A banda OK Go está no Brasil para divulgar uma ação publicitária para uma marca de bebida alcoólica e já fez quatro pop-up shows em São Paulo no fim de semana passado. De quarta (23.11) a sexta (25.11), o grupo continua a “mini-turnê” com shows no Rio (veja os detalhes aqui).
Em passagem por São Paulo, o FFW conversou com dois integrantes da banda, Damian Kulash, vocalista e guitarrista, e Tim Nordwind, baixista. Bem humorados, cheios de piadinhas e com vontade de saber mais sobre a cidade, Damian e Tim contaram como o grupo tem ideias para seus famosos vídeos.
É a segunda vez de vocês aqui no Brasil, o que vocês pensam daqui?
Damian – No momento estou pensando em café (risos)…
Tim – Café brasileiro!
Você quer pegar um café?
Damian – Está vindo! Eu estou impressionado pelas paredes limpas em São Paulo. O fato de que não há propaganda (nos prédios). É impressionante.
Há uma lei aqui que proíbe esse tipo de intervenção.
Damian – É ótimo, é como se você tivesse um espaço para pensar. Eu gosto muito disso. É uma lei famosa?
Há alguns anos não era proibido, mas agora estão proibidos de colocar propagandas nas paredes dos prédios.
Damian – Nós moramos em Los Angeles, e você não consegue passar 10 segundos sem ler algo. É como se tivesse sempre alguém colocando uma ideia em seu cérebro.
Tim – “Coma isso! Beba aquilo!”
Damian – É difícil de se livrar. É muito bonito que aqui você consegue ver o formato dos prédios.
Tim – Arte de rua é legal por aqui? Vi bastante arte de rua aqui.
Em alguns lugares as pessoas podem fazer intervenções artísticas com grafites, mas as pichações são proibidas.
Damian – Vi bastante coisa legal. Algo que parecia o trabalho do BLU (artista italiano).
Tim – Eu vi coisas do Invader por aí.
Vocês ficaram bastante famosos por conta do vídeo de “Here It Goes Again”. Como surgiu a ideia de fazer esses vídeos?
Damian – É uma pergunta tão difícil, porque sempre fizemos muito mais do que só música. Eu e o Tom nos conhecemos desde os 11 anos, ou seja, há uns 25 anos.
Tim – Oh meu Deus, já faz tudo isso?
Damian – Oh meu Deus, estamos tão velhos (risos). Nos conhecemos a todo esse tempo e nos últimos 13 estivemos em uma banda juntos. Estivemos sempre fazendo música, vídeos e arte, então acho que antes, no início da carreira do OK GO, fizemos vários vídeos estranhos, antes até dos clipes de internet existirem. Era por diversão e eu acho que trombamos com o sucesso em um vídeo antes do “Here it Goes Again”, um da gente dançando no meu quintal e que foi baixado cerca de 200 mil vezes. Não pensamos nele como um vídeo de rock, só uma coisa engraçada que fizemos. Então, pensamos que se conseguimos fazer isso por acidente, também poderíamos fazer de propósito. Passamos dez dias na casa da minha irmã pensando em um clipe. Queria algo maior que o anterior, que fosse visto 300 mil vezes. No primeiro dia, tínhamos 800 mil pessoas assistindo. Desde então, uma nova tela se abriu para nós.
E como vocês têm as ideias para os vídeos?
Damian – Nós ficamos muito, muito bêbados. Tomamos muita tequila! E o último a ficar acordado ou vivo escreve as idéias e escolhemos a melhor na manhã seguinte.
É um processo colaborativo…
Damian – Na verdade, eu não sei dizer muito de onde vêm as ideias. Temos muitas, minha irmã às vezes propõe umas coisas legais. Tenho muitos amigos da faculdade que fazem filmes e às vezes trabalhamos com eles. Qualquer um que possa nos trazer uma boa ideia, nós realizamos. Na maior parte das vezes são nossas ideias porque passamos mais tempo juntos do que com as outras pessoas.
Tim – Uma vez eu fui tomar sorvete e um encontrei um fã que tinha uma boa ideia, então fizemos um vídeo a partir disso.
Vocês parecem ser bem abertos às ideias das outras pessoas.
Damian – Boas ideias!
Tim – Se forem boas.
Damian – A gente recebe muitas sugestões ruins. Mas acho que o parâmetro mudou. Um vídeo de música servia para anunciar seu disco, se você dava sorte, ia para a MTV, se não estava lá, não existia. Vender a música era a única opção. Agora no vídeo, podemos mudar a forma de fazer, é uma nova possibilidade que se abre. Aqui, temos um novo jeito de fazer show, como os pop-up shows na rua.
Tim – Fizemos uma “parade” (uma espécie de desfile de rua) este ano. Tocamos por oito horas, com 100 pessoas andando atrás da gente.
Mais ou menos como um carnaval?
Damian – Mais ou menos assim. Lá nos EUA dificilmente a gente consegue viver algo de música com experiência. Mesmo quando é um show ao vivo, você espera que pareça com o CD, é bem específico.
E tem algo legal que vocês não fizeram ainda e gostariam de fazer?
Damian – Sim! Acho que esses shows aqui já são um exemplo muito legal de coisa inesperada para se fazer. Estamos gravando um vídeo lá nos EUA em que teremos de usar habilidades novas (risos). Mas não podemos falar muito sobre isso agora. E Tim está começando uma nova banda.
Tim – Sim, é bem diferente. É estranho começar uma banda de novo, mas comecei com um amigo meu de Chicago. Toco um pouco de tudo e lançamos as músicas pelo nosso selo.
Damian – O legal de ter uma banda agora é que até seu próprio selo você pode ter. Eu sou presidente e posso dizer “aaah, este single não é bom o suficiente”.
Tim – Damian está produzindo o disco e um outro amigo de Los Angeles está mixando. É bem diferente do OK Go.
O que vocês diriam para vocês mesmos quando estavam começando a carreira? Numa experiência meio “De Volta para o Futuro”?
Damian – “Confie em suas próprias ideias”. Na nossa carreira, as coisas que nos satisfizeram mais, que nos mantiveram vivos foram nossas ideias. Incluindo as coisas mais estranhas, as menos explicáveis. É muito fácil, principalmente quando você está começando, pensar que se você não joga dentro das regras, não existe outro jeito de fazer e você vai desaparecer. E agora vivemos em um contexto sem regras, sem precisar correr atrás de gravadora. É uma nova era, muito mais livre.
Considerada por Anna Wintour a “rainha da internet”, Candy Pratts Price _atual diretora criativa do site Vogue.com e ex-diretora executiva do portal Style.com_ vai estar em São Paulo a convite do FFW para uma palestra no dia 31 de janeiro, às 11h, no auditório do MAM.
As inscrições serão abertas aos internautas do FFW a partir do dia 24 de janeiro, fiquem ligados!
Num bate-papo exclusivo com o FFW, Candy afirma: “Na internet, ganha quem publica melhor, e não mais rápido”.
Confira:
Como surgiu o seu interesse pela moda?
Desde sempre, desde criança, vendo as roupas da minha mãe. Acho que como toda menina, eu cresci interessada em moda. Mas diferente de toda menina, eu decidi trabalhar com isso.
E como foi a sua entrada no mercado?
Estudei no FIT, fiz algumas fotos e também um estágio na Bergdorf Goodman. Depois disso trabalhei na Bloomingdale’s onde tive a oportunidade de refazer diversas vitrines. Então fui para a “Harper’s Bazaar”, recebi um convite da Anna Wintour pra trabalhar na “Vogue US” e fiquei lá mais uns cinco anos como diretora de acessórios. Depois teve Ralph Lauren.
O que foi mais marcante nos primeiros anos trabalhando com moda?
Tudo! O universo da moda é absolutamente fascinante em todos os seus aspectos.
Você ainda é apaixonada por moda?
Existe tanta coisa a ser explorada nesse segmento, é tudo sempre novo, tudo sempre se inova. É impossível não manter a paixão acesa.
Como foi a sua transição para uma plataforma online?
Fui convidada pela Anna Wintour, ela precisava de alguém de sua confiança para tocar os projetos online da editora. Eu estava trabalhando na VH1 eu recebi o convite, era o começo da internet, alguns sites estavam dando errado, outros estavam dando certo. O Style.com estava bem, então aceitei.
Como você conseguiu transformar o Style.com no endereço número 1 das pessoas que buscam informação de moda online?
Éramos a equipe da Vogue, então era muito natural chegar a um desfile e estávamos sentados na fila A, já sabíamos como fazer a melhor cobertura de desfiles, já tínhamos os melhores editores, os melhores fotógrafos. Sendo assim, não tivemos dificuldade. As pessoas, os profissionais, o público _todos_ sabiam o que esperar da gente, então foi natural estabelecer a liderança.
Será que é por isso que a Anna Wintour uma vez te chamou de “a rainha da internet”?
Hahaha! Isso é o que os outros dizem, eu não sei se posso confirmar.
Em média, quantas visitas mensais tem um site do porte do Style.com ou da Vogue.com?
Sou uma editora de conteúdo, não sei _nem devo_ falar de números.
Como a internet tem alterado os mecanismos da indústria da moda?
A maior revolução são as redes sociais. Tudo está ao alcance de todos numa questão de segundos. A indústria precisa fazer parte disso, precisa aceitar que os tempos mudaram, precisa ter presença online do jeito certo, dialogar com seu público-alvo. O erro está em querer se fechar para o mundo. Quem pensa que pode ocultar as coisas, torná-las exclusivas, vai ficar de fora dessa revolução. Se você deixa de publicar algo, alguém vai encontrar um jeito de publicar. E você vai ter ficado pra trás.
O que você pensa da cobertura de moda de outros sites e blogs?
Sinceramente, não acompanho. Além do Vogue.com, eu não acesso outros sites de moda. É sério isso. Sei que estamos fazendo o melhor trabalho, que somos os líderes desse mercado, então não preciso olhar para o vizinho pra entender o que eu quero ou o que eu não quero. Prefiro investir meu tempo online fuçando em sites de tecnologias, notícias, games _sou apaixonada pelo Xbox Kinect.
Xbox Kinect? Porque você não tem um PlayStation Move?
Hahaha! Prefiro o Xbox Kinect. Você já jogou? É a coisa mais espetacular do mundo. E eu acho que essa plataforma indica muito sobre os futuros caminhos que as tecnologias domésticas vão tomar. E isso me interessa muito.
Você acredita na convergência do impresso com o online?
No caso da Vogue, sim. Em outros casos, não sei. Funciona perfeitamente pra gente porque temos a melhor revista de moda, e conseguimos desdobrar o conteúdo da revista, o olhar da revista, no site através de notícias diárias.
Faz algum sentido termos revistas de coleções sendo lançadas hoje em dia, com a internet disseminando as fotos de desfiles numa velocidade irrefreável?
Depende. No nosso caso, de novo, faz sentido. Porque se a gente lança uma revista de coleções, estamos oferecendo um conteúdo diferenciado. São as roupas que já foram vistas na passarela e na internet, mas temos a maior top model, o melhor fotógrafo, temos o olhar dos editores que mostram alternativas para compor seu look, ou indicam caminhos alternativos para usar a roupa na vida real. Esse tipo de revista de coleções é totalmente válido. O outro tipo, aquele que simplesmente reproduz as fotos de passarela, do jeito que elas já foram exibidas, não sei se tem validade.
O que você pensa sobre editores de moda que se tornaram ícones de estilo através a internet?
Eles não se tornaram ícones de estilo, eles sempre foram ícones de estilo. Pegue o exemplo da Anna Dello Russo. Ela nunca foi anônima. Eu a conheço há muitos anos, a Anna sempre teve um estilo absurdamente marcante e reconhecido. A internet apenas levou isso para o grande público. A web não transforma ninguém num ícone, ela apenas divulga algo que já existe. É somente uma ferramenta de publicação para as massas.
Com tanto conteúdo na rede, o que é mais importante: qualidade ou quantidade?
Qualidade, é claro! Qualquer um pode sair postando mil notícias num único dia. Mas só alguns possuem o olhar especial que vai tornar essas notícias relevantes para o seu público.
Então quem publica primeiro, na internet, não é importante?
Absolutamente não. Ganha quem publica melhor, e não mais rápido. Você pode ser o mais veloz, e ter uma absorção mínima do seu conteúdo porque ele é irrelevante. Se você publica algo que todo mundo está publicando, sem dar o seu olhar, o internauta vai simplesmente fechar a página.
Qual é o ingrediente secreto para o sucesso de um site?
Paixão. Paixão é verdade.
Candy: Antes de desligar, como está o clima no Brasil?
André (FFW): Quente e úmido.
CPP: Isso é ótimo! André (FFW): Ah, é?
CPP: Me procure quando eu estiver por aí. André (FFW): Vou procurar, você me deve uma partida de Kinect.
CPP: Esteja preparado, sou viciada! André (FFW): Estarei!
Uma tarde de verão cheia de luz. Em muitos sentidos. Foi assim o encontro do FFW com a consultora e editora de moda Anna Dello Russo, que comanda a “Vogue Nippon” há 3 anos e trabalhou outros 12 ao lado de Franca Sozzani, na “Vogue Itália”. Anna é uma daquelas pessoas que preenche qualquer ambiente em que esteja com felicidade, animação, positividade, novidade, generosidade. Sendo assim, ela é o tempero ideal para o fervilhante caldeirão que é o mundo da moda.
Famosa por vestir “looks de passarela”, Dello Russo é amiga de estilistas, catapulta de tendências e twitteira de mão cheia. “Sou uma tela em branco, para a moda escrever o que quiser em mim”, confessa.
Não quer se sentar?
Estou há muito tempo sentada. Você cuida da Cucciolina enquanto vou ao banheiro? Ela pode chorar, mas não se preocupe.
(Anna deixa Cucciolina amarrada no pé de uma cadeira. A cadelinha acompanha seus passos com um olhar aparentemente desesperado. Tento entreter o animal. A fuga de Cucciolina seria uma tragédia).
Prefere dar uma volta?
Vamos? Obrigada! A Cucciolina está mesmo precisando. Vem que eu carrego a sua bolsa pra você conseguir segurar o bloquinho de anotações.
Você é chamada de “Fashion Director at Large & Creative Consultant” da “Vogue Nippon”. Na prática, o que isso quer dizer?
É um nome imenso, coisa dos japoneses, mas quer dizer que eu sou diretora de moda. E ponto.
Como é trabalhar com o Japão morando na Itália?
Costumo acordar sempre muito cedo, às 5h30, para fazer 1 hora de ioga e depois 1 hora de natação. Se preciso falar com Tóquio urgentemente, ligo para eles antes de começar meu dia. Mesmo porque quando são 5h da manhã na Itália já são 14h no Japão.
Os telefonemas que costuma dar são para quais lugares?
Costumo falar muito com equipes que estão nos Estados Unidos. Quase todos os profissionais que preferimos estão lá. Fotógrafos de moda, maquiadores, stylists, tudo. Nova York e Los Angeles são as cidades que melhor funcionam para isso, não tem jeito.
Que locações têm escolhido com maior freqüência?
Todo mundo quer ir pra Tóquio! Meus colaboradores vivem me pedindo isso e na medida do possível tento agendar editoriais por lá. Não é sempre que dá. Mas a moda, você sabe, é feita em todos os lugares.
Você tem algum editor para te ajudar no Japão?
Não, sou eu quem escolho tudo, passo o briefing pra todo mundo. Mas, como não sei falar japonês, escrevo os textos em inglês e alguém da redação traduz.
Você consegue acompanhar os ensaios de moda?
Só os mais importantes, como as capas. Mas mesmo estando longe, eu arquiteto tudo, converso bastante com todos. Então não é necessário que eu esteja presente fisicamente nos shootings.
Já teve algum problema ao dirigir um fotógrafo de estilo marcante?
Não, não tenho esse problema. Quando eu chamo um fotógrafo é porque quero a direção dele. Senão seria chatíssimo, né? Tudo igual, apenas com a minha direção, seria muito monótono. Já escolho a história e o vestido que combinem com o fotógrafo. Sei que o Terry Richardson, por exemplo, tem capacidade de aproveitar um determinado tipo de roupa, uma determinada atitude que aquela roupa provoca. E isso também vale para os modelos e stylists. Meu trabalho é fazer essa costura, orquestrar isso, escolher as pessoas certas para trabalharem juntamente.
Na hora de criar o conceito para os editoriais, você pensa na consumidora japonesa?
A “Vogue Nippon” fala com a mulher japonesa em outras seções. Temos matérias de consumo, reportagens que falam com essa mulher. Nos editoriais, no entanto, faço sempre uma escolha internacional. Acredito que se olharmos os editoriais de todas as “Vogues”, não conseguimos descobrir de que país é cada uma delas. Porque estamos falando de uma mulher internacional, não importa onde são feitas as revistas. Quem faz “Vogue” trabalha para construir um sonho.
As pessoas que trabalham para construir esse sonho da moda, nos últimos tempos, acabaram virando estrelas. Tipo a Anna Wintour.
Sim, mas isso acontece porque estamos vivendo uma nova fase. A moda, de uns cinco anos pra cá, passou a existir de fato na internet. E a web, que tornou tudo mais aberto, provoca uma maior curiosidade em torno desse mundo. Existe a vontade de investigar, por isso todos querem saber, conhecer, entrevistar as editoras de moda. São mentes pensantes, criativas. A diferença de hoje, com a internet, é que, quem não for verdadeiro, quem não trabalhar com sinceridade e paixão, não vai durar. Ficou mais fácil separar o joio do trigo.
Já que você entrou no assunto internet, impossível não falarmos sobre o seu perfil no Twitter.
Óbvio! Mas o meu Twitter (@AnnaDelloRusso) surgiu depois do meu blog (annadellorusso.com). O blog tem uma função mais geral. O Twitter para mim é um diário online, de notícias que estão acontecendo ao longo do dia. Faço atualizações dos meus percursos. Por exemplo, existe um preparo para fazer uma edição mensal de uma revista: falar com pessoas, ter ideias. Pelo Twitter eu consigo compartilhar isso com muita gente. Deixar já algumas pistas, uns highlights do que estou fazendo. E também ter novas ideias e conhecer novas pessoas.
Estar no Twitter significa também estar mais acessível aos seus admiradores.
É a primeira vez na história da moda que o lado de cá fala com o lado de lá. A internet mudou a moda. Cairam as barreiras, capisci? Antes se imaginava que quem trabalhava com moda fazia parte de uma casta inacessível da sociedade, e na realidade era isso mesmo. Hoje, com tudo assim escancarado, conseguimos conhecer melhor quem são as mentes pensantes atrás da moda. E, claro, se descobre que realmente essas mentes são maravilhosas, são pessoas criativas, mas que trabalham muito.
Antes, nós, criadores de moda, éramos fechados numa bolha, num grupinho separado do mundo. Éramos só nós. É estúpido isso, entende? Éramos vistos como pessoas inacessíveis. Tínhamos alguns palpites, fazíamos previsões do que as pessoas gostavam, mas era um feeling nosso de longe, não tínhamos a possibilidade de saber a verdade, de conhecer o gosto das pessoas mesmo. Hoje não existe mais isso, está tudo aí para quem quiser ver. Você posta alguma coisa, uma imagem, uma ideia, e na hora consegue saber se isso funciona. É útil não só para mim, mas para a indústria de moda no geral.
Você gosta então de ser um personagem que existe virtualmente.
Eu adoro ser chamada de “internet icon”! Se não fosse a internet, eu provavelmente não trabalharia como trabalho hoje. Sem a internet, eu teria desaparecido.
Como quer que as pessoas te vejam?
Quero que vejam que eu sou humana! Tenho minhas fraquezas, meus momentos, minhas manias, sabe?
E sobre a sua mania de vestir “looks de passarela”… Algo a declarar?
Existe um trabalho enorme, de meses e meses, até o look chegar à passarela! Tem o trabalho do estilista, que criou as peças. Depois do stylist, que estudou um melhor modo de combinar essas peças. Se ninguém repete o que está exatamente ali, esse trabalho é todo perdido, sabe? Vai embora, morre. Pode parecer superficial, mas para mim existe algo mais profundo nisso, em usar um “look de passarela”, não sei como definir.
Como podemos definir uma “fashion victim”?
Eu! A primeira de todas as fashion victims sou eu. Eu sou uma tela em branco, a moda pode desenhar o que quiser em mim. Sou obcecada, mas essa obsessão para mim não é um problema, eu adoro a moda. Por isso que trabalho bem com os japoneses, eles também são super obcecados por moda!
Apesar de tanta obsessão pela moda, a crise deu uma balançada na indústria. A moda italiana, como a francesa, inglesa e americana devem perder a hegemonia?
Sim, dá para sentir que isso vai mudar! O Japão, por exemplo, está se tornando mais importante. Não podemos esquecer do fenômeno irrefreável da China.Quem será o grande azarão, depois da crise? Pode ser simplesmente um país que nem mesmo imaginamos. E isso é a vida, é a impermanência da vida. É um pensamento muito bonito esse que estamos dividindo aqui, vero?
Sim, é verdade. O conceito de impermanência como “única coisa permanente” é oriental, não?
Sim, é oriental, e eu acredito nele. Acredito que tudo está em constante mutação. A humanidade no geral. E, não sei explicar o porquê, mas a moda é a primeira a sentir essa mutação. As mudanças chegam ao social depois de passarem pela moda. A moda tem antenas que captam isso primeiro.
E quais sinais suas antenas estão captando?
Já temos sinais fortes. E muito deles aconteceram por causa da Internet. Quando é que se pensou que existiria uma bambina como a Tavi [Gevinson]? Uma criança de 13 anos fazendo um blog de moda? Quando é que se imaginou que um garoto das Filipinas, o Brianboy, viraria essa personalidade que ele virou? Hoje está tudo aberto, tudo é possível. Quem for competente, vai conseguir o seu espaço. Caiu a máscara da imobilidade da moda, do que era frio, imóvel. Minhas antenas captam isso: não podemos mais ter certeza de nada _nada!_ que está por vir.
O que exatamente é essa “máscara que caiu”?
Imaginava-se que o mundo era feito de pessoas ricas, famosas, num infinito benessere (bem-estar). E agora, com a crise e a internet que mostra tudo, onde está o benessere? Onde estão os ricos e famosos? Estão pobres e desgraçados! Caiu tudo por terra, capisci? O tom como se falava era alto demais. Agora deu uma diminuída. A crise veio e deu uma chacoalhada tão violenta que é óbvio que tudo vai mudar. Já está mudando.
Qual a sua opinião sobre as publicações impressas na Era Digital?
Eu penso temos muitos jornais. Troppo, troppo. Nosso momento cultural vai selecionar o que é o melhor. E só o que for mesmo the best é que vai gozar do grande valor do papel. O valor do papel é estupendo, como o valor dos livros. Criar é bom, mas criação demais não adianta, não serve, non va bene.
Por que não?
Porque a criatividade deve ser respeitada, deve ter um tempo para ela. A criatividade é um dom, não dá para criar coisas como se faz sorvetes, pizzas.
Existe já uma discussão do conceito de “slow fashion”, o que você acha disso?
Quem já discute o slow fashion?
Foi discutido no evento Fashion Summit, em Copenhague, durante a COP15 for Climate Change.
Sim, eu acho que o futuro é esse, o futuro é o slow motion. Dá pra perceber que as quantidades estão diminuindo. Quase ninguém, por exemplo, está desenvolvendo pré-coleções. O produto tem que ser mais lento, ninguém consome assim com tanta velocidade. Perde-se a alma das coisas… Exato, slow fashion, como slow food…
Na sua opinião, então, é possível que se produza menos e ainda sobreviver?
A saída é a estrada do meio termo. Isso vale pra tudo, é preciso encontrar o caminho do meio. Cada um cuidar de si próprio e também pensar no mundo em volta. É por isso que eu medito, para trabalhar bem com as pessoas. Uma forma de salvar o planeta, para mim, é trabalhar o meu eu interior buscando a serenidade. Medito e tento passar essa mesma serenidade aos outros à minha volta.
UMA RAPIDINHA COM… ANNA DELLO RUSSO:
Anna Wintour
Super powerful! É o sistema da moda em pessoa!
Blogs de moda
Novidade! Curiosidade! Adoro!
Gisele Bündchen: Madonna mia! Que mulher! Eu queria ser ela! Não é só uma figura de moda, mas tem uma vida esportiva, cuida da alma, é positiva. Uma verdadeira top.
Japão
Graças a Deus me dá esse belo trabalho! Adoro os japoneses porque são obsessivos pela moda como eu!
Brasil
O que eu gosto do Brasil é a consciência corporal. São os melhores cultuadores do corpo. O corpo vem antes da moda. Primeiro vem o corpo. Se o corpo não caminha, você não vai à parte alguma. Acho importante dar atenção à filosofia do corpo. É essa a mensagem que o Brasil me passa. Como nomes conhecidos vindo do Brasil lembro das Havaianas! E daquele estilista, o Alexandre Herchcovitch! Agora pensando vejo que não recebo muitas informações sobre a moda brasileira, isso é uma pena… esse fluxo precisa melhorar.
China
A China é uma superpotência, está ganhando um mercado absurdo. Sabia que a “Vogue” chinesa chega ao ponto de rejeitar anúncios tamanha é a quantidade de ofertas? E tem a questão da cópia, não sei muito o que dizer, acho que eles estão buscando uma nova forma de trabalhar.
Domenico Dolce & Stefano Gabbana
São meus amigos do coração, adoro os dois. Transformaram o mercado italiano em internacional. Têm uma sólida visão estética do Mediterrâneo, do Sul, da Pulha, que é de onde vim, que é nosso “pequeno Brasil”.
WGSN e outros escritórios de tendência
Não conheço o trabalho do WGSN, me desculpe, não quero criticar um escritório que não conheço. Porque de repente eles são bons, não é? O que eu posso dizer sobre tendência é que a tendência é algo que eu sinto o cheiro de longe. Sinto no ar, sabe? É algo inconsciente, não podemos não acreditar nesse fator do inconsciente. E eu sou a mais sensitiva! É uma linguagem coletiva que não se pode traduzir em palavras, em explicações. Quanto mais você usa palavras pra explicar tendência, mais a perde, mais a diminui.
*Anna Dello Russo entrou na “Vogue Nippon” em 2007. Formou-se em História da Arte na universidade de Bari. Mudou-se para Milão para fazer um mestrado em Moda na Domus Academy, que tinha como um dos professores Gianfranco Ferrè. Conseguiu, no fim dos anos 80, trabalhar como assistente nas revistas menores da “Vogue”: “Vogue Pelle”, “Vogue Gioelli”. Com a entrada de Franca Sozzani na “Vogue Itália”, em 1989, Anna Dello Russo foi convidada para fazer parte do novo team e assim foi editora de moda por 12 anos. Em 2001 foi convidada para ser editora chefe da “Uomo Vogue”. Alguns anos depois sentiu vontade de voltar para o universo feminino e finalmente voltou para a “Vogue”, em 2006. Até ser convidada, no começo de 2007, para ser editora de moda e consultoria criativa da “Vogue Nippon”. Foi nessa época que começou o blog e a se envolver bastante com a internet.
“Eu não saberia fazer outra coisa”, confessa Anderson Baumgartner com firmeza na voz. Apaixonado pelo o que faz, Dando (como é conhecido pelos amigos) é em primeiro lugar um defensor ferrenho de seus modelos _que ele chama de “meninas” e “meninos”_ e sócio da Way Model Management, uma das principais agências de modelos do mercado de moda brasileiro e do mundo.
Tops internacionais como Alessandra Ambrósio, Shirley Mallmann e Carol Trentini são algumas do seu casting de “mais ou menos 150 jovens de todo tipo de beleza”. O empresário abriu as portas da sua agência _na região mais nobre da Av. Rebouças_ ao FFW e contou sua trajetória, as dores, as verdades e os mitos por trás da cobiçada profissão.
Como tudo começou?
Quando eu tinha 15 anos, morava em Itajaí (SC) e conheci duas meninas que se chamavam Gisele. Elas tinham uma agência de modelos chamada GG L’Amour e estavam prestes a fazer um desfile para a universidade Univalle, e eu me ofereci para ajudar neste desfile. Me encantei, continuei ajudando sem remuneração, a minha família pegava super no meu pé. Deixava eles falarem e continuava fazendo. A Agência Elite tinha o concurso “The Look Of The Year”. Fui até o fotógrafo Jorge Moura, responsável da minha região, e me ofereci para ajudar. Organizava filas, ajudava a montar as modelos. Até que resolvi vir para São Paulo, ainda durante a época do Morumbi Fashion.
Eventualmente você veio parar em São Paulo.
Em 1998 vim para São Paulo com R$ 250 no bolso. Fiquei batendo na porta da Elite durante uma semana: fui na segunda e mandaram voltar na terça, na quarta, na quinta e na sexta, quando avisaram que não havia vagas. Eu estava na casa de uma amiga, que era modelo de Itajaí e amiga do Zeca de Abreu, que tinha saído da Elite. Ela perguntou se eu poderia ir junto a um jantar, e foi quando ele me contou que estava começando a Agência Marilyn.
Quando tempo ficou na Marilyn e qual foi a sua história lá dentro?
Nove anos. Comecei como assistente de todos os departamentos: da agência de booking _que é a ponte entre cliente e modelo_, do departamento internacional, do material, do new face e do próprio Zeca. Fiquei nove meses nessa posição até virar booker. Depois virei diretor, até que eu e o Zeca resolvemos abrir a Way, em 2006.
E qual motivo te levou a criar um negócio próprio?
A Marilyn tinha um dono francês, que não entendia de agência e era só investidor. Nunca me incomodei em ser funcionário [...] Mas aconteceram contratempos com ele, coisas que não concordávamos, que não vêm ao caso. Eu já havia sido convidado para abrir a Way, e o Zeca quis vir comigo. Tive a surpresa que todo mundo quis ir junto, todas as modelos, funcionários. Umas 150 modelos e 33 pessoas de staff.
Esse número aumentou desde então?
O staff continua o mesmo. As modelos continuam até hoje: as que não deram certo voltaram pra casa e algumas novas surgiram.
Quais são os maiores mitos que você precisa quebrar dentro de uma agência de modelos?
Algumas meninas chegam aqui em São Paulo com a família achando que em dois meses elas estarão em capas de revistas, com o bolso cheio de dinheiro. E isso não é verdade. Para ganhar dinheiro de verdade são necessários alguns bons anos de mercado. E tem gente truqueira. Pessoas abordam meninas de 1,60 m [de altura] na rua prometendo que serão modelos. Isso é mentira. A profissão de modelo é isso: tem que estar com a pele boa, cabelo bom, tem que ser alta e magra. Assim como uma jogadora de basquete precisa ter altura, impulso, força.
Financeiramente você está tranquilo?
Engana-se quem acha que dono de agência é rico. Eu, pelo menos, não sou! Os meus modelos estão sempre trabalhando. Enquanto a gente estiver trabalhando para melhorar _digo isso para os meus funcionários_ não temos motivos para preocupação.
Como é a sua relação com a [top model] Carol Trentini?
Quando a conheci ela tinha quatorze anos. Veio num ônibus de meninos de Panambi, Rio Grande do Sul. Ela é uma pessoa muito boa, tem uma educação impecável, esse lado me conquistou desde o começo. A Carol tinha algo. Começamos uma relação de amizade _quando ela tinha quinze anos a convidei para viajar comigo para Itajaí. Temos uma relação de família, isso nunca mudou. Falo com a Carol todos os dias, mas nem sempre sobre trabalho.
E profissionalmente: como é ser agente da Carol?
Tê-la no meu casting me dá credibilidade. Uma vez a “Vogue Brasil” fez um especial sobre ela e pegamos depoimentos de algumas pessoas. Na época eu recebia e-mails diários com depoimentos de Anna Wintour, Irving Penn, Grace Coddington, Steven Meisel. Até então eu não tinha noção de como as pessoas a viam: uma modelo que veste bem a roupa, que se movimenta bem na frente de uma câmera, mas que também é uma boa pessoa.
Como você enxerga a mudança de limite para a idade das modelos que desfilam no SPFW e Fashion Rio [de 14 para 16 anos]?
Foi maravilhoso. Elas começavam muito cedo, aos 17 já tinham quatro anos de profissão e ainda não haviam se tornado modelos importantes, então desistiam. Aos quatorze elas não têm estrutura, o corpo não está formado. Isso atrapalha o desenvolvimento da menina. Aos dezesseis, elas ainda são adolescentes, mas é visível a diferença.
E a discussão do CFDA a respeito da magreza das modelos?
Tenho uma preocupação grande a respeito. Essas meninas são magras naturalmente. Aos dezesseis anos elas saem de casa desse jeito. Aos dezenove anos elas viram mulheres. A nossa preocupação é que elas lidem bem com isso. Temos psicólogos e nutricionistas para acompanhar. Mostramos para elas que existe um mercado: elas podem ganhar muito dinheiro, viajar para Nova York, fazer Victoria’s Secret, campanhas de cosméticos _que pedem mulheres lindas e com curvas. E ganhar muito mais dinheiro do que se fossem meninas fashion, que, por exigência do mercado, são as mais magras.
Em janeiro deste ano, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria sobre a magreza excessiva das modelos, ilustrada por uma foto da Alicia Kuczman.
A Alicia é uma menina que já era assim. A mãe dela, que é nutricionista, tem 87 cm de quadril. Ela tem uma mãe que a ensina a comer bem desde pequena, mas a Alicia tem uma tendência a ser magrinha. Se a saúde psicológica dela foi prejudicada, a culpa é da matéria. O jornalista de um veículo como a “Folha” tem o direito de falar o que pensa, mas a partir do momento em que ele acusa uma menina _porque antes de tudo ela é uma menina_ de ser doente, ele perde toda a credibilidade. Existe sim anorexia na moda, não estou querendo esconder.
Existe uma grande competição entre as agências?
É uma boa pergunta. O Paulo Borges [diretor criativo da Luminosidade] sempre fala uma coisa que é verdade: se as agências de modelo se unissem, tudo seria melhor para o mercado. As modelos não ficariam tanto tempo em uma prova de roupa. Não teriam que trabalhar no meio da madrugada. Mas se a minha modelo não vai para essa prova, a modelo da outra agência vai. Hoje existe uma regra que uma modelo não pode trabalhar mais que 8 horas por dia e apenas até às 22h.
Você está nesse mercado há doze anos. O que mudou?
Elas ganham mais dinheiro no Brasil. Tenho modelos que têm carreira no exterior, mas ganham mais dinheiro aqui fazendo campanhas. Há marcas de cozinha e calçados investindo em modelos, sendo que antes só usavam atrizes. E tendo bons resultados. A mídia tem dado mais valor para elas e o consumidor final também.
E o que tem mudado no mercado masculino?
Os modelos brasileiros ganham cada vez mais importância no exterior. Meninos como Evandro Soldati, Michael Camiloto, Max Motta, Francisco Lachowski, Marlon Teixeira, Thiago Santos… Tivemos muita procura de agências internacionais nos últimos meses. Acho que eles perceberam que temos meninos de todos os tipos.
Liste cinco coisas que uma modelo precisa ter:
1) Altura. 2) Medida. 3) Personalidade. 4) Saber o que quer. 5) Uma boa agência por trás dela.
Cinco coisas que uma modelo não pode ter:
1) Ser modelo só porque a mãe deseja. 2) Chegar em São Paulo e se perder com as distrações da cidade. 3) Deixar o namorado interromper a carreira. 4) Achar que beleza é tudo. 5) Achar que entende mais que o agente.
Um cachorrinho branco, peludo e pequeno late e dispara pelos corredores da Condé Nast em Milão. É Lazlò, importado da Hungria, que vai todos os dias trabalhar com Franca Sozzani, diretora de redação da “Vogue Itália”. Ele late para um dos funcionários que toma café num copinho de plástico. Ali perto, uma secretária procura um papel timbrado para escrever um cartão de aniversário.
É uma redação de revista como qualquer outra. E posto que não existe glamour numa redação _nem mesmo de uma “Vogue”_ fica mais fácil penetrar na mente de Sozzani, que recebeu o portal FFW usando rasteirinhas, cabelos soltos e make “nada”.
Franca comanda a “Vogue Itália” desde 1988, quando tinha 38 anos de idade. Antes disso trabalhou para a revista “Lei” (“Ela” em italiano). Neste ano ela entra para a turma dos sexagenários, tendo dedicado 22 anos de sua vida somente para a versão italiana da “Vogue”, sempre de braços dados com o seu parceiro criativo Steven Meisel, que também conheceu nos anos 1980.
A moda mudou muito nas últimas duas décadas, mas o pensamento de Sozzani parece estar à frente. Na verdade ela parece tão forward que transmite a sensação de que, a qualquer momento, vai estar em outro lugar _mesmo fisicamente: Franca senta e me olha, mas de repente se levanta e vai examinar a vista de sua janela que dá para um belo bairro milanês. Ela está concentrada!? Empolgada!? Entediada!? Franca é intangível _e, sim, inatingível_, gosta de dar respostas ácidas e fluidas. “É preciso tempo para que a moda exista”.
Como é uma jornada sua de trabalho normal? Começa como e termina como?
Não existe nada de brilhante, são apenas projetos, reuniões, planos. Encontro com várias pessoas, converso com os redatores.
Quantas horas por dia de trabalho?
12 horas.
Conseguiria trabalhar menos?
Conseguiria. Se tivesse menos coisas para fazer.
Existem procedimentos?
Não tem regra. Se tivesse regra não seria uma revista criativa. Vamos decidindo o que queremos aos poucos, as ideias brotam.
E de onde brotam, por exemplo, as ideias para os editoriais de moda?
De qualquer lugar. Alguém me telefona, ou eu vejo um filme, alguma revista que me chama a atenção. Ou então numa conversa pinta uma ideia. Ou então alguém vem até a minha sala e me propõe alguma história. Não tem regra, entende?
Mas você tem as suas fontes de inspiração?
Depende. Algumas coisas me inspiram, de outras já não gosto mais. Se fosse burocrático seria um escritório e aqui não é um escritório, não é comercial. Desde 1988 é assim, foi sempre assim. A tendência se cria assim.
Falando em tendência, hoje muitas marcas pagam alto para ter acesso às pesquisas feitas por bureaus…
[corta a pergunta no meio] Tendência não se compra. Quem faz tendência não compra esse tipo de informação. Esse tipo de informação é pra outra coisa, não para criar estilo. É um blefe, não tem valor. Ou você acha que a Prada compra tendência? A Prada faz. Quem vai atrás da tendência é porque não a produz, entende? Cada um tem que produzir o próprio trabalho.
Então a senhora acha errado os países em desenvolvimento se inspirarem na moda que é feita em países consagrados?
Acho. Acho erradíssimo. É erradíssimo se inspirar nos outros, cada um tem que encontrar as coisas que funcionam em seu próprio lugar. Porque, se eu vou ao Fashion Rio e vejo coisas que estão sendo feitas em Paris, não tem sentido ir ao Rio, entende? Ir ao Rio é menos cômodo, mais complicado. Então ir ao Rio para ver Paris não me serviria para nada.
Como você enxerga o estilo brasileiro?
Não vejo um estilo brasileiro definido. Sei que existe uma beleza brasileira, mas não enxergo um estilo. Não é fácil encontrar a própria estrada, é preciso esforço e criatividade. A moda precisa de tempo.
Precisa de tempo e precisa de dinheiro, de uma economia forte…
A receita para levar a moda adiante é ter um conceito forte, um pensamento por trás.
E a Itália tem esse pensamento forte por trás da moda?
Temos gênios que confirmam isso, como Valentino. Nomes que você vê [no mundo todo] como Dolce & Gabbana, Versace. Não temos apenas estilo.
Então a senhora acredita que é preciso tempo para se construir moda?
Sim. Essa história não quer dizer que o passado precisa ser levado para as passarelas. Vivemos no presente. Mas, temos que ter alguma história pra contar.
O passado, então, não ajuda?
O passado pode ser um fardo. Ele pode minar a sua liberdade.
O fotógrafo Steven Meisel é um colaborador importante para a “Vogue Itália”. Quando começou essa parceria?
Nos conhecemos quando eu ainda era editora da revista “Lei”. Todos nós estávamos começando, não tínhamos nada a perder. Eu gostava do que ele fazia, de como via as coisas, percebia que existia um conceito em suas imagens, que até então eram poucas: ele tinha um book com 3 ou 4 fotos. A redatora na época era a [atual estilista] Anna Sui. Deu certo e assim ficou.
Como é fazer uma revista italiana com um fotógrafo que não mora na Itália?
Os editoriais da “Vogue Itália” são feitos nos Estados Unidos, entre Nova York e Los Angeles. Eu e Meisel nos telefonamos sempre. É mais viável fazer tudo lá do que trazer para cá a estrutura toda, os fotógrafos, as modelos, que praticamente moram todas no exterior. Quando temos que sair daqui [de Milão], vamos com uma equipe super reduzida.
E os novos fotógrafos? A senhora deve receber muitos portifólios…
Não. No momento não tenho nenhuma aposta. É preciso trabalhar, é preciso tempo para tudo.
Existe espaço na Itália para novos estilistas?
Esse não é um problema da Itália, é um problema mundial. É difícil também na Inglaterra, em Paris, em Nova York. É preciso dar tempo a esses nomes. Não podemos já chegar dizendo que eles são “gênios”, porque daí eles vão achar que já estão no topo. Muitos nomes se destacam numa temporada, mas depois somem. Não é fácil. Aqui na Itália existem novos talentos como o Francesco Scognamilio e muitos outros. Mas é preciso tempo: eles têm que trabalhar, têm que crescer.
A Itália é mundialmente famosa por fazer uma moda considerada sexy. O que acha disso?
Toda mulher se veste para agradar, para ser sexy. É o normal, mas sexy não pode ser sinônimo de vulgar. É possível ser sexy com camiseta e calça. As mulheres, em sua essência, são sensuais.
Saída de um país novo como o Brasil, temos alguns nomes na moda como Gisele Bündchen, que é a modelo mais bem paga, a número 1 do mundo.
A Gisele não é a número 1. Isso é um conceito brasileiro, não mundial.
Mas ela está no topo da lista das modelos mais bem pagas do mundo segundo a “Forbes”.
Ser a mais bem paga não significa que ela é a número 1, existem várias “números 1”. Várias modelos que são boas, que não são somente belas, mas têm personalidade, entendem o fotógrafo. Natalia Vodianova também é uma número 1. E outras 3 ou 4 também o são. Ser bem paga não quer dizer que ela seja a mais valiosa para o mundo da moda. Muitas modelos, por exemplo, não fariam Victoria’s Secret. Capisci?
Uma pergunta impossível de não fazer é sobre a Anna Wintour. O que a senhora achou do episódio em que o calendário de moda na Itália diminuiu porque ela avisou que não poderia estender sua estadia em Milão?
Existe um ditado: “A casa mia si mangia quello che mangio Io” (em tradução livre: “Na minha casa, come-se da minha comida”). Não dá para culpar quem vem de fora. É culpa de quem, em casa, não soube se impor.
Onde a senhora costuma comprar suas roupas?
Não tenho regra para isso. Posso passar na frente de uma loja e gostar de alguma coisa. Se tenho que dar algum exemplo, diria a Corso Como 10 [a loja foi fundada pela irmã de Franca, Carla Sozzani].
Você gosta de cozinhar?
Sim, para nós italianos a cozinha não é só questão de comer, mas é um momento onde convivemos entre nós, onde dividimos nossos momentos. Não cozinho, mas tenho meu prato favorito: tortelli di zucca, típico de Mantova, minha região.
Gosta de música?
Temos que ouvir de tudo. Fomos os primeiros a falar da banda Tokyo Hotel. Ouço música clássica, Sting, Tracy Chapman. Mas também gosto de Lady Gaga.
Lê muita revista?
Leio. Muitas. Quer dizer, vejo, vou passando os olhos. Vejo revistas até de arquitetura, decoração.
Quais?
Muitas, não sei dizer. Mas são muitas.
E livros?
Não leio livros teóricos sobre moda. Os livros que leio são de literatura, contos. Leio 3 ao mesmo tempo porque gosto de entender o que está acontecendo e pronto. Às vezes me canso do livro e troco, fico entediada.
A Itália conta com uma matéria-prima de altíssima qualidade e um diálogo constante entre estilistas e artesãos. Isso procede?
Quem desenha, desenha para ser produzido numa matéria-prima, então é óbvia essa troca. Se você vai fazer o sapato, desenhá-lo, vai desenhar em alguma coisa, não é? Assim funciona o nosso made in Italy, que conta com alta qualidade, mas também com muita produção.
Apesar de toda a produção, existe o impacto da crise econômica.
Tem crise sim, é inútil querer esconder. Crise na Itália e em todo o mundo. Nunca houve uma crise como essa, nessas proporções. Ouvimos geralmente sobre crises específicas, mas uma crise geral como essa, não me lembro.
Nem mesmo a crise de 1929?
É muito antiga essa crise, está num passado muito distante. As pessoas dessa época já não existem mais, ninguém lembra.
O que se pode aprender em momentos de crise?
Na crise se aprende a descobrir o novo.
So many pointless blogs! Most of them a waste of time! Tradução livre: Quantos blogs sem sentido! A maioria deles é uma perda de tempo!
The most surprising and annoying thing during fashion week is that everybody is constantly twitting: but who’s watching the shows? Tradução livre: A coisa mais surpreendente e irritante durante uma semana de moda é que todo mundo não para de twittar: mas quem assiste ao desfile?
I don’t care what people think about Carla Sarkozy. She is just GREAT. Tradução livre: Eu não me importo com o que as pessoas pensam da Carla Sarkozy. Ela é DEMAIS.
Not many fashion students can become great designers, but many can achieve important positions in the fashion industry Tradução livre: Não são muitos os estudante de moda que podem se tornar grandes estilistas, mas muitos podem alcançar posições importantes dentro da indústria da moda.
The best part of social networks is getting in touch with people, the worst part is losing your privacy Tradução livre: A melhor parte das redes sociais é o contato com as pessoas, a pior parte é a perda de privacidade.
Beautiful models give suggestions on how to be beautiful. Do you really believe that the same cream will have the same effect on you? Tradução livre: Modelos lindas dão dicas de como ficar bonita. Vocês realmente acham que o mesmo creme vai ter o mesmo efeito em vocês?
This is the period in which everybody only talks about diet. Too late and too boring! Tradução livre: Estamos numa época em que todo mundo só fala de fazer dieta. Muito tarde e muito tédio!
I love reading magazines and books. I love touching the paper. Tradução livre: Eu adoro ler revistas e livros. Amo o contato táctil com o papel.
Maurício Ianês de Moraes nasceu no dia 8 de julho de 1973, em Santos, São Paulo, filho de Rosângela e dos pais (assim mesmo, no plural) Roberto e Arthur. Irmão de William, Lauren e Gabriella, Ianês não fala dos seus sonhos porque se começasse a falar não ia parar mais – tem muitos.
Formado em Artes Plásticas pela FAAP, ele aprendeu na faculdade a ter as dúvidas certas. Conhecido no mercado da moda brasileira como o braço direito de Alexandre Herchcovitch, Maurício Ianês também é atual diretor criativo da marca TNG e chegou a trabalhar, muito de perto, com Alexander McQueen. “No estúdio muitas pessoas tinham problemas com ele. Ele não era fácil. E tinha um senso de humor que não era para todos”.
No início da carreira do Alexandre Herchcovitch, vocês chegaram a dividir um apartamento. Sobre isso, responda:
Como, onde, como e por que vocês se conheceram?
No clube Senhora Krawitz, em 1993. Fomos apresentados pela Marcelona.
Qual era a relação de vocês?
Namorados.
Quanto tempo moraram juntos?
Muitos anos, inclusive depois de o namoro ter terminado. Seis ou sete anos, acho.
Como era o Alexandre como pessoa no dia a dia?
O Alexandre é uma pessoa incrível. Como amigo, namorado e profissional. Sério, passional, mas muito divertido e dedicado. Hoje, para mim, ele é um irmão. Ele sofre uma cobrança diária absurda, e por isso ele obviamente cobra profissionalismo das pessoas que se envolvem no trabalho dele com a mesma intensidade, o que para mim é uma qualidade enorme.
Vocês chegaram a discutir por causa de alguma bobagem (tipo toalha molhada na cama, roupa suja no banheiro, porta da geladeira aberta, louça não lavada na pia…)?
Claro! Não me lembro exatamente o que, mas eu sou, em casa, muito desorganizado, ao contrário dele. Ele era bastante tolerante também com as minhas manias, então brigávamos pouco.
Qual a lembrança que você guarda daquela época?
Tenho memórias incríveis. O Alexandre e a família dele viraram a minha família também. Muito trabalho, muito carinho.
O que ficou no passado?
Um tanto da liberdade de experimentar o que quiséssemos no trabalho do Alexandre. E o namoro, obviamente.
E o que você trouxe para o presente?
Um carinho enorme, um outro tanto da liberdade de experimentar o que quiséssemos no trabalho do Alexandre, e a força de lutar pelas coisas que eu acredito. Muitas delas deram certo.
Quando foi a primeira vez que você resolveu contribuir para um desfile do Alexandre?
Foi no desfile de formatura dele. Nós morávamos juntos, ele e eu trabalhávamos em casa, eu comecei a olhar e dar opinião nas coisas, ele gostou. O desfile foi na Santa Marcelina, os modelos eram na maioria amigos, inclusive a Márcia Pantera, vestida de freira. A passarela era uma cruz invertida em branco. Os temas eram comuns a todos os alunos, mas não me lembro exatamente dos nomes que foram dados a eles. Um deles era hospício….
O que você pensou antes deste primeiro desfile começar?
Tem que dar certo!
E depois que ele terminou?
Deu certo!
O que você pensa hoje antes de um desfile começar?
Tem que dar certo!
E o que pensa quando eles terminam?
Será que deu certo?! Acho que com a experiência veio mais um monte de dúvidas, e uma cobrança sobre o meu trabalho muito maior. Sempre acho que poderia ter feito melhor.
Hoje como funciona a parceria com o Alexandre?
Não temos muitas regras para isso. A cada estação funciona de uma forma, mas temos um contrato onde uma vez por semana eu vou ao estúdio dele para falarmos das coleções. Em geral eu faço a pesquisa de temas, formas, cores, chego com algumas idéias e discutimos tudo junto com a equipe de estilo. Uma vez decididos os caminhos a serem seguidos, começamos os desenhos, pesquisa de tecidos e matérias-primas, provas de roupa, etc. Nessa hora não existe uma regra específica, é um trabalho em grupo bastante fluido. Gosto bastante de desenhar peças para desfile, mas nem sempre isso fica para mim. Prefiro quando o tema faz com que todos se envolvam igualmente, prefiro ver o trabalho como um trabalho em grupo. Acho muito mais enriquecedor, e o Alexandre também gosta e incentiva isso.
O povo quer saber: qual é o método de trabalho que vocês adotaram e que tem dado tão certo?
Acho que já falei um pouco na pergunta anterior, mas posso complementar aqui que muito dos temas vêm da minha pesquisa. Isso porque eu sou curioso, gosto de pesquisar, e porque muito do meu universo é mais underground, o que acaba trazendo influências novas e diferentes para a coleção, e o Alexandre às vezes não tem tanto tempo de ficar indo atrás de coisas novas. Isso tudo deve ser obviamente filtrado, já que o Alexandre como marca já deixou de ser underground faz tempo, muito tempo, apesar de às vezes ainda ter que carregar esse estigma por conta de uma mídia muitas vezes preguiçosa e com pouco poder de análise e conhecimento aprofundado de matérias, modelagens, etc.
Qual é o seu cargo na marca do Alexandre?
Consultor criativo, mas não acho que seja um nome adequado. Faço um pouco de tudo. Só realmente não entro nos negócios, apesar de que quando eu vejo que uma decisão absurda pode ser tomada na empresa levanto a voz para pensar junto em soluções melhores. Não sou alheio a isso.
Por que você continua trabalhando com o Alexandre?
Por ele. E porque ainda é uma marca ou empresa que tem poder de criação, de mudança. Isso me interessa.
Qual a diferença de trabalhar para a TNG e para a AH?
Para o Alexandre tenho maior liberdade, sem dúvida. Os processos são mais rápidos, e temos a disposição uma estrutura de ateliê. Na TNG temos uma preocupação em nos manter dentro de limites mais comerciais que a marca tem, tudo tem que ser voltado para um público mais amplo, o que eu acho bastante interessante.
Como foi a aproximação da TNG?
Depois de a Regina ter saído de lá, eles me procuraram por e-mail. Eu tinha um conhecido que estava cuidando do gerenciamento de produto da marca, o Oscar Rovella, que tinha o meu contato.
Por que você aceitou trabalhar com eles?
Achei desafiador e, sim, achei interessante.
O que podemos esperar destas próximas coleções para AH e TNG?
Acho difícil passar este processo. O desfile do Alexandre vai ser bem forte, e talvez um pouco mais intelectualizado que o anterior, que tinha um apelo mais fácil. Para a TNG vamos tentar manter o frescor que conseguimos com a coleção passada, acho que vai ser uma coleção bem gostosa de ver.
Pode antecipar alguma coisa, qualquer coisa dessas coleções?
Não.
Nada?
Não.
Não mesmo?
Não, não, não.
Então tá, então. Vamos mudar de assunto. Soube que você trabalhou de perto com o Alexander McQueen.
Foi incrível. Sou muito feliz por ter tido essa oportunidade.
Você chegou a conhecê-lo?
Sim, claro! Ele pedia pra gente (eu e meu namorado Sebastian) tomar conta da casa e dos cachorros dele quando viajava, jantava na minha casa, saíamos juntos, éramos próximos. Foi ele quem me apresentou a Isabella Blow, que era casada na época com o Detmar, que tinha uma galeria de arte. Tudo começou quando eu conheci o Sebastian (Pons, estilista espanhol) em um clube em Paris. Começamos a sair juntos, começamos a namorar, e ele me falou que era o estilista da Givenchy (na época em que o Lee desenhava para lá). Logo o Sebastian se irritou com Paris e voltou pra Londres, onde ele tinha estudado com o Lee. Ele era o primeiro estilista do estúdio, e era muito amigo do Lee, o que fez com que eu me aproximasse bastante do círculo todo que pairava em volta deles. O Sebastian era também o melhor amigo do Miguel Adrover, cresceram juntos em uma vila de Mallorca, e ficamos amigos também. Eu gostava muito do Lee, e ele sempre foi muito carinhoso e generoso comigo, e no tempo em que mudei para Londres para morar com o Seb, ele me ajudou muito, muito mesmo, me colocando em contato com o mundo das artes londrino. Quando soube que eu trabalhava com moda também começou a encomendar projetos especiais para mim, peças de desfile, etc. No entanto no estúdio muitas pessoas tinham problemas com ele. Ele não era fácil. E tinha um senso de humor que não era para todos.
O que você fez exatamente quando trabalhou lá?
Desenvolvi projetos especiais para dois desfiles McQueen, e um para Givenchy. Lembro da Ana Cláudia Michels e da Gisele [Bündchen] nesse desfile da Givenchy. Foi incrível encontrar com elas lá. Também desenhei uma linha de acessórios masculinos para o licenciamento japonês que ele tinha. Durante os desfiles, quando terminava as peças que ele e a Kate England solicitavam, ficava de assistente da Kate.
A moda te enriqueceu no sentido material da palavra?
Não, não mesmo.
E no sentido transcendental, de valores?
Sem dúvida, muito.
Suas performances artísticas foram todas muito intensas.
Não sei se tenho uma mensagem a transmitir, acho que tenho uma mensagem para ser construída ali, ao vivo. Quero construir esse significado com o público, deixar que ele tome parte ativa deste processo; mas uma preocupação que tenho é de sempre procurar banir a tal aura da obra de arte. Quero obras abertas, abertas ao público (nem sempre interativas, mas que contem com a disponibilidade do público para construir junto ao trabalho a tal mensagem).
Você não acha que as suas performances são um pouco… hmmm… cabeçudas?
Hahahaha! Adoro o termo “cabeçudo”, mas o que é um trabalho cabeçudo? É um trabalho que tenta fazer com que as pessoas pensem fora dos padrões gastos do cotidiano? É um trabalho que exige pensamento? Acho que meu trabalho em geral pede uma disponibilidade e uma abertura das pessoas, sim. Se elas não se aproximam do trabalho com essa atitude, o trabalho não existe. Claro, em alguns trabalhos eu cito filósofos, poetas, questiono a história da arte, teoria da linguagem, mas não acho que exija do público esse conhecimento específico, acho que meu trabalho vive muito bem sem “bula”, sem o conhecimento das teorias de liguagem, filosofia, etc, que entram em jogo no meu processo criativo. No entanto, o meu trabalho não vive sem a disponibilidade do público. Não quero trabalhos que possam ser vistos e digeridos em dois segundos.
A arte não deveria se popularizar mais?
A arte deve ser o lugar de pensamento público por excelência, e desta forma inerentemente política. O que não quer dizer que ela tenha que ser simplista ou fácil. Muito pelo contrário. Ela deve ser de digestão difícil. Ela deve dar poder às pessoas, e fazê-las perceber e questionar o poder que elas têm, e isso pode incomodar. O poder de questionamento, de diálogo, de interferir na sociedade, mas para isso o público deve ter uma atitude aberta em relação a ela. É interessante perceber por exemplo que os maiores exemplos de arte “difícil” que temos na história tiveram na verdade as suas origens em uma tentativa de popularizar a arte. Penso aqui em Malevich, Mondrian, Ad Reinhardt, a arte conceitual, o minimalismo, entre outros… Todos tentaram tirar a aura e o distanciamento que a arte tem para aproximá-la do público, mas o público (ou o mercado?), com medo de ter em mãos esse poder, acabou criando para esses movimentos uma aura maior ainda.
Quem são seus ídolos?
Ludwig Wittgenstein. De resto, Paul Celan, Samuel Beckett, Louise Bourgeois. Mas não gosto de ídolos.
Por que eles/elas são seus ídolos?
L.W.: Pelas opções de vida que teve e pela solidez de seu caráter. Pelo menos pelo que o seu biógrafo mostrou. Pelo questionamento radical, mesmo que às vezes problemático, às estruturas do pensamento e da linguagem que o seu pensamento filosófico trouxe.
P.C.: Pela sua poesia.
S.B.: Pela solidez e qualidade do seu trabalho.
L.B.: Pela sua persistência. Não sou grande fã do seu trabalho, mas ela é para mim sempre um exemplo de força e persistência.
Onde uma pessoa comum que está interessada em arte deve começar a procurar?
Em casa, no seu cotidiano. Questionando e observando as suas atitudes e padrões cotidianos. Sempre penso em Joseph Beyus e seu trabalho “A revolução somos nós”. Depois, acho que hoje a internet oferece bastante conhecimento básico. Além de, obviamente, visitar galerias e museus.
A partir daí, não faltam cursos razoáveis de estética e história da arte, apesar de eu achar que a maioria deles é tão antiquada que pode destruir um processo que seria muito mais interessante se fosse solitário.
Quais são as galerias boas de São Paulo?
Luisa Strina, Fortes Villaça, Vermelho, Triângulo, Leme.
Moda é arte?
Moda é moda, arte é arte, mas gosto quando tudo fica fluido, apesar de no meu trabalho mesmo isso acontecer pouco.
Moda é business?
Sim.
Arte é business?
Sim.
O que é arte?
Um meio complexo de comunicação e questionamento; um ramo da cultura humana, um meio de expressão, um trabalho.
O que é moda?
Um meio complexo de comunicação e questionamento, com funções específicas, em geral bastante relacionado a uma cultura, e um trabalho.
O que é business?
A troca de produtos – abstratos ou não – vinculados aos desejos de uma sociedade, com valor agregado diretamente relacionado a intensidade deste desejo.
E pra terminar, um recado, qualquer recado, para uma pessoa, qualquer pessoa.
Que entrevista difícil, André!!!
Comida.
Qualquer coisa vegan. Sério, gosto de tudo, especialmente comida mediterrânea, árabe, espanhola e italiana.
Um sonho realizado.
Visitar a Islândia, que virou meu lar de coração. Amo o lugar, a natureza, as pessoas, meus amigos de lá. Apesar de não nos vermos tanto, eles têm um lugar especial no meu coração. Acho que o maior sonho na verdade, e que se relaciona com esse, é o de poder ter amigos espalhados pelo mundo e ser capaz de me comunicar com eles, e entender as especificidades de cada um.
Um sonho a se realizar.
Se eu começasse a falar, não ia parar mais. Tenho muitos.
Um medo que superou.
Não tenho muitos medos, mas ficar nu em público era um dos poucos que me afligiam, e um dos maiores. Superado.
Um medo que prefere nem lembrar.
Já me confrontei com esse medo, e fui obrigado a superá-lo. A morte de minha mãe.
Animal de estimação.
Quatro gatos e muitos peixes em dois aquários.
Bebida.
Água.
Copyright ou copy left?
Copy left. Hoje o mundo é cheio de contextos e situações diferentes para que as cópias permaneçam cópias autênticas por muito tempo. No entanto, na hora de criar, não olho muito pra fora.
Viagens.
Islândia (Reykjavík e adjacências), a última viagem para Paris, que durou 6 meses, e Israel. Islândia porque era um sonho de criança, porque tive contato com pessoas especialíssimas e muito carinhosas, e pela natureza. Paris porque tive a oportunidade de experimentar melhor a cidade, e conhecer pessoas que foram muito importantes para mim. Israel pela constante tensão social que me trazia para uma constante consciência sócio-política o tempo todo, além de o país ter uma atmosfera de espiritualidade inacreditável. Impossível não ficar contaminado e impressionado com isso. Além do que, estar em um deserto é uma experiência especialíssima.
Se não fosse o que você é, você gostaria de ser um:
a) índio americano
b) esquimó
c) cigano do leste europeu
d) chefe da tribo ndebele
e) boia fria
f) cowboy
Difícil. Prefiro ainda continuar sendo o que eu sou experimentar um pouco das vidas destas opções todas. Gosto de vivenciar e experimentar culturas diferentes, e absorver um tanto delas pro meu cotidiano. Já convivi e continuo convivendo com pessoas muito diferentes, sou aberto a isso, gosto de ouvir o que elas têm a dizer e trocar experiências com elas. Por isso acho que não sonho muito em ser alguém diferente. Prefiro ir lá e ter a experiência de vida sendo eu mesmo. Mas hoje sempre que eu entro em crise ainda penso em duas opções, que podem se realizar se a crise for muito grande: criar ovelhas no interior da Islândia ou ser um estudioso da Torah em Jerusalém ou Tsfat. Já cheguei perto disso várias vezes, mas acabei voltando atrás na decisão.
Filosofia.
Muitas. Mas acho que resumo tudo em uma tentativa de levar uma vida baseada na ética, no respeito e na tolerância. Sou aberto a mudanças. Procuro sempre ser bem humorado, mesmo quando sou mal humorado. E sou vegan radical, por princípio.
Lembrança mais marcante da infância.
Quando eu aprendi a ler. Achei mágico. Pintar desenhar com a minha mãe, eu chegava a ficar febril de tão feliz. Lembro também de ser bem silencioso, mas de ter dias em que eu falava sem parar. Uma outra memória que até hoje eu guardo com muito carinho e bastante nostalgia eram os passeios das noites de Domingo, quando minha mãe e meu pai (o Arthur) me levavam para passear pela avenida da praia, de carro. Ouvíamos música, eu ficava olhando a praia e a cidade, e dormia. Sempre voltava dormindo, e era carregado pra cama.
Melhor amigo(a).
Não gosto de falar em melhores amigos. Todos os meus amigos que fazem parte da minha vida cotidiana de fato são meus melhores amigos, e tenho sorte de trabalhar ao lado de alguns deles.
Hobbies.
Ler, ir ao cinema, ficar com amigos, irmãos, e o namorado.
Televisão.
Raramente, mas gosto de ver documentários sobre as ciências e sobre os animais. De resto, acho a maioria da programação repulsiva. Uma piada burra.
Filme.
“Nostalgia”, de Andrei Tarkovsky e “O Espelho”, do mesmo diretor.
Música.
Barulhos, adoro prestar atenção a barulhos ordinários. Além disso, Grouper, Yellow Swans, Prurient, Luigi Nono, Xela, William Fowler Collins (ouça no player abaixo), Colleen, Burzum, entre outros.
Cheiro.
Pele, cheiro dos meus bichos, e “Odeur 53″.
Tatuagens.
Considero os meus dois braços fechados uma tatuagem só. Fora essa, tenho mais 6.
Qual foi a primeira?
A primeira foi “soterrada” pela tatuagem preta no meu braço esquerdo. Era o desenho de uma sereia do artista Odilon Redon.
E a mais recente?
A do meu queixo. Faz tempo que não faço uma nova.
E qual é a sua favorita?
Não tenho favorita, gosto de todas, mas acho a do queixo especial.
Felicidade.
Produzir, trabalhar e ver arte. Ficar em casa com meu namorado e meus bichos, ou com a família, também me faz feliz, apesar de eu acabar ficando pouco com a minha família.
Tristeza.
Ficar improdutivo e me deparar com situações de intolerância e falta de respeito.
Revistas.
Regularmente leio a “ArtForum”, “Dazed and Confused”, “i-D”, “Vogue Itália”. O resto eu não leio com tanta regularidade. Sinto falta da “Dutch”.
Livro.
“O Processo”, de Franz Kafka.
O que você aprendeu de fato na faculdade?
A ter as dúvidas certas.
E o que a vida lhe ensinou de mais importante?
A não ficar estagnado e a correr atrás das minhas crenças, mesmo que sozinho.
Cecilia Gratian Dean nasceu no dia 10 de janeiro de 1969, no estado da Califórnia, EUA, e gosta de incluir seu signo zodiacal em todas as conversas: “Sou capricorniana, obcecada por organização, odeio viajar, adoro minha rotina, tenho a agenda mais complexa e estruturada que você pode imaginar”.
Aos 41 anos de idade, Dean é cofundadora da revista “Visionaire”, publicação que foi criada em 1991 “para publicar materiais de fotógrafos que eram rejeitados por outras revistas mais comerciais”. Mas, segundo a própria, “isso foi há muito tempo, hoje nossa missão é outra”.
A partir do dia 11 de maio, São Paulo recebe, no Instituto Tomie Ohtake, a exposição “Visionaire – Para Todos os Sentidos”, mostra com curadoria de Albretch Bangert, que considera a publicação “um verdadeiro objeto de arte”, contrariando Dean, que contou ao FFW: “A revista não é uma obra de arte, mas sim uma plataforma onde artistas podem se expressar. Eu acho que a ‘Visionaire’ é legal. Só isso”.
Fale sobre o conceito da “Visionaire”.
A ideia original era publicar materiais inusitados. Na época os fotógrafos clicavam para as revistas mais comerciais, mas tinham trabalhos pessoais incríveis: paisagens, retratos, nus artísticos, etc. Mas ninguém queria publicar esse tipo de coisa. Então criamos uma plataforma para esse tipo de conteúdo.
Porque a ênfase na palavra “original”? Alguma coisa mudou?
A revista nasceu em 1991, muito tempo se passou. Hoje é tudo diferente, existem várias publicações independentes no mercado, os fotógrafos conseguem expor seus trabalhos em galerias, conseguem lançar livros de fotografias, nada disso era possível no começo dos anos 90. Tudo mudou.
Para melhor ou pior?
Acho que sempre pra melhor. Eu acho que uma mudança é sempre bem vinda, às vezes pode até parecer ruim, mas no fim é possível extrair o lado bom de qualquer transformação. Quanto mais espaço criativo temos, melhor. Hoje, o conceito original da “Visionaire” é irrelevante.
Como assim?
Não foi uma coisa consciente, evoluímos com o tempo. Nossa razão de ser evoluiu. Hoje, mais do que apenas oferecer um espaço para os artistas mostrarem seus trabalhos, nossa missão é desafiá-los.
Dê um exemplo.
Por exemplo a edição #42, intitulada “Scent” [cheiro, em português]. O desafio que demos aos artistas foi o de criarem conceitos sobre o cheiro de suas imagens, o que é uma coisa super esquisita, além de ser um desafio que nenhuma outra revista do mercado poderia oferecer. O mesmo tipo de desafio aconteceu nas edições #47, intitulada “Taste” [sabor, em português] – qual o gosto da sua imagem? –, e “Sound” [som, em português], em que os artistas tinham que gravar um som de um minuto de duração que representasse a sua obra. Essa é a nossa essência hoje: desafiar a criatividade dos colaboradores.
Por falar em colaboradores, o time da “Visionaire” é sempre do alto escalão. Como é gerenciar os superegos dessas pessoas?
Preciso ter muita paciência, e muita calma.
Eles são como multinacionais, fazem rios de dinheiro, não têm tempo pra nada…
Então, meu trabalho é inventar um tema tão desafiador e instigante que ninguém vai conseguir dizer não ao nosso convite. É extremamente complicado ter alguém como a Yoko Ono colaborando com a sua revista – ela é a pessoa mais ocupada do mundo, faz zilhões de coisas que dão muito mais dinheiro, então porque ela perderia seu precioso tempo fazendo algo, de graça, para a “Visionaire”? Por que as nossas ideias são tão insanas que nenhum artista consegue recusar!
Fazer uma edição nessas condições não deve ser muito simples.
Nao é mesmo. Uma única edição da “Visionaire” pode levar até oito meses para ficar pronta.
Uau! Oito meses?
Sim. E publicamos até 3 edições por ano.
E cada revista tem que ser um desafio único.
Viu a encrenca que é minha vida? (risos) Pessoalmente não gosto de mudanças, sou capricorniana, gosto de rotina, adoro ter horário para chegar e sair do trabalho, gosto de ter uma mesa com tudo no lugar, odeio viajar, minha agenda tem que estar sempre muito organizada. Mas ao mesmo tempo, do ponto de vista da criação, a mudança é essencial: na “Visionaire” a cada edição o layout muda, a embalagem muda, o modo de fazer muda.
Muda de acordo com a criatividade ou de acordo com o patrocinador?
Cada projeto da “Visionaire” tem apoio de um patrocinador. Já fizemos parcerias incríveis com Calvin Klein Collection, Louis Vuitton, Comme des Garçons, Smart. Mas para um patrocinador firmar parceria com a gente é preciso muito estudo, tem que ter uma relação direta e saudável com a nossa produção criativa. Pra gente, a definição de publicação vai além da tinta no papel. Tivemos uma edição publicada inteiramente no formato de toy arts (“Visionaire” #50, “Artist Toys”) em que usamos um objeto tridimensional no lugar do papel. Para nós, isso é um tipo de publicação editorial. A edição “2010″, por exemplo, vem no formato de uma tela digital que contém 365 trabalhos de arte, um para cada dia do ano. Apesar de ser um aparelho eletrônico, ele roda um conteúdo, então é uma publicação.
Então o futuro da publicação editorial está nas novas tecnologias?
O futuro está em explorar as novas possibilidades de publicação, e isso muitas vezes vai ao encontro das novas tecnologias. A “Visionaire” é diferente de todas as outras revistas porque é uma publicação que você pode adquirir agora, guardar, e daqui cinco anos vai ter vontade de abrir de novo e ainda vai poder apreciar o conteúdo.
Isso é fato: tem muita gente que coleciona a revista como se fosse uma obra de arte.
A revista não é uma obra de arte, mas sim uma plataforma onde artistas podem se expressar. Eu acho que a ‘Visionaire’ é legal. Só isso.
Mas se eu colocasse essa tela digital (edição “2010″) na sala da minha casa, as pessoas achariam que é uma obra de arte.
Fico lisonjeada, mas continuo afirmando que é apenas uma publicação editorial.
Uma publicação muito bem sucedida, que até gerou novas revistas, caso da “V” e da “VMan”.
As duas revistas são como filhas da “Visionaire”. Em 2001, quando a revista completou 10 anos de existência, percebi que tínhamos um veículo livre para se expressar artisticamente, mas ao mesmo tempo recebíamos pautas incríveis e que não cabiam dentro das edições temáticas, então foi natural criarmos extensões que fossem mais flexíveis, mais simples no formato, de distribuição mais fácil e rápida assimilação do público. Além disso, a “V” e a “VMan” são ótimos canais para anunciantes.
Então o dinheiro vem delas?
Na “Visionaire” só trabalhamos com grandes patrocinadores, mas não no formato tradicional de anúncio. Então, quantitativamente, a “V” e a “VMan” arrecadam muito mais. A coisa começou unissex, mas como o mundo da moda é naturalmente mais feminino, resolvemos fundar a revista masculina, que só sai 4 vezes ao ano, sendo ainda mais simples e mais fácil de distribuir.
(QUASE) TUDO SOBRE CECILIA DEAN
Nome
Cecilia Gratian Dean
Nascimento
Califórnia, 10 de janeiro de 1969
Animais
Dois gatos e um cachorro. A gatinha mais nova se chama Chechi, o gato adulto é o Pookie. E o cachorro atende pelo nome de Mott.
Flor
Crisântemo.
Comida
Pato, foie gras, picadinho. Amo carne, mas é impossível comer carne boa nos EUA. Então quando viajo a países como o Brasil, como carne como se não houvesse o amanhã.
Bebida
Caipirinha sem açúcar.
Por que sem açúcar?
Não gosto de coquetéis doces, prefiro as bebidas azedas ou amargas, do tipo que te fazem despertar a cada gole. Adoro Dirty Martini e Mojito.
Perfume
Não uso. Na verdade, às vezes eu uso, a gente fez uma edição há alguns anos chamada “Scent” e uma das fragrâncias era chamada “medo”. É pura essência de dormideira [uma flor, nome científico: Mimosa pudica] e tem um cheiro estranho. Gosto de exalar cheiro de medo.
Medo
Sempre tive medo de passar fome e não ter onde morar. Ironicamente, meu atual namorado é dono de restaurantes e já teve uma construtora, então acho que consegui superar meus medos. Nunca vou passar fome saindo com um dono de restaurantes, e ele também sabe como construir casas.
Maior desafio
Tenho o desafio constante de criar ideias geniais, e quanto mais ideias eu tenho, mais difícil se torna ter novas ideias.
Maior recompensa
Em 2011 vamos celebrar 20 anos, para mim é sensacional, quando começamos eu não tinha ideia que chegaríamos tão longe. Essa é a maior recompensa.
Sonhos
Eu gostaria de ser multimilionária, mas nao sei se isso vai acontecer.
O que você faria com tanto dinheiro?
Contrataria mais equipe, faria mais caridade – eu faço, mas é dificil balancear com o trabalho, eu tenho uma equipe que preciso pagar. Se eu tivesse mais dinheiro, teria mais equipe e mais tempo para caridade.
Dentro do seu armário
No hotel ou na minha casa?
No hotel
Pouca coisa.
Tipo?
Uma blusa da Ohne Titel, um par de calças Balenciaga que tenho há mais de 10 anos, saltos da Calvin Klein, camisa e saia Marc Jacobs.
E em casa?
Tenho muitas camisas com babados da Givenchy – amo babados. Tenho muitas calças pretas e muitos saltos altos. Eu amo saltos altos. Meu designer de sapatos favorito é um jovem inglês chamado Nicholas Kirkwood. Também amo os tricôs da Rodarte. Tenho muita coisa do Margiela. E uso Helmut Lang todos os dias.
As 3 últimas compras.
1) Camisa branca com babados Givenchy
2) Um retrato da fotógrafa Nan Goldin
3) Uma escultura de parede do artista Cat Chow
Seu lema
Meu lema é: porque escolher se você pode fazer tudo. As pessoas sempre dizem que você tem que fazer isso ou aquilo, escolher entre A, B ou C. Eu acho que a gente tem que fazer tudo ao mesmo tempo. Obviamente você precisa editar, esse é meu outro lema: editar é o segredo da vida. Então saiba editar, mas faça tudo o que tiver vontade.
Futuro
Não tenho ideia de como vai ser o meu futuro. Mas sei que ele só depende de mim.
Exposição: “Visionaire – Para Todos os Sentidos” QUANDO 11 de maio de 2010, às 20h
Até 13 de junho de 2010, de terça a domingo das 11h às 20h
Entrada franca
Instituto Tomie Ohtake ONDE Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) – Pinheiros / SP CONTATO (11) 2245.1900