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“Nós amamos beleza de um jeito estranho”, e mais sobre a Rodarte

rodarte_abreBackstage da Rodarte, na temporada de Verão 2011 ©Reprodução

As irmãs Mulleavy, cabeças por trás da marca Rodarte, estão no mundo da moda desde 2005, mas o pouco tempo não significa nada perto do burburinho que essas duas causam. Se a semana de moda fosse o ensino médio, poderíamos dizer que a Rodarte é a “outsider”, estranha para a maioria, encantadora para alguns, mas nunca comum, embora tivesse todos os motivos para ser.

Kate e Laura Mulleavy são de Pasadena, Califórnia, e vivem lá desde sempre – com uma pausa de dois anos, em que moraram no Alabama – mas as criações da Rodarte, e as próprias irmãs, não são o que se espera dos ‘produtos’ da Califórnia. “Nós vamos um lado diferente da Califórnia”, contou Kate ao jornal The Independent.

2Inverno 2011 da Rodarte ©Reprodução

O estado, além de ser constante contraponto ao que a Rodarte produz, é também essencial para entender a história da marca, já que as irmãs ainda vivem em Pasadena, na casa de seus pais, e o estúdio da marca fica na mesma cidade. Antes do estúdio existir, em 2004, a primeira coleção da marca foi exposta na sala da família, com um capital levantado graças aos trabalhos de Laura como garçonete e a venda de uma premiada coleção de discos de Kate. Após esse capítulo, as irmãs conquistaram um espaço no calendário da semana de moda de Nova York e uma entrevista com a temida Anna Wintour, e algum tempo depois, inúmeros prêmios, entre eles o de “Designer do Ano”, do CFDA, em 2009.

As coleções da Rodarte sempre possuem uma ligação com o ensolarado estado, mas como sempre, com o olhar díspar das Mulleavy. Afinal, apesar de a Califórnia ser um estado cheio de sol, praia e biquínis, o design da Rodarte costuma ser um tanto quanto obscuro. O fato da marca sempre explorar a identidade não óbvia de qualquer que seja a inspiração é um dos motivos do sucesso – e do bafafá. Outra coisa importante de notar é que Nova York não está distante apenas fisicamente, mas também de forma ideológica. Elas não querem reinventar a forma como as pessoas se vestem, ou criar um vestido de noite “tem que ter”. Ao surgirem, a imprensa de moda americana apelidou a marca de “Rod-Arte”, e o termo não poderia ser melhor.

rodarte_celeb_imagem3Fãs da marca no tapete vermelho: Reese Witherspoon, Keira Knightley e Natalie Portman ©Reprodução

Formadas pela Universidade de Berkeley, Kate em História da Arte e Laura em Literatura, afirmam sem rodeios que trabalham a moda muito mais como arte do que consumo. “Você não pode negar o jeito que você trabalha. Eu acho que nossas tendências são mais artísticas do que qualquer coisa”, contou Laura ao jornal. Kate completa, “Se você é um artista e você faz um vestido, a ideia por trás é fazer disso arte. Não é necessariamente apenas o meio”. A própria forma como planejam as coleções não são exatamente de estilistas, mas de artistas. “Quando discutimos nossas ideias sobre uma coleção – se não falássemos que é uma coleção de moda, as pessoas poderiam pensar que estávamos contando uma história ou fazendo um filme, ou algo assim. É um diálogo interessante”, contou Kate, que acrescentou, “Nós nunca aprendemos como montar uma coleção. Nós nem conhecíamos as estações, realmente. Não sabíamos que tínhamos que fazer casacos no inverno!”. “Eu gosto de contar histórias. Para mim, moda é uma maneira de contar histórias que são visuais, do mesmo jeito que cinema”, explica Laura.

rodarte1_imagem4Verão 2011 ©Reprodução

Uma prova do lado artístico da marca foi a parceria com a Pitti Immagine, feira italiana de arte. As irmãs criaram vestidos especiais para o evento, e em vez deles irem direto para as araras de uma luxuosa loja de departamentos, acabaram sendo incorporados à coleção permanente do Museu de Arte de Los Angeles. “Isso é ótimo – eu acho que você pode fazer ambos”, disse Laura a respeito de produzir algo comercial ou artístico, mas pondera, “Eu sinto que você tem que estar ciente das restrições comerciais. Você não pode executar seu próprio negócio e ter sucesso se você não está lidando com o aspecto dos negócios”, disse Laura.

rodarte_celeb_imagem5Kate Bosworth, Emma Watson e Kirsten Dunst de curtinhos das irmãs Mulleavy ©Reprodução

Uma grande preocupação, especialmente dos compradores, quando se trata dos designs da Rodarte, é a “usabilidade” da roupa. “Há coisas que as lojas precisam, há coisas que os clientes querem ver, e há coisas que nós queremos fazer”, explica Laura. “No melhor cenário tudo isso está sobreposto. Acho que você está lá para desafiar as pessoas”, completa Kate, que continua, “Eu não me importo quão usável isso é, isso pode ser a coisa mais usável do mundo, mas as pessoas estarão mais interessadas apenas se você as desafiá-las um pouco”. “Nós amamos beleza de um jeito estranho”, finalizam as irmãs Mulleavy, sintetizando a essência da Rodarte.

6Com vocês, Kate Mulleavy (de franja) e Laura Mulleavy ©Reprodução

“Nós amamos beleza de um jeito estranho”, e mais sobre a Rodarte

Sabe qual foi a primeira peça tricotada por Kate Mulleavy, da Rodarte?

A Rodarte, grife das irmãs Kate e Laura Mulleavy, possui uma produção muito artesanal, especialmente quando se trata dos complexos tricôs-assinatura da marca, que chegam a ser queimados, lixados e destrinchados mais de uma vez antes de serem levados ao público na passarela.

E como todo mundo tem um começo, Kate revelou, em uma palestra recente no FIT (Fashion Institute of Technology), em Nova York, qual foi o seu: “Na universidade, eu ia assistir filmes quatro vezes por semana, era uma aula meio maluca.

Finalmente, eu pensei: ‘preciso fazer alguma coisa, não posso só ficar aqui assistindo esses filmes’, embora eu gostasse de assistí-los. Então fiz aulas de tricô: a primeira coisa que eu fiz foi um suéter para um lagarto de estimação de uma garota.”

Você já viu um lagarto vestindo um suéter? Nós também não!

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Sabe qual foi a primeira peça tricotada por Kate Mulleavy, da Rodarte?

NYFW: a cidade como inspiração e a temporada dos casacos

Nova York possui um certo egocentrismo suspenso no ar. É como se a cidade por si só se bastasse. Como se o resto do mundo fosse mero adereço – ou extensão – de tudo que acontece por aqui. E na moda não é diferente. Afinal, as marcas que se apresentam na New York Fashion Week parecem muito mais preocupadas em atender aos caprichos de seus consumidores internos do que em apresentar propostas inspiradoras de forma universal, ressonantes pelas outras capitais da moda ao redor do globo.

Um mecanismo que há anos garante a sobrevivência das marcas locais, além de reforçar aquele clássico estilo americano – talvez um modus operandis que os estilistas brasileiros devessem levar em consideração. Bem coisa de americano: tudo o que eles fazem é feito olhando para o próprio umbigo. Faz perfeito sentindo, então, que muito do que tem se visto por aqui mantenha uma forte relação com a vida na cidade. Nesta temporada, Nova York é a maior inspiração dos estilistas. Algo que transformou a moda Velho Oeste que Derek Lam apresentou na manhã da terça-feira (16/02) em algo perfeito para as calçadas hypadas do Meatpacking District ou as sofisticadas ruas do Uptown.

derek-lam-inverno-2010Desfile de Derek Lam inverno 2010 © FirstView

Enquanto vestidos com franjas de couro, peças em camurça e bordados de referências indígenas traduziam de forma quase que literal a referência country, ótimos casacos de alfaiataria adaptavam perfeitamente o western ao clima cosmopolita da cidade. Blazeres, jaquetas e japonas longas, levemente evasês, traziam em si a conexão precisa entre aquela tendência selvagem/aventureira que anda dominando as coleções por aqui.

Narciso Rodriguez é outro que sempre manteve uma íntima relação com a cidade. Suas formas arquitetônicas e roupas quase que monocromáticas são escolhas certeiras para as mulheres de Nova York que gostam de passar aquela imagem de  ”não estou pra brincadeira”. Dessa vez o toque urbano se fez ainda mais presente com propostas cada vez mais voltadas ao dia a dia e menos para as festas da cidade.

narciso-rodriguez-inverno-2010Desfile Narciso Rodriguez inverno 2010 © FirstView

Com as principais editoras e compradores presentes – e até o roqueiro Jeff Beck –, suas construções geométricas, de formas e linhas bem definidas agora foram levadas às últimas consequências. Numa temporada onde casacos se mostram como peça chave, Narciso dá a eles precisão quase que cirúrgica. Ora mais afastados, ora delineando perfeitamente o corpo das modelos, os casacos mostravam algo de novo ao flertarem com o clássico american sportswear quando combinados com ótimas calças de modelagem levemente solta.

Também pareceu fresco e apropriado (para uma temporada dominada pelo preto) o trabalho de cores apresentado por Narciso. Em vestidos onde bons drapeados lutavam com formas rígidas de tecidos texturizados, degradês e sombreados atribuíam cor e vida aos vestidos que nem por isso perdiam a seriedade tão típica de Nova York.

O mesmo pode ser dito sobre a Rodarte, marca que sempre dá um respiro na semana de Nova York – não por acaso, a grife é atração imperdível para grandes nomes da indústira e celebridades  descoladas com Kirsten Dunst, quase despercebida com sua jaqueta de couro preta, cabelos presos e óculos escuros na primeira fila da sala de desfile.

Dessa vez, as irmãs Kate e Laura Mulleavy deixaram suas referências de filmes de terror de lado e se focaram numa moda mais romântica, de cores suaves e um certo clima de memória afetiva que permeia discretamente a maioria das coleções apresentadas até agora.

rodarte-inverno-2010Desfile Rodarte inverno 2010 © FirstView

O ponto de partida foram os sonâmbulos e a vida de trabalhadores da fronteira dos EUA que se vestem ainda no escuro da madrugada para irem ao trabalho. E se o tema pareceu difícil de interpretar na passarela ou até mesmo pouco explorado, não há como deixar de notar a evolução e amadurecimento no repertório da grife.

Texturas, que têm sido extremamente relevantes nessa temporada da semana de moda de Nova York, sempre foram o ponto forte das irmãs Mulleavy. Sobreposições e coordenações de tecidos de pesos e opacidades diferentes também não são novidades. Então toda maestria técnica do trabalho manual – drapeados, repuxes, amarrações, sobreposições e bordados – é agora aplicado de forma extremamente sensível e em prefeita sintonia com o clima atual da moda, sem perder autoria.

Aqueles elementos de memória afetiva, roupas com história e emoção mais humanas, aparecem nos elementos étnicos e no conforto que as peças do inverno 2010 querem transmitir. Estampas florais e cores suaves trazem acalmam os ânimos da moda. Os tricôs esgarçados e detonados de antes abrem caminho para macramês e crochês de aspecto retrô, quase rústico, naquela onda naturalista que vem ganhando força na temporada.

O mais interessante, contudo, é o novo caminho tomado pelas irmãs Mulleavy: é como se a moda da Rodarte quisesse se aproximar da vida real, do dia a dia das consumidoras.

A vida real também foi o foco da Marc by Marc Jacobs. Mirando uma clientela jovem, com sede de novidades, Marc Jacobs parte do mesmo fundamento de sua linha principal, só que adicionando um boa dose de nonchalance .

marc-by-marc-inverno-2010Desfile Marc by Marc Jacobs inverno 2010 © FirstView

Com trilha animada e plateia repleta de jovens consumidoras, o clima não podia ser melhor. Passando pelas principais tendências do momento, Marc usa o militarismo para trabalhar casacos em formas amplas, dar forma às jaquetas ajustadas ou então encurtar outras em contraste com as calças de alfaiataria mais largas em moletom ou feltro. Cardigans fininhos, alongados, vêm por cima de vestidos com tops justos e saias rodadas. E até uma alfaiataria despojada ganha destaque em tecidos confortáveis. Aliás, conforto é a palavra chave para a coleção. Ou melhor, para a estação.

+ Veja fotos dos principais desfiles da Semana de Moda de Nova York inverno 2010

NYFW: a cidade como inspiração e a temporada dos casacos

Rodarte lança coleção masculina sem planos de repetir a dose

© Reprodução

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A Rodarte, grife das irmãs Kate e Laura Mulleavy, é a mais recente a se aventurar no universo da moda masculina. Depois de uma coleção de sucesso para a rede popular Target, a dupla californiana acaba de lançar uma mini coleção de quatro casacos, à venda com exclusividade na loja multimarcas Opening Ceremony.

São quatro modelos, todos em tricô de tramas largas, aspecto detonado, com várias brechas transparentes, que traduzem tão bem a identidade da marca. O preço, assim como todas as demais peças da Rodarte, não é muito amigo: cada peça custa US$ 2.760 (cerca de R$ 4.750). Custos à parte (como se isso fosse possível), parece uma boa adaptação para o segmento masculino. Um porta-voz da grife informou ao jornal WWD que a Rodarte não tem planos para novas incursões no mercado de moda masculina.

rodarte.net

openingceremony.us

Rodarte lança coleção masculina sem planos de repetir a dose