Istanbul Fashion Week: um balanço do evento que desponta no circuito fashion mundial

31/08/2010

por | Moda

bahar_02Looks de Bahar Korcan © Divulgação

Istambul pode (ainda) não ser reconhecida como uma capital da moda, mas a cacofonia de estilos e ebulição cultural que tomam conta das ruas da cidade já servem como bons indicadores para o potencial da maior cidade da Turquia _e mais populosa da Europa.

Com indústria têxtil poderosa, mercado de moda em crescimento e população com considerável poder de compra, Istambul tem se tornado extremamente atrativa para o mercado europeu que começa um cortejo mais positivo para agregar a Turquia ao rol de países de integram a União Europeia.

A Istanbul Fashion Week, que terminou no último sábado (28/08), é um dos fatores que deve ser levado em conta. Ainda que com alguns problemas típicos dos eventos de moda “embrionários”, não restam dúvidas da importância da cidade para o futuro do mercado fashion. Destaques foram poucos: alguns novos estilistas, Arzu Kaprol, Bora Aksu e Bahar Korcan.

kaprolLooks de Arzu Kaprol ©Divulgação

Kaprol, estilista já bem estabelecida com diversas lojas espalhadas pela Turquia, apresentou uma coleção de pegada futurista, mostrando um interessante trabalho de volumetria ora maxi, ora mini, apenas em pequenos e ricos detalhes _ainda que com alguns deslizes de proporção.

boraLooks de Bora Aksu ©Divulgação

Bora Aksu, estilista radicado em Londres onde recém formou-se na Central St. Martins, buscou no universo do underwear a essência de seu verão 2011. Toda em tons claros, suas roupas falam de uma feminilidade na medida certa, nem muito menina, nem muito mulher sensual. Corsets, bojos, e rendas misturavam-se, sobrepunham-se e fundiam-se em looks que, não fosse o styling confuso, seriam muito mais facilmente assimilados.

bahar_01Looks de Bahar Korcan ©Divulgação

Fato semelhante aconteceu com a Bahar Korcan. Para o verão 2011, a estilista quis transformar seu desfile em performance artística. Levou a passarela para o palco, trocou a tenda onde aconteciam os desfiles da IFW pelo prédio de uma das primeiras estações de rádio do mundo, e mostrou sua moda de traços simples e contornos lúdicos.

De perto as roupas em si só cresceram em valor. Conceitualmente e materialmente mais ricas, elas traziam uma certa magia tão essencial para a moda _e tão em falta nas coleções e no evento como um todo. Com cintura marcada, quadris acentuados e um interessante jogo de sobreposições de camadas desestruturadas, as peças acabaram ofuscadas pela luz teatral da apresentação e pela falta de movimento.

Editora da revista “Elle” Turquia fala sobre o mercado editorial do país

30/08/2010

por | Moda

88ELLKAPAKUm dos primeiros títulos internacionalmente conhecidos a fincar raízes na Turquia foi a revista “Elle”. Desde sua fundação em 1999, a publicação vem sendo responsável por fomentar e apoiar não só a crescente indústria de moda no país, como também o efervescente cenário cultural que tomou conta de Istambul nos últimos anos.

O FFW conversou com a editora chefe da “Elle” Turquia, Isik Simsek, para entender melhor o mercado editorial da região. Confira:

Quais são os principais desafios de se fazer uma revista de moda na Turquia?
A Turquia é um país em desenvolvimento. As coisas estão mudando muito rapidamente e, ainda bem, para melhor. Há onze anos, não existia quase nenhuma marca internacional por aqui, e o entendimento sobre uma revista de moda, um editorial, uma matéria de capa, era muito limitado. Depois que as indústrias de moda e têxtil tiveram um boom gigantesco nos últimos 10 anos _ainda que existam alguns desafios para superar_, ficou muito mais fácil produzir, fotografar e fazer uma revista por aqui. Em termos de leitores ainda há muito o que melhorar, já que nossa circulação é baixa se comparada a outros países da Europa. Isso faz com que o marketing e publicidade da revista fiquem bem menores do que outras mídias como TVs, jornais e internet. Fato que acaba resultando em orçamentos muito baixos para uma publicação.

E existe um equilíbrio entre marcas internacionais e turcas?
Se você estiver falando de marcas como revistas, não. A “Elle” é a líder de mercado, seguida pela “InStyle”, “Marie Claire” e “Harper’s Bazaar”. A “Vogue” também surgiu na cena esse ano. Mas se você está falando de marcas de moda, sim, podemos falar de um mix igualitário. Nos últimos 10 anos quase todas as grandes marcas internacionais vieram para a Turquia. Também, seja de fast ou slow fashion, existem muitas grifes Turcas que se fortaleceram como grandes nomes no mercado.

Se você pudesse definir o estilo da mulher turca como seria?
Há alguns tipos de mulheres em termos de estilo: as trabalhadoras, com formação universitária, morando nas grandes cidades e muito abertas para mudanças de estilo e moda em suas vidas. Seguidoras de tendências, são essas as principais leitoras de revistas de moda. Há também aquelas que vêm de um passado mais conservador, extremamente dependente de suas famílias (principalmente seus maridos ou pais) em todos os aspectos _sociais e econômicos. Um grupo que batalhamos muito para que se tornem também leitoras. E existem também as celebridades e socialites, que são vistas como ícones de moda, seguidas por ambos os grupos. Mas de uma forma geral, a mulher turca tem um grande interesse em moda e em ser estilosa. Elas seguem as tendências da temporada religiosamente e adoram comprar. Podemos chamar o estilo de “relaxed” e “easy”, com um “twist” de cor e paixão por acessórios grandes.

E para terminar, a tradição e cultura da Turquia influenciam de alguma maneira seu trabalho na revista?
Cultura, absolutamente. Tradição, não muito. Nós, como “Elle” girls, acreditamos em se divertir com a moda, aproveitar todos seus aspectos na vida. Nós tentamos absorver o máximo da nossa herança cultural, o que nos dá grandes ideias e inspirações. Tradição fica um pouco fora do nosso foco, já que adoramos olhar para frente.

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Direto de Istambul: exposição de Hussein Chalayan é emocionante

27/08/2010

por | Moda

Como parte dos eventos em torno da nomeação de Istambul como a capital cultural da Europa para 2010, o Istanbul Modern (IMoMA) trouxe de Londres a exposição “Hussein Chalayan: 1994-2010”. Trata-se de uma mostra retrospectiva dos trabalhos do estilista cipriota entre os anos de 1994 até os dias de hoje.

São instalações, vídeos e peças-chaves de suas principais coleções que extrapolam os limites da moda. Genética, progresso tecnológico, deslocamentos migratórios e questões de identidade cultural são apenas alguns dos temas abordados de forma filosófica, social e política.

Com montagem extraordinária, a exposição deixa claro que, para Chalayan, roupas não são um fim, mas sim um meio.Na linha do tempo de uma incrível mente criativa, conseguimos encontrar traços comuns em seu trabalho, como seu fascínio pelo tempo e pela velocidade.

Em “After Words” (inverno 2000), Chalayan falava de como um constante estado de mobilidade pode afetar a memória e o apego que temos das coisas materiais. O resultado foi a famosa coleção onde roupas vinham com compartimentos para guardar objetos domésticos, muitos dos quais viram acessórios, quando não peças de roupa, como a mesa que se transforma em saia.

Pensando em velocidade, surgiu a coleção “Inertia”, para o verão 2009. Roupas pensadas a partir do exato momento de uma colisão devido ao excesso de velocidade que parece reger nossas vidas. No caminho contrário, fala do desejo humano de manter-se enraizado num momento de fluxo constante e mudanças a todo momento em sua coleção “Earthbound” (inverno 2009).

Já em “One Hunderd and Eleven” (verão 2007), Chalayan vai ao extremo fazendo do tempo algo relativo, mutável a partir de um simples clique. Roupas que vão do século 18 para os anos 1920, 1950, até desaparecem revelando sua real essência _o indivíduo por baixo delas. Roupas mecanicamente mutáveis, num primor tecnológico jamais visto antes.

Emocionante, inspiradora e essencial para o entendimento do mundo atual, “Hussein Chalayan: 1994-2010”, é o mais recente _e eficaz_ exemplo da capacidade da moda (nas mãos de um verdadeiro artista) de ser um verdadeiro espelho e catalisador das mudanças sociais ao longo do tempo.

“Hussein Chalayan: 1994-2010″
QUANDO: até 24 October 2010
ONDE: Istanbul Modern (IMoMA)
MAIS INFOS: http://www.istanbulmodern.org/en/f_index.html

Istanbul Fashion Week: segundo dia começa com desfile para jovens estilistas

27/08/2010

por | Moda

ISTAMBUL, 27 de agosto de 2010

O novo sempre vem. O lema que se encontra na essência do conceito de moda pode estar hoje mais para reciclagem do que para inovações de fato. Porém, a busca pelo novo é essencial para fazer a indústria da moda girar. E a Istanbul Fashion Week parece entender bem disso.

O segundo dia de desfiles começou cedo e com plateia de peso para assistir apresentação de três jovens estilistas locais. Anna Piaggi da “Vogue Itália”, Kate Lampher da “Elle” americana, Patrícia Fields e além nomes importantes de imprensa local.

Durante palestra organizada pela revista “Elle” turca, Paulo Borges, convidado especial da mesa de discussão, afirmou: “O São Paulo Fashion Week teve início com um projeto embrionário, focado em novos estilistas”. Característica que a IFW parece compartilhar ao seu modo.

novos-estilista_01Looks de Lug Von Siga e Zeynep Tosun ©Divulgação

Quem abriu o desfile foi a estilista Lug Von Siga que buscou nas várias formas de organismos unicelulares _mais precisamente as bactérias_ a base para sua coleção. O tema pode parecer complicado e de difícil tradução para roupas, porém, ao invés de se focar no lado científico do assunto, Von Siga trabalhou em cima de opostos. Rígidos versus estruturados, opacos versus transparentes ou reluzentes e numa enorme variedade de formas que acabou tirando um pouco da coesão da coleção.

O desfile abre com uma série de looks em tecido encorpado, recortes e fendas sensuais, ao lado de comprimentos curtos e silhuetas ajustadas. Aos poucos as formas se ampliam e a feminilidade fala mais alto, como no bom look de saia arredondada com top enrugado ou então no vestido bege.

Vestidos justos e comprimentos micro parecem ser constantes nas ruas da cidade, principalmente nos bairros mais agitados, como Taksim e Beyoğlu. Quase como uma provocação _ou libertação_ das tradições islâmicas, mulheres turcas não têm medo de exagerar. Seja no comprimento, seja em decotes e recortes ousados revelando a pele bronzeada ou então na silhueta adesiva de seus vestidos. Se falam que nós brasileiros somos sensuais, talvez estejamos encontrando alguma competição _ainda que numa forma de sensualidade bem diferente.

novos-estilista_02Look de Zeynep Tosun e Zeynep Erdogan ©Divulgação

Refletindo um pouco dessa dualidade entre o contemporâneo e o tradicional, o verão 2011 da estilista Zeynep Tosun fala um pouco da vontade de mostrar e da necessidade de esconder. Vestidos longos em tecidos fluídos vinham com fendas ousadas, quando não totalmente abertos revelando hotpants. Barrigas de fora, recortes na região do quadril, cintura e busto acrescentam uma certa provocação nas roupas que, caso contrário, pareceriam puritanas demais.

Para falar da ausência de toque na Era digital, a estilsita Zeynep Erdogan aplicou pequenas mãos de tecidos em suas roupas. Estas vinham fazendo as vezes de bojo em tops retorcidos, dando volume nos ombros ou simplesmente formando estampas em saias e calças naquela silhueta cenoura _outro hit por aqui. A ideia pode ser simples, e também já ter sido trabalhada de formas mais interessantes em coleções da Comme des Garçons e Hussein Chalayan, ainda assim, a estilista tem seu mérito por injetar humor na apresentação, algo que parece um pouco ausente nas passarelas turcas.

Istanbul Fashion Week: evento abre com participação de ministros

26/08/2010

por | Moda

ISTAMBUL, 25 de agosto de 2010

Pouco tempo depois das 9h da manhã, quando a temperatura ainda não ultrapassava a casa dos 30ºC e o sol ainda estava agradável, a Istanbul Fahion Week ganhava sua abertura oficial no prédio da faculdade de arquitetura e design da Universidade Taskisla, uma construção muito imponente erguida em 1853. É lá onde acontecem a maioria dos desfiles e também a primeira edição do salão de negócios Collection Première Istanbul (CPI).

fachadaEntrada da Istanbul Fashion Week ©Augusto Mariotti/FFW

Com entrada opulenta, a instalações dão sinais do rico passado cultural do país _o prédio foi construído para ser usado como sede do exército otomano. O local conta com apenas uma sala de desfile com capacidade para 600 pessoas, mais uma salão onde se encontram os stands das marcas participantes do CPI. Porém, o que parece mais agradar convidados, imprensa e compradores é o grande jardim onde são servidos cafés e quitutes entre os intervalos das apresentações.

Como de praxe em outras semanas de moda no mundo, a abertura oficial ocorreu com uma coletiva de imprensa reunindo o ministro das relações exteriores, Zafer Çağlayan; o diretor da Comissão de Marcas Exportadoras, Hikmet Tanrıverdi; o diretor-assistente da Agência Istanbul 2010 Capital Cultural da Europa, Ataman Onar; o diretor do Conselho Turco das Exportações, Mehmet Büyükekşi; o diretor da Comissão de Diretores do CPI, Volkan Atik; o diretor da Comissão de Consultoria da IFW, Süleyman Orakçıoğlu; e a presidente da Associações do Estilistas, Bahar Korcan.

coletiva ifwOs cabeças da IFW durante a abertura do evento ©Divulgação

Durante a discussão foram ressaltados mais uma vez os planos ambiciosos da Turquia em relação a sua indústria de moda. Até 2023, os organizadores pretendem fazer da IFW a 5ª semana de moda mais importante do mundo. Com isso pretendem mudar a imagem que o país tem como mero fornecedor de tecidos e produtos para o resto da Europa.

Segundo dados apresentados durante a coletiva, a Turquia possui alguns fatores a seu favor. Começando pela nomeação de Istambul como a capital cultural da Europa, fato que colocará uma lente de aumento sobre o maior evento de moda do país. Some-se a isso a expertise têxtil, mão de obra qualificada e vasto repertório cultural de mais de mil anos. “Tudo isso trabalhado de forma muito sutil nas coleções, quase como um perfume, mas de forma totalmente contemporânea”, explicou a estilista Bahar.

A crise financeira que desvalorizou o Euro em toda a Europa pode também operar a favor da Turquia. “Em 2009, enquanto todos os outros países europeus enfrentaram quedas nas exportações, a Turquia apresentou crescimento”, disse o diretor da Comissão de Marcas Exportadoras, Hikmet Tanrıverdi.

Exportações essas que hoje são 80% voltadas ao mercado europeu, sendo principalmente de tecidos e aviamentos. Porém, o setor começa a perceber uma necessidade de investir não mais em preço, e sim em qualidade.

Estudos de diferentes bureaus apontam que os consumidores hoje estão cada vez mais conscientes na hora da compra. Dão mais valor a uma peça com bom design e qualidade. E é pensando assim que a Turquia pretende conquistar novos mercados a partir da criação de um núcleo consistente de moda. “A crise nos ensinou a explorar todos os mercados possíveis”, afirmou ministro das relações exteriores, Zafer Çağlayan sobre a vontade de expandir os negócios do país para além da Europa e Oriente Médio (os dois principais importadores de produtos turcos).

“Temos a manufatura, temos mão de obra qualificada, temos matéria-prima de qualidade, o que falta mesmo é investir nas marcas nacionais”, conta Zafer. Para isso o governo turco hoje dispõe de uma série de mecanismos que ajudam grifes locais a se estabelecer tanto interna como externamente. Financiamentos com duração de até 10 anos, apoio para campanhas, ações de marketing e desfile, além de fornecimento de materiais e mão de obra, que acabam gerando emprego e fazendo a indústria girar.

Istanbul Fashion Week: semana turca tem concurso para novos estilistas

25/08/2010

por | Moda

ISTAMBUL, 24 de agosto de 2010

Quase como um soft-opening a Istanbul Fashion Week começou extra-oficialmente na noite de terça-feira (25/08). Embora os desfiles oficiais do só começassem na quarta-feira (25/08), o dia anterior contou com a apresentação dos 25 concorrentes do KOZA, concurso dedicado a promover os novos talentos nacionais.

Com apoio da associação da Indústria Têxtil (ITKIB) e da faculdade de moda local (ITU Taskilas) _locação onde acontecem grande parte dos desfiles da IFW_ o prêmio tem a tarefa não só de mirar os holofotes da moda sobre nomes promissores, como oferecer a eles toda um base para construção de suas marcas. Para tanto, 5 vencedores recebem cursos de inglês, curso de moda na faculdade Central St. Martins e também vagas de estágios em importantes empresas da área na indústria turca.

Ainda que com problemas típicos de eventos em evolução _organização precária, má iluminação, edição longa de mais e má disposição da platéia_ o concurso que está no seu 17º ano tem sido responsável por lançar importantes nomes da moda _turca e internacional. Foi nele que em 1992 a estilista Bahar ganhou notoriedade. Mais recentemente, foi por consequência de sua vitória que Hakan Tildirim viajou à Londres onde aconteceu o boom de sua carreira.

koza-winnersOs vencedores Esra Ayse Akkaya e Özgür Firat ©Divulgação

A apresentação com quase 1 hora de duração aconteceu de forma extremamente arrastada, com apenas 1 look por concorrente. Cada modelo caminhava até o fim da passarela fazendo duas paradas no centro desta no seu caminho de volta. Bem ao meio, uma cortinha de tiras brancas dividia a passagem em dois, fazendo as vezes também de telão onde projeções dos croquis e desenhos técnicos, se intercalavam com imagens de referência ou inspiração.

Ficou difícil ali _para quem não acompanhou todo processo de criação como os membros do juri_ conseguir julgar, ou sequer destacar características relevantes em apenas uma entrada de cada estilista. A impressão que ficou foi de uma certa uniformidade de (desgastadas) ideias. Shapes ajustados ao corpo, ombros marcados e aquela repetido trabalho de assimetria que domina trabalhos de graduação.

Destaques foram poucos e devidamente premiados. Esra Ayse Akkaya, com seu trabalho inspirado nas interseções e sobreposições de pontes e viadutos urbanos, traduzidos para um intricada saia com volumes e texturas tridimensionais num intricado trabalho lembrando levemente lâmpadas japonesas ou balões de festa junina, _só que com extrema contemporaneidade e sofisticada. Özgür Firat, com seu trabalho em couro e tricô, foi outra que construiu uma imagem impactante com seu body de tricô cobrindo toda cabeça, num mixto de capacete aviador antigo, com máscara de oxigênio. Arrematando o look, jaquete de couro marrom, com ombros marcas e aspecto rocker-militar.

Istanbul Fashion Week: exposição de moda interpreta facetas da cidade

25/08/2010

por | Moda

Istanbul-Contrast-1Looks em exposição na mostra “Istanbul Contrast”, que fica no ar entre 26 de agosto e 19 de setembro no Istanbul Museum Of Modern Art ©Paulo Borges/FFW

A grife Dice Kayek, dos estilistas Ece e Ayse Ege, entra com exposição no Museu de Arte Moderna de Istanbul (IMoMA) a partir desta quinta-feira (26/08). A equipe do FFW visitou a mostra um dia antes da abertura e conferiu de perto as criações que fazem parte da “Istanbul Contrast”, que vai ficar no ar até o dia 19 de setembro.

Com suporte da Agência de Cultura de Istanbul, a ideia é mostrar o melhor do mix passado + presente através de roupas que interpretam as diversas facetas da cidade histórica. São 26 looks, cada um apresentando uma visão diferente de Istambul: o Palácio Dolmabahçe, as tulipas, os caftans, entre outros elementos culturais.

+ IMoMA: istanbulmodern.org

+ Dice Kayek: dicekayek.com

Veja imagens exclusivas do FFW na galeria:

Istanbul Fashion Week: seguindo os passos do SPFW pra ter sucesso

24/08/2010

por | Moda

ISTAMBUL, 24 de agosto de 2010

baharA estilista Bahar Korcan ao centro: ela é hoje a designer turca mais respeitada do país ©Luigi Torre/FFW

Com cabelos pretos cacheados, traços fortes e um certo sorriso no olhar, a estilista Bahar Korcan recebeu a equipe do FFW num café badalado em Istanbul. Usando um vestido de algodão cinza bem fino sobre regata do mesmo tom, Bahar carrega um ar descontraído não muito diferente daquele que estamos acostumados no Brasil.

Ela é hoje uma das principais estilistas da Turquia. Iniciou sua carreira em 1992, quando ganhou o primeiro lugar do “ITKIB Turkey Stylists” Competition _o mesmo que lançou o promissor talento Hakan Tildirim_ e de lá para cá construiu sua marca homônima, de forma consistente, tornando-a uma das mais conhecidas do país. Atualmente suas coleções são vendidas nas principais lojas de departamento de Paris e Londres, entre outras cidades.

Atual presidente da associação dos estilistas da Turquia _um dos órgãos responsáveis por colocar a Istanbul Fashion Week de pé_, foi ela uma das principais fomentadoras do evento, buscando desde cedo o apoio e incentivo governamental e privado para alavancar a moda nacional.

A ideia de criar uma semana de moda surgiu há 4 anos, junto com a associação de estilistas. Na época, a legendária editora de moda Suzy Menkes estava na cidade presidindo um seminário sobre o mercado de luxo e teve papel pivotal na elaboração de todo o projeto. “Ela me disse para tomar cuidado, porque semanas de moda estão aparecendo em todo lugar, sem o menor sentido”, contou Bahar. “Suzy Menkes falou que devíamos seguir os passos do SPFW, que com boa organização atingiram grande sucesso”.

Turquia quer transformar país em “marca” com a semana de moda

19/08/2010

por | Moda

istanbulA Mesquita Azul, ou Mesquita do Sultão Ahmed, um dos edifícios mais antigos e históricos da humanidade fica em Istambul ©Reprodução

Acontece entre os dias 25 e 28 de agosto a 3ª edição do Istanbul Fashion Week _o principal evento de moda da Turquia, voltado a promover estilistas e marcas da região. Mas resumir a semana de moda a apenas esse tagline seria como deixar boa parte de sua ambição de lado. Fruto de uma iniciativa do governo local em conjunto com associações do setor, o IFW tem como principal objetivo criar um núcleo de moda e design local e assim levar a “marca Turquia” para além dos parques industrias e fábricas têxteis.

Atualmente o país é o segundo maior fornecedor de tecidos e aviamentos da Europa. Marcas como Gucci, Dolce & Gabbana e Armani produzem boa parte de suas roupas em solo turco, aproveitando não apenas os tecidos de altíssima qualidade, como a mão de obra qualificada e a imensa atenção aos trabalhos manuais.

Hoje a indústria têxtil e do vestuário na Turquia é responsável por cerca de 20% da economia do país, dado que a coloca entre as principais fontes de renda e emprego na região. Porém, os impactos de crise começam a impor alguns desafios.

Com a falência dos bancos europeus, os produtos turcos tornaram-se caros demais para seu principal mercado consumidor (os demais países da Europa Ocidental). A desvalorização do Euro, somada a iminência de uma nova estiagem econômica caso a Grécia não consiga se recuperar e a concorrência virtualmente imbatível vinda da China, são outras grandes ameaças que dificultam a evolução da indústria.

A solução encontrada pelos principais players do setor e com aprovação do governo foi investir na Turquia como uma marca. Incentivar características exclusivas do produto turco _qualidade e primor artesanal_ e torná-lo conhecido ao redor do mundo.

Criar um terreno mais favorável para as grifes nacionais é outra solução encontrada pelos organizadores do IFW, evento que tem como inspiração e referência principal o São Paulo Fashion Week. Com planos de se tornar a 5ª semana de moda mais importante do mundo até 2023, os organizadores do IFW pretendem criar um núcleo de design que, além de ressaltar as qualidades da indústria têxtil, se torne uma fonte de renda alternativa para o país, conquistando novos mercados emergentes.

Entre os dias 25 e 28 de agosto, a equipe do portal FFW vai conferir in loco os lançamentos do IFW com cobertura fotográfica, matérias e entrevistas exclusivas e um diário de bordo resumindo o dia a dia da semana de moda que pretende entrar para o top 5 mundial. Fiquem ligados!

+ Site oficial do evento: ifw2010.com