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Nova agência de moda, ICON sacode o mercado com Mauricio Ianês e Cristiano

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Editorial com styling de Cesar Fassina e fotos de Cristiano para a revista "Made in Brasil"

Uma nova agência acaba de abrir as portas. É a Icon, que cuida das carreiras de profissionais tops do mercado, como o stylist Maurício Ianes, os fotógrafos Cristiano e Renato De Cara, e o maquiador Max Weber.

Ainda estão no casting da agência o artista e fotógrafo Daniel Malva e o stylist Cesar Fassina, entre outros. Além de oferecer profissionais das áreas de beleza, fotografia e styling, eles também conseguem produzir tudo o que for necessário para um trabalho, como estúdio, catering e salas de reunião.

No site oficial há as informações básicas, mas é no tumblr que estão as novidades mais quentes e os trabalhos recentes.

Icon Mgt

Rua Bugio, 42, Vila Olímpia

Tel.: 2538-6713

Nova agência de moda, ICON sacode o mercado com Mauricio Ianês e Cristiano

10 perguntas para… Maurício Ianês!

DSC00334Maurício com o parque do Ibirapuera de fundo © Gabriel Marchi

Assinando o styling dos desfiles da Ellus e Alexandre Herchcovitch nesta quinta-feira (09/06),  Maurício Ianês – um dos top entrevistados do portal FFW -  é um dos personagens mais interessantes do meio. Entre os dois desfiles, ele fez um bate-bola rápido com a nossa reportagem. Confira:

Qual foi a última coisa que você comprou?
Uma barra de cereal e um energético hoje de manhã.

Você lembra dos seus sonhos? Tem algum recorrente?
Tenho. Sonho que estou numa casa labiríntica, sempre a mesma casa. Mesma decoração, arquitetura, projeto. E em todo sonho estou fazendo coisas cotidianas.

Qual foi o maior tempo que você passou em silêncio?
15 dias. Fiquei em silêncio e sem comer, numa performance aqui na Bienal.

O que você pensou nesse tempo todo?
Em muita coisa. Na minha vida inteira… e na vida dos outros também. [risos]

Onde você estava ontem à meia-noite?
Estava no meu estúdio, pensando na trilha do desfile do Wilson Ranieri. Estou ajudando ele nessa coleção.

Qual é a sua palavra favorita?
Silêncio.

Que pessoa você ficou nervoso ao conhecer?
Rei Kawakubo. A Isabella Blow nos apresentou em um restaurante chamado Anahi, em Paris.

Como foi a conversa de vocês?
Silenciosa. Ela não fala! [risos]

Qual foi a sua última auto-crítica?
Agora no desfile da Ellus. Descuidei da troca de um menino, que acabou não entrando no final.

Que projeto de vida você quer realizar mas ainda não teve tempo?
Criar ovelhas na Islândia.

10 perguntas para… Maurício Ianês!

Maurício Ianês: ‘Moda é moda, arte é arte. E tudo é business’

Maurício Ianês de Moraes nasceu no dia 8 de julho de 1973, em Santos, São Paulo, filho de Rosângela e dos pais (assim mesmo, no plural) Roberto e Arthur. Irmão de William, Lauren e Gabriella, Ianês não fala dos seus sonhos porque se começasse a falar não ia parar mais – tem muitos.

Formado em Artes Plásticas pela FAAP, ele aprendeu na faculdade a ter as dúvidas certas. Conhecido no mercado da moda brasileira como o braço direito de Alexandre Herchcovitch, Maurício Ianês também é atual diretor criativo da marca TNG e chegou a trabalhar, muito de perto, com Alexander McQueen. “No estúdio muitas pessoas tinham problemas com ele. Ele não era fácil. E tinha um senso de humor que não era para todos”.

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Maurício Ianês (e) e Alexandre Herchcovitch: indissociáveis na vida pessoal e profissional ©acervo pessoal Alexandre Herchcovitch

No início da carreira do Alexandre Herchcovitch, vocês chegaram a dividir um apartamento. Sobre isso, responda:

Como, onde, como e por que vocês se conheceram?
No clube Senhora Krawitz, em 1993. Fomos apresentados pela Marcelona.

Qual era a relação de vocês?
Namorados.

Quanto tempo moraram juntos?
Muitos anos, inclusive depois de o namoro ter terminado. Seis ou sete anos, acho.

Como era o Alexandre como pessoa no dia a dia?
O Alexandre é uma pessoa incrível. Como amigo, namorado e profissional. Sério, passional, mas muito divertido e dedicado. Hoje, para mim, ele é um irmão. Ele sofre uma cobrança diária absurda, e por isso ele obviamente cobra profissionalismo das pessoas que se envolvem no trabalho dele com a mesma intensidade, o que para mim é uma qualidade enorme.

Vocês chegaram a discutir por causa de alguma bobagem (tipo toalha molhada na cama, roupa suja no banheiro, porta da geladeira aberta, louça não lavada na pia…)?
Claro! Não me lembro exatamente o que, mas eu sou, em casa, muito desorganizado, ao contrário dele. Ele era bastante tolerante também com as minhas manias, então brigávamos pouco.

Qual a lembrança que você guarda daquela época?
Tenho memórias incríveis. O Alexandre e a família dele viraram a minha família também. Muito trabalho, muito carinho.

O que ficou no passado?
Um tanto da liberdade de experimentar o que quiséssemos no trabalho do Alexandre. E o namoro, obviamente.

E o que você trouxe para o presente?
Um carinho enorme, um outro tanto da liberdade de experimentar o que quiséssemos no trabalho do Alexandre, e a força de lutar pelas coisas que eu acredito. Muitas delas deram certo.

alexandre-herchcovitch-e-mauricio-ianes-loja-japaoAlexandre Herchcovitch e Maurício Ianês (d) na frente da loja do estilista em Tóquio, no Japão ©acervo pessoal Alexandre Herchcovitch

Quando foi a primeira vez que você resolveu contribuir para um desfile do Alexandre?
Foi no desfile de formatura dele. Nós morávamos juntos, ele e eu trabalhávamos em casa, eu comecei a olhar e dar opinião nas coisas, ele gostou. O desfile foi na Santa Marcelina, os modelos eram na maioria amigos, inclusive a Márcia Pantera, vestida de freira. A passarela era uma cruz invertida em branco. Os temas eram comuns a todos os alunos, mas não me lembro exatamente dos nomes que foram dados a eles. Um deles era hospício….

O que você pensou antes deste primeiro desfile começar?
Tem que dar certo!

E depois que ele terminou?
Deu certo!

O que você pensa hoje antes de um desfile começar?
Tem que dar certo!

E o que pensa quando eles terminam?
Será que deu certo?! Acho que com a experiência veio mais um monte de dúvidas, e uma cobrança sobre o meu trabalho muito maior. Sempre acho que poderia ter feito melhor.

Hoje como funciona a parceria com o Alexandre?
Não temos muitas regras para isso. A cada estação funciona de uma forma, mas temos um contrato onde uma vez por semana eu vou ao estúdio dele para falarmos das coleções. Em geral eu faço a pesquisa de temas, formas, cores, chego com algumas idéias e discutimos tudo junto com a equipe de estilo. Uma vez decididos os caminhos a serem seguidos, começamos os desenhos, pesquisa de tecidos e matérias-primas, provas de roupa, etc. Nessa hora não existe uma regra específica, é um trabalho em grupo bastante fluido. Gosto bastante de desenhar peças para desfile, mas nem sempre isso fica para mim. Prefiro quando o tema faz com que todos se envolvam igualmente, prefiro ver o trabalho como um trabalho em grupo. Acho muito mais enriquecedor, e o Alexandre também gosta e incentiva isso.

O povo quer saber: qual é o método de trabalho que vocês adotaram e que tem dado tão certo?
Acho que já falei um pouco na pergunta anterior, mas posso complementar aqui que muito dos temas vêm da minha pesquisa. Isso porque eu sou curioso, gosto de pesquisar, e porque muito do meu universo é mais underground, o que acaba trazendo influências novas e diferentes para a coleção, e o Alexandre às vezes não tem tanto tempo de ficar indo atrás de coisas novas. Isso tudo deve ser obviamente filtrado, já que o Alexandre como marca já deixou de ser underground faz tempo, muito tempo, apesar de às vezes ainda ter que carregar esse estigma por conta de uma mídia muitas vezes preguiçosa e com pouco poder de análise e conhecimento aprofundado de matérias, modelagens, etc.

Qual é o seu cargo na marca do Alexandre?
Consultor criativo, mas não acho que seja um nome adequado. Faço um pouco de tudo. Só realmente não entro nos negócios, apesar de que quando eu vejo que uma decisão absurda pode ser tomada na empresa levanto a voz para pensar junto em soluções melhores. Não sou alheio a isso.

Por que você continua trabalhando com o Alexandre?
Por ele. E porque ainda é uma marca ou empresa que tem poder de criação, de mudança. Isso me interessa.

Qual a diferença de trabalhar para a TNG e para a AH?
Para o Alexandre tenho maior liberdade, sem dúvida. Os processos são mais rápidos, e temos a disposição uma estrutura de ateliê. Na TNG temos uma preocupação em nos manter dentro de limites mais comerciais que a marca tem, tudo tem que ser voltado para um público mais amplo, o que eu acho bastante interessante.

Como foi a aproximação da TNG?
Depois de a Regina ter saído de lá, eles me procuraram por e-mail. Eu tinha um conhecido que estava cuidando do gerenciamento de produto da marca, o Oscar Rovella, que tinha o meu contato.

Por que você aceitou trabalhar com eles?
Achei desafiador e, sim, achei interessante.

O que podemos esperar destas próximas coleções para AH e TNG?
Acho difícil passar este processo. O desfile do Alexandre vai ser bem forte, e talvez um pouco mais intelectualizado que o anterior, que tinha um apelo mais fácil. Para a TNG vamos tentar manter o frescor que conseguimos com a coleção passada, acho que vai ser uma coleção bem gostosa de ver.

Pode antecipar alguma coisa, qualquer coisa dessas coleções?
Não.

Nada?
Não.

Não mesmo?
Não, não, não.

Então tá, então. Vamos mudar de assunto. Soube que você trabalhou de perto com o Alexander McQueen.
Foi incrível. Sou muito feliz por ter tido essa oportunidade.

Você chegou a conhecê-lo?
Sim, claro! Ele pedia pra gente (eu e meu namorado Sebastian) tomar conta da casa e dos cachorros dele quando viajava, jantava na minha casa, saíamos juntos, éramos próximos. Foi ele quem me apresentou a Isabella Blow, que era casada na época com o Detmar, que tinha uma galeria de arte. Tudo começou quando eu conheci o Sebastian (Pons, estilista espanhol) em um clube em Paris. Começamos a sair juntos, começamos a namorar, e ele me falou que era o estilista da Givenchy (na época em que o Lee desenhava para lá). Logo o Sebastian se irritou com Paris e voltou pra Londres, onde ele tinha estudado com o Lee. Ele era o primeiro estilista do estúdio, e era muito amigo do Lee, o que fez com que eu me aproximasse bastante do círculo todo que pairava em volta deles. O Sebastian era também o melhor amigo do Miguel Adrover, cresceram juntos em uma vila de Mallorca, e ficamos amigos também. Eu gostava muito do Lee, e ele sempre foi muito carinhoso e generoso comigo, e no tempo em que mudei para Londres para morar com o Seb, ele me ajudou muito, muito mesmo, me colocando em contato com o mundo das artes londrino. Quando soube que eu trabalhava com moda também começou a encomendar projetos especiais para mim, peças de desfile, etc. No entanto no estúdio muitas pessoas tinham problemas com ele. Ele não era fácil. E tinha um senso de humor que não era para todos.

O que você fez exatamente quando trabalhou lá?
Desenvolvi projetos especiais para dois desfiles McQueen, e um para Givenchy. Lembro da Ana Cláudia Michels e da Gisele [Bündchen] nesse desfile da Givenchy. Foi incrível encontrar com elas lá. Também desenhei uma linha de acessórios masculinos para o licenciamento japonês que ele tinha. Durante os desfiles, quando terminava as peças que ele e a Kate England solicitavam, ficava de assistente da Kate.

A moda te enriqueceu no sentido material da palavra?
Não, não mesmo.

E no sentido transcendental, de valores?
Sem dúvida, muito.

Suas performances artísticas foram todas muito intensas.
Não sei se tenho uma mensagem a transmitir, acho que tenho uma mensagem para ser construída ali, ao vivo. Quero construir esse significado com o público, deixar que ele tome parte ativa deste processo; mas uma preocupação que tenho é de sempre procurar banir a tal aura da obra de arte. Quero obras abertas, abertas ao público (nem sempre interativas, mas que contem com a disponibilidade do público para construir junto ao trabalho a tal mensagem).

mauricio-ianes-zona-morta-galeria-vermelhoMaurício Ianês (no canto superior direito da foto) durante a performance “Zona Morta”, que aconteceu em 2007 na Galeria Vermelho: “Fico o tempo inteiro pensando que eu estou ali numa conversa, num diálogo com o público. E é isso o que me faz superar o frio que eu passei neste trabalho, por exemplo” ©Divulgação

Você não acha que as suas performances são um pouco… hmmm… cabeçudas?
Hahahaha! Adoro o termo “cabeçudo”, mas o que é um trabalho cabeçudo? É um trabalho que tenta fazer com que as pessoas pensem fora dos padrões gastos do cotidiano?  É um trabalho que exige pensamento? Acho que meu trabalho em geral pede uma disponibilidade e uma abertura das pessoas, sim. Se elas não se aproximam do trabalho com essa atitude, o trabalho não existe. Claro, em alguns trabalhos eu cito filósofos, poetas, questiono a história da arte, teoria da linguagem, mas não acho que exija do público esse conhecimento específico, acho que meu trabalho vive muito bem sem “bula”, sem o conhecimento das teorias de liguagem, filosofia, etc, que entram em jogo no meu processo criativo. No entanto, o meu trabalho não vive sem a disponibilidade do público. Não quero trabalhos que possam ser vistos e digeridos em dois segundos.

A arte não deveria se popularizar mais?
A arte deve ser o lugar de pensamento público por excelência, e desta forma inerentemente política. O que não quer dizer que ela tenha que ser simplista ou fácil. Muito pelo contrário. Ela deve ser de digestão difícil. Ela deve dar poder às pessoas, e fazê-las perceber e questionar o poder que elas têm, e isso pode incomodar. O poder de questionamento, de diálogo, de interferir na sociedade, mas para isso o público deve ter uma atitude aberta em relação a ela. É interessante perceber por exemplo que os maiores exemplos de arte “difícil” que temos na história tiveram na verdade as suas origens em uma tentativa de popularizar a arte. Penso aqui em Malevich, Mondrian, Ad Reinhardt, a arte conceitual, o minimalismo, entre outros… Todos tentaram tirar a aura e o distanciamento que a arte tem para aproximá-la do público, mas o público (ou o mercado?), com medo de ter em mãos esse poder, acabou criando para esses movimentos uma aura maior ainda.

Quem são seus ídolos?
Ludwig Wittgenstein. De resto, Paul Celan, Samuel Beckett, Louise Bourgeois. Mas não gosto de ídolos.

Por que eles/elas são seus ídolos?
L.W.: Pelas opções de vida que teve e pela solidez de seu caráter. Pelo menos pelo que o seu biógrafo mostrou. Pelo questionamento radical, mesmo que às vezes problemático, às estruturas do pensamento e da linguagem que o seu pensamento filosófico trouxe.
P.C.: Pela sua poesia.
S.B.: Pela solidez e qualidade do seu trabalho.
L.B.: Pela sua persistência. Não sou grande fã do seu trabalho, mas ela é para mim sempre um exemplo de força e persistência.

ma-ia-reduzidaOs ídolos de Maurício Ianês numa colagem exclusiva feita pelo Romeu Silveira ©Romeuuu/FFW

Onde uma pessoa comum que está interessada em arte deve começar a procurar?
Em casa, no seu cotidiano. Questionando e observando as suas atitudes e padrões cotidianos. Sempre penso em Joseph Beyus e seu trabalho “A revolução somos nós”. Depois, acho que hoje a internet oferece bastante conhecimento básico. Além de, obviamente, visitar galerias e museus.
A partir daí, não faltam cursos razoáveis de estética e história da arte, apesar de eu achar que a maioria deles é tão antiquada que pode destruir um processo que seria muito mais interessante se fosse solitário.

Quais são as galerias boas de São Paulo?
Luisa Strina, Fortes Villaça, Vermelho, Triângulo, Leme.

Moda é arte?
Moda é moda, arte é arte, mas gosto quando tudo fica fluido, apesar de no meu trabalho mesmo isso acontecer pouco.

Moda é business?
Sim.

Arte é business?
Sim.

O que é arte?
Um meio complexo de comunicação e questionamento; um ramo da cultura humana, um meio de expressão, um trabalho.

O que é moda?
Um meio complexo de comunicação e questionamento, com funções específicas, em geral bastante relacionado a uma cultura, e um trabalho.

O que é business?
A troca de produtos – abstratos ou não – vinculados aos desejos de uma sociedade, com valor agregado diretamente relacionado a intensidade deste desejo.

E pra terminar, um recado, qualquer recado, para uma pessoa, qualquer pessoa.
Que entrevista difícil, André!!!

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(QUASE) TUDO SOBRE MAURICIO IANÊS

mauricio-ianes-harajuku©acervo pessoal Alexandre Herchcovitch

Signo.
Câncer.

Ascendente.
Sagitário.

Pecado.
Acreditar em pecados.

Comida.
Qualquer coisa vegan. Sério, gosto de tudo, especialmente comida mediterrânea, árabe, espanhola e italiana.

Um sonho realizado.
Visitar a Islândia, que virou meu lar de coração. Amo o lugar, a natureza, as pessoas, meus amigos de lá. Apesar de não nos vermos tanto, eles têm um lugar especial no meu coração. Acho que o maior sonho na verdade, e que se relaciona com esse, é o de poder ter amigos espalhados pelo mundo e ser capaz de me comunicar com eles, e entender as especificidades de cada um.

Um sonho a se realizar.
Se eu começasse a falar, não ia parar mais. Tenho muitos.

Um medo que superou.
Não tenho muitos medos, mas ficar nu em público era um dos poucos que me afligiam, e um dos maiores. Superado.

Um medo que prefere nem lembrar.
Já me confrontei com esse medo, e fui obrigado a superá-lo. A morte de minha mãe.

Animal de estimação.
Quatro gatos e muitos peixes em dois aquários.

Bebida.
Água.

Copyright ou copy left?
Copy left. Hoje o mundo é cheio de contextos e situações diferentes para que as cópias permaneçam cópias autênticas por muito tempo. No entanto, na hora de criar, não olho muito pra fora.

Viagens.
Islândia (Reykjavík e adjacências), a última viagem para Paris, que durou 6 meses, e Israel. Islândia porque era um sonho de criança, porque tive contato com pessoas especialíssimas e muito carinhosas, e pela natureza. Paris porque tive a oportunidade de experimentar melhor a cidade, e conhecer pessoas que foram muito importantes para mim. Israel pela constante tensão social que me trazia para uma constante consciência sócio-política o tempo todo, além de o país ter uma atmosfera de espiritualidade inacreditável. Impossível não ficar contaminado e impressionado com isso. Além do que, estar em um deserto é uma experiência especialíssima.

Se não fosse o que você é, você gostaria de ser um:

a) índio americano

b) esquimó

c) cigano do leste europeu

d) chefe da tribo ndebele

e) boia fria

f) cowboy

Difícil. Prefiro ainda  continuar sendo o que eu sou experimentar um pouco das vidas destas opções todas. Gosto de vivenciar e experimentar culturas diferentes, e absorver um tanto delas pro meu cotidiano. Já convivi e continuo convivendo com pessoas muito diferentes, sou aberto a isso, gosto de ouvir o que elas têm a dizer e trocar experiências com elas. Por isso acho que não sonho muito em ser alguém diferente. Prefiro ir lá e ter a experiência de vida sendo eu mesmo. Mas hoje sempre que eu entro em crise ainda penso em duas opções, que podem se realizar se a crise for muito grande: criar ovelhas no interior da Islândia ou ser um estudioso da Torah em Jerusalém ou Tsfat. Já cheguei perto disso várias vezes, mas acabei voltando atrás na decisão.

Filosofia.
Muitas. Mas acho que resumo tudo em uma tentativa de levar uma vida baseada na ética, no respeito e na tolerância. Sou aberto a mudanças. Procuro sempre ser bem humorado, mesmo quando sou mal humorado. E sou vegan radical, por princípio.

Lembrança mais marcante da infância.
Quando eu aprendi a ler. Achei mágico. Pintar desenhar com a minha mãe, eu chegava a ficar febril de tão feliz. Lembro também de ser bem silencioso, mas de ter dias em que eu falava sem parar. Uma outra memória que até hoje eu guardo com muito carinho e bastante nostalgia eram os passeios das noites de Domingo, quando minha mãe e meu pai (o Arthur) me levavam para passear pela avenida da praia, de carro. Ouvíamos música, eu ficava olhando a praia e a cidade, e dormia. Sempre voltava dormindo, e era carregado pra cama.

Melhor amigo(a).
Não gosto de falar em melhores amigos. Todos os meus amigos que fazem parte da minha vida cotidiana de fato são meus melhores amigos, e tenho sorte de trabalhar ao lado de alguns deles.

Hobbies.
Ler, ir ao cinema, ficar com amigos, irmãos, e o namorado.

Televisão.
Raramente, mas gosto de ver documentários sobre as ciências e sobre os animais. De resto, acho a maioria da programação repulsiva. Uma piada burra.

Filme.
“Nostalgia”, de Andrei Tarkovsky e “O Espelho”, do mesmo diretor.

Música.
Barulhos, adoro prestar atenção a barulhos ordinários. Além disso, Grouper, Yellow Swans, Prurient, Luigi Nono, Xela, William Fowler Collins (ouça no player abaixo), Colleen, Burzum, entre outros.

William Fowler Collins – Perdition Hill Radio by _type

Cheiro.
Pele, cheiro dos meus bichos, e “Odeur 53″.

Tatuagens.
Considero os meus dois braços fechados uma tatuagem só. Fora essa, tenho mais 6.

Qual foi a primeira?
A primeira foi “soterrada” pela tatuagem preta no meu braço esquerdo. Era o desenho de uma sereia do artista Odilon Redon.

E a mais recente?
A do meu queixo. Faz tempo que não faço uma nova.

E qual é a sua favorita?
Não tenho favorita, gosto de todas, mas acho a do queixo especial.

Felicidade.
Produzir, trabalhar e ver arte. Ficar em casa com meu namorado e meus bichos, ou com a família, também me faz feliz, apesar de eu acabar ficando pouco com a minha família.

Tristeza.
Ficar improdutivo e me deparar com situações de intolerância e falta de respeito.

Revistas.
Regularmente leio a “ArtForum”, “Dazed and Confused”, “i-D”, “Vogue Itália”. O resto eu não leio com tanta regularidade. Sinto falta da “Dutch”.

Livro.
“O Processo”, de Franz Kafka.

O que você aprendeu de fato na faculdade?
A ter as dúvidas certas.

E o que a vida lhe ensinou de mais importante?
A não ficar estagnado e a correr atrás das minhas crenças, mesmo que sozinho.

Maurício Ianês: ‘Moda é moda, arte é arte. E tudo é business’

O ‘novo militarismo’ vai dominar o Inverno 2010!

Coven - Fashion Rio Inverno 2010Backstage do desfile de Inverno 2010 da Coven: militarismo reinterpretado através de tricôs e Lurex © Agência Fotosite

Agora que terminou a temporada de desfiles para o Inverno 2010, chegou a hora de filtrar as principais tendências que (re)apareceram nas passarelas.

Uma delas foi a onda militar, que contaminou todo o mundo da moda, transformando os trenchcoats nas novas jaquetas, os camuflados nos novos florais e o verde militar no novo preto, confirmando que a moda está em pé de guerra. Junya Watanabe, Burberry, Pedro Lourenço e Louise Goldin foram algumas das grifes que investiram na tendência nas semanas internacionais.

Apesar de serem eventos repudiantes, as guerras serviram, historicamente, como pool de inovações. Foi durante a 2ª Guerra Mundial, por exemplo, que surgiu o náilon como tecido usado nos paraquedas e outros itens militares. O próprio trenchcoat saiu dos campos de batalha. Além disso, macacões, jaquetas aviador, ombreiras, bolsos utilitários e uma infinidade de outros itens hoje comuns no nosso guarda-roupa antes eram restritos ao frontline.

A culpa pode ser da economia mundial instável, da violência urbana ou mesmo da ansiedade que já faz parte do nosso cotidiano. Cada vez mais queremos nos proteger do mundo lá fora. E a moda, como espelho da sociedade, reflete essa imagem de insegurança de váris formas, uma delas o militarismo.

A novidade agora é que a onda não se resume a jaqueta militar ou ao trenchcoat – item que foi tendência no Verão 2010. O militarismo do Inverno 2010 não é óbvio. Para muito além dos camuflados e jaquetas inspiradas nos anos 1940, as referências militares de agora são trabalhadas de maneira sutil. “Queremos apenas as referências leves do militarismo”, disse Maurício Ianês antes do seu desfile para a TNG em janeiro deste ano, durante o Fashion Rio.

Para a maioria dos estilistas que citaram a referência em suas coleções desfiladas nesta temporada, a sutileza foi um atributo essencial. O novo militar serve principalmente aos propósitos da alfaiataria, funcionando muito mais como elemento de decoração para blazeres, jaquetas, coletes e até camisas.

Foi assim na Juliana Jabour, onde o militar serviu de recurso essencial para dar força e estrutura a sua moda que costuma ser bem feminina. Para Alexandre Herchcovitch, veio como elemento de poder essencial para sua alfaiataria impecável, tanto no feminino quanto no masculino.

Na TNG, o militar também aparece escondido entre os motivos étnicos e mixado com as referências de esquimós caçadores do Alasca. Já na Cantão, a pluralidade de culturas e etnias de Budapeste abusa do verde militar e da modelagem de suas jaquetas e vestidos de ombros ligeiramente marcados. E na 2nd Floor uma das peças icônicas do militarismo – o trenchcoat – serve de base para modelagem da coleção inteira.

Até mesmo quando a referência militar é interpretada de forma mais literal, existem as modificações: nas proporções, modelagens e tecidos que ganham contornos mais contemporâneos, mais próximos da nossa realidade. Um dos melhores exemplos neste caso é a Coven que usou e abusou de tricôs e Lurex para retransformar o militar. Reveja:

+ Confira a Vitrine FFW especial sobre Militarismo

O ‘novo militarismo’ vai dominar o Inverno 2010!

Camisetas de couro: inadequadas ou extremamente desejáveis?

Tudo começou com o verão 2010 da Celine – que, assim como a Lanvin, se tornou uma grife de referência para algumas marcas brasileiras. Simples, prática e sofisticada, a coleção apresentada pela estilista Phoebe Philo se conectou de imediato ao estilo de vida das mulheres (de verdade) do século 21.

Na mesma temporada, outras grifes como Balenciaga, 3.1 Philip Lim e Hermès investiram numa versão incomum de camiseta. Em vez de algodão, jérsei ou poliéster, elegeram o couro como material para dar forma (e peso) às peças. Meses depois, as camisetas de couro – que não pareciam adequadas – se tornaram extremamente desejáveis.

camisas-de-couroMaison Martin Margiela inverno 2010, Balenciaga, Celine verão 2010 e TNG inverno 2010 © FirstView e Agência Fotosite

Algumas marcas brasileiras resolveram seguir essa micro tendência. Na TNG, Mauricio Ianês brincou com a camiseta de couro, fazendo mixagem com vestidos de tricô. A estilista Patrícia Viera, conhecida como a “papisa do couro” no Brasil, também mostrou algumas variações do modelo.

Já falamos aqui que, através de avançadas tecnologias têxteis, hoje é possível deixar o couro leve, maleável e confortável.

O uso de camisetas não-básicas tem se mostrado uma alternativa esperta na hora de turbinar um look simples. Além disso, é importante relembrar que desde 2008 os vestidos tem perdido força nas passarelas, dando cada vez mais lugar aos looks separates (compostos por 2 ou mais peças independentes). Neste contexto, as t-shirts são essenciais.

Primeiro veio a Prada, depois Hussein Chalayan e até Alber Elbaz (para Lanvin) criaram linhas especiais só de camisetas, adicionando detalhes para fazer a diferença: modelagens, estampas, aplicações e bordados agregam valor e informação de moda, transformando as camisetas nos itens perfeitos para quem busca simplicidade e praticidade, mas sem abrir mão da elegância.

Camisetas de couro: inadequadas ou extremamente desejáveis?

No iPod de Maurício Ianês: ouça Morrissey, Melvins e mais!

Diretor criativo da TNG, braço direito de Alexandre Herchcovitch, artista plástico, diretor de arte: Maurício Iânes parece ter toque de Midas. Tudo em que toca vira ouro. Na Bienal para o desfile de Alexandre Herchcovitch, Ianês elencou cinco músicas que têm ouvido ultimamente – e as que não deixa de ouvir nunca.

Aperte o play:

Clipboard02Maurício Ianês abriu seu iPod (barulhento!) para o portal FFW © Becky Maynes / Agência Fotosite

“Big Church” - Sun (o)))

“Pornography” – The Cure

“Color Green” - Sibtyle Baier

“This Charming Man” – The Smiths

“Qualquer Uma!” - Melvins

“Late Night” - Morrisey

No iPod de Maurício Ianês: ouça Morrissey, Melvins e mais!

“Dicenário” Bienal: fashionistas definem a cenografia do SPFW

A comunicação é dinâmica e, portanto, precisa acompanhar as mudanças culturais colocadas à prova. Recentemente, a Associação Brasileira de Letras revirou do avesso a gramática tupiniquim, subtraindo acentos, reinventado o uso do hífen e até de alguns termos compostos. O que seria um caos provocativo, na dialética defendida pelo linguista (sem trema mesmo) norteamericano (agora sem hífen!), Noam Chomsky, que defende que a capacidade para produzir e estruturar frases é inata ao ser humano, ou seja, já é uma espécie de herança genética, se transformou no mote central desta edição do SPFW. Palavras e ícones foram colocados ao longo dos corredores da Bienal, instigando leituras pouco convencionais dos visitantes. Cada um interpreta o significado conforme o seu próprio universo. Resolvemos ampliar a discussão e colocar os pingos nos is.

“Dicenário” SPFW:

Clássico. clás.si.co adj (baixo-lat classicu) 1. “Por que todo mundo me faz esta pergunta? Eu não sou nada clássica! Mas considero a palavra um estilo que envolve toda uma questão cultural; no Brasil isso significa ser careta”, arremata a consultora de moda, Costanza Pascolato. 2. Relativo à literatura grega ou latina. 2 Diz-se da obra ou do autor que é de estilo impecável e constitui modelo digno de imitação. 3 Aplica-se ao período de uma determinada língua no qual ela apresenta, no seu uso culto e literário, sensível estabilidade de formas gramaticais e notável precisão no aproveitamento dessas formas, por haver uma norma lingüística bem assente e firme (Matoso Câmara Jr.), define o dicionário Michaelis.

DSC_4636A consultora de moda, Costanza Pascolato, não se considera clássica © Priscila Vilariño/FFW

Delicious. 1. “A vida pode ser bem delicious, como a moda”, define Doris Bicudo, editora da RG Vogue. 2. é um site que oferece serviço que permite que você adicione e pesquise bookmarks sobre qualquer assunto, define o site Wikipédia. 3. No mundo da moda virou sinônimo de boas sacadas. 4. Ao pé da letra, traduzido do inglês, delicioso.

DSC_5318A editora da  RG Vogue, Doris Bicudo © Priscila Vilariño/FFW

Desejo. de.se.jo (ê) sm (baixo-lat desidiu) 1. “Desejo é tudo. É a vida”, define o fotógrafo Marcio Madeira. 2. Ação de desejar. 3. O que se deseja. 4. Anseio, aspiração veemente. 5. Cobiça. 6. Apetite, vontade de comer ou de beber. 7. Apetite carnal, concupiscência. 8. Desígnio, intenção, define o dicionário Michaelis. 9. Psicol “Impulso, acompanhado da imagem da sua satisfação; surge quando há demora na satisfação desse impulso” (Donald Pierson).

marcio_madeiraMarcio Madeira  revela seu desejo à flor da pele © Priscila Vilariño/FFW

Escapismo. es.ca.pis.mo sm (escap(ar)+ismo) 1. “A moda tem muito escapismo, pois permite levar qualquer pessoa direto para outra realidade. A moda é transformadora”, define o estilista, Dudu Bertholini. 2. Ato ou tendência de escapar, esquivar-se, fugir de qualquer coisa que seja, ou pareça ser, penosa, áspera, causadora de sofrimento, define o dicionário Michaelis.

Experimental. ex.pe.ri.men.tal adj m+f (experimento+al3) 1.“Gosto de coisas que nos levam para longe do padrão, que nos possibilita ser livre e achar novas soluções”, define o stylist, Maurício Ianes. 2. Relativo a experiência ou a experimentos, ou por eles caracterizado. 2 Baseado na experiência; empírico. 3 Derivado da experiência ou por ela descoberto; prático: Resultados experimentais. 4 Que serve aos fins ou é usado como meio de experimentação. Conhecimento experimental: o que se funda sobre fatos e na análise científica.

DSC_4631Ianês e seus experimentalismos © Priscila Vilariño/FFW

Excesso. ex.ces.so sm (lat excessu) 1. “O menos é mais”, define o cabeleireiro Mauro Freire. 2. Diferença para mais entre duas quantidades; excedente, sobra. 3. Grau elevado; exagero, cúmulo, define o dicionário Michaelis.

DSC_4562O cabeleireiro Mauro Freire decreta o fim dos excessos © Priscila Vilariño/FFW

Falação. fa.la.ção sf (falar+ção) 1. “Moda não precisa de texto”, avisa o editor de moda Ricardo Oliveiros. 2. Fala. 3. pop Discurso, parolagem, define o dicionário Michaelis.

DSC_5231Fale somente o necessário, avisa Ricardo Oliveiros © Priscila Vilariño/FFW

Kitsch. 1.“É um pinguim sobre a geladeira”, define p apresentador do Programa esquadrão da Moda, Arlindo Grund. 2. É um termo de origem alemã (verkitschen), usado para categorizar objetos de valor estético distorcidos e/ou exagerados, que são considerados inferiores à sua cópia existente, define o site Wikipédia.

Sonho. so.nho sm (lat somniu) 1. “A vontade de correr atrás do infinito. O sonho traduz bem isso. Tudo na minha vida se resume a isso. É muito, né?!”, define o fotógrafo Rogério Cavalcanti. 2. Representação em nossa mente de alguma coisa ou fato, enquanto dormimos, define o dicionário Michaelis.

foto_0001E fez-se a luz para Rogério Cavalcanti © Priscila Vilariño/FFW


Colaboraram Bianca Pelliciari e Lica Altafim

Produção Lêda Villas Bôas

“Dicenário” Bienal: fashionistas definem a cenografia do SPFW

A moda sitiada: militarismo dita as regras no inverno 2010

Coven - Fashion Rio Inverno 2010Backstage da grife Coven: uma série de guerra do gravurista Goya inspirou o militarismo na coleção © Agência Fotosite

O FFW antecipou e os desfiles do Fashion Rio confirmaram: o militarismo é uma das grandes vontades o inverno 2010. Não de forma óbvia, indo muito além dos camuflados e jaquetas inspiradas nos Anos 40. “Agora queremos referências leves do militarismo”, disse Maurício Ianês antes do seu ótimo desfile para a TNG. E são leves mesmo. Para todos os estilistas que citaram a referência em suas coleções desfiladas nas passarelas cariocas, a sutileza era atributo essencial.

O novo militar serve aos propósitos da alfaiataria, funcionando muito mais como elemento de decoração para blazeres, jaquetas, coletes e até camisas. Foi assim na Juliana Jabour, onde o militar foi recurso essencial para dar força e estrutura à sua moda que costuma ser bem feminina. Na TNG, o militar também aparece escondido entre os motivos étnicos e mixado com as referências de esquimós caçadores do Alasca; enquanto na Cantão é a pluralidade de culturas e etnias de Budapeste que abusa do verde militar e da modelagem de suas jaquetas e vestidos de ombros ligeiramente marcados. Já a Coven optou por uma imagem militar um pouco mais literal, mas saiu ganhando ao investir no avançado trabalho de tricô com Lurex.

A moda sitiada: militarismo dita as regras no inverno 2010

Esquimós-caçadores-totêmicos: TNG supera todas as expectativas

Veja fotos, leia a análise e assista ao vídeo do desfile de Inverno 2010 da grife TNG.

Esquimós-caçadores-totêmicos: TNG supera todas as expectativas

Ianês fala de sua estreia na TNG: “é styling, só que mais aprofundado”

Mauricio IanesUm dos desfiles mais aguardados desta edição do Fashion Rio é o da TNG, que conta com a estreia do artista e stylist Mauricio Ianês na direção criativa da marca. O posto era antes ocupado pela editora de moda Regina Guerreiro, que decidiu se desligar da grife meses após o desfile da coleção Verão 2010, em junho de 2009. O portal FFW falou com Maurício no backstage momentos antes da apresentação. Confira:

Como é ser diretor criativo da TNG?
Vejo este trabalho como um styling mais aprofundado. Acompanho todo o processo criativo da equipe de estilo, da concepção de ideias à edição do desfile, sempre dando conselhos e buscando transformar o universo da TNG em algo que seja interessante tanto para o público da marca, quanto para vocês (imprensa especializada).

Mas o trabalho é voltado para um público totalmente diferente daquele que você está acostumado a lidar (Alexandre Herchcovitch, Zapping, Ellus).
É um público tão importante quanto esse outro. É preciso entender bem o que é a marca, com quem ela fala e pra quem é o desfile. Além de levar em conta aquilo que o consumidor da TNG deseja, tenho que mostrar algo com relevância para a moda. Dar uma cara mais arrojada e interessante para o público da marca.

Como essa teoria se desdobra na prática?
A coleção é inspirada nos caçadores do Alasca, Canadá e norte dos EUA. Eles servem de referências para as formas e modelagens das peças com muitas cores neutras, trazendo também um aspecto rústico com alguns elementos étnicos de tribos indígenas daquelas regiões e também dos Inuit (etnia esquimó). Tem também militarismo e um forte jogo de tecidos em contraste: leves contra pesados, estruturados contra soltos, naturais contra sintéticos.

Site oficial da marca: tng.com.br

Ianês fala de sua estreia na TNG: “é styling, só que mais aprofundado”