Mais uma edição da SPFW se foi. Aproveite o fim-de-semana para conferir com calma todos os desfiles (em fotos e vídeos) e ainda experimentar nossa ferramenta de superzoom!
Com um casting só de modelos consagradas (Carol Ribeiro, Luciana Curtis, Mariana Weickert e Ana Claudia Michels, entre outras, tá?), a grife Do Estilista, de Marcelo Sommer, abriu o 5° (e penúltimo) dia de SPFW inverno 2011. “O Marcelo me pediu uma beleza clássica, mas com a cara dele”, explica o beauty artist Robert Estevão, “então a gente tem esse batom vermelho, mas ele tem um tom fúcsia, mais vivo, mais denso”.
O make é complementado por uma sombra esfumaçada e rímel só em cima, e o cabelo “tem onda na frente, e atrás é desgrenhado”, Robert ensina. Para quem quiser copiar o visual: as ondas são feitas com um trionda (as mechas são encaixadas no aparelho em movimentos de “8”), e depois as pontas são alisadas com a ajuda da chapinha.
“Foi feita a prova de roupa e a gente viu que a beleza não podia ser over, então eu quis fazer uma coisa minimalista, com o cabelo chapado e a maquiagem com uma boca vermelha, para ter um foco”, explicou o beauty artist Henrique Martins no backstage da Ana Salazar. Complementando os lábios vermelhos (que Henrique revela ser uma misturinha), o make leva só curvex nos cílios, iluminador e um blush marrom contornando as maçãs do rosto.
“A inspiração aqui é Catherine Deneuve no filme “Belle de Jour””, começou Ricardo dos Anjos sobre a beleza da FH por Fause Haten. Para conseguir o visual, ele usa um pigmento preto umedecido na pálpebra móvel, esfumaça a cor e então aplica lápis preto na linha d’água. Cílios postiços são colocados em cima, e muito rímel é usado em cima e em baixo. Complementando o visual, só um blush cremoso e “um gloss muito cintilante” nos lábios.
A peruca de longos e loiríssimos fios, que “faz alusão ao cabelo da Catherine no filme”, foi especialmente encomendada para o desfile, e é usada com a franja para trás e babyliss nas pontas.
“A mulher aqui é chique, romântica e tem glamour, não há nada agressivo”, explicou o maquiador Cayo Lanza no backstage do desfile do Jefferson Kulig. “A pele é limpa, transparente, os olhos levam muita mascara e a boca tem um tom mais escuro, uva, mas que não briga com o resto da maquiagem porque é tudo muito neutro”, ele diz. O blush é dispensado no lugar do iluminador: “acho que quando você consegue esse efeito de luz sem carregar, fica chique”, Cayo ensina.
O cabelo é assinado por Mario Nova, que o descreve como o de uma mulher “rica, glamourosa, mas básica”, arrumado com escova só para dar um efeito de liso natural. “Não é para ter a raiz colada nem pra usar muitos produtos; a ideia mesmo é de ter um cabelo com cara de bem cuidado”, ele afirma.
Fechando o 5° dia de SPFW inverno 2011, Marcos Costa criou um make + cabelo para representar uma “mulher misteriosa, que guarda algum segredo; o Lino e eu conversamos muito para chegar a essa beleza”, ele revelou.
Para isso, o beauty artist aposta no contraste de frio e quente com olhos que combinam lápis azul escuro + sombra cremosa violeta, maçãs do rosto com blush cobre e lábios com batom cor de boca. O cabelo é coberto por uma espécie de touca e uma peruca de fios lisos e pretos, que é cortada de maneira irregular e diferente para cada modelo.
Depois de apresentar o seu Verão 2011 no Villa Country, ponto de encontro surreal dos cowboys em São Paulo, Marcelo Sommer parte para um momento mais introspectivo. Desta vez, sua marca Do Estilista, desfila dentro da Bienal e só com a coleção feminina. “As pessoas elogiam muito o masculino, mas desta vez senti a necessidade de fazer algo mais focado, mais direcionado”, conta Sommer.
Entende-se por isso uma coleção mais séria, madura, com poucas cores e ênfase na modelagem.
“Não trabalhei muito com um tema ou uma inspiração específicos, mas as formas são meio vitorianas, com uma construção super elaborada. É tudo bem feminino, tem até vestido de festa e peças de seda e tafetá, tecidos com os quais eu nunca havia trabalhado”.
Quem espera por uma coleção clássica do repertório do estilista vai ter uma surpresa. Nada de estampas e poucas cores (marrom, preto e bege) dão o tom da apresentação. “É o que eu faço, só que de uma forma mais adulta”. E a trupe de amigos continua em cima: a fiel modelo Lu Curtis deixa sua linda filha Cora, de 6 meses, para desfilar; David Pollak assina o styling e Paulo Bega, um dos integrantes do Stop Play Moon, cuida da trilha.
Além da coleção, Marcelo também tem focado seu tempo em sua loja virtual, aberta há um mês. E para os meninos, finalmente uma boa notícia: as roupas masculinas estão lá, a um clique de distância.
Marcelo Sommer já havia comentado, em junho, que após o fechamento de sua loja física, os novos planos envolviam uma loja online. E foi neste sábado, dia 18, que a lojadoestilista.com.br entrou no ar.
Na loja virtual há camisetas, bermudas, calças e acessórios,tanto masculino quanto feminino, e as compras podem ser parceladas em até 10x sem juros, ou 18x com juros.
As peças de desfile, entretanto, contêm um aviso: “Esta peça foi utilizada em desfiles, pode ser que possua algum pequeno defeito. Não poderá ser efetuada troca ou devolução”.
As fotos do site foram feitas por Franco Amendola, e os looks editados pelo próprio Marcelo.
Assista ao vídeo do desfila da marca Do Estilista, no SPFW verão 2011:
Antes de completar 30 anos, Marcelo Sommer já era figurinha fácil no mundo da moda. Verdade que o negócio no Brasil estava apenas começando, ainda que por aqui gente como Dener, Clodovil e Zuzu Angel já haviam pintado e bordado. Mas o cenário abria-se recheado de possibilidades para os jovens plugados numa realidade recém-saída dos mercados alternativos.
E Marcelo vinha com extensa bagagem: passou por Londres, onde cursou moda, deslanchou em grifes moderninhas e inovou ao propor novas linguagens para se comunicar com os consumidores finais. Foi além. Entrou nos presídios, capitaneou alguns auxiliares e reescreveu o manual do estilista.
Como criativo que é, deixou pra lá a parte burocrática da marca que se firmava como grande aposta do mercado. Entre os altos e baixos, ele não comenta decisões do passado. “Ficaram para trás”, avisa. Respira aliviado e redesenha suas mais recentes investidas. O que vem por aí? Certamente mais uma revolução.
Como você vê a moda brasileira hoje?
Acredito que a moda por aqui está ganhando mais força criativa e comercial.
O que esperar da sua parceria com a Riachuelo?
A coleção já está nas lojas. Eu aposto cada vez mais nesse tipo de parceria, que alia a informação de moda a preços acessíveis.’
Qual foi a motivação para alinhavar esta nova empreitada?
Eu já havia feito esse tipo de parceria anteriormente.
Trata-se da tal “democratização” da moda?
Sem dúvida, aí está uma tendência mundial!
Como você explica a sua atual coleção [Do Estilista]?
É uma coleção alegre e festiva, muito colorida, cheia de parcerias e licenciamentos.
Quais as suas referências e fontes de inspiração?
A cultura nômade, cigana e o universo folk.
Como é o Marcelo Sommer no dia a dia?
Ih, é melhor perguntar isso aos outros…
De onde veio o gosto pela música? E a discotecagem, quando começou no circuito?
Fui proprietário do extinto Pix Bar/ Bar Treze. Ali comecei a dar as minhas primeiras “ensaiadas”.
Você foi um dos primeiros estilistas do país a vender a própria marca, que neste caso era o seu nome. Depois de tantos anos, como descreveria este episódio?
Acredito que o meu episódio deve servir como uma espécie de gabarito para as marcas que vieram a ser negociadas depois. Este caso foi resolvido e encerrado.
O fechamento da sua loja tem sido motivo de grande especulação. Pode falar sobre isso?
Sério? Não sabia… Mas porque será que o fechamento de uma pequena loja possa gerar especulação? Já tive várias lojas, e hoje estamos mudando o formato, a exemplo de várias outras marcas de sucesso que também não têm loja e vendem somente multimarcas. Estamos montando um site de vendas e iremos vender através de licenciados (como a Wrangler e a Ventura), e outras redes de todo o País, trabalhando mais com o design em si e recebendo royalties e comissões.
Há alguma novidade a caminho?
Várias!
Qual o futuro da marca Do Estilista?
Crescer e ficar forte.
Terminou. Trinta e sete desfiles passados e mais uma edição do SPFW chega ao fim. Mas se você não conseguiu acompanhar tudo aqui com a gente preparamos um resumão com os principais acontecimentos desta 28ª edição do maior evento de moda da América Latina.
ROCK AND ROLL
A Cavalera deu o pontapé mais do que merecido na temporada paulista para o inverno 2010. Escolhendo a Galeria do Rock como locação, a grife reassumiu sua vocação rocker apresentando uma coleção 100% fiel aos seus consumidores. Jeanswear poderoso, alfaiataria despojada mais ainda e sucesso garantido. Tudo a ver com 2010, ano em que a marca comemora 15 anos de vida.
MODA CUBISTA
A Osklen mostrou imagens de moda cheias de impacto ao construir suas roupas da próxima estação num feltro de lã de espessura bem grossa. Pense na arte Cubista e o resultado é bem próximo, só que com a cara da marca carioca. Mais interessante ainda se pensarmos que o ponto de partida foram os verões passados da própria marca.
20.000 LÉGUAS SUBMARINAS
Beachwear e inverno não combinam muito. Mas ao mergulhar no mundo do underwear, Alexandre Herchcovitch, no comando da Rosa Chá, provou que não há estação certa para uma boa moda praia. Ainda mais quando as enseadas não são o único destino disponível – daí o flerte inteligente com a alfaiataria bem desconstruída.
DO LESTE EUROPEU
Alexandre Herchcovtich desfilou uma de suas melhores coleções. Talvez a mais amadurecida de todas. Cheia de elementos do Leste europeu a coleção vem cheia de produtos prontos para o consumo, dos mais assimiláveis aos mais comerciais, trazendo acabamentos, construções, volumes, tecidos e detalhes que mostram o estilista em sua melhor forma.
SOB NOVA DIREÇÃO
A história de uma das mais importantes marcas da moda brasileira passa agora a ser escrita por novas mãos. Em sua primeira coleção inteiramente sob direção de Eduardo Pombal, a Forum Tufi Duek dá continuidade à sua linguagem sofisticada, mas agora imprime um pouco mais da autoria do seu novo diretor.
MODA PERFORMÁTICA
A coleção pode ser complicada, mas não há como refutar o dom que Ronaldo Fraga tem para emocionar seu público. Dessa vez foi olhando para o trabalho da coreógrafa Pina Bausch que ele conseguiu novamente atingir a alma da plateia. Assim como a dançarina alemã, Ronaldo rompe os limites da passarela através de uma coleção misteriosa, com clima assustador e cheia de emoção.
PAUPERISMOS
Politicamente incorreta (neste caso não é uma coisa ruim) e cheia de energia, a Amapô retorna ao line up do SPFW com coleção inspirada nos moradores de rua. Com um jeanswear inteligente, alfaitaria toda desconstruída (ou seria reconstruída?), jogo de proporções inteligente e ótimo trabalho com zíperes, a dupla Carô Gold e Pitty Taliani reformam, de maneira extraordinária, o streetwear.
BAÚ DA MEMÓRIA
A Huis Clos merece destaque especial pela leveza com que trabalha formas e manipula tecidos. Clô Orozco fala de uma sensaulidade nada óbvia, sem precisar de maxi decotes ou formas ultra justas, mas utilizando tecidos finos e pequenas franjas para revelar a pele com o caminhar das modelos.
JOGANDO COM A MORTE
Inspirado no filme “O Sétimo Selo”, do diretor sueco Ingmar Bergman, Alexandre Herchvotich transformou seus modelos em caveiras e elevou a moda masculina nacional a um patamar totalmente superior. Alfaiataria impecável, radares ligados no que há de mais atual no segmento e, claro, toda a sua identidade pessoal e intransferível.
DO ESTILISTA
Dando a volta por cima, Marcelo Sommer retorna às passarelas do SPFW com coleção emocionante falando sobre a domesticação da vida e a falta de liberdade que aprisiona o espirítio humano. Com passarela cheia de amigos, mostrou que existe amizade na moda. E mais que isso, mostrou que continua sendo um dos grandes talentos da moda nacional.
Quando o assunto é música, teve de tudo um pouco (e um pouco de tudo) nesta 28ª edição do SPFW. Rock, pop, metal, hip-hop e MPB e até tecnobrega. Confira abaixo o top 5 de trilhas do maior evento de moda da América Latina.
Alexandre HerchcovitchFeminino – Composta por Max Blum, a trilha é uma mixagem da frenética “Midnight Directives“, da banda-de-um-homem-só Final Fantasy, aka Owen Pallet. Intenso e maximalista, a canção deu ainda mais força à coleção apresentada.
Huis Clos – Para uma coleção que remetia às lembranças e memórias, o DJ Max Blum mixou brilhantemente vocais, cordas e o folk de Nico Muhly, com “Two Sisters”.
Do Estilista – Em uma brilhante mixagem da mesma música, o músico Paulo Bega deu voz ao desfile com “What’s A Girl To Do”, do Bat For Lashes. Climático e com tom de melancolia.
Jefferson Kulig – Com o DJ Horácio nas pick ups, a trilha foi clássica. Orquestras de cordas deram o tom ao desfile que falava sobre todas as mulheres do mundo.
Alexandre Herchcovitch Masculino – Com um remix pesado de “One Hundred Years”, do The Cure, Max Blum deu o tom mórbido e pesado para a melhor coleção da temporada.
Com um casting formado apenas por amigos, a Do Estilista, de Marcelo Sommer, fez uma apresentação emocionante nessa sexta-feira (22/01), o último dia de SPFW. Mas não foi a primeira vez que ele usou um casting de não-modelos num desfile. “Não fazia isso há algum tempo, mas nessa coleção eu achei que o tema tinha a ver, falando de família, de união, de desapego, de amor. E amor é tudo, né?”.
O portal FFW conversou com parte desses amigos – entre eles Alexandre Herchcovitch, Dudu Bertholini e Fabia Bercsek – e revela as melhores histórias de família, união e amor que eles têm para contar sobre Sommer.
Luciana Curtis é musa e amiga do Marcelo – ou melhor, de Pangaré, apelido que só os mais íntimos conhecem. “Uma das brigas mais engraçadas foi por causa de um Tender. No dia de Natal, fiz um Tender, coloquei no forno e fui tirar um cochilo. Quando acordei, meio de mau humor, o Marcelo havia decorado todo o assado! Como decorar é a melhor parte, acabei dando um piti e brigando com ele” [risos].
A estilista Fabia Bercsek, que já dividiu com Marcelo o mesmo quarteirão da Alameda Lorena, em SP, dividiu uma história engraçada atrás da outra. “Uma vez o Marcelo me fotografou em NY com a Chloë Sevigny, assim, do nada, no meio da rua, dizendo ‘oi, eu sou um estilista brasileiro, deixa eu tirar uma foto sua…’”[risos].
Alexandre Herchcovitch é amigo de Sommer há mais de 15 anos – desde a época da feira Mercado Mundo Mix. “Ele tinha um estande perto do meu e veio falar comigo. Ficamos amigos aos poucos”, conta. “Ele tem mania de se comunicar por mensagens de SMS. E é um amigo muito dedicado. Se você precisa contar uma história de 5 horas, ele ouve com interesse”.
“Tivemos uma empatia imediata”, contou o estilista Dudu Bertholini. “Viajamos para a casa dos meus pais, em Limeira. Lá inventamos um reality show chamado Casa dos Estilistas… tenho fotos maravilhosas dele com galhos de cervo na cabeça” [risos].
Geanine Marques, vocalista do Stop Play Moon e ex-modelo, foi uma das recrutadas para o desfile. Gê confessou a primeira impressão que teve de Sommer. “Eu tinha uma banda chamada Les Stop Betty, em Curitiba. Um dia nós fizemos um show em São Paulo e o vestido que eu usaria era da Forum. Isso no começo dos anos 90, quando ele era estilista da marca. Achei o Sommer um gato” [risos].
Henrique Gendre, fotógrafo, confessou que os melhores episódios aconteceram durante viagens. “Uma vez em Moscou. O Pangaré ficou deprimido, ele e a Luciana [Curtis] chorando porque a cidade é deprimente”, conta. “Outra vez brigamos na Islândia [risos]. Ele ficou doente e acabou brigando com todo mundo porque achou que nós não estávamos cuidando dele direito. A melhor qualidade dele é ser companheiro”.
Cada um no seu quadrado: se cada estilista tem uma identidade própria, cada trilha tem uma sonoridade única. No último dia do SPFW, as canções, mixagens e artistas foram tão diversas quanto as imagens de cada marca. Ouça os áudios completos abaixo:
Isabela Capeto – Totalmente instrumental, a trilha composta por Dany Roland era contida e minimalista, para uma coleção inspirada num tema bastante subjetivo: filtros.
Carlota Joakina – Johnny Luxo, sempre fervido, trouxe uma trilha meio pop, meio experimental com “Jungle Drum” de Emiliana Torrini.
Reserva – Com “A melhor banda de todos os tempos da última semana”, a Reserva desfilou com trilha composta por Jackson Araújo. Ainda rolou a surf music brazuca com “Mintchura”, de Neuzinha Brizola.
Do Estilista – Em uma brilhante mixagem da mesma música, o músico Paulo Bega deu voz ao desfile com “What’s A Girl To Do”, do Bat For Lashes. Climático e com um tom de melancolia.
André Lima – Com o DJ Zé Pedro nas pickups, o desfile do estilista paraense trouxe ao SPFW o som do tecnobrega, que mistura forró e eletrônico. Teve “Womanizer”, “PokerFace” e outros hits do pop com tempero nacional – Ouça abaixo: