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FFW foi à Copa Hermès, a primeira realizada fora da França, e conta tudo

1ª Copa Hermès no Brasil ©Juliana Knobel

Em “Minha Bela Dama”, musical de 1964 que contava a história da vendedora de flores Eliza Doolittle, vivida magnificamente por Audrey Hepburn, a personagem passava por uma espécie de extreme makeover com o professor de fonética Henry Higgins, para se tornar uma perfeita dama da sociedade londrina. Em uma das cenas emblemáticas, Eliza é levada a uma corrida de cavalos, passatempo chiquérrimo dos grã-finos da época, com todas as mulheres vestindo preto e branco e chapéus exuberantes. No último final de semana, nos dias 22 e 23 de outubro, o Brasil sediou a 1ª Copa Hermès, evento esportivo com competições de Hipismo, que no imaginário popular, tinha tudo para ser como a cena do musical de Audrey. Não é bem assim. Há mais diferenças que semelhanças, mas o projeto não deixa de ser extremamente chique e cheio de peculiaridades. O FFW esteve presente e conta tudo sobre o evento realizado pela primeira vez fora da França.

A Copa aconteceu na Fazenda Boa Vista, no município de Porto Feliz, a uma hora de São Paulo. Da Rodovia Castello Branco, não se vê nada além de grandes portões de ferro, e um imenso campo verde, que vai até onde a vista alcança. Lá dentro se encontra o condomínio Fazenda Boa Vista, que além de contar com espaços para as casas, tem também campos de golfe, de polo, estábulos, lagos, e um hotel Fasano, com serviços disponíveis aos moradores do condomínio, como massagistas e acesso ao lago-piscina, e foi lá que os staff da Hermès se hospedou. Cerca de seis pessoas vieram de Paris para o evento, entre eles Pascale Mussard, da quinta geração que criou a Hermès, mãe de Dimitri Mussard, diretora artística da maison, Patrick Albaladejo, vice-presidente de desenvolvimento estratégico e corporativo, Roland Herlory, diretor-geral da Hermès na América Latina, e Fabrice Crespel, gerente do departamento equestre.

Fazendo Boa Vista ©Reprodução

Nathalie Sanz-Maurice, responsável pela relação com a imprensa da Hermès, contou ao FFW que os preparativos para a realização da prova fora da França levaram mais de um ano. “Tudo na Hermès leva um tempo maior, pois queremos perfeição em todos os detalhes”, explicou ela. No meio da conversa, também falou que há planos de abrir uma segunda loja da maison em São Paulo, e uma em Brasília, mas sem datas definidas ainda. Há também a possibilidade de uma segunda edição da copa ser realizada em 2012.

As provas, seis ao todo, aconteceram em outro ponto da Fazenda – o lugar é tão grande, que os motoristas se perderam diversas vezes, e alguns seguranças não sabiam informar onde ficava cada espaço – no Centro Equestre, projetado por Isay Weinfeld, que recebeu uma estrutura montada especialmente para o evento. Na entrada, uma espécie de loja pop-up, com estandes da Livraria da Vila, com uma seleção que ia de livros sobre cavalos, passando por moda e fotografia, até livros infantis e uma mini Hermès, que vendia lenços, gravatas, chapéus e bolsas. Mas os itens que mais faziam sucesso eram os próprios para a prática do Hipismo, como a sela Talaris, super novidade que a marca estava lançando. A tal sela é uma inovação para o esporte, pois substitui a ‘árvore’ – parte onde o cavaleiro se senta – feita de aço e madeira por uma de carbono, muito mais leve. No meio das lojinhas, um artesão francês da Hermès fazia uma sela – não a nova, e sim um modelo mais tradicional.

Seção das selas Hermès, na lojinha pop-up ©Juliana Knobel

Mas as diferenças de um torneio convencional para um sediado pela Hermès é gritante. Esqueça as arquibancadas sob o sol, com pouco espaço para locomoção. As arquibancadas estavam lá, mas você só notava que estava em uma devido a alguns degraus, já que em cada um deles havia espaço suficiente para mesas de almoço e lounges com sofás deliciosos, tudo sob uma tenda laranja (a cor da maison). No almoço, das massas aos doces, tudo foi feito pelo Buffet Fasano, que agradou aos presentes.

A arquibanda da Copa Hermès ©Juliana Knobel

O campo de provas também contava com detalhes diferentes: ao invés dos tapumes com propagandas de patrocinadores nas laterais, cores e detalhes idênticos aos utilizados nas fitas dos embrulhos de compras e presentes da Hermès. Apesar de não tão próximo ao público, havia um telão para situar todos os convidados sobre o que estava acontecendo e mostrar detalhes dos saltos. Não que todos os presentes realmente estivessem preocupados se Adelaide de Laubry ou Crocodille Z (nomes de alguns dos cavalos concorrentes) haviam cometido alguma falta. Enquanto alguns se aglomeravam nos sofás próximos ao campo e realmente acompanhavam cada minuto, a maioria dos convidados aproveitava para botar a conversa em dia com os conhecidos. O evento parecia uma enorme reunião de amigos e famílias inteiras. Além dos ‘adultos’, muitas crianças estiveram no evento, e muitas delas se mostravam pequenas experts sobre hipismo.

Campo de provas embrulhado para presente ©Juliana Knobel

E os chapéus? Apesar de tradicionais em eventos como este, especialmente na França, acabaram perdendo o posto de supremacia para outros itens, como as botas de montaria, que estavam por todo o lado, tanto em mulheres quanto em homens. Para os não competidores, muitas polos e camisas claras, com calças brancas ou bermudas para eles, e muitas cores neutras para elas, como beges e marrons (geralmente em algum item Hermès), e alguns poucos pontos de cores, como laranjas e rosas, e uma avalanche de branco, especialmente nas calças.

Pascale Mussard, usando vestido e colar com pingente Hermès. O colar mais comprido é brasileiro, presente que Pascale ganhou do filho Dimitri ©Juliana Knobel

Porém, uma coisa chamava bastante atenção dos não iniciados no esporte: torcida, palmas e comemorações eram bastante escassas, e quando ocorriam eram em um volume baixo e duravam poucos segundos. Como Eliza Doolittle descobriu em “Minha Bela Dama”, aparentemente torcer a plenos pulmões não é lá muito fino.

+ Confira aqui quem foi à Copa Hermès

http://ffw.com.br/festa/copa-hermes-fazenda-boa-vista/
FFW foi à Copa Hermès, a primeira realizada fora da França, e conta tudo

Hermès: nova coleção no Brasil e romantismo celebrado em filme

abre-hermes-nova-colecao-brasil-shopping-cidade-jardimMovimentação durante coquetel na loja Hermès do Shopping Cidade Jardim ©Juliana Knobel

Para marcar o lançamento em terras brasileiras de sua coleção Outono/Inverno 2011, a Hermès armou uma série de eventos que incluiu um disputado coquetel na loja da grife no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo; a exibição única e exclusiva para convidados do filme “Hearts and Crafts”, que celebra os artesãos da Hermès; e uma apresentação para imprensa dos itens da recém-chegada coleção.

A cereja no topo do bolo, porém, foi a vinda de uma artesã de couros de Paris, que durante o coquetel e a apresentação para imprensa trabalhou, ao vivo, na montagem de uma Kelly, a epítome do termo “desejo de consumo” do mundo dos acessórios. Quem estava esperando ver o processo do começo ao fim, porém, pode ter se decepcionado: a manufatura de um único exemplar da bolsa Kelly demanda três dias de trabalho, e assistir ao trabalho extremamente meticuloso da artesã mostrou o porquê.

1-artesã-de-couros-da-hermes-bolsa-kellyArtesã de couros da Hermès trabalha durante coquetel ©Juliana Knobel

Revelando ainda mais desse universo do “feito à mão”, o filme “Hearts and Crafts”, dirigido por Frédéric Laffont e Isabelle Dupuy-Chavanat, sugeriu uma homenagem aos artesãos dos diversos métiers da Hermès. Com relatos sobre o trabalho e a vida pessoal dos próprios especialistas e aprendizes da arte do couro, cristais, joias e acessórios, o documentário celebra o orgulho que a Hermès tem do seu savoir-faire e do capricho e meticulosidade na manufatura de seus produtos. Uma das entrevistadas, uma desenhista que aos 16 começou como aprendiz e agora acumula 33 anos de experiência na empresa, relata, por exemplo, que chega a passar até duas mil horas trabalhando em um desenho dos famosos lenços de seda da grife. Veja um teaser abaixo:

“Hearts and Crafts” (que será comercialmente exibido em Paris em outubro mas não virá ao Brasil) surgiu da vontade de “encapsular esse espírito que é nosso heart and soul”, afirmou Roland Herlory, diretor comercial da Hermès na América Latina e Caribe antes do início do filme – que terminou com aplausos da plateia, repleta de consumidores da grife. Sobre o consumidor e a indústria brasileira, aliás, Herlory se mostra satisfeito, afirmando que “os clientes do Brasil conhecem muito bem os produtos Hermès, o mercado é maduro, sabe o que quer, conhece os produtos que saem na imprensa e sabe que a Hermès investe na produção”.

Ele revela ainda que “os negócios no Brasil superaram as expectativas; a Hermès Brasil tem uma operação no País de apenas dois anos e é o país da América Latina que mais vende” – tanto que a grife tem planos de abrir novas lojas no Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte. Enquanto a expansão da Hermès pelo Brasil não começa, veja na galeria abaixo mais do trabalho da artesã de couros da marca e alguns looks da coleção Outono/Inverno 2011 que acaba de chegar ao País:

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Hermès: nova coleção no Brasil e romantismo celebrado em filme

Conheça o processo por trás da criação de um perfume Hermès

hermes_abreCampanha Primavera 2010 da Hermès ©Reprodução

No que concerne à perfumaria, a Hermès é bastante peculiar. É uma das únicas grifes de luxo que tem seu próprio nariz – ou perfumista – e produz fragrâncias exclusivas, enquanto outras marcas, também de luxo, licenciam seus nomes para conglomerados como Procter & Gamble ou grandes empresas de cosméticos, como a L’Oreal, e em troca eles produzem, embalam, distribuem e comercializam o perfume. Mas a Hermès não.

O criador de perfumes da grife, Jean-Claude Ellena, entrou em 2004 e criou sucessos como a coleção “Les Jardins”, como “Un Jardin sur le Nil” e “Un Jardin en Méditerranée”, e agora em 2011 lança a coleção “Hermessence”, apresentada por Arnaud Beauduin, vice-presidente da Hermès Parfums, na tarde da última terça-feira na loja da Hermès em São Paulo, no Shopping Cidade Jardim.

Arnaud apresentou a um seleto grupo da imprensa de beleza as nove fragrâncias que fazem parte de “Hermessence”, que traduz, como bem diz o nome, a essência e o essencial da Maison Hermès para os vidros de perfume. Por isso nove, e por isso tão diversas. “Hermessence” também expressa a liberdade e a criatividade não só da marca, mas também de Ellena, que teve – e sempre tem – carta branca na hora de criar essa coleção.

ellenaO nariz da Hermès, Jean-Claude Ellena ©Divulgação

“Ellena cria quando tem inspiração! Dessa vez, ele criou quatro fragrâncias de uma vez!”, contou Arnaud. É por isso que na Hermès não há constantes lançamentos de perfumes, já que eles surgem quando o perfumista Ellena está inspirado. E segundo Arnaud, os perfumes da Hermès não são parecidos com nenhum outro, pois “Ellena não escuta o mercado, não segue tendências. Nós odiamos tendências!”, contou o vice-presidente ao FFW, concluindo com: “Nós buscamos algo que ainda não existe”. Arnaud também fez questão de deixar claro que para a Hermès, fazer perfume é uma junção de duas coisas: “Criação e artesanato. Na Hermès nós temos artistas e artesãos por trás de todo o processo de criação do produto”.

Para ele, isso diferencia a Maison de outras casas de luxo, além da busca pela narração de uma história em cada um de seus perfumes. Outro ponto que diverge em relação a outras marcas são as propagandas: “A Hermès não faz anúncio com celebridades. Em vez disso, ela cria uma essência boa o suficiente para se vender sozinha, sem precisar disso”, explicou Marcela Brandão, assessora de imprensa da marca no Brasil.

E como são os números de vendas no Brasil? Arnaud só responde como um alto e sonoro “Muito bons!”, já que a marca não permite que se fale sobre números.

HERMESSENCE

iris-ukiyoA menina dos olhos da coleção ©Reprodução

A coleção conta com nove fragrâncias, sendo o carro chefe “Iris Ukiyoé”, que traz uma leitura não usual da essência da Íris, inspirado pela arte japonesa e pela palavra “Ukiyoé”, que significa “imagem do mundo flutuante”. “Eu tenho uma imagem na cabeça de íris em um ‘mundo flutuante’. Como um eco daquele mundo, meu próprio jardim é cheio de íris azuis e brancas desde o começo de maio até o começo de junho; Desde então, os dois mundos formaram um eco de cada um, e eu não posso ver, cheirar e tocar as íris sem fazer através dos olhos de Hokusai ou Hiroshige”, explicou o perfumista em apresentação do perfume.

“Eu queria reconstituir a sensação olfativa que certas variedades de Íris produzem em mim, buscando uma espécie de denominador comum em seus cheiros… Para expressar a ambiguidade que paira entre a presença e a fragilidade da flor, entre a discrição e a generosidade, eu trabalhei usando pequenos toques impressionistas. Foi fazendo uma justaposição dessas facetas que a fragrância assumiu sua identidade”.

japonesPinturas de íris dos japoneses Hokusai e Hiroshige ©Reprodução

Mas a coleção é grande o suficiente para agradar a preferências variadas, e há inclusive um kit em que o cliente pode escolher quatro miniaturas dos perfumes e guardá-las em uma caixa “tamanho viagem”, como nomeou Arnaud. O frasco de 100 ml custa R$ 593 e será vendido apenas na boutique Hermès, nada de perfumarias ou “free shop”. Outro diferencial? “A coleção Hermessence não tem gênero, são perfumes para partilhar”, ou seja, não são exclusivamente femininos ou masculinos, já que, segundo o perfumista da marca, isso é algo cultural.

+ Confira na galeria as outra oito essências do perfume:

Conheça o processo por trás da criação de um perfume Hermès

Helmut Lang cogitado para Hermès e mais um capítulo da saga LVMH

hermes_helmutÚltimo desfile sob direção criativa de Gaultier ©Reprodução Pascal Le Segretain

Não importa que Helmut Lang tenha doado quase todo seu arquivo para exibições de arte ou tenha destruído mais de 6 mil peças de sua autoria: a Hermès quer ele para ocupar o lugar de diretor criativo do feminino da marca, que é responsável por apenas 10% do volume de negócios, mas que tem todo um significado diante da mídia especializada e na história recente da moda.

Quando Jean Paul Gaultier saiu da marca, em 2010, a Hermès colocou Helmut Lang na lista de favoritos para substituir Gaultier. Porém, de acordo com o site Fashionologie, assim que a maison francesa cortejou o designer austríaco, ele recusou, alegando que queria continuar com sua recém-descoberta carreira de artista, ao invés de estilista. Com a resposta negativa, a Hermès investiu em Christophe Lemaire.

E já que o assunto é Hermès, recentemente outro porta-voz da marca fez sua declaração sobre as investidas da LVMH em comprá-la. Pierre-Alexis Dumas, diretor  artístico do grupo, declarou a “W” disse que “Hermès cresceu em uma cultura familiar, com um conjunto de valores no qual todos nós acreditamos. Estou convencido de que isso desapareceria se essa dimensão familiar se afastar ou for diluída. Sabe, existiram vários ótimos pequenos restaurantes em Paris que foram comprados por grandes cadeias ao longo dos anos, geralmente em nome de uma melhor administração. Mas de alguma forma os clientes pararam de frequentar, porque eles haviam perdido suas almas… Toda essa situação tem sido um incentivo para trabalhar ainda mais. Eu disse a todos, ‘Ouçam, caras – é hora de ser mais Hermès do que nunca”.

+ Hermès e o escudo anti-LVMH: entenda o novo desdobramento dessa batalha

Helmut Lang cogitado para Hermès e mais um capítulo da saga LVMH

Terremoto no Japão desestabiliza mercado de luxo

diorLoja da Dior em Tóquio

Além da tristeza geral causada pelo terremoto no Japão, um mercado específico já está sentindo os sustos do desastre. As ações de luxo levaram um choque por conta do futuro incerto das vendas deste setor no país, o terceiro mercado de produtos de luxo no mundo, e grande alavancador de vendas do grupo LVMH e das grifes Burberry e Hermès, entre muitas outras.

A ameaça de um vazamento nuclear pode causar danos na economia japonesa, especialmente na área de luxo, já que o Japão representa 11% de suas vendas globais. Alguns analistas falam que o setor já está vulnerável enquanto outros defendem que as zonas afetadas não são os principais mercados de luxo do país. Segundo o fashionmag.com, desde o terremoto, as ações da LVMH caíram 3.3%, a da Burberry 5.45%.

hermesjapanIlusão de ótica na loja da Hermès, em Tóquio

Ainda de acordo com o site americano, o Japão está à frente ou igual à China em termos de vendas de luxo, atrás somente dos EUA, o primeiro em consumo de luxo. Mas em termos de nacionalidade, os japoneses ainda são os maiores consumidores, combinando compras dentro e fora do país, seguidos dos americanos e dos chineses.

O Japão é responsável por 19% das vendas da Hermès, 9% do grupo LVMH, 16% do conglomerado PPR (donos da Gucci e da YSL) e 12% do grupo suíço Richemont.

Para analistas ouvidos pelo fashionmag, é normal que o mercado sofra consequências, mas o que deve-se evitar é que o acidente provoque uma mudança de humor global, já que as vendas de luxo dependem da segurança e das confiança das pessoas. Vamos esperar que não só o mercado se acalme novamente, mas especialmente, a vida real das pessoas.

lv… e o espaço da Vuitton

Terremoto no Japão desestabiliza mercado de luxo

DIRETO DE PARIS: veja o inverno 2011 da Hermès bem de perto

FFW esteve no show room da Hermés nesta segunda-feira (07.03), dia seguinte do desfile. Pegamos elevador com o estilista Christophe Lemaire. Sua primeira coleção à frente da marca traz claramente a inspiração oriental mas com pontos de exotismo que remetem aos índios – brasileiros e americanos. Nada que fique contrastante, são momentos que se seguem e contracenam com fluidez.

Uma das estampas que mais ganhou destaque nessa coleção foi a “Brazil”, usada também no foulard.  FFW selecionou cores e misturas de materiais que mais chamaram atenção no pós-desfile — confira na galeria!

DIRETO DE PARIS: veja o inverno 2011 da Hermès bem de perto

Hermès abre processo contra a 284 e proíbe a venda da “Birkin” de moletom

A 284, marca de Luciana, Marcella e Bernardino Tranchesi _filhos de Eliana Tranchesi, da Daslu_ em sociedade com Helena Bordon, foi proibida de comercializar a Bolsa 284, inspirada na “Birkin”, da grife francesa Hermès, lançada em 1984. A peça, que começou a ser comercializada em abril de 2010, faz parte da linha “I’m Not The Original”.

284_birkin

As irmãs Tranchesi e Helena Bordon, com a bolsa 284 © Reprodução

O processo, aberto pela Hermès Internacional em setembro de 2010, prevê pagamento de multa no valor de R$ 10 mil reais diários caso a 284 continue a vender o modelo. No despacho, é descrito que a bolsa é idêntica à fabricada pela Hermès, diferindo apenas o material, sendo inclusive descrita no blog da 284 como “Birkin de Moletom”.

Segundo o juiz da 24ª vara Cível, onde foi aberto o processo, João Omar Marçura, “Ao copiar um design criativo distintivo e fazer referências à bolsa “Birkin” original, beneficia-se a autora reconvinda do design e dos investimentos feito pela ré reconvinte na divulgação da bolsa, e prejudica-se a reputação da ré reconvinte de fornecer um produto exclusivo, voltado para um segmento de mercado altamente especializado”.

Procurada pelo FFW, a assessoria de imprensa da 284 alegou não saber do ocorrido.

Confira a decisão na íntegra do processo nº 583.00.2010.187707-5:

“Despacho Proferido
Vistos.
Alega a autora reconvinda em sua petição inicial que “em março de 2010, iniciou a produção e comercialização da linha “I’m not the original!”, que conta, dentre outros produtos, com a “Bolsa 284”, inspirada na denominada “Bolsa Birkin”, lançada pela ré reconvinte no ano de 1984.
Como expressamente admitido na petição inicial e constatado mediante a simples visualização das fotografias acostadas aos autos, a bolsa produzida pela autora reconvinda é idêntica à bolsa produzida pela ré reconvinte, diferindo apenas em relação ao material de confecção.
Pretende a ré reconvinte a antecipação dos efeitos da tutela. Seu pedido há de ser deferido, evidenciada nos autos hipótese de concorrência desleal.
A bolsa modelo Birkin elaborada pela ré reconvinte é ícone do alto luxo, situação mantida não somente por seu prestígio, mas também pelo elevado preço e pela dificuldade de aquisição imediata.
É um bem de consumo para poucas privilegiadas, que reflete um design criativo de sucesso e anos de investimento na divulgação da bolsa e em seu posicionamento estratégico de mercado.
A autora reconvinda, sem nenhum esforço de originalidade, aufere rendimentos à custa do desempenho alheio, ao produzir bolsa idêntica à prestigiada Birkin. E o fato haver a ressalva, em destaque, de que não se trata do modelo original, pela utilização da marca “I’m not the original”, não tem o condão de revestir de legitimidade sua conduta, pois mais do que os outros modelos de bolsa mencionados pela autora em sua petição inicial, a bolsa por ela produzida remete o consumidor imediatamente à imagem do produto original.
Destacar que um produto não é original não se configura salvo conduto para exploração comercial do prestígio de outrem. Até mesmo porque há menção direta ao produto da ré reconvinte no site da autora reconvinda http://www.284brasil.com.br/blog/?s=birkin+, onde se lê ser o “must have da 284” uma “Birkin de moleton”.
E não apenas o enriquecimento sem causa deve ser vedado pelo direito. Há na hipótese possibilidade de efetiva lesão à ré reconvinte. A existência no mercado de réplica de sua prestigiada bolsa, comercializada pela autora reconvinda, diferenciada apenas pelo material de confecção empregado, por certo poderá trazer danos à ré reconvinte, causando confusão entre os produtos postos no comércio e prejudicando a reputação desta.
Ao copiar um design criativo distintivo e fazer referências à bolsa “Birkin” original, beneficia-se a autora reconvinda do design e dos investimentos feito pela ré reconvinte na divulgação da bolsa, e prejudica-se a reputação da ré reconvinte de fornecer um produto exclusivo, voltado para um segmento de mercado altamente especializado.
A diluição da imagem do produto da ré reconvinte por certo lhe causa danos, pois quem o adquire o faz não somente pela beleza, mas também pela exclusividade.
Presentes, assim, os requisitos do “fumus boni iures e o periculum in mora”, defiro a antecipação dos efeitos da tutela para o fim de determinar à autora reconvinda que se abstenha de produzir, importar, exportar, manter em depósito e comercializar a “bolsa 284”, descrita na petição inicial, sob pena de pagamento de multa diária no valor de R$10.000,00 (dez mil reais), limitada a R$1.000.000,00 (um milhão de reais).
Intime-se a autora reconvinda, na pessoa de seu advogado, para que se manifeste sobre a reconvenção, no prazo legal. Int. Fls.100vº: Certidão do Cartório que deixou de expedir mandado de intimação visto a ausência do recolhimento das diligências do Oficial de Justiça – providenciar em cinco dias.”

Hermès abre processo contra a 284 e proíbe a venda da “Birkin” de moletom

Hermès e o escudo anti-LVMH: entenda o novo desdobramento dessa batalha

hermes-tem-aprovacao-para-criacao-de-holding-contra-lvmhBernard Arnault, do grupo LVMH, em colagem ©Romeuuu

Lembra de quando o FFW contou sobre o investimento agressivo da LVMH, que comprou um total de 20,21% das ações da Hermès? À época, a Hermès aguardava aprovação da AMF, agência que controla o mercado financeiro da França, para criar uma holding própria com mais de 50% das ações com direito a voto da companhia e, assim, se proteger de novas investidas da LVMH.

Pois a decisão acaba de sair, e a família Hermès foi autorizada a criar essa holding sem ter que lançar uma oferta pública. Isso significa que o grupo LVMH terá mais dificuldades para conseguir uma participação significativa no capital da Hermès e, consequentemente, terá menos chances de tomar o controle da empresa.

Especialista em mercado financeiro, o professor Sergio Sayeg* explica: “Companhias com ações em bolsa, como é o caso das duas, têm uma distribuição dessas participações em vários pedaços. 50% + 1 de uma companhia, em princípio, permite que o detentor desse bloco tenha a possibilidade de administrar a empresa e consequentemente, de liderá-la, às vezes com autonomia e às vezes tendo acompanhamento, na administração, de representantes de outros investidores que sejam os proprietários dos outros 49% restantes. Eu tenho metade + 1, então eu ganho a eleição, para, por exemplo, escolher os dirigentes da empresa, decidir pela compra de outra empresa, decidir pela venda de um pedaço da empresa, para fazer investimentos no Brasil. Essas decisões são feitas normalmente por quem detém a maioria, e a maioria é 50% + 1”. Ou seja, ele continua, “em tese, a obtenção de um acordo de acionistas sólido e de longo prazo, que englobe pelo menos 51% do capital votante de familiares Hermès por meio dessa nova holding, pode representar um desestímulo para novas investidas da LVMH”.

*Sergio Sayeg é conselheiro de administração e conselheiro fiscal certificado pelo IBGC, consultor empresarial e professor da Fia, do Ibmec-RJ e do Insper

Relembre o desenrolar do caso:

+ LVMH será investigada por aquisição de 17,1% da Hermès

+ Amor, dinheiro e ódio: LVMH e Hermès continuam novela mexicana

+ O império contra-ataca: LVMH anuncia compra de mais ações da Hermès

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Hermès e o escudo anti-LVMH: entenda o novo desdobramento dessa batalha

O império contra-ataca: LVMH anuncia a compra de mais ações da Hermès

O FFW já falou sobre a compra-surpresa de 17% das ações da Hermès por parte de Bernard Arnault e seu conglomerado LVMH; você ficou sabendo também da reação da maison, que deu declarações polêmicas ao jornal “Le Figaro” e pediu que Arnault abrisse mão de seus investimentos. Pois a notícia agora é que o empresário não só se negou a recuar como anunciou hoje (21/12) a compra de mais títulos da grife, chegando a um total de 20,21% de ações e 12,73% de poder de voto.

Desde o começo dessas operações, Arnault afirma que a movimentação é amigável e que não há intenção de tomar o controle da companhia _mas a Hermès não está esperando para ver. Pouco depois do primeiro anúncio de compra de ações, em outubro, as famílias de herdeiros da Hermès que dividem 73% das ações da empresa entraram com um pedido especial de criação de uma holding que protegeria a grife de novas investidas do LVMH.

A decisão do AMF, órgão que controla o mercado financeiro da França, deve sair nas próximas semanas: aguardemos a continuação dessa novela.

O império contra-ataca: LVMH anuncia a compra de mais ações da Hermès

Amor, dinheiro e ódio: LVMH e Hermès continuam novela mexicana

Lembra quando o FFW falou sobre a investigação da aquisição de 17.1% da Hermès por parte da LVMH? A maison falou mais sobre o assunto ao jornal “Le Figaro”: “É como um mosquito ao seu redor, ele faz barulho e é irritante. Mas é difícil tirar um mosquito”, disse Bertrand Puech, representante da família Hermès.

A cúpula da Hermès já pediu mais de uma vez que o grupo de Bernard Arnault abandone suas ações, mas com sua valorização ascendente, vai ser difícil convencer. Arnault insiste que seu objetivo não é controlar a empresa, mas impedir que ela caia em mãos não-francesas (numa empresa em que mais de 70% do capital pertence à família fundadora, parece meio esquisito para o FFW também).

Há ainda teorias sobre o pagamento dessa aquisição _feita via empresas subsidiárias da LVMH nos EUA, no Panamá e em Luxemburgo através de bancos e os infames derivativos_: a LVMH negociou as ações por um preço bem mais camarada do que o atual (€80 por ação num acordo firmado em 2008, versus os €170 que ela vale hoje), mas ainda são cerca de €1,45 bilhão. Muitos apostam na venda da Möet-Hennessy, o MH da sigla, para fechar a conta.

“Essa entrada não foi nada amigável. Não foi uma vontade nem um pedido [nosso]“, disse Patrick Thomas, outro alto executivo da Hermès. Ele completou que os cerca de 50 acionistas da família se encontraram recentemente e decidiram manter o controle da companhia, além de levar seus 73% para uma empresa de capital aberto fora da lista do mercado de ações _assim dá para ter certeza de quem está comprando.

Vale lembrar que esta é uma medida extra e que na Hermès funciona a parceria limitada, mas o mercado financeiro francês continua de olho: desde a morte do presidente da empresa, Jean-Louis Dumas,  há rumores sobre desentendimentos dentro da família.

Os próximos capítulos, por favor?

Amor, dinheiro e ódio: LVMH e Hermès continuam novela mexicana