduras 3-D e véus gelatinosos caindo sobre as cabeça de alguns modelos.

Um futurismo possível e nada assustador. Talvez um pouco diferente daquele superpoder que Thierry Mugler imprimia sobre as imagens que criava na passarela. Mas 10 anos depois (ele se aposentou em 2001) essa lógica talvez não faça mais sentido. O futurismo de Romain Kremer, estilista responsável pelo masculino da grife, sempre manteve raízes fincadas na realidade _ou no indivíduo que nela habita.

Nichola Formichett0 lançou mão de uma poderosa _e mais do que esperta_ conexão com a cultura pop. “Minha visão é de moda como arte e como show”, disse em entrevista. Da trilha sonora, assinada por sua amiga e cliente Lady Gaga, passando pela projeção e toda criação de imagem da coleção e desfile, tudo exalava cultura pop. Ainda que uma cultura pop maquiada de subversiva ou underground, mas com aquele poder de penetrar em nossas mentes e martelar como um hit de Gaga nas caixas de som.

Assim como Thierry Mugler, Formichetti não estudou moda, nem teve qualquer formação formal em design. Vale lembra que Mugler codirigiu (reza a lenda) e assinou todo o figurino do clipe de 1992 de “Too Funky” de George Michael. Mais recentemente foi ele também o responsável pelas roupas que Beyoncé usou em sua turnê de 2009.

Formichetti soma incríveis trabalhos nas revistas “Dazed & Confused”, “V” e “Vogue Homme Japan”, além de todo seu histórico com Lady Gaga, a qual conheceu em 2009 durante uma seção de fotos. Sob seu comando estão 2 incríveis estilistas: Romain Kremer no masculino e Sebastin Peigne _que estava há 10 anos na Balenciaga_ no feminino.

Como Suzy Menkes, editora de moda do “IHT’, escreveu: talvez seja uma nova fórmula de se fazer moda e reviver marcas adormecidas. Com diretores de criação com visões para muito além dos arquivos das marcas e dos cadernos de desenhos. “Uma moda sem fronteiras _é nova, sou eu, é jovem, é global, é digital”, justificou Formichetti.

+ Veja o desfile completo aqui.

Nicola Formichetti estreia hoje na Thierry Mugler com música inédita de Lady Gaga

19/01/2011

por | Moda

Nicola Formichetti não está contente em ser “apenas” stylist de Lady Gaga. Ele também quer fazer barulho _literalmente_ em torno de sua estréia como diretor criativo da Thierry Mugler, no desfile da coleção masculina que acontece nesta quarta-feira (27/01) em Paris. Para isso, Nicola contará com a participação de Lady Gaga como “diretora musical”. Trocando em miúdos, a cantora pop vai liberar uma música inédita do seu novo disco, “Born This Way”, lançado em maio deste ano, como trilha da apresentação.

NICHOLA_muglerPrévias da coleção de estreia de Formichetti na Mugler © Reprodução

O estilista criou grande expectativa em torno de sua coleção de estreia, chamada de “Anatomy of Change”: liberando fotos estratégicas de preview no twitter e em seu blog. Afinal, nem só de coleções secretas se faz barulho na moda.

Nicola chamou Maxime Buechi, diretor criativo da Sang Bleu, revista de tatuagens com olhar de moda, para criar o novo logo da marca e fazer a direção de arte das imagens de preview da coleção. O modelo que aparece nas imagens liberadas por Nicola, aliás, é Rick Genest _mais conhecido como Zombie Boy_, que tem tem o corpo inteiro tatuado (inclusive rosto) como um esqueleto.

Na Thierry Mugler, Formichetti também vai supervisionar dois novos designers, Sébastien Peigné, que tem 10 anos de experiência na Balenciaga, e Romain Kremer, estilista experimental que tem marca própria, masculina, desde 2005. O stylist _que é filho de mãe japonesa e pai italiano_ já prestou consultoria para marcas como Alexander McQueen,Prada, D&G, Missoni, Adidas, Nike e  MAC.

Ele também é diretor de moda da Uniqlo, marca de fast fashion japonesa, além de diretor de moda da publicação Vogue Hommes Japan (o editorial em stop motion da edição #5 aconteceu sob sua batuta), onde supervisiona o processo de produção da primeira à última página. Vale lembrar Lady Gaga estampou a capa dessa mesma edição, vestida (ou travestida) de homem, como Jo Calderone. Será a cantora uma espécie de talismã da sorte de Nicola Formichetti?

UNIQLO_VOGUEEditorial em stop motion e campanha da Uniqlo: trabalhos de Nicola Formichetti © Reprodução

Conheça Romain Kremer, o estilista do masculino de Thierry Mugler

19/01/2011

por | Moda

Colaborou Romeu Silveira

Seu nome ainda não é muito conhecido no metiê fashion. Pelo menos dentre aqueles mais mainstream. Então, se você nunca ouviu falar de Romain Kremer, tudo bem, você não está de todo alienado. Acontece que agora, este estilista que há algumas temporadas vinha ganhando considerável notoriedade, promete ter seu trabalho catapultado a proporções que jamais imaginou neste dia 19 de janeiro, quando apresnta sua primeira coleção masculina para a marca Thierry Mügler.

Quando Nichola Formichetti _stylist e um dos primeiros a apostar no trabalho de Kremer_ assumiu a direção criativa da então dormente grife Thierry Mügler, parece natural que convidasse seu amigo e colaborador para assinar o estilo das coleção masculinas.

2005Imagens do desfile que conferiu o prêmio do festival de Hyères para Romain Kremer © Reprodução

O francês Romain Kremer foi revelado pelo festival de moda e fotografia de Hyères em 2005. Pouco comerciais, alheias às tendências e super autorais, suas coleções dificilmente passam pelo crivo das grandes publicações de moda. Logo no começo de sua carreira, foi Nichola Formichetti, na Dazed & Confused que o colocou na revista, em alguns dos editorias mais absurdos daquela época.

Foi daí também que surgiu a parceria entre Kremer e Robbie Spence, editor de moda masculina da Dazed, e hoje o responsável pela imagem dos desfiles da marca Romain Kremer.

Especializado em moda masculina, suas roupas futuristas questionam a sexualidade e exploram novas percepções do corpo humano. Apesar de parecerem visões muito futuristas, as criações de Kremer merecem destaque pelo papel indispensável que exercem na evolução do menswear.

Suas experimentações com volumes, materiais inusitados e proporções esquisitas têm ajudado a enfraquecer alguns paradigmas que teimam em assombrar o guarda-roupa do homem contemporâneo.

rk11Imagens do backstage de Romain Kremer, coleção verão 2010 © Reprodução

O seu verão 2011, por exemplo, apresentado durante a semana de moda masculina de Paris, trabalhou com coletes que vinham com detalhes que lembravam vestes à prova de bala, um sportswear de contornos futuristas e uma silhueta levemente estruturada. Calças afastadas do corpo, regatas, maxi óculos, camisetas, body suits e chapéus gigantes indicavam um verão leve e divertido que só pode existir numa praia do próximo século.

Um ano antes, para o verão 2010, Kremer usou materiais como lycra e materiais sintéticos pra desenvolver a coleção. Romain explicou que as máscaras que os modelos usaram servem para “explorar, mas ao mesmo tempo proteger, desse mundo poluído em que vivemos“.

romain-kremer-mykita-eyewearÓculos de Romain Kremer para Mykita © Reprodução

Não demorou muito também para que outras marcas percebessem o potencial criativo deste estilista. Assim, no primeiro semestre de 2010 Romain lançou uma parceria junto com a Mykita para desenvolver óculos. A primeira leva foi inspirada no cosmonauta soviético Yuri Gagarin (foto acima), o primeiro homem a viajar pelo espaço em 1961. O estilista disse, na época, que essa criação serve para “proteger o terceiro olho e o cerebro e reforçar a idéia de um novo tipo de homem, com toques de guerreiro sci-fi“. A peça custava a bagatela de 575 euros.