Mãos à obra!

05/07/2013

por | Moda

Um dos exemplos de customização de Gustavo Silvestre ©Gustavo Silvestre/Facebook

Entre os dias 10 e 13 deste mês, o designer Gustavo Silvestre ministra na Escola São Paulo a oficina “Tudo novo com o usado: renovando o guarda-roupa”. O curso, dividido em quatro aulas de quarta a sábado, é o primeiro de uma série que envolve moda e consumo sustentável e tem como objetivo mostrar aos alunos como criar “roupa nova” a partir de peças estagnadas no armário por meio de técnicas de customização como o bordado, tie dye e pintura. “Todo mundo tem esta dificuldade. Temos uma peça no armário que amamos, mas que não usamos e também não queremos dar e às vezes o que basta é colocar um botão”, explica Gustavo ao FFW.

O curso é dado em formato de oficina e por isso é muito dinâmico e prático. Apenas a primeira aula, em que Gustavo apresenta técnicas de customização e referências de culturas como a hippie e a punk, conhecidas pelos seus DIY (“do it yourself“), é que tem um componente teórico. A ideia partiu do designer, que já desenvolvia esta prática com amigos e no seu trabalho de figurinista e consultor. “É um processo sustentável, exclusivo e que reflete o seu próprio estilo. Quando você sai à rua, alguém elogia a sua blusa e você responde que foi você mesmo que fez, é muito bom, dá muito orgulho! E ninguém vai ter igual”, explica entusiasmado.

Aos alunos, pede-se que levem criatividade e algumas peças em que gostariam de dar um up.

+ Conheça melhor o trabalho de Gustavo Silvestre aqui

Tudo novo com o usado: renovando o guarda-roupa @ Escola São Paulo
De 10 a 13 de julho (Quarta a sábado: quatro aulas, 15 horas)
Das 14h30 às 17h30 (quarta, quinta e sexta); 10h às 17h (sábado)
Investimento: R$ 150 + 2 parcelas R$ 150
+ Faça aqui a sua inscrição

Produção sustentável

19/10/2012

por | Moda

O designer Gustavo Silvestre ©Divulgação

Gustavo Silvestre tem 35 anos e é de Recife. Formado em moda pelo SENAC e pela La Accademia em Florença, ele apresenta as suas coleções na Casa de Criadores desde 2004, e vem desenvolvendo trabalhos em crochê, técnica artesanal pela qual se apaixonou. Apesar de ter tido contato com a técnica durante toda a sua vida, foi só no início deste ano, quando teve a sua primeira aula, que Gustavo se envolveu totalmente com essa arte.

“Tenho contato com trabalhos manuais desde criança, vendo minhas avós e minha mãe executando artesanato, bordados, e principalmente o crochê. Venho empregando técnicas artesanais em todas as minhas coleções, inclusive já havia usado bastante a mão-de-obra de crocheteiras. Mas foi só no início deste ano que tive minha primeira aula de crochê e me apaixonei; de lá pra cá não parei mais de fazer”, diz em entrevista ao FFW.

Vestido em crochê de Gustavo Silvestre ©Divulgação

As pulseiras que desenvolve com crochê e pedraria chamam a atenção pelo seu trabalho minucioso e pelo seu design original. Mas não só. Os seus esforços para realizar uma produção sustentável são também um forte atrativo, foco que usa no seu trabalho como arma de combate ao consumismo. “Esta aproximação dos trabalhos manuais, junto com a percepção das consequências do atual consumismo inconsciente, me fez buscar uma produção cada vez mais sustentável”, diz ao FFW. Nomes como Chiara Gadaleta e a maquiadora Vanessa Rozan já carregam nos pulsos as criações de Gustavo. Os preços das pulseiras vão de R$ 180 a R$ 720, dependendo da pedra e da trama e para mais informações, o e-mail de contato é gustavo.silvestres@gmail.com.

Alguns modelos de pulseiras em crochê e pedraria de Gustavo Silvestre ©Divulgação

O seu trabalho é conhecido por um grupo de clientes pequeno e seleto – Gustavo não tem loja e deixou de trabalhar com multimarcas. “Não estou mais trabalhando com  multimarcas, pois acho o mark up muitas vezes abusivo, os preços ficam exorbitantes”, confessa. “Estou desenvolvendo meu site e e-commerce e, por enquanto, me dedico às vendas via Facebook”, acrescenta. No futuro, Gustavo pretende continuar com a sua marca desenvolvendo peças “extremamente pessoais e exclusivas”, segundo suas próprias palavras.

Atualmente, as técnicas artesanais preenchem totalmente a sua vida, quer seja nas suas criações, nas consultorias que presta a outras marcas, nas suas oficinas ou projetos de capacitação. Gustavo participa também de projetos de pesquisa e produção para o site comandado por Chiara Gadaleta, Ser Sustentável com Estilo, que promove atividades e ações utilizando a moda como agente transformador. Entre os seus trabalhos mais recentes estão os projetos que desenvolveu junto com Gadaleta, como a curadoria e produção da SP.ECOERA, e a coordenação de toda a parte de estilo do projeto Mix by Brasil da Assintecal, em que visitaram comunidades de artesãos por todo o país, levando design e capacitação.

Para conhecer melhor o trabalho de Gustavo Silvestre, veja abaixo o vídeo de apresentação da sua coleção de Verão 2012, que tem como proposta a moda sustentável com criações de peças feitas a partir de materiais descartados e restos de tecidos, estrelado por Chiara Gadaleta:

Veja na galeria abaixo algumas das pulseiras de crochê + pedrarias criadas por Gustavo Silvestre:

Começa hoje! O que esperar da 28ª edição da Casa de Criadores

26/11/2010

por | Moda

Começa hoje (29/11) a temporada de moda inverno 2011 no Brasil, com desfiles da 28ª edição da Casa de Criadores no Centro de Convenções do Shopping Frei Caneca nos dias 29, 30 e 01.

O FFW adianta o que esperar das apresentações!

WALÉRIO ARAÚJO

WALeRIO-ARAuJO© Divulgação

O estilista, que abre os trabalhos da CdC, fará uma homenagem aos amigos e parentes que perdeu, numa releitura do luto. O conceito de renascimento e a representação das várias formas de despedida dos mortos praticadas ao redor do mundo vão permear a coleção, que trará muito da estética de moda dos anos 90.

R. ROSNER

RODRIGO-ROSNER_C01© Divulgação

Uma versão atualizada de Lady Chatterley (protagonista do romance erótico escrito em 1928 e proibido de circular até meados dos anos 60) estará nas passarelas de R.Rosner, que contará com roupas esvoaçantes, bordados e transparências. E nada de minimalismos.

DANILO COSTA

DANILO-COSTA© Divulgação

O universo de uma criança e seus amigos imaginários _e fantasias e brincadeiras_ inspirou Danilo Costa nesta coleção. O filme “Onde Vivem os Monstros”, de Spike Jonze _adaptação do clássico da literatura norte-americana, de 1963, escrito e ilustrado por Maurice Sendak_ foi o ponto de partida da coleção, e afirma o caráter lúdico e sentimental das criações de Danilo. “Meu inverno é uma grande brincadeira, com direito a animais como ursos, corujas e unicórnios. Surgem daí minhas duas principais estampas _geleiras e iglus_, e também o trabalho com pelos artificiais”, definiu o estilista.

GERALDO COUTO

GERALDO-COUTO© Divulgação

A Espanha sob as lentes do cineasta Pedro Almodóvar, com suas dançarinas de flamenco, fazem parte das referencias para a coleção inverno 2011 de Geraldo Couto. Pode-se esperar comprimentos curtos, vestidos de silhueta ajustada, e os tons de vermelho, preto e prata bastantes presentes. O estilista vai trabalhar com shantung, seda, tule e renda, além de telas de acrílico com aspecto brilhante.

SUMEMO

A marca que tem streetwear no sangue levará à passarela looks femininos mais elaborados do que as usuais camisetas, jeans e moletons. Quem assina as peças da coleção de inverno da SUMEMO é a dupla Igi Ayedum e Marcelo Salgado, e o styling é de Dudu Bertholini, da Neon, e David Pollack, da D’Arouche.

JACINTO (Lab)

JACINTO© Divulgação

Marca estreante, a Jacinto, dos estilistas Douglas Pranto e Glaucio Paiva, mostrará um inverno focado na androginia, com mistura de masculino e feminino, e leve e pesado. Com predominância do preto e tecidos naturais, como seda e algodão, a marca foca na alfaiataria e camisaria, com estruturas rígidas, porém com transparências, para denunciar as curvas femininas.

JUSS (Projeto Lab)

JUSS© Divulgação

Propondo mix de estampas e texturas, Juliana Souza (a Juss) buscou inspiração nos quadrinhos e na música. Como referências centrais, o personagem Starwatcher, do francês Jean Giraud (também conhecido como Moebius), e as músicas Hunter e Wanderlust, da cantora islandesa Björk, cujas letras falam de um caçador e um viajante em busca do novo. Fazem parte da coleção tecidos com influência indígena e peças práticas, idealizadas para os tais caçadores e viajantes.

GABRIELA SAKATE (Projeto Lab)

Em seu segundo desfile na Casa de Criadores, Gabriela faz uma colagem de transparências, para explorar pesos e tramas. Tudo em silhuetas bem minimalistas e tecidos estruturados, em cores neutras como preto, bege e off – white.

LUIZ LEITE (Projeto Lab)

O estilista que tem apelo sustentável traz coleção inspirada nos lavradores _idéia que surgiu quando ele observava o plantio do algodão. Assim, pode-se esperar uma coleção que retrata o homem do campo e todas as suas referências, como luvas, chapéus e sobreposições. A alfaiataria representada por Luiz Leite foi feita por alfaiates do interior de São Paulo, que têm como público os próprios trabalhadores rurais.

CYNTHIA HAYASHI (Projeto Lab)

CYNTHIA-HAYASHI© Divulgação

Com inspiração nos sonhos, sejam os que temos dormindo ou acordados _e nas dúvidas, fragilidades e associações, nem sempre lógicas, trazidas por eles, Cynthia aposta em tecidos transparentes e opacos. Além disso, a estilista vai trabalhar com peças intercambiáveis, cujas partes unidas por zíperes podem ser utilizadas em outros looks, em referência à construção e desconstrução de fatos e mensagens que acontecem enquanto dormimos.

ALE BRITO

ALE-BRITO© Divulgação

Outro estreante no line-up da Casa de Criadores, Ale Brito, estilista, DJ e club kid, já trabalhou com a marca As Gêmeas durante quatro anos, e agora, em sua coleção individual, traz o punk rock como principal influência. Couro, vermelho, azul, preto e branco estarão presentes na passarela, tanto para homens, quanto para mulheres.

JADSON RANIERE

Soldados, guerreiros e gladiadores estarão na passarela de Jadson Raniere. O estilista vai usar nylon e couro para fazer peças rígidas e estruturadas, com cartela de cores enxuta, com preto, off white, tons de ferrugem e bronze, revelando a forte influencia da indumentária bélica na coleção.

GUSTAVO SILVESTRE

Gustavo Silvestre reflete preocupação ambiental e seu interesse pela miscigenação cultural brasileira em sua coleção do inverno 201. O estilista constrói roupas com materiais reciclados, desmonta calças jeans (em parceria com a marca sustentável “Será o Benedito?”) e cria silhuetas femininas com volumes diferenciados. As apostas de cores são o rosa, vinho e ocre, e muitos bordados. Uma linha de bijuterias, chamada Ananaíra, também será lançada no desfile com a mesma proposta.

KARIN FELLER

KARIN-FELLER_02© Divulgação

Com a coleção “Wake Up Call”, Karin Feller retrata a fauna e flora noturnas, como corujas, lobos e damas-da-noite. A escolha dos tecidos combina materiais fluidos com estruturados, neutros com coloridos e bastante verde militar.

WEIDER SILVEIRO

As memórias nordestinas do estilista são a base da coleção de inverno 2011 de Weider Silveiro. A inspiração vem de Raimundo Jacó, figura bondosa, inteligente e corajosa que, após despertar admiração e inveja como vaqueiro, acabou sendo assassinado em meio à caatinga e velado apenas por seu cão. As referências aparecem por meio de casacos e vestidos feitos em tecidos como tricoline, voil, couro sintético e malha de lã. As cordas, elementos indispensáveis à atuação do vaqueiro, e arabescos também estão presentes.

oNONO

onono© Divulgação

O projeto comandado por Ad Ferrera, que participa pela 4a vez da Casa de Criadores, apresenta sua coleção na passarela pela primeira vez _em edições anteriores, o projeto promoveu instalações e eventos em paralelo ao calendário de desfiles. Intitulada Axé, a coleção reúne uma miscelânea de cores e estampas em peças urbanas e unissex. O tema é “um exercício criativo de observação, apropriação e deformação de estéticas e linguagens consideradas típicas brasileiras, retratadas de maneira pop”, contou o estilista. Os destaques são o jeanswear revisitados e peças-estampa (roupas com modelagem no formato da estampa).

DER METROPOL

O estilista Mario Francisco, nome por trás da Der Metropol, encerra a programação da 28ª Casa de Criadores com coleção inspirada na animação japonesa “A viagem de Chihiro”. A marca pretende reforçar o caráter pop de suas criações por meio de materiais ultra coloridos e não têxteis. O japonismo dos anos 90 e as transparências em preto também estarão presentes.

As marcas Rober Dognani e Arnaldo Ventura não enviaram informações de suas coleções até o fechamento desta matéria.

Novas tecnologias transformam o couro no tecido do verão

29/12/2009

por | Moda, Techno

Basta o termômetro subir alguns graus e as peças de couro são devolvidas ao devido lugar: o fundo do armário. Afinal, trata-se de um material pesado e que não permite muita troca de calor entre nosso corpo e o ambiente, certo? Em parte, sim.

O couro, em seu estado natural, tem todas essas características que são muito úteis nas temporadas de frio, mas graças às avançadas tecnologias da indústria têxtil, já é possível utilizá-lo em condições que seriam, outrora, adversas. Não por acaso, o couro foi um dos tecidos mais recorrentes na última temporada de desfiles internacionais (Verão 2010).

Looks verão 2010 de Celine, Alexander Wang, 3.1 Philip Lim e Hermès

Looks Verão 2010 de Celine, Alexander Wang, 3.1 Philip Lim e Hermès ©FirstView

A Hermès, por exemplo, maison conhecida por seus acessórios de equitação e artigos de couro, abusou do material em sua coleção para o Verão 2010. Vestidos, calças e até uma saia plissada bem esportiva ganharam versões no tecido. Alexander Wang, 3.1 Philip Lim e Celine foram outras marcas que utilizaram couro bem leve para dar estrutura à saias, aos vestidos e até blusas que fogem da forma e função clássicas que imaginamos para o couro.

Portanto, esqueça valores como poder, sensualidade e fetichismo. O couro do Verão 2010 vem mergulhado na onda da praticidade do sportswear, mas com um toque extra de sofisticação. Sempre em modelagens mais soltas e confortáveis, ele dá forma e estrutura às peças cotidianas, que se tornam mais refinadas em decorrência do material empregado.

Segundo a estilista Patricia Viera, autoridade máxima no trabalho com o material aqui no Brasil, a tecnologia têxtil está tão avançada que já é possível produzir um tipo especial de couro – até na cor preta – que tem 40% menos penetração de calor, ou seja, é mais fresco e arejado.

Além disso, a tecnologia de corte e tratamento também permite versões ultra finas e com aparência de outros tecidos, conferindo à peça caimento mais confortável, toque mais leve, frescor e grande maleabilidade. Assim, aquela blusa de couro que pode parecer abafada demais, na verdade possui toque tão delicado quanto o da seda.

Vestido de ráfia resinada Reinaldo Lourenço, vestido de tecido sintético Lanvin, vestido de jeans resinado Gustavo Silvestre, vestido resinado Maria Bonita, todos verão 2010 © Agência Fotosite e FirstView

Vestido de ráfia resinada Reinaldo Lourenço, vestido de tecido sintético Lanvin, vestido de jeans resinado Gustavo Silvestre, vestido resinado Maria Bonita, todos verão 2010 ©Agência Fotosite e FirstView

Outra saída pra quem quer investir no visual são os tecidos ou materiais que imitam a aparência do couro. Peças resinadas – como os jeans do Inverno 2010 de Gustavo Silvestre –, látex, PVC, tie-weck e náilon podem ganhar aparência similar a do couro. Mas mesmo assim eles ainda são inadequados para altas temperaturas. O que reforça ainda mais a soberania do couro neste verão.

E você: usaria uma peça feita de couro mesmo no calor brasileiro? Comente abaixo!

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Looks verão 2010 de Celine, Alexander Wang, 3.1 Philip Lim e Hermès

CdC inverno 2010: sexto dia. Noite fraca é salva por homenagem à Michael Jackson; saiba mais

29/11/2009

por | Moda

Terminou na última sexta-feira (27/11) a 26ª Casa de Criadores num dos dias mais fracos do evento, onde alguns problemas que apareceram ao longo de toda a edição se fizeram ainda mais presentes e evidentes. Com raras exceções (confira nas resenhas abaixo), a imagem que ficou foi de um encerramento desacelerado, sobretudo em comparação aos dias anteriores.

Ponto Zero

Quem abriu o último dia de desfiles foram os estudantes de moda que integravam esta edição do projeto Ponto Zero, dedicado a premiar a melhor coleção (e aluno) inscrito no programa. Leandro Gabionette (Universidade Anhembi Morumbi), Ana Paula Becker (Centro Universitário Belas Artes), Bruno Gonzaga (Fundação Armando Álvares Penteado), Alice Sinzato e Helena Luiza Kussik (Santa Catarina Moda Contemporânea), Cynthia Hayashi (Santa Marcelina), Cristiane Carla Soares (Senac) e Ana Beatriz Almeida e Claudia Leimi Yasumura (USP) foram os participantes que mostraram suas coleções bem menos inventivas e muito mais desinteressantes do que aquelas vistas no Projeto Lab e até mesmo no Fashion Mob.

Quem se destacou mesmo foi Bruno Gonzaga, da FAAP, com sua coleção repleta de tecidos sintéticos e formas soltas que mixavam boa informação de moda com alta dose de vida real. No entanto, quem levou o prêmio foi Cynthia Hayashi, da faculdade Santa Marcelina, numa coleção que explorava formas e sobreposições de pequenos tecidos.

Geraldo Couto

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nspirado no último filme de Stanley Kubrick, “De Olhos Bem Fechados”, Geraldo Couto mostrou bons sinais de evolução à medida em que limpou alguns excessos dos seus vestidos de festa. Pra imprimir aquela imagem sexy e sofisticada do filme, o estilista apostou em vestidos curtos mais próximos ao corpo decorados com drapeados de lamê dourado ou aplicações de materiais brilhantes.

Couto podia ter deixado de lado as aplicações de grandes rosas de tecidos, ou as formas mais marcantes dos vestidos e capas de veludo em camadas que pesavam demais nos looks. O ponto alto, contudo, vem no final com ótimos vestidos curtos de paetês dourados em formas retangulares, cheios de movimento.

André Phergom

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A alfaiataria é novamente o foco de André Phergom para o seu Inverno 2010. Repleto de boas ideias – como o deslocamento de penses e pregas –, o desafio maior para o estilista continua na execução das peças. Sua vontade de trabalhar formas e cortes inusitados, que fogem do convencional, muitas vezes acaba sendo um passo maior que a perna. Uma boa alfaiataria requer extrema habilidade técnica de modelagem, corte e acabamento, pré-requisitos que, desta vez, André não cumpriu.

Bom mesmo é o trabalho com pregas em camisetas e outros casacos de tecidos molengas como meia-malha, moletom e tricô. Aplicando essas pregas horizontalmente e de forma assimétrica em camisetas, cardigãs e outras jaquetas, André consegue um efeito interessante. Fica a dica: o estilista poderia levar soluções simples e inteligentes como essa para a sua alfaiataria.

Diva

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Foi pensando num grande encontro entre as maiores divas de todos os tempos que Andréia Ribeiro apresentou o seu Inverno 2010. Daí vêm os vestidos de festa que dominam a passarela com formas das mais variadas e referências aos mais diversos estilos. O que não sai nunca de cena é uma vontade por um glamour exuberante que muitas vezes complica a adaptação da peça para vida real. O ponto alto fica com os vestidos mais simples, de formas contidas e adornos discretos, como os modelos acinturados no estilo 1950s.

A ideia de fazer um grande tapete vermelho acabou se tornando um exagero performático que, somado à extravagância das roupas, colocou uma lente de aumento nas falhas de acabamento e modelagem. Como faltou edição de moda (daí a importância de se trabalhar com um bom stylist), as ideias se diluíram e o desfile pareceu longo demais. A parte boa foi quando a própria estilista entrou na passarela com um vestido soltinho paetizado e casaco xadrez levemente brilhantes – foi um indicativo de que na loja, provavelmente, haverá roupas mais “reais” que, infelizmente, não fizeram parte da apresentação.

Prints I Like

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O universo cômico-sombrio de Tim Burton deu o tom do Inverno 2010 da Prints I Like. Traduzido pela cartela de cores sóbrias e estampas que seguiam a estética dos filmes do diretor de “Noiva Cadáver”, “Edward Mãos de Tesoura” e “O Cavaleiro Sem Cabeça”, entre outros, a grife apresenta bons vestidos soltos e fluídos, que caem delicadamente sobre o corpo. Contudo, quando a estilista Luisa Aguiar começa a investir em formas mais estruturadas ou peças com construções mais elaboradas, vemos novamente a deficiência nos acabamentos na modelagem.

Weider Silveiro

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Quem achou que a escolha do tema de Weider Silveiro seria um tanto quanto óbvia, ficou surpreso. Ao olhar para o Rei do Pop, Michael Jackson, em busca de inspiração para o seu Inverno 2010, o estilista se lançou num terreno perigoso, repleto de clichês e obviedades. O risco era alto, mas Weider se saiu mais do que bem, compondo uma das coleções mais emocionantes de toda essa edição da Casa de Criadores. Talvez esta tenha sido a melhor apresentação da carreira de Silveiro.

O estilista fez questão de abordar quase todos elementos mais essenciais da carreira do ídolo pop, pra quem moda era algo essencial. As formas mais literais se mostraram com inteligência, como as dragonas das jaquetas militares sobrepostas e com canutilhos, ou então as várias desconstruções das peças que, por exemplo, aplicavam de forma excepcional as abotoaduras sobre um vestido preto cheio de brilhos. Outras, mais sutis, como as estampas de lua em referência ao “moonwalk”, ou as medalhas e estrelas que aparecem no primeiro vestido feito totalmente de fita adesiva marrom.

A semelhança com Balmain é devida à proximidade da inspiração. Talvez Weider pudesse ter se distanciado um pouco do tema, buscando mais liberdade. Mas, no meio de tanta energia e emoção, esse detalhe passou quase que despercebido.

Gustavo Silvestre

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A riqueza dos bordados e pesquisa de trabalhos manuais continua como ponto forte no Inverno 2010 de Gustavo Silvestre. Desta vez, o shape se aproxima do corpo e os comprimentos ficam um pouquinho mais curtos, quase sempre do meio da coxa para cima, lembrando aquela silhueta sexy/minimal dos Anos 90. Desta mesma referência saem os jeans que abrem o desfile, primeiro num vestido justinho, depois em calça e jaqueta délavé que, apesar de serem boas peças, ficaram perdidas no restante da coleção que tem como ponto alto os bons trabalhos de chenile, principalmente quando contrapostos às formas mais secas de alguns looks.

EXCLUSIVO: Casa de Criadores. Antecipamos as criações de cinco estilistas que desfilam na edição de inverno 2010 do evento; confira!

06/11/2009

por | Moda

IANIRE SORALUZE

1Listras, espinhas de peixe e xadrezes são os pontos altos da nova coleção de Ianire Soraluze ©Reprodução

“Uma flor solitária em meio a uma paisagem de neve”. Foi com essa imagem romântica que Ianire Soraluze deu o ponto de partida à criação da coleção do inverno 2010, que vai ser exibida na 26ª edição da Casa de Criadores, no dia 26 de novembro. “Os looks vão trazer a delicadeza de uma flor”, explica a estilista. As estampas têm lugar de destaque na linha, cuja principal aposta é oferecer peças aconchegantes. “Estou usando tecidos estampados com listras, espinha de peixe e xadrez”, conta.

A designer pretende dar um toque natural às peças femininas e, para isso, buscou trabalhar com tecidos que conferem este aspecto. “Vou usar o brim chamado Bari, que compõe a Linha NAT da Vicunha”, diz Ianire. Esse brim é composto por fibras naturais do algodão e surge na tonalidade cru por dispensar processos de tingimento.

De acordo com a criadora, uma das vedetes da coleção é a saia formada por retalhos de tecido. “Índigo e brim são uma direção natural para mim”.

GUSTAVO SILVESTRE

2Depois de quatro temporadas sem usar jeans em suas coleções, Gustavo Silvestre redescobre o material em seu desfile de inverno 2010 ©Reprodução

A versatilidade do jeans será comprovada na coleção inverno 2010 de Gustavo Silvestre, que desfila no dia 27/11. Depois de quatro temporadas sem trabalhar com o material, o estilista coloca o denim na sua passarela novamente e com um diferencial: o jeans possui uma estampa desenvolvida exclusivamente para o estilista. “A Vicunha desenvolveu uma estampa só para mim em jeans que lembra respingos de tinta”, conta o criador. “Esse jeans manchado ainda passou por processos de lavagens para ficar mais claro”, completa.

Partindo de um mix de referências do color jeanswear e de estampas, o designer usa o índigo para complementar os trajes para a noite. “A primeira parte do desfile trará jeans para noite com muito bordado e combinado a peças transparentes”, antecipa.

ARNALDO VENTURA

3Arnaldo Ventura vai apresentar uma coleção de formas futuristas, amplas e acinturadas ©Reprodução

Arnaldo inspirou-se na melancólica história do pássaro Assum Preto para compor a coleção inverno 2010, que apresenta no dia 26/11. É costume no sertão nordestino cegarem essa ave, pois acredita-se que o canto fica ainda mais bonito após o trauma. “Essa história de sofrimento e de dor será usada para dar o tema da apresentação na passarela”, conta o estilista. A paleta contempla tons sóbrios de preto e chumbo, mas recebe pinceladas do amarelo vibrante.

A alfaiataria é o ponto-chave da criação do designer, que aposta no brim como ponto de partida: “O tecido permite formas futuristas, amplas e acinturadas”.

MARCELU FERRAZ

4Marcelu Ferraz tem o poncho como peça-chave do seu inverno 2010 ©Reprodução

Se depender de Marcelu Ferraz, o poncho será look obrigatório para estar na moda no inverno 2010. Essa é a peça-chave da coleção, que desfila no dia 26/11.

O maxi casaco foi inspirado no figurino do filme “O Nome da Rosa” e ganhou modelagem ampla e confortável ao ser confeccionado com brins e índigo.

Para colocar as ideias em prática, o designer usou como matérias-primas os brins Vicunha, a exemplo do Bari Plus, Charleston Plus, Cruise, Foster, Lohan, Matisse e Mondrian; o jeans Rex também deu forma a algumas de suas criações.

TONY JR

5

Tony Jr. decidiu que o inverno 2010 seria a temporada apropriada para dedicar-se com afinco à alfaiataria no seu desfile que acontece dia 26/11.

O resultado do trabalho pode ser visto nos clássicos revisitados em releituras de smokings para os homens e blazers para as mulheres. “Minha inspiração são as dançarinas burlescas das décadas de 40 e 50”, conta o designer. Segundo ele, a linha feminina tem uma boa pitada de sensualidade. Já as peças masculinas são marcadas pela sofisticação e também pelo estilo casual. “As roupas masculinas representam os homens admiradores dessas burlescas, por isso, possuem elegância, mas também casualidade inspirada em trajes de marinheiros e mecânicos”, fala.

Na visão dele, mais do que nunca o hi-lo estará em alta na estação. “Misturar peças despojadas com artigos de festa traduzem bem esse universo hi-lo”.

+ leia mais sobre a edição de inverno 2010 da Casa de Criadores

Confira a programação completa:

22/11 (domingo)
Fashion Mob – Largo do Arouche (concentração) – das 13h às 14h
Desfile Gêmeas – Parque da Luz (pendente confirmação) – 17h
Festival de Música Casa de Criadores – Parque da Luz – 18h

23/11 (segunda-feira)
Desfile Walério Araújo – Museu da Língua Portuguesa – 21h

25/11 (terça-feira)
Lição da Casa – Palestra Macro Tendências de Consumo – Pinacoteca – 14h30
Lição da Casa – Debate “Crítica da Crítica – Pinacoteca – 16h
Desfiles – Shopping Frei Caneca – 21h
João Pimenta | Milena Hamani | Ronaldo Sivestre | No Hay Banda | R. Rosner | Urussai

26/11 (quarta-feira)
Lições da Casa – Palestra “Crise: Material Reciclado?” – Pinacoteca – 14h30
Lições da Casa – Debate “Do Casebre ao Casarão” – Pinacoteca – 16h
Desfiles – Shopping Frei Caneca – 21h
LAB
(Karin Feller, Danilo Costa, Projeto Box, Jadson Raniere e Arnaldo
Ventura) | Ianire Soraluze | Der Metropol | Marcelu Ferraz | Tony Jr. |
Rober Dognani

27/11 (quinta-feira)
Desfiles – Shopping Frei Caneca – 21h
Ponto
Zero (Leandro Gabionette, Ana Paula Becker, Bruno Campos, Alice Sinzato
e Helena Kussik, Cynthia Hayashi, Cristiane Soares, Ana Beatriz Leme e
Claudia Ysumura | Geraldo Couto | André Phergom | Diva | Print I Like |
Purpure | Gustavo Silvestre.

Agradecimentos: Vicunha Têxtil (www.vicunha.com.br)