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RT @portalFFW: relembre os 10 discos mais incríveis de 2010!

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“MY BEAUTIFUL DARK TWISTED FANTASY” >> os delírios de grandeza do rapper Kanye West são tranformados em música – em um disco mais fácil de ser admirado do que ouvido.

“PINK FRIDAY” >> chegou a vez de Nicki Minaj tomar de assalto o mundo pop. Misturando hip-hop às suas diversas personalidades, Nicki esquenta um revival de rappers mulheres.

“EMICÍDIO” >> segunda mixtape do paulistano Emicida traz rimas certeiras, clima colaborativo e instrumental viciante.

“ESCALDANTE BANDA” >> o groove atualizado dos Garotas Suecas, que misturam funk, soul, jovem guarda e rock psicodélico no mesmo caldeirão.

“THE SUBURBS” >> Arcade Fire não inova, mas emociona qualquer fã de rock neste aguardado (e hypado) disco.

“THE ARCHANDROID” >> atirando para todos os lados -e  acertando quase sempre – Janelle Monáe provou que veio para ficar em 2010 com seu primeiro disco.

“LAS VENUS RESORT PALACE HOTEL” >> Cibelle voltou com novo disco e um pseudônimo: Sonja, a rainha de um cabaré pós-apocalíptico onde ser cafona é permitido.

“BELIM, TEXAS” >> o folk-chanson despretensioso, a produção impecável e as melodias acessíveis de Thiago Pethit renderam à ele atenção ao longo de todo o ano – e um público cada vez mais amplo e diverso.

“HIDDEN” >> a pretensão costuma ser inimiga da boa música – mas não para os These New Puritans. Neste álbum, eles apostaram alto e acertaram.

“TEEN DREAM” >> guitarras sensuais, paisagens sonoras hipnóticas e a voz já lendária de Victoria Legrand são os grandes trunfos do Beach House em seu terceiro disco de estúdio.

RT @portalFFW: relembre os 10 discos mais incríveis de 2010!

RT @portalFFW: os melhores filmes de 2010

Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1

- “THE SOCIAL NETWORK”: FILME ENQUADRA A FRIEZA DA GERAÇÃO INTERNET

- “TRON: O LEGADO”: SEQUÊNCIA DE CLÁSSICO SCI-FI ATUALIZA PÚBLICO E TRAMA

- “HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE I”: SUSPENSE E TENSÃO SEXUAL DÃO LUGAR À FANTASIA

- “PICTURE ME”: EX-MODELO ATACA INDÚSTRIA DA MODA EM DOCUMENTÁRIO

- “A ORIGEM”: THRILLER MATEMÁTICO É O FILME PIPOCA DE 2010

- “PRECIOUS”: DRAMÁTICO, PRECIOUS TEM FIGURINO ACERTADO E MARIAH CAREY

- “ONDE VIVEM OS MONSTROS”: ADAPTAÇÃO EMOCIONANTE DE SPIKE JONZE TRADUZ O IMAGINÁRIO INFANTIL

RT @portalFFW: os melhores filmes de 2010

“Enterrado Vivo” ataca burocracia moderna em thriller psicológico

Quanto tempo do seu dia você perde com burocracias? É essa a pergunta que não sai da cabeça de quem assiste “Enterrado Vivo”, que estreia nos cinemas brasileiros nesta sexta-feira (10/12).

O filme conta a história de Paul Conroy (Ryan Reynolds), um motorista americano trabalhando no Iraque. Com apenas 1 celular, 1 isqueiro e 1 faca no bolso, ele acorda dentro de um caixão, sem saber como foi parar lá, e com 90 minutos para sair antes que o oxigênio termine. Rodado em 2009, “Buried” foi dirigido pelo espanhol Rodrigo Cortés e idealizado como filme de baixo orçamento. A exibição no festival de Sundance, em março de 2010, gerou burburinho da imprensa, e pouco depois teve os direitos de distribuição comprados pela LionsGate por US$ 3,2 milhões.

Ryan Reynolds, de longe na melhor performance da sua carreira, entrega um protagonista intenso, que vai da raiva ao medo, mas na maior parte do tempo, frustração. A sensação de claustrofobia é absorvida pela plateia: são 90 minutos de closes apertados. “Acho que o mais difícil foi a solidão. Estar sozinho em um caixão, sem saber a língua local, sem saber como foi parar lá”, comentou Reynolds durante entrevista. “Mas emocionalmente foi fácil quando comparado ao desafio físico”.

Mas como salvar do tédio um filme de uma única locação, um único ator e uma única cena? O desdobramento do roteiro, assinado por Chris Sparling, responde essa pergunta: o foco sai da escapada física de Conroy e entra num resgate negociado pelo celular. Ou quase.

Assim, ele também evita a saída mais óbvia de roteiro, a épica superação dos limites humanos em situação impossível/improvável (se é isso que procura, veja de novo “Kill Bill: Vol. 2″). E escapa também de outros “atalhos” cinematográficos como flashbacks.

O diretor ainda olha _e nos faz olhar_ para questões contemporâneas, como o oversharing público de tragédias pessoais. Ou a exploração da mídia dessas tragédias (usando a tecnologia, grande inimiga da privacidade, como alicerce).  Daí para frente, Cortés investe em uma atmosfera aflita, enervante. A metáfora é sagaz: vivemos enterrados em muita burocracia. Em métodos que afastam as pessoas. E numa paranoia extrema, que nos impede de enxergar nada além de sete palmos de distância.

+ Site oficial: experienceburied.com

“Enterrado Vivo” ataca burocracia moderna em thriller psicológico

FFW resenha: filme sobre o Facebook enquadra a frieza da “geração internet”

Quando o burburinho ao redor de “The Social Network” começou, a primeira coisa que chamou a atenção do FFW estava no trailer: a antólogica “Creep”, hino deprê dos anos 1990, cantada pelo coral belga Scala and Kolacny. A escolha entrega, logo de cara, o tom que o filme dá ao seu personagem principal, Mark Zuckerberg, o criador do Facebook: dê um bilhão de dólares e um milhão de amigos a um loser, e ele continuará sozinho.

Dirigido por David Fincher (“Benjamin Button” e “Zodíaco”), o longa acompanha a criação da rede social em uma narrativa de três linhas do tempo amarradas com mão firme pelo roteiro.  Apesar de baseado em uma história real, quase tudo é ficção: o drama da vida real de Zuckerberg já dura alguns anos, ao contrário do ritmo frenético do filme.

facebookmovieO suspense é construído em cima de flashbacks, ligados aos dois principais processos que Mark levou na vida real após se tornar um bilionário. Um vem da elite de Harvard (representada pelos gêmeos Cameron e Tylor Winklevos, que deram a ideia original mas foram traídos por Mark, depois o processaram e levaram milhões); e o outro do brasileiro Eduardo Saverin, outro sócio e ex-amigo, distanciado pela presença de Sean Parker  (o fundador do Napster, em interpretação canastrona de Justin Timberlake), que coloca em cheque os valores (humanos, não numéricos) de Mark.

“Social NetWork” é um drama shakesperiano _há romance, ambição, riqueza, drama, traição_  que coloca a geração “Y” sob uma lente de aumento. A geração que vive uma realidade paralela online (a intenção inicial do site) mas tem a inteligência emocional de uma samambaia. A sensação é bem interpretada pelo protagonista, sempre inerte, que fala sempre baixo e jamais sorri, e todo o resto do elenco, distantes também pela fotografia que evita o contato físico _quase sempre os personagens estão sozinhos no quadro.

Também acerta a trilha sonora, conduzida por Trent Reznor, do Nine Inch Nails, numa constante tensão eletrônica fria e pulsante; e  a direção de arte, que retrata uma Harvard sombria.

Não há um desfecho conclusivo, muito menos um final feliz. Afinal, a trajetória de Zuckerberg na vida real (ele tem apenas 26 anos e é o bilionário mais jovem do mundo) não está nem perto de terminar. Mas dois avisos são válidos: este não é um feel-good-movie. E não importa quantos amigos você tenha, é melhor manter os negócios à parte.

“The Social Network” estreia nesta sexta-feira (05/11) no encerramento da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e nos cinemas brasileiros hoje, 03/12.

+ aredesocial.com.br

FFW resenha: filme sobre o Facebook enquadra a frieza da “geração internet”

FFW resenha: o delírio de grandeza de Kanye West em seu novo disco

kanyecoverA capa do novo disco de Kanye West mostra duas criaturas humanóides/bestiais em momento de coito: foi censurada para venda em muitas lojas dos EUA e Europa ©Divulgação

Mais é melhor? Para Kanye West, sim. O rapper lança neste mês o disco “My Beautiful Dark Twisted Fantasy”, o disco mais bem cotado pela crítica do ano segundo o Metacritic _e que ganhou o primeiro 10.0 do site Pitchfork em anos.

Em “Twisted Fantasy”, Kanye  junta tudo que fez em seus discos anteriores; o ritmo de “College Droupout”, as sacadas inteligentes de “Graduation”, e a produção grande-orçamento de “808s And Heartbreak”. O que West não percebe é que seu egocentrismo desenfreado, paranoia com a imprensa (que explodiu após o episódio com Taylor Swift no VMA) e verborragia constante após meses afastado dos EUA são, sim, impressionantes _mas não geniais.

O lendário produtor Quincy Jones (que conduziu nada menos que “Thriller”, do Michael Jackson) replicou, nesta semana, comparações entre ele e o rapper de Chicago. “Ele sabe compor para uma orquestra? Ele sabe conduzir uma banda de jazz?”. O argumento é simplório, mas chama atenção para um ponto importante aqui: a música.

Neste quesito, vale usar a memória e resgatar outros discos épicos que não sobreviveram ao teste do tempo. É natural a imprensa e o público se impressionarem com álbuns musicais para depois, descartá-los. O Guns ‘n Roses era bom, mas não a melhor banda do mundo. O mesmo vale para o Oasis. Ou num anti-exemplo, o primeiro disco do Velvet Underground, que foi absolutamente ignorado no seu ano de lançamento, e décadas depois, eleito um dos mais influentes da história do rock.

Um fato curioso é que a música de Kanye cresce quando a imagem sai de cena. “Power”, apresentada com um time de bailarinos no Saturday Night Live, e “Runaway”, (do média-metragem que dirigiu e estrelou), crescem com seus arranjos inteligentes e boas letras: “Nenhum homem deveria ter tanto poder“, canta.

Em “Who Will Survive In America”, um discurso acompanhado de percussão tribal e beats sujos soa como o mashup sonoro que Björk e Timbaland nunca conseguiram gravar. Escorrega em outros momentos, como na exagerada (se é que esse adjetivo ainda quer dizer alguma coisa aqui) “All The Lights” com suas 13 colaborações de peso, mas nenhuma marcante. Já em “Monster”, Nicki Minaj revela uma de suas mil e uma personalidades e rouba a cena.

“My Beautiful Dark Twisted Fantasy” acende uma das discussões mais urgentes desta década: formato é mais importante que conteúdo? Mais é sinônimo de melhor? West pode não ser tão multifacetado quanto Nicki Minaj, talentoso como Jay-Z, rimar bem como Kid Cudi. Está longe de ser bom como Michael Jackson, com quem insiste em se comparar. Mas ganha a sua atenção, este espaço, nossos ouvidos e tempo com facilidade ímpar. Kanye é a maior e melhor de todas as celebridades.

+ Myspace: myspace.com/kanyewest

+ Twitter: twitter.com/kanyewest

FFW resenha: o delírio de grandeza de Kanye West em seu novo disco

“O Garoto de Liverpool” revela infância trágica de John Lennon: leia resenha

148139_011_gAaron Johnson vive John  Lennon em “Nowhere Boy” ©Divulgação/Imagem Filmes

“Por que eu não posso ser o Elvis?”, indaga-se John Lennon em “Nowhere Boy”. “Porque Deus estava te guardando para ser John Lennon”, responde sua mãe. Ela estava certa. “O Garoto de Liverpool”, filme que explora a turbulenta infância e adolescência do fundador dos Beatles, chega aos cinemas brasileiros no dia 03 de dezembro _mas não espere uma história ligada à banda que o fez famoso.

Com 98 minutos, o longa-metragem é baseado no livro “Imagine This: Growing Up With My Brother John Lennon”, da meia-irmã Julia Baird, com roteiro adaptado por Matt Greenhalgh e direção de Sam-Taylor Wood. Mesmo sendo aclamado pela crítica britânica e premiado no Festival de Cinema de Londres, a produção teve arrecadação modesta: $3 milhões de dólares nas bilheterias.

Assista ao trailer:

A película começa com John, um garoto rebelde e com aspirações a rockstar, procurando a sua mãe biológica. Aos 18 anos, ele a encontra: Julie Lennon, uma mulher depressiva que o abandonou na infância. E fã ardorosa de rock and roll. É dela que surge a ideia de começar uma banda, com ela que aprende a tocar banjo, e através dela que passa a frequentar festas em Blackpool, na Inglaterra.

Aaron Johnson (do filme “Kick-Ass”) convence como Lennon, mas força a barra em alguns momentos _quem rouba a cena são as atrizes Kristin Scott Thomas e Anne-Marie Duff, como Mimi, tia autoritária e guardiã do garoto, e Julie. São os dilemas maduros das duas personagens (maternidade, responsabilidade e perda) que dão profundidade emocional ao filme, e não a rebeldia adolescente de John.

Outro destaque é a trilha sonora discretamente assinada pela dupla Goldfrapp, com cordas dramáticas e vocais sutis. O figurino cai em adaptações mais contemporâneas do guarda-roupa dos anos 1950, com vestidos fechados de saia rodada na altura do joelho para mulheres; casacos de couro e gravatas slim, jaquetas de couro e casacos de lapela larga para os homens.

O elenco mais jovem surpreende, em especial o pequeno Paul McCartney (Thomas Sengster) que já mostrava ser um músico virtuoso. É com ele que John monta a sua primeira banda, “The Quarrymen”, além de outros amigos e músicos que tiveram papel decisivo na vida do protagonista do filme.

A música acaba tendo papel secundário no drama _a confirmação disso é que o nome The Beatles sequer é citado. “Nowhere Boy” acaba antes desta jornada começar e, felizmente, consegue se sustentar sem ela.

+ Site oficial: nowhereboy.co.uk

+ IMDB: imdb.com/title/tt1266029

“O Garoto de Liverpool” revela infância trágica de John Lennon: leia resenha

Festival Planeta Terra 2010: barulho, arco-íris e Billy Corgan

Rolou neste sábado (20/11) a edição 2010 do festival Planeta Terra, no parque de diversões Playcenter, em São Paulo, capital. Com mais de 22 mil ingressos esgotados quase 2 meses antes do evento e disputados aos tapas na última semana, o lugar estava mais cheio do que nunca, apesar do line up formado principalmente de bandas indie. O portal FFW viu vários dos shows_ leia as resenhas e veja mais fotos na sequência!

HOLGER

planetaterra2010__015©Juliana Knobel

Grupo paulistano que lançou seu primeiro disco, “Sunga” e faz parte do núcleo ao redor das baladas Neu Club/ Milo Garage, o Holger tocou seu rock. A banda está cada vez melhor ao vivo _rock enérgico, falsetes intensos e foco na percussão_ e também parece cada vez mais com o Vampire Weekend. No todo, é um show divertido, positivo: com destaque para “Caribbean Nights” e “Let ‘Em Shine Below”.

NOVOS PAULISTAS

planetaterra2010__006©Juliana Knobel

Formado por Thiago Pethit, Tulipa Ruiz, Tiê, Tatá Aeroplano (Cérebro Eletrônico) e Dudu Tsuda (Jumbo Elektro), os novos paulistas representam um grupo de músicos que colaboram entre si, tocam nas bandas uns dos outros, dividem repertório e ideias.  Com pouco mais de uma hora, o set foi dividido entre faixas da carreira solo de cada integrante.

A apresentação começou bem com “Nightwalker”, rock melindroso de Pethit _que vestia Herchcovitch_ e atingiu seu ápice em “Pedrinho”, de Tulipa Ruiz e seu vocal poderoso. Tiê, de meia-calça e camiseta da Tina Turner, cantou de voz e violão mas segurou a atenção do público com seu carisma. A experiência de todos em palcos pequenos atrapalhou: havia um desconforto geral. E se na criação o grupo é unido, no palco o entrosamento é pouco _faz falta ouvir um repertório da banda em si.

OF MONTREAL

planetaterra2010__025©Juliana Knobel

Suis generis é o termo que melhor define o Of Montreal. Liderado pelo insano vocalista Kevin Barnes, que subiu ao palco de legging roxa, uma saia/frente única transparente sobre forro de jumbo dots, peruca e maquiagem pesada, o grupo é um mix de Secos e Molhados com Prince, passando pelo rock-psicodélico dos anos 1970 e o farofa dos 1980. Abriram a apresentação com “Coquette Coquette”, um robô no palco e dançarinos de collant prateado.

O setlist, mais centrado em hits e faixas conhecidas, surpreendeu e agradou ao público _formado por animadas meninas usando maquiagem de glitter e meninos indies modernosos. Entre os melhores momentos, marcados por dancinhas, dançarinos diversos no palco e nadando sob o público, ficam as faixas “The Party’s Crashing Us” e “Wraith Pinned to the Mist and Other Things”, com o refrão escapista: “Let’s pretend we don’t exist“, cantado em coro sob o por-do-sol.

MIKA

planetaterra2010__048©Juliana Knobel

Sem querer reduzir o artista à sua sexualidade, Mika fez jus a origem do termo “gay”: foi um show alegre, tanto no palco quanto na plateia. Evocando Freddie Mercury no figurino (camisa e calça brancas com casaco navy azul-marinho, mais sapato de glitter dourado) e Michael Jackson nos passos de dança, ele abriu seu set “Relax, Take It Easy”. A decepção foi perceber que seu famoso falsete foi dublado com bases pré-gravadas e a ajuda de uma backing vocal.

Assim seguiu, hit após hit, com o público em coro sem se importar muito. Mika só chegou a cantar mais para o final do show, dando preferência às notas graves e arriscando um agudo aqui e ali. Foi uma apresentação definitivamente animada, que estremeceu o Playcenter em “Grace Kelly”, no final, e “Love Today”.

O campeonato de Rock Band foi uma das atrações mais concorridas entre os brinquedos do evento _e o momento ficou com uma rendição época de “Say It Ain’t So”, do Weezer, por um frequentador. Quem sabe faz ao vivo _já diria o Mika.

PHOENIX

planetaterra2010__070©Juliana Knobel

Nada foi tão interessante no show do Phoenix quanto o boato de que o Daft Punk participaria dele. Infelizmente, a dupla francesa de música não passou pelo Brasil _atualmente, os 2 estão focados no lançamento do filme “Tron: Legacy”, do qual assinam a trilha sonora. Então subiram os 4 garotos esquálidos liderados pelo vocalista Thomas Mars, entoando o hit “Liztomania”. Era, sem dúvida, a banda que arrastou o maior público ao palco principal até então _resultado da aparição de suas canções em seriados de TV, alta rotação em rádios e na MTV.

É uma banda competente, mas o repertório é repetitivo; com exceção do momento em que Mars foi até a plateia, não houve muita diferença no bloco de “Run Run Run”, “Armistice”, “Girlfriend” e “Consolation Prizes”. Terminaram com outra faixa famosa, “1901″.

HOT CHIP

planetaterra2010__079©Juliana Knobel

A primeira visita do Hot Chip no Brasil, no Tim Festival de 2007, foi marcada por problemas de som e falta de público. Na época, eles só haviam lançado os antológicos “Coming On Strong” e “The Warning”. Hoje estão no quarto disco de estúdio, uma carreira sólida e com um repertório para shows bem mais consistente: deram destaque para as faixas de BPM acelerado, com destaque para as do álbum mais recente, como “One Life Stand”. De longe, o show mais maduro, quente e lotado do Indie Stage.

PAVEMENT

planetaterra2010__085©Juliana Knobel

Banda para fãs, show para fãs. Ícones verdadeiramente indies dos anos 1990, o Pavement tem um séquito de fãs que os acompanha, e foram esses fãs que fizeram do seu show uma melhor apresentação. Gente com lágrimas nos olhos, cantando todas as letras e vestindo camisetas com o nome ou versos de músicas do grupo.

Aos 50 anos, Stephen Malkmus não tem mais a juventude, mas mantém o charme desencanado; o mais animado era o percussionista Bob Nastanovich, gritando no microfone e andando pelo palco. Ficaram na cabeça os hits “Date With IKEA”, “Cut Your Hair” e “Range Life”.

SMASHING PUMPKINS

planetaterra2010__097©Juliana Knobel

Vestindo uma camiseta com a legenda “Nature” (Natureza), Billy Corgan subiu ao palco ovacionado, de braços erguidos como um pastor, exibindo seu ainda assustador semblante. Como um vampiro, ele suga a juventude da sua banda, toda 20 anos mais nova.

E funciona: Billy não parece ter envelhecido mais que 5 anos, embora tenham se passado 22 desde a formação original (e histórica) do Smashing Pumpkins. Apesar de criticar o Pavement por “olhar para o passado”, é no passado que está a glória e a memória dos fãs, que foram pacientes com o vocalista ao esperar, a cada 3 músicas recentes (ele lançou em 2010 o álbum de 44 faixas, “Teargarden by Kaleidyscope”) um hit dos anos 1990.

O primeiro foi “Zero”. Urros na plateia, guitarras pesadas. Mais músicas novas, solos de guitarra, Billy lançando olhares de reprovação em direção da baixista Nicole Fiorentino. Então, o inconfundível riff de guitarra de “Today”. Mais lágrimas na audiência. Mais um bloco de músicas novas, mais comprido. No final, recompensou seus fãs com “Tonight Tonight” e seguiu em um bis interminável e solos de guitarra.

GIRL TALK

planetaterra2010__114©Juliana Knobel

O clima de festa entre amigos  imperou na última apresentação do Indie Stage. Especializado em mashups e samples, o DJ Girl Talk faz uma salada pop de todas as épocas. O set _que parecia estar parcialmente pronto_  deu chance à Greg de festejar com uma máquina de propulsão de papel higiênico/picado, chamar parte dos fãs para subir no palco e subir em cima da mesa de som. Teve de tudo: Michael Jackson, Kylie Minogue, Stevie Wonder, Madonna, tudo dentro de um liquidificador até você não saber mais o que é o quê. Pudera todo DJ fosse tão preocupado em divertir seu público…

Festival Planeta Terra 2010: barulho, arco-íris e Billy Corgan

FFW resenha: sombrio, novo “Harry Potter” é todo suspense

Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 1Harry (Daniel Radcliffe) Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) na primeira parte de “Relíquias da Morte” ©Divulgação/Warner Bros.

Em uma sessão de imprensa anormalmente lotada na manhã desta terça-feira (16/11), em São Paulo, o FFW assistiu a “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, que estreia nos cinemas mundialmente nesta sexta (19).

O último dos 7 livros da saga foi dividido em 2 partes por decisão do estúdio _o outro longa-metragem estreia em meados de 2011_ o que, além de dobrar a arrecadação da Warner Bros., deve agradar aos fãs. Com um roteiro que dispõe de duas vezes mais tempo, não se tem a sensação da história desenrolando em fast-forward como em “O Cálice De Fogo”, quarto filme da saga.

Chegam a ser (intencionalmente) monótonos os momentos em que o trio de heróis vaga refugiado. Saem as cenas de ação, emergem os conflitos internos. A leve tensão sexual entre Harry e Hermione, o ciúme de Rony e a frustração em não conseguir destruir as horcruxes (artefatos necessários para derrotar o vilão Voldemort) são bem explorados em cenas de isolamento pela floresta.

Outra coisa que surpreende em “Relíquias Da Morte” é o silêncio. O diretor David Yates constrói com habilidade picos de suspense, mas peca na hora da ação, que passa sempre num piscar de olhos. Assim, são desperdiçadas passagens de tirar o folêgo, como a visita à casa de Batilda Bagshot, a invasão ao Ministério da Magia, ou a passagem de Harry e Rony no porão dos Malfoy.

Desta última cena, aliás, salta aos olhos a interpretação de Helena Bonham-Carter como Bellatrix, a bruxa psicótica do grupo de Voldemort; do outro lado da força, a performance de Emma Watson também surpreende. Um destaque (e novidade) foi a adaptação que ilustra o conto “Beedle, o Bardo”. São mais de cinco minutos de desenho animado _sombrios e repletos de pistas preciosas para o desenvolvimento da história.

Os figurinos, assinados por Jany Temime, se voltam para a praticidade; a formalidade boba dos uniformes de Hogwarts ou chapéus de bruxo dão lugar para jeans e camisetas. Estes ficam cada vez mais rotos, rasgados e sujos pela exposição ao tempo e lutas. O mesmo serve para a maquiagem, que adiciona olheiras, descabelo e machucados (naturais e mágicos) no rosto e corpo.

Como já era de se esperar, o filme acaba com um gancho dramático. É a deixa para manter os fãs curiosos por mais 6 meses, e então concluir a série que definiu a cultura pop de toda uma geração.

Site oficial: harrypotter.warnerbros.com

FFW resenha: sombrio, novo “Harry Potter” é todo suspense

Belle & Sebastian arrastam multidão indie em São Paulo

belleBelle & Sebastian tocando no Via Funchal, em São Paulo ©Reprodução

Uma multidão de garotos com camisetas de bandas,  garotas com saias de cintura alta, vários de óculos de aro grosso. A nação indie paulistana compareceu em peso na segunda apresentação do Belle & Sebastian no Brasil, que aconteceu na noite desta quarta-feira (10/11) no Via Funchal, em São Paulo. A primeira aconteceu há quase dez anos, no extinto festival Free Jazz.

Formada em 1996, a banda escocesa mantém um culto ao seu redor _ou melhor, ao redor do vocalista Stuart Murdoch.  A mistura de arranjos delicados, letras melancólicas e melodias alegres perdeu um pouco da sua personalidade após saída da celista Isobel Campbell e do baixista Stuart David.

dentrostuartMas Murdoch consegue manter o espírito B&S. Preocupado em agradar, ele desafiou a incômoda área VIP e foi até a segunda grade para conversar com o público; chamou fãs para dançarem no palco e depois deu medalhas a eles e mostrou, surpreendentemente, que não é nada tímido.

Pelo contrário, gosta de atenção: pose de rock star, de camiseta branca justa e calça skinny, fazendo caras, bocas, poses e seduzindo garotas no gargarejo _a ponto de obscurecer a banda que o acompanha.

O setlist começou com “I Didn’t See It Coming” e _para tristeza de muitos fãs_ deu preferência aos discos mais recentes, como “Dear Catastrophe Waitress” e “Write About Love”, lançado neste ano.  Deste último, apenas “I Want The World To Stop” e a faixa-título empolgaram o público.

Dos discos clássicos, como “If You’re Feeling Sinister” e “The Boy With The Arab Strap”, saíram os momentos mais importantes da apresentação, como “Fox In The Snow”, com Stuart no piano e acompanhado pela orquestra de cordas; e “Me And The Major”, que levantou um coro da plateia.

Mesmo com duas horas de duração e um bis que incluiu os hinos “Get Me Away From Here, I’m Dying”, e “The State The I Am In”, o repertório deles é muito grande; impossível saciar as faixas favoritas de todo mundo. Mas Belle & Sebastian é o tipo de banda ame-ou-odeie. Quem foi com certeza voltou para casa feliz.

Belle & Sebastian fazem show nesta sexta-feira (12/11) no Circo Voador, Rio de Janeiro. Mais informações no site:

+ circovoador.com.br

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Belle & Sebastian arrastam multidão indie em São Paulo

FFW resenha: Previsível, “Minhas Mães e Meu Pai” desperdiça elenco

O que você faria se pudesse dirigir um filme com Julianne Moore, Mark Ruffalo e Annete Benning? A diretora Lisa Cholodenko escolheu uma comédia-romântica. Não que o longa-metragem, que estreia nesta quinta-feira (11/10) nos cinemas brasileiros, tenha uma premissa convencional _a história é calcada em cima de um casal de lésbicas americanas que tem dois filhos, concebidos através de inseminação artificial de um doador anônimo, que é procurado pelos dois e entra na vida da família.

Se à primeira vista o roteiro indica um um drama profundo, em poucos minutos percebe-se que os papéis principais parecem ter sido pensados mais para  Sandra Bullock do que Moore. A ruiva vive Jules, uma Madame Bovary contemporânea, burguesa entediada e frustrada profissionalmente. Sua esposa, Anette, vive a médica workaholic Nic.

A química e perfomances das duas salvam o filme, especialmente Benning, com suas neuroses e irritações (que vão de conversas intermináveis sobre comida orgânica à presença do novo pai).

The Kids Are All RightAnette Benning e Julianne Moore vivem um casal de lésbicas em “Minhas Mães e Meu Pai” ©Divulgação/ Imagem Filmes

O casal de filhos (Mia Wasikowska e Josh Hutcherson) não impressiona, mas manda bem; e Ruffalo cai como luva ao papel de Paul, um solteirão deslocado, mas interessado por sua prole inesperada. O filme começa na comédia e se desenrola em um drama, que é resolvido _com buracos sérios de roteiro_ em clima de final feliz.

A direção e o roteiro desperdiçam todas as oportunidades de explorar os dramas ou aspectos mais interessantes da situação pouco convencional. Sem contar no potencial do elenco que a diretora tinha à disposição. Nem Julianne Moore consegue salvar um dos diálogos finais do constrangimento, falando sobre como “casamento é difícil” e que “as pessoas mudam”. Como filme pipoca, “Minhas Mães E Meu Pai” não perde em nada; mas como grande produção e candidato ao Oscar, deixa de ganhar.

+ Imdb: imdb.com/title/tt0842926

FFW resenha: Previsível, “Minhas Mães e Meu Pai” desperdiça elenco