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Rock, lésbicas e sci-fi: os filmes indie que vão pegar em 2010

Filmes independentes (que não contam com aporte financeiro de nenhum estúdio) às vezes conseguem um lugar ao sol. “Direito de Amar”, “Preciosa”, “Atividade Paranormal” e “Pequena Miss Sunshine” são bons exemplos.

O caminho para o sucesso costuma ser este: os filmes são apresentados em festivais indie – como Sundance, South by Southwest ou Veneza – e ganham relevância e aceitação o suficiente para serem distribuídos por grandes estúdios. Ou seja, os festivais funcionam como “feiras” cinematográficas.

O portal FFW separou os cinco destaques do circuito independente de cinema que você ainda vai ouvir falar em 2010:

“REPO MEN”

Com Jude Law e Alice Braga nos papéis principais, “Repo Men” é uma ficção-científica num futuro não muito distante. No filme, dirigido pelo estreante Miguel Sapochnik, órgãos mecânicos artificiais são implantados em seres humanos – mas, a não ser que você pague caro por eles, seu órgão será tomado de volta e com juros! Foi um dos mais comentados no festival South By Southwest, que aconteceu neste mês de março em Austin, Texas.

“CATFISH”

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O documentário dirigido por Henry Joost e Ariel Schuman estreou em Sundance e analisa as relações humanas através da internet e das redes sociais. Em clima de reality show, a equipe do longa-metragem segue o americano Nev Schulman, que se apaixona por uma garota através do Facebook e usa ferramentas como Google Maps e iChat para conquistá-la (ou persegui-la, dependendo da interpretação).

“THE KIDS ARE ALL RIGHT”

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Com Mark Ruffalo, Mia Wasikowska e Julianne Moore no elenco, o filme subitamente fica mais interessante. Quando Julianne Moore interpreta uma lésbica, as chances de ser indicada ao Oscar do ano que vem aumentam. Talvez por isso “The Kids Are Alright” tenha sido comprado pela Focus Features por 4,8 milhões de dólares. O drama/comédia é dirigido por Lisa Cholodenko.

“THE RUNAWAYS”

Bem hypado pela imprensa, “Runaways” conta a adolescência da primeira banda da legendária punk-rocker Joan Jett. Estreando na direção, Floria Sigismondi (que se consagrou como diretora de videoclipes) recrutou Kristen Stewart (“Crepúsculo”) para o papel de Jett, e Dakota Fanning como a vocalista Cherrie Currie.

“BURIED”

Comprado pela distribuidora LionsGate por US$3,2 milhões, “Buried” conta a história de Paul Conroy, um construtor americano (Ryan Reynolds) trabalhando no Iraque. Após um ataque terrorista, Paul se encontra enterrado vivo num caixão e precisa lutar contra o tempo para sobreviver. Dirigido pelo espanhol Rodrigo Cortés, foi destaque em Sundance.

+ Site oficial do Sundance: festival.sundance.org/2010

+ Site oficial do SXSW: sxsw.com

Rock, lésbicas e sci-fi: os filmes indie que vão pegar em 2010

Direito de Amar: Tom Ford estreia na direção com filme avassalador

No mundo da moda, quando falamos em Tom Ford os predicados “provocativo” e “sexual” vêm logo na sequência. Seu trabalho nas grifes Gucci e Yves Saint Laurent ao longo dos anos 1990 foi marcado desta forma, impregnado por essas palavras. Portanto é no mínimo surpreendente que a sua primeira produção cinematográfica seja um longa-metragem “sensível” e “romântico”.

Baseado no livro “A Single Man”, escrito por Christopher Isherwood em 1964, o filme (em português, “Direito de Amar”) relata a história de George Falconer (Colin Firth), um professor universitário que, após a morte do seu namorado, decide se suicidar.

colin-firth-a-single-man-direito-de-amarO ator Colin Firth, que interpreta o personagem George Falconer no filme “Direito de Amar”. A atuação rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator © Divulgação

Solteiro, homossexual e em profundo estado de depressão, Falconer se desconecta da realidade. Tom Ford traduz esse rompimento através de um interessante jogo de luzes: o protagonista aparece sob luz fria, em cores desbotadas, como se a vida lhe fosse aos poucos extraída. A iluminação esquenta somente quando o professor se relaciona com os demais personagens em tempo real ou então na sua memória, em que relembra a vida ao lado de Jim (Matthew Goode). No caso dos flashbacks, as cores entram numa gama altíssima, sendo quase saturadas. O efeito visual é impactante, capaz de emocionar até as audiências mais sisudas.

julianne-moore-a-single-man-direito-de-amarA atriz Julianne Moore, que interpreta a personagem Charlie: suas aparições são marcadas pela iluminação mais quente e cores vivas © Divulgação

Tom Ford trata o filme como se fosse um grande ensaio de moda, com a diferença que as roupas fazem o papel de coadjuvantes. O figurino assinado por Arianne Phillips (a mulher que cuida das turnês de Madonna) ganha finalização extra refinada pelas mãos do estilista: um terno sendo arrumado milimetricamente sobre a mesa, o vestido turquesa de uma criança, as cenas em que sua amiga Charlie (Julianne Moore) aparece à bordo de vestidos finos, sempre com a beleza impecável, numa orquestra regida em perfeita sintonia com os objetos do cenário. O rigor e a precisão de cada peça de roupa cria uma relação íntima com o perfil dos personagens, além de retratar muito bem um período de transição na sociedade americana do final dos anos 1950 e início dos 60. Era a época, por exemplo, em que o grooming masculino se fazia essencial: cuidados meticulosos com o corte e caimento dos ternos são retratados de maneira fidedigna.

+ Confira as salas de cinema onde o filme será exibido no Brasil

Vale pontuar também a genialidade de Tom Ford ao fazer a transição da moda para o cinema. Numa época em que moda deixou de ser apenas roupas, ele se mostra plenamente capaz de extrapolar os limites das passarelas para desbravar uma seara onde nenhum outro estilista desta geração, ou de qualquer geração anterior, havia tido êxito.

Com sensibilidade à flor da pele, “Direito de Amar” mostra um lado desconhecido de Ford. Todo aquele controle imagético que o estilista exerceu durante suas gestões na Gucci e Yves Saint Laurent continua marcante. Mas a diferença agora é que, através da Sétima Arte, sua visão transborda na riqueza das imagens e ganha uma profundidade antes impossível, com altas doses de emoção.

nicholas-hoult-tom-ford-julianne-moore-colin-firth-a-single-man-direito-de-amarNicholas Hoult, Julianne Moore, Tom Ford e Colin Firth num screening de “Direito de Amar”: o estilista fez sua estreia cinematográfica com louvores da crítica © Divulgação

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+ Veja quem passou no premiere do filme aqui no Brasil

Direito de Amar: Tom Ford estreia na direção com filme avassalador