Mercado

Top fotógrafos unem-se por melhores condições de trabalho

15/05/2012

por | Moda

Editorial de Fabio Bartelt para a revista “Elle” Brasil ©Fabio Bartelt/Reprodução

No dia 04.05 as editoras das principais revistas de moda brasileiras receberam um email do fotógrafo Bob Wolfenson, que há 20 anos está entre os mais cobiçados pelas publicações.

A mensagem avisa sobre uma nova tabela de preços organizada por um grupo de fotógrafos com o objetivo de “rever os preços pagos aos editoriais de moda, congelados há muito tempo”. O texto também lembra que os fotógrafos tiveram que se adequar a fotografia digital, o que resulta em grandes investimentos em equipamento. A cada semestre aparece uma câmera, um computador e um jogo de lentes sempre superiores aos do ano passado.

Pensando nisso, Bob reuniu um grupo de fotógrafos que inclui outros nomes importantes, como Fabio Bartelt, Gui Paganini, André Schiliró, Henrique Gendre, Mauricio Nahas e Jacques Dequeker, para criar e formalizar essa nova planilha de custos que deve vigorar a partir do dia 01.06. “Precisamos ordenar os editoriais de uma maneira que não fique tão indigente. Faz dez anos que as revistas trabalham com os mesmos valores”, diz Wolfenson ao FFW.

Até agora Bob sabe que o assunto repercutiu nas redações, mas ele não recebeu nenhuma resposta ou telefonema por parte das editoras. “Essa iniciativa deveria ter partido dos próprios veículos”, diz. “Se você vai abrir uma revista hoje tem que pensar que tem que ter cachê pro fotógrafo, tem que ter dinheiro pra produção…”.

Editorial de Henrique Gendre para a revista “Vogue” Brasil ©Henrique Gendre/Reprodução

Outra reclamação cada vez mais comum entre os fotógrafos brasileiros é o fato de que as principais revistas de moda, que carregam títulos internacionais, estão em guerra declarada pela edição mais especial e exclusiva, mês a mês. E nessa busca, vão atrás de modelos, fotógrafos e stylists estrangeiros para suas capas. “O cara vem pra cá e não traz nem a câmera dele. Tudo é alugado aqui, eles pedem várias exigências e as revistas aceitam”, conta Bob.

Para Kika Brandão, editora de moda da revista “Alfa”, que integra o portfolio da editora Abril, esse email é um bom sinal. “Fiquei surpresa de perceber que a classe está unida. Tem revistas que pagam muito pouco mesmo e ainda não oferecem estrutura”, diz. “Esse tipo de ação pode qualificar e padronizar o relacionamento desses profissionais com as publicações”.

Para Kika, ainda não é isso o que ocorre. Segundo a editora, a “Alfa” paga aos fotógrafos R$ 2 mil para um ensaio de oito páginas, de fato um valor considerado bom dentro do mercado editorial. Mas isso ainda não parece suficiente na hora de conseguir um profissional renomado, mesmo que a revista tenha uma tiragem de 120 mil a 140 mil exemplares por mês, como é o caso da “Alfa”. “Não existe o interesse por não se tratar de um título internacional”, reclama. “Nossos ensaios são sempre com atrizes de primeiro time, como Camila Pitanga, e eu preciso trabalhar com gente bacana, até mesmo para atender as demandas das próprias atrizes. O que me deixa triste é essa falta de interesse”.

Daniela Falcão, diretora de redação da “Vogue”, também acha a iniciativa válida. “Sobretudo porque acredito que diálogo é sempre bom, e é louvável que os fotógrafos estejam dialogando entre si. Quanto às reivindicações, estamos também dialogando com nossos fotógrafos, para atender da melhor maneira possível as necessidades de cada um. Porque eles trabalham em condições diferentes, estão em momentos diferentes de carreira e de vida, têm aspirações diferentes. Logo, o mais importante para um, não necessariamente é tão importante assim para o outro”.

Com uma tabela padronizando os valores, os fotógrafos ganham na luta por mais direitos e as revistas também têm que melhorar o serviço oferecido. “Isso só vai funcionar se essa tabela for mesmo para todas as revistas. Não adianta ele cobrar pouco de um título internacional, chegar na minha revista e cobrar mais. Isso deve quebrar um pouco a panelinha da moda porque as revistas que não tiverem orçamento vão precisar buscar outros fotógrafos”.

E se isso de fato acontecer, muitos fotógrafos sem espaço no mercado, mas com talento, dedicação e bom gosto, podem começar a trabalhar mais, aprender com essa experiência e se tornar capazes de atender publicações de primeiro nível, abrindo assim o mercado de trabalho na moda. “Faltam revistas que apostem em novos talentos e que deem espaço para quem nunca foi assistente do Bob, do Gui ou do Duran”, diz Kika.

Editorial de Bob Wolfenson para a revista “Alfa” ©Bob Wolfenson/Reprodução

Fotógrafos unidos jamais serão vencidos. Mas e o restante da equipe? Quem joga a pergunta é o stylist Thiago Ferraz. “Trabalhamos tanto quanto e continuamos ganhando o mesmo? As revistas nos dão exposição criativa, mas em troca disso precisamos viver esse perrengue eterno?”, questiona.

Por perrengue eterno, leia-se uma verba que pode ir de R$ 150 a R$ 1.000 por trabalho, dependendo do projeto e da publicação; falta de carro para produção e de verba de alimentação. Fotógrafos, stylists e maquiadores ainda têm que dar um cachê para seus assistentes. “Muitas vezes nós pagamos para fazer um editorial”, diz.

Vale observar que não são todas as revistas que se comportam assim. Existem de fato publicações mais independentes e com poucos recursos e também revistas importantes que mantém uma conduta correta de remuneração.

O que o stylist pede é um mercado mais equilibrado. “Somos parte de um sistema que deve ser padronizado. Cada um tem uma opinião, mas estão todos debaixo do mesmo guarda-chuva. Falar que não tem dinheiro é mentira, pois o mercado de moda está claramente evoluindo, com muitos anunciantes gringos e o editorial precisa acompanhar essa evolução”.

Em uma mensagem postada no Facebook para Thiago, Bob Wolfenson sugere: “Não estamos reivindicando uma inserção do país no mundo? Proponho que cada setor se organize. Acho que de fato o país mudou, o mercado mudou, chegaram grandes corporações e nós continuamos na mesma indigência no setor de revistas. O nosso clamor é por mudanças”.

O que dá para tirar dessa discussão é que, de fato, o mercado de moda, inclusive o editorial, está mudando, o interesse pelo Brasil está aumentando da mesma forma que os investimentos. O fotógrafo, o stylist, o maquiador e a modelo, só para citar a equipe de frente envolvida em um ensaio, são responsáveis por fazer a gente acreditar no sonho da moda, a criar desejo e adoração no consumidor e também a manter nos leitores a expectativa da chegada das revistas nas bancas. Imagem, em uma publicação de moda, é tudo. Nada mais natural que eles sejam levados em conta neste momento de mudanças.  “Amor pela moda, a gente tem pra dar. E tem de sobra”, diz Thiago Ferraz. Mas só amor não paga as contas.

+ Leia abaixo a carta na íntegra criada por um grupo de fotógrafos e enviada para as redações de revistas de moda:

Às Editoras e afins,

Nós, fotógrafos aqui reunidos decidimos por unanimidade rever os preços pagos aos editorias de moda congelados há muito tempo. Apesar dos reajustes feitos por alguns veículos, sentimos que estamos muito defasados em relação aos aumentos concedidos, em qualquer setor, nestes últimos anos.

Sem contar que ao passarmos do sistema análogico para o digital houve um investimento muito grande de nossa parte em equipamentos e adequações. Além disso, o que era custo para as revistas como filmes, polaroids, revelações e ampliações, evaporou-se e virou receita das próprias.

O que começaremos a praticar a partir de 1º de Junho, sem exceções, é uma nova tabela de preços mínimos. Acima disso as negociações serão feitas entre as partes.

Aqui segue a tabela:

  • Editoriais de moda: R$ 300,00 por página.
  • Retratos ou algo que ocupe apenas uma página: R$ 1000,00.
  • Capa da revista: R$1500,00.
  • Equipamento de luz- do própro fotógrafo posto em uso: R$ 800,00.
  • Estúdio: R$ 800,00 a diária.

Passado / Presente

A transformação da Alemanha em 10 anos: o reflexo de um país através de fotografias

08/05/2012

por | Cultura Pop

1991 e 2001 ©Stefan Koppelkamm/Reprodução

A partir da arte – em todas as suas variações – é possível contemplar o passado, como também repensar os rumos de uma história, seja ela humana ou de toda uma nação. De acordo com a sabedoria popular, é do confronto com o erro que se aprende a seguir em frente. Um país sem memória, diz-se, é um país de equívocos contínuos e frágil perante o futuro, com uma população facilmente ludibriável. A Alemanha, no entanto, soube reconstruir-se e transformar a herança de caos e destruição, fruto dos inúmeros conflitos de que foi palco durante todo o século 20, em consciência cultural, social e política. O fotógrafo Stefan Koppelkamm presenciou em sua juventude momentos cruciais da trajetória germânica e registrou a arquitetura de cidades da Alemanha Oriental no período que antecedeu à reunificação, em outubro de 1990, e 10 anos depois, no início da década de 2000. O resultado desse trabalho quase antropológico foi o livro “Ortszeit – Hora Local”, uma coletânea impressionante de imagens em preto e branco que apresentam, em oposição, passado e presente.

Dresden, Rothenburger-Straße, 1990 e 2002 ©Stefan-Koppekalmm/Reprodução

O contraste das paisagens, capturadas por Koppelkamm em um período de apenas 10 anos, é uma prova inquestionável da obstinação do povo alemão. Ao deixar para trás as cinzas da Segunda Guerra (1939-1945) e da Guerra Fria (1945-1991), bem como o estigma do Nazismo, a Alemanha reergueu-se e, em pouco mais de duas décadas, é a mais forte economia da Europa e está entre as cinco maiores potências do mundo. A riqueza financeira e a influência política, entretanto, não fez o país desprezar seu passado, muito pelo contrário: em todos os cantos da Alemanha é possível encontrar instituições, monumentos e prédios dedicados à lembrança de como se deve crescer, mas sem esquecer-se do que já foi.

A obra de Koppelkamm é somente uma confirmação de que conviver com os erros não é vergonha, é prova de coragem, fonte de estímulo e guia para orientar-se no futuro. Confira algumas imagens de “Ortszeit – Hora Local” e, através da arte, veja como é possível ser tocado por uma história tão distante, mas tão paralela a qualquer realidade.

Potsdam Belvedere, 1991 e 2002 ©Stefan Koppelkamm/Reprodução

Berlim, Tucholskystraße, 1992 ©Stefan Koppelkamm/Reprodução

Berlim, Tucholskystraße, 2002 ©Stefan Koppelkamm/Reprodução

Erfurt, Hof, Marktstraße, 1991 ©Stefan Koppelkamm/Reprodução

Erfurt, Hof, Marktstraße, 2003 ©Stefan Koppelkamm/Reprodução

1991 e 2001 ©Stefan Koppelkamm/Reprodução

Zittau, Marstall, 1990 ©Stefan Koppelkamm/Reprodução

Zittau, Marstall, 2001  ©Stefan Koppelkamm/Reprodução

+ Confira mais imagens na galeria abaixo:

Stefan-Koppelkalmm
©Stefan Koppelkamm/Reprodução
1991

Tumblr

Fotógrafa amadora ganha uma “forcinha” de Nick Knight

07/05/2012

por | Cultura Pop

Rei Nadal para o tumblr do SHOWstudio ©Reprodução

Tem um tumblr? Já recebeu uma inbox do Nick Knight pedindo para que seja a curadora do SHOWstudio por uma semana, recebendo em casa roupas das coleções de estilistas como Alexander McQueen e Rick Owens para fazer o que quiser com elas? Explicando melhor, Nick estava navegando pelo mundo dos tumblrs quando se deparou com o Death and Milk. A estética das imagens e o tema agradou ao lendário fotógrafo, que resolveu entrar em contato com a criadora – aparentemente a mesma garota loira que aparecia regularmente em algumas das imagens – para convidá-la a ser curadora do tumblr do SHOWstudio por uma semana. Mas é claro, Rei Nadal – agora já com um nome -, duvidou da veracidade da mensagem. Afinal de contas, não é comum receber mensagens de grandes artistas dessa maneira.

Rei Nadal para o tumblr do SHOWstudio ©Reprodução

Tendo provado que era tudo verdade, Rei concordou com a ideia e, por uma semana, recebeu em casa uma caixa a cada dia, contendo roupas, flores, perfumes, comida e outros itens que a ajudassem a criar um clima para produzir imagens a partir disso tudo. Para Nick, o que mais chamou sua atenção no Death and Milk foi o fato de ele ter “muito a ver com a morte, muito a ver com sexo e muito a ver com moda”. Além disso, o fotógrafo a descreve como detentora de um rosto inconfundível, além de uma beleza pouco convencional. Focando nisso, Rei criou uma série de autorretratos seguindo a santa trindade estética (morte, sexo e moda) que agradou a Nick a partir da câmera do computador em sua casa em Barcelona.

“Os tons estão maravilhosos. Cecil Beaton não poderia ter feito melhor. É como uma pintura”. Quando se compara autorretratos de uma garota recém-formada em moda com o trabalho de um grande fotógrafo do século XX, não há como duvidar que Nick adorou o resultado. Talvez exagerado ou vislumbrado no momento, Nick Knight vai além e explica. “O que realmente me irrita é que você conversa com as pessoas em universidades e eles ainda estão ensinando revelação de filmes (…). Ninguém mais usa isso. Ninguém. Também ninguém ensina Tumblr, Instagram ou Twitter, e é isso que eles deveriam estar fazendo”. Continuando, Nick explica que na época em que trabalhava com revistas, não tinha noção alguma se o seu trabalho estava agradando ao público. Só passava a ter certeza disso quando o cliente entrava em contato para fechar outro projeto. A internet chegou e junto com ela uma democracia, que permite ao artista ter uma ideia clara da repercussão que seu trabalho está tendo, que é o mais importante no final de tudo.

Rei Nadal para o tumblr do SHOWstudio ©Reprodução

Polêmico talvez, mas também um entusiasta de novas mídias e formatos, sendo próprio SHOWstudio é um fruto disso, Nick Knight já se firmou como fotógrafo em ensaios dentro dos padrões de qualidade e técnica mais elevados, o que dá direito e propriedade para poder dizer tais palavras. Filosofias da fotografia a parte, temos que concordar com os resultados. As imagens passam justamente este clima original do tumblr de Rei Nadal, a garota de 22 anos, formada em moda, que passou de anônima desconhecida a parceira de trabalho de Nick Knight em menos de um mês.

+ Conheça as tribos do Tumblr

+ Confira mais imagens abaixo dessa inusitada parceria:

rei-nadal-showstudio05-nick-knight
©Reprodução
Rei Nadal para o tumblr do ''SHOWstudio''

Da China, com amor: jovem fotógrafa destaca-se com mix de Ocidente e Oriente

02/05/2012

por | Cultura Pop

©Chen Man/Reprodução

Ao contrastar elementos tradicionais da cultura chinesa com tecnologias de pós-produção ocidentais, a fotógrafa Chen Man desenvolveu uma estética experimental renovadora que, por meio de uma explosão de cores e texturas, ultrapassou as barreiras continentais de seu país e rendeu-lhe de uma parceria com a marca de cosméticos M.A.C (a linha “Love + Water”) a comparações com o icônico Nick Knight, além de capas e editorais para publicações, como “Harper’s Bazaar”, Elle” e as vanguardistas “i-D” e “Vision”.

Parte da geração pós-Revolução Cultural, Man nasceu em 1980 e vivenciou a abertura cultural e econômica da China, bem como as mudanças nessa sociedade, que se tornou massivamente influenciada pelos hábitos ocidentais. De acordo com a fotógrafa, em entrevista concedida em fevereiro deste ano para o suplemento de moda da revista “New York”, sua intenção é construir uma ponte entre suas raízes chinesas e a contemporaneidade, transformando o étnico em global. Antes mesmo de graduar-se em 2005 na Academia de Belas Artes, instituição de ensino superior localizada em Pequim, Man já havia adicionado trabalhos de extrema qualidade ao seu currículo, como a impactante série “Long Live Motherland China”, produzida para a revista chinesa “Vision”, uma espécie de “Wallpaper” oriental.

©Chen Man/Reprodução

“Meu trabalho é sempre um mix híbrido. É Oriente e Ocidente; mainstream e alternativo; do presente e do futuro; cafona encontra elegante”, explicou Man ao site “Nowness”, em entrevista publicada nesta terça-feira (01.05). Para a ocasião, a chinesa escolheu as 10 fotografias que mais gosta em seu portfólio, que estão espalhadas nesta matéria. Confira abaixo o que Man falou sobre suas inspirações, influências e seu desejo de manter a cultura de seu país viva:

Quais foram suas primeiras inspirações?

Tudo no universo tem um impacto. Se eu tivesse que escolher uma pessoa, seria Michael Jackson.

©Chen Man/Reprodução

Como você descreve o seu trabalho?

É uma aventura definir a expressão da moda chinesa contemporânea. Isto levou a um estilo completamente novo, começando com a série em que a modelo Lü Yan foi fotografa na Grande Muralha da China, bem como a série “Long Live Motherland China”. Estou agora focando na visualização da cultura tradicional chinesa. “Essência chinesa, método ocidental” é meu lema de trabalho.

O que você busca em um assunto?

Todo mundo é uma musa. Eu gosto de mulheres gordas. Os valores chineses são a minha essência, enquanto eu adoto completamente um método ocidental. Minha alma é influenciada pelo Oriente, meu corpo pelo Ocidente. As mulheres chinesas são muito poderosas, porém sutis. Assim como a própria China.

©Chen Man/Reprodução

O que você mais gosta na fotografia?

Fotografia demanda contato humano. Eu gosto de interagir com belezas reais. Fotografia pode ser utilizada para documentar a realidade, mas também podem expressar super-realidade.

Você se considera uma artista?

Por algum tempo eu repudiei o termo ‘artista’. Foi quando arte começou a se tornar um fenômeno e um monte de jovens se aventurou a fazer arte performática, o que foi bizarro e vergonhoso para o público. Quando eu comecei a fotografar para a “Vision”, os artistas não me levavam a sério porque meu trabalho era publicado em revistas de moda. Tendo sida convidada para expor na galeria Today, em Pequim, e no MOCA [Museu de Arte Contemporânea], de Xangai, agora eu sou considerada uma ‘artista’.

©Chen Man/Reprodução

Qual foi o mais entusiasmante desenvolvimento na moda chinesa?

As pessoas estão começando a encarar a verdadeira representação delas mesmas, assim como as surreais.

Como você enxerga o futuro da fotografia de moda?

Androginia é tudo.

©Chen Man/Reprodução

©Chen Man/Reprodução

Se você não fosse uma fotógrafa, o que estaria fazendo agora?

Seria uma médica que pratica medicina chinesa.

+ Confira mais imagens na galeria (incluindo as 12 capas fotografadas por Man para a “i-D”):

Noruega Vintage

Imagens produzidas há 120 anos impressionam pela qualidade e beleza

25/04/2012

por | Cultura Pop

Photochrom feita na Noruega em 1890 ©Reprodução

Antes de qualquer coisa, não, não são fotos de Instagram. São fotografias produzidas na Noruega há mais de 120 anos e que impressionam pela precisão dos detalhes e, é claro, pelo valor histórico de poder ver belíssimas paisagens e construções antigas. Mas calma lá, não são fotografias propriamente ditas. Talvez seja mais preciso definir como “falsas fotografias”, porque na verdade isto se trata de um processo chamado photochrom. Na fotografia, a luz atravessa a lente e chega ao filme ou CCD, no caso das câmeras digitais, e “escreve” a informação. Neste caso, os negativos em preto e branco são usados para imprimir em placas litográficas, que depois são pintadas com tinta para ter a imagem final colorida. Então, de certa forma, o processo está mais próximo da gravura. Processos à parte, as imagens impressionam pela qualidade, beleza e textura.

Para ver mais imagens, acesse a página do flickr da The Library of Congress.

Ícones da Fotografia: German Lorca e os 60 anos de pioneirismo no Brasil

18/04/2012

por | Cultura Pop

“Moda”, de 1970 ©German Lorca/Reprodução

Há pouco mais de dois meses, o FFW iniciou a série semanal “Ícones da Fotografia”, com o intuito de apresentar a trajetória e as obras mais icônicas de grandes nomes que marcaram a arte de captar o instante. Paolo Roversi, Deborah Turbeville, Patrick Demarchelier, Helmut Newton e Robert Capa já tiveram sua história contada; agora vamos introduzir German Lorca, paulistano nascido em 1922 no Brás e pioneiro da fotografia publicitária, mas também de arte, no Brasil.

As fotografias de Lorca, que abrangem um período de mais de 60 anos, estão ligadas intrinsecamente à história de São Paulo. A partir dessas imagens, é possível conhecer um pouco mais de como viviam as pessoas em um Brasil já distante, onde reinava a poética do preto e branco. Desde o final de março, o MAM-SP, no Parque do Ibirapuera, hospeda a exposição “German Lorca fotografias: acontece ou faz acontecer?”, que apresenta uma retrospectiva da carreira do paulistano. Em paralelo à mostra – e em celebração da mesma – o FFW entrevistou Lorca em seu estúdio, na Vila Mariana, onde contou sobre o início de sua carreira, a influência da cidade de São Paulo e a adaptação à tecnologia digital.

German Lorca, em seu estúdio na Vila Mariana ©Juliana Knobel/FFW

O Sr. se formou em Ciências Contábeis, mas optou por viver de fotografia. Como surgiu este interesse e como o Sr. tomou essa decisão?

Eu gostava muito de ver imagens, lembro bem quando eu tinha mais ou menos sete anos, isso durante a crise de 1929, o [jornal] Estadão publicava uma vez por semana um suplemento de fotogravura que trazia fotografias de ocorrências de diversas partes do Brasil e eu sempre gostei de ver, sempre tive essa predileção, além de cinema, mas naquele tempo o cinema não era tão desenvolvido quanto é hoje. Quando eu era mais novo nem todo mundo podia ter máquina, só quem tinha algum dinheiro, fotografia não era barato. Na família da minha mãe, a irmã dela era casada com um fotógrafo, que também era espanhol e trabalhava nos Jardins da Luz tirando fotografias de pessoas que iam passear no local, era algo muito comum na época, inclusive tirou várias minhas, mas eu não tinha possibilidades de comprar uma máquina, então fui estudar Ciências Contábeis.

Logo que eu me formei, em 1940, montei um escritório pequeno que durou até 1952. Em 1945, eu me casei e pedi uma máquina fotográfica emprestada, comprei uns três filmes e não perdi uma foto, mas não tinha prática nem técnica. Na minha turma de Ciências Contábeis tinha um rapaz que também era filho de espanhóis e na família dele quase todo mundo lidava com fotografia. Ele então começou a trabalhar no balcão de uma loja de fotografias na Rua 15, foi quem me vendeu minha primeira máquina. Uma máquina pequena de fole [um tipo de máquina sanfonada]. Comecei então a fotografar meus filhos, além de fotos que tirava na rua porque levava a máquina sempre comigo, mas sem pretensão nenhuma.

“A Revolta dos Passageiros”, de 1947 ©German Lorca/Reprodução

Um dia, eu estava na Praça da Sé [em São Paulo], porque tinha ido a uma repartição pública a trabalho e, quando estava na Praça Clóvis, eu vi uma fumaça lá longe, na Avenida Rangel Pestana e fiquei curioso. Fui até lá com a máquina e era fogo nos bondes, foi uma das minhas primeiras fotos [“Revolta dos Passageiros”, de 1947], que guardei e nem dei muita importância. Nesse meio tempo eu sempre fotografava meus filhos, até que um tio meu, marido da minha tia, que era engenheiro, me sugeriu a aprender fotografia. As coisas não eram fáceis, eu morava com minha mulher e três filhos em uma casa simples no Brás e os cursos de fotografia naquele tempo eram de laboratório, você só aprendia a revelar… e eu queria uma coisa melhor.

Depois de pesquisar algum tempo descobri o Foto Clube, frequentado por industriais, advogados, médicos, engenheiros, enfim, gente que tinha boas condições financeiras e máquinas boas, ao contrário de mim. Pouco depois, montei uma sociedade geográfica brasileira com alguns amigos, incluindo dois tios meus, com o objetivo de ajudar no desenvolvimento do país, mas tínhamos dificuldades de dinheiro porque não podíamos investir muito. O projeto não durou muito, mas eu continuei como contador e fotógrafo e, nessa sociedade geográfica, conheci uma pessoa que tinha uma indústria que me chamou para fazer umas fotos do local. Fui lá e fiz umas fotos bem caprichadas…o resultado foi que ganhei mais em uma semana como fotógrafo do que ganhava quase em um mês com Contabilidade!

Daí eu pensei: “acho que está na hora de mudar” – o que não foi bem visto pelo meu pai – mas comecei a me aventurar: ao mesmo tempo que tinha o escritório passei a fazer trabalhos de fotografia e reportagem, onde comecei a crescer e trabalhar com agência fotografando também casamentos, inaugurações, etc. Com isso acabei entrando nesse rumo da propaganda e montei meu primeiro estúdio na Av. Lins de Vasconcelos, no Cambuci, que depois transferimos para a Vila Mariana. Larguei então as reportagens, mas continuei participando dos concursos no Foto Clube, e me destaquei porque estava todo tempo pensando em fotografia. Os amadores só pensavam em fotografia no fim de semana, eu pensava todos os dias. A partir daí o negócio foi para frente e larguei de vez a contabilidade.

“À Procura de Emprego”, de 1951 ©German Lorca/Reprodução

Como foi o desenvolvimento da sua técnica e do seu estilo?

No Foto Clube, tinha gente muito intelectualizada e que procurava estudar as técnicas de fotografia. Tinha um especificamente, o Sr. Francisco Albuquerque, que veio do Nordeste e tinha trabalhado na base americana de Natal e com o [diretor americano] Orson Welles, e que possuía um pequeno estúdio em Fortaleza, no Ceará, a família dele toda era composta por fotógrafos. Ele veio para o Sudeste, primeiro para o Rio de Janeiro e depois para São Paulo, em busca de mais oportunidades e começou a trabalhar com agências. Ele me ensinou muita coisa que tinha aprendido com os americanos.

Com o passar do tempo fui aprendendo cada vez mais e até ganhei prêmios, como profissional e amador. Na Argentina, ganhei uma medalha de ouro e na Suíça um diploma por uma exposição. Mais ou menos em 1954, eu larguei do Foto Clube e comecei só a fazer fotografias para mim, que depois guardava. Em 1952, fiz minha primeira exposição no MAM-SP [Museu de Arte Moderna], que ainda era na Rua 7 de Abril, próximo ao MASP, que também era ali. A técnica e composição fui desenvolvendo com o tempo mesmo e assim me tornei esse velho fotógrafo.

E as suas temáticas? A cidade de São Paulo parece uma constante em suas fotografias, foi algo intencional desde o início?

Muitas temáticas eram propostas pelo Foto Clube. Tinha concursos de temas variados, como chuva, textura, arquitetura, eu inclusive ganhei alguns prêmios desses concursos. A maioria eram trabalhos bem feitos, tinham pessoas especializadas em retratos, arquitetura, fotos de modelos e artistas, entre outras coisas.

“Menina na Chuva”, de 1951 ©German Lorca/Reprodução

No começo, eu fazia muitos casamentos, mas me cansei porque eles iam sempre até muito tarde. Algumas das fotografias da exposição [“German Lorca fotografias: acontece ou faz acontecer?”, em cartaz no MAM-SP] surgiram dos concursos do Foto Clube, outras eu fiz por minha conta própria. O que eu sempre digo é que a fotografia acontece para o fotógrafo, quer dizer, às vezes ele está andando na rua e vê uma cena boa e é o momento decisivo, como dizia o [Henri] Cartier-Bresson. Você vê e tem que fotografar, se não o momento acaba. Mas você também pode montar uma foto, aquela da menina na chuva [“Menina na Chuva”, de 1951], por exemplo, foi construída para um concurso do Foto Clube.

Fotografei muitos lugares icônicos de São Paulo e por isso fui escolhido, em 1954, para documentar a cerimônia do IV Centenário da cidade; fui o único fotógrafo oficial, fiz as fotos da catedral e do desfile. O Getúlio [Vargas], o [Lucas Nogueira] Garcez, o Jânio [Quadros], o Milton Campos e o Juscelino Kubitschek foram. Fizeram também a cerimônia de 450 anos e como eu era o fotógrafo mais velho e a Caixa Econômica [Federal] estava fazendo um livro, eles me sortearam para que eu cobrisse a Praça da Sé e a Catedral, e aí fizemos o livro.

A escolha por retratar São Paulo foi uma escolha minha ao longo das décadas. Do tempo que eu comecei até hoje a cidade mudou muito e eu gosto de registrar essas mudanças, então muitas vezes tento voltar aos mesmos lugares em que estive há anos para fotografar o crescimento de São Paulo.

“Parque D. Pedro”, de 1949 ©German Lorca/Reprodução

Quando o Sr. começou a se atualizar em relação à fotografia digital?

Muita gente acha que fotografia digital tem menos valor, mas uma obra de arte é sempre uma obra de arte. Os recursos para fazer uma fotografia digital são melhores que para fazer uma imagem analógica. Faz mais ou menos uns cinco anos que eu passei a digitalizar minhas fotos. Tem fotos que eu faço com filme em branco e preto e passo para o computador.

No Foto Clube, a gente aprendia muita composição, mas às vezes uma fotografia não precisa de composição e sim de impacto visual.

E como foi a adaptação à fotografia digital?

Bom, as minhas fotografias quase todas partiram de negativos que eu transformei para digital por causa da facilidade de cópia. E eu também, com 80 e poucos anos não ia entrar no laboratório e ficar lá por mais de quatro horas, não consigo. No computador, posso corrigir muito mais para conseguir qualidade, que melhora na fotografia digital. O contraste melhora; antes fazíamos tudo no laboratório com banhos diferentes, já hoje não é preciso mais ficar horas no ampliador. Claro que não sou eu que edito diretamente, não entendo muito de computador, mas fico do lado do rapaz dizendo o que fazer.

E eu também uso máquinas digitais, tenho duas Leica e aqui no estúdio só se faz fotografia digital. A forma de pensar também não mudou, para mim funciona do mesmo jeito que antigamente. O problema é que com o acontecimento da fotografia digital tem gente que bate fotos “adoidadamente”, mas é preciso ter uma consciência profissional e de arte para fazer fotografia.

Como é viver de fotografia no Brasil?

No começo foi difícil, porque tive que aprender “na raça”, como dizem. E alguns fotógrafos vinham do estrangeiro com capacidade profissional muito elevada, lá fora tinham escolas muito boas desde aquele tempo. Aqui estão surgindo cursos bons há pouco.

“Demônios e o Padre”, de 1956 ©German Lorca/Reprodução

Como é sua rotina de trabalho hoje?

Eu agora não posso trabalhar muito porque eu já estou velho (risos). Faço algumas fotos quando viajo. Ano passado, por exemplo, fui para os Estados Unidos com meu filho e fiz mais de 200 fotos, vou escolher umas 50 ou 40. Sempre faço alguma coisa porque talvez ainda tenha o olho para fazer composições e para enxergar o assunto.

E a fotografia colorida, o Sr. gosta e já se arriscou?

Agora estou preparando uma exposição inédita com fotografias a cores, estou só esperando o local. Já foram selecionadas mais de 100 fotos coloridas. Você viu a exposição do alemão [Wolfgang Tillmans] lá no MAM-SP? Eu não faria certas coisas que eu vi ali, fiz coisas modernas, mas o alemão fotografa qualquer coisa e coloca na parede, isso eu não faço. A fotografia precisa ter alguma emoção para mostrar pra gente, pode ser que para alguns seja válido aquilo que ele faz, mas para mim, não.

“Exposição German Lorca fotografias: acontece ou faz acontecer?” @ MAM-SP 
Endereço: Parque do Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3)
Visitação: 28 de março a 27 de maio de 2012
Horários: terça a domingo, das 10h às 17h30
Tel.: (11) 5085-1300
Entrada gratuita

+ Confira mais fotografias de German Lorca na galeria abaixo:

German-Lorca,-Aeroporto,-1965
©German Lorca/Reprodução
''Aeroporto'', de 1965

Fotografias feitas com o Google Street View questionam arte e autoria

26/03/2012

por | Techno

“#29.942566, New Orleans, LA. 2008.”, 2009 ©Doug Rickard/Reprodução/Google Street View

Novas formas de lidar com a fotografia surgem a todo momento, ainda mais em uma era completamente tecnológica. Também, o dilema da fotografia como arte não é novo. Baudelaire, em 1859, disse em uma carta a uma revista francesa: “… a indústria fotográfica foi o refúgio de todos os pintores fracassados, demasiado mal dotados ou preguiçosos para acabar seus estudos. Esse deslumbramento universal teve não somente o caráter de cegueira e imbecilidade, mas também, a cor de uma vingança”. Podemos imaginar o que ele diria caso vivesse nos tempos de hoje, em que está em voga formas de reprodução, apropriação, colagem e ressignificação de imagens. Porém, no meio do caminho surgiram Duchamps, Warhols e Banksys, dando uma nova visão a toda essa história. Assim também, o conceito de arte, com toda a polêmica que assombra o uso da palavra, e sua apreciação tomaram rumos diferentes e positivos.

“#32.700542, Dallas, TX. 2009.” 2010 ©Doug Rickard/Reprodução/Google Street View

O artista Doug Rickard estava em uma lista de seis artistas escolhidos pelo MoMA em Nova York para compor a exposição New Photography 2011. O nome diz tudo. Mostrar o trabalho de fotógrafos que exemplifiquem a diversidade de estilos e técnicas da fotografia de hoje. Inspirado pela sua formação em história e sociologia, em seu projeto “A new american picture” (“Uma nova visão da América” em tradução livre), ele realizou uma extensa pesquisa de lugares nos Estados Unidos com extremos índices de desemprego e baixa educação. Por meio de uma viagem virtual pelo Google Street View, registrou cenas da pobreza americana em belas imagens com cores fortes feitas diretamente da tela do computador. De certa forma, um voyeur do voyeur, as fotos mostram o lado do sonho americano que não deu certo. Para reforçar a ideia, Doug fez questão de usar somente as imagens de baixa resolução feitas pelas câmeras nos carros do Google, já que notou uma diferença na qualidade das imagens de Manhattan com as dos subúrbios de Detroit, por exemplo.

Doug Rickard conta sobre o seu processo criativo e influências:

Algumas imagens parecem cenas de filmes, mas são, na verdade, cenas da vida real. Veja abaixo algumas imagens da série de Doug Rickard:

Doug Rickard - Google Street View
"A New American Picture" ©Doug Pickard/Reprodução/Google Street View

Fotógrafo Helmut Newton ganha retrospectiva em Paris; saiba mais

19/03/2012

por | Cultura Pop

Fotografia de 1976 ©Helmut Newton/Reprodução

Provocativa e impactante, a fotografia de Helmut Newton é marcada pelo erotismo, pelo choque da opulência fantasiosa da moda à sensualidade, muitas vezes explícita, da figura feminina. As imagens criadas por Newton, com destaque para seu trabalho autoral e junto a “Vogue” francesa, ajudaram a introduzir o nu nas publicações de moda e a definir os padrões de beleza do século 20. A partir do dia 24 deste mês, o Grand Palais, em Paris, apresenta uma vasta retrospectiva com mais de 200 obras do fotógrafo alemão, falecido em 2004.

©Helmut Newton/Reprodução

Sob curadoria de June Newton, viúva do fotógrafo, a exposição no Grand Palais é um tributo à cidade que rendeu ao alemão suas imagens mais icônicas. Nascido Helmut Neustadter em 1920 em uma família judia de Berlim, Newton teve contato com sua sexualidade desde cedo: seu irmão mais velho o levou ainda pequeno às zonas de prostituição da capital alemã – tais experiências viriam a influenciar fortemente seu trabalho futuro e os estudos do corpo feminino que empreendeu e que alteraram o curso da fotografia moderna.

Em 1936, aos 16 anos, Newton conseguiu seu primeiro emprego: assistente da fotógrafa Else Neulander Simon, conhecida profissionalmente como “Yva”. A experiência, no entanto, não durou muito: em 1938, sob pressão do governo antissemita já em vigor na Alemanha, Simon fechou seu estúdio (e, posteriormente, morreu em um campo de concentração) e Newton mudou-se para Singapura, onde trabalhou como fotojornalista por um breve período no “The Strait Times”. Pouco depois, Newton foi para Melbourne, Austrália.

©Helmut Newton/Reprodução

Na Austrália, ele serviu ao exército do país durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e, findo o conflito, abriu seu primeiro estúdio fotográfico com o intuito de ganhar a vida na profissão que sempre sonhou. Neste mesmo período, o alemão conquistou a cidadania australiana e conheceu a atriz June Brunell, que, em 1948, tornou-se sua esposa e companheira de toda a vida. Apesar de conquistar muitos trabalhos locais e fotografar para a “Vogue” australiana, a carreira de Newton só foi decolar com a sua mudança para Paris, em 1961 (antes da capital francesa, Newton viveu alguns meses em Londres, onde colaborou com a “Vogue” inglesa).

Em Paris, Newton e sua esposa se estabeleceram no bairro boêmio do Marais. Na cidade, o fotógrafo conquistou um posto efetivo na “Vogue” francesa e, ocasionalmente, desenvolvia editoriais para a edição britânica da revista, além de colaborar com outras publicações como “Queen”, “Playboy”, “Harper’s Bazaar” e “Elle”. Nos muitos anos em que viveu na França, Newton criou imagens icônicas e aperfeiçoou seu estilo, contribuindo para a introdução de elementos eróticos e fetichistas na indústria da moda, até então relativamente dominada pelo tradicionalismo.

©Helmut Newton/Reprodução

Em 1981, já com muitos prêmios no currículo, uma nova mudança: Newton tornou Mônaco sua residência, mas durante os meses de inverno passava temporadas na ensolarada Los Angeles. A trajetória profissional de Helmut Newton manteve-se sempre ascendente, até seu falecimento em 2004, em consequência de um acidente de carro no famoso hotel Chateau Marmont. Após sua morte, June Newton, que também adotou a fotografia como profissão em meados da década de 1970 sob o pseudônimo de Alice Springs, criou na Alemanha a Fundação Helmut Newton para preservação do trabalho de ambos. Para esta retrospectiva no Grand Palais, June criou um curta-metragem em homenagem ao marido (“Newton by June”; veja o teaser abaixo).

Helmut Newton @ Grand Palais
Avenida Winston Churchill, 75008
Paris, França
24 de março a 17 de junho de 2012
+ Site

+ Conheça a trajetória de outros mestres da fotografia:
- Deborah Turbeville
- Paolo Roversi

Confira na galeria abaixo mais trabalhos de Helmut Newton:

Helmut-Newton
©Helmut Newton/Reprodução

A beleza etérea da fotografia autoral de Deborah Turbeville

14/02/2012

por | Cultura Pop, Gente

Kerim Ragimov e Olga Rastrosta, São Petersburgo, 1996 ©Deborah Turbeville/Reprodução

A fotografia é a arte de capturar a mágica do instante, tornando-o eterno: as imagens, capazes de superar o tempo e o espaço, têm o poder de atingir pessoas com as mais distintas experiências e personalidades. A força – e a disseminação – de tais imagens, no entanto, é por vezes tão esmagadora que encobre seus próprios criadores. Quem associa os poéticos retratos de Paolo Roversi a sua figura física? Ou, mais extensivamente ainda, quantos se lembram do rosto de Edvard Munch diante do quadro “O Grito”? Há, decerto, artistas que se convertem em estrelas midiáticas e, por motivação particular ou não, acabam por vincular suas obras à vida pessoal – como desassociar, por exemplo, o trabalho de Andy Warhol de sua polêmica persona? A fotógrafa americana Deborah Turbeville foi uma das primeiras mulheres a conquistar um espaço nesse segmento até então dominado por homens e, ao longo dos mais de 35 anos de carreira, manteve-se sempre discreta por trás das lentes, dando prioridade a sua criação autoral, de uma beleza ímpar.

Fotografias para as revistas “Vogue Pelle”, 1982 e “Nova”, 1973 ©Deborah Turbeville/Reprodução

Apesar de colaborar frequentemente com publicações como as revistas “W”, “V”, “Grey” e diversas edições da “Vogue”, Deborah Turbeville nunca se considerou uma fotógrafa de moda. Sua carreira, que começou quase que por acidente, sempre foi direcionada para atender suas referências e desejos pessoais: o amor pelo cinema atmosférico de Rainer Werner Fassbinder, Luchino Visconti e Jean Cocteau, que inspirou de forma definitiva seu estilo, o fascínio por São Petersburgo e Paris e a preferência por retratar artistas ou personagens reais em lugar de modelos são percebidos com facilidade mesmo em seus trabalhos mais comerciais. Turbeville, que nasceu em 1938 no estado de Massachussetts, Estados Unidos, cresceu rodeada por adultos. Sua grande timidez, os poucos amigos e o isolamento durante os verões na longínqua cidade de Ogunquit moldaram a personalidade e a obra da americana.

Em meados de 1957, com aproximadamente 20 anos, Deborah Turbeville mudou-se sozinha para Nova York. Lá, trabalhou como modelo de prova e depois como assistente da estilista americana Claire McCardell. Logo após, a americana conseguiu um emprego na “Harper’s Bazaar”: “Quando eu fui trabalhar na Bazaar, em 1963, era um período incrível para a fotografia de moda. (…) Duas vezes por ano eles produziam um imenso portfólio de crianças e disseram: Venha com uma boa ideia e nós lhe atribuiremos um fotógrafo”, comentou em recente entrevista ao Style. Ao lado de Bob Richardson (pai de Terry Richardson), Turbeville atuou como stylist e ambos conquistaram relativo êxito até serem presos em um rancho no Texas e serem “convidados” a deixar a revista.

Fotografia para a “Vogue” italiana de 1978 ©Deborah Turbeville/Reprodução

Ao deixar a “Harper’s Bazaar”, Deborah Turbeville fez algumas importantes matérias em colaboração com Diane Arbus e Richard Avedon. Esse último, inclusive, tornou-se uma espécie de mentor e incentivador da americana. A partir daí, Turbeville comprou sua primeira máquina – uma Pentax – e, simultaneamente ao novo trabalho na “Mademoiselle”, começou a fotografar seus próprios editoriais para a revista: “[exercer as funções de stylist e fotógrafa] me ajudou porque eu não precisei a princípio ganhar a vida como fotógrafa. Eu nunca teria conseguido. Minhas imagens tinham um foco sútil, era uma coisa completamente nova”.

Da mesma maneira que a paixão pela fotografia surgiu em decorrência das circunstâncias, o estilo adotado por Deborah Turbeville também foi em parte acidental: “Começou em consequência da forma que eu utilizava a câmera. Eu tinha lentes de foco muito suave e gostava desse tipo de foco, tudo saía muito suave”, justificou a fotógrafa ao Style. As imagens criadas pela americana parecem sempre dotadas de uma atmosfera fantasmagórica, enquanto que os protagonistas retratados guardam uma melancolia aparentemente indolor – eles não precisam gesticular ou derramar lágrimas para causarem no “espectador” um forte sentimento de nostalgia e piedade. A obra de Turbeville possui unidade – a beleza etérea de seus elementos é borrada, misteriosa, passional, quase como se aqueles seres estivessem a ponto de se desintegrar.

“Bathhouse”, 1975  ©Deborah Turbeville/Reprodução

Além das reproduções mais autorais, sua obra abrange imagens de moda icônicas e revolucionárias para seu tempo. Em 1975, a americana fez uma de suas fotografias mais importantes e talvez a mais polêmica: em um trabalho para a “Vogue” de seu país, capturou cinco garotas trajadas informalmente em um enorme banheiro. Para olhos acostumados à sociedade do espetáculo deste século XXI, a imagem pode não causar nenhum impacto, mas à época a repercussão foi massiva: “Quando ela foi publicada, várias pessoas cancelaram suas assinaturas. Disseram que era ofensiva e que parecia com Dachau [campo de concentração nazista construído em 1933] ou com viciadas em drogas. Eu sabia que o que estávamos fazendo era diferente, mas nunca imaginaria que se chegaria a isso”, relembrou Turbeville.

Com “Bathhouse”, Deborah Turbeville reservou para si um espaço de destaque no universo masculino da fotografia e abriu caminho para que outras mulheres a seguissem. Como ao longo de sua vida deu prioridade às criações autorais, a americana só lançou um livro com suas principais imagens de moda em outubro de 2011. “The Fashion Pictures” conta com uma introdução de Franca Sozzani, editora-chefe da “Vogue” italiana, e traz mais de 300 páginas de reproduções memoráveis tiradas de editorais e campanhas publicitárias. A obra de Deborah Turbeville é como respirar ar puro em meio ao sufocante mundo plastificado de photoshop.

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©Deborah Turbeville/Reprodução
Fotografias da exposição ''The Russian Years'' 1995-2005

Paolo Roversi, ícone da fotografia, ganha mostra em Londres

08/02/2012

por | Cultura Pop

“Guinevere sitting on table”, 2004 ©Paolo Roversi/Reprodução

Por meio da fotografia, minúsculos instantes da existência transformam-se em eternidade. Momentos célebres da história humana equivalem a curtos espaços de tempo considerados banais tornando-se transcendentalmente belos. Os artistas capazes de estabelecer tamanho encantamento são também donos de estilos ímpares, que os convertem em ícones quase tão simbólicos quanto as imagens a que dão vida. O italiano Paolo Roversi é um desses nomes que, a partir da composição de uma identidade única, ganharam reconhecimento internacional e ultrapassaram a barreira da fotografia de moda. Desde o dia 3 de fevereiro, a galeria londrina The Wapping Project Bankside está sediando uma mostra de alguns dos mais primorosos trabalhos de Roversi, incluindo muitos retratos da modelo Guinevere van Seenus, sua maior musa, e de seu estúdio em Paris.

A profunda relação que Paolo Roversi estabeleceu com a fotografia teve início em 1964 quando, aos 17 anos, viajou de férias com a família para a Espanha. Ao retornar à pequena cidade de Ravenna, na Itália, uniu-se a um amigo e montou um quarto escuro para revelar e imprimir suas primeiras imagens em preto e branco. Após um período acompanhando o trabalho de Nevio Natali, fotógrafo local a quem Roversi credita grande parte de seu aprendizado técnico inicial, o italiano passou a colaborar, em 1970, com a “Associated Press”, onde, logo em seu trabalho de estreia, foi a Veneza para cobrir o funeral do poeta modernista Ezra Pound.

“Guinevere sitting with Goupai” e “Guinevere in yellow dress”, ambas de 1996 ©Paolo Roversi/Reprodução

“My Camera”, 2002 ©Paolo Roversi/Reprodução

Ainda em 1970, Paolo Roversi abriu em Ravenna seu primeiro estúdio profissional e, ao lado do amigo Giancarlo Gramantieri, permaneceu fotografando celebridades locais até que, no ano seguinte, conheceu Peter Knapp, diretor de arte da “Elle”. A convite de Knapp, o fotógrafo foi a Paris em novembro de 1973… e nunca mais voltou. Na capital francesa, Roversi começou a trabalhar como fotojornalista e, por meio de seu novo ciclo de amigos e da descoberta das obras de mestres como Richard Avedon, Irving Penn, Helmut Newton e Guy Bourdin, se aproximou da fotografia de moda. Em 1974, o italiano tornou-se assistente do fotógrafo britânico Lawrence Sackmann, função que exerceu por nove meses até conseguir publicar seus trabalhos em revistas como “Elle”, “Depeche Mode” e “Marie Claire”.

Paolo Roversi só conquistou visibilidade internacional, no entanto, em 1980, quando fotografou uma campanha de beleza da Christian Dior. Coincidentemente, nesse mesmo período o italiano começou a usar o filme formato 8×10, que viria a se tornar uma de suas marcas registradas. Outras características da identidade visual construída por Paolo Roversi ao longo de sua carreira são a preferência por retratos austeros em preto e branco e a profundidade que parece desnudar qualquer ser ou objeto capturados por suas lentes, além da predileção por fotos feitas em estúdio.

Natalia Vodianova para “Egoïste” #15 ©Paolo Roversi/Reprodução

À parte às imagens autorais, Paolo Roversi também empreendeu inúmeros catálogos e campanhas publicitárias de marcas como Comme des Garçons, Yohji Yamamoto, Guerlain, Hermès e Alberta Ferretti. O fotógrafo, fiel colaborador da “Vogue” italiana, já lançou mais de cinco livros, incluindo os famosos “Studio”, que conta com mais de 20 anos de imagens feitas em seu estúdio em Paris, e “Nudi”, composto só de imagens de nus femininos. Quem estiver com passagem marcada para Londres não pode perder a exposição, que fica em cartaz até o dia 31 de março e traz algumas das fotografias mais icônicas e poéticas de Roversi, um dos maiores fotógrafos dos séculos XX e XXI.

Paolo Roversi @ Galeria The Wapping Project Bankside, Londres
65a Hopton Street, Londres SE1 9LR
De 3 de fevereiro a 31 de março de 2012

i-d2011
©Paolo Roversi/Reprodução
Capa da ''i-D'' de verão 2011

Projeto fotográfico sobre o amor “embala” casais a vácuo

30/01/2012

por | Cultura Pop

Suzu&Miki, 2011 ©Reprodução

A expressão de ideias e sentimentos é o que torna a arte tão poderosa. As telas podem ser destruídas, os livros queimados e as fotografias rasgadas, mas o conceito por trás deles é capaz de permanecer e se disseminar ao longo dos anos. Esse raciocínio foi o ponto de partida para que um japonês, autodenominado “Photographer Hal”, iniciasse a série “Flesh Love”, onde busca capturar a essência do amor por meio de casais embalados a vácuo.

Hal, que cresceu e reside em Tóquio, começou a fotografar após uma viagem pela Índia e Oriente Médio: “A câmera se tornou a chave para superar a timidez e a limitação da linguagem local”, conta em seu website. Ao voltar para o Japão, ele adotou a fotografia como sua profissão e, através das lentes, passou a capturar o amor em imagens. A busca do artista, no entanto, não se reduz apenas à representação óbvia do sentimento romântico.

Anie&Uesugi, 2011 ©Reprodução

A partir do impacto das imagens, Hal pretende questionar problemas tão antigos quanto o próprio homem: “De duas pessoas a um grupo, de uma vila a uma comunidade, de uma cidade a um país, de fronteira a fronteira, o anel do amor deve prevalecer. Eu comecei a criar o meu [anel do amor] na cidade de Tóquio, acreditando que um dia um mundo pacífico e sem segregação e discriminação se tornará real”. A intenção do japonês pode não parecer explícita, mas suas fotografias trazem sensações que variam da admiração à agonia: os casais, escolhidos por Hal pelas ruas de Tóquio, se misturam de modo tão intenso que dão a impressão de se transformar em um único ser.

O desconforto causado pelos casais lacrados é quebrado com o uso de cores no plano de fundo ou nas próprias roupas dos protagonistas das fotografias, que em sua maioria parecem ter saído dos clássicos desenhos japoneses ou, no mínimo, do famoso bairro Harajuku. A poesia da série vai além das próprias imagens já que Hal retrata uma verdadeira democracia do afeto, sem distinções de etnia ou sexualidade.

Hal
©Reprodução
Lim&Kyohei, 2011

#Lado B: conheça a faceta fotógrafa da top Saskia de Brauw

19/01/2012

por | Gente, Moda

Capa da publicação de Saskia de Brauw, “Traces” ©Reprodução

Saskia de Brauw nasceu em 19 de abril de 1981 em uma vila perto de Amsterdam, na Holanda. Com apenas 16 anos iniciou o que parecia ser uma promissora carreira como modelo, que terminou um ano depois para se dedicar a outra das suas paixões: Arte e Fotografia. A sua educação artística inclui um ano em Fotografia, um ano em Arte e cinco anos de formação universitária que lhe deram um estatuto de Bacharel em Design na Gerrit Rietveld Academie de Amsterdam, concluído em 2008.

De Brauw mantém um blog que atualiza frequentemente desde 2009, onde fala sobre as viagens que faz, as coisas que encontra e a sua visão sobre as mesmas; ela mantém também um site que a artista intitulou de “Saskia de Brauw: view from my window” (A vista da minha janela), que reúne seu trabalho de fotografia e arte anteriormente publicado em 2009 em “Traces”, uma espécie de portfólio impresso que, como o próprio nome indica, fala, com ajuda de citações de alguns dos autores preferidos de De Brauw como James Joyce e Peter Brook, sobre os traços que as pessoas deixam para trás enquanto se movem pelo espaço e que histórias eles contam. Esses traços são um resultado da observação da artista da relação entre o corpo, muitas vezes o da própria Saskia, e o espaço que o rodeia por meio de diversas mídias como fotografia, vídeo e animações, performances e instalações tais como linhas pintadas na estrada.

Observação dos traços que deixam os passos dos visitantes da Praça Anton Kom, Amsterdam, 2005 ©Saskia Brauw/Reprodução

Depois da conclusão do seu curso, e com o objetivo de viver só da arte e da fotografia, a ex futura modelo trabalhou com crianças pequenas, foi garçonete e trabalhou em uma padaria.

A diferença é que ela o fazia não para estar em frente às câmeras mas sim para estar atrás.

Hoje a artista plástica sediada em Amsterdam, onde trabalha e vive, é também uma renomada modelo internacional, com inúmeras capas de revistas internacionais, muitas presenças em passarelas de Nova York, Londres, Paris e Milão para marcas como Vera Wang, Narciso Rodriguez, D&G e Tom Ford e é considerada musa por vários designers.

Conheça abaixo um pouco mais do trabalho de Saskia de Brauw. A fotógrafa, não a modelo.

Buurse, 2005 ©Saskia de  Brauw/Reprodução

Room II The Dutch Seaside, 2005 ©Saskia de Brauw/Reprodução

Fotografia de Saskia de Brauw ©Saskia de Brauw/Reprodução

Room III My Bedroom, Amsterdam 2005 ©Saskia de Brauw/Reprodução

Depois da crise, Annie Leibovitz lança livro poético e cheio de nostalgia

04/01/2012

por | Gente

Fotografia que compõe o novo livro de Annie Leibovitz ©Reprodução

Conhecida pelas majestosas – e muitas vezes poéticas – fotografias de músicos, modelos e estrelas do cinema, Annie Leibovitz está lançando um livro com uma estética completamente diferente da que a consagrou. Em “Pilgrimage”, a americana apresenta um compêndio de imagens que retratam lugares e objetos que fazem parte de sua memória afetiva.

A ideia para o livro – o décimo de Annie Leibovitz – surgiu, no entanto, há mais de oito anos quando ela e sua parceira, a ensaísta Susan Sontag, planejavam editar uma coletânea com imagens de lugares que as marcaram durante a vida. As duas chegaram até a fazer listas de onde visitariam, mas Sontag faleceu de câncer em 2004 e Leibovitz abandonou o projeto.

Em 2009, Annie Leibovitz fez uma viagem às Cataratas do Niágara com suas três filhas e, fascinada com o deslumbramento das crianças com a força das águas, capturou a paisagem em uma fotografia que se tornaria a capa do livro sonhado com Sontag. A jornada que reacendeu o desejo da fotógrafa de publicar uma obra tão subjetiva ocorreu em um período em que Leibovitz se encontrava com problemas graves com a justiça americana: o grupo Art Capital Group processou a americana alegando que ela devia milhões em empréstimos e honorários, além de outras várias dívidas adquiridas ao longo de sua carreira. Comentando o lançamento de “Pilgrimage” e a época turbulenta com o “The New York Times”, Annie Leibovitz contou que foi aconselhada muitas vezes a desistir do projeto: “Constantemente me diziam que este livro não traria dinheiro e que eu deveria deixá-lo de lado, mas eu realmente queria fazê-lo. Eu precisava salvar minha alma”.

A fotografia tirada nas Cataratas do Niágara ©Reprodução

Além das fotografias tiradas nas Cataratas do Niágara, o mais novo livro de Leibovitz traz imagens da casa da escritora Virginia Woolf, do divã de Sigmund Freud, da coleção de espécimes do biólogo Charles Darwin e do único vestido “sobrevivente” da escritora Emily Dickinson, entre outras. O processo de feitura da obra foi uma verdadeira peregrinação (daí o título); Annie Leibovitz passou de lugares desabitados como o Parque Nacional de Yellowstone, no Wyoming, até grandes metrópoles como Londres.

O resultado de toda esta jornada é um livro cheio de imagens nostálgicas, que contam um pouco sobre a personalidade de Annie Leibovitz e sobre o impacto do projeto na vida da fotógrafa: “Agora, quando eu tiro uma fotografia, eu posso dizer que sinto a peregrinação nela. A crueza. A simplicidade. Estou focando no que realmente importa”.

Para quem se interessar, algumas fotografias de “Pilgrimage” também podem ser conferidas a partir de 20 de janeiro na Smithsonian American Art Museum, que fica em Washington. Já quem quiser adquirir o livro, é fácil encontrá-lo no Amazon.

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©Annie Leibovitz/Reprodução
Capa do livro ''Pilgrimage'', de Annie Leibovitz

De Londres: a parceria criativa que transforma moda em bela arte

19/12/2011

por | Moda

©Erik Madigan Heck

Erik Madigan Heck, fotógrafo sediado em Nova York, colaborador da revista “Nomenus Quarterly” (uma das revistas mais caras do mundo) e do portal Nowness.com, apresenta as peças da coleção Primavera/Verão 2012 (“Florals”) da designer grega Mary Katrantzou como nunca as vimos antes. Ou melhor, como sempre as devíamos ter visto.

©Erik Madigan Heck

Heck, que no auge dos seus 27 anos já fotografou para Kenzo, Rodarte, Comme des Garçons e Valentino, fala que foram os trabalhos com Katrantzou que deram um novo direcionamento ao seu portfolio.

Inspirado em pinturas francesas do século XIX, o fotógrafo, que já tinha fotografado a coleção de Outono/Inverno 2011 “Surreal Planes”, procurou, com o trabalho com Katrantzou, aproximar ao máximo a fotografia da pintura, com bastante trabalho de pós-produção e edição de imagem, a fim de eliminar elementos fotográficos típicos e de enquadrar as peças em ambientes intimamente ligados à pintura em si.

©Erik Madigan Heck

O que não foi difícil, visto que as peças da designer ajudam. A explosão de estampas, cor, e a estética hiper-realista de Katrantzou permitem a qualquer pessoa que trabalhe com as suas criações dar asas à imaginação e perder-se na magnificência da sua proposta.

Mary Katrantzou está sediada em Londres, onde apresenta desde 2009 as suas coleções no London Fashion Week; ela ganhou em 2011 o prêmio de Talento Emergente – Ready-to-Wear no British Fashion Awards.

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©Erik Madigan Heck
Mary Katrantzou by Erik Madigan Heck

Polêmica: fotos de crianças com cigarro causam desconforto e geram discussões

12/12/2011

por | Cultura Pop

Imagem da série  “A beleza de um vício feio” ©Frieke Janssens/Reprodução

A arte é usada constantemente para causar reflexão. Através do impacto de uma imagem, ou um texto, diversos artistas se propuseram a questionar aspectos da vida em sociedade, considerados banais ou não. A fotógrafa belga Frieke Janssens resolveu discutir o hábito de fumar e as leis antitabagistas unindo elementos que na maioria das vezes são opostos entre si: crianças e nicotina. A série intitulada “A beleza de um vício feio” (“The beauty of an ugly addiction”) traz meninas e meninos entre quatro e nove anos vestidos de maneira retrô em poses imponentes e portando cigarros, cigarrilhas ou charutos.

As fotografias, esteticamente belas, porém chocantes, têm um ar melancólico e decadente que lembra a atmosfera de um filme noir. O intuito de Frieke é confrontar a imagem de glamour do ato de fumar, propagada por tantos anos pela indústria do entretenimento, com o vício prejudicial que ele realmente é. A inspiração para o projeto veio a partir de um vídeo, postado na internet, que apresentava um bebê indonésio que chegava a consumir 40 cigarros diariamente. Questionada sobre a polêmica série, a belga se defendeu afirmando que ao colocar crianças no lugar de adultos, a atenção se voltaria completamente para o fumo.

“Candy Cigarette”, de 1989 ©Sally Mann/Reprodução

Todavia, a proposta de Janssens não foi assim tão inovadora. O artista plástico israelense Nir Hod e a fotógrafa americana Sally Mann já fizeram obras com fio condutor semelhante ao da série da belga de apenas 31 anos. Na exibição “Genius”, Hod produziu mais de 50 pinturas de jovens e crianças com roupas de época e cigarros em mãos. Já Mann criou em “At Twelve: Portraits of Young Women”, de 1988, uma de suas imagens mais icônicas, que mostra uma garota de menos de 12 anos displicentemente segurando um cigarro.

Se o objetivo de Frieke Janssens foi criar polêmica e repercutir seu trabalho ou realmente pensar a respeito dos malefícios da nicotina, não é possível saber ao certo. As imagens, no entanto, causam verdadeiro desconforto e ponderação, mesmo com a informação de que os cigarros utilizados nas fotografias foram feitos de queijo e incenso.

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©Frieke Janssens/Reprodução
Imagem da série 'A beleza de um vício feio'