Ícone da fotografia moderna, Cartier-Bresson ganha mostra; reveja fotos

18/05/2011

por | Cultura Pop

abre-henri-cartier-bresson-exposição-Museum-für-Gestaltung-ZürichIndonésia, Bali, 1949 ©Henri Cartier-Bresson / Magnum Photos

Henri Cartier-Bresson (1908-2004) ajudou a definir os caminhos da fotografia no século 20 — simples assim. Quem estiver na Suíça até o dia 24 de julho, então, não pode perder a exposição do Museum für Gestaltung Zürich, que faz uma retrospectiva do trabalho do francês cujo pioneirismo abriu caminho para o fotojornalismo como o conhecemos hoje.

A mostra “Henri Cartier-Bresson” traz mais cerca de 300 fotografias organizadas em ordem cronológica e que mostram diversos momentos de destaque da carreira de Bresson, como a cobertura da Guerra Civil na Espanha e o funeral de Ghandi. Quem acompanhar as imagens vai poder notar a evolução do seu estilo, que se libertou do rigor estético – e estático – da fotografia da época para registrar imagens “vivas”, reais, espontâneas.

“Há fotógrafos que inventam e outros que descobrem. Pessoalmente, interesso-me pelas descobertas, não para fazer provas ou experiências, mas para pegar a vida em si. Fujo aos perigos do anedótico e do pitoresco, que são mais fáceis e mais respeitáveis do que o sensacional, embora igualmente maus. No meu entender, a fotografia tem o poder de evocar e não simplesmente documentar. Devemos ser abstratos de acordo com a natureza. Qualquer pessoa pode fazer fotos. Já vi no ´Herald Tribune´ algumas de um macaco que lidava tão bem com uma Polaroid quanto certos proprietários daqueles aparelhos. E é justamente por estar o nosso “metier” aberto a todo mundo que ele continua extremamente difícil, a despeito de sua fascinante facilidade”, ele escreveu sobre seu ofício.

Veja algumas das imagens de Cartier-Bresson que estarão presentes na exposição:

“Henri Cartier-Bresson”
Até 24 de julho de 2011
Museum für Gestaltung Zürich
Ausstellungsstrasse 60
CH-8005 Zurique, Suíça

Exposição destaca figurinos históricos do cinema britânico

17/05/2011

por | Moda

the-duchess“A Duquesa” ©Reprodução

Quando se fala em cinema britânico sempre se pensa nos atores ou ainda nos diretores, mas pouco se fala sobre os figurinistas dos filmes, que acumulam tantos prêmios quanto as demais categorias. Pensando exatamente neles o “Fashion Museum”, em Bath, na Inglaterra, promove a exposição “Dressing the Stars: British Costume Design at the Academy Awards”, de 12 de julho a 29 de agosto.

Serão contemplados na mostra, além de figurinos que já foram dignos de premiação, clipes dos filmes, entrevistas com figurinistas sobre o processo de criação de uma obra premiada, enfim, a evolução do momento que se recebe o roteiro da obra até sua finalização. A curadora da exibição, Yvonne Hellin-Hobbs explica que a ideia é “… mostrar alguns espetaculares e icônicos figurinos de ótimos filmes. É também a chance de levar à atenção do público o processo de criação, e os criadores por trás disso; outro grupo de britânicos no tapete vermelho”.

hamletCena de “Hamlet”, de 1948, ganhador do Oscar de Melhor Figurino ©Reprodução

O primeiro britânico a ganhar um Oscar por Melhor Figurino foi Roger Furse, por “Hamlet”, em 1948. Desde então, foram muitos os naturais da terra da Rainha que receberam prêmios e indicações da Academia norte-americana e britânica por trabalhos como “Shakespeare Apaixonado”, por Sandy Powell, “A Duquesa” (que teve boa parte de suas cenas gravadas nas salas do Museu), por Michael O’Connor, a trilogia “Piratas do Caribe”, por Penny Rose, e “A Amante do Tenente Francês”, por Tom Rand. O figurino mais recente da exibição é de Jenny Beaven, autor do trabalho indicado ao Oscar 2011, “O Discurso do Rei”.

kingIndicado ao Oscar de Melhor Figurino de 2011, “O Discurso do Rei” ©Reprodução

Mestre do drapeado, Madame Grès ganha retrospectiva em Paris; veja seu trabalho

16/05/2011

por | Moda

abre-madame-gres-ganha-exposição-em-parisVestido de Madame Grès clicado por Henry Clarke para a “Vogue” francesa em 1954 ©Reprodução

E dá-lhe exposições de moda em 2011! A dica da vez é a primeira mostra retrospectiva parisiense dedicada a Madame Grès (1903 – 1993), ícone da alta-costura  francesa conhecida por seus drapeados tão detalhados que mais pareciam esculturas. Similaridade que, aliás, não era mera coincidência. Quando criança, essa era a profissão que ela queria seguir, tendo afirmado diversas vezes: “Eu queria ser escultora. Para mim é a mesma coisa trabalhar o tecido ou a pedra”.

A exposição “Madame Grès, La Couture à L’Oeuvre”, que fica em cartaz no Musée Bourdelle até 24 de julho, aproveita esse paralelo entre moda e arquitetura para espalhar as peças de Madame Grès pelo museu, misturando-as ao seu acervo fixo em vez de isolá-las em uma sala própria. Ou seja, as cerca de 80 vestimentas mais os sketches e as fotografias relacionadas à estilista poderão ser vistas ao lado de esculturas e outras obras de arte.

História e legado

Madame Grès só adotou esse nome em 1942, ano de fundação de sua maison; seu nome completo na verdade era Germaine Émilie Krebs. O “Grès” era um anagrama parcial do nome do seu primeiro marido, Serge Czerefkov, que, aliás, a abandonou pouco depois da criação do atelier.

Fracasso matrimonial à parte, Madame Grès é reconhecida ainda hoje por seu trabalho luxuoso que conquistou Marlene Dietrich, Greta Garbo e Dolores del Río, entre outras, e pelo design atemporal e impressionante detalhismo que influenciou estilistas como Yves Saint Laurent e Halston.

Veja algumas das peças à mostra no Musée Bourdelle:

Marc Jacobs ganha super mostra em Paris, pelo trabalho na Louis Vuitton

16/05/2011

por | Moda

marc_abre©Reprodução

O próximo nome da moda a ter uma exposição para chamar de sua é o americano Marc Jacobs, que vai ganhar uma retrospectiva de seu trabalho na Louis Vuitton, no Les Arts Décoratifs, que faz parte do Musée de La Mode et du Textile du Louvre. É neste mesmo museu que acontecerá a exposição do trabalho de Hussein Chalayan, inclusive.

marcjacobs_logo

Os LV’s estilizados por Takashi Murakami, Stephen Sprouse e Richard Prince ©Reprodução

A curadora do museu, Pamela Golbin, explicou que a mostra será dividida em dois períodos históricos da marca, com base nos homens mais importantes na evolução da Maison: a revolução industrial representada pelo nascimento da Louis Vuitton, em 1854, quando seu fundador fazia malas artesanalmente, e a globalização da moda, simbolizada pela entrada de Marc Jacobs na direção criativa da marca, em 1997. Um dos símbolos do estilista na casa são os monogramas LV estilizados, que desde sua criação, em 1896, não haviam sofrido nenhuma alteração. A exposição entra em cartaz no próximo ano.

Confira na galeria abaixo o trabalho de Marc Jacobs na Maison, desde 2000.

Metropolitan, em NY, inaugura exposição histórica sobre obra de McQueen

03/05/2011

por | Moda

mcqueen cenarioUm dos espaços da exposição, dedicado a objetos e acessórios ©Reprodução

Começa hoje a exposição “Alexander McQueen: Savage Beauty“,  no Metropolitan Museum’s Costume Institute. Em um baile de gala capitaneado por Anna Wintour, diversas celebridades da moda, da música e do cinema, apareceram para a abertura da mostra, vestindo looks do estilista, em um clima total de homenagem e saudosismo.

expo-mcqueen3Look de Primavera-Verão 2010

A exposição, que celebra o trabalho do estilista morto em 11 de fevereiro de 2010, traz peças de todas as suas coleções, desde “Nihilism” (1994) até a póstuma “Angels & Demons” (2010).

expo-mcqueen2Na mostra e no desfile: Outono-Inverno 2009/2010

Veja algumas imagens das peças expostas e relembre o talento extraordinário de McQueen (para o catálogo, as fotos foram feitas com modelos de verdade para garantir movimento, e depois tratadas digitalmente para transformá-las em manequins; a ideia é que o foco seja exclusivamente nas roupas).

“Alexander McQueen: Savage Beauty”  fica no Metropolitan Museum’s Costume Institute até 31 de julho.

Bowie em NY: exposição traz retrospectiva da vida do camaleão do rock

29/04/2011

por | Cultura Pop

lifeonmars2David Bowie no vídeo de “Life on Mars” ©Reprodução

A partir de 9 de maio, os fãs de David Bowie que estiverem por Nova York poderão ver uma exposição-retrospectiva sobre a vida do músico no Museu de Arte e Design da cidade. “David Bowie, Artista” é uma exposição multiplataforma sobre os diversos trabalhos de Bowie — de suas raízes em performances em cabarés e no teatro de vanguarda até a turnê da sua persona Ziggy Stardust, um espetáculo revolucionário que sintetiza teatro, música e arte contemporânea em um espetáculo de rock.

A mostra terá ainda a participação de Bowie em vídeos, com o trabalho dele no cinema — como no filme “Labirinto” — e no teatro. A exposição terá fotografias, vídeos e quiosques interativos para relembrar os momentos mais emblemáticos do camaleão do rock. Imperdível a retrospectiva da vida de uma pessoa que mostra talento em tantas facetas artísticas.

David Bowie, Artist

De 9 de maio a 7 de julho de 2011
MAD Museum
2 Columbus Circle
Nova York
Preço: US$ 15. Estudantes e idosos pagam US$ 12 e membros do museu não pagam

Verão europeu: maison Christian Dior ganha megaexposição na Rússia

26/04/2011

por | Moda

maison-christian-dior-ganha-megaexposição-na-russiaImagem da “Inspiration Dior” no Museu Pushkin de Moscou ©Max Avdeev/WWD

2011 é o ano das exposições de moda! Depois de falar das mostras retrospectivas de Yohji Yamamoto no V&A, Alexander McQueen no Costume Institute do MET, Jean Paul Gaultier no Musée des Beaux-Arts e Pierre Cardin no shopping Iguatemi, o FFW agora dá detalhes sobre a “Inspiration Dior”, que acontece no Museu Pushkin, em Moscou, de 28 de abril a 14 de julho.

Seguindo a filosofia “the show must go on” com que a maison realizou seu desfile logo após o escândalo anti-semita de John Galliano, a Dior inaugura essa exposição que celebra a relação entre sua história e o mundo da Arte. Ao lado dos cerca de 120 vestidos de alta-costura da grife, estarão à mostra quase 60 obras de arte que inspiraram ou foram inspiradas pela Dior — algumas dessas peças são emprestadas de museus e outras são aquisições da maison, como a foto “Dovima With Elephants” (1955) de Richard Avedon.

O próprio Christian Dior tinha uma relação íntima com o mundo artístico: antes de se tornar couturier, ele dirigia uma galeria de arte em Paris. Para Florence Muller, historiadora de moda e curadora da exposição, essa experiência como galerista foi curta, mas marcante: “Ele construía formas no corpo que deixavam a mulher mais bonita sem interromper a silhueta natural. Seu trabalho estava entre a arquitetura e a escultura”, ela afirma no site da “Vogue” norte-americana.

Dividida em seis salas, toda a produção da Dior estará representada na mostra, com criações do fundador e seus sucessores: Yves Saint Laurent, Marc Bohan, Gianfranco Ferré e John Galliano. E por falar em sucessores e Galliano… não, ainda não há notícias de quem vai substituí-lo na maison.

“Inspiration Dior”
De 28 de abril a 24 de julho de 2011
Pushkin Museum of Fine Arts
12 Volkhonka
Moscou, Rússia

Exposição desvenda o movimento artístico do culto à beleza

25/04/2011

por | Cultura Pop

abre-exposição-no-victoria-and-albert-sobre-o-culto-a-beleza“Pavonia”, Frederic Leighton, 1858-9 ©Christie’s

“Mas a beleza, a verdadeira beleza, acaba onde começa a expressão intelectual. O intelecto é em si uma forma de exagero e destrói a harmonia de qualquer rosto. Assim que nos sentamos a pensar, ficamos todos nariz, todos testa, ou outra coisa horrenda. Veja esses homens que triunfam em qualquer profissão intelectual. São completamente hediondos!”. Essas palavras, ditas pelo personagem Lord Henry no livro “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde, poderiam servir como resumo do Esteticismo, movimento que teve o próprio Wilde como um de seus principais representantes e que ganha exposição no museu V&A, em Londres.

“The Cult of Beauty: The Aesthetic Movement 1860-1900” fica em cartaz até julho e explora todas as manifestações desse movimento que colocava a beleza como bem maior e objetivo a ser atingido nas artes, design, literatura e moda. Dividida em quatro seções de ordem cronológica, a mostra tem pinturas, desenhos, roupas, joias, livros e mobiliário da época, com obras de seus artistas mais representativos: o artista e designer Edward Burn-Jones, o pintor James Whistler, o ilustrador Aubrey Beardsley e o escritor Oscar Wilde, entre outros.

Para Stephen Calloway, curador da exposição, um dos pontos curiosos a se observar no Esteticismo é que a intensa busca pela beleza do início do movimento vai se transformando em uma curiosidade e fascinação pelo macabro. “Não é por acaso que um número tão extraordinário das imagens sejam, de alguma forma, lânguidas. Se você realmente decide que a beleza existe apenas por si mesma e não leva a mais nada, então para onde isso vai? Eu acho que essa é a questão central, e acho que certamente há algo meio doentio nisso. Há a sensação de que tudo termina em decadência e isso é parte do que nós queríamos explorar nesta exposição”, ele afirma em entrevista ao site da “AnOther Mag”.

O próprio “O Retrato de Dorian Gray”, citado ao início deste texto, é exemplo dessa combinação “beleza + morbidez”. Na obra (que aliás, tem uma adaptação cinematográfica atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros), Dorian Gray é um jovem belo e inocente –- até que se apaixona pela própria beleza representada em um retrato pintado pelo amigo Basil Hallward e, sob a influência do aristocrata hedonista Lord Henry Wotton, se joga impulsivamente na busca do prazer e da beleza que eventualmente se transformam em tragédias.

Trazendo o Esteticismo para a atualidade, Stephen Calloway faz um paralelo entre a obra do artista Dante Gabriel Rossetti, um dos precursores do movimento, e os irmãos Chapman, que despontaram no cenário artístico londrino no início dos anos 1990: ele afirma que Rossetti tornou-se recluso ao fim da vida, “cercando-se de coisas realmente bizarras. É muito provável que os derivados de ópio em que ele estava viciado lhe causavam visões que se manifestaram em seus extraordinários quadros finais. Eu acho que há uma sensação distinta de um crescente interesse no macabro e até no extremamente grotesco, e às vezes você tem a sensação, com certas figuras, de que elas quase tinham prazer em chocar, algo que rende uma aproximação com os irmãos Chapman”.

The Cult of Beauty: The Aesthetic Movement 1860-1900
Até 17 de julho de 2011
£ 12
Museu Victoria and Albert
Cromwell Road
Londres SW7

Pierre Cardin chega ao Brasil para semana de eventos e lançamentos

25/04/2011

por | Moda

Foto Pierre 1-1O estilista Pierre Cardin © Divulgação

Nesta terça-feira (26.04) São Paulo recebe a visita de Pierre Cardin, estilista visionário, que nos anos 60, ajudou a mudar os rumos da moda junto com os colegas Paco Rabanne e André Courrèges, com seus traços futuristas, sempre antecipando os estilos e gostos de amanhã. Até hoje, suas criações “espaciais” são inspirações e referências ricas para designers mais novos. Ele vem para uma semana de eventos, que inclui um desfile e uma exposição histórica de sua marca (veja abaixo).

Cardin, com 88 anos, continua olhando para a frente e com os dois pés firmes no chão, apesar de todas as conquistas que ele vivenciou e todos os mimos que recebeu em décadas de trabalho como um dos mais importantes estilistas da história da moda. Reconhecido por sua humildade, ele foi nomeado Embaixador da Boa Vontade pela ONU, em 1991.

Em uma iniciativa conjunta da produtora cultural Urban Jungle ART e da agência Mix Brand Experience, Cardin virá ao Brasil para prestigiar a abertura da exposição “Pierre Cardin – Criando Moda, Revolucionando Costumes”, e a apresentação de um megadesfile, com 160 looks. Um documentário sobre sua trajetória também será exibido como parte da mostra.

nurses-uniforms-by-pierre-cardin-1970A série Nurses Uniforms, de 1970

Sob o olhar da curadora de arte Denise Mattar, a exposição traz referências da carreira – e do talento – do estilista, com dezenas de fotos, croquis, roupas e acessórios, tudo fornecido pela Fundação Pierre Cardin Paris.

Quem conta um pouco do backstage dessa superprodução é Kalina Bourgeois, sócio-diretora da Urban Jungle, que idealizou o projeto junto com Marco Scabia, da Mix, após uma viagem a Paris, em que visitou o Museu Pierre Cardin e se apaixonou por sua história. Sua sogra, Maria Bourgeois, foi modelo de Cardin nos anos 60 e deu um pontapezinho para uma aproximação maior com o estilista. E lá foi Kalina de novo para Paris, desta vez para conhecer o mestre, em seu atelier. “Tudo aconteceu no tempo certo. No ano passado ele comemorou 60 de marca e lançou um livro colaborativo, com eventos no mundo inteiro. Queríamos colocar o Brasil nesse circuito de celebrações e, desde esse primeiro encontro, estamos nos encontrando, conversando e criando todos juntos”, diz Kalina em entrevista ao FFW. Por “todos juntos” entenda-se uma equipe de 120 pessoas envolvidas na cenografia, curadoria, produção, parcerias e ideias.

Com o aval de Cardin, Kalina fez outras idas e vindas entre Paris e São Paulo para afinar suas pesquisas e as escolhas dos looks do desfile. “Eu passei bastante tempo com a diretora de alta-costura e com a museóloga dele e foi quando pude entender a verdadeira relevância de Cardin para a moda, a visão que ele tem sobre o mundo”, conta.

ARP1963033Desfile gigante que Cardin fez no deserto de Dunhuang, na China, em 2007 © Reprodução

O desfile, com looks femininos e masculinos, será histórico para o Brasil. São 160 looks da carreira do estilista, mostrados em 40 minutos de apresentação (normalmente uma marca grande, como a Louis Vuitton, mostra cerca de 60 looks).

Tudo, mostra e desfile, vai acontecer no nono andar do shopping Iguatemi. Uma pré-seleção de casting já foi feita e, alguns dias antes do evento, a equipe mais próxima de Cardin aterrissa por aqui para cuidar dos últimos detalhes, finalizar o casting, fazer prova de roupa e de beleza e ensaiar.

Quem assina a beleza do desfile de Pierre Cardin é o hairstylist Wanderley Nunes e a equipe do Studio W. O cabelo e a maquiagem do desfile no Brasil seguem o conceito apresentado na passarela do estilista na temporada de inverno de Paris. Os cabelos serão soltos e lisos, mas com movimento, a maquiagem será em cores neutras, com pele com visual leve e aparência saudável, na boca, um leve brilho em tom rosado.

Durante sua pouca convivência com Cardin, Kalina foi tocada pela generosidade do estilista e pelas sensações que seu trabalho provoca. “Tem um móvel no Museu Cardin inspirado no útero de uma mulher grávida de três meses. Quando você fecha os olhos e passa a mão, é uma sensação maluca, como se tivesse tocando essa mulher mesmo. Ele tem adoração pelo corpo feminino e seu trabalho é muito sensorial”. Segundo Kalina, Cardin é um apaixonado pelo Brasil e tem uma memória surpreendente de suas experiências no país, como quando fez o figurino de “Jeanne la Française” (1972), com sua ex-mulher Jeanne Moreau, dirigido por Cacá Diegues. “Ele lembra de tudo, das roupas, da trilha… Pierre continua muito criativo, sempre pensando em algo que não aconteceu que ainda pode acontecer.”

Pierre Cardin, italiano radicado na França, trabalhou com Elsa Schiaparelli e Christian Dior antes de abrir sua própria grife. Em 1959 ele escandalizou o meio ao lançar sua primeira coleção de prêt-à-porter. Acabou expulso da Chambre Syndicale, a instituição reguladora da alta-costura na França.

Jean Paul Gaultier tem uma frase famosa sobre Cardin que diz assim: “com ele aprendi que com uma cadeira pode-se fazer um chapéu”. Assim é Pierre Cardin,  que com o seu olhar avant-garde rompeu as fronteiras da moda, do design, da arquitetura e da cultura. Veja na galeria abaixo alguns looks marcantes da trajetória do criador.

Seja para quem acompanha o trabalho do estilista ou para os iniciados e curiosos, essa é uma boa oportunidade de mergulhar em sua obra. Realizada através da Lei Rouanet, a exposição e o desfile têm patrocínio da Havaianas e da Oi, com apoio do shopping Iguatemi, Oi Futuro, Senac e Consulado da França no Brasil.

Pierre Cardin – Criando Moda, Revolucionando Costumes

De 29 de abril a 29 de maio de 2011

Shopping Iguatemi – 9 andar

Gratuito

De Betty Boop a Avatar: história da animação ganha megaexposição

19/04/2011

por | Cultura Pop

betty-boop-barbican-faz-exposição-dos-150-da-história-da-animaçãoBetty Boop, Dave Fleischer, 1934 ©BFI National Archive

A Barbican Art Gallery, em Londres, organizou a maior exibição já feita sobre os 150 anos da produção de animação. “Watch Me Move” reúne mais de 170 trabalhos de pioneiros da indústria, cineastas independentes e artistas contemporâneos, mostrando os bastidores desse meio com a intenção de “apresentar a animação como uma força altamente influente no desenvolvimento da cultura visual global”, além de “explorar a relação entre animação e cinema e oferecer um insight sobre esse gênero como um fenômeno cultural”.

A galeria promete criar um ambiente imersivo para que os visitantes passem por sete temas interligados: Apparitions, Characters, Superhumans, Fables, Fragments, Structures e Visions, que exploram os primeiros experimentos científicos com fotografia; as maiores estrelas da animação, como “Tom & Jerry” e “Os Simpsons”; figuras com poderes extraordinários (ex: “Astro Boy”); cinema em stop-motion (como “Vincent”, de Tim Burton); novas tecnologias; e mundo virtual (por exemplo as obras “Tron” e “Avatar”).

Fãs de animação terão um prato cheio com os artistas e estúdios representados na mostra: o pioneiro da fotografia e cinema Étienne-Jules Marey, os irmãos Lumière, Walt Disney, Fleischer Studios, Kara Walker, Len Lye, Studio Ghibli e Pixar, entre muitos outros.

“Watch Me Move” fica na Barbican Art Gallery até  setembro, para então viajar ao Museu Glenbow em Calgary, no Canadá, onde ficará exposta de 8 de outubro a 25 de dezembro. Depois disso, a mostra inicia uma turnê de dois anos pela Ásia. Um livro ilustrado feito especialmente para o evento estará à venda durante a exposição, ao preço de £24,95 (aproximadamente 70 reais).

“Watch Me Move”
De 15 de junho a 11 de setembro
Barbican Art Gallery
Silk St, Londres

Grace Kelly é tema de exposição gratuita na FAAP, em São Paulo: leia mais

13/04/2011

por | Cultura Pop

grace-kelly-ganha-exposição-gratuita-na-faapGrace Kelly ©Reprodução

Kate? Que Kate? Tudo bem que a futura esposa do príncipe William tem concentrado todos os holofotes da mídia por causa do esperado casamento real, mas é Grace Kelly que encanta o público décadas após a sua morte — tanto que em maio ela ganha, na FAAP, SP, uma exposição com mais de 900 objetos entre vestidos, joias, fotografias e cartas que traçam a sua trajetória pessoal e profissional.

Nascida nos Estados Unidos em 1929, em uma abastada família de origem irlandesa, Grace Kelly iniciou seu sonho de ser atriz em 1950, após estudar na Academia Americana de Artes Dramáticas, em Nova York, e teve uma ascensão meteórica: em apenas cinco anos, participou de 11 filmes, atuou ao lado dos galãs Cary Grant e Clark Gable, virou musa de Alfred Hitchcock ao estrelar três de suas produções (“Disque M para Matar”, “Janela Indiscreta” e “Ladrão de Casaca”) e ganhou o Oscar de Melhor Atriz por “Amar é Sofrer”.

Tudo isso até 1956, quando se casou com o príncipe Rainier, tornando-se a princesa de Mônaco e deixando a carreira de atriz para se dedicar à família. Chamado de “o casamento do século”, a união dos dois teve ares de contos de fadas: se conheceram durante o Festival de Cannes de 1955 e rapidamente oficializaram a relação. No entanto, biógrafos afirmam que o casal vivia separado muitos anos antes da morte de Grace, em 1982, em um acidente de carro. Mesmo assim, o príncipe Rainier não voltou a se casar e faleceu em 2005, aos 82 anos.

grace-kelly-casamento-religiosoAlmoço do casamento religioso de Grace Kelly e o príncipe Rainier ©Archives Du Palais Princier

Ícone fashion

Símbolo de elegância e feminilidade, Grace Kelly era amiga dos estilistas Christian Dior e Yves Saint Laurent, e deu nome à ainda hoje desejadíssima bolsa Kelly, da francesa Hermès. Quer uma referência pop? O figurino de Betty Draper, personagem de January Jones na série “Mad Men”, é inspirado em Grace Kelly.

A mostra “Os Anos Grace Kelly, Princesa de Mônaco”, abre na Faap em 5 de maio e, de acordo com informações da “Veja”, deve ter a presença do príncipe Albert, atual governante de Mônaco e filho do meio de Grace e Rainier.

“Os Anos Grace Kelly, Princesa de Mônaco”
De 5 de maio a 10 de julho de 2011

Museu de Arte Brasileira da FAAP
Rua Alagoas, 903   Higienópolis
De terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h.
(Fechado às segundas-feiras, inclusive quando feriado)
Agendamento de visitas educativas: (11) 3662-7200
Entrada gratuita

Juergen Teller ganha três exposições pelo mundo; saiba mais

11/04/2011

por | Moda

jurgUm dos retratos mais conhecidos do fotógrafo, ao lado de seu filho Ed ©Reprodução

O fotógrafo Juergen Teller está pop: o alemão ganha sua primeira mostra nos Estados Unidos no museu Dallas Contemporary, com uma série de imagens selecionadas entre seus trabalhos anteriormente publicados na revista “Zeit”, suplemento do jornal alemão “Die Zeit”.

Teller assina uma coluna da “Zeit” há cerca de um ano e meio, e foi desse arquivo que ele selecionou as imagens e traduziu os textos descritivos que fazem parte da exposição. “Foi muito difícil traduzir para o inglês. Eu havia pedido para outra pessoa traduzir, mas estava muito formal, então eu mesmo fiz esse trabalho. Algumas coisas eram mais engraçadas em alemão”, ele afirma em entrevista ao “WWD”.

O fotógrafo é tema ainda de uma exposição similar em cartaz em Moscou, também com imagens do arquivo da “Zeit”, e de uma mostra no Daelim Contemporary Art Museum, em Seul, na Coreia do Sul.

Célebre por ser o fotógrafo “oficial” das campanhas da Marc Jacobs desde 1998, Juergen Teller já trabalhou também com Vivienne Westwood, YSL, Louis Vuitton, Calvin Klein, Celine e Missoni. Ele desenvolveu um estilo próprio, mais cru, que até hoje inspira fotógrafos de gerações mais jovens. Teller transita entre a moda e a arte, mas foi na indústria da música que ele começou. Seu primeiro trabalho profissional foi fazer um ensaio com um cantor desconhecido na época, chamado Kurt Cobain. Ele gosta de dizer que depende muito da personalidade de seus modelos, já que não é de usar grandes técnicas nem é fã de photoshop. Neste tumblr você pode ver diversas imagens feitas pelo fotógrafo ao longo de sua carreira.

Conheça melhor seu estilo na galeria abaixo, com imagens das mostras no Moscow House of Photography e Dallas Contemporary:

Moscow House of Photography
“Juergen Teller, Texte und Bilder”
Até 24 de abril de 2011

Dallas Contemporary
“Man with Banana”
Até agosto de 2011

Daelim Contemporary Art Museum
“Juergen Teller”
De 15 de abril a 31 de julho de 2011

Expogram, a mostra: por mais poesia nos registros do dia-a-dia

05/04/2011

por | Cultura Pop

expogram-exposição-de-fotos-instagram-em-sao-paulo©Divulgação

Fotos digitais, com tratamento de analógicas, compartilhadas em redes sociais e impressas em uma exposição – esta é mais ou menos a ideia da Expogram, organizada pelas amigas Renata Chebel, Luciana Obniski e Érika Garrido, que segue de 9 a 23 de abril na loja e galeria Tag & Juice, na Vila Madalena, em São Paulo.

O ponto comum de todas as imagens selecionadas para a mostra é o uso do instagram, aplicativo gratuito para iPhone lançado em outubro de 2010 e que alcançou popularidade meteórica entre os fotógrafos de plantão, muito em parte graças às suas opções de filtros que garantem um visual vintage aos cliques. “Acho que uma parte desse sucesso é porque estamos começando a nos cansar da estética da perfeição digital, do hiper-realismo, do photoshop, da cara de plástico das imagens publicitárias: elas não nos emocionam mais”, opina a jornalista e fotógrafa Renata Chebel. “Estamos indo buscar na estética do analógico, com toda a imprevisibilidade dos filmes vencidos, dos processos cruzados de revelação, dos vazamentos de luz no corpo das câmeras, das distorções das lentes… estamos buscando aí, nesses “erros”, as imagens que nos emocionam, que nos trazem sensações. Nossas fotos de famílias, de nossa infância, pais e avós eram assim, têm toda essa carga nostálgica”, continua.

Outro atrativo do instagram – e que o diferencia de outros apps de tratamento de imagem, como por exemplo o hipstamatic – é a possibilidade de imediato compartilhamento e interação com outros usuários do aplicativo. “O legal não é o filtro que parece antigo, é retratar a poesia do seu dia-a-dia e poder acompanhar isso dos outros”, explica a jornalista Luciana Obniski, que completa: “E eu, pessoalmente, acho que rede social, como o instagram, só é válida se te acrescenta algo no real. Por isso organizamos a exposição. A gente quer que todo mundo se conheça e troque experiências”.

Renata conclui: “E nós somos a geração da transição entre analógico e digital, que sofre de nostalgia precoce, que aos vinte já tinha saudade da infância, que aos trinta fala da adolescência como se ela fosse um passado muito remoto. Então faz muito sentido, se você pensar nisso, organizar uma exposição impressa dessas imagens. Uma última coisa ainda, que vale a pena lembrar: as imagens digitais quase sempre se perdem, seja no tempo, na evolução da tecnologia, nos labirintos do armazenamento digital ou simplesmente no excesso. Trazê-las para o mundo físico é uma forma de preservá-las”.

A Expogram foi organizada pelo trio, que selecionou 200 imagens do instragram com a hashtag #expogram – foram mais de 4 mil fotos taggeadas! Quem quiser conferir o resultado da curadoria pode visitar a Tag & Juice de 9 a 23 de abril.

Tag & Juice
Rua Gonçalo Afonso, 99
Vila Madalena, São Paulo
(11) 2362-6888 / 2368-9361

Mostra interativa “O Mundo Mágico de Escher” chega a São Paulo

04/04/2011

por | Cultura Pop

1-mc-escher-exposição-são-paulo-dia-e-noite“Dia e noite” (1938), xilogravura ©The M.C. Escher Company B.V. Baarn, The Netherlands

Depois de passar por Brasília e pelo Rio de Janeiro, a maior exposição já realizada no Brasil dedicada ao artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher (1898 – 1972) finalmente chega a São Paulo. “O Mundo Mágico de Escher” reúne 95 obras entre gravuras originais, desenhos e fac-símiles, além de um espaço com instalações interativas que exemplificam os princípios matemáticos e efeitos óticos que ele utilizava em seu trabalho – um quebra-cabeça gigante que demonstra como ele se utilizava de imagens geométricas ou figurativas para criar gravuras que remetem ao infinito é um exemplo do que poderá ser visto na mostra.

O acervo da coleção do Haags Gemeentemuseum, que mantém o Museu Escher, na cidade de Den Haag, na Holanda, ocupará todo o prédio do CCBB-SP, e dificilmente poderá ser visto novamente fora do museu. “As obras do Escher são muito raras e muito procuradas para exposições. Só existem três coleções no mundo. As gravuras são muito frágeis e o Haags Gemeentemuseum, que emprestou as obras originais, depois desta exposição, não poderá exibí-las por mais de quatro anos”, afirma Pieter Tjabbes, curador da exposição coordenada pela Art Unlimited.

Quem tiver interesse pode fazer visitas mediadas por educadores em português e inglês, de terça a sábado é necessário agendamento prévio pelo telefone (11) 3113-3649. Aos domingos, não há necessidade de agendamento – basta fazer a solicitação na bilheteria. A capacidade é de 45 pessoas por horário. O CCBB-SP oferece também serviço de transporte gratuito, de terça a sábado, para visitas de estudantes e grupos, agendado de acordo com ordem de solicitação.

2-mc-escher-exposição-são-paulo-dia-e-noite“Relatividade” (1953), litografia ©The M.C. Escher Company B.V. Baarn, The Netherlands

3-mc-escher-exposição-são-paulo-dia-e-noite“A queda do homem” (1920), xilogravura, contraprova ©The M.C. Escher Company B.V. Baarn, The Netherlands

4-mc-escher-exposição-são-paulo-dia-e-noite“Auto-retrato no espelho esférico” (1950), litografia ©The M.C. Escher Company B.V. Baarn, The Netherlands

Vale lembrar que 2011 é o Ano da Holanda no Brasil – para ver mais informações e conferir o calendário da celebração, visite o site anodaholandanobrasil.com.br

“O Mundo Mágico de Escher”
Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo
De 19 de abril a 17 de julho
De terça a domingo, das 9h às 20h
Entrada franca

Visitas mediadas à exposição:
Realizadas por educadores em português e inglês.
Terça a sábado: necessário agendamento prévio pelo telefone (11) 3113-3649, de segunda a sexta, das 10h às 18h
Domingos: não há necessidade de agendamento e o atendimento é realizado  mediante solicitação na bilheteria, no térreo, das 10h às 19h.
Capacidade: 45 pessoas por horário

Transporte para estudantes:
Serviço de transporte gratuito, de terça a sábado, para visitas de estudantes e grupos. Agendamento de acordo com ordem de solicitação, prioritariamente para escolas públicas, de segunda a sexta, das 10h às 18h, pelo tel. (11) 3113-3649.

Centro Cultural Banco do Brasil – SP
Rua Álvares Penteado, 112, Centro
Próximo às estações Sé e São Bento do Metrô
(11) 3113-3651 / 3113-3652

Acessos:
Estações Sé e São Bento do Metrô. Praças do Patriarca e da Sé
Acesso para pessoas com deficiência física// Ar-condicionado // Loja // Café Cafezal

Estacionamento Conveniado:
Estapar Estacionamentos
Rua da Consolação, 228 (Edifício Zarvos)
(R$ 10 pelo período de 5 horas. Necessário carimbar o ticket na bilheteria do CCBB)
(11) 3256-8935

Van faz o transporte gratuito até as proximidades do CCBB – embarque e desembarque na Rua da Consolação, 228 (Edifício Zarvos) e na Rua 15 de novembro, esquina com a Rua da Quitanda, a vinte metros da entrada do CCBB.

Alisson Göthz fala sobre sua primeira expo individual

16/03/2011

por | Cultura Pop

gothz02©Divulgação/Alisson Gothz

Alisson Göthz abre nesta quarta-feira (16.03) a sua primeira exposição individual no Brasil, “Planeta Göthz”, na Galeria Mezanino, em São Paulo. Para quem não conhece, Alisson é figura notória da noite paulistana: discoteca em diversas festas e escreve sobre música na internet. À convite do curador Renato de Cara, a mostra contém autoretratos que Alisson tira há mais de 10 anos, num remix de ícones da cultura pop: pense em Andy Warhol, Grace Jones, David Bowie,  Nina Hagen e Leigh Bowery.

O resultado — personas de gênero indecifrável e senso de humor afiado — pode ser visto pela noite paulistana, ou até dia 31.04 na galeria. O FFW conversou com Göthz sobre a exposição, sua coleção de maquiagem e outras curiosidades. Confira:

O que veio primeiro, a fotografia ou os personagens?
A noite veio primeiro! Me montava pra ir às festas e os personagens foram surgindo disso. Já registrava tudo em foto, mas era apenas pro meu acervo pessoal. Na época do Fotolog comecei a postá-las e o interesse em transformar isso em algo mais sério surgiu daí. De repente teve gente chamando isso tudo de “arte”, e eu fui atrás… [risos]

Em que momento entraram as colagens digitais? Como elas mudaram esse trabalho?
Foi mesmo na época do Fotolog, quando as pessoas começaram a prestar mais atenção nas fotos e eu me empolguei a produzir mais. Eu gosto de trabalhar com esse suporte digital pois assim posso fazer tudo sozinho, sem depender de ninguém… eu tenho a ideia e corro pro computador, e com sorte ela fica pronta até poucos minutos depois.

Ambiguidade de gênero e sexualidade são elementos associados às suas fotos e personas– você concorda com isso?
Procuro sempre aparecer com um personagem onde você não sabe bem se é homem ou mulher, mesmo pessoalmente quem me vê não sabe se eu sou drag, transformista, palhaço ou apenas um cara maquiado. Eu gosto de brincar com isso pois acho que esta confusão gera uma discussão legal na cabeça das pessoas.

alissonAlisson com um dos seus looks na noite, em foto tirada na Balada Mixta, em SP ©Reprodução/IHateFlash!

Quanto tempo leva para “se montar” e entrar no personagem?
Geralmente umas duas horas, às vezes mais. Mas isso acontece porque para mim o ato de produzir a montação toda é uma diversão, então o tempo acaba passando e eu nem percebo!

Você coleciona alguma coisa?
Já tive dezenas de coleções, das mais absurdas possíveis, mas já faz um bom tempo que estou colecionando apenas brinquedos (de verdade, nada de “toy art”) e discos de vinil.

Qual é o tamanho da sua coleção de maquiagem?
Cabe numa caixinha! [risos] Eu tenho mais roupas do que make.

colagemali©Divulgação/Alisson Göthz

Esta não é a sua primeira exposição, certo? Quais outras você já fez?
É a minha primeira exposição individual aqui no Brasil. Por aqui já fiz outras coletivas, sempre representando a Galeria Mezanino. Ano passado fiz minha primeira individual na Finlândia, como parte de uma residência na cidade de Turku, atual Capital Européia da Cultura.

Fala um pouco sobre a exposição da Finlândia, da perfomance e da experiência toda…
Ia diariamente à galeria, me montava e registrava tudo em foto. O público que visitava o espaço podia ver em tempo real tudo acontecendo. As fotos prontas eram colocadas na parede, como um “work in progress”. Foi muito divertido de fazer.

+ Saiba mais sobre a exposição na FFW Agenda