“Eu odeio fashionistas” e sábias palavras da mítica editora Franca Sozzani

28/09/2011

por | Gente

franca_abreFranca ©Reprodução

Franca Sozzani é uma dessas figuras meio míticas da moda. Editora chefe da “Vogue” Itália há mais de 23 anos, Franca já falou com o FFW em uma entrevista exclusiva, e assim como seu nome diz, e sem nenhuma intenção de trocadilho, é extremamente franca.

E praticamente toda vez que Franca dá alguma declaração, vira polêmica, seja em seu twitter, blog, ou à imprensa, como quando disse à revista semanal “Newsweek” que a Dior deveria recontratar John Galliano, ou quando falou à “Time” que Silvio Berlusconi dá a impressão de que toda a Itália é um cassino gigante. Suas edições não são menos provocativas, e não raro Franca coloca na capa da “Vogue” italiana algum tema polêmico – para a moda, ao menos. Fez isso em uma edição de 2008, que tinha apenas modelos negras, ou uma edição com modelos curvilíneas, este ano.

Porém o mais recente bafafá em torno de Franca não é devido as suas declarações, e sim que na segunda-feira (19.09) ela foi nomeada Embaixadora da Boa Vontade da ONU, para o projeto “Fashion 4 Development” (Moda para o Desenvolvimento), que está em busca de maneiras da indústria da moda promover o crescimento econômico nos países em desenvolvimento.

A editora de moda falou sobre o assunto ao jornalista Eric Wilson, do “The New York Times”, e contou sobre seu desejo de ajudar a melhorar as habilidades de produção nesses países, possivelmente trazendo artesãos italianos para ensinar algumas técnicas. Confira abaixo os highlights da entrevista:

Qual o papel de uma embaixadora da boa vontade da moda?

Eu nunca fui uma pessoa política. Eu apenas digo o que penso. Através das pessoas que conheço acho que podemos fazer um projeto que possa ser adaptado aos outros países. Se nós apenas formos a algum lugar e prometermos fazer algo, nunca faremos coisa alguma. Basicamente, meu projeto é começar com um pequeno número de pessoas que possam aprender um trabalho. Devemos fazer um pequeno laboratório, e depois disso nós podemos encontrar alguma maneira de produzir.

Devemos pensar sobre onde fazer a distribuição, e o passo a passo sobre dar a eles dignidade no trabalho, mas também o respeito ao ser humano. Caso contrário, se eles não têm um salário justo, as coisas só mudam para as pessoas que podem fazer negócios.

Onde você vai começar?

Vou começar agora com a África, mas primeiro preciso ir pra Coreia, provavelmente no meio de novembro, para falar sobre moda e ver o que está acontecendo. Eu quero aprender como eles começaram. Através deles vou entrar em contato com outros governos, provavelmente na África.

Isso simboliza também o que você tem tentado fazer na revista, fazer com que a indústria mude de maneira positiva?

Não, para ser honesta, essas duas coisas são diferentes. Mas poderiam se tornar conectadas. Por exemplo, para a “L’Uomo Vogue”, eu fiz uma edição na África, e toda a renda que veio da edição foi para organizações diferentes.

Você acha que a indústria mudou como um todo como resultado das questões que você tem colocado em sua revista?

Não totalmente. Nós fizemos uma edição sobre extremos em cirurgia plástica, e eu ainda fico mais e mais chocada com o quanto as pessoas mudaram. Desde então, eu não acho que tenha visto tanto Botox pelo mundo. Nós não paramos nada.

Onde eu acho que nós provavelmente fizemos um bom trabalho foi com a edição negra. Não imediatamente, não como se todo mundo dissesse após a edição “Agora eu quero ter garotas negras”. Mas eu vejo, pouco a pouco, há mais e mais garotas negras na passarela.

Parte do problema é das agências. Nós não temos muitas garotas americanas, você não têm italianas, você não têm francesas. Os olheiros só vão para a Europa oriental agora. É possível que todos os outros países não tenham garotas bonitas? Eu não posso acreditar nisso. Eu estava tão entediada de ver todos aqueles rostos. Todos pareciam iguais. Ao fazer todas as garotas iguais – loiras, olhos azuis, pernas longas – ao final, todas as roupas parecem iguais.

Eu não estou tentando provocar. Todo mundo está olhando as coleções, e imediatamente depois você fica entediado. Moda é experimentação; é sempre excêntrica. É quebrar regras. Nós tentamos achar uma boa razão para quando queremos fazer algo. Nós tentamos seguir o que está acontecendo no mundo, mas através do ponto de vista da “Vogue”.

vogue3Uma das capas (foram 4) da edição apenas com modelos negras, de julho de 2008,  e a edição sobre os excessos da cirurgia plástica ©Reprodução

Falando sobre o que está acontecendo aí em seu país, como você pode refletir a realidade de uma crise econômica na Itália em uma revista de moda?

Não é apenas uma crise econômica. Nós também temos uma crise de imagem. Espero que, assim como na economia, nós possamos achar a solução certa. Nós sempre estamos falando sobre uma crise financeira, sempre. Essa crise será provavelmente menos chocante do que a de 2009, porque nós sabíamos que isso podia acontecer. Nós sabemos que estamos um pouco menos seguros.

Mas eu acho que a imagem do nosso país não reflete de maneira nenhuma tudo o que é feito na Itália. Quando você olha para as revistas, parece que todas as mulheres são vulgares e envolvidas em escândalos sexuais. Isso não é a Itália, e nós não devemos aceitar isso. Eu não reconheço meu país desse jeito.

O papel do editor parece ter mudado de observador da moda para participante. Você foi surpreendida por essa mudança?

Eu acho que o trabalho mudou completamente nos últimos 20 anos, assim como a moda tem se tornado cada vez mais e mais rápida. E então nos últimos 10 anos, mudou completamente, para os designers também. Com a enorme distribuição de Zara, H&M e Mango, tudo isso mudou o ponto de vista. Eu acho que isso é fantástico porque todo mundo pode fazer parte do mundo da moda e eles podem estar vestidos de uma maneira fantástica. O limite é que isso se tornou tão global, tão a mesma coisa, que é muito difícil para um designer encontrar uma nova maneira de existir. Para eles se tornou mais e mais difícil de achar um novo jeito de ser.

Não é como se eu fizesse essas edições porque eu me sinto provocadora. Eu faço assim porque eu me sinto assim. Digamos que eu vou por instinto. Isso é certeza. Eu posso mudar uma edição até dez dias antes de ser lançada, porque se, por instinto, eu sentir que não está boa, que está chata, ou que eu não gosto dela, então não é bom para nós e eu mudo.

Quando foi a última vez que você fez isso?

Agosto. E até em setembro. E tudo estava fechado na Itália porque era feriado. Nós pedimos aos fotógrafos para refazer o ensaio. Nós mudamos editoriais de outubro para agosto. Um editorial eu rejeitei, a ideia era fazer algo muito chique, mas que fosse de um jeito moderno. Mas ficou muito chato. Algumas vezes o chique é muito chato. Achar um jeito que não pode ser chato é muito difícil.

Li pelo menos quatro entrevistas que você concedeu a semana passada. Por que as pessoas são fascinadas com os editores de revistas?

Acho que isso aconteceu por diferentes razões. Isso deve ter acontecido provavelmente porque eu disse alguma coisa boba, como “Eu não sei por que eu deveria me casar de novo, porque eu era muito melhor do que o homem que eu namorava”, e então isso se tornou uma história. A internet é tão rápida, e essa frase foi captada. Às vezes eu digo que eu acho que elegância é muito entediante, ou que eu odeio fashionistas. Você começa com algo que disse em uma situação, e depois os jornalistas pegam uma frase e dizem só aquilo. Não é que eu acordo e digo “Eu odeio fashionistas”. Mas eu realmente odeio fashionistas.

Por trás da H&M: das parcerias às celebs que apostam no fast fashion

05/08/2011

por | Gente, Moda

gisele_hmGisele Bündchen em campanha para a H&M ©Reprodução

Se você gosta de moda e vive nesse planeta, as chances da gigante H&M ser uma desconhecida são quase nulas. Mas o nome por trás do grande sucesso da marca talvez seja uma incógnita. Margareta Van Den Bosch é a diretora criativa de uma das maiores redes de fast-fashion do mundo, que empregou 76 mil pessoas e gerou € 13 bilhões em vendas no ano de 2009. Além de números tão grandiosos, a H&M é responsável por grandes histerias no mundo da moda com as coleções em parcerias com grifes do naipe de Lanvin, Karl Lagerfeld e Stella McCartney.

O “Huffington Post” fez recentemente uma entrevista com a designer, e você lê os highlights aqui. Confira abaixo:

margaretaMargareta Van Den Bosch, o grande nome por trás do sucesso da H&M ©Reprodução

Você tem tido uma carreira notável supervisionando a produção de uma marca global como a H&M por quase 24 anos, após trabalhar para marcas de moda na Itália. O que tem mantido você tão fiel à empresa por tanto tempo?

Eu fiz muitas coisas e tive vários empregos que me forneceram muita experiência inestimável na indústria da moda, antes de eu entrar na H&M. Por 22 anos eu trabalhei como designer de moda e durante 11 desses anos eu morei na Itália. Durante esse período, eu dei consultoria e trabalhei para várias marcas. Quando eu vim para a H&M eu senti que havia muito a ser feito, mas também gostei da atmosfera, e gostei de trabalhar com muitas pessoas diferentes.

Sua reputação de formidável trabalhadora te precede. Os rumores são que você costumava trabalhar 12 horas por dia enquanto você era diretora de design na H&M. Como sua rotina de trabalho mudou desde que você se tornou conselheira criativa na H&M há dois anos?

Eu amo a H&M e trabalhar aqui, mas com mais espaço na agenda eu também tive a oportunidade de fazer outras coisas, tanto profissionais quanto pessoais.

Você comandou uma revolução silenciosa na democratização no mundo das vestimentas trazendo nomes da alta-moda para a moda de rua e desenvolvendo estimulantes e extremamente bem sucedidas parcerias com estilistas. Como essa ideia surgiu e como você escolheu os designers?

Na H&M nós trabalhamos como um time e nós todos discutimos diferentes ideias entre nós: com quais designers gostaríamos de surpreender nossos consumidores, o que se encaixa em nossas próprias coleções e assim por diante.

Quão fácil é persuadir personalidades e marcas como Lagerfeld ou Lanvin a trabalhar com H&M e para os chefões da H&M enxergarem os benefícios dessas parcerias?

Nós enxergamos as colaborações de designers como um processo de fortalecer nossa marca. Ao mesmo tempo, nossa ideia de negócios de oferecer moda e qualidade ao melhor preço dá aos nossos consumidores a oportunidade de comprar itens de estilistas com preço H&M enquanto permite ao designer muito mais foco e atenção ao processo criativo. No final, é uma situação em que todos ganham.

lanvinCampanha Lanvin <3 H&M, um sucesso estrondoso ©Reprodução

Parece claro que você dá valor às parcerias de moda com designers famosos e celebridades, mas você prefere evitar ser retratada na imprensa como uma celebridade, preferindo concentrar-se em seu trabalho e deixar que isso fale. Com essa perspectiva pessoal em mente, como você vê o futuro da aliança entre a cultura de celebridades e moda em evolução?

A cultura de celebridades é interessante às vezes, e pode ter uma enorme influência e inspiração no comportamento individual e coletivo, mas eu também penso que as pessoas devem olhar para sua própria personalidade e se vestir de acordo com o que eles acham que é certo para eles.

Muito foi escrito sobre essas coleções e inúmeros relatórios financeiros foram produzidos sobre o sucesso delas. Mais importante, esse modelo influenciou outras grandes redes de moda de rua, como Topshop, GAP ou Uniqlo, levando-as a estabelecer parcerias com designers estabelecidos. Em uma indústria em que a exclusividade de um look, marca ou designer é a chave para atrair consumidores, como você acha que as colaborações com designers famosos irão evoluir de forma a manter os clientes interessados?

Tem de haver um ângulo diferente para cada projeto. Na H&M, cada coleção que é desenhada e produzida como parte dessas parcerias deve ser interessante e surpreendente para nossos clientes e resultar em uma coleção boa e comercial.

Com tantos novos talentos saindo das escolas de moda todo ano, algumas pessoas podem sentir que trabalhar com algum designer já bem estabelecido pode atravancar as gerações futuras de designers. O que a H&M faz para dar apoio aos novos talentos na indústria da moda?

Na verdade nós damos muito apoio e alimentamos o futuro da indústria da moda. Na H&M, nós temos mais que 120 designers da casa e temos cerca de 30 trainees por ano. Nós também damos prêmios para estudantes de diferentes escolas de moda, alguns por conta própria, mas também em colaborações com revistas.

A H&M tem uma básica, porém extremamente bem sucedida, receita de sucesso: sob a proteção da marca, conseguiu produzir diferentes linhas (como “Divided”, “L.O.G.G.”, “BIB”, etc) que têm apelo tanto com os mais jovens quanto com os mais velhos. Isso se deve a uma enorme equipe de designers com os quais você trabalha. Qual é o seu papel no processo criativo de todas essas linhas e como você trabalha com esses designers?

O processo é extremamente interessante e focado em produzir uma ótima moda: cada departamento tem sua própria equipe de designers, produtores de estampas, compradores e controladores que criam as coleções que chegam às nossas lojas todos os dias. Nós trabalhamos com diversas tendências, cores e itens chaves que são então traduzidos e adaptados para os diferentes clientes de cada conceito.

HMElas usam H&M: Natalie Portman na pré-festa do Oscar e Michelle Obama no programa Today Show ©Reprodução

As rápidas demandas em grandes mercados, o aumento dos custos de produção e o esgotamento das culturas do mundo por causa de catástrofes naturais provocou um aumento significativo no preço do algodão nos últimos seis meses. Algumas companhias admitiram que precisarão recorrer a mais tecidos artificiais para manter os preços baixos, enquanto outras estabeleceram que seus preços vão subir. Tendo em mente que a H&M tem uma reputação de “qualidade-preço” boa, e em face de tempos conturbados, como você vê o futuro da moda?

É verdade que o preço do algodão tem aumentado desde o último verão. No entanto, nossa opinião é que, tal como está atualmente, é um fator relativamente neutro para a concorrência global. Na forma como vemos, há muitos outros fatores que poderiam compensar o impacto para os consumidores. Para a H&M, a perspectiva do consumidor é sempre a mais importante. Por razões comerciais nós não comentamos nossa política de preços mas, no fim, o mais importante é que o cliente sempre possa apreciar os produtos que ele compra e que ele sinta que fez um bom negócio com a H&M.

Você mudou para um papel de consultora, de um papel criativo. O que mudou na maneira que você percebe a moda, do ponto de vista pessoal?

Absolutamente nada. A moda tem um papel tão importante para mim agora como quando eu comecei nessa indústria extraordinária.

Como alguém que trabalhou incansavelmente ao longo de décadas, é difícil imaginar Margareta Van Den Bosch diminuindo o ritmo ao ponto de parar de trabalhar com moda completamente. Quais são os planos que você está fazendo para o futuro?

No momento, estou me divertindo trabalhando com o que faço, e não tenho planos específicos para o futuro. Enquanto eu tiver boa saúde e bom espírito não vejo nenhum problema em preencher meus dias com coisas interessantes e inspiradoras.

FFWentrevista: Celso Kamura fala sobre Dilma, moda brasileira e SPFW

09/02/2011

por | Gente

Entre os nomes responsáveis pelas belezas dos desfiles do São Paulo Fashion Week, Celso Kamura sempre bate cartão. Nessa edição, o make-up artist (responsável pela transformação de Dilma Roussef, ainda na fase de candidata) assinou Alexandre Herchcovitch (feminino e masculino), Reserva, Samuel Cirnansck e Maria Bonita.

Em seu _curto_ tempo livre, Celso falou com a equipe FFW. Confira no vídeo abaixo!

“Exportamos nossa criatividade”, diz ministra Ana de Hollanda sobre o SPFW

01/02/2011

por | Gente

Os desfiles de Ronaldo Fraga (quase) sempre trabalham com algum tema de Brasil. E nesta edição, o estilista recebeu em sua plateia duas das mulheres mais importantes do país: Marina Silva, ex-presidenciável, e Ana Buarque de Hollanda, ministra da Cultura.

Ana Buarque foi ao desfile vestindo Maria Bonita Extra e falou rapidamente com a imprensa.

anadehollanda_materiaAna de Hollanda posicionada para o desfile de Ronaldo Fraga ©Agência Fotosite

É sua primeira vez no evento?
Sim! Mas eu já conheço o trabalho do Ronaldo Fraga.

E porque você escolheu estar neste desfile?
O Ronaldo Fraga trabalha muito com a temática brasileira, sempre procura trabalhar com a nossa cultura, então acho simbólico que o primeiro desfile que eu assista seja dele.

Você é do tipo que pensa bastante antes de se vestir, se arrumar?
Não sou muito não, sou mais espontânea. O cabelo, por exemplo, eu deixo secar naturalmente.

Você cuida da sua aparência?
Tem que cuidar sim! Fazer ginástica, estar em forma, acho importante.

Qual a importância do SPFW para a cultura nacional?
Acho o São Paulo Fashion Week importante pois a moda que é feita aqui é refletida no Brasil todo, e é representativa e conhecida no exterior. Quando eu era criança o modelo era francês, a moda daqui seguia os moldes de lá. Hoje a gente exporta moda, exportamos nossa criatividade.
A moda é tão importante para a cultura nacional, que criamos o Colegiado Setorial de Moda, dentro do Ministério da Cultura. A moda é importante para o crescimento do país.

#FFWentrevista: “Queria ter a vida dos meus gatos”, diz Cecilia Dean

31/01/2011

por | Moda

Direta e reta: essa é Cecilia Dean, fundadora da Visionaire _revista fundamento que une moda e arte (e que se desdobra nas revistas V Mag e a VMan). Em São Paulo para assistir desfiles, visitar galerias e claro, fazer negócios; ela veio acompanhada por Antonio Haslauer, diretor comercial da publicação. O FFW conversou com Cecilia sobre a cena fashion brasileira, seus planos para o país e, pasmem, arrancou algumas confissões pessoais dela!

+ Leia também a entrevista que André Rodrigues fez com Cecilia Dean aqui.

Assista:

Twitcam_Raquel Zimmermann: assista a entrevista que fizemos com a top!

28/01/2011

por | Gente

Na tarde da última quinta-feira, (27/01), a top Raquel Zimmermann _que desfila com exclusividade para a Animale no SPFW_ recebeu a imprensa no Hotel Emiliano, SP. A superlotação de celebridades (além de Raquel, Paris Hilton e Gisele Bündchen estavam hospedadas lá), fez com que os elevadores fossem bloqueados para meros mortais. Nossa equipe teve acesso pelos fundos do hotel, passando pelo depósito de colchões, sala de TI e cozinha.

Pela segunda vez,  Raquel recebeu a equipe do FFW para uma twitcam super descontraída — com perguntas dos nossos seguidores no Twitter.

Assista abaixo como foi:

Entre os trabalhos mais marcantes, Raquel citou o vídeo que fez com Nick Knight, no SHOWstudio, e a campanha para Alexander McQueen, de primavera 2010.

mcqueen_adCampanha Alexander McQueen S/S 10: o trabalho mais tenso de fazer, segundo Raquel © Nick Knight

O vídeo improviso feito por Nick Knight foi escolhido pela Raquel como o mais divertido de fazer.

Diretora do site Vogue.com vem ao SPFW e fala com a gente!

20/01/2011

por | Moda

Candy Pratts Price©Mario Testino/cortesia Candy Pratts Price

Considerada por Anna Wintour a “rainha da internet”, Candy Pratts Price _atual diretora criativa do site Vogue.com e ex-diretora executiva do portal Style.com_ vai estar em São Paulo a convite do FFW para uma palestra no dia 31 de janeiro, às 11h, no auditório do MAM.

As inscrições serão abertas aos internautas do FFW a partir do dia 24 de janeiro, fiquem ligados!

Num bate-papo exclusivo com o FFW, Candy afirma: “Na internet, ganha quem publica melhor, e não mais rápido”.

Confira:

Como surgiu o seu interesse pela moda?
Desde sempre, desde criança, vendo as roupas da minha mãe. Acho que como toda menina, eu cresci interessada em moda. Mas diferente de toda menina, eu decidi trabalhar com isso.

E como foi a sua entrada no mercado?
Estudei no FIT, fiz algumas fotos e também um estágio na Bergdorf Goodman. Depois disso trabalhei na Bloomingdale’s onde tive a oportunidade de refazer diversas vitrines. Então fui para a “Harper’s Bazaar”, recebi um convite da Anna Wintour pra trabalhar na “Vogue US” e fiquei lá mais uns cinco anos como diretora de acessórios. Depois teve Ralph Lauren.

O que foi mais marcante nos primeiros anos trabalhando com moda?
Tudo! O universo da moda é absolutamente fascinante em todos os seus aspectos.

Você ainda é apaixonada por moda?
Existe tanta coisa a ser explorada nesse segmento, é tudo sempre novo, tudo sempre se inova. É impossível não manter a paixão acesa.

Como foi a sua transição para uma plataforma online?
Fui convidada pela Anna Wintour, ela precisava de alguém de sua confiança para tocar os projetos online da editora. Eu estava trabalhando na VH1 eu recebi o convite, era o começo da internet, alguns sites estavam dando errado, outros estavam dando certo. O Style.com estava bem, então aceitei.

Como você conseguiu transformar o Style.com no endereço número 1 das pessoas que buscam informação de moda online?
Éramos a equipe da Vogue, então era muito natural chegar a um desfile e estávamos sentados na fila A, já sabíamos como fazer a melhor cobertura de desfiles, já tínhamos os melhores editores, os melhores fotógrafos. Sendo assim, não tivemos dificuldade. As pessoas, os profissionais, o público _todos_ sabiam o que esperar da gente, então foi natural estabelecer a liderança.

Será que é por isso que a Anna Wintour uma vez te chamou de “a rainha da internet”?
Hahaha! Isso é o que os outros dizem, eu não sei se posso confirmar.

Em média, quantas visitas mensais tem um site do porte do Style.com ou da Vogue.com?
Sou uma editora de conteúdo, não sei _nem devo_ falar de números.

Como a internet tem alterado os mecanismos da indústria da moda?
A maior revolução são as redes sociais. Tudo está ao alcance de todos numa questão de segundos. A indústria precisa fazer parte disso, precisa aceitar que os tempos mudaram, precisa ter presença online do jeito certo, dialogar com seu público-alvo. O erro está em querer se fechar para o mundo. Quem pensa que pode ocultar as coisas, torná-las exclusivas, vai ficar de fora dessa revolução. Se você deixa de publicar algo, alguém vai encontrar um jeito de publicar. E você vai ter ficado pra trás.

O que você pensa da cobertura de moda de outros sites e blogs?
Sinceramente, não acompanho. Além do Vogue.com, eu não acesso outros sites de moda. É sério isso. Sei que estamos fazendo o melhor trabalho, que somos os líderes desse mercado, então não preciso olhar para o vizinho pra entender o que eu quero ou o que eu não quero. Prefiro investir meu tempo online fuçando em sites de tecnologias, notícias, games _sou apaixonada pelo Xbox Kinect.

Xbox Kinect? Porque você não tem um PlayStation Move?
Hahaha! Prefiro o Xbox Kinect. Você já jogou? É a coisa mais espetacular do mundo. E eu acho que essa plataforma indica muito sobre os futuros caminhos que as tecnologias domésticas vão tomar. E isso me interessa muito.

Você acredita na convergência do impresso com o online?
No caso da Vogue, sim. Em outros casos, não sei. Funciona perfeitamente pra gente porque temos a melhor revista de moda, e conseguimos desdobrar o conteúdo da revista, o olhar da revista, no site através de notícias diárias.

Faz algum sentido termos revistas de coleções sendo lançadas hoje em dia, com a internet disseminando as fotos de desfiles numa velocidade irrefreável?
Depende. No nosso caso, de novo, faz sentido. Porque se a gente lança uma revista de coleções, estamos oferecendo um conteúdo diferenciado. São as roupas que já foram vistas na passarela e na internet, mas temos a maior top model, o melhor fotógrafo, temos o olhar dos editores que mostram alternativas para compor seu look, ou indicam caminhos alternativos para usar a roupa na vida real. Esse tipo de revista de coleções é totalmente válido. O outro tipo, aquele que simplesmente reproduz as fotos de passarela, do jeito que elas já foram exibidas, não sei se tem validade.

O que você pensa sobre editores de moda que se tornaram ícones de estilo através a internet?
Eles não se tornaram ícones de estilo, eles sempre foram ícones de estilo. Pegue o exemplo da Anna Dello Russo. Ela nunca foi anônima. Eu a conheço há muitos anos, a Anna sempre teve um estilo absurdamente marcante e reconhecido. A internet apenas levou isso para o grande público. A web não transforma ninguém num ícone, ela apenas divulga algo que já existe. É somente uma ferramenta de publicação para as massas.

Com tanto conteúdo na rede, o que é mais importante: qualidade ou quantidade?
Qualidade, é claro! Qualquer um pode sair postando mil notícias num único dia. Mas só alguns possuem o olhar especial que vai tornar essas notícias relevantes para o seu público.

Então quem publica primeiro, na internet, não é importante?
Absolutamente não. Ganha quem publica melhor, e não mais rápido. Você pode ser o mais veloz, e ter uma absorção mínima do seu conteúdo porque ele é irrelevante. Se você publica algo que todo mundo está publicando, sem dar o seu olhar, o internauta vai simplesmente fechar a página.

Qual é o ingrediente secreto para o sucesso de um site?
Paixão. Paixão é verdade.

Candy: Antes de desligar, como está o clima no Brasil?
André (FFW): Quente e úmido.
CPP: Isso é ótimo!
André (FFW): Ah, é?
CPP: Me procure quando eu estiver por aí.
André (FFW): Vou procurar, você me deve uma partida de Kinect.
CPP: Esteja preparado, sou viciada!
André (FFW): Estarei!

#FFWprofile: Simone Carvalho, exclusiva da Louis Vuitton e fã de Dostoiévski

15/01/2011

por | Moda

simone_carvalho© Juliana Knobel

Simone Carvalho não é conhecida nas passarelas brasileiras, já que é a primeira vez que desfila no Brasil, mas as perninhas que estréiam no catwalking brasileiro já desfilaram para a Louis Vuitton. E exclusiva, ta bom pra você?
É também a primeira vez que ela vê o mar, mesmo sendo natural do estado da Bahia. Simone, de 17 anos, morava em Hidrolândia, vila pertencente à Uibaí, tem sangue indígena correndo pelas veias e ama literatura russa.

IDADE?
17 anos.

SIGNO?
Sou de Virgem. Adoro astrologia, mas não acredito muito. [risos]

O QUE HÁ DE VIRGINIANA EM VOCÊ?
Sou muito perfeccionista, por isso me cobro muito. E sou meio monótona também.

VOCÊ COMEÇOU NAS PASSARELAS INTERNACIONAIS, ANTES DE DESFILAR AQUI. COMO ISSO ACONTECEU?
Fui na agência de modelos no dia de entrevistas _aberto para aspirantes à modelos_ e fui selecionada. Aí meu primeiro trabalho foi na semana de moda de Nova York. Nunca achei que eu pudesse ser modelo, mas todo mundo dizia “Você devia tentar, é magrela”. Aí eu fui, não tinha nada a perder mesmo.

QUAIS DESFILES VOCÊ FAZ?
Vera Wang, Derek Lam, 3.1 Phillip Lim, Richard Chai…

E EM PARIS?
Louis Vuitton. Só desfilei para eles, fui exclusiva.

E O MARC JACOBS, É TUDO AQUILO QUE A GENTE PENSA MESMO?
Sim! Ele é fantástico, super alto-astral. E muito charmoso.

O QUE PASSOU PELA SUA CABEÇA QUANDO ENTROU NA PASSARELA DA LOUIS VUITTON?
Não acreditava, só caiu a ficha depois do desfile. E foi tudo muito rápido, fiz a prova de roupa às 2h da manhã e desfilei às 19h.

JÁ PENSOU EM FAZER OUTRA COISA QUE NÃO FOSSE MODELAR?
Não penso mais. Se eu não tivesse virado modelo, eu prestaria vestibular pra Medicina.

QUEM É O ESTILISTA QUE VOCÊ MAIS ADMIRA?
Jean Paul Gaultier.

QUAL A COISA MAIS LEGAL EM SER MODELO?
Viajar muito e conhecer pessoas que eu nunca imaginei, por serem de outra cultura, por exemplo.

MODELO-ÍCONE?
Tem tantas. Tá, vai, Linda Evangelista.

QUAL MATÉRIA MAIS GOSTAVA NA ESCOLA?
Filosofia.

SALTO OU SAPATILHA?
Tênis!

LUGAR QUE SONHA CONHECER?
As montanhas do Tibet.

O QUE FEZ COM SEU PRIMEIRO SALÁRIO?
O que eu fiz? Não lembro. Acho que paguei as contas [risos]

O QUE É ESSENCIAL NA SUA VIDA?
Ai meu Deus! Amor.

VOCÊ NAMORA?
Não, nunca namorei.

E O QUE É ESSENCIAL NA SUA BOLSA?
Protetor solar.

MÚSICA QUE NÃO PARA DE OUVIR?
Wishful Sinful, do The Doors

JÁ PASSOU POR PERRENGUE NA PROFISSÃO?
Fiquei presa no aeroporto de Roma horas, e os policiais gritavam comigo e eu não entendi nada do que eles falavam.

ÍCONE DE ESTILO?
David Bowie.

UMA COISA QUE EU DEVERIA SABER SOBRE VOCÊ?
Sou muito chata, em todos os sentidos;

QUAL O ÚLTIMO FILME QUE VIU?
Gandhi, de Richard Attenborough.

E O ÚLTIMO LIVRO QUE LEU?
“Gente Pobre”, do Dostoiévski

VOCÊ CURTE LITERATURA? QUAIS SEUS AUTORES FAVORITOS?
Muito! Meus autores preferidos são Dostoiévski e Tolstói.

SE ALGUÉM QUISER SE INICIAR NA LITERATURA RUSSA, QUAL LIVRO VOCÊ INDICA?
Anna Karenina, do Tolstói. É inesquecível, um dos melhores.

“Não me interessa julgar”, diz novo diretor criativo da Redley

15/01/2011

por | Moda

sandy-dalal-é-o-novo-diretor-criativo-da-redleySandy Dalal no backstage do desfile da Redley no Fashion Rio inverno 2011 ©Juliana Knobel

Novo diretor criativo da Redley, o nova-iorquino descendente de indianos Sandy Dalal é praticamente desconhecido no Brasil, mas tem um histórico respeitável que começou quando, em 1997, aos 21 anos, se tornou o estilista mais jovem a receber o prêmio Perry Ellis do Council of Fashion Designers of America, concedido a novos talentos. Sua marca homônima, criada em 1996, evoluiu para a Chatav Ectabit em 2004, e virou favorita de butiques de luxo em Paris, Londres e Japão.

No Brasil desde setembro de 2010,  o estilista ocupa o posto que foi do alemão Juergen Oeltjenbruns e já deixa sua marca na concepção geral da coleção Inverno 2011 (o estilo já estava finalizado). Atencioso e surpreendentemente sereno pouco antes do desfile da Redley no Fashion Rio, Sandy conversou com o FFW sobre criação, estilo pessoal e moda brasileira.

Confira:

Com suas próprias grifes, você tinha liberdade para criar um visual muito pessoal, autoral; como você se sente trabalhando em uma marca estabelecida e que tem seu próprio look e história?

Já fiz projetos como o meu trabalho atual na Redley. Eu acho interessante porque há 2 lados, como em uma moeda; sempre há 2 lados. É bem interessante porque acabo trabalhando fora do que me é usual, mas obviamente há elementos que são importantes para mim, que são pessoais, que vão aparecer na coleção de qualquer maneira, seja para mim ou para outra pessoa. Mas é ótimo porque coisas assim ajudam a refinar sua linha de pensamento criativo, como “isso é apropriado para essa situação”, “isso é apropriado para mim”. Ao mesmo tempo, te ajuda a entender o que acontece na sua cabeça. No geral, isso ajuda a realmente destilar o que é importante para você, o que é importante para a marca; faz você se envolver de uma maneira muito mais ampla, e estou colaborando com pessoas incrivelmente talentosas na Redley.

E quais são alguns dos seus elementos pessoais que poderão ser vistos nas coleções da Redley?

Algumas peças que temos nessa coleção e na próxima, em que já começamos a trabalhar, são unisex. Também há uma simplificação do estilo, a peça não precisa necessariamente ter muitos elementos. Geralmente eu uso texturas, e no geral, há um grau de simplicidade na silhueta que é característica do meu trabalho.

Como você cria suas coleções? Costuma trabalhar com temas?

Eu trabalho de muitas formas, não há bem uma fórmula; nesta temporada e na próxima eu tenho sido muito inspirado pela cidade. Mas pode ser qualquer coisa que eu vivencie em um dia. Às vezes é um material, às vezes é uma textura. Pode ser qualquer coisa mesmo, não precisa vir de uma área ou espaço específico, então geralmente não há um tema, mas há um mood, uma ideia que caracteriza a coleção.

E esta é a sua primeira vez no Rio?

Esta vez específica não, eu tenho ido e voltado bastante, (para Nova York, onde moram sua esposa e os 2 filhos) não sei quantas vezes; mas esta é a minha primeira experiência trabalhando no Brasil.

E você tem gostado daqui? O país corresponde ao que você imaginava?

Em parte; a energia é mais ou menos como eu esperava. Há energias diferentes em capitais como Nova York, Londres, etc, mas há algo diferente aqui na forma como as pessoas mudam seus gostos, seu estilo, as experimentações com comida; isso permeia tudo que mexe com criatividade, o que é incrível! Gosto porque o establishment sempre precisa estar em guarda, porque há tantas coisas novas acontecendo, novos lugares, e há uma vontade em descobrir novas idéias; sendo uma pessoa criativa, isso é algo que eu valorizo, que eu acho inspiracional.

Durante esse período que você está no Brasil, você aprendeu algo sobre outras marcas daqui, ou da moda brasileira em geral? Tem uma opinião a respeito?

Ainda estou aprendendo. Se tenho uma opinião? – não. Vi coisas muito inesperadas e coisas normais. Para mim, o mais importante é me focar no projeto, na evolução da Redley. Eu acho que aprender sobre moda brasileira _ou moda em geral, em qualquer lugar do mundo_ é fascinante, e fazer parte disso é mais fascinante ainda, mas tentar julgar isso não é interessante para mim.

+ Clique aqui para ver a coleção completa  da Redley no Fashion Rio 2011

“A ficha não caiu”, diz Laís Ribeiro sobre contrato com Victoria’s Secret

14/01/2011

por | Cultura Pop

Teca - Fashion Rio Inverno 2011
Laís Ribeiro para Têca © Zé Takahashi/ Ag.Fotosite

Modelo fenônemo da estação, Laís Ribeiro (Joy) está podendo ainda mais neste inverno 2011. Com apenas um ano de carreira, conquistou stylists e editores no Brasil e no mundo _e acaba de realizar o sonho de nove entre dez modelos: assinou um contrato com a Victoria’s Secret. “A ficha não caiu ainda”, confessa. “Aconteceu tudo muito rápido, e sei que esse sucesso pode sumir na mesma velocidade; estou com os pés no chão”, disse ao portal FFW no backstage da Têca.

Além do contrato com a marca norte-americana, Laís já tem em seu currículo catálogos para Ralph Lauren, Gap e American Eagle, editoriais para a “Vogue” Brasil (o mais recente, assinado por Michael Roberts, sai em março) e “Vogue” América, fotografado por Steven Meisel. “As pessoas dizem que ele é meio difícil, mas ele foi supersimpático nesse shooting, me ensinando coisas e me orientando muito bem.”

Neste início de carreira, a maior dificuldade da modelo (além da saudade do filho Alexandre, de dois anos e oito meses) foi com o inglês. “Perdi vários desfiles e passei muita vergonha, mas agora já estou me virando bem melhor”, fala. No Brasil, a alegria é geral. “Comecei aqui, fui muito bem acolhida e é maravilhoso poder rever todo mundo.”

Depois de desfilar para sete marcas no Fashion Rio, ela embarca para Nova York e volta ao país para o SPFW, já confirmada em 16 desfiles. Despojada, gosta de roupas leves em que se sinta à vontade, investe em protetor solar e não usa “maquiagem nem pra ir na balada”. Linda como  é, nem precisa…

Uma rapidinha com… Reynaldo Gianecchini!

13/01/2011

por | Gente

via @sergioamaral

reyReynaldo durante a prova de roupa da TNG ©Divulgação

Top galã da Globo, Reynaldo Gianecchini desfila para a TNG nesta quinta (13.01), terceiro dia de Fashion Rio. Na manhã desta quarta (12.01), ele participou da prova de roupa da marca no Leme e, mais tarde, conversou com a gente sobre moda, guarda-roupa e o after de “Passione”.

Confira o bate-papo:

É sua terceira vez desfilando para a TNG, já é quase um veterano da marca…

Gosto muito da TNG, gosto dos desfiles e desta vez a inspiração é a geração beatnik, uma coisa muito maneira. Gosto quando a marca tem um tema ou referência para a coleção. E nessa, ao mesmo tempo em que é o look supermontado, tem uma desconstrução e uma certa liberdade que tem a ver com os beatniks. Das coleções que eu já fiz para a TNG, é a que mais gosto.

Você tem personal stylist? Como é sua relação com moda?

Não tenho, não. Eu mesmo escolho minhas roupas e também não sou de seguir desesperadamente as modinhas. Trabalhei 10 anos com moda. Quando eu comecei, usava sempre camiseta Hering e calça jeans. Sou mega do conforto, das coisas simples, não gosto de nada muito rococó. E também me visto de acordo com o dia, com o que estou sentindo, às vezes ponho mais cor, uma estampa…

Tem peças de estimação no seu guarda-roupa?

Olha, não sou de guardar muito as coisas, gosto de passar para frente, abrir espaço para outras coisas. Algumas poucas eu acabo guardando, como uma malha preta com decote em V, da Gucci, super simples, que foi a primeira coisa que comprei quando ganhei um dinheirinho maior trabalhando.

A novela acaba na sexta, vai fazer o que agora?

Férias total, vou viajar, quero descansar, tomar sol, fazer nada até abril, quando volto para ensaiar uma peça com o Elias Andreato, “Cruel”. A estréia vai ser em junho na Faap (SP) e vai ser um esquema meio alternativo, de quarta e quinta, bem legal.

#FFWprofile: Sofia Krawczyk, a modelo argentina que adora reggaeton

13/01/2011

por | Gente

O nome é polonês, mas Sofia Krawczyk (da Ten Models) é argentina, nascida em 1994, em Buenos Aires. Rosto fresco no Rio de Janeiro (é a segunda vez que ela vem para o Brasil), que chamou a atenção dos editores do FFW, a menina de 17 anos, longuíssimos cabelos loiros e olhos claros, já fez a campanha de verão da grife Tufi Duek e fez todos os desfiles do 1° dia de Fashion Rio. Muito simpática e animada, Sofia falou com o Portal FFW no backstage do desfile de Giulia Borges.

sofiaSofia no desfile das Filhas de Gaia © Agência Fotosite

VOCÊ É ARGENTINA, MAS ESSE SOBRENOME…
É da Polônia. Meu pai é polonês e minha mãe é ucraniana.

ACREDITA EM ASTROLOGIA?
Um ‘poquito’. Sou escorpiana e tenho o gênio forte, mas sou companheira e confiante, que são características do meu signo.

ESCORPIANOS SÃO NAMORADEIROS… VOCÊ TAMBÉM É?
Hahaha, sou muito! Mas nunca namorei sério.

E ESPORTES, VOCÊ PRATICA?
Eu jogo voleibol na escola, gosto muito.

AH, VOCÊ AINDA ESTÁ NA ESCOLA?
Sim, termino este ano. Quero terminar logo pra poder só modelar. Mas quero fazer faculdade depois, porque a carreira de modelo é muito curta, então quero fazer uma faculdade.

FACULDADE DE QUÊ?
Não sei ainda! Mas quero.

QUAL FOI SUA PRIMEIRA VIAGEM INTERNACIONAL?
China! Com 14 anos, sozinha, e foram quatro vôos! Fui participar do concurso de modelos Elite (fui a ganhadora na Argentina), e fiquei entre as 15 finalistas, mas não ganhei.

FOI ASSIM QUE VOCÊ COMEÇOU A CARREIRA?
Sim, uma pessoa me parou em um supermercado e disse para eu participar do concurso, e como eu sempre quis ser modelo, me inscrevi. Mas minha família não gostou muito da idéia no começo, eles tinham medo.

E O QUE VOCÊ FEZ COM SEU PRIMEIRO SALÁRIO?
Uma parte eu guardei, mas o resto eu comprei roupas e sapatos, que eu amo!

VOCÊ GOSTA MUITO DE SALTOS ALTOS, NÃO?
Sim, são meus preferidos. O que eu mais gosto é uma bota preta de uma marca argentina, Parvolo, que tem 15 cm de salto.

QUAL FOI A ULTIMA COISA QUE VOCÊ COMPROU?
Um vestido na Argentina, muito colorido. Gosto muito das roupas de lá.

O QUE TOCA NO SEU iPOD?
Lady Gaga, Rihanna, Beyoncé e reggaeton, um ritmo latino muito conhecido na Argentina e em Porto Rico.

E A MÚSICA QUE VOCÊ ESTÁ OBCECADA?
“A Year Without Rain”, da Selena Gomez. Minha irmã, de 14 anos, escuta muito, então quando ouço, me lembro dela.

O QUE NÃO PODE FALTAR NA SUA BOLSA?
Barrinha de cereal, sempre, sempre. Lenço para tirar a maquiagem, celular, câmera fotográfica… e dinheiro!

E NA MALA DE VIAGEM?
Sapatos!

VOCÊ CORTARIA SEU CABELO?
Não agora. Eu deixo ele crescer desde sempre, ainda não quero cortar.

O QUE VOCÊ FAZ QUANDO NÃO ESTA MODELANDO?
Saio com minhas amigas para “bailar”.

DEPOIS DAQUI, VOCÊ VAI PARA ONDE?
Para Argentina e depois para Nova York. É a primeira vez que vou para lá, espero trabalhar muito.

E QUAL LUGAR VOCÊ QUER MUITO CONHECER?
Austrália e Egito.

QUEM É SUA MODELO PREFERIDA?
Tanya Dziahileva, da Bielorrússia. Ela á parecida comigo, haha.

PARA QUAL MARCA VOCÊ SONHA EM DESFILAR?
Prada. E depois Gucci.

VOCÊ É SUPERSTICIOSA?
Hahaha, sou. Quando eu vejo um gato preto, eu tenho que dar sete passos para trás!

Com Amy e U2, primeiro semestre tem avalanche de shows gringos

05/01/2011

por | Cultura Pop

janelleComece por Amy Winehouse e Shakira. Adicione U2, Janelle Monáe, Vampire Weekend, LCD Soundsystem… Em 2011, o calendário de shows _normalmente calmo no primeiro semestre e agitado no segundo_ resolveu se equilibrar.

Se o grandes festivais como SWU, Rock In Rio e Planeta Terra permanecem depois de julho_na rabeira dos festivais de verão no hemisfério norte como Coachella e Lollapallooza_ os shows “avulsos” começam em janeiro. É o caso do Summer Soul Festival, que traz Amy, Janelle Monáe e Mayer Hawthorne. a São Paulo, Recife, Rio e Florianópolis.

não acho novidade. é uma situação levada por vários fatores.
situação econômica brasileira, mais apreço ainda das bandas por shows
(porque não vendem mais cds), mais produtores agindo no mercado
> brasileiro etc. 2011 tem tudo pra ser ainda melhor do que foi em 2010.
>
> * eu acho que a distribuição pelo ano todo facilita a solidificação de
> um mercado de shows sério no Brasil. A gente não está no hemisfério
> norte, que tem os grandes festivais de verão, em um período
> específico. aqui, num tempo um pouco mais quente ou um pouco mais
> frio, dá para estabelecer novos festivais, shows fechados, eventos o
> ano inteiro de um modo uniforme. estamos começando a ver isso, acho

Lúcio Ribeiro, autor do blog Popload e organizador da Popload GIG (que traz o LCD Soundsystem na última quinzena de fevereiro), acompanha e noticia a movimentação desse mercado. “É uma situação levada por vários fatores. Situação econômica brasileira, mais apreço ainda das bandas por show (porque não vendem mais cds), mais produtores agindo no mercado brasileiro, etc. 2011 tem tudo pra ser ainda melhor do que foi em 2010″, comentou ao FFW.

A distribuição dos eventos é boa para o consumidor: os ingressos, que não são baratos, pesam no bolso_ ainda mais quando condensados em um curto espaço de tempo.

Para Lúcio, o impacto na indústria também é positivo. “Facilita a solidificação de um mercado de shows sério no Brasil. A gente não está no Hemisfério Norte, que tem os grandes festivais de verão, em um período específico. Aqui, num tempo um pouco mais quente ou um pouco mais frio, dá para estabelecer novos festivais, shows fechados, eventos oano inteiro de um modo uniforme. Estamos começando a ver isso”, conclui.

Animou? Programe-se para as apresentações já confirmadas na FFW Agenda!

EXCLUSIVO: Juliana Jabour explica sua migração para o SPFW

14/12/2010

por | Moda

juliana-jabour-noticia-FFWJuliana Jabour: depois de 10 edições de Fashion Rio, a estilista migra para o SPFW ©Divulgação

Depois de 10 edições desfilando no line up oficial do Fashion Rio, a estilista Juliana Jabour migra para o SPFW no inverno 2011. ” Quando a Luminosidade assumiu o Fashion Rio, em junho de 2009, eu procurei a organização propondo essa mudança. Mas eles pediram pra que eu ficasse no Fashion Rio por mais 3 edições até que as mudanças planejadas para o evento começassem a ser percebidas. Eles enxergaram que eu era importante dentro da estratégia de fortalecimento do evento no Rio”, explicou por telefone ao FFW.

“Eu moro aqui, toda a minha estrutura de marca está aqui em São Paulo, então em todos os aspectos é mais conveniente desfilar no SPFW. É gostoso fazer o desfile no Rio, mas é custoso do ponto de vista de infraestrutura, equipe e tudo mais”.

painel-juliana-jabour-verao-2011O painel de looks do verão 2011 de Juliana Jabour: a coleção foi a última desfilada no Fashion Rio ©Agência Fotosite

Juliana reforça que a mudança não está ligada a nenhuma estratégia comercial da marca: “Vendo igual em SP e no Rio. Faço uma moda democrática e que é, sim, mais urbana, porém tem bossa, é easy, funciona bem nas duas cidades”.

+ Veja fotos de todas as coleções que o FFW já publicou da marca Juliana Jabour

Sobre suas expectativas, ela desabafa: “Tenho um pouco de medo, porque toda mudança causa certa insegurança. Mas o SPFW é um evento incrível e eu me sinto pronta pra desfilar por aqui”.

fila-final-juliana-jabour-verao-2011A entrada final do verão 2011 da estilista ©Agência Fotosite

EXCLUSIVO Anna Dello Russo: “Eu teria desaparecido sem a internet”

20/08/2010

por | Moda

anna-dello-russo-ffw-juliana-lopesAnna Dello Russo e sua Cucciolina durante a entrevista concedida ao FFW em Milão ©Juliana Lopes/FFW

Entrevista por Juliana Lopes, de Milão

Uma tarde de verão cheia de luz. Em muitos sentidos. Foi assim o encontro do FFW com a consultora e editora de moda Anna Dello Russo, que comanda a “Vogue Nippon” há 3 anos e trabalhou outros 12 ao lado de Franca Sozzani, na “Vogue Itália”. Anna é uma daquelas pessoas que preenche qualquer ambiente em que esteja com felicidade, animação, positividade, novidade, generosidade. Sendo assim, ela é o tempero ideal para o fervilhante caldeirão que é o mundo da moda.

Famosa por vestir “looks de passarela”, Dello Russo é amiga de estilistas, catapulta de tendências e twitteira de mão cheia. “Sou uma tela em branco, para a moda escrever o que quiser em mim”, confessa.

Não quer se sentar?
Estou há muito tempo sentada. Você cuida da Cucciolina enquanto vou ao banheiro? Ela pode chorar, mas não se preocupe.

(Anna deixa Cucciolina amarrada no pé de uma cadeira. A cadelinha acompanha seus passos com um olhar aparentemente desesperado. Tento entreter o animal. A fuga de Cucciolina seria uma tragédia).

Prefere dar uma volta?
Vamos? Obrigada! A Cucciolina está mesmo precisando. Vem que eu carrego a sua bolsa pra você conseguir segurar o bloquinho de anotações.

Você é chamada de “Fashion Director at Large & Creative Consultant” da “Vogue Nippon”. Na prática, o que isso quer dizer?
É um nome imenso, coisa dos japoneses, mas quer dizer que eu sou diretora de moda. E ponto.

Como é trabalhar com o Japão morando na Itália?
Costumo acordar sempre muito cedo, às 5h30, para fazer 1 hora de ioga e depois 1 hora de natação. Se preciso falar com Tóquio urgentemente, ligo para eles antes de começar meu dia. Mesmo porque quando são 5h da manhã na Itália já são 14h no Japão.

Os telefonemas que costuma dar são para quais lugares?
Costumo falar muito com equipes que estão nos Estados Unidos. Quase todos os profissionais que preferimos estão lá. Fotógrafos de moda, maquiadores, stylists, tudo. Nova York e Los Angeles são as cidades que melhor funcionam para isso, não tem jeito.

Que locações têm escolhido com maior freqüência?
Todo mundo quer ir pra Tóquio! Meus colaboradores vivem me pedindo isso e na medida do possível tento agendar editoriais por lá. Não é sempre que dá. Mas a moda, você sabe, é feita em todos os lugares.

Você tem algum editor para te ajudar no Japão?
Não, sou eu quem escolho tudo, passo o briefing pra todo mundo. Mas, como não sei falar japonês, escrevo os textos em inglês e alguém da redação traduz.

Você consegue acompanhar os ensaios de moda?
Só os mais importantes, como as capas. Mas mesmo estando longe, eu arquiteto tudo, converso bastante com todos. Então não é necessário que eu esteja presente fisicamente nos shootings.

Já teve algum problema ao dirigir um fotógrafo de estilo marcante?
Não, não tenho esse problema. Quando eu chamo um fotógrafo é porque quero a direção dele. Senão seria chatíssimo, né? Tudo igual, apenas com a minha direção, seria muito monótono. Já escolho a história e o vestido que combinem com o fotógrafo. Sei que o Terry Richardson, por exemplo, tem capacidade de aproveitar um determinado tipo de roupa, uma determinada atitude que aquela roupa provoca. E isso também vale para os modelos e stylists. Meu trabalho é fazer essa costura, orquestrar isso, escolher as pessoas certas para trabalharem juntamente.

Na hora de criar o conceito para os editoriais, você pensa na consumidora japonesa?
A “Vogue Nippon” fala com a mulher japonesa em outras seções. Temos matérias de consumo, reportagens que falam com essa mulher. Nos editoriais, no entanto, faço sempre uma escolha internacional. Acredito que se olharmos os editoriais de todas as “Vogues”, não conseguimos descobrir de que país é cada uma delas. Porque estamos falando de uma mulher internacional, não importa onde são feitas as revistas. Quem faz “Vogue” trabalha para construir um sonho.

As pessoas que trabalham para construir esse sonho da moda, nos últimos tempos, acabaram virando estrelas. Tipo a Anna Wintour.
Sim, mas isso acontece porque estamos vivendo uma nova fase. A moda, de uns cinco anos pra cá, passou a existir de fato na internet. E a web, que tornou tudo mais aberto, provoca uma maior curiosidade em torno desse mundo. Existe a vontade de investigar, por isso todos querem saber, conhecer, entrevistar as editoras de moda. São mentes pensantes, criativas. A diferença de hoje, com a internet, é que, quem não for verdadeiro, quem não trabalhar com sinceridade e paixão, não vai durar. Ficou mais fácil separar o joio do trigo.

Já que você entrou no assunto internet, impossível não falarmos sobre o seu perfil no Twitter.
Óbvio! Mas o meu Twitter (@AnnaDelloRusso) surgiu depois do meu blog (annadellorusso.com). O blog tem uma função mais geral. O Twitter para mim é um diário online, de notícias que estão acontecendo ao longo do dia. Faço atualizações dos meus percursos. Por exemplo, existe um preparo para fazer uma edição mensal de uma revista: falar com pessoas, ter ideias. Pelo Twitter eu consigo compartilhar isso com muita gente. Deixar já algumas pistas, uns highlights do que estou fazendo. E também ter novas ideias e conhecer novas pessoas.

Estar no Twitter significa também estar mais acessível aos seus admiradores.
É a primeira vez na história da moda que o lado de cá fala com o lado de lá. A internet mudou a moda. Cairam as barreiras, capisci? Antes se imaginava que quem trabalhava com moda fazia parte de uma casta inacessível da sociedade, e na realidade era isso mesmo. Hoje, com tudo assim escancarado, conseguimos conhecer melhor quem são as mentes pensantes atrás da moda. E, claro, se descobre que realmente essas mentes são maravilhosas, são pessoas criativas, mas que trabalham muito.

Antes, nós, criadores de moda, éramos fechados numa bolha, num grupinho separado do mundo. Éramos só nós. É estúpido isso, entende? Éramos vistos como pessoas inacessíveis. Tínhamos alguns palpites, fazíamos previsões do que as pessoas gostavam, mas era um feeling nosso de longe, não tínhamos a possibilidade de saber a verdade, de conhecer o gosto das pessoas mesmo. Hoje não existe mais isso, está tudo aí para quem quiser ver. Você posta alguma coisa, uma imagem, uma ideia, e na hora consegue saber se isso funciona. É útil não só para mim, mas para a indústria de moda no geral.

Você gosta então de ser um personagem que existe virtualmente.
Eu adoro ser chamada de “internet icon”! Se não fosse a internet, eu provavelmente não trabalharia como trabalho hoje. Sem a internet, eu teria desaparecido.

Como quer que as pessoas te vejam?
Quero que vejam que eu sou humana! Tenho minhas fraquezas, meus momentos, minhas manias, sabe?

E sobre a sua mania de vestir “looks de passarela”… Algo a declarar?
Existe um trabalho enorme, de meses e meses, até o look chegar à passarela! Tem o trabalho do estilista, que criou as peças. Depois do stylist, que estudou um melhor modo de combinar essas peças. Se ninguém repete o que está exatamente ali, esse trabalho é todo perdido, sabe? Vai embora, morre. Pode parecer superficial, mas para mim existe algo mais profundo nisso, em usar um “look de passarela”, não sei como definir.

Como podemos definir uma “fashion victim”?
Eu! A primeira de todas as fashion victims sou eu. Eu sou uma tela em branco, a moda pode desenhar o que quiser em mim. Sou obcecada, mas essa obsessão para mim não é um problema, eu adoro a moda. Por isso que trabalho bem com os japoneses, eles também são super obcecados por moda!

Apesar de tanta obsessão pela moda, a crise deu uma balançada na indústria. A moda italiana, como a francesa, inglesa e americana devem perder a hegemonia?
Sim, dá para sentir que isso vai mudar! O Japão, por exemplo, está se tornando mais importante. Não podemos esquecer do fenômeno irrefreável da China.Quem será o grande azarão, depois da crise? Pode ser simplesmente um país que nem mesmo imaginamos. E isso é a vida, é a impermanência da vida. É um pensamento muito bonito esse que estamos dividindo aqui, vero?

Sim, é verdade. O conceito de impermanência como “única coisa permanente” é oriental, não?
Sim, é oriental, e eu acredito nele. Acredito que tudo está em constante mutação. A humanidade no geral. E, não sei explicar o porquê, mas a moda é a primeira a sentir essa mutação. As mudanças chegam ao social depois de passarem pela moda. A moda tem antenas que captam isso primeiro.

E quais sinais suas antenas estão captando?
Já temos sinais fortes. E muito deles aconteceram por causa da Internet. Quando é que se pensou que existiria uma bambina como a Tavi [Gevinson]? Uma criança de 13 anos fazendo um blog de moda? Quando é que se imaginou que um garoto das Filipinas, o Brianboy, viraria essa personalidade que ele virou? Hoje está tudo aberto, tudo é possível. Quem for competente, vai conseguir o seu espaço. Caiu a máscara da imobilidade da moda, do que era frio, imóvel. Minhas antenas captam isso: não podemos mais ter certeza de nada _nada!_ que está por vir.

O que exatamente é essa “máscara que caiu”?
Imaginava-se que o mundo era feito de pessoas ricas, famosas, num infinito benessere (bem-estar). E agora, com a crise e a internet que mostra tudo, onde está o benessere? Onde estão os ricos e famosos? Estão pobres e desgraçados! Caiu tudo por terra, capisci? O tom como se falava era alto demais. Agora deu uma diminuída. A crise veio e deu uma chacoalhada tão violenta que é óbvio que tudo vai mudar. Já está mudando.

Qual a sua opinião sobre as publicações impressas na Era Digital?
Eu penso temos muitos jornais. Troppo, troppo. Nosso momento cultural vai selecionar o que é o melhor. E só o que for mesmo the best é que vai gozar do grande valor do papel. O valor do papel é estupendo, como o valor dos livros. Criar é bom, mas criação demais não adianta, não serve, non va bene.

Por que não?
Porque a criatividade deve ser respeitada, deve ter um tempo para ela. A criatividade é um dom, não dá para criar coisas como se faz sorvetes, pizzas.

Existe já uma discussão do conceito de “slow fashion”, o que você acha disso?
Quem já discute o slow fashion?

Foi discutido no evento Fashion Summit, em Copenhague, durante a COP15 for Climate Change.
Sim, eu acho que o futuro é esse, o futuro é o slow motion. Dá pra perceber que as quantidades estão diminuindo. Quase ninguém, por exemplo, está desenvolvendo pré-coleções. O produto tem que ser mais lento, ninguém consome assim com tanta velocidade. Perde-se a alma das coisas… Exato, slow fashion, como slow food…

Na sua opinião, então, é possível que se produza menos e ainda sobreviver?
A saída é a estrada do meio termo. Isso vale pra tudo, é preciso encontrar o caminho do meio. Cada um cuidar de si próprio e também pensar no mundo em volta. É por isso que eu medito, para trabalhar bem com as pessoas. Uma forma de salvar o planeta, para mim, é trabalhar o meu eu interior buscando a serenidade. Medito e tento passar essa mesma serenidade aos outros à minha volta.

UMA RAPIDINHA COM… ANNA DELLO RUSSO:

Anna Wintour
Super powerful! É o sistema da moda em pessoa!

Blogs de moda
Novidade! Curiosidade! Adoro!

Gisele Bündchen:
Madonna mia! Que mulher! Eu queria ser ela! Não é só uma figura de moda, mas tem uma vida esportiva, cuida da alma, é positiva. Uma verdadeira top.

Japão
Graças a Deus me dá esse belo trabalho! Adoro os japoneses porque são obsessivos pela moda como eu!

Brasil
O que eu gosto do Brasil é a consciência corporal. São os melhores cultuadores do corpo. O corpo vem antes da moda. Primeiro vem o corpo. Se o corpo não caminha, você não vai à parte alguma. Acho importante dar atenção à filosofia do corpo. É essa a mensagem que o Brasil me passa. Como nomes conhecidos vindo do Brasil lembro das Havaianas! E daquele estilista, o Alexandre Herchcovitch! Agora pensando vejo que não recebo muitas informações sobre a moda brasileira, isso é uma pena… esse fluxo precisa melhorar.

China
A China é uma superpotência, está ganhando um mercado absurdo. Sabia que a “Vogue” chinesa chega ao ponto de rejeitar anúncios tamanha é a quantidade de ofertas? E tem a questão da cópia, não sei muito o que dizer, acho que eles estão buscando uma nova forma de trabalhar.

Domenico Dolce & Stefano Gabbana
São meus amigos do coração, adoro os dois. Transformaram o mercado italiano em internacional. Têm uma sólida visão estética do Mediterrâneo, do Sul, da Pulha, que é de onde vim, que é nosso “pequeno Brasil”.

WGSN e outros escritórios de tendência
Não conheço o trabalho do WGSN, me desculpe, não quero criticar um escritório que não conheço. Porque de repente eles são bons, não é? O que eu posso dizer sobre tendência é que a tendência é algo que eu sinto o cheiro de longe. Sinto no ar, sabe? É algo inconsciente, não podemos não acreditar nesse fator do inconsciente. E eu sou a mais sensitiva! É uma linguagem coletiva que não se pode traduzir em palavras, em explicações. Quanto mais você usa palavras pra explicar tendência, mais a perde, mais a diminui.

*Anna Dello Russo entrou na “Vogue Nippon” em 2007. Formou-se em História da Arte na universidade de Bari. Mudou-se para Milão para fazer um mestrado em Moda na Domus Academy, que tinha como um dos professores Gianfranco Ferrè. Conseguiu, no fim dos anos 80, trabalhar como assistente nas revistas menores da “Vogue”: “Vogue Pelle”, “Vogue Gioelli”. Com a entrada de Franca Sozzani na “Vogue Itália”, em 1989, Anna Dello Russo foi convidada para fazer parte do novo team e assim foi editora de moda por 12 anos. Em 2001 foi convidada para ser editora chefe da “Uomo Vogue”. Alguns anos depois sentiu vontade de voltar para o universo feminino e finalmente voltou para a “Vogue”, em 2006. Até ser convidada, no começo de 2007, para ser editora de moda e consultoria criativa da “Vogue Nippon”. Foi nessa época que começou o blog e a se envolver bastante com a internet.