Franca Sozzani defende editorial da “Vogue” Itália taxado de racista

22/03/2012

por | Moda

Uma das imagens do editorial “Haute Mess”, da “Vogue” Itália ©Steven Meisel/Reprodução

Os termos “polêmica” e “Vogue Itália” caminham lado a lado sob o pulso firme da editora Franca Sozzani. Quem não se lembra da discussão levantada pelo editorial que abordava os excessos da cirurgia plástica, em 2005, ou o número da revista que foi dedicado exclusivamente a modelos negras, em 2008, ou a edição com uma interpretação artística sobre o impacto do derramamento de óleo no Golfo do México, em 2010 – só para citar alguns? O mais novo editorial da “Vogue” italiana sob o olhar crítico do mundo da moda, porém, tem causado uma discussão mais acalorada; enquanto os temas citados anteriormente foram acusados de oportunistas e apelativos, desta vez as acusações são de insensibilidade e racismo – que a própria Sozzani disse não compreender.

As edições “A Black Issue”, “Makeover Madness” e “The Latest Wave” da “Vogue” Itália ©Reprodução

O editorial em questão é o “Haute Mess”, da edição de março da “Vogue” italiana, fotografado por Steven Meisel e estrelado por Abbey Lee Kershaw, Coco Rocha, Guinevere Van Seenus, Jessica Stam, Karen Elson, Lindsey Wixson e Daphne Groeneveld. Nele, as modelos, praticamente irreconhecíveis sob uma maquiagem carregadíssima, sobrancelhas traçadas a lápis e unhas enormes (das mãos e dos pés), passeiam por mercados populares e lanchonetes de fast-food, empurrando carrinhos de bebês e tirando auto-retratos no banheiro com a câmera do celular. A inspiração, conforme Sozzani escreveu em seu blog dentro do site da “Vogue” Itália, são as drag queens do estilo “messy”. A acusação, porém, é de que o editorial seria uma “paródia insensível das mulheres afro-americanas”, como resumiu um usuário do fórum de discussão Fashin – e os comentários de quem se sentiu ofendido pelas imagens vão daí para baixo.

Com a controvérsia já fervendo na rede, Franca Sozzani concedeu entrevista ao “The Cut” e afirmou não entender o porquê das acusações. “A maior parte da moda é similar. É muito bonita, mas é bem similar de certa forma. Você vai a Londres, e tudo tem flores. Você vai a outro lugar, e tudo é minimalista. Nós queríamos fazer algo bem extravagante. É mais para forçar as pessoas a serem criativas e extravagantes. (…) Porque eu li tudo dos blogs, mas sinceramente, nós só pensando que era um conceito de extravagância, de criatividade, algo até over-the-top, algo que não é comum. Se você quiser, não precisa se vestir daquele jeito, não precisa usar esse tipo de maquiagem, mas é apenas para criar algo falso, para ir além, isso te faz feliz de certa maneira, mais vivo, mais colorido – às vezes a moda parece triste”.

Veja na galeria abaixo todas as imagens do editorial “Haute Mess” e deixe a sua opinião sobre a polêmica!

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©Steven Meisel/Reprodução

“Eu odeio fashionistas” e sábias palavras da mítica editora Franca Sozzani

28/09/2011

por | Gente

franca_abreFranca ©Reprodução

Franca Sozzani é uma dessas figuras meio míticas da moda. Editora chefe da “Vogue” Itália há mais de 23 anos, Franca já falou com o FFW em uma entrevista exclusiva, e assim como seu nome diz, e sem nenhuma intenção de trocadilho, é extremamente franca.

E praticamente toda vez que Franca dá alguma declaração, vira polêmica, seja em seu twitter, blog, ou à imprensa, como quando disse à revista semanal “Newsweek” que a Dior deveria recontratar John Galliano, ou quando falou à “Time” que Silvio Berlusconi dá a impressão de que toda a Itália é um cassino gigante. Suas edições não são menos provocativas, e não raro Franca coloca na capa da “Vogue” italiana algum tema polêmico – para a moda, ao menos. Fez isso em uma edição de 2008, que tinha apenas modelos negras, ou uma edição com modelos curvilíneas, este ano.

Porém o mais recente bafafá em torno de Franca não é devido as suas declarações, e sim que na segunda-feira (19.09) ela foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade da ONU, para o projeto “Fashion 4 Development” (Moda para o Desenvolvimento), que está em busca de maneiras da indústria da moda promover o crescimento econômico nos países em desenvolvimento.

A editora de moda falou sobre o assunto ao jornalista Eric Wilson, do “The New York Times”, e contou sobre seu desejo de ajudar a melhorar as habilidades de produção nesses países, possivelmente trazendo artesãos italianos para ensinar algumas técnicas. Confira abaixo os highlights da entrevista:

Qual o papel de uma embaixadora da boa vontade da moda?

Eu nunca fui uma pessoa política. Eu apenas digo o que penso. Através das pessoas que conheço acho que podemos fazer um projeto que possa ser adaptado aos outros países. Se nós apenas formos a algum lugar e prometermos fazer algo, nunca faremos coisa alguma. Basicamente, meu projeto é começar com um pequeno número de pessoas que possam aprender um trabalho. Devemos fazer um pequeno laboratório, e depois disso nós podemos encontrar alguma maneira de produzir.

Devemos pensar sobre onde fazer a distribuição, e o passo a passo sobre dar a eles dignidade no trabalho, mas também o respeito ao ser humano. Caso contrário, se eles não têm um salário justo, as coisas só mudam para as pessoas que podem fazer negócios.

Onde você vai começar?

Vou começar agora com a África, mas primeiro preciso ir pra Coreia, provavelmente no meio de novembro, para falar sobre moda e ver o que está acontecendo. Eu quero aprender como eles começaram. Através deles vou entrar em contato com outros governos, provavelmente na África.

Isso simboliza também o que você tem tentado fazer na revista, fazer com que a indústria mude de maneira positiva?

Não, para ser honesta, essas duas coisas são diferentes. Mas poderiam se tornar conectadas. Por exemplo, para a “L’Uomo Vogue”, eu fiz uma edição na África, e toda a renda que veio da edição foi para organizações diferentes.

Você acha que a indústria mudou como um todo como resultado das questões que você tem colocado em sua revista?

Não totalmente. Nós fizemos uma edição sobre extremos em cirurgia plástica, e eu ainda fico mais e mais chocada com o quanto as pessoas mudaram. Desde então, eu não acho que tenha visto tanto Botox pelo mundo. Nós não paramos nada.

Onde eu acho que nós provavelmente fizemos um bom trabalho foi com a edição negra. Não imediatamente, não como se todo mundo dissesse após a edição “Agora eu quero ter garotas negras”. Mas eu vejo, pouco a pouco, há mais e mais garotas negras na passarela.

Parte do problema é das agências. Nós não temos muitas garotas americanas, você não têm italianas, você não têm francesas. Os olheiros só vão para a Europa oriental agora. É possível que todos os outros países não tenham garotas bonitas? Eu não posso acreditar nisso. Eu estava tão entediada de ver todos aqueles rostos. Todos pareciam iguais. Ao fazer todas as garotas iguais – loiras, olhos azuis, pernas longas – ao final, todas as roupas parecem iguais.

Eu não estou tentando provocar. Todo mundo está olhando as coleções, e imediatamente depois você fica entediado. Moda é experimentação; é sempre excêntrica. É quebrar regras. Nós tentamos achar uma boa razão para quando queremos fazer algo. Nós tentamos seguir o que está acontecendo no mundo, mas através do ponto de vista da “Vogue”.

vogue3Uma das capas (foram 4) da edição apenas com modelos negras, de julho de 2008,  e a edição sobre os excessos da cirurgia plástica ©Reprodução

Falando sobre o que está acontecendo aí em seu país, como você pode refletir a realidade de uma crise econômica na Itália em uma revista de moda?

Não é apenas uma crise econômica. Nós também temos uma crise de imagem. Espero que, assim como na economia, nós possamos achar a solução certa. Nós sempre estamos falando sobre uma crise financeira, sempre. Essa crise será provavelmente menos chocante do que a de 2009, porque nós sabíamos que isso podia acontecer. Nós sabemos que estamos um pouco menos seguros.

Mas eu acho que a imagem do nosso país não reflete de maneira nenhuma tudo o que é feito na Itália. Quando você olha para as revistas, parece que todas as mulheres são vulgares e envolvidas em escândalos sexuais. Isso não é a Itália, e nós não devemos aceitar isso. Eu não reconheço meu país desse jeito.

O papel do editor parece ter mudado de observador da moda para participante. Você foi surpreendida por essa mudança?

Eu acho que o trabalho mudou completamente nos últimos 20 anos, assim como a moda tem se tornado cada vez mais e mais rápida. E então nos últimos 10 anos, mudou completamente, para os designers também. Com a enorme distribuição de Zara, H&M e Mango, tudo isso mudou o ponto de vista. Eu acho que isso é fantástico porque todo mundo pode fazer parte do mundo da moda e eles podem estar vestidos de uma maneira fantástica. O limite é que isso se tornou tão global, tão a mesma coisa, que é muito difícil para um designer encontrar uma nova maneira de existir. Para eles se tornou mais e mais difícil de achar um novo jeito de ser.

Não é como se eu fizesse essas edições porque eu me sinto provocadora. Eu faço assim porque eu me sinto assim. Digamos que eu vou por instinto. Isso é certeza. Eu posso mudar uma edição até dez dias antes de ser lançada, porque se, por instinto, eu sentir que não está boa, que está chata, ou que eu não gosto dela, então não é bom para nós e eu mudo.

Quando foi a última vez que você fez isso?

Agosto. E até em setembro. E tudo estava fechado na Itália porque era feriado. Nós pedimos aos fotógrafos para refazer o ensaio. Nós mudamos editoriais de outubro para agosto. Um editorial eu rejeitei, a ideia era fazer algo muito chique, mas que fosse de um jeito moderno. Mas ficou muito chato. Algumas vezes o chique é muito chato. Achar um jeito que não pode ser chato é muito difícil.

Li pelo menos quatro entrevistas que você concedeu a semana passada. Por que as pessoas são fascinadas com os editores de revistas?

Acho que isso aconteceu por diferentes razões. Isso deve ter acontecido provavelmente porque eu disse alguma coisa boba, como “Eu não sei por que eu deveria me casar de novo, porque eu era muito melhor do que o homem que eu namorava”, e então isso se tornou uma história. A internet é tão rápida, e essa frase foi captada. Às vezes eu digo que eu acho que elegância é muito entediante, ou que eu odeio fashionistas. Você começa com algo que disse em uma situação, e depois os jornalistas pegam uma frase e dizem só aquilo. Não é que eu acordo e digo “Eu odeio fashionistas”. Mas eu realmente odeio fashionistas.

Com curadoria de Franca Sozzani, expo aborda evolução da moda

16/09/2011

por | Moda

abre-exposicao-moda-in-italia©Reprodução

A editora-chefe da “Vogue” italiana, Franca Sozzani, é a diretora artística e uma das curadoras da exposição “Moda in Italia. 150 anni di eleganza”, que acontece de 17 de setembro a 8 de janeiro de 2012. Co-curada por Gabriella Pescucci, figurinista que recebeu um Oscar por “A Época da Inocência” em 1994, a mostra procura apresentar um panorama da moda italiana por meio de sua história, política, cultura, cinema e ficção.

Ao todo, 150 vestidos históricos farão parte da exposição, que será dividida em duas partes: a primeira, com curadoria de Gabriella Pescucci, segue o tema “Moda no Reino da Itália, do Renascimento ao Fascismo, ao nascimento da Moda Italiana”. Já a segunda parte, com curadoria de Franca Sozzani, aborda desde o início do ready-to-wear nos anos 1970/80 até a mais nova geração de designers.

“Moda in Italia. 150 anni di eleganza”
De 17 de setembro a 8 de janeiro de 2012
Reggia di Venaria Reale
Piazza della Repubblica, Venaria Reale

Veja algumas das imagens-chave divulgadas pelo site da “Vogue” Itália:

Ajude Franca Sozzani no novo projeto online da “Vogue” italiana

21/07/2011

por | Moda

francaFranca Sozzani em novo projeto online ©Reprodução

A editora-chefe da “Vogue” italiana, Franca Sozzani, resolveu criar um novo canal no site da revista que aborde a moda de um jeito mais completo. Franca, que já tinha declarado não gostar dos blogs – e depois ter transformado o sentimento em amor – anunciou este projeto para setembro.

Em seu blog, ela explicou que o canal será ideal para todos que amam escrever. “Vamos falar sobre moda, fotografia, designers, tecidos, acessórios, bolsas, sapatos, joias e cabelos. E mais, cinema e arte e notícias do mundo sempre ligadas à moda, tradições e à história de um país”.

Franca está em busca de colaboradores e tem mostrado todo o processo de edição e escolhas em seu blog. Ela chegou a escrever um post pedindo para os interessados colocarem suas propostas e ideias na seção de comentários.

A editora também publicou uma lista do que parece ser uma das propostas recebidas nos comentários, com suas próprias edições e sugestões. Aparentemente, ela tira mesmo tempo para responder aos leitores. E quem quiser contribuir para o novo canal da “Vogue” italiana tem até a próxima terça (26.07) para escrever suas sugestões no blog.

Saiba o que a editora Franca Sozzani pensa sobre photoshop, blogs e anorexia

04/05/2011

por | Gente

franca-materiaFranca Sozzani ©Reprodução

Franca Sozzani é uma das mulheres mais criativas e poderosas da moda no globo. Editora-chefe da “Vogue” italiana há 22 anos, ela usa a revista como plataforma para publicar imagens das mais impactantes vistas em um veículo de moda, pois além do quesito impacto, elas também têm uma preocupação estética grande e bastante personalidade. De todas as “Vogues”, é a italiana a obrigatória para quem trabalha com criatividade. Franca também é personagem polêmica. Ela não tem papas na língua e fala o que acha em entrevistas e, recentemente, em seu blog dentro do site da Vogue.it.

Essa semana ela deu uma entrevista ao portal “WWD”, veículo exclusivo para assinantes, e o FFW publica os melhores momentos, pois vale a pena serem lidos.

Quem é o leitor da vogue.it? É o mesmo que o da revista?

O que faz a “Vogue” italiana diferente é que ela conta a sua própria história, às vezes mais forte do que as outras revistas. A força da “Vogue Italia” é criatividade e imagem. Levar tudo isso para o site não foi muito fácil, porque quando a imagem é tão criativa e exclusiva, pode não ser compreendida por um público maior. Mas nós conseguimos fazer essa transição. Não só trouxemos nossos leitores para o site, como também ganhamos outros, que não liam a revista. Como consequência, a venda da revista, em alguns meses, subiu 27%.

Quais são as partes mais visitadas do site?

Graficamente, ele é bem diferente dos outros sites. É rico em notícias, não apenas comerciais, e é fácil de usar. O meu blog é a parte mais visitada, com cerca de mil a três mil leitores diários. Nós criamos agora a seção Photo, em que você pode fazer um upload de suas fotos e criar um portfólio, o que ajuda novos fotógrafos que não têm agentes. Em dois dias, mais de duas mil pessoas publicaram suas imagens lá.

Você acha que, na sua posição, você deve ser engajada em causas sociais?

Sim. Por exemplo nós temos uma petição contra sites e blogs pró-anorexia. Se as pessoas dizem que é um absurdo e hipócrito a “Vogue” ser contra a anorexia, eu digo: “Por quê?”. Eu não posso mudar o mundo, mas faço o que está ao meu alcance. Nós temos esse maldito photoshop, em que meninas de 14 anos são tratadas, têm sua barriga diminuída e ficam parecendo mais magras do que são. E qual o problema das pessoas terem rugas?

Você usa photoshop também?

Nós usamos cada vez menos. Na verdade, atualmente eu tenho sido bastante contra seu uso. Mas agora é parte do dia-a-dia… Há poucos fotógrafos que não usam photoshop. Mas você não pode dizer que a moda é a causa da anorexia. E a Twiggy nos anos 60? Ou a Jean Shrimpton? Já havia anorexia e não foi por causa delas. É um problema psicológico. 90% das pessoas concordam comigo, mas há 10% que acham um absurdo pelo fato de a “Vogue” ser uma revista de moda e mostrar modelos magras. Quando Kate Moss apareceu, todos falaram “aí está uma anoréxica”, mas ela só tinha 15 anos! E agora todos estão contra ela novamente porque tem celulite. Nós todas adoraríamos ter celulites como as da Kate Moss.

Como você se sente quando seu blog recebe reações negativas?

Eu digo: “eles podem ir todos pro inferno”. Falo que estou cansada e que não vou mais escrever no blog e então eles dizem: “ah, continue….”. Escrevo o que penso e sei que não é todo mundo que concorda. Mas se fosse assim, onde estaria o lugar para as controvérsias? Se não há controvérsia, não há opinião. Eu não preciso provar nada para ninguém, pois sou editora dessa revista há 22 anos e acho que posso expressar minhas ideias do jeito que quero. Agora, se você não concordar, a gente pode discutir sobre isso. Eu não digo que estou certa, digo o que penso. É por isso que é fundamental falar com nossos leitores. Eles são muito diversos, é importante entender como eles pensam.

Você sempre foi reservada e se comunica muito através de imagens. Como você se sente tendo que escrever?

O que mais me deixa entediada é escrever sobre desfiles porque a minha experiência com eles acontece em um nível visual. Escrever sobre isso é muito difícil, me interessa muito menos e me dá menos prazer também. O que eu gosto mesmo é de lidar com vários assuntos diferentes.

vogue-italia-2003-2005-2011Edições de fevereiro 2003; agosto 2005 e fevereiro 2011

O que você acha da moda italiana hoje?

A Itália está passando por um momento mágico. Em nenhum outro lugar do mundo há uma concentração tão grande de nomes e grifes famosas. E elas são muito influentes. Nos últimos dois anos, a Itália tem estado à frente na criação de moda.

Como é sua relação com a Anna Wintour?

Nós somos totalmente independentes uma da outra, mas estamos no mesmo barco. Nunca aconteceu dela propor uma ideia que eu não gostasse e vice-versa. E nós somos muito rápidas, em cinco minutos resolvemos tudo. Somos muito diretas. Não há jogos, somos transparentes. Quando Anna diz uma coisa é aquilo. Ela é uma pessoa fiel e justa.

É verdade que você acha os desfiles um pouco entendiantes?

Eu fico um pouco entediada nos desfiles. Os shows devem ser criativos sem ser ridículos, senão é melhor fazer uma apresentação no showroom. E também fico entediada com o que acontece ao redor dos desfiles.

Celebridades?

Nem isso. São todos esses fotógrafos, todos esses blogs, essas revistas… Você nem sabe quem eles são. Eles te param o tempo todo e se você não parar, fica com fama de grossa. Eu acho que é uma distração sem razão de ser. Mas, como acontece com as revistas, eventualmente eles serão selecionados.

Seu post sobre os blogueiros não caiu muito bem para alguns deles.

Sim, porque eu já falei o suficiente para esses blogs. É a quantidade, todo mundo pode tirar uma foto, colocar no blog e dizer gosto, não gosto. Qualquer um pode fazer um blog. Preferiria que as pessoas achassem seu próprio estilo. Acho Scott Schuman um gênio porque ele criou o Sartorialist, ele criou o conceito. Depois dele, quandos outros surgiram? Milhões, mas ele continua lá. Meu post sobre isso realmente teve muitos comentários negativos.

Agora que o grupo LVMH comprou a Bulgari, há muitas conversas sobre companhias internacionais estarem comprando empresas italianas.

Eu não acho isso errado. Se um grande grupo, seja americano, francês, inglês ou alemão, comprar uma marca italiana e a criatividade e aprodução permanecerem italianas, a imagem permanece italiana. Não é Bulgarí (imita sotaque francês) só porque pertence ao Bernard Arnault. Bottega Veneta pertence ao grupo PPR e continua uma empresa italiana, mesmo desenhada por um estrangeiro. Assim como a Fendi. Acho que temos que perceber o mundo na sua totalidade, é a maneira de ter uma visão global.

Leia a entrevista que Franca deu com exclusividade ao FFW

“Vogue Italia” promove open house em seu escritório nesse fim de semana

10/12/2010

por | Moda

fachada-do-escritorio-da-vogue-italiaEntrada do escritório da “Vogue Italia” ©Reprodução/Vogue.it

Quem já sonhou em visitar a redação de uma revista de moda e conhecer pessoalmente jornalistas, editores e grandes nomes dessa indústria tem uma oportunidade de ouro entre os dias 10 e 12 de dezembro: a “Vogue Italia” promove um open house no seu escritório, e qualquer pessoa pode se inscrever e participar.

O “Vogue Experience” marca o lançamento do livro “I capricci della moda” (“Os caprichos da moda”), uma compilação dos melhores textos publicados diariamente pela editora-chefe Franca Sozzani no blog da vogue.it _no ar desde fevereiro de 2010, o conteúdo do blog é composto por pensatas dos mais variados temas, como estampas animais e a posição das mulheres no jornalismo de moda.

Além de conhecer Sozzani e ter seu autógrafo, quem participar do “Vogue Experience” ainda terá a chance de topar com os convidados especiais da editora: Donatella Versace e Angela Missoni, entre outras.

Para se inscrever, é só preencher o formulário do site da vogue.it e escolher um dos concorridos horários disponíveis _de acordo com entrevista de Sozzani ao “WWD”, 40 pessoas se registraram nos primeiros 30 minutos de funcionamento da ferramenta de inscrição.

+ Vogue Experience

DIRETO DE MILÃO: Gucci, Anna Dello Russo, Freja e a volta do gloss

23/09/2010

por | Moda

Por Juliana Lopes, de Milão para o FFW

A Camera Nazionale della Moda italiana prometeu uma arrebatadora semana de moda na capital da moda na Itália. E já no primeiro dia, impressionou. Ter transferido o QG central do evento para as imediações do Duomo (a catedral da cidade) traz todos os fashion-workers para o sempre insuperável cartão postal da cidade. A paisagem é belíssima, impõe respeito e um clima de festa. Quem sai dos desfiles, dessa vez, contempla mais a cidade, e no final do dia sabe para onde ir. “Olha isso!”, apontava Costanza Pascolato, no final do dia, para o Duomo.

duomo moda IMG_2169Sala de desfiles na catedral de Duomo, em Milão©Juliana Lopes

“É muito especial, sair de um desfile e dar de cara com o Duomo!”, diz. Se os desfiles são belos ou não, isso não é problema da Camera da Moda. O que a Camera fez foi dar a volta por cima depois de uma amuada temporada com fofocas sobre Anna Wintour e o calendário curto. “Vocês vão ver”, prometeu Mario Boselli, presidente da organização. Patrocínios gordos, material de divulgação mais que explicativo, atrações para todos os gostos.

Um palco gigantesco na frente do Duomo também vai servir de passarela. Os habitantes e turistas entendem o recado: quem manda na cidade é a moda. Jornalistas podem usar o novo serviço de bike-sharing para pedalar de um desfile para o outro. Desfiles feitos no centro são transmitidos em super telões para os mortais que ficam na rua, do lado de fora. “Você poderia me descrever a fisionomia desse estilista? Vi o desfile dele daqui de fora e gostaria de fotografá-lo”, me perguntou uma senhora que passava por ali. Não se fala de outra coisa na cidade.

freja em gucci IMG_1769A modelo Freja Beha no desfile da Gucci©Juliana Lopes

O dia começa, de verdade, com os desfiles da Gucci (dois, um em seguida do outro). “Return to seduction”, informa a marca. Força, feminilidade e espírito mediterrâneo. So italian. Os vestidos em franjas, fendas, couros, camurça, cores fortes ou preto, e nude. Raquel Zimmerman desfila. Freja Beha desfila. Nos lábios, uma novidade: gloss. Muito. Os lábios voltaram a brilhar. Será o fim do matte? Gucci nem passou perto de bocas opacas, como, mais tarde, no mesmo dia, Francesco Scognamiglio. Lábios melados, como os da modelo porto-riquenha Joan, que adorou, e saiu com o make impecável pós-desfile.

- Viviana Bartoccetti merece ser conhecida: a brasileira, de São Paulo, é assistente de produto na Gucci. Trabalha para calçados, esporte e coleção infantil. Começou como estagiária na Salvatore Ferragamo, logo depois que terminou seu master em moda em Florença. Está há 3 anos na Gucci, trabalha diretamente com os designers e depois do desfile foi se reunir com a equipe – Frida Giannini inclusa – para fazer “o brinde” com champanhe.

anaguccifrejaAnna Dello Russo com uma cereja na cabeça, Freja Beha posando para fãs e a brasileiraViviana Bartoccetti ©Juliana Lopes

- Anna Dello Russo (leia uma entrevista exclusiva com a editora) na primeira fila do desfile de Alberta Ferreti, com seu arranjo de frutas na cabeça, manda um recado para o FFW: “Put some cherry in your mind!” (Coloquem cerejas na cabeça!). O enfeite é comemorativo. “Muito italiano!”. Ela já tem, para os outros dias, outros arranjos. O próximo, ela diz, será com queijo. Amanhã Anna vem com queijos na cabeça.

- A top da vez Freja Beha foi praticamente agarrada por fãs na saída do desfile de Alberta Ferreti. Não parecia esperar muito por isso. A dinamarquesa saiu muito relax, fumando seu cigarro, e foi atacada por flashes. Alguns fãs a abraçavam. Pareceu um pouco transtornada depois e não conseguiu conversar muito. “Ah, o desfile, foi lindo, foi lindo”, disse Freja, um pouco passada, tentando fumar seu cigarro em paz. Prova de que capas da Vogue, campanhas da Chanel e outros trabalhos que Freja tem feito, estão mesmo na boca do povo.

alberta ferrettiO sonho medieval da Alberta Ferretti ©Juliana Lopes

- O desfile de Alberta Ferretti foi como um sonho medieval de mulheres esvoaçantes. Assim também pensou Hillary Alexander, fashion director do The Daily Telegraph, que conversou com FFW logo após o show. “Eram fadas saídas de um sonho bom”.

francesco IMG_2040Desfile de Francesco Scognamiglio ©Juliana Lopes

- O último desfile do dia foi de Francesco Scognamiglio, que tem sido muito celebrado por vestir Madonna e Lady Gaga. Citado por Franca Sozzani em entrevista ao FFW como uma das grandes promessas da moda italiana, o estilista recebeu colegas ilustres como Carine Roitfeld e Margherita Missoni. “Nasci no meio da moda, a primeira vez que fui a um desfile eu tinha poucas semanas de vida, então alguns estilistas de hoje são pessoas que conviveram comigo. O Francesco era meu amigo quando éramos adolescentes. Eu vim para apoiá-lo e também porque admiro o trabalho dele. Acho um bom exemplo um ver o trabalho do outro. Quando a Missoni comemorou 40 anos, Stefano Gabbana e Domenico Dolce vieram nos ver”, disse Margherita.

- Francesco falou com o FFW após o desfile. O sonho dele, depois de vestir Lady Gaga e Madonna é ser “chamado” pela Rainha Rania da Jordania. “Entrevistamos Franca Sozzani que te citou como um grande novo nome da moda. O que você acha disso?”, FFW pergunta. Scognamiglio fica de boca aberta e não responde nada (mal estar misterioso?). “Como é ter o apoio de Carine Roitfeld?”, FFW pergunta (agora responde). “Ela é uma amiga que eu adoro”, diz. De fato, uma das primeiras pessoas a entrar nos bastidores foi Carine. “Não estressa, Francesco, tava lindo!”, disse a editora.

francesco scognamiglio gloss  IMG_1906Quanto mais brilho, melhor: maquiadora de Kate Moss aposta em gloss brilhante ©Juliana Lopes

- A maquiadora Val Garland, da agência Streets London, costuma maquiar Kate Moss. E o que Kate Moss pede, em especial, quando vai ser maquiada? “Ela só quer ficar maravilhosa!”, diz Val, que, inclusive, está a favor dos lábios melados. “A maquiagem de hoje seria perfeitamente usada por Kate Moss ou Gwyneth Paltrow. Estamos apostando em lábios com gloss não transparente. Como o LipGlass da MAC”. Nada opaco, nada matte.

EXCLUSIVO Anna Dello Russo: “Eu teria desaparecido sem a internet”

20/08/2010

por | Moda

anna-dello-russo-ffw-juliana-lopesAnna Dello Russo e sua Cucciolina durante a entrevista concedida ao FFW em Milão ©Juliana Lopes/FFW

Entrevista por Juliana Lopes, de Milão

Uma tarde de verão cheia de luz. Em muitos sentidos. Foi assim o encontro do FFW com a consultora e editora de moda Anna Dello Russo, que comanda a “Vogue Nippon” há 3 anos e trabalhou outros 12 ao lado de Franca Sozzani, na “Vogue Itália”. Anna é uma daquelas pessoas que preenche qualquer ambiente em que esteja com felicidade, animação, positividade, novidade, generosidade. Sendo assim, ela é o tempero ideal para o fervilhante caldeirão que é o mundo da moda.

Famosa por vestir “looks de passarela”, Dello Russo é amiga de estilistas, catapulta de tendências e twitteira de mão cheia. “Sou uma tela em branco, para a moda escrever o que quiser em mim”, confessa.

Não quer se sentar?
Estou há muito tempo sentada. Você cuida da Cucciolina enquanto vou ao banheiro? Ela pode chorar, mas não se preocupe.

(Anna deixa Cucciolina amarrada no pé de uma cadeira. A cadelinha acompanha seus passos com um olhar aparentemente desesperado. Tento entreter o animal. A fuga de Cucciolina seria uma tragédia).

Prefere dar uma volta?
Vamos? Obrigada! A Cucciolina está mesmo precisando. Vem que eu carrego a sua bolsa pra você conseguir segurar o bloquinho de anotações.

Você é chamada de “Fashion Director at Large & Creative Consultant” da “Vogue Nippon”. Na prática, o que isso quer dizer?
É um nome imenso, coisa dos japoneses, mas quer dizer que eu sou diretora de moda. E ponto.

Como é trabalhar com o Japão morando na Itália?
Costumo acordar sempre muito cedo, às 5h30, para fazer 1 hora de ioga e depois 1 hora de natação. Se preciso falar com Tóquio urgentemente, ligo para eles antes de começar meu dia. Mesmo porque quando são 5h da manhã na Itália já são 14h no Japão.

Os telefonemas que costuma dar são para quais lugares?
Costumo falar muito com equipes que estão nos Estados Unidos. Quase todos os profissionais que preferimos estão lá. Fotógrafos de moda, maquiadores, stylists, tudo. Nova York e Los Angeles são as cidades que melhor funcionam para isso, não tem jeito.

Que locações têm escolhido com maior freqüência?
Todo mundo quer ir pra Tóquio! Meus colaboradores vivem me pedindo isso e na medida do possível tento agendar editoriais por lá. Não é sempre que dá. Mas a moda, você sabe, é feita em todos os lugares.

Você tem algum editor para te ajudar no Japão?
Não, sou eu quem escolho tudo, passo o briefing pra todo mundo. Mas, como não sei falar japonês, escrevo os textos em inglês e alguém da redação traduz.

Você consegue acompanhar os ensaios de moda?
Só os mais importantes, como as capas. Mas mesmo estando longe, eu arquiteto tudo, converso bastante com todos. Então não é necessário que eu esteja presente fisicamente nos shootings.

Já teve algum problema ao dirigir um fotógrafo de estilo marcante?
Não, não tenho esse problema. Quando eu chamo um fotógrafo é porque quero a direção dele. Senão seria chatíssimo, né? Tudo igual, apenas com a minha direção, seria muito monótono. Já escolho a história e o vestido que combinem com o fotógrafo. Sei que o Terry Richardson, por exemplo, tem capacidade de aproveitar um determinado tipo de roupa, uma determinada atitude que aquela roupa provoca. E isso também vale para os modelos e stylists. Meu trabalho é fazer essa costura, orquestrar isso, escolher as pessoas certas para trabalharem juntamente.

Na hora de criar o conceito para os editoriais, você pensa na consumidora japonesa?
A “Vogue Nippon” fala com a mulher japonesa em outras seções. Temos matérias de consumo, reportagens que falam com essa mulher. Nos editoriais, no entanto, faço sempre uma escolha internacional. Acredito que se olharmos os editoriais de todas as “Vogues”, não conseguimos descobrir de que país é cada uma delas. Porque estamos falando de uma mulher internacional, não importa onde são feitas as revistas. Quem faz “Vogue” trabalha para construir um sonho.

As pessoas que trabalham para construir esse sonho da moda, nos últimos tempos, acabaram virando estrelas. Tipo a Anna Wintour.
Sim, mas isso acontece porque estamos vivendo uma nova fase. A moda, de uns cinco anos pra cá, passou a existir de fato na internet. E a web, que tornou tudo mais aberto, provoca uma maior curiosidade em torno desse mundo. Existe a vontade de investigar, por isso todos querem saber, conhecer, entrevistar as editoras de moda. São mentes pensantes, criativas. A diferença de hoje, com a internet, é que, quem não for verdadeiro, quem não trabalhar com sinceridade e paixão, não vai durar. Ficou mais fácil separar o joio do trigo.

Já que você entrou no assunto internet, impossível não falarmos sobre o seu perfil no Twitter.
Óbvio! Mas o meu Twitter (@AnnaDelloRusso) surgiu depois do meu blog (annadellorusso.com). O blog tem uma função mais geral. O Twitter para mim é um diário online, de notícias que estão acontecendo ao longo do dia. Faço atualizações dos meus percursos. Por exemplo, existe um preparo para fazer uma edição mensal de uma revista: falar com pessoas, ter ideias. Pelo Twitter eu consigo compartilhar isso com muita gente. Deixar já algumas pistas, uns highlights do que estou fazendo. E também ter novas ideias e conhecer novas pessoas.

Estar no Twitter significa também estar mais acessível aos seus admiradores.
É a primeira vez na história da moda que o lado de cá fala com o lado de lá. A internet mudou a moda. Cairam as barreiras, capisci? Antes se imaginava que quem trabalhava com moda fazia parte de uma casta inacessível da sociedade, e na realidade era isso mesmo. Hoje, com tudo assim escancarado, conseguimos conhecer melhor quem são as mentes pensantes atrás da moda. E, claro, se descobre que realmente essas mentes são maravilhosas, são pessoas criativas, mas que trabalham muito.

Antes, nós, criadores de moda, éramos fechados numa bolha, num grupinho separado do mundo. Éramos só nós. É estúpido isso, entende? Éramos vistos como pessoas inacessíveis. Tínhamos alguns palpites, fazíamos previsões do que as pessoas gostavam, mas era um feeling nosso de longe, não tínhamos a possibilidade de saber a verdade, de conhecer o gosto das pessoas mesmo. Hoje não existe mais isso, está tudo aí para quem quiser ver. Você posta alguma coisa, uma imagem, uma ideia, e na hora consegue saber se isso funciona. É útil não só para mim, mas para a indústria de moda no geral.

Você gosta então de ser um personagem que existe virtualmente.
Eu adoro ser chamada de “internet icon”! Se não fosse a internet, eu provavelmente não trabalharia como trabalho hoje. Sem a internet, eu teria desaparecido.

Como quer que as pessoas te vejam?
Quero que vejam que eu sou humana! Tenho minhas fraquezas, meus momentos, minhas manias, sabe?

E sobre a sua mania de vestir “looks de passarela”… Algo a declarar?
Existe um trabalho enorme, de meses e meses, até o look chegar à passarela! Tem o trabalho do estilista, que criou as peças. Depois do stylist, que estudou um melhor modo de combinar essas peças. Se ninguém repete o que está exatamente ali, esse trabalho é todo perdido, sabe? Vai embora, morre. Pode parecer superficial, mas para mim existe algo mais profundo nisso, em usar um “look de passarela”, não sei como definir.

Como podemos definir uma “fashion victim”?
Eu! A primeira de todas as fashion victims sou eu. Eu sou uma tela em branco, a moda pode desenhar o que quiser em mim. Sou obcecada, mas essa obsessão para mim não é um problema, eu adoro a moda. Por isso que trabalho bem com os japoneses, eles também são super obcecados por moda!

Apesar de tanta obsessão pela moda, a crise deu uma balançada na indústria. A moda italiana, como a francesa, inglesa e americana devem perder a hegemonia?
Sim, dá para sentir que isso vai mudar! O Japão, por exemplo, está se tornando mais importante. Não podemos esquecer do fenômeno irrefreável da China.Quem será o grande azarão, depois da crise? Pode ser simplesmente um país que nem mesmo imaginamos. E isso é a vida, é a impermanência da vida. É um pensamento muito bonito esse que estamos dividindo aqui, vero?

Sim, é verdade. O conceito de impermanência como “única coisa permanente” é oriental, não?
Sim, é oriental, e eu acredito nele. Acredito que tudo está em constante mutação. A humanidade no geral. E, não sei explicar o porquê, mas a moda é a primeira a sentir essa mutação. As mudanças chegam ao social depois de passarem pela moda. A moda tem antenas que captam isso primeiro.

E quais sinais suas antenas estão captando?
Já temos sinais fortes. E muito deles aconteceram por causa da Internet. Quando é que se pensou que existiria uma bambina como a Tavi [Gevinson]? Uma criança de 13 anos fazendo um blog de moda? Quando é que se imaginou que um garoto das Filipinas, o Brianboy, viraria essa personalidade que ele virou? Hoje está tudo aberto, tudo é possível. Quem for competente, vai conseguir o seu espaço. Caiu a máscara da imobilidade da moda, do que era frio, imóvel. Minhas antenas captam isso: não podemos mais ter certeza de nada _nada!_ que está por vir.

O que exatamente é essa “máscara que caiu”?
Imaginava-se que o mundo era feito de pessoas ricas, famosas, num infinito benessere (bem-estar). E agora, com a crise e a internet que mostra tudo, onde está o benessere? Onde estão os ricos e famosos? Estão pobres e desgraçados! Caiu tudo por terra, capisci? O tom como se falava era alto demais. Agora deu uma diminuída. A crise veio e deu uma chacoalhada tão violenta que é óbvio que tudo vai mudar. Já está mudando.

Qual a sua opinião sobre as publicações impressas na Era Digital?
Eu penso temos muitos jornais. Troppo, troppo. Nosso momento cultural vai selecionar o que é o melhor. E só o que for mesmo the best é que vai gozar do grande valor do papel. O valor do papel é estupendo, como o valor dos livros. Criar é bom, mas criação demais não adianta, não serve, non va bene.

Por que não?
Porque a criatividade deve ser respeitada, deve ter um tempo para ela. A criatividade é um dom, não dá para criar coisas como se faz sorvetes, pizzas.

Existe já uma discussão do conceito de “slow fashion”, o que você acha disso?
Quem já discute o slow fashion?

Foi discutido no evento Fashion Summit, em Copenhague, durante a COP15 for Climate Change.
Sim, eu acho que o futuro é esse, o futuro é o slow motion. Dá pra perceber que as quantidades estão diminuindo. Quase ninguém, por exemplo, está desenvolvendo pré-coleções. O produto tem que ser mais lento, ninguém consome assim com tanta velocidade. Perde-se a alma das coisas… Exato, slow fashion, como slow food…

Na sua opinião, então, é possível que se produza menos e ainda sobreviver?
A saída é a estrada do meio termo. Isso vale pra tudo, é preciso encontrar o caminho do meio. Cada um cuidar de si próprio e também pensar no mundo em volta. É por isso que eu medito, para trabalhar bem com as pessoas. Uma forma de salvar o planeta, para mim, é trabalhar o meu eu interior buscando a serenidade. Medito e tento passar essa mesma serenidade aos outros à minha volta.

UMA RAPIDINHA COM… ANNA DELLO RUSSO:

Anna Wintour
Super powerful! É o sistema da moda em pessoa!

Blogs de moda
Novidade! Curiosidade! Adoro!

Gisele Bündchen:
Madonna mia! Que mulher! Eu queria ser ela! Não é só uma figura de moda, mas tem uma vida esportiva, cuida da alma, é positiva. Uma verdadeira top.

Japão
Graças a Deus me dá esse belo trabalho! Adoro os japoneses porque são obsessivos pela moda como eu!

Brasil
O que eu gosto do Brasil é a consciência corporal. São os melhores cultuadores do corpo. O corpo vem antes da moda. Primeiro vem o corpo. Se o corpo não caminha, você não vai à parte alguma. Acho importante dar atenção à filosofia do corpo. É essa a mensagem que o Brasil me passa. Como nomes conhecidos vindo do Brasil lembro das Havaianas! E daquele estilista, o Alexandre Herchcovitch! Agora pensando vejo que não recebo muitas informações sobre a moda brasileira, isso é uma pena… esse fluxo precisa melhorar.

China
A China é uma superpotência, está ganhando um mercado absurdo. Sabia que a “Vogue” chinesa chega ao ponto de rejeitar anúncios tamanha é a quantidade de ofertas? E tem a questão da cópia, não sei muito o que dizer, acho que eles estão buscando uma nova forma de trabalhar.

Domenico Dolce & Stefano Gabbana
São meus amigos do coração, adoro os dois. Transformaram o mercado italiano em internacional. Têm uma sólida visão estética do Mediterrâneo, do Sul, da Pulha, que é de onde vim, que é nosso “pequeno Brasil”.

WGSN e outros escritórios de tendência
Não conheço o trabalho do WGSN, me desculpe, não quero criticar um escritório que não conheço. Porque de repente eles são bons, não é? O que eu posso dizer sobre tendência é que a tendência é algo que eu sinto o cheiro de longe. Sinto no ar, sabe? É algo inconsciente, não podemos não acreditar nesse fator do inconsciente. E eu sou a mais sensitiva! É uma linguagem coletiva que não se pode traduzir em palavras, em explicações. Quanto mais você usa palavras pra explicar tendência, mais a perde, mais a diminui.

*Anna Dello Russo entrou na “Vogue Nippon” em 2007. Formou-se em História da Arte na universidade de Bari. Mudou-se para Milão para fazer um mestrado em Moda na Domus Academy, que tinha como um dos professores Gianfranco Ferrè. Conseguiu, no fim dos anos 80, trabalhar como assistente nas revistas menores da “Vogue”: “Vogue Pelle”, “Vogue Gioelli”. Com a entrada de Franca Sozzani na “Vogue Itália”, em 1989, Anna Dello Russo foi convidada para fazer parte do novo team e assim foi editora de moda por 12 anos. Em 2001 foi convidada para ser editora chefe da “Uomo Vogue”. Alguns anos depois sentiu vontade de voltar para o universo feminino e finalmente voltou para a “Vogue”, em 2006. Até ser convidada, no começo de 2007, para ser editora de moda e consultoria criativa da “Vogue Nippon”. Foi nessa época que começou o blog e a se envolver bastante com a internet.

FFW fashion digest: o número da sorte de Katie Grand, censura e +!

20/08/2010

por | Moda

censura 10Guinevere van Seenus duplamente censurada: por espuma e tarjas brancas ©Divulgação

Censura fashion na edição de inverno 2010 da revista “Ten”. A modelo Guinevere van Seenus aparece toda coberta por uma espuma que faz as vezes de tapa-sexo cobrindo suas partes mais íntimas. Porém, parece que só isso não foi suficiente. Quem for atrás da publicação nas bancas irá encontrá-la com duas trajas brancas cobrindo seios e vagina da modelo. Não precisava, né?

+ Site oficial: 10magazine.com

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love-magazine-coversAs quatro últimas capas da “Love”: Kelly Brook, Sienna Miller, Agyness Deyn e Ms. Perfect ©Divulgação

As quatro últimas capas da quarta edição da revista “Love” já estão rolando na internet. Agyness Deyn, Sienna Miller, Kelly Brook e Ms. Perfect (uma boneca criada por Marina Bychkova) são as modelos que completam o outro quarteto formado por Alessandra Ambrósio, Gisele Bündchen, Rosie Huntington e Lauren Hutton. Em sua edição #3, a “Love” já havia apostado em oito capas diferentes com oito modelos nuas segurando cordas e com tarjas de censura. Qual será a mística de Katie Grand com o número 8?

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Um dos editoriais da edição de setembro da “Dazed & Confused” ganhou vídeo e caiu na web. Inspirado na rebeldia adolescente, o ensaio com styling de Robbie Spencer ganhou vida _literalmente_ com direção de Sharif Hamza. Veja acima!

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Pela primeira vez o CFDA confirma parceria com uma revista de moda que não é a “Vogue”. O Council of Fashion Designers of America irá se unir a tradicionalíssima “Harper’s Bazaar” para uma ação paralela durante a New York Fahsion Week, com objetivo de promover novos designers de acessórios.

+ CFDA: cfda.com

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Depois da presença do editor da “Vogue” americana no corpo de jurados, a 14ª temporada do America’s Next Top Model promete trazer importantes nomes da moda para avaliar as modelos. A série que estreia no dia 8 de setembro nos EUA terá convidados como Roberto Cavalli, Diane Von Furstenberg, Patricia Field, Zac Posen, os fotógrafos Matthew Rolston, Patrick Demarchelier, Francesco Carrozzini, as modelos Karolina Kurkova e Margherita Missoni, e a editora da “Vogue” italiana, Franca Sozzani (já leu a entrevista exclusiva que ela concedeu ao FFW?). Nesta edição do programa, a vencedora vai ganha ruma capa da “Vogue Italia”. Nada mau, né?

EXCLUSIVO! Franca Sozzani, da Vogue Itália: “A moda precisa de tempo”

23/07/2010

por | Gente

franca-sozzani-portal-FFWFranca Sozzani, a mulher que comanda há 22 anos a revista “Vogue Itália” ©Divulgação

Entrevista por Juliana Lopes, de Milão

Um cachorrinho branco, peludo e pequeno late e dispara pelos corredores da Condé Nast em Milão. É Lazlò, importado da Hungria, que vai todos os dias trabalhar com Franca Sozzani, diretora de redação da “Vogue Itália”. Ele late para um dos funcionários que toma café num copinho de plástico. Ali perto, uma  secretária procura um papel timbrado para escrever um cartão de aniversário.

É uma redação de revista como qualquer outra. E posto que não existe glamour numa redação _nem mesmo de uma “Vogue”_ fica mais fácil penetrar na mente de Sozzani, que recebeu o portal FFW usando rasteirinhas, cabelos soltos e make “nada”.

Franca comanda a “Vogue Itália” desde 1988, quando tinha 38 anos de idade. Antes disso trabalhou para a revista “Lei” (“Ela” em italiano). Neste ano ela entra para a turma dos sexagenários, tendo dedicado 22 anos de sua vida somente para a versão italiana da “Vogue”, sempre de braços dados com o seu parceiro criativo Steven Meisel, que também conheceu nos anos 1980.

A moda mudou muito nas últimas duas décadas, mas o pensamento de Sozzani parece estar à frente. Na verdade ela parece tão forward que transmite a sensação de que, a qualquer momento, vai estar em outro lugar _mesmo fisicamente: Franca senta e me olha, mas de repente se levanta e vai examinar a vista de sua janela que dá para um belo bairro milanês. Ela está concentrada!? Empolgada!? Entediada!? Franca é intangível _e, sim, inatingível_, gosta de dar respostas ácidas e fluidas. “É preciso tempo para que a moda exista”.

Como é uma jornada sua de trabalho normal? Começa como e termina como?
Não existe nada de brilhante, são apenas projetos, reuniões, planos. Encontro com várias pessoas, converso com os redatores.

Quantas horas por dia de trabalho?
12 horas.

Conseguiria trabalhar menos?
Conseguiria. Se tivesse menos coisas para fazer.

Existem procedimentos?
Não tem regra. Se tivesse regra não seria uma revista criativa. Vamos decidindo o que queremos aos poucos, as ideias brotam.

E de onde brotam, por exemplo, as ideias para os editoriais de moda?
De qualquer lugar. Alguém me telefona, ou eu vejo um filme, alguma revista que me chama a atenção. Ou então numa conversa pinta uma ideia. Ou então alguém vem até a minha sala e me propõe alguma história. Não tem regra, entende?

Mas você tem as suas fontes de inspiração?
Depende. Algumas coisas me inspiram, de outras já não gosto mais. Se fosse burocrático seria um escritório e aqui não é um escritório, não é comercial. Desde 1988 é assim, foi sempre assim. A tendência se cria assim.

Falando em tendência, hoje muitas marcas pagam alto para ter acesso às pesquisas feitas por bureaus…
[corta a pergunta no meio] Tendência não se compra. Quem faz tendência não compra esse tipo de informação. Esse tipo de informação é pra outra coisa, não para criar estilo. É um blefe, não tem valor. Ou você acha que a Prada compra tendência? A Prada faz. Quem vai atrás da tendência é porque não a produz, entende? Cada um tem que produzir o próprio trabalho.

Então a senhora acha errado os países em desenvolvimento se inspirarem na moda que é feita em países consagrados?
Acho. Acho erradíssimo. É erradíssimo se inspirar nos outros, cada um tem que encontrar as coisas que funcionam em seu próprio lugar. Porque, se eu vou ao Fashion Rio e vejo coisas que estão sendo feitas em Paris, não tem sentido ir ao Rio, entende? Ir ao Rio é menos cômodo, mais complicado. Então ir ao Rio para ver Paris não me serviria para nada.

Como você enxerga o estilo brasileiro?
Não vejo um estilo brasileiro definido. Sei que existe uma beleza brasileira, mas não enxergo um estilo. Não é fácil encontrar a própria estrada, é preciso esforço e criatividade. A moda precisa de tempo.

Precisa de tempo e precisa de dinheiro, de uma economia forte…
A receita para levar a moda adiante é ter um conceito forte, um pensamento por trás.

E a Itália tem esse pensamento forte por trás da moda?
Temos gênios que confirmam isso, como Valentino. Nomes que você vê [no mundo todo] como Dolce & Gabbana, Versace. Não temos apenas estilo.

Então a senhora acredita que é preciso tempo para se construir moda?
Sim. Essa história não quer dizer que o passado precisa ser levado para as passarelas. Vivemos no presente. Mas, temos que ter alguma história pra contar.

O passado, então, não ajuda?
O passado pode ser um fardo. Ele pode minar a sua liberdade.

O fotógrafo Steven Meisel é um colaborador importante para a “Vogue Itália”. Quando começou essa parceria?
Nos conhecemos quando eu ainda era editora da revista “Lei”. Todos nós estávamos começando, não tínhamos nada a perder. Eu gostava do que ele fazia, de como via as coisas, percebia que existia um conceito em suas imagens, que até então eram poucas: ele tinha um book com 3 ou 4 fotos. A redatora na época era a [atual estilista] Anna Sui. Deu certo e assim ficou.

Como é fazer uma revista italiana com um fotógrafo que não mora na Itália?
Os editoriais da “Vogue Itália” são feitos nos Estados Unidos, entre Nova York e Los Angeles. Eu e Meisel nos telefonamos sempre. É mais viável fazer tudo lá do que trazer para cá a estrutura toda, os fotógrafos, as modelos, que praticamente moram todas no exterior. Quando temos que sair daqui [de Milão], vamos com uma equipe super reduzida.

E os novos fotógrafos? A senhora deve receber muitos portifólios…
Não. No momento não tenho nenhuma aposta. É preciso trabalhar, é preciso tempo para tudo.

Existe espaço na Itália para novos estilistas?
Esse não é um problema da Itália, é um problema mundial. É difícil também na Inglaterra, em Paris, em Nova York. É preciso dar tempo a esses nomes. Não podemos já chegar dizendo que eles são “gênios”, porque daí eles vão achar que já estão no topo. Muitos nomes se destacam numa temporada, mas depois somem. Não é fácil. Aqui na Itália existem novos talentos como o Francesco Scognamilio e muitos outros. Mas é preciso tempo: eles têm que trabalhar, têm que crescer.

A Itália é mundialmente famosa por fazer uma moda considerada sexy. O que acha disso?
Toda mulher se veste para agradar, para ser sexy. É o normal, mas sexy não pode ser sinônimo de vulgar. É possível ser sexy com camiseta e calça. As mulheres, em sua essência, são sensuais.

Saída de um país novo como o Brasil, temos alguns nomes na moda como Gisele Bündchen, que é a modelo mais bem paga, a número 1 do mundo.
A Gisele não é a número 1. Isso é um conceito brasileiro, não mundial.

Mas ela está no topo da lista das modelos mais bem pagas do mundo segundo a “Forbes”.
Ser a mais bem paga não significa que ela é a número 1, existem várias “números 1”. Várias modelos que são boas, que não são somente belas, mas têm personalidade, entendem o fotógrafo. Natalia Vodianova também é uma número 1. E outras 3 ou 4 também o são. Ser bem paga não quer dizer que ela seja a mais valiosa para o mundo da moda. Muitas modelos, por exemplo, não fariam Victoria’s Secret. Capisci?

Uma pergunta impossível de não fazer é sobre a Anna Wintour. O que a senhora achou do episódio em que o calendário de moda na Itália diminuiu porque ela avisou que não poderia estender sua estadia em Milão?
Existe um ditado: “A casa mia si mangia quello che mangio Io” (em tradução livre: “Na minha casa, come-se da minha comida”). Não dá para culpar quem vem de fora. É culpa de quem, em casa, não soube se impor.

Onde a senhora costuma comprar suas roupas?
Não tenho regra para isso. Posso passar na frente de uma loja e gostar de alguma coisa. Se tenho que dar algum exemplo, diria a Corso Como 10 [a loja foi fundada pela irmã de Franca, Carla Sozzani].

Você gosta de cozinhar?
Sim, para nós italianos a cozinha não é só questão de comer, mas é um momento onde convivemos entre nós, onde dividimos nossos momentos. Não cozinho, mas tenho meu prato favorito: tortelli di zucca, típico de Mantova, minha região.

Gosta de música?
Temos que ouvir de tudo. Fomos os primeiros a falar da banda Tokyo Hotel. Ouço música clássica, Sting, Tracy Chapman. Mas também gosto de Lady Gaga.

Lê muita revista?
Leio. Muitas. Quer dizer, vejo, vou passando os olhos. Vejo revistas até de arquitetura, decoração.

Quais?
Muitas, não sei dizer. Mas são muitas.

E livros?
Não leio livros teóricos sobre moda. Os livros que leio são de literatura, contos. Leio 3 ao mesmo tempo porque gosto de entender o que está acontecendo e pronto. Às vezes me canso do livro e troco, fico entediada.

A Itália conta com uma matéria-prima de altíssima qualidade e um diálogo constante entre estilistas e artesãos. Isso procede?
Quem desenha, desenha para ser produzido numa matéria-prima, então é óbvia essa troca. Se você vai fazer o sapato, desenhá-lo, vai desenhar em alguma coisa, não é? Assim funciona o nosso made in Italy, que conta com alta qualidade, mas também com muita produção.

Apesar de toda a produção, existe o impacto da crise econômica.
Tem crise sim, é inútil querer esconder. Crise na Itália e em todo o mundo. Nunca houve uma crise como essa, nessas proporções. Ouvimos geralmente sobre crises específicas, mas uma crise geral como essa, não me lembro.

Nem mesmo a crise de 1929?
É muito antiga essa crise, está num passado muito distante. As pessoas dessa época já não existem mais, ninguém lembra.

O que se pode aprender em momentos de crise?
Na crise se aprende a descobrir o novo.

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Frases do Twitter de Franca Sozzani (twitter.com/francasozzani)

So many pointless blogs! Most of them a waste of time!
Tradução livre: Quantos blogs sem sentido! A maioria deles é uma perda de tempo!

The most surprising and annoying thing during fashion week is that everybody is constantly twitting: but who’s watching the shows?
Tradução livre: A coisa mais surpreendente e irritante durante uma semana de moda é que todo mundo não para de twittar: mas quem assiste ao desfile?

I don’t care what people think about Carla Sarkozy. She is just GREAT.
Tradução livre: Eu não me importo com o que as pessoas pensam da Carla Sarkozy. Ela é DEMAIS.

Not many fashion students can become great designers, but many can achieve important positions in the fashion industry
Tradução livre: Não são muitos os estudante de moda que podem se tornar grandes estilistas, mas muitos podem alcançar posições importantes dentro da indústria da moda.

The best part of social networks is getting in touch with people, the worst part is losing your privacy
Tradução livre: A melhor parte das redes sociais é o contato com as pessoas, a pior parte é a perda de privacidade.

Beautiful models give suggestions on how to be beautiful. Do you really believe that the same cream will have the same effect on you?
Tradução livre: Modelos lindas dão dicas de como ficar bonita. Vocês realmente acham que o mesmo creme vai ter o mesmo efeito em vocês?

This is the period in which everybody only talks about diet. Too late and too boring!
Tradução livre: Estamos numa época em que todo mundo só fala de fazer dieta. Muito tarde e muito tédio!

I love reading magazines and books. I love touching the paper.
Tradução livre: Eu adoro ler revistas e livros. Amo o contato táctil com o papel.