Estampas

17/10/2012

por | Cultura Pop

Imagem do video de Anita Fontaine para a Louis Vuitton ©Divulgação

Como forma de divulgação da linha de acessórios da Louis Vuitton da passada coleção de Inverno 2012 com a estampa Leopard do artista Stephen Sprouse, a marca convidou uma das diretoras do estúdio White Lodge, Anita Fontaine, para dirigir um vídeo comemorativo. O trabalho, que você pode ver abaixo, pretende celebrar e reproduzir as estéticas de vanguarda praticadas por Sprouse nas suas obras, como a utilização de grafite, luz Day-Glo (que brilha no escuro), pinturas em imagens já existentes, estática de TV e fotocópia. A trilha sonora é a música “Little People (Black City)”, de Matthew Dear.

Stephen Sprouse atingiu o auge da sua fama nos anos 80, por meio dos seus designs de moda – ele desfilou várias vezes a sua marca homônima -, e pelos seus grafites. Sua parceria com a Louis Vuitton começou na coleção de Primavera 2001, quando Marc Jacobs convidou o artista para grafitar os acessórios da marca, criando assim a estampa Monogram Grafite. Sprouse faleceu em 2004 aos 50 anos, e a sua estampa Leopard, criada em 1987, foi utilizada por Marc Jacobs, como homenagem póstuma ao artista, nas suas coleções de Inverno 2006 e 2008, em bolsas, sapatos e lenços. Desde então, e devido ao seu sucesso, esta é uma parceria que vem sendo constantemente revisitada pela Louis Vuitton em suas linhas de acessórios.

Desfile da Louis Vuitton Primavera 2001 com o monograma da marca desenhado por Sprouse e uma foto de Stephen Sprouse, Philip Treacy e Marc Jacobs no backstage do mesmo desfile ©Reprodução

Quadriculado

03/10/2012

por | Moda

Por Paula Rita Saady, de Paris

Louis Vuitton Verão 2013 ©Paula Rita Saady

A Louis Vuitton abriu o último dia da semana de moda de Paris Verão 2013 com um desfile performance (veja as fotos aqui). Esta é uma coleção dedicada ao Damier, o tabuleiro de xadrez, que também é um dos símbolos da maison.

Dessa vez não havia monograma, o que é especialmente raro em um desfile Louis Vuitton. Mas se houvesse, iria quebrar o efeito do desfile, que foi mais uma performance: modelos chegavam em dupla em um cenário quadriculado, por meio de escadas rolantes, e caminhavam de maneira sincronizada usando looks complementares. “As modelos em dupla serviam para destacar o grafismo do desfile”, disse o estilista Marc Jacobs, no camarim, aos jornalistas (FFW também estava lá).

“Les Deux Plateaux” ©Paula Rita Saady

Essa ideia foi concebida em colaboração com o artista Daniel Buren, o mesmo que fez a instalação “Les Deux Plateaux”, em que 260 colunas listradas alinhadas decoram a entrada do Palais Royal, em Paris. Um ponto turístico, mas Marc é um americano encantado por Paris e esse desfile tem muito da Op Art e do senso de humor do filme “ Who are you, Polly Maggoo?” (1966), de William Klein, que por acaso conta a vida de uma americana em Paris através da moda. Uma ironia às amigas que vão ao shopping e se vestem parecido? Mas na Vuitton essa imagem funcionou, pois as roupas brincavam com os comprimentos e proporções, sempre mantendo o xadrez, em preto/branco ou amarelo/branco, e outros em tamanhos diferentes. Até as flores nas estampas eram compostas por cubos, e a bolsa ficou mais quadrada e pequena. Os mais interessantes foram os de efeito vazado, feitos à mão. “Eu queria cortar o romance, tão forte nas últimas coleções. Queria algo poderoso sem precisar contar um história — acabei chegando no xadrez”, explicou Marc à imprensa.

Marc Jacobs no backstage da Louis Vuitton ©Paula Rita Saady

A saia tubular, a barriga de fora, ternos, decote em V profundo, transparências, e vestidos linha A – todos os must have do verão estavam lá, em embalagem gráfica e visualmente emocionante. “É um desfile que faz bem para os olhos, e faz pensar muito sobre a moda” , resumiu Carine Roitfeld ao FFW na saída do desfile.

Polêmica entre Michael Phelps, Louis Vuitton e Olimpíadas

20/08/2012

por | Moda

Michael Phelps para Louis VuittonMichael Phelps para Louis Vuitton. Foto divulgada no dia 7 de agosto ©Reprodução

Nesta edição de 2012, o Comitê Olímpico Internacional criou uma regra muito específica, a “Regra 40″, em que deixa claro que nenhum atleta poderia participar de campanhas publicitárias não relacionadas às olimpíadas no período de 18 de julho a 15 agosto. Simples e direta. No entanto, tal restrição poderá custar as quatro medalhas de ouro e duas de prata conquistadas pelo nadador americano Michael Phelps, já que imagens de sua campanha para a Louis Vuitton vazaram no website espanhol Elperiodico.com no dia 7 de agosto, com o comentário de que o nadador seria o novo rosto da marca.

Larisa Latynina e Michael Phelps na campanha da Louis Vuitton, clicada por Annie Leibovitz ©Reprodução

No fim, tudo dependerá da Louis Vuitton. Caso se confirme o álibi da marca, de que as imagens foram roubadas e publicadas sem autorização, o recordista americano continuará com suas seis medalhas na coleção. No entanto, se for comprovado que as imagens foram vazadas intencionalmente, o atleta corre sério risco de perdê-las, voltando assim a ter “apenas” 16 medalhas. Curiosamente, caso isto aconteça, o recorde de maior medalhista nas olimpíadas voltará à Larisa Latynina, a ginasta ucraniana que contracena com Phelps em uma das imagens, fotografada por Annie Leibovitz. A campanha, já no ar no website Louis Vuitton Journeys: Beyond the Limits, conta também com um vídeo-experiência com as inspirações do atleta americano.

Yayoi Kusama fala sobre Marc Jacobs e parceria com Louis Vuitton

10/07/2012

por | Moda

Yayoi Kusama e a sua “Yellow Tree Furniture” ©Reprodução

Finalmente chega às lojas, na terça-feira (11.07), a “Infinitely Kusama”, parceria entre a Louis Vuitton e Yayoi Kusama que conta com roupas, bolsas, sapatos e acessórios com a icônica estampa de bolinhas, característica da artista japonesa. Nessa mesma data abre em Nova York a primeira das sete lojas temporárias da colaboração – e a cidade também recebe, no Whitney Museum, de 12 de julho a 30 de setembro, a mesma exposição de Kusama com apoio da Louis Vuitton que esteve em cartaz no Tate Modern. As restantes lojas serão: duas em Tóquio e uma em Paris, Hong Kong, Cingapura e Londres.

Em entrevista ao site “The Cut” sobre o designer da Louis Vuitton, Yayoi afirmou: “A atitude sincera de Marc Jacobs em relação à arte é a mesma que a minha. Eu o respeito como um designer magnífico. A Louis Vuitton compreende e aprecia a natureza da minha arte. E não é assim tão diferente do meu processo de criar moda”. Na verdade, esta não é a primeira vez que Yayoi transcende do seu universo da arte para a moda. Quando a artista vivia em Nova York, nos anos 60, inaugurou a Kusama Fashion Company, que vendia os seus vestidos e tecidos, todos com estampa de bolinhas, em lojas incluindo as suas na 6th Avenue e na 8th Street. Durante algum tempo, a varejista de luxo Bloomingdale’s dedicou-lhe um espaço onde vendia as suas criações vanguardistas como o “Homo Dress”, um vestido com um corte estratégico na parte de atrás, que custava aproximadamente US$ 15 (R$ 30).

Os primeiros looks da coleção ©Reprodução

A ideia para a “Infinitely Kusama” surgiu durante uma viagem da Louis Vuitton a Tóquio, onde Marc Jacobs se sentiu atraído, como o mesmo descreve, pela “energia interminável” da “princesa dos polka-dots”. “Foi realmente encantador porque fomos ao seu ateliê e ela conversou comigo durante algum tempo; cada vez que eu me levantava para ir embora ela me puxava de volta. Ela ficou muito feliz quando mostrou uma Speedy [bolsa da Louis Vuitton] que ela tinha pintado à mão. Isto vai trazer o trabalho de Kusama a outro público, será um novo lugar para ver esse trabalho e apreciá-lo através dos olhos da Vuitton”, diz Marc.

Veja o vídeo abaixo e ouça a história do encontro entre Marc Jacbs e Yayoi na primeira pessoa:


Carteira e sapatos da coleção Infinitely Kusama
©Reprodução


Bolsas, sapatos e óculos escuros da coleção
©Reprodução

No vídeo abaixo, com styling de Katie Grand, diretora da revista britânica “Love” e colaboradora da Vuitton há vários anos, e fotografia de Angelo Pennetta, podemos ver como a coleção promete ser animada e colorida.

“It” bolsas

05/07/2012

por | Moda

Campanha de Outono/Inverno 2012 da Mulberry ©Tim Walker/Reprodução

A Luxury Society, organização francesa destinada a investigar os rumos do mercado de luxo, bem como conectar profissionais do setor, divulgou uma análise em que o prestígio de determinadas marcas é medido a partir do desempenho de suas bolsas em ferramentas de busca na internet. Por meio da apreciação de 130 milhões de pesquisas virtuais realizadas em oito países, divididos em três continentes, o estudo avaliou a “performance” de 130 grifes, entre elas Chanel, Louis Vuitton, Hermès, Mulberry e Gucci. O resultado originou o “Top 10 Most Searched Luxury Handbags Brands Globally” (“Top 10 de Marcas de Bolsas de Luxo Mais Buscadas Internacionalmente”, em tradução livre para o português), além de disponibilizar dados interessantes acerca dos gostos e preferências regionais.

Números de buscas de bolsas de marcas de luxo por 1.000 usuários ©Reprodução

A primeira informação trazida na análise afirma que, considerando-se o número de buscas por bolsas de luxo em um total de 1.000 usuários, os britânicos são os líderes com 422 pesquisas. Como o próprio estudo justifica, a opção por adotar tal método de avaliação deu-se em virtude de cada país apresentar tamanhos populacionais e mercadológicos completamente distintos. A seguir, é revelado que no Japão a Louis Vuitton ocupa apenas a nona posição no ranking nacional, enquanto que nos outros sete países a marca está presente entre os cinco primeiros lugares. O fato acontece talvez porque, de acordo com o “The Economist”, 85% das japonesas já possuem peças da grife francesa. Já a Coach, muito popular nos Estados Unidos, é pouco conhecida – e desejada – na Europa: está em 29º na Itália, 19º na França e 11º na Alemanha.

Campanha de Primavera/Verão 2012 da Longchamp, com a modelo Coco Rocha ©Reprodução

Apesar de a França também ser a terra de origem das tradicionais Hermès e Chanel, é a Longchamp a marca mais buscada virtualmente no país; a Louis Vuitton vem logo em seguida, em segundo lugar. Algo semelhante ocorre no Reino Unido, onde a Mulberry tem quase o dobro numérico de pesquisas à frente da Chanel. O mais interessante nesses últimos dados é que tanto Longchamp quanto Mulberry são menos tradicionais e com preços mais amistosos que as supracitadas. Quanto ao Brasil, a análise aponta uma curiosa preferência por marcas fora da esfera do, como intitulam, “mega-mainstream”: a Céline e a Balenciaga, por exemplo, aparecem na terceira e sétima posições, respectivamente.

No que diz respeito a modelos específicos, a “Birkin”, da Hermès, é a bolsa mais pesquisada nos Estados Unidos, Reino Unido e França. No entanto, os consumidores americanos parecem preferir a peça em cor laranja, enquanto os franceses dão preferência à preta. Já as clássicas “2.55”, da Chanel, e a “Speedy”, da Louis Vuitton, têm também nos Estados Unidos seu maior número de buscas. O ranking divulgado pela Luxuty Society trabalha com a avaliação proporcional de todos os países investigados; confira abaixo:

1. Coach
2. Louis Vuitton
3. Chanel
4. Gucci
5. Longchamp
6. Prada
7. Hermès
8. Mulberry
9. Marc Jacobs
10. Michael Kors

Briga de gigantes

19/06/2012

por | Moda

As bolsas “da discórdia”: a cena acima foi o motivo da batalha judicial entre Louis Vuitton e Warner Bros. ©Reprodução

Não é possível ganhar sempre, nem mesmo quando se é um dos maiores impérios do mercado de luxo internacional. Nesta segunda-feira (18.06), foi anunciada a derrota da Louis Vuitton em uma batalha judicial contra a Warner Bros., outra gigante, mas da área do entretenimento. Em dezembro de 2011, a marca francesa, integrante do grupo LVMH, iniciou um processo contra o estúdio americano alegando que em uma das cenas do filme “Se Beber, Não Case! Parte II”, protagonizado por Bradley Cooper e Ed Helms, foram usadas bagagens falsas, que imitavam o logo da grife.

A decisão, dada por Andrew Carter, juiz federal de Nova York, considerou as alegações da Louis Vuitton “não plausíveis”, ou tampouco “particularmente convincentes”. De acordo com o magistrado, a cena em questão, em que o personagem Alan, vivido por Zach Galifianakis, carrega uma bagagem com os logos da marca francesa, incluindo as letras “LVM”, e fala ao companheiro de viagem: “Cuidado, isto é uma Louis Vuitton”, pronunciando o nome da grife de modo incorreto, não causa confusão ao consumidor, conforme aduzido pela mesma.

Em sua petição inicial, a Louis Vuitton demandava parte dos lucros do filme e “danos triplos”, além da destruição de todas as cópias de “Se Beber, Não Case! Parte II”. O juiz, no entanto, recusou as alegações e não concedeu indenização alguma à grife. Em comunicado para o “WWD”, os representantes da Louis Vuitton afirmaram: “Estamos profundamente desapontados com a decisão da corte. [...] Continuamos comprometidos à proteção da nossa marca, e permaneceremos vigilantes em nossos esforços para prevenir o uso inapropriado e enganoso da nossa marca registrada, a favor dos nossos clientes”.

- A cena de “Se Beber, Não Case! Parte II”:

Em abril de 2012, a Louis Vuitton ganhou uma causa muito mais razoável: em um caso proposto contra empresas asiáticas especializadas na falsificação ou cópia de produtos e símbolos desenvolvidos pela marca francesa e que, além do plágio, lucravam ilegalmente milhões com essa atividade.

Louis Vuitton ganha batalha contra falsificação em corte norte-americana

18/04/2012

por | Moda

©Reprodução

Nesta terça-feira (17.04), a United States International Trade Comission (Comissão Internacional do Comércio dos Estados Unidos, em português) regulou a favor da Louis Vuitton em um caso proposto contra empresas especializadas na falsificação ou cópia de produtos e símbolos desenvolvidos pela marca francesa e que, além do plágio, lucram ilegalmente milhões com essa atividade. Em termos práticos, com a decisão, a agência governamental irá penalizar companhias que facilitam a compra e venda desses bens em território americano, o que inclui o espaço virtual (leia-se sociedades comerciais em meio eletrônico como PayPal e eBay ou, no Brasil, Mercado Livre).

De acordo com o “WWD”, não é comum o requerimento de ações judiciais diante à ITC, mas o ganho de causa da Louis Vuitton é mais uma via das marcas protegerem suas criações do comércio gigantesco que se tornou a falsificação de produtos de luxo. “Como a primeira companhia de bens de luxo a procurar reparação na ITC, nós estamos satisfeitos com a medida significante que foi recomendada. O juiz reconhece a importância de proteger a propriedade intelectual e tomou o bem-vindo passo de assegurar que suas ordens incluam todas as mercadorias que infrinjam nossos monogramas [...] Nós vamos continuar protegendo nossa marca e nossos consumidores, e preservar os direitos dos designers e artistas”, comemorou a decisão Valerie Sonnier, diretora global de assuntos ligados à propriedade intelectual da Louis Vuitton.

Psicodelia poética: o que está por trás das esferas mágicas de Yayoi Kusama

15/03/2012

por | Cultura Pop

Yayoi Kusama na década de 1960 ©Reprodução

Esferas. Perfeitamente simétricas e coloridas. Essa forma geométrica, tão imersa na vida cotidiana por meio de objetos banais, ganhou uma nova perspectiva a partir da visão peculiar de Yayoi Kusama. Contemporânea de nomes como Andy Warhol, Georgia O’Keeffe e Claes Oldenburg, a artista plástica japonesa converteu-se em um dos expoentes do movimento pop que dominou os Estados Unidos na década de 1960 e, muito antes de Takashi Murakami, conquistou Oriente e Ocidente com sua “psicodelia poética”. Desde o início de fevereiro, a Tate Modern, em Londres, está apresentando uma das maiores retrospectivas da obra de Kusama, que, prestes a completar 83 anos, continua ativa e inspiradora.

O abstracionismo quase mágico e a constante repetição de padronagens presentes nas pinturas, colagens, esculturas e instalações de Kusama estão intrinsecamente ligados ao seu estado mental e a sua obsessão por determinados símbolos, como as já citadas esferas e, em menor escala, as “infinitas redes”. A artista, que nasceu em 1929 em Matsumoto, Japão, apresenta um quadro severo de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e, desde a infância, é acometida por alucinações que a levaram, em 1977, a se internar voluntariamente em uma instituição de saúde mental – o que não a impediu de produzir.

Yayoi Kusama no período que passou nos Estados Unidos ©Reprodução

Anteriormente à internação, no entanto, Kusama viveu 15 anos nos Estados Unidos. Durante esse período produziu inúmeras instalações e performances urbanas controversas como, por exemplo, um protesto contra a Guerra do Vietnã, em que pintou os corpos de dezenas de pessoas com poás, ou ainda “Grand Orgy to Awaken the Dead at the MoMA”, quando reuniu homens e mulheres nus no jardim do museu nova-iorquino, em 1969. Isso sem contar na participação da 33ª Bienal de Veneza, em 1966, onde expôs “Narcissus Garden”, obra que reúne 500 esferas espelhadas e que hoje se encontra no Museu da Arte Contemporânea, em Inhotim, Minas Gerais.

“Narcissus Garden”, em Inhotim ©Reprodução

Além das obras de artes plásticas, Kusama já escreveu alguns romances, produziu e atuou em dois filmes (“Kusama’s Self-Obliteration”, de 1968, ganhou os prêmios da 4º Competição Internacional de Filmes Experimentais, na Bélgica, e do Festival de Cinema de Maryland) e recentemente colaborou com a Louis Vuitton (que, inclusive, é a patrocinadora da mostra na Tate Modern) e a Lancôme, desenvolvendo acessórios, joias, relógios, bolsas e sapatos ao lado de Marc Jacobs e uma linha de seis batons tipo gloss, respectivamente.  Apesar de toda a produção individual, parcerias e exposições, Kusama não saía do Japão há 12 anos e raramente faz aparições públicas ou dá entrevistas, mas para a abertura da mostra na Tate, a japonesa se fez presente com sua já tradicional peruca vermelha e vestido…de poás.

Conheça na galeria abaixo mais do trabalho fascinante e curioso de Yayoi Kusama.

Yayoi Kusama no Tate Modern ©Reprodução

“Yayoi Kusama” @ Tate Modern
Bankside, Londres SE1 9TG
De 09 de fevereiro a 05 de junho
+ Site Tate Modern  

The Obliteration Room, exhibition Look Now, See Forever
©Reprodução

O FFW já visitou a mostra “Louis Vuitton – Marc Jacobs”; saiba tudo

08/03/2012

por | Moda

Por Paula Rita Saady, em Paris

©Paula Rita Saady

A exposição “Louis Vuitton – Marc Jacobs” começou na quinta-feira (08.03) no Museu de Artes Decorativas, em Paris. Ela traça um paralelo entre a trajetória desses dois homens, e como suas ideias inovadoras foram importantes para o prestígio que a marca tem hoje.

No primeiro andar, a história de Louis Vuitton, que começou a fabricar malas em 1854. Para se destacar dos demais, ele se lançou como “especialista em bagagem de moda”, um feeling que ele adquiriu de sua amizade próxima com Charles Worth, o primeiro designer de alta costura, também baseado em Paris. Eles inclusive colaboravam e os ateliês eram vizinhos do Café de La Paix, que existe até hoje. Uma história de sucesso que poderia ser tema de um filme.

A mala não era como conhecemos hoje, era praticamente um baú, muito pesado. Com a lona encerada impermeável que substituiu o couro nas criações de Vuitton, ela perdeu em peso e ganhou em divisões internas, essenciais para organizar e proteger todos os elementos da indumentária feminina da época.

©Paula Rita Saady

Luvas, chapéus, crinolinas, broches, corsets, cada um no seu compartimento. E vemos com detalhes tudo que uma dama elegante precisava em uma viagem. Nada simples, já o que o protocolo do Segundo Império impunha sete trocas de roupas por dia. É incrível ver de perto os manequins de época com cabeças e penteados esculpidos em couro, uma colaboração com o top cabeleireiro Guido Palau, o mesmo que assina o desfile, com a Vuitton.

A primeiras malas são cinzas, depois veio o listrado e o xadrez. Mas o famoso monograma foi criado anos mais tarde por seu filho Georges, em uma homenagem póstuma ao pai.

Ele também se destacou pelo instinto comercial, cada nova criação que apresentava nos Exposições Universais não eram apenas protótipos, eram modelos que já estavam à venda na loja. Em uma época de transportes restritos, isso ajudou muito o crescimento da marca que foi adotada até pela imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III. Visionário, ele já usava o prestígio de celebridades para promover sua marca.

No segundo piso está Marc Jacobs e na entrada um mosaico de imagens e trechos de filmes. Divas como Barbra Streisand, Judy Garland; ícones do rock como Mick Jagger, David Bowie e Iggy Pop; filmes como “O bebê de Rosemary”. Até Bob Esponja, Simpsons e South Patrk estavam lá. É o universo de referências estéticas de Marc e logo vemos resultado no trabalho do estilista. “Eu tenho essa curiosidade de criança, sou apaixonado pelo que faço e não tenho medo de correr riscos”, disse Marc sobre seu percurso na Vuitton.

©Paula Rita Saady

De rei do grunge a guru do luxo, o caminho foi longo, mas graças a ele essa tradicional maison francesa se reinventou, dessa vez com um perfume vindo das ruas.

Marc lançou o primeiro prêt-à-porter da marca, que antes de 1997 só produzia bolsas e malas. A mistura de clássicos, savoir faire e muita cultura pop logo chamou atenção das editoras de moda. Além de criar a coleção de roupas e bolsas, ele modernizou a imagem da marca criando campanhas inesquecíveis com a ajuda da amiga e stylist Katie Grand.

Na exposição, eles criaram bem humoradas ambientações, que mostram bolsas em embalagem de bombons gigante, manequins com cabeça de animais, de tule gigante, cocares e até Kate Moss de quatro em uma gaiola, com look da coleção Fetiche. Além de todos os detalhes das parcerias com artistas como Takashi Murakami, Stephen Sprouse e Richard Prince, uma moda lançada por Marc. O livro é ótimo e cheio de imagens icônicas e históricas. Em versão normal custa apenas 50 euros, mais do que abordável. Mas tem também versão luxo, claro é Vuitton, com o rosto de Marc em fundo dourado. Uma aula de moda até para os pequenos, em quatro ateliês diferentes para crianças de 4 a 11 anos, onde elas podem desenvolver atividade a partir de temas das coleções da marca. A família Vuitton vai muito bem, obrigada.

©Paula Rita Saady

©Paula Rita Saady

©Paula Rita Saady

©Paula Rita Saady

©Paula Rita Saady

“Louis Vuitton – Marc Jacobs” @ Les Arts Décoratifs
Até 16 de setembro de 2012
107, rue de Rivoli
75001 Paris
França

+ site da exposição

Direto de Paris: “a LV não conhece a crise”, diz Deneuve ao FFW

07/03/2012

por | Moda

Por Paula Rita Saady, em Paris

Momento final do desfile da Louis Vuitton ©Paula Rita Saady/FFW

Apresentação teatral e materiais preciosos marcaram o desfile da Louis Vuitton, nesta quarta (07.03), último dia da temporada de Paris e dos lançamentos internacionais para o Inverno 2012. Como foi a primeira apresentação do dia, logo na entrada, a hostess servia suco de laranja e comidinhas em clima de brunch.

A cenografia era a de uma estação de trem e como se não bastasse, um trem construído especialmente para o desfile invade a sala repleto de modelos com direito a trilhos, fumaça e condutor, para êxtase do público, que não demorou para entrar na viagem, que tinha como comandante o estilista Marc Jacobs. Esta cena poderia estar no filme “Hugo Cabret” ou em um episódio da série cult “Boardwalk Empire”, ambos do diretor Martin Scorsese, que assim como a coleção, têm grandes referências dos anos 30.

Carregadores de malas e bolsas ©ImaxTREE

A “companhia ferroviária” Louis Vuitton, como não poderia deixa de ser, oferece um serviço cinco estrelas e nenhuma modelo segurava a bolsa; cada uma delas era acompanhada por carregadores, que levavam as 154 malas e bolsas diferentes mostradas no desfile. Uma verdadeira celebração do DNA da marca, conhecida por sua excelência em maleteria.

A consumidora da marca, uma mulher cosmopolita que está em muitos lugares ao mesmo tempo, explica seu visual composto por sobreposições de estampas e bordados de influências setentistas, orientais e barrocas. Vestidos de corte império, maxi sobretudos levemente acinturados, usados sobre saias e calças cigarretes. Os tecidos eram suntuosos, de cores intensas, estampados em tons vibrantes e rebordados com pedras e cristais. Nesse caso, more is more. “A Louis Vuitton não conhece crise” disse ao FFW a atriz Catherine Deneuve, que estava na primeira fila.

Maxi bolsas ou pequenas malas? ©ImaxTREE

As bolsas, maiores do que nunca, foram inspiradas em modelos antigos de malas da marca. O destaque fica com as maxi bolsas de pele de vison. E o tradicional monograma da marca, dessa vez, apareceu discreto. “A Louis Vuitton é uma marca identificável internacionalmente pelo monograma, e eu quis fazer algo para uma mulher extrovertida, que tem prazer em viajar e se vestir bem. Ela tem desejo de Vuitton não apenas para se exibir, mas para se sentir bem com ela mesma” explicou Jacobs.

Marc após o desfile, tão fotografado quanto as roupas que cria ©Paula Rita Saady/FFW

E sobre a exposição Louis Vuitton e Marc Jacobs, que começa na quinta (08.03) no Museu de Artes Decorativas, ele falou ao FFW sobre sua relação com a arte: “Sempre tive uma conexão com a arte e acho que fui um dos primeiros a realizar colaborações com artistas contemporâneos. E acho que é porque tenho essa noção romântica de Paris nos anos 20 e 30, quando havia uma verdadeira sociedade criativa em que Jean Cocteau, Schiaparelli, Dali, Chanel, Picasso e todos aqueles que possuíam uma visão e voz ativa compartilhavam ideias e criavam juntos. Isso é muito europeu, principalmente parisiense. Não me canso de me deslumbrar com a beleza dessa cidade, ainda sou o típico americano em Paris”.

Sarah Jessica Parker veio de Nova York especialmente para assistir ao desfile. Ela estava usando um look da coleção Vuitton de 2007, feito sob medida para a atriz. “Foi perfeito, essa silhueta é simplesmente muito cool”, disse ela ao FFW. Sarah confessou que está apaixonada por tudo o que tem visto do Brasil, principalmente a personalidade das pessoas, que se assemelham muito a sua, “sorridente e expansiva”. “Foi uma identificação instantânea”, disse ela sobre o beauty artist Claudio Belizário, que está cuidando de seus cabelos em Paris. Em breve ela estará por aqui para conferir pessoalmente a exuberância do país. 

Anna Wntour ©Paula Rita Saady/FFW

Marc recebe Sarah Jessica Parker ©Paula Rita Saady/FFW

Histeria fotográfica no trem da Louis Vuitton ©Paula Rita Saady/FFW

Primeira fila da Vuitton ©Paula Rita Saady/FFW

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07/03/2012

por | Moda

Desfile da Louis Vuitton Inverno 2012 pela semana de moda de Paris ©ImaxTREE

Nesta quarta-feira (07.03) termina a semana de moda de Paris, encerrando também o calendário internacional para o Inverno 2012. Tivemos ontem o desfile da marca Alexander McQueen, onde Sarah Burton se demonstrou mais do que capaz de fazer jus ao legado deixado pelo falecido estilista. Na manhã de quarta tivemos a apresentação da coleção da Louis Vuitton, assinada por Marc Jacobs, provavelmente um dos nomes mais importantes da moda na atualidade.

Veja as fotos:

Alexander McQueen Inverno 2012
- Louis Vuitton Inverno 2012

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Marc Jacobs + Yayoi Kusama: será que a LV vai deslanchar essa parceria?

25/11/2011

por | Moda

Yayoi Kusama e Marc Jacobs ©Reprodução

A exposição “Louis Vuitton Marc Jacobs”, que fará uma retrospectiva do estilista à frente da maison, está marcada para ocupar o museu Les Arts Décoratifs em Paris entre 6 de março e 16 de setembro de 2012. A mostra também revelará detalhes sobre o próprio Louis Vuitton, que fundou a grife em 1854.

Enquanto boatos dão conta de que a exposição seria uma despedida-homenagem ao estilista, que pode ocupar a direção criativa da Dior (ainda segundo conversas de corredor), Marc está pensando em sua próxima colaboração artística para a Louis Vuitton, desta vez, com a artista japonesa louca por poás Yayoi Kusama.

Parcerias com a LV incluem artistas como Takashi Murakami e Stephen Sprouse ©Reprodução

A parceria não seria nenhuma grande surpresa, já que Marc Jacobs gosta de trazer artistas de vários universos para colaborar com a marca. Takashi Murakami, Stephen Sprouse e até o brasileiro Vik Muniz já fizeram parcerias criando estampas para as bolsas clássicas. Mais uma vez ele demonstra ter um olhar apurado para levar o artista certo para dentro dos ateliês da Vuitton.

O trabalho de Yayoi Kusama é marcado por alguns elementos: acumulação e repetição de padronagens, especialmente as esféricas, que ela diz ter tirado de suas alucinações. Bolinhas estampam padronagens, esculturas, fotos, quadros e outras obras da artista. No Brasil, há até um exemplo grandioso essa obsessão, o Narcissus Garden, obra que leva várias esferas metálicas que flutuam sobre um laguinho em Inhotim, complexo de arte a céu aberto localizado em Minas Gerais e visita obrigatória para quem gosta de arte.

Obra de Yayoi Kusama em Inhotim ©Reprodução

Marc Jacobs já conheceu pessoalmente Yayoi Kusama. Em 2007 foi lançado um documentário chamado “Marc Jacobs & Louis Vuitton”, que contou a trajetória do estilista dentro da marca na época. Há uma parte do filme que mostra o encontro de Marc e Yayoi. Os dois conversaram, trocaram pedidos de que não deveriam parar de trabalhar nunca e até demoraram na despedida, como quem não quer se livrar do outro. Se a parceria vai deslanchar, ainda não há confirmação, mas que promete um resultado interessante, isso promete. Química, os dois já mostraram que têm.

Para conhecer mais do trabalho de Yayoi Kusama, veja algumas de suas obras em nossa galeria. E quem estiver passando por Paris até 9 de janeiro, pode ir visitar a exposição da artista no Pompidou.

 

Conheça Katie Grand, a stylist cotada para assumir a Louis Vuitton

08/11/2011

por | Gente, Moda

Com Carla Valois, em colaboração para o FFW

Katie Grand ©Reprodução

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Katie, a Grand(e). O trocadilho, embora infame, não poderia ser mais apropriado quando se fala dessa britânica, que há muito tempo é uma das mulheres mais importantes e influentes da moda. Mais uma prova do poder de Grand foi dado esta semana, ao receber o prêmio de “Magazine’s Innovator of the Year”, na categoria Moda, oferecido pelo “Wall Street Journal”. Além disso, há rumores de que Katie é uma provável substituta de Marc Jacobs na Louis Vuitton, caso ele assuma de fato a Dior. Há anos, ela trabalha muito próxima a Marc na Vuitton e está por trás das recentes exposições da marca.

Mas não é como se Katie já não fosse importante o suficiente. Hoje, praticamente tudo em que ela põe as mãos vira ouro, ou no caso da moda, vira tendência imediata. Em entrevista ao “Wall Street Journal”, ela cita um exemplo: “Eu acho que a Topshop está vendendo milhares de hot pants porque Marc [Jacobs] e eu colocamos Kate Moss em um par dessas com uma jaqueta arrumada na passarela do desfile da Louis Vuitton”, disse Grand. “Aquilo apareceu nos jornais ao redor do mundo, e então alguma garota, se ela tiver pernas decentes, diz, ‘Oh yeah, eu poderia usar uma jaqueta legal e um par de hot pants’. Mas acho que essas pessoas nem sabem quem eu sou”.

Desfile da Louis Vuitton, Inverno 2011 ©Reprodução

Isso porque Katie é mais do backstage. Enquanto editoras de moda de todo canto do mundo fazem questão de aparecer e criar uma imagem, ela não faz muito alarde sobre si mesma –  não usa um pingo de maquiagem, por exemplo – embora seu guarda roupa seja gigantesco, já que ela não se desfez de nenhuma peça, desde seus 15 anos. Em uma entrevista ao “Guardian”, contou que teve de mudar de casa, pois já não havia espaço para suas coisas. Hoje, o espaço já está ficando pequeno novamente, mas tudo é extremamente organizado. E por ordem alfabética de designer, tá meu bem?

Porém, o que mais importa para Katie é o seu trabalho. Ela está no topo da pirâmide da influência e trabalha em um ritmo alucinante, seja junto aos designers antes dos desfiles, seja criando conceitos interessantes para campanhas publicitárias, ou, aquilo pelo qual ela é mais conhecida, organizando e exibindo o melhor da temporada nos editoriais das revistas. Hoje, Kate está por trás da revista “Love”, mas sua história na mídia impressa é longa.

Campanha Bottega Veneta, com styling de Katie ©Reprodução

Nos últimos dez anos, o curriculum de Katie só fez aumentar com nomes poderosos, como colaborações ao lado de Marc Jacobs, Giorgio Armani, Alber Elbaz e Miuccia Prada. Ela também fez um bom trabalho de marca com a Bottega Veneta, Topshop e Loewe, mas o que ela mais gosta mesmo de fazer, é revista.

Tudo começou na infância. Ela cresceu em Birmingham, na Inglaterra. Aos 12 anos, enquanto estava de cama, o pai trouxe uma “Vogue” e uma “The Face”. “Eu era realmente nerd, e em seguida, naquela noite, eu pensei ‘Eu só quero ser cool’”, contou ela. Como muitas jovens que algum dia sonharam em trabalhar com moda, Katie queria ser editora da “Vogue”. Para realizar seu sonho, escreveu para Liz Tilberis, editora da “Harper’s Bazaar”, pedindo um conselho. A editora sugeriu que ela estudasse na Central St. Martins, o que ela fez. Um ano depois, desistiu do curso, mas não sem antes fazer alguns amigos, como os estilistas Giles Deacon e Stella McCartney.

“Dazed & Confused”, 1999 ©Reprodução

Foi então que ela conheceu o fotógrafo Rankin, que a convidou para ajudá-lo com uma revista, chamada “Eat Me”. Logo depois veio a “Dazed & Confused”, que Rankin começou com Jefferson Hack, na qual Katie ficou por sete anos. “[Rankin] era muito positivo e sempre teve essa mentalidade de faça-você-mesmo ao invés de trabalhar para alguém. Aquele espírito de ‘Oh, vamos fazer isso, vamos montar uma exibição, vamos começar uma revista’”, contou Katie. Durante o tempo em que esteve lá, não havia orçamento, não havia salário, mas as oportunidades de aprendizado eram infinitas, e ela podia mostrar sua paixão pelo styling. Durante o tempo que esteve na “Dazed”, conheceu Stuart Vevers, que viria a ser diretor criativo da Bottega Veneta.

Pouco tempo depois, Vevers chamou Grand para revitalizar a marca italiana. Ela foi, e levou com ela o amigo Giles Deacon para fazer o design. Foi o grande avanço comercial dela. Ainda trabalhando com a Bottega Veneta, Grand chamou a atenção de ninguém menos que Miuccia Prada, que fez um convite irrecusável: “Venha e faça algo divertido pra mim”. “Foi uma oportunidade maravilhosa e eu acho que foi quando as pessoas começaram a me tratar como stylist”, disse.

Capas da “Dazed & Confused” de 1997 e 1994 ©Reprodução

O trabalho foi excelente enquanto durou. “Ela é brilhante, inteligente e muito boa no que faz”, disse Miuccia certa vez. Mas a estilista parou de trabalhar com Katie. “Acho que ela se cansou de mim”, declarou Katie ao “Guardian”. “Era para eu fazer a campanha da Miu Miu e recebi um telefonema dizendo que eles haviam decidido usar um stylist diferente. Então eu chorei um pouco. Eu ainda vejo Miuccia socialmente e gosto muito dela, mas acho que ela cansou. Ela meio que enjoa das pessoas”.

Apesar dos altos e baixos como stylist e consultora para grandes marcas, o trabalho paralelo nas revistas continuava. Enquanto trabalhava na “Dazed”, foi convidada para ser diretora de moda da “The Face”, em 99.  E logo depois, em 2000, nasceu a “POP”. Katie preferiu colocar a maior parte do orçamento em produção, e pouquíssimo nos salários. Mas com uma bela impressão, os fotógrafos se sentiam atraídos, e assim foi-se construindo uma reputação para a revista.

“The Face” de 1999 e “POP” do Inverno de 2008 ©Reprodução

A publicação bi-anual deu tão certo, que a Condé Nast começou a cortejar Katie para que ela fizesse uma revista para, vejam só, concorrer com a “POP”. Katie – com todo o staff -  foi contratada para que fizesse uma nova revista. Surgia a “LOVE”, em 2009.

Mais uma vez, a britânica provou que é boa na arte de fazer revistas, e o primeiro número foi a edição de estreia com a venda mais rápida da história da Condé Nast UK. Embora dê um lucro considerável, Katie garante que não é esse o propósito da revista. “É um fantástico laboratório para a moda. É divertido fazer uma revista que fala com margens mais selvagens da moda”.

Capas históricas da “LOVE”: Verão 2009 com Beth Ditto e Verão 2010 com Lara Stone ©Reprodução

A história, e o legado que Katie Grand vem construindo, é enorme, assim como seu pagamento. Hoje, um dia de trabalho dela para uma grande marca custa cerca 6 mil libras (cerca de R$ 20 mil). E o que ela faz para valer tanto dinheiro? “Acho que eu tenho um ponto de vista que as pessoas gostam. E eu sou louca por sapatos e bolsas e quero que cada look tenha uma bolsa. E eu vou direto ao ponto. Muitas pessoas criativas tendem a pensar demais e precisam analisar coisas. Quando você está trabalhando com grandes estilistas e vocês têm um desfile no domingo, você tem que dizer, ‘Eu gosto disso, não gosto daquilo, vamos fazer aquilo, vamos fazer esse em cinza’”, explicou.

Com tanta experiência, será possível que Katie assuma a direção criativa de uma grande marca? Há algum tempo, a Mulberry tentou contratá-la para o tal cargo. Após pensar bastante, Katie recusou. “Nunca senti que eu fosse particularmente boa com design. E o problema com design é que a parte divertida, a parte do design, é menos de 10% do dia. Considerando que o stylist pode vir, criar, tomar decisões e depois ir embora. Então sempre pensei que ser uma stylist é um trabalho muito melhor!”, explicou na época.

Editoriais da “LOVE”, com edição de moda de Katie Grand: Inverno 2010 e Inverno 2011©Reprodução

A verdadeira paixão de Grand continua a ser as revistas, embora ela tenha abandonado o sonho de ser editora da “Vogue”. “Eu descobri há uns anos atrás que por mais que eu ame “Vogue” e “W”, o tipo de revista que está mais próxima do meu coração são as revistas de estilo, como “The Face”, “i-D”, “Interview”. Acho a “Interview” realmente inspiradora – não que eu esteja me comparando com Andy Warhol! – mas acho que quero construir alguma coisa tão icônica quanto, com capas que as pessoas vão sempre lembrar”.

Fica sossegada, Katie. Isso você já conseguiu. Vamos agora aguardar os próximos capítulos.

+ Confira na galeria mais do trabalho de Katie Grand:

Para se inspirar: as cinco melhores belezas da Paris Fashion Week

06/10/2011

por | Beleza

ABRE©Reprodução

E a temporada de moda internacional acabou! Ufa, exclamam aqueles que trabalharam em ritmo alucinante durante tantos dias – e até noites. Mas antes mesmo de dar tchau de vez, selecionamos algumas das belezas mais belas, com o perdão do trocadilho, que desfilaram em Paris.

Inspire-se!

CHRISTIAN DIOR

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A maquiagem foi assinada por Pat McGrath, e o foco eram os lábios. “O look é sobre uma clássica, linda boca vermelha feita de um jeito moderno”, explicou a maquiadora, que usou três tons diferentes, que variava de modelo para modelo, e aplicava com os dedos. Os cabelos eram de Orlando Pita, que quis fazer algo simples, mas com uma ‘silhueta’ interessante. Para o efeito da franja, ele puxou para trás até fazer o efeito viradinho, colocou um grampo bem na curva, e encheu de spray.

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CHANEL

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Peter Philips, maquiador da Chanel, se inspirou no tema da coleção, que foi “fundo do mar”, para fazer algo que ele definiu como “muito limpo, puro, e fresco”. O principal da maquiagem são os olhos brilhantes, feitos com um mistura de duas sombras “Illusion D’Ombre”, Fantasme e Emerveille, e os “piercings” de pérola, que ora apareciam no rosto, ora nos cabelos.

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YVES SAINT-LAURENT

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O make-up de Saint-Laurent, assinado por Pat McGrath, era bem dramático, com lábios vermelhos cintilantes, sobrancelhas descoloridas e olhos gráficos escuros, que foram feitos, inclusive, apenas com lápis de olho, nada de sombra. Sobre os lábios, Pat disse: “É uma boca de couture – jovem, mas ao mesmo tempo, rica e excêntrica”.

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VALENTINO

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“É um make-up muito romântico, bonito – realmente poético”, explicou Pat McGrath sobre a beleza do desfile de Valentino. Há iluminador no topo das bochechas, ossinho do nariz e no arco do cupido da boca. Nos olhos, Pat colocou sombra em pó rosa pálida e iluminador nude, com um pouco de cinza brilhante nos cantos. A menina dos olhos dessa beleza, no entanto, eram os cabelos, arrumados em um conjunto de três tranças folgadinhas feitas em torno da cabeça. Guido Palau, que fez o cabelo, comentou, “É muito leve e feminino”.

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LOUIS VUITTON

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Na Louis Vuitton o make-up era de “bonita”, com cílios postiços imensos e cara saudável. O cabelo, feito por Guido, consultor criativo da Redken, era um coque banana com um ‘twist’, que deixava alguns fios para fora. “Hoje é o ultimo dia de Fashion Week, e na Louis Vuitton estamos criando um coque fácil, com um toque meio punkizinho”, explicou o cabeleireiro. Algumas modelos usaram tiaras, deixando o look ainda mais fofo.

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Direto de Paris: Louis Vuitton emociona com desfile romântico

05/10/2011

por | Moda

por Paula Rita Saady, em Paris

abre-louis-vuitton-verao-2012-parisO carrossel da Louis Vuitton ©Paula Rita Saady

A Louis Vuitton emocionou na manhã de quarta-feira (05.10), no Louvre, falando de amor e a alegria de viver, no último dia da semana de moda de Paris. Um carrossel gigante, com todas as modelos posando em seus respectivos cavalos (48 para ser exato), girava enquanto elas saíam, uma por uma, para a passarela. (Veja aqui a coleção completa)

O desfile foi romântico, celebrando o trabalho manual e as técnicas artesanais francesas. O clima era total soft: branco e tons clarinhos de bala e sorvete, que se confirmam como tendências fortes para o Verão 2012.  Até a jaqueta motociclista usada pela top Raquel Zimmermann era em crocodilo em tom perolado.

desfile-louis-vuitton-verao-2012-parisVerão 2012 da Louis Vuitton ©ImaxTREE

Kate Moss fechou o desfile, sem cigarro nem hot pants, mas com um vestido de bordado inglês e plumas, causando menos controvérsias do que na temporada passada — mas não menos impacto. Lágrimas corriam nos rostos de alguns fashionistas que assistiam à fila final.

A simbologia sugestiva do cenário reforçava os rumores que circulam. Será mesmo o fim do ciclo de Marc Jacobs na Vuitton? Muitos se perguntavam.

louis-vuitton-natalia-vodianovaNatalia Vodianova no backstage da Louis Vuitton ©Paula Rita Saady

Mas esta era a pergunta proibida. Sob riscos de serem expulsos do backstage, jornalistas foram aconselhados a não tocar no assunto Dior. Marc já havia deixado claro que não ia falar sobre isso, e foi embora rapidamente, deixando Natalia Vodianova brilhar nas entrevistas. Ela não desfilou, mas é a nova namorada de Antoine, filho de Bernard Arnault, CEO da LVMH. “Marc é um estilista muito perspicaz, ele sabe o que faz, pois tem uma forte intuição para moda”, dizia a atual primeira dama do luxo.

Enquanto isso, Katie Grand, stylist de Marc Jacobs e editora da revista “Love”, causava no camarim, teve até uma dancinha…. que quebrou um pouco o gelo do suspense que paira sob a marca. Agora é só esperar o próximo capítulo, com direito a muito algodão-doce.