Começa hoje! O que esperar da 28ª edição da Casa de Criadores

26/11/2010

por | Moda

Começa hoje (29/11) a temporada de moda inverno 2011 no Brasil, com desfiles da 28ª edição da Casa de Criadores no Centro de Convenções do Shopping Frei Caneca nos dias 29, 30 e 01.

O FFW adianta o que esperar das apresentações!

WALÉRIO ARAÚJO

WALeRIO-ARAuJO© Divulgação

O estilista, que abre os trabalhos da CdC, fará uma homenagem aos amigos e parentes que perdeu, numa releitura do luto. O conceito de renascimento e a representação das várias formas de despedida dos mortos praticadas ao redor do mundo vão permear a coleção, que trará muito da estética de moda dos anos 90.

R. ROSNER

RODRIGO-ROSNER_C01© Divulgação

Uma versão atualizada de Lady Chatterley (protagonista do romance erótico escrito em 1928 e proibido de circular até meados dos anos 60) estará nas passarelas de R.Rosner, que contará com roupas esvoaçantes, bordados e transparências. E nada de minimalismos.

DANILO COSTA

DANILO-COSTA© Divulgação

O universo de uma criança e seus amigos imaginários _e fantasias e brincadeiras_ inspirou Danilo Costa nesta coleção. O filme “Onde Vivem os Monstros”, de Spike Jonze _adaptação do clássico da literatura norte-americana, de 1963, escrito e ilustrado por Maurice Sendak_ foi o ponto de partida da coleção, e afirma o caráter lúdico e sentimental das criações de Danilo. “Meu inverno é uma grande brincadeira, com direito a animais como ursos, corujas e unicórnios. Surgem daí minhas duas principais estampas _geleiras e iglus_, e também o trabalho com pelos artificiais”, definiu o estilista.

GERALDO COUTO

GERALDO-COUTO© Divulgação

A Espanha sob as lentes do cineasta Pedro Almodóvar, com suas dançarinas de flamenco, fazem parte das referencias para a coleção inverno 2011 de Geraldo Couto. Pode-se esperar comprimentos curtos, vestidos de silhueta ajustada, e os tons de vermelho, preto e prata bastantes presentes. O estilista vai trabalhar com shantung, seda, tule e renda, além de telas de acrílico com aspecto brilhante.

SUMEMO

A marca que tem streetwear no sangue levará à passarela looks femininos mais elaborados do que as usuais camisetas, jeans e moletons. Quem assina as peças da coleção de inverno da SUMEMO é a dupla Igi Ayedum e Marcelo Salgado, e o styling é de Dudu Bertholini, da Neon, e David Pollack, da D’Arouche.

JACINTO (Lab)

JACINTO© Divulgação

Marca estreante, a Jacinto, dos estilistas Douglas Pranto e Glaucio Paiva, mostrará um inverno focado na androginia, com mistura de masculino e feminino, e leve e pesado. Com predominância do preto e tecidos naturais, como seda e algodão, a marca foca na alfaiataria e camisaria, com estruturas rígidas, porém com transparências, para denunciar as curvas femininas.

JUSS (Projeto Lab)

JUSS© Divulgação

Propondo mix de estampas e texturas, Juliana Souza (a Juss) buscou inspiração nos quadrinhos e na música. Como referências centrais, o personagem Starwatcher, do francês Jean Giraud (também conhecido como Moebius), e as músicas Hunter e Wanderlust, da cantora islandesa Björk, cujas letras falam de um caçador e um viajante em busca do novo. Fazem parte da coleção tecidos com influência indígena e peças práticas, idealizadas para os tais caçadores e viajantes.

GABRIELA SAKATE (Projeto Lab)

Em seu segundo desfile na Casa de Criadores, Gabriela faz uma colagem de transparências, para explorar pesos e tramas. Tudo em silhuetas bem minimalistas e tecidos estruturados, em cores neutras como preto, bege e off – white.

LUIZ LEITE (Projeto Lab)

O estilista que tem apelo sustentável traz coleção inspirada nos lavradores _idéia que surgiu quando ele observava o plantio do algodão. Assim, pode-se esperar uma coleção que retrata o homem do campo e todas as suas referências, como luvas, chapéus e sobreposições. A alfaiataria representada por Luiz Leite foi feita por alfaiates do interior de São Paulo, que têm como público os próprios trabalhadores rurais.

CYNTHIA HAYASHI (Projeto Lab)

CYNTHIA-HAYASHI© Divulgação

Com inspiração nos sonhos, sejam os que temos dormindo ou acordados _e nas dúvidas, fragilidades e associações, nem sempre lógicas, trazidas por eles, Cynthia aposta em tecidos transparentes e opacos. Além disso, a estilista vai trabalhar com peças intercambiáveis, cujas partes unidas por zíperes podem ser utilizadas em outros looks, em referência à construção e desconstrução de fatos e mensagens que acontecem enquanto dormimos.

ALE BRITO

ALE-BRITO© Divulgação

Outro estreante no line-up da Casa de Criadores, Ale Brito, estilista, DJ e club kid, já trabalhou com a marca As Gêmeas durante quatro anos, e agora, em sua coleção individual, traz o punk rock como principal influência. Couro, vermelho, azul, preto e branco estarão presentes na passarela, tanto para homens, quanto para mulheres.

JADSON RANIERE

Soldados, guerreiros e gladiadores estarão na passarela de Jadson Raniere. O estilista vai usar nylon e couro para fazer peças rígidas e estruturadas, com cartela de cores enxuta, com preto, off white, tons de ferrugem e bronze, revelando a forte influencia da indumentária bélica na coleção.

GUSTAVO SILVESTRE

Gustavo Silvestre reflete preocupação ambiental e seu interesse pela miscigenação cultural brasileira em sua coleção do inverno 201. O estilista constrói roupas com materiais reciclados, desmonta calças jeans (em parceria com a marca sustentável “Será o Benedito?”) e cria silhuetas femininas com volumes diferenciados. As apostas de cores são o rosa, vinho e ocre, e muitos bordados. Uma linha de bijuterias, chamada Ananaíra, também será lançada no desfile com a mesma proposta.

KARIN FELLER

KARIN-FELLER_02© Divulgação

Com a coleção “Wake Up Call”, Karin Feller retrata a fauna e flora noturnas, como corujas, lobos e damas-da-noite. A escolha dos tecidos combina materiais fluidos com estruturados, neutros com coloridos e bastante verde militar.

WEIDER SILVEIRO

As memórias nordestinas do estilista são a base da coleção de inverno 2011 de Weider Silveiro. A inspiração vem de Raimundo Jacó, figura bondosa, inteligente e corajosa que, após despertar admiração e inveja como vaqueiro, acabou sendo assassinado em meio à caatinga e velado apenas por seu cão. As referências aparecem por meio de casacos e vestidos feitos em tecidos como tricoline, voil, couro sintético e malha de lã. As cordas, elementos indispensáveis à atuação do vaqueiro, e arabescos também estão presentes.

oNONO

onono© Divulgação

O projeto comandado por Ad Ferrera, que participa pela 4a vez da Casa de Criadores, apresenta sua coleção na passarela pela primeira vez _em edições anteriores, o projeto promoveu instalações e eventos em paralelo ao calendário de desfiles. Intitulada Axé, a coleção reúne uma miscelânea de cores e estampas em peças urbanas e unissex. O tema é “um exercício criativo de observação, apropriação e deformação de estéticas e linguagens consideradas típicas brasileiras, retratadas de maneira pop”, contou o estilista. Os destaques são o jeanswear revisitados e peças-estampa (roupas com modelagem no formato da estampa).

DER METROPOL

O estilista Mario Francisco, nome por trás da Der Metropol, encerra a programação da 28ª Casa de Criadores com coleção inspirada na animação japonesa “A viagem de Chihiro”. A marca pretende reforçar o caráter pop de suas criações por meio de materiais ultra coloridos e não têxteis. O japonismo dos anos 90 e as transparências em preto também estarão presentes.

As marcas Rober Dognani e Arnaldo Ventura não enviaram informações de suas coleções até o fechamento desta matéria.

CdC inverno 2010: sexto dia. Noite fraca é salva por homenagem à Michael Jackson; saiba mais

29/11/2009

por | Moda

Terminou na última sexta-feira (27/11) a 26ª Casa de Criadores num dos dias mais fracos do evento, onde alguns problemas que apareceram ao longo de toda a edição se fizeram ainda mais presentes e evidentes. Com raras exceções (confira nas resenhas abaixo), a imagem que ficou foi de um encerramento desacelerado, sobretudo em comparação aos dias anteriores.

Ponto Zero

Quem abriu o último dia de desfiles foram os estudantes de moda que integravam esta edição do projeto Ponto Zero, dedicado a premiar a melhor coleção (e aluno) inscrito no programa. Leandro Gabionette (Universidade Anhembi Morumbi), Ana Paula Becker (Centro Universitário Belas Artes), Bruno Gonzaga (Fundação Armando Álvares Penteado), Alice Sinzato e Helena Luiza Kussik (Santa Catarina Moda Contemporânea), Cynthia Hayashi (Santa Marcelina), Cristiane Carla Soares (Senac) e Ana Beatriz Almeida e Claudia Leimi Yasumura (USP) foram os participantes que mostraram suas coleções bem menos inventivas e muito mais desinteressantes do que aquelas vistas no Projeto Lab e até mesmo no Fashion Mob.

Quem se destacou mesmo foi Bruno Gonzaga, da FAAP, com sua coleção repleta de tecidos sintéticos e formas soltas que mixavam boa informação de moda com alta dose de vida real. No entanto, quem levou o prêmio foi Cynthia Hayashi, da faculdade Santa Marcelina, numa coleção que explorava formas e sobreposições de pequenos tecidos.

Geraldo Couto

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nspirado no último filme de Stanley Kubrick, “De Olhos Bem Fechados”, Geraldo Couto mostrou bons sinais de evolução à medida em que limpou alguns excessos dos seus vestidos de festa. Pra imprimir aquela imagem sexy e sofisticada do filme, o estilista apostou em vestidos curtos mais próximos ao corpo decorados com drapeados de lamê dourado ou aplicações de materiais brilhantes.

Couto podia ter deixado de lado as aplicações de grandes rosas de tecidos, ou as formas mais marcantes dos vestidos e capas de veludo em camadas que pesavam demais nos looks. O ponto alto, contudo, vem no final com ótimos vestidos curtos de paetês dourados em formas retangulares, cheios de movimento.

André Phergom

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A alfaiataria é novamente o foco de André Phergom para o seu Inverno 2010. Repleto de boas ideias – como o deslocamento de penses e pregas –, o desafio maior para o estilista continua na execução das peças. Sua vontade de trabalhar formas e cortes inusitados, que fogem do convencional, muitas vezes acaba sendo um passo maior que a perna. Uma boa alfaiataria requer extrema habilidade técnica de modelagem, corte e acabamento, pré-requisitos que, desta vez, André não cumpriu.

Bom mesmo é o trabalho com pregas em camisetas e outros casacos de tecidos molengas como meia-malha, moletom e tricô. Aplicando essas pregas horizontalmente e de forma assimétrica em camisetas, cardigãs e outras jaquetas, André consegue um efeito interessante. Fica a dica: o estilista poderia levar soluções simples e inteligentes como essa para a sua alfaiataria.

Diva

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Foi pensando num grande encontro entre as maiores divas de todos os tempos que Andréia Ribeiro apresentou o seu Inverno 2010. Daí vêm os vestidos de festa que dominam a passarela com formas das mais variadas e referências aos mais diversos estilos. O que não sai nunca de cena é uma vontade por um glamour exuberante que muitas vezes complica a adaptação da peça para vida real. O ponto alto fica com os vestidos mais simples, de formas contidas e adornos discretos, como os modelos acinturados no estilo 1950s.

A ideia de fazer um grande tapete vermelho acabou se tornando um exagero performático que, somado à extravagância das roupas, colocou uma lente de aumento nas falhas de acabamento e modelagem. Como faltou edição de moda (daí a importância de se trabalhar com um bom stylist), as ideias se diluíram e o desfile pareceu longo demais. A parte boa foi quando a própria estilista entrou na passarela com um vestido soltinho paetizado e casaco xadrez levemente brilhantes – foi um indicativo de que na loja, provavelmente, haverá roupas mais “reais” que, infelizmente, não fizeram parte da apresentação.

Prints I Like

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O universo cômico-sombrio de Tim Burton deu o tom do Inverno 2010 da Prints I Like. Traduzido pela cartela de cores sóbrias e estampas que seguiam a estética dos filmes do diretor de “Noiva Cadáver”, “Edward Mãos de Tesoura” e “O Cavaleiro Sem Cabeça”, entre outros, a grife apresenta bons vestidos soltos e fluídos, que caem delicadamente sobre o corpo. Contudo, quando a estilista Luisa Aguiar começa a investir em formas mais estruturadas ou peças com construções mais elaboradas, vemos novamente a deficiência nos acabamentos na modelagem.

Weider Silveiro

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Quem achou que a escolha do tema de Weider Silveiro seria um tanto quanto óbvia, ficou surpreso. Ao olhar para o Rei do Pop, Michael Jackson, em busca de inspiração para o seu Inverno 2010, o estilista se lançou num terreno perigoso, repleto de clichês e obviedades. O risco era alto, mas Weider se saiu mais do que bem, compondo uma das coleções mais emocionantes de toda essa edição da Casa de Criadores. Talvez esta tenha sido a melhor apresentação da carreira de Silveiro.

O estilista fez questão de abordar quase todos elementos mais essenciais da carreira do ídolo pop, pra quem moda era algo essencial. As formas mais literais se mostraram com inteligência, como as dragonas das jaquetas militares sobrepostas e com canutilhos, ou então as várias desconstruções das peças que, por exemplo, aplicavam de forma excepcional as abotoaduras sobre um vestido preto cheio de brilhos. Outras, mais sutis, como as estampas de lua em referência ao “moonwalk”, ou as medalhas e estrelas que aparecem no primeiro vestido feito totalmente de fita adesiva marrom.

A semelhança com Balmain é devida à proximidade da inspiração. Talvez Weider pudesse ter se distanciado um pouco do tema, buscando mais liberdade. Mas, no meio de tanta energia e emoção, esse detalhe passou quase que despercebido.

Gustavo Silvestre

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A riqueza dos bordados e pesquisa de trabalhos manuais continua como ponto forte no Inverno 2010 de Gustavo Silvestre. Desta vez, o shape se aproxima do corpo e os comprimentos ficam um pouquinho mais curtos, quase sempre do meio da coxa para cima, lembrando aquela silhueta sexy/minimal dos Anos 90. Desta mesma referência saem os jeans que abrem o desfile, primeiro num vestido justinho, depois em calça e jaqueta délavé que, apesar de serem boas peças, ficaram perdidas no restante da coleção que tem como ponto alto os bons trabalhos de chenile, principalmente quando contrapostos às formas mais secas de alguns looks.