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EXCLUSIVO Anna Dello Russo: “Eu teria desaparecido sem a internet”

anna-dello-russo-ffw-juliana-lopesAnna Dello Russo e sua Cucciolina durante a entrevista concedida ao FFW em Milão ©Juliana Lopes/FFW

Entrevista por Juliana Lopes, de Milão

Uma tarde de verão cheia de luz. Em muitos sentidos. Foi assim o encontro do FFW com a consultora e editora de moda Anna Dello Russo, que comanda a “Vogue Nippon” há 3 anos e trabalhou outros 12 ao lado de Franca Sozzani, na “Vogue Itália”. Anna é uma daquelas pessoas que preenche qualquer ambiente em que esteja com felicidade, animação, positividade, novidade, generosidade. Sendo assim, ela é o tempero ideal para o fervilhante caldeirão que é o mundo da moda.

Famosa por vestir “looks de passarela”, Dello Russo é amiga de estilistas, catapulta de tendências e twitteira de mão cheia. “Sou uma tela em branco, para a moda escrever o que quiser em mim”, confessa.

Não quer se sentar?
Estou há muito tempo sentada. Você cuida da Cucciolina enquanto vou ao banheiro? Ela pode chorar, mas não se preocupe.

(Anna deixa Cucciolina amarrada no pé de uma cadeira. A cadelinha acompanha seus passos com um olhar aparentemente desesperado. Tento entreter o animal. A fuga de Cucciolina seria uma tragédia).

Prefere dar uma volta?
Vamos? Obrigada! A Cucciolina está mesmo precisando. Vem que eu carrego a sua bolsa pra você conseguir segurar o bloquinho de anotações.

Você é chamada de “Fashion Director at Large & Creative Consultant” da “Vogue Nippon”. Na prática, o que isso quer dizer?
É um nome imenso, coisa dos japoneses, mas quer dizer que eu sou diretora de moda. E ponto.

Como é trabalhar com o Japão morando na Itália?
Costumo acordar sempre muito cedo, às 5h30, para fazer 1 hora de ioga e depois 1 hora de natação. Se preciso falar com Tóquio urgentemente, ligo para eles antes de começar meu dia. Mesmo porque quando são 5h da manhã na Itália já são 14h no Japão.

Os telefonemas que costuma dar são para quais lugares?
Costumo falar muito com equipes que estão nos Estados Unidos. Quase todos os profissionais que preferimos estão lá. Fotógrafos de moda, maquiadores, stylists, tudo. Nova York e Los Angeles são as cidades que melhor funcionam para isso, não tem jeito.

Que locações têm escolhido com maior freqüência?
Todo mundo quer ir pra Tóquio! Meus colaboradores vivem me pedindo isso e na medida do possível tento agendar editoriais por lá. Não é sempre que dá. Mas a moda, você sabe, é feita em todos os lugares.

Você tem algum editor para te ajudar no Japão?
Não, sou eu quem escolho tudo, passo o briefing pra todo mundo. Mas, como não sei falar japonês, escrevo os textos em inglês e alguém da redação traduz.

Você consegue acompanhar os ensaios de moda?
Só os mais importantes, como as capas. Mas mesmo estando longe, eu arquiteto tudo, converso bastante com todos. Então não é necessário que eu esteja presente fisicamente nos shootings.

Já teve algum problema ao dirigir um fotógrafo de estilo marcante?
Não, não tenho esse problema. Quando eu chamo um fotógrafo é porque quero a direção dele. Senão seria chatíssimo, né? Tudo igual, apenas com a minha direção, seria muito monótono. Já escolho a história e o vestido que combinem com o fotógrafo. Sei que o Terry Richardson, por exemplo, tem capacidade de aproveitar um determinado tipo de roupa, uma determinada atitude que aquela roupa provoca. E isso também vale para os modelos e stylists. Meu trabalho é fazer essa costura, orquestrar isso, escolher as pessoas certas para trabalharem juntamente.

Na hora de criar o conceito para os editoriais, você pensa na consumidora japonesa?
A “Vogue Nippon” fala com a mulher japonesa em outras seções. Temos matérias de consumo, reportagens que falam com essa mulher. Nos editoriais, no entanto, faço sempre uma escolha internacional. Acredito que se olharmos os editoriais de todas as “Vogues”, não conseguimos descobrir de que país é cada uma delas. Porque estamos falando de uma mulher internacional, não importa onde são feitas as revistas. Quem faz “Vogue” trabalha para construir um sonho.

As pessoas que trabalham para construir esse sonho da moda, nos últimos tempos, acabaram virando estrelas. Tipo a Anna Wintour.
Sim, mas isso acontece porque estamos vivendo uma nova fase. A moda, de uns cinco anos pra cá, passou a existir de fato na internet. E a web, que tornou tudo mais aberto, provoca uma maior curiosidade em torno desse mundo. Existe a vontade de investigar, por isso todos querem saber, conhecer, entrevistar as editoras de moda. São mentes pensantes, criativas. A diferença de hoje, com a internet, é que, quem não for verdadeiro, quem não trabalhar com sinceridade e paixão, não vai durar. Ficou mais fácil separar o joio do trigo.

Já que você entrou no assunto internet, impossível não falarmos sobre o seu perfil no Twitter.
Óbvio! Mas o meu Twitter (@AnnaDelloRusso) surgiu depois do meu blog (annadellorusso.com). O blog tem uma função mais geral. O Twitter para mim é um diário online, de notícias que estão acontecendo ao longo do dia. Faço atualizações dos meus percursos. Por exemplo, existe um preparo para fazer uma edição mensal de uma revista: falar com pessoas, ter ideias. Pelo Twitter eu consigo compartilhar isso com muita gente. Deixar já algumas pistas, uns highlights do que estou fazendo. E também ter novas ideias e conhecer novas pessoas.

Estar no Twitter significa também estar mais acessível aos seus admiradores.
É a primeira vez na história da moda que o lado de cá fala com o lado de lá. A internet mudou a moda. Cairam as barreiras, capisci? Antes se imaginava que quem trabalhava com moda fazia parte de uma casta inacessível da sociedade, e na realidade era isso mesmo. Hoje, com tudo assim escancarado, conseguimos conhecer melhor quem são as mentes pensantes atrás da moda. E, claro, se descobre que realmente essas mentes são maravilhosas, são pessoas criativas, mas que trabalham muito.

Antes, nós, criadores de moda, éramos fechados numa bolha, num grupinho separado do mundo. Éramos só nós. É estúpido isso, entende? Éramos vistos como pessoas inacessíveis. Tínhamos alguns palpites, fazíamos previsões do que as pessoas gostavam, mas era um feeling nosso de longe, não tínhamos a possibilidade de saber a verdade, de conhecer o gosto das pessoas mesmo. Hoje não existe mais isso, está tudo aí para quem quiser ver. Você posta alguma coisa, uma imagem, uma ideia, e na hora consegue saber se isso funciona. É útil não só para mim, mas para a indústria de moda no geral.

Você gosta então de ser um personagem que existe virtualmente.
Eu adoro ser chamada de “internet icon”! Se não fosse a internet, eu provavelmente não trabalharia como trabalho hoje. Sem a internet, eu teria desaparecido.

Como quer que as pessoas te vejam?
Quero que vejam que eu sou humana! Tenho minhas fraquezas, meus momentos, minhas manias, sabe?

E sobre a sua mania de vestir “looks de passarela”… Algo a declarar?
Existe um trabalho enorme, de meses e meses, até o look chegar à passarela! Tem o trabalho do estilista, que criou as peças. Depois do stylist, que estudou um melhor modo de combinar essas peças. Se ninguém repete o que está exatamente ali, esse trabalho é todo perdido, sabe? Vai embora, morre. Pode parecer superficial, mas para mim existe algo mais profundo nisso, em usar um “look de passarela”, não sei como definir.

Como podemos definir uma “fashion victim”?
Eu! A primeira de todas as fashion victims sou eu. Eu sou uma tela em branco, a moda pode desenhar o que quiser em mim. Sou obcecada, mas essa obsessão para mim não é um problema, eu adoro a moda. Por isso que trabalho bem com os japoneses, eles também são super obcecados por moda!

Apesar de tanta obsessão pela moda, a crise deu uma balançada na indústria. A moda italiana, como a francesa, inglesa e americana devem perder a hegemonia?
Sim, dá para sentir que isso vai mudar! O Japão, por exemplo, está se tornando mais importante. Não podemos esquecer do fenômeno irrefreável da China.Quem será o grande azarão, depois da crise? Pode ser simplesmente um país que nem mesmo imaginamos. E isso é a vida, é a impermanência da vida. É um pensamento muito bonito esse que estamos dividindo aqui, vero?

Sim, é verdade. O conceito de impermanência como “única coisa permanente” é oriental, não?
Sim, é oriental, e eu acredito nele. Acredito que tudo está em constante mutação. A humanidade no geral. E, não sei explicar o porquê, mas a moda é a primeira a sentir essa mutação. As mudanças chegam ao social depois de passarem pela moda. A moda tem antenas que captam isso primeiro.

E quais sinais suas antenas estão captando?
Já temos sinais fortes. E muito deles aconteceram por causa da Internet. Quando é que se pensou que existiria uma bambina como a Tavi [Gevinson]? Uma criança de 13 anos fazendo um blog de moda? Quando é que se imaginou que um garoto das Filipinas, o Brianboy, viraria essa personalidade que ele virou? Hoje está tudo aberto, tudo é possível. Quem for competente, vai conseguir o seu espaço. Caiu a máscara da imobilidade da moda, do que era frio, imóvel. Minhas antenas captam isso: não podemos mais ter certeza de nada _nada!_ que está por vir.

O que exatamente é essa “máscara que caiu”?
Imaginava-se que o mundo era feito de pessoas ricas, famosas, num infinito benessere (bem-estar). E agora, com a crise e a internet que mostra tudo, onde está o benessere? Onde estão os ricos e famosos? Estão pobres e desgraçados! Caiu tudo por terra, capisci? O tom como se falava era alto demais. Agora deu uma diminuída. A crise veio e deu uma chacoalhada tão violenta que é óbvio que tudo vai mudar. Já está mudando.

Qual a sua opinião sobre as publicações impressas na Era Digital?
Eu penso temos muitos jornais. Troppo, troppo. Nosso momento cultural vai selecionar o que é o melhor. E só o que for mesmo the best é que vai gozar do grande valor do papel. O valor do papel é estupendo, como o valor dos livros. Criar é bom, mas criação demais não adianta, não serve, non va bene.

Por que não?
Porque a criatividade deve ser respeitada, deve ter um tempo para ela. A criatividade é um dom, não dá para criar coisas como se faz sorvetes, pizzas.

Existe já uma discussão do conceito de “slow fashion”, o que você acha disso?
Quem já discute o slow fashion?

Foi discutido no evento Fashion Summit, em Copenhague, durante a COP15 for Climate Change.
Sim, eu acho que o futuro é esse, o futuro é o slow motion. Dá pra perceber que as quantidades estão diminuindo. Quase ninguém, por exemplo, está desenvolvendo pré-coleções. O produto tem que ser mais lento, ninguém consome assim com tanta velocidade. Perde-se a alma das coisas… Exato, slow fashion, como slow food…

Na sua opinião, então, é possível que se produza menos e ainda sobreviver?
A saída é a estrada do meio termo. Isso vale pra tudo, é preciso encontrar o caminho do meio. Cada um cuidar de si próprio e também pensar no mundo em volta. É por isso que eu medito, para trabalhar bem com as pessoas. Uma forma de salvar o planeta, para mim, é trabalhar o meu eu interior buscando a serenidade. Medito e tento passar essa mesma serenidade aos outros à minha volta.

UMA RAPIDINHA COM… ANNA DELLO RUSSO:

Anna Wintour
Super powerful! É o sistema da moda em pessoa!

Blogs de moda
Novidade! Curiosidade! Adoro!

Gisele Bündchen:
Madonna mia! Que mulher! Eu queria ser ela! Não é só uma figura de moda, mas tem uma vida esportiva, cuida da alma, é positiva. Uma verdadeira top.

Japão
Graças a Deus me dá esse belo trabalho! Adoro os japoneses porque são obsessivos pela moda como eu!

Brasil
O que eu gosto do Brasil é a consciência corporal. São os melhores cultuadores do corpo. O corpo vem antes da moda. Primeiro vem o corpo. Se o corpo não caminha, você não vai à parte alguma. Acho importante dar atenção à filosofia do corpo. É essa a mensagem que o Brasil me passa. Como nomes conhecidos vindo do Brasil lembro das Havaianas! E daquele estilista, o Alexandre Herchcovitch! Agora pensando vejo que não recebo muitas informações sobre a moda brasileira, isso é uma pena… esse fluxo precisa melhorar.

China
A China é uma superpotência, está ganhando um mercado absurdo. Sabia que a “Vogue” chinesa chega ao ponto de rejeitar anúncios tamanha é a quantidade de ofertas? E tem a questão da cópia, não sei muito o que dizer, acho que eles estão buscando uma nova forma de trabalhar.

Domenico Dolce & Stefano Gabbana
São meus amigos do coração, adoro os dois. Transformaram o mercado italiano em internacional. Têm uma sólida visão estética do Mediterrâneo, do Sul, da Pulha, que é de onde vim, que é nosso “pequeno Brasil”.

WGSN e outros escritórios de tendência
Não conheço o trabalho do WGSN, me desculpe, não quero criticar um escritório que não conheço. Porque de repente eles são bons, não é? O que eu posso dizer sobre tendência é que a tendência é algo que eu sinto o cheiro de longe. Sinto no ar, sabe? É algo inconsciente, não podemos não acreditar nesse fator do inconsciente. E eu sou a mais sensitiva! É uma linguagem coletiva que não se pode traduzir em palavras, em explicações. Quanto mais você usa palavras pra explicar tendência, mais a perde, mais a diminui.

*Anna Dello Russo entrou na “Vogue Nippon” em 2007. Formou-se em História da Arte na universidade de Bari. Mudou-se para Milão para fazer um mestrado em Moda na Domus Academy, que tinha como um dos professores Gianfranco Ferrè. Conseguiu, no fim dos anos 80, trabalhar como assistente nas revistas menores da “Vogue”: “Vogue Pelle”, “Vogue Gioelli”. Com a entrada de Franca Sozzani na “Vogue Itália”, em 1989, Anna Dello Russo foi convidada para fazer parte do novo team e assim foi editora de moda por 12 anos. Em 2001 foi convidada para ser editora chefe da “Uomo Vogue”. Alguns anos depois sentiu vontade de voltar para o universo feminino e finalmente voltou para a “Vogue”, em 2006. Até ser convidada, no começo de 2007, para ser editora de moda e consultoria criativa da “Vogue Nippon”. Foi nessa época que começou o blog e a se envolver bastante com a internet.

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FFW aposta: IN.USE investe em moda criativa e 100% reciclada

inuse_01Imagens do catálogo 2010 da IN.USE ©Ricardo Toscani

Agustina Comas (29 anos, signo: Escorpião) e Ana Piriz (também 29 anos, signo: Virgem) ainda não têm um público definido para sua marca, a IN.USE. Mas nesse caso, a ausência de um target específico não é de todo ruim. Mesmo porque o trabalho realizado pela dupla natural de Montevidéu é praticamente único no mercado nacional. Alinhadas à política da reciclagem, suas coleções são criadas a partir de peças já existentes. Nas mãos das estilistas, sobras de outras marcas e guarda-roupas são matéria-prima para coleções inteiras. Calças viram camisas, camisas viram saias e isso é só o começo. Uma verdadeira “ressurreição das roupas”, como a dupla define seu trabalho. “Roupas velhas/novas”.

O FFW conversou com Agustina _a metade da dupla que reside em São Paulo_ para entender um pouco mais do seu processo criativo e da estrutura da marca. Confira:

inuse_02Imagens do catálogo 2010 da IN.USE ©Ricardo Toscani

Como vocês se conheceram?
Estudamos na mesma faculdade, o Centro de Diseño Industrial de Montevideo, que é a escola pública de moda e design industrial de Montevidéu fundada nos anos 1980 através de um acordo entre o governo italiano e o MEC.

E de onde brotou o interesse na moda?
Eu queria estudar design industrial, o interesse pela moda veio muito mais através do interesse pelo design, pelos objetos, pela funcionalidade, por criar coisas que solucionem algum problema, do que pelo gosto pela moda em si. No segundo ano da faculdade, você tinha que escolher entre Têxtil e Moda ou Industrial. Aí eu fui me identificando mais com o jeito de criar e fazer da moda e naturalmente fui para esse lado.

E a ideia da IN.USE?
Pela experiência que a gente ganhou trabalhando em marcas, vimos que sobrava sempre muita peça depois de cada coleção (inclusive depois das liquidações e bazares), e nos perguntávamos: para onde vai toda essa roupa? Toda essa roupa fica morta? E se pegarmos toda ela e botar de novo na roda? Na época estávamos começando uma parceria com a Magma de Montevideo (grife Uruguaia) e essa foi a desculpa para começarmos com as experimentações.

E o nome IN.USE?
Fizemos um brainstorming buscando um nome que transmitisse o que queríamos. Chegamos a essa palavra que é um jogo entre “in use” (do inglês, “sendo usado”) e “inusé” (do francês, “não usado”). Aí ficou um jogo de palavras. O que está em desuso, em uso. Por isso no logo tem um acento em cima do “e”.

Qual o conceito da marca?
Reviver as roupas que estão paradas. Chamamos elas de roupas velhas/novas _velhas porque estão fora de moda e novas porque nunca ninguém as usou. Remixá-las e colocá-las de novo no ciclo da indústria. Fizemos um vídeo mostrando este conceito de “ressurreição das roupas”, são as roupas “cobrando vida”:

Como é o processo criativo?
Trabalhamos muito pelo Skype, então nosso vínculo é praticamente virtual. O trabalho é muito baseado nas ferramentas de internet (webcams, flickr, google docs, ftp). A inspiração é a própria roupa. Sempre começamos as coleções fazendo workshops livres, onde cada uma vai experimentando no manequim, explorando as possibilidades de vestir uma peça de formas diferentes. Aí vamos gerando um repertório e depois juntamos tudo e vamos vendo o que fica legal para finalizarmos as moulages. Com essa moulage vamos até a oficina para montar as peças-piloto e tocar a produção.

De onde vêm os materiais e peças que vocês usam para confecção das peças?
Compramos de diversos fornecedores, principalmente de fábricas e um pouco também de ateliês. Sempre estamos procurando estoques. Para a coleção de verão só trabalhamos com camisas de homem. A camisa é uma peça ótima de trabalhar, é incrível como cada vez que enfrentamos uma camisa, chegamos a resultados diferentes, chega a dar um nó na cabeça, tem horas que nem você entende como chegou numa forma.

Vocês trabalham com quantas coleções por ano?
Fazemos 2 coleções por ano, mas por conta da parceria que temos com a loja da Fernanda Yamamoto acabamos dividindo essas coleções em 2 menores. Assim entram novidades com mais freqüência. As peças conversam por cores e texturas, mas não queremos que uma coleção mate a anterior. Elas são continuações das anteriores.

E qual o público-alvo da marca?
Ainda não está muito definido, mulheres de diferentes idades e estilos acabam gostando das peças, estamos vendo quem é o publico meio que no dia a dia. Por enquanto fazemos as peças muito mais pela inspiração e curtição de fazer do que pensando num cliente final. Acho que isso virá com o tempo.

Onde vocês vendem suas roupas?
Em São Paulo na loja da Fernanda Yamamoto e neste inverno fizemos um projeto especial de tricô para Manos del Uruguay. Fora isso, já vendemos em Mutate e Magma, duas lojas uruguaias. Em Montevidéu por enquanto estamos vendendo mais entre amigos, mas estamos procurando alguma loja para ter uma parceria por lá.

Hoje você também trabalha como estilista da Daslu. Esse job te influencia de algum modo na IN.USE?
Me influencia em várias coisas, como a exigência com a qualidade do produto. A Lu Pimenta (estilista responsável pelo masculino da Daslu) tem um olho super apurado para fazer um produto bem construído e acabado. Neste tempo trabalhando com ela peguei muito disso. Por outro lado acho que tenho bastante influência do universo masculino e de certas coisas que se leva em conta na hora de fazer roupas de homem (funcionalidade e conforto, por exemplo).

Já tinha feito a linha masculina da marca do Gustavo Kuerten com o Jum Nakao, então me sinto bem tranquila fazendo masculino. Acho que de alguma forma essas duas coisas acabam se misturando no trabalho, mas também a ideia é que seja um espaço de experimentação e diversão, então sempre surgem vontades que na Daslu Homem não consigo satisfazer. Também acho que conviver com valores bem diferentes dos seus é um exercício interessante. Eu brinco que tenho uma vida dupla por fazer estes dois trabalhos e ter as duas convivências que são meio opostos.

IN.USE @ Fernanda Yamamoto
ONDE Rua Aspicuelta, 441 (entre a Fidalga e Fradique Coutinho) – Vila Madalena / SP
COMO CHEGAR veja o mapa
+ fernandayamamoto.com.br

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Mark Ronson: “Ainda há esperança para Amy Winehouse”

markronsonMark Ronson durante coletiva no Creators Project, em São Paulo ©Juliana Knobel/FFW

Rolou neste sábado (14/08), em São Paulo, a edição brasileira do Creators Project, com a participação do produtor e DJ Mark Ronson, um dos embaixadores do projeto. Uma parceria entre a revista americana “Vice” e a gigante da informática Intel, o evento promove em diversas cidades do globo o estímulo de criadores “jovens, ou de cabeça jovem”, como brincou o fundador da revista, Eddy Moretti, durante coletiva de imprensa na Galeria Baró, Barra Funda.

Sentado ao lado de Muti Randolph, Ricardo Carioba e Jum Nakao, Mark falou pouco. Produtor de Amy Winehouse e DJ desde os 15 anos, ele _de cabelo platinado, blazer navy, calça curta e sapato branco_ não se considera um ícone de estilo. O título, que lhe foi dado pela revista “GQ” em 2009, se propagou ainda mais depois que Mark assinou uma linha de sapatos para a grife de luxo italiana Gucci.

“Músicos como David Bowie ou Brian Ferry eram ícones de estilo, eu não sou um ícone de estilo. Eu gosto de boas roupas, de me vestir bem, de pessoas bem vestidas. Mas eu nunca faço um álbum pensando em que roupas vou usar durante a turnê. Gosto de tocar bem-vestido e tudo, mas não passo duas horas me arrumando todos os dias. Mas não sou do tipo que diz ‘Ah, me vesti em cinco minutos’”, admite.

Aficcionado pelos sons do soul e da Motown _inspiração máxima no trabalho com Winehouse_, Mark afirma que “há esperança de um novo álbum para Amy”. Já sobre o seu próximo disco, “The Record Collection”, que deve ser lançado em setembro, ele revela pouco. “Por enquanto, tenho dado a nota 8,7. Numa escala de 20!”.

Mark também falou sobre o seu processo criativo, que envolve a mistura de referências antigas com novas tecnologias. “Paul McCartney disse há quarenta anos que até 2020 toda combinação de notas musicais já teria sido criada. O que faço é tentar combinar todas as minhas influências, seja dubstep, garage ou synth pop e misturá-las de uma maneira que não seja possível perceber o quê é o quê. Stevie Wonder dizia que pessoas espertas pegam emprestado, já os gênios roubam [a frase original é do pintor Picasso]. Não acho que a frase sirva para Stevie, porque ele próprio é um gênio. Mas no meu caso serve, porque vou emprestando até você não perceber mais”.

Então você rouba também? “Bom… não estou machucando ninguém”, respondeu, com um sorriso.

Veja mais do evento na galeria de fotos:

Mark Ronson: “Ainda há esperança para Amy Winehouse”

©Juliana Knobel/FFW

O artista plástico Muti Randolph dentro do Tubo, sua obra exposta no Creators Project BR

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“Modelo tem que ser alta e magra”, diz sócio da agência Way

dandowaymodelAnderson Baumgartner, dono da Agência Way Model Management _atualmente considerada a mais importante do Brasil ©Fabio Bartelt

“Eu não saberia fazer outra coisa”, confessa Anderson Baumgartner com firmeza na voz. Apaixonado pelo o que faz, Dando (como é conhecido pelos amigos) é em primeiro lugar um defensor ferrenho de seus modelos _que ele chama de “meninas” e “meninos”_ e sócio da Way Model Management, uma das principais agências de modelos do mercado de moda brasileiro e do mundo.

Tops internacionais como Alessandra Ambrósio, Shirley Mallmann e Carol Trentini são algumas do seu casting de “mais ou menos 150 jovens de todo tipo de beleza”. O empresário abriu as portas da sua agência _na região mais nobre da Av. Rebouças_ ao FFW e contou sua trajetória, as dores, as verdades e os mitos por trás da cobiçada profissão.

Como tudo começou?
Quando eu tinha 15 anos, morava em Itajaí (SC) e conheci duas meninas que se chamavam Gisele. Elas tinham uma agência de modelos chamada GG L’Amour e estavam prestes a fazer um desfile para a universidade Univalle, e eu me ofereci para ajudar neste desfile. Me encantei, continuei ajudando sem remuneração, a minha família pegava super no meu pé. Deixava eles falarem e continuava fazendo. A Agência Elite tinha o concurso “The Look Of The Year”. Fui até o fotógrafo Jorge Moura, responsável da minha região, e me ofereci para ajudar. Organizava filas, ajudava a montar as modelos. Até que resolvi vir para São Paulo, ainda durante a época do Morumbi Fashion.

Eventualmente você veio parar em São Paulo.
Em 1998 vim para São Paulo com R$ 250 no bolso. Fiquei batendo na porta da Elite durante uma semana: fui na segunda e mandaram voltar na terça, na quarta, na quinta e na sexta, quando avisaram que não havia vagas. Eu estava na casa de uma amiga, que era modelo de Itajaí e amiga do Zeca de Abreu, que tinha saído da Elite. Ela perguntou se eu poderia ir junto a um jantar, e foi quando ele me contou que estava começando a Agência Marilyn.

Quando tempo ficou na Marilyn e qual foi a sua história lá dentro?
Nove anos. Comecei como assistente de todos os departamentos: da agência de booking _que é a ponte entre cliente e modelo_, do departamento internacional, do material, do new face e do próprio Zeca. Fiquei nove meses nessa posição até virar booker. Depois virei diretor, até que eu e o Zeca resolvemos abrir a Way, em 2006.

E qual motivo te levou a criar um negócio próprio?
A Marilyn tinha um dono francês, que não entendia de agência e era só investidor. Nunca me incomodei em ser funcionário [...] Mas aconteceram contratempos com ele, coisas que não concordávamos, que não vêm ao caso. Eu já havia sido convidado para abrir a Way, e o Zeca quis vir comigo. Tive a surpresa que todo mundo quis ir junto, todas as modelos, funcionários. Umas 150 modelos e 33 pessoas de staff.

DANDO1Anderson (de barba, falando ao celular) com parte de sua equipe na Agência Way, que fica em São Paulo ©Divulgação

Esse número aumentou desde então?
O staff continua o mesmo. As modelos continuam até hoje: as que não deram certo voltaram pra casa e algumas novas surgiram.

Quais são os maiores mitos que você precisa quebrar dentro de uma agência de modelos?
Algumas meninas chegam aqui em São Paulo com a família achando que em dois meses elas estarão em capas de revistas, com o bolso cheio de dinheiro. E isso não é verdade. Para ganhar dinheiro de verdade são necessários alguns bons anos de mercado. E tem gente truqueira. Pessoas abordam meninas de 1,60 m [de altura] na rua prometendo que serão modelos. Isso é mentira. A profissão de modelo é isso: tem que estar com a pele boa, cabelo bom, tem que ser alta e magra. Assim como uma jogadora de basquete precisa ter altura, impulso, força.

Financeiramente você está tranquilo?
Engana-se quem acha que dono de agência é rico. Eu, pelo menos, não sou! Os meus modelos estão sempre trabalhando. Enquanto a gente estiver trabalhando para melhorar _digo isso para os meus funcionários_ não temos motivos para preocupação.

caroltrentiniAnderson e super top model Carol Trentini em 2005 : amigo pessoal e agente profissional ©Acervo Pessoal

Como é a sua relação com a [top model] Carol Trentini?
Quando a conheci ela tinha quatorze anos. Veio num ônibus de meninos de Panambi, Rio Grande do Sul. Ela é uma pessoa muito boa, tem uma educação impecável, esse lado me conquistou desde o começo. A Carol tinha algo. Começamos uma relação de amizade _quando ela tinha quinze anos a convidei para viajar comigo para Itajaí. Temos uma relação de família, isso nunca mudou. Falo com a Carol todos os dias, mas nem sempre sobre trabalho.

E profissionalmente: como é ser agente da Carol?
Tê-la no meu casting me dá credibilidade. Uma vez a “Vogue Brasil” fez um especial sobre ela e pegamos depoimentos de algumas pessoas. Na época eu recebia e-mails diários com depoimentos de Anna Wintour, Irving Penn, Grace Coddington, Steven Meisel. Até então eu não tinha noção de como as pessoas a viam: uma modelo que veste bem a roupa, que se movimenta bem na frente de uma câmera, mas que também é uma boa pessoa.

Como você enxerga a mudança de limite para a idade das modelos que desfilam no SPFW e Fashion Rio [de 14 para 16 anos]?
Foi maravilhoso. Elas começavam muito cedo, aos 17 já tinham quatro anos de profissão e ainda não haviam se tornado modelos importantes, então desistiam. Aos quatorze elas não têm estrutura, o corpo não está formado. Isso atrapalha o desenvolvimento da menina. Aos dezesseis, elas ainda são adolescentes, mas é visível a diferença.

E a discussão do CFDA a respeito da magreza das modelos?
Tenho uma preocupação grande a respeito. Essas meninas são magras naturalmente. Aos dezesseis anos elas saem de casa desse jeito. Aos dezenove anos elas viram mulheres. A nossa preocupação é que elas lidem bem com isso. Temos psicólogos e nutricionistas para acompanhar. Mostramos para elas que existe um mercado: elas podem ganhar muito dinheiro, viajar para Nova York, fazer Victoria’s Secret, campanhas de cosméticos _que pedem mulheres lindas e com curvas. E ganhar muito mais dinheiro do que se fossem meninas fashion, que, por exigência do mercado, são as mais magras.

aliciaA modelo Alicia Kuczman, que faz parte do casting da Way Model, em foto para a U_MAG ©Reprodução

Em janeiro deste ano, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria sobre a magreza excessiva das modelos, ilustrada  por uma foto da Alicia Kuczman.
A Alicia é uma menina que já era assim. A mãe dela, que é nutricionista, tem 87 cm de quadril. Ela tem uma mãe que a ensina a comer bem desde pequena, mas a Alicia tem uma tendência a ser magrinha. Se a saúde psicológica dela foi prejudicada, a culpa é da matéria. O jornalista de um veículo como a “Folha”  tem o direito de falar o que pensa, mas a partir do momento em que ele acusa uma menina  _porque antes de tudo ela é uma menina_ de ser doente, ele perde toda a credibilidade. Existe sim anorexia na moda, não estou querendo esconder.

Existe uma grande competição entre as agências?
É uma boa pergunta. O Paulo Borges [diretor criativo da Luminosidade] sempre fala uma coisa que é verdade: se as agências de modelo se unissem, tudo seria melhor para o mercado. As modelos não ficariam tanto tempo em uma prova de roupa. Não teriam que trabalhar no meio da madrugada. Mas se a minha modelo não vai para essa prova, a modelo da outra agência vai. Hoje existe uma regra que uma modelo não pode trabalhar mais que 8 horas por dia e apenas até às 22h.

Você está nesse mercado há doze anos. O que mudou?
Elas ganham mais dinheiro no Brasil. Tenho modelos que têm carreira no exterior, mas ganham mais dinheiro aqui fazendo campanhas. Há marcas de cozinha e calçados investindo em modelos, sendo que antes só usavam atrizes. E tendo bons resultados. A mídia tem dado mais valor para elas e o consumidor final também.

E o que tem mudado no mercado masculino?
Os modelos brasileiros ganham cada vez mais importância no exterior. Meninos como Evandro Soldati, Michael Camiloto, Max Motta, Francisco Lachowski, Marlon Teixeira, Thiago Santos… Tivemos muita procura de agências internacionais nos últimos meses. Acho que eles perceberam que temos meninos de todos os tipos.

Liste cinco coisas que uma modelo precisa ter:
1) Altura. 2) Medida. 3) Personalidade. 4) Saber o que quer. 5) Uma boa agência por trás dela.

Cinco coisas que uma modelo não pode ter:
1) Ser modelo só porque a mãe deseja. 2) Chegar em São Paulo e se perder com as distrações da cidade. 3) Deixar o namorado interromper a carreira. 4) Achar que beleza é tudo. 5) Achar que entende mais que o agente.

+ waymodel.com.br

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EXCLUSIVO! Franca Sozzani, da Vogue Itália: “A moda precisa de tempo”

franca-sozzani-portal-FFWFranca Sozzani, a mulher que comanda há 22 anos a revista “Vogue Itália” ©Divulgação

Entrevista por Juliana Lopes, de Milão

Um cachorrinho branco, peludo e pequeno late e dispara pelos corredores da Condé Nast em Milão. É Lazlò, importado da Hungria, que vai todos os dias trabalhar com Franca Sozzani, diretora de redação da “Vogue Itália”. Ele late para um dos funcionários que toma café num copinho de plástico. Ali perto, uma  secretária procura um papel timbrado para escrever um cartão de aniversário.

É uma redação de revista como qualquer outra. E posto que não existe glamour numa redação _nem mesmo de uma “Vogue”_ fica mais fácil penetrar na mente de Sozzani, que recebeu o portal FFW usando rasteirinhas, cabelos soltos e make “nada”.

Franca comanda a “Vogue Itália” desde 1988, quando tinha 38 anos de idade. Antes disso trabalhou para a revista “Lei” (“Ela” em italiano). Neste ano ela entra para a turma dos sexagenários, tendo dedicado 22 anos de sua vida somente para a versão italiana da “Vogue”, sempre de braços dados com o seu parceiro criativo Steven Meisel, que também conheceu nos anos 1980.

A moda mudou muito nas últimas duas décadas, mas o pensamento de Sozzani parece estar à frente. Na verdade ela parece tão forward que transmite a sensação de que, a qualquer momento, vai estar em outro lugar _mesmo fisicamente: Franca senta e me olha, mas de repente se levanta e vai examinar a vista de sua janela que dá para um belo bairro milanês. Ela está concentrada!? Empolgada!? Entediada!? Franca é intangível _e, sim, inatingível_, gosta de dar respostas ácidas e fluidas. “É preciso tempo para que a moda exista”.

Como é uma jornada sua de trabalho normal? Começa como e termina como?
Não existe nada de brilhante, são apenas projetos, reuniões, planos. Encontro com várias pessoas, converso com os redatores.

Quantas horas por dia de trabalho?
12 horas.

Conseguiria trabalhar menos?
Conseguiria. Se tivesse menos coisas para fazer.

Existem procedimentos?
Não tem regra. Se tivesse regra não seria uma revista criativa. Vamos decidindo o que queremos aos poucos, as ideias brotam.

E de onde brotam, por exemplo, as ideias para os editoriais de moda?
De qualquer lugar. Alguém me telefona, ou eu vejo um filme, alguma revista que me chama a atenção. Ou então numa conversa pinta uma ideia. Ou então alguém vem até a minha sala e me propõe alguma história. Não tem regra, entende?

Mas você tem as suas fontes de inspiração?
Depende. Algumas coisas me inspiram, de outras já não gosto mais. Se fosse burocrático seria um escritório e aqui não é um escritório, não é comercial. Desde 1988 é assim, foi sempre assim. A tendência se cria assim.

Falando em tendência, hoje muitas marcas pagam alto para ter acesso às pesquisas feitas por bureaus…
[corta a pergunta no meio] Tendência não se compra. Quem faz tendência não compra esse tipo de informação. Esse tipo de informação é pra outra coisa, não para criar estilo. É um blefe, não tem valor. Ou você acha que a Prada compra tendência? A Prada faz. Quem vai atrás da tendência é porque não a produz, entende? Cada um tem que produzir o próprio trabalho.

Então a senhora acha errado os países em desenvolvimento se inspirarem na moda que é feita em países consagrados?
Acho. Acho erradíssimo. É erradíssimo se inspirar nos outros, cada um tem que encontrar as coisas que funcionam em seu próprio lugar. Porque, se eu vou ao Fashion Rio e vejo coisas que estão sendo feitas em Paris, não tem sentido ir ao Rio, entende? Ir ao Rio é menos cômodo, mais complicado. Então ir ao Rio para ver Paris não me serviria para nada.

Como você enxerga o estilo brasileiro?
Não vejo um estilo brasileiro definido. Sei que existe uma beleza brasileira, mas não enxergo um estilo. Não é fácil encontrar a própria estrada, é preciso esforço e criatividade. A moda precisa de tempo.

Precisa de tempo e precisa de dinheiro, de uma economia forte…
A receita para levar a moda adiante é ter um conceito forte, um pensamento por trás.

E a Itália tem esse pensamento forte por trás da moda?
Temos gênios que confirmam isso, como Valentino. Nomes que você vê [no mundo todo] como Dolce & Gabbana, Versace. Não temos apenas estilo.

Então a senhora acredita que é preciso tempo para se construir moda?
Sim. Essa história não quer dizer que o passado precisa ser levado para as passarelas. Vivemos no presente. Mas, temos que ter alguma história pra contar.

O passado, então, não ajuda?
O passado pode ser um fardo. Ele pode minar a sua liberdade.

O fotógrafo Steven Meisel é um colaborador importante para a “Vogue Itália”. Quando começou essa parceria?
Nos conhecemos quando eu ainda era editora da revista “Lei”. Todos nós estávamos começando, não tínhamos nada a perder. Eu gostava do que ele fazia, de como via as coisas, percebia que existia um conceito em suas imagens, que até então eram poucas: ele tinha um book com 3 ou 4 fotos. A redatora na época era a [atual estilista] Anna Sui. Deu certo e assim ficou.

Como é fazer uma revista italiana com um fotógrafo que não mora na Itália?
Os editoriais da “Vogue Itália” são feitos nos Estados Unidos, entre Nova York e Los Angeles. Eu e Meisel nos telefonamos sempre. É mais viável fazer tudo lá do que trazer para cá a estrutura toda, os fotógrafos, as modelos, que praticamente moram todas no exterior. Quando temos que sair daqui [de Milão], vamos com uma equipe super reduzida.

E os novos fotógrafos? A senhora deve receber muitos portifólios…
Não. No momento não tenho nenhuma aposta. É preciso trabalhar, é preciso tempo para tudo.

Existe espaço na Itália para novos estilistas?
Esse não é um problema da Itália, é um problema mundial. É difícil também na Inglaterra, em Paris, em Nova York. É preciso dar tempo a esses nomes. Não podemos já chegar dizendo que eles são “gênios”, porque daí eles vão achar que já estão no topo. Muitos nomes se destacam numa temporada, mas depois somem. Não é fácil. Aqui na Itália existem novos talentos como o Francesco Scognamilio e muitos outros. Mas é preciso tempo: eles têm que trabalhar, têm que crescer.

A Itália é mundialmente famosa por fazer uma moda considerada sexy. O que acha disso?
Toda mulher se veste para agradar, para ser sexy. É o normal, mas sexy não pode ser sinônimo de vulgar. É possível ser sexy com camiseta e calça. As mulheres, em sua essência, são sensuais.

Saída de um país novo como o Brasil, temos alguns nomes na moda como Gisele Bündchen, que é a modelo mais bem paga, a número 1 do mundo.
A Gisele não é a número 1. Isso é um conceito brasileiro, não mundial.

Mas ela está no topo da lista das modelos mais bem pagas do mundo segundo a “Forbes”.
Ser a mais bem paga não significa que ela é a número 1, existem várias “números 1”. Várias modelos que são boas, que não são somente belas, mas têm personalidade, entendem o fotógrafo. Natalia Vodianova também é uma número 1. E outras 3 ou 4 também o são. Ser bem paga não quer dizer que ela seja a mais valiosa para o mundo da moda. Muitas modelos, por exemplo, não fariam Victoria’s Secret. Capisci?

Uma pergunta impossível de não fazer é sobre a Anna Wintour. O que a senhora achou do episódio em que o calendário de moda na Itália diminuiu porque ela avisou que não poderia estender sua estadia em Milão?
Existe um ditado: “A casa mia si mangia quello che mangio Io” (em tradução livre: “Na minha casa, come-se da minha comida”). Não dá para culpar quem vem de fora. É culpa de quem, em casa, não soube se impor.

Onde a senhora costuma comprar suas roupas?
Não tenho regra para isso. Posso passar na frente de uma loja e gostar de alguma coisa. Se tenho que dar algum exemplo, diria a Corso Como 10 [a loja foi fundada pela irmã de Franca, Carla Sozzani].

Você gosta de cozinhar?
Sim, para nós italianos a cozinha não é só questão de comer, mas é um momento onde convivemos entre nós, onde dividimos nossos momentos. Não cozinho, mas tenho meu prato favorito: tortelli di zucca, típico de Mantova, minha região.

Gosta de música?
Temos que ouvir de tudo. Fomos os primeiros a falar da banda Tokyo Hotel. Ouço música clássica, Sting, Tracy Chapman. Mas também gosto de Lady Gaga.

Lê muita revista?
Leio. Muitas. Quer dizer, vejo, vou passando os olhos. Vejo revistas até de arquitetura, decoração.

Quais?
Muitas, não sei dizer. Mas são muitas.

E livros?
Não leio livros teóricos sobre moda. Os livros que leio são de literatura, contos. Leio 3 ao mesmo tempo porque gosto de entender o que está acontecendo e pronto. Às vezes me canso do livro e troco, fico entediada.

A Itália conta com uma matéria-prima de altíssima qualidade e um diálogo constante entre estilistas e artesãos. Isso procede?
Quem desenha, desenha para ser produzido numa matéria-prima, então é óbvia essa troca. Se você vai fazer o sapato, desenhá-lo, vai desenhar em alguma coisa, não é? Assim funciona o nosso made in Italy, que conta com alta qualidade, mas também com muita produção.

Apesar de toda a produção, existe o impacto da crise econômica.
Tem crise sim, é inútil querer esconder. Crise na Itália e em todo o mundo. Nunca houve uma crise como essa, nessas proporções. Ouvimos geralmente sobre crises específicas, mas uma crise geral como essa, não me lembro.

Nem mesmo a crise de 1929?
É muito antiga essa crise, está num passado muito distante. As pessoas dessa época já não existem mais, ninguém lembra.

O que se pode aprender em momentos de crise?
Na crise se aprende a descobrir o novo.

***

Frases do Twitter de Franca Sozzani (twitter.com/francasozzani)

So many pointless blogs! Most of them a waste of time!
Tradução livre: Quantos blogs sem sentido! A maioria deles é uma perda de tempo!

The most surprising and annoying thing during fashion week is that everybody is constantly twitting: but who’s watching the shows?
Tradução livre: A coisa mais surpreendente e irritante durante uma semana de moda é que todo mundo não para de twittar: mas quem assiste ao desfile?

I don’t care what people think about Carla Sarkozy. She is just GREAT.
Tradução livre: Eu não me importo com o que as pessoas pensam da Carla Sarkozy. Ela é DEMAIS.

Not many fashion students can become great designers, but many can achieve important positions in the fashion industry
Tradução livre: Não são muitos os estudante de moda que podem se tornar grandes estilistas, mas muitos podem alcançar posições importantes dentro da indústria da moda.

The best part of social networks is getting in touch with people, the worst part is losing your privacy
Tradução livre: A melhor parte das redes sociais é o contato com as pessoas, a pior parte é a perda de privacidade.

Beautiful models give suggestions on how to be beautiful. Do you really believe that the same cream will have the same effect on you?
Tradução livre: Modelos lindas dão dicas de como ficar bonita. Vocês realmente acham que o mesmo creme vai ter o mesmo efeito em vocês?

This is the period in which everybody only talks about diet. Too late and too boring!
Tradução livre: Estamos numa época em que todo mundo só fala de fazer dieta. Muito tarde e muito tédio!

I love reading magazines and books. I love touching the paper.
Tradução livre: Eu adoro ler revistas e livros. Amo o contato táctil com o papel.

EXCLUSIVO! Franca Sozzani, da Vogue Itália: “A moda precisa de tempo”

©Juliana Lopes/FFW

O quadro negro na redação da Vogue Itália com um recado deixado por Steven Meisel para Franca Sozzani.

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Floria Sigismondi: a nova antidiva nos bastidores de Hollywood

floriasigismondiFloria em editorial da revista britânica Lula ©Reprodução

Floria Sigismondi é nome quente em Hollywood. A diretora de “The Runaways”, filme com Dakota Fanning e Kristen Stewart _interpretando Joan Jett na sua primeira banda punk_ foi bem recebido pela crítica e levantou a cotação da diretora canadense na indústria cinematográfica.

Aos 44 anos, Floria _que começou a carreira como fotógrafa_ ficou conhecida dirigindo videoclipes, sendo premiada sete vezes por vídeos assinados para para artistas como Marilyn Manson, David Bowie, Sigur Rós, White Stripes, Incubus, sempre com uma estética pop-gótica e elementos politizados. “Eu ouço a música de novo e de novo e de novo até já não estar ouvindo nada, e é aí que começo a ver as imagens”, contou em entrevista.

Ela revelou ao site Rotten Tomatoes os seus cinco filmes prediletos. Confira a lista e clique para ver o trailer:

1 – “Laranja Mecânica“, 1971, Stanley Kubrick. “O que Kubrick faz é um statement social, é um mundo que eu amo”.

2 – “O Inquilino“, 1976, Roman Polanski. “É a linha entre a sanidade e a insanidade”.

3 – “Edward Mãos de Tesoura“, 1990, Tim Burton. “Tem algo muito próximo do meu coração nesse filme, é lindo”.

4 – “Sid And Nancy“, 1986, Alex Cox. “O jeito que capturava as cenas, as performances…”

5 – “Mamma Roma“, 1962, Pier Pio Pasolini. “Eu amo os filmes do Pasolini, são muito políticos e lidam com pessoas da vida real”.

O FFW elegeu os três clipes mais incríveis da sua carreira. Assista:

“Beautiful People” – Marilyn Manson

“Blue Orchid” – The White Stripes

“Sigur Rós” – Untitled # 1

+ Site oficial: floriasigismondi.com

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Fetiche feito à mão: Heitor Werneck retorna ao circuito fashion de SP

Aos 43 anos de idade, Heitor Werneck está de volta à cena fashion paulistana com sua Escola de Divinos (@escoladedivinos). Criada nos anos 90 _auge do movimento clubber_ a grife fez as vontades de toda uma geração viciada em música eletrônica, noite e montação.

heitor-werneck-escola-de-divinos-ffwO estilista Heitor Werneck, que retorna ao circuito da moda com a reabertura de sua loja Escola de Divinos nos Jardins, em São Paulo ©Priscilla Vilariño/FFW

Estilista, produtor de moda e de eventos, Heitor conversou com o portal FFW:

O que muda na Escola de Divinos dos anos 90 para os anos 2000?
A Escola de Divinos amadureceu, mas nunca deixará de beber na fonte dela que é fetichista. A diferença também é que agora estou fazendo roupas de bebê, móveis e sapatos.

Você continua confeccionando as peças uma a uma?
Eu continuo costurando sim e as peças são todas passadas por mim ou são cortadas, costuradas ou estampadas por mim. Faço e adoro fazer sob medida.

Qual o preço médio das coisas na Escola de Divinos?
Os preços da loja vão de R$ 60 (uma camiseta) até R$ 700 (uma bota de couro cravejada com cristais Swarovski).

A loja reinaugura com quantas peças no acervo?
Inauguramos a loja com cerca de 350 peças.

Qual o tamanho do espaço?
O espaço tem dois andares, num total de 400 m².

O projeto é todo seu (decoração, etc.)
Sim, a decoração é minha. Eu amo decorar. Essa loja tem diferença de todas as outras por ser bem iluminada. Mas o projeto que tenho é de fazer lá como se fosse a leiteria do filme “Laranja Mecânica”.

laranja-mecanica-molokoA “leiteria” do filme “Laranja Mecânica” foi a principal inspiração do espaço da nova Escola de Divinos ©Reprodução

Qual o seu target?
Eu pretendo manter o mesmo público que sempre tive: adolescentes, pessoas ligadas a moda, noite, povo do rock and roll e pessoas antenadas com a Escola de Divinos, artistas, formadores de opinião, publicitários.

E vai ter também uma linha infantil.
Quero costurar para bebês porque sempre costurei para amigas grávidas e seus filhinhos. Vou fazer roupas tipo de adultos, mas de formato infantil, como fraldas de vinil,  vestidinhos de criança rockabilly, roupas camufladas.

Você também comanda atualmente a festa mais underground de SP _o Projeto Luxúria.
Luxúria é uma festa que sempre imaginei e desde o começo da Escola de Divinos sempre fizemos. Desde o Madame Satã que eu mega frequentei, na época da Nation, desde o Massivo, Krawitz, Limeligth… Enfim, sempre gostei de festas de fetiche. Nos últimos anos foram feitas várias tentativas de festas de fetiche até chegarmos ao Luxúria que é como eu idealizei. Uma festa de total dresscode e que não aceita jeans de forma alguma. É uma festa de exibicionismo e voyeurismo, a conotação sexual dela está na vestimenta, é uma festa muito singular e não fica devendo nada para festas gringas. O Luxúria completa quatro anos em agosto deste ano e deve entrar numa fase nova.

Quantas tatuagens você tem?
Tenho várias tatuagens, mas nunca contei. Só sei que  ainda tenho várias partes “em branco” (risos).

E os piercings?
Eu tenho escarificações, branding, cutting, mas só 5 piercings.

Escola de Divinos
ONDE Rua Haddock Lobo, 893 _Jardins_ SP
COMO CHEGAR veja o mapa
CONTATO (11) 2385-8864

Na galeria, imagens do novo espaço da Escola de Divinos:

Fetiche feito à mão: Heitor Werneck retorna ao circuito fashion de SP

©Priscilla Vilariño/FFW

O novo espaço da Escola de Divinos, do estilista Heitor Werneck

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“É de chorar purpurina”, diz Boss In Drama sobre novo álbum

bossindramaCapa do vinil “Boss In Drama”, lançado em julho pela DeckDisc/Vigilante ©Antonio Wolff / Ganzaro

Boss in Drama, ou Péricles Martins de Oliveira, é um paranaense do interior radicado em São Paulo. Tem 23 anos e começou a produzir música com 16 sob o codinome Boss In Drama, que vem “de uma música que compus aos 19″, cavou seu espaço na cena paulistana com performances pirotécnicas em boates como Glória, o EP “Favorite Song” e a atenção da imprensa especializada.

Recentemente, assinou contrato com a gravadora Deckdisc e prepara seu primeiro disco, que deve ser lançado até o final de 2010. O portal FFW conversou com ele sobre suas origens musicais, fogos de artifício e a cena eletrônica no Brasil.

Confira:

Qual foi o seu primeiro contato com música?
Desde pequeno, quando meus pais me davam dinheiro pra comprar sorvete eu gastava com fita K-7. Tinha muita coisa R&B e adorava tudo que tinha vocal de mulher negra. Dessa época que eu tirei grandes influencias pra produzir música hoje. Como Prince, Diana Ross, Stevie Wonder, Madonna, Queen, Michael Jackson, etc.

E como/quando a música virou a sua profissão?
Aconteceu naturalmente. Comecei a viajar bastante em 2008, em 2009 parei a faculdade e passei a me dedicar só a música.

Recentemente, você assinou um contrato com a Deckdisc. Você os procurou ou foi procurado?
O [produtor musical] Rafael Ramos me descobriu na internet faz um bom tempo, e sempre mostrou interesse no meu trabalho. Até que um dia ele me ligou super empolgado com um novo projeto, de lançar um braço “legal” da deckdisc. Eu gostei da proposta e fechamos o contrato.

Favorite Song by BOSS IN DRAMA

Consegue viver de música ou ganha dinheiro com outras coisas?
Ganho dinheiro de várias formas, mas todas envolvendo música. Sendo produzindo para outras pessoas, para mim, pra publicidade, discotecando, etc.

O que acha da cena de música eletrônica no Brasil? O que você ouve?
Adoro os Twelves, Database, CSS, Gorkabillies, Anhanguera, Crstbl. Gosto quando vejo gente original e criativa fazendo música. Acho chato esse povo que paga para os outros criarem em nome deles, como se a música fosse somente um negócio. Eu acredito na arte e as pessoas que criam tem o meu respeito.

E o que não gosta?
Não gosto muito de trance, techno, minimal, ou estilos puramente eletrônicos e secos, sem muito groove. O tipo de eletrônica que eu gosto é mais orgânica. Se você ouvir meu set vai perceber que tem muito vocal, piano, groove, strings, sax. Tudo muito alegre e cheio.

Qual é o seu maior medo?
Do show da Mariah Carey na festa do Peão em Barretos.

Em que momento do dia você fica mais inspirado?
Quando acordo cedo e começo a produzir. As melhores músicas eu fiz às 7 da manhã!

Me conta um pouco sobre o disco. Tem um conceito, uma ideia que amarre tudo?
O disco está em fase de produção. Será lançado no final do ano, sem data certa ou nome definido. Vamos lançar pelo menos mais 2 singles além desse, antes de lançar o disco. Vai ter muito glitter, romance, break, metais. É pra chorar purpurina! (risos)

Que sons está explorando?
Estou usando muitos sons de pianos e synths dos anos 1970/1980, strings, drum machines, metais, percussão, guitarra e baixo com muito groove.

Quantas pessoas estão envolvidas na produção?
Vou colocar músicos pra gravar metais, e alguns vocais femininos também.

bossindrama2Em 2008, tocando com fogo no teclado no clube Mary In Hell, Belo Horizonte ©Reprodução/Flickr/Doublejeux

Os seus shows sempre tem algum elemento de performance/pirotecnias…
Por enquanto, só solto faíscas da minha Keytar enquanto eu toco! Quando eu começar o novo show, quero usar outros efeitos. Se pudesse, queria aquelas chamas que saem do chão, tipo do show do Poison e do Bon Jovi, sabe?

E o que pretende fazer nos próximos shows?
Quando estiver com boa parte do álbum pronto, vou começar a ensaiar com uma banda de apoio. Assim poderei tocar em casas de rock e fazer turnês melhores. Quando você toca sozinho, acaba sempre tocando em boates. Quero expandir um pouco esse círculo.

Qual o envolvimento e participação da gravadora no seu processo criativo e de mercado?

O produtor Rafael Ramos escuta tudo que faço e ajuda com dicas sábias! Eles me dão toda a estrutura pra gravar, músicos e produção. Mas por enquanto eu preferi trabalhar no meu quarto. Me sinto mais a vontade e criativo quando estou sozinho.

Quem são os colaboradores (criativos) do álbum?
Ainda é segredo! Vão ter poucas participações, mas serão de pessoas que admiro e que tem a ver com meu trabalho.

Facebook: facebook.com/BOSSINDRAMA

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Twitter: twitter.com/bossindrama

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Exclusivo FFW: Thalma de Freitas cancela álbum para seguir carreira de atriz

Filha do lendário maestro Laércio de Freitas, a carioquíssima Thalma (siga no Twitter) tem formação de atriz, mas também brilha como cantora, seja na superbanda Orquestra Imperial ou em inúmeras participações na cena musical carioca e paulistana. Em um pocket-show recente no Rio de Janeiro, ela roubou todos os olhares em um vestido vintage pintado à mão. “Sou rata de brechós”, contou ao portal FFW minutos antes da apresentação.

Mas quem esperava o seu primeiro disco solo deve perder as esperanças. “Que disco? Não vai ter disco”, disse. “Acabei de renovar meu contrato com a Rede Globo”.

Thalma, que apareceu em 2009 na capa da revista “Trip” (numa reportagem que apontava os nove artistas mais promissores da música brasileira), chegou a fazer uma curta-temporada de shows no Studio SP, apresentando faixas do (suposto) novo disco. Sem título, o álbum chegou até mesmo a entrar na lista dos mais aguardados do ano do blog Bloody Pop, do jornalista Lívio Vilela. Pouco antes de subir ao palco com Rennó, ela falou com o FFW.

Por quê não vai ter disco?
As pessoas ficam falando que eu sou cantora, sou cantora, sou cantora. Gostam de me ouvir cantar, então existe uma demanda grande pra que eu faça isso. Mas eu sou atriz, não sou cantora. Sou premiada como atriz, tenho 20 anos de carreira nisso. Quem vai me dar 150 mil reais para gravar um disco de um jeito decente? Não vou tirar do meu próprio bolso, sabe. Não se investe em música mais. Não existe mais CD!

É bom que o público saiba pela sua boca, então: o que é a Thalma de Freitas?
Eu sou uma artista. Comecei como cantora de musicais, essa é a minha especialização. Parei pois na época em que fazia isso não havia muitos musicais sendo produzidos no Brasil, então fui contratada pela Rede Globo. Eu gosto muito de trabalhar, gosto de cantar, mas artista ganha muito pouco.

Twitter: twitter.com/thalmissima

Myspace: myspace.com/thalmadefreitas

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Paulo Borges e os presidenciáveis: segunda parte da série no ar!

A série das entrevistas com os candidatos à presidência da República mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais realizadas por Paulo Borges, diretor da Luminosidade e do In-Mod (Instituto Nacional de Moda e Design), foi finalizada na noite do dia 13 de junho. Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) falaram sobre sustentabilidade, economia criativa, moda e design de acordo com seus projetos de governo.

A partir de hoje, 23 de junho, daremos início a segunda etapa das entrevistas, respeitando a ordem original dos candidatos que cederam as entrevistas na primeira parte do ciclo: Marina Silva, Dilma Rousseff e José Serra.

Confira no link abaixo o ciclo de entrevistas:

Paulo Borges e os presidenciáveis

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