Around the world

Evento itinerante leva design, cinema e arte a vários países

04/05/2012

por | Cultura Pop

Obras de designers que participarão da Semi-Permanent ©Reprodução

Animação, moda, efeitos visuais, fotografia, arquitetura, artes plásticas, ilustração, tipografia, filme e quaisquer outros segmentos que sejam compreendidos na extensão quase infinita do design são tratados anualmente na conferência itinerante Semi-Permanent. Concebido há 10 anos na Austrália com intuito de discutir, propagar e unir profissionais criativos através de fóruns, palestras e workshops em diversas cidades como Sydney, Brisbane, Melbourne e Perth, o evento agora comemora seu decênio com a extensão internacional – Auckland, Londres e Nova York se tornarão satélites – e uma lista de participantes premiados, que inclui nomes como o produtor e roteirista Roman Coppola, o designer gráfico Vince Frost e fotógrafo Derek Henderson.

- Vince Frost fala sobre a profissão de designer gráfico e a participação na Semi-Permanent 2012:

A conferência parte de Sydney – onde tem início nos dias 11 e 12 de maio – para Auckland (Nova Zelândia), Brisbane e Melbourne. A Semi-Permanent abre espaço para que “todas as pessoas com a mente aberta para ideias criativas” possam dividir suas experiências nas variadas áreas do design, ao menos é o que informa o texto institucional do evento em seu site oficial. A possibilidade de conhecer de perto histórias de profissionais consagrados é outra atração – e uma oportunidade ímpar para estudantes, que inclusive têm descontos na inscrição. Para esta edição, foi desenvolvido um sistema de transmissão, chamado “Hangout”, onde os espectadores podem interagir exclusivamente com Roman Coppola, filho do diretor Francis Ford Coppola.

Para os que não puderem comparecer à conferência, é possível adquirir o livro do evento, uma publicação inspiradora em que são dispostos trabalhos de artistas de diversos países e que permite integrar-se um pouco mais do que acontece do universo amplo do design – universo esse que se mistura com a própria história dos objetos.

Semi-Permanent @ Sydney, Auckland, Brisbane, Melbourne
Informações e contato: Studio 4, Level 3, 2-12 Foveaux St. Surry Hills, NSW, 2010, Australia
+61 (0)2 9211 4260
+ http://www.semipermanent.com

“Keep calm and carry on”: o conselho que virou cultura pop

13/03/2012

por | Cultura Pop

O pôster original que deu origem a todas as variantes ©Reprodução

“Keep calm and carry on” (“Mantenha-se calmo e continue”) é uma frase que deu origem a uma série de pôsteres coloridos e simples que hoje em dia não param de circular nas redes sociais e que vemos presente na decoração de algumas casas, cafés e bistrôs hypados de qualquer cidade. A história da frase que já se tornou um “mantra” remonta aos tempos da Segunda Guerra Mundial, quando ia ser utilizada para encorajar o povo britânico.

Na primavera de 1939, durante a Segunda Guerra Mundial, o governo britânico organizou uma série de pôsteres de propaganda que tinham como objetivo principal acalmar a população durante os tempos difíceis que se aproximavam. O briefing do governo foi para que estes fossem uniformes e com uma letra bonita e agradável, para dificultar que o inimigo os falsificasse. Foi usada a coroa do Rei George VI como o único elemento gráfico, e só duas cores contrastantes.

Os três pôsteres executados em 1939, sendo que só os dois primeiros foram divulgados ©Reprodução

Dos três designs que foram para produção, o primeiro tinha a frase: “Your courage your cheerfulness your resolution will bring us victory.” (“A sua coragem, a sua alegria e a sua firmeza nos trarão a vitória”). O segundo dizia: “Freedom is in peril defend it with all your might” (“A liberdade está em risco, defenda-a com todas as suas forças”) e o terceiro dizia simplesmente: “Keep calm and carry on” (“Mantenha-se calmo e continue”).

Os primeiros dois designs foram distribuídos em setembro de 1939, aparecendo por todo o país em vitrines de lojas e plataformas de trem. Porém, os pôsteres que viriam a se tornar famosos iniciados pela frase “Keep Calm” foram reservados para momentos de verdadeira crise, ou de invasão inimiga. No final, este pôster nunca foi usado, acabando por ser arquivado para ser descoberto só mais de 50 anos depois pelo casal Stuart e Mary Manley, donos da livraria Barter Books, fundada em 1991 em Alnwick, norte de Inglaterra, em um edifício que já serviu como uma estação de trem de decoração vitoriana.

Barter Books: hoje, esguias prateleiras de livros estão no lugar dos trilhos do trem, e o pôster original continua lá ©Reprodução

Em 2000, Stuart encontrou o pôster em uma caixa de livros antigos que ele havia comprado em um leilão. Mary gostou tanto do pôster que o enquadrou e colocou pendurado na livraria. O quadro fez tanto sucesso que um ano mais tarde a Barter Books estava vendendo cópias do mesmo. Desde essa época, ele tem sido reproduzido, trivializado e até humorizado, tornando-se um símbolo facilmente reconhecível dos nossos dias.

Porém, o design original veio sofrendo alterações desde que foi descoberto. Com uma receita simples – uma imagem no topo, uma frase em letras brancas e um fundo colorido – as possibilidades são infinitas. Com frase mais inspiracionais ou mais humorísticas, a verdade é que o pôster desenhado para descansar o povo britânico continua a surtir um efeito calmante nos dias atuais.

CUPCAKES
©Reprodução
Para os amantes de cupcakes: 'Mantenha-se calmo e coma cupcakes'
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Conversamos com o diretor criativo da Maison Martin Margiela; leia tudo aqui

01/03/2012

por | Gente

A galeria Firma Casa com projeto de design dos irmãos Campana ©Juliana Knobel/FFW

A galeria Firma Casa apresentou na terça-feira (28.02) a sua mais recente aposta em termos de arte e mobiliário: as criações do designer Martin Margiela. A exposição conta com as duas linhas já criadas pelo belga, uma em 2010 e a outra no final do ano passado, e estará disponível para visita até ao dia 28 de abril. Agora de rosto novo projetado pelos irmãos Campana e pelo estúdio de arquitetura SuperLimão, a galeria passa a ser a única representante da Maison Martin Margiela móveis.

Sonia Diniz, proprietária da galeria, explica a aposta feita nos móveis da Maison: “Martin Margiela é um estilista cool e interessante e o Brasil gosta disso. É a primeira vez que está sendo vendido Martin Margiela no Brasil. Nem a parte de roupa era vendida e muito menos a linha casa porque é nova. Então acho que vai ter muito boa aceitação”.

Martin Margiela, designer que já trabalhou para nomes como Jean Paul Gautier e Hermès, é conhecido pela sua postura low profile — ele raramente aparece em público. As suas criações excêntricas e inovadoras, mas com um apelo minimalista, desde o começo apresentavam braços longos e desproporcionais, costuras grandes e visíveis, e pretendiam atuar como uma revolta ao mundo do luxo. Outra característica era o uso de códigos próprios: as etiquetas da grife sequer carregavam o nome “Martin Margiela”, e eram identificadas com números do 0 ao 23, conforme o tipo de produto. O nome da marca só passou a ser identificado em etiquetas após a saída de Margiela.

Assim como as suas roupas, os seus móveis refletem a sua personalidade minimalista e discreta e respeitam o conceito da Maison: “O conceito dos moveis é Margiela. Eles foram todos pensados pelo Martin Margiela e desenvolvidos por Cerruti Baleri e o conceito dos moveis é exatamente o mesmo que você tem na roupa: o minimalismo e o processo surreal para enganar o olho” , explica o curador da galeria, Waldick Jatobá. Os sofás e poltronas, com design visivelmente minimalista em preto e branco, são complementados por mesas de centro com detalhes de surrealismo e por objetos decorativos — todos muito bem pensados.

O FFW conversou com Eduardo Dente, diretor criativo da Maison Martin Margiela, que explicou bem como essas tendências são traduzidas e pensadas para os moveis. 

Eduardo Dente, diretor criativo da Maison Martin Margiela, explica as criações de Mr. Margiela ©Juliana Knobel/FFW

É a sua primeira vez no Brasil?

Não, eu sou argentino então há muito tempo passei umas férias no Brasil, inclusive em São Paulo.  É muito bom estar aqui outra vez.

O que significa esta exposição em São Paulo para a Maison Martin Margiela?

Há quase 15 anos que trabalho para a Maison e tem sido maravilhoso. Para mim, esta exposição é um sinal de que o nome é já conhecido. Vocês (Brasil) estão crescendo rápido e têm coisas locais e ao mesmo tempo conectadas ao resto do mundo. Então talvez exista a possibilidade para que marcas europeias não tão conhecidas, como a Margiela, possam estar presentes em lugares pequenos com coleções pequenas, neste caso nós com móveis na Firma Casa e quem sabe na próxima vez com moda. Por que não?

Eu considero São Paulo como uma capital da moda, cultural, política e econômica do Brasil, onde muitas coisas acontecem. A energia investida neste tipo de projetos, para a nossa equipe é considerada um investimento na imagem. Ajuda a marca a crescer, para um mercado maior e acho que tem grandes chances. Vejo algumas pessoas fazendo perguntas e querendo saber mais… porque já conhecem um pouco a Margiela, então isso me deixa muito satisfeito com as oportunidades que podem surgir.

O que sentem ao unir moda com outro tipo de arte?

Não acha que são mais ou menos a mesma coisa? Todas são belas formas de arte. E é difícil criar beleza. Não é? É mais fácil quando se trabalha em equipe. As pessoas conversam, trocam ideias e chegamos juntos a uma conclusão daquilo que é belo. Depois tem o parceiro industrial que ajuda a desenvolver a sua ideia. E durante esse processo, a ideia pode mudar e se tornar outra coisa diferente.

Sofá preto inspirado nos sofás de navios ©Juliana Knobel/FFW

Qual é a visão de beleza da Maison Martin Margiela?

Na companhia, a equipe criativa tem três serviços diferentes, Moda, Arquitetura e Design, e um grupo criativo de designers. E é diferente. Nós não passamos muito tempo pensando em conceitos e viajando. Por vezes, desta vez mais concretamente, criamos mobília como este sofá preto, já da segunda coleção. Eu falo para o Cerruti Baleri, “vamos fazer algo muito Martin Margiela, que é a mudança de formas e de tamanhos, mas vamos fazer em um tamanho abaixo do normal”. Então temos uma redução do tamanho. Dizer é muito fácil, mas quando você faz reduções de um sofá assim, tem que pensar como fazer algo que não seja para crianças e que cumpra a sua função.

Este, encontramos para servir de referência em um mercado de pulgas, e é um sofá feito para os navios, que tinha que ser menor, devido aos espaços reduzidos. Muitas vezes isso acontece. Os estilistas vão aos mercados (de pulgas), pegam determinadas peças que quase copiam, mas de uma forma mais moderna. Então se cria a ideia de réplica. Para mim é ótimo unir estes dois conceitos: tamanho reduzido e réplica. Se alguém olha, pode falar que é um tamanho menor do que devia ser para um sofá de duas pessoas, mas no entanto estamos aqui duas pessoas sentadas e não é essa a sensação. Na verdade, se você convida alguém para sua casa é porque o conhece, e porque tem alguma intimidade. E para isso, esta peça serve perfeitamente. Ela cumpre a sua função.  E é desta forma que surge a maior parte das ideias e se desenvolvem os conceitos.

Sofá “Groupe” ©Juliana Knobel/FFW

Sobre o Sofá Groupe:

Chama-se Groupe porque é um grupo. Quando abrimos a nossa primeira loja em Paris, ela era um desastre. A única vista boa era a de uma janela que dava para o Palais Royal. Então o Martin, perdão, Sr. Margiela, disse, “nós vamos fazer um lugar aqui que dê vista para esta janela. Vamos a um mercado de pulgas, pegamos sofás diferentes e unimos com um mesmo tecido. Mas temos que mostrar que esta unidade é propositada, com níveis e camadas”. Depois disso, quando criamos esta peça, Sr. Magiela pensou que poderia usar essa ideia mas para lhe dar um pouco mais de design. A ideia é de alguém que sai de férias ou pinta a casa e deixa um pano branco em cima dos móveis. Como é mais couture, usamos tecidos diferentes para formar o mesmo tecido branco. Então começamos com algodão, passamos pelo linho, uma mistura dos dois, e seda. Para o tornar industrial, usamos toda uma estrutura que o une e lhe dá estabilidade, e foi aí que entrou Cerruti Baleri.

Para mim, o mais importante é termos usado três formatos diferentes: um sofá estilo Club, uma poltrona Voltaire, e um tipo banco de café. A ideia é criar uma silhueta. A versão em preto foi criada para o mercado chinês, porque lá é muito ofensivo o branco. Significa luto. Mas acabou por resultar muito bem porque fica quase como a sombra deste.

O sofá “Groupe” na cor preta, realizado específicamente para o mercado chinês ©Juliana Knobel/FFW

Exposição Martin Margiela @ Firma Casa
De 28 de fevereiro a 28 de abril

Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1487, São Paulo
Horário: 10h às 19h
Entrada Franca

Ingo Maurer, o designer que “ilumina o sentimento humano”

27/02/2012

por | Gente, Techno

O showroom de Ingo Maurer em Munique ©Reprodução

Ele já foi chamado de “o mago da luz”. A verdade é que o multipremiado designer de luminárias Ingo Maurer surpreende com cada criação sua. Por vezes não tanto pela beleza estética, mas porque a sua busca em provocar sensações e capturar emoções da luz dando-lhes formas físicas é sentida por quem olha para os seus trabalhos. Em uma entrevista ao jornal “The New York Times”, ele explica: “As pessoas subestimam o poder da iluminação. O que ela pode fazer. Como ela pode soltar uma pessoa ou deixa-la tensa e aborrecida”.

Ingo Maurer cria luminárias há mais de 40 anos. Filho de um pescador, o designer nasceu e cresceu na ilha de Reichenau, no Lago Constança, no sul da Alemanha. Ele começou a trabalhar como assistente tipográfico na Suíça e na Alemanha, onde completou em Munique, no ano de 1958, o seu curso profissionalizante de design gráfico. Em 1960, Maurer se mudou para Nova York para trabalhar como freelancer na área do design, mas três anos mais tarde, regressou à Europa, onde definitivamente iniciou a carreira que o tornaria famoso.

Em 1966, já certo de que iria “iluminar o mundo”, ele fundou a sua primeira empresa de design, a “Design M”, e criou a sua primeira luminária – “Bulb” – uma luminária de mesa com o formato de uma lâmpada que projeta uma luz fraca e de baixa voltagem.  A empresa mudou de nome para “Ingo Maurer GmbH” e a sua primeira criação foi incluída na coleção de design do museu de arte moderna de Nova York (MoMA), onde está até hoje, acompanhada por outras das suas peças mais conhecidas.

A luminária de mesa “Bulb” e a suspensão “Porca Miseria!” ©Reprodução

Em pouco tempo, as criações de Maurer ganharam o cunho de “iluminação contemporânea”, e nos anos que se seguiram, os seus clientes e as suas coleções começaram a crescer. As luminárias isoladas e as suas instalações de luz, área a que Maurer se dedicou de corpo e alma, valeram-lhe a sua primeira exposição na Itália em 1968 e o crescimento da sua empresa e do seu nome no mundo do design.

Em 1984, desenhou a instalação “YaYaHo” para a exposição “Lumieres je pense a vous”, no centro de arte contemporânea Georges Pampidou, em Paris, que virou sucesso imediato, e que consistia em duas cordas de metal com lâmpadas de hidrogênio na ponta. A instalação migrou depois para o Villa Medici em Roma e para o Instituto francês de Arquitetura em Paris. Em 1986, o seu trabalho foi reconhecido pelo ministério da cultura francesa, que o premiou com a medalha de “Cavaleiro das Artes e das Letras”.

Três anos mais tarde, em 1989, Maurer criou um trabalho de luz não comercializado para a Fundação Cartier para a Arte Contemporânea em Paris, organizado em uma exposição intitulada “Ingo Maurer: Lumière Hasard Réflexion”.

A luminária “Lucellino” e parte da instalação “YaYaHo” ©Reprodução

Várias exposições e prêmios se seguiram durante os anos 90. Duas das suas mais famosas criações, que estão agora também no MoMA, foram criadas nessa época: “Lucellino”, de 1992, uma lâmpada envolta em asas de penas de ganso presa a um cabo, e “Porca Miseria!”, de 1994, uma luminária de teto feita com pedaços de porcelana partida que dá o efeito de “explosão”.

Em 1997, foi nomeado Designer do Ano pela revista “Architecture & Living” e fez parte de uma outra exposição do MoMA, intitulada “Projects 66”, em parceria com os irmãos Campana. Em 1999, abriu a sua primeira loja em Nova York e iniciou as suas primeiras experiências com tecnologias de iluminação de LEDs, depois de já ter desenvolvido luminárias que acendiam com som e toque.

“Lacrime del Pescatore” (lágrimas do pescador), uma instalação feita com rede de pesca e pequenas luzes ©Reprodução

A importância que Ingo Maurer dá as suas criações, com a funcionalidade aliada a uma técnica impressionante e a uma leitura nova do significado de iluminação, tornaram o seu trabalho reconhecido e requisitado em várias áreas. Em 1999 o designer japonês Issey Miyake solicitou a Maurer uma instalação com efeitos especiais para o seu desfile em La Vilette. Posteriormente, ganhou o prêmio de designer atribuído pela prefeitura de Munique, para a qual em 2011 desenvolveu o projeto de iluminação da estação de trem de Marienplatz.

A estação de trem Marienplatz em Munique, com projeto de iluminação de Maurer ©Reprodução

Em 2005, com exposições e prêmios conquistados pelo mundo, foi nomeado Designer Industrial Real pela Real Sociedade das Artes de Londres e posteriormente foi nomeado Doutor Honoris Causa pelo Real Colégio das Artes londrino.

Hoje, com mais de 75 anos, as suas criações, sempre presentes nas feiras de design mais conceituadas do mundo, atraem multidões. As suas instalações de luz, sejam elas constituídas por fios de luz que remetem a insetos ou velas penduradas por fios invisíveis no teto, muito semelhantes às luminárias de Hogwarts, o castelo de Harry Potter, enchem o olhar de quem as vê e têm apenas um objetivo, bem definido por Maurer: “Iluminar o sentimento humano”.

Em São Paulo é possível encontrar algumas obras de Maurer na FAStrade, R. Joaquim Antunes, 190 – Pinheiros, São Paulo.

Mesa feita de luzes LED criada por Ingo Maurer ©Reprodução

Papel de parede com pontos de luz e luminária de chão “One From the Heart”, que reflete com a ajuda de um espelho o formato de um coração na parede ©Reprodução

A luminária de teto “Johnny B Butterfly” ©Reprodução

“Zettel’z”, uma luminária feita com cartas de amor em várias linguas ©Reprodução

Design: formas alternativas, criativas e funcionais de embalar

17/01/2012

por | Cultura Pop

Ilusão de ótica “Ondas” ©Reprodução

As aparências enganam. Este é um ditado popular bastante conhecido que nos lembra sempre de como nos deixamos influenciar pelo aspecto das coisas. Quantos vezes não deixamos de entrar num restaurante porque ele parece menos “arrumadinho” e depois descobrimos que era o melhor cardápio da cidade?

Sabemos que a primeira impressão que temos de algo, seja um produto, um serviço ou até uma pessoa, nem sempre é a mais correta e nem sempre é real. A forma como as coisas nos são apresentadas influencia muito a opinião, e quando se trata de um produto, influencia a decisão de compra. A aparência dos objetos é, de cara, o seu primeiro atrativo. Ela ilude, influencia e encanta. Veja abaixo alguns exemplos de como o design de embalagens, sempre em constante inovação, pode nos provocar as mais diversas sensações.

 Mel “The Bees Knees”

A produtora de vinho sul africana Klein Constantia lançou uma edição limitada de mel, The Bees Knees, e criou, juntamente com o designer Terence Kitching, esta elegante e divertida embalagem ©Reprodução

Pantone

A Pantone, que tem investido muito em produtos da sua marca, criou esta embalagem para oferecer vinho no Natal a alguns dos seus clientes e fornecedores. Mais um touché de originalidade da marca ©Reprodução

Óculos Prism

A marca de óculos Prism é feita à mão na Itália e só trabalha com materiais da mais alta qualidade. Um produto desenvolvido com tanto cuidado merece uma embalagem que permita que todos a vejam ©Reprodução

O estádio da Nike

Esta caixa de sapatos da Nike, impressa em edição limitada, já foi premiada com um Leão em Cannes e tem, em uma das suas versões mais exclusivas, chips que simulam sons de estádio assim que é aberta ©Reprodução

Reebok ultra aderente

Outra embalagem original na mesma categoria é a da Reebok para o seu tênis de escalada ultra aderente. De tão aderente, grudou na tampa da caixa ©Reprodução

Chá Origami

A marca de chá Origami foi buscar nas origens do seu nome a ideia para sua nova embalagem ©Reprodução

Camisetas Here! Sod

Há quem compre camisetas como se fossem um item de primeira necessidade. Através da marca tailandesa Here! Sod, elas quase se transformaram nisso mesmo ©Reprodução

Salame pós-moderno

A artista da Lituânia, Shiblas, lançou o seu álbum Salami Postmodern e embalou-o como se fosse de fato um salame ©Reprodução

Lingerie Blush

A marca alemã de lingerie “Blush” desenvolveu uma caixa de fósforos promocional que faz corar qualquer um que os acenda ©Reprodução

NYC Spaghetti

O briefing: criar uma embalagem de espaguete para a marca NYC Spaghetti. O resultado: mais um aplauso à criatividade ©Reprodução

Comprimidos para a digestão Nobilin

A agência de publicidade BBDO da Alemanha criou para a marca Nobilin uma embalagem de comprimidos para facilitar a digestão, que vai “direto ao ponto” ©Reprodução

Utensílios de cozinha em madeira ScanWood

A Scanwood é uma marca dinamarquesa que faz utensílios em madeira reflorestada. E para que os consumidores percebam isso melhor, criaram uma embalagem que vende os produtos como se ainda tivessem as raízes que os prendiam à terra quando eram árvores ©Reprodução

Panasonic “Note” headphones

A Panasonic bolou um fone de ouvido em formato de nota musical ©Reprodução

Embalagem de salsichas Porkinson Sausage

Quem fundou a empresa de carne inglesa Porkinson Sausage foi o fotógrafo de moda Norman Parkinson, que se viu agora homenageado pela marca neste re-desenho da embalagem. A gravata borboleta era um dos acessórios mais marcantes de Norman ©Reprodução

Design X Moda: pesos-pesados discutem as semelhanças e diferenças das áreas

21/10/2011

por | Moda

©Luciana Prezia/Divulgação

O Instituto Rio Moda e a Casa Electrolux foram os anfitriões de um bate-papo entre a estilista Lenny Niemeyer, o designer Guto Indio da Costa e o vice-presidente global de design da Electrolux, Henrik Otto. Moda e design foram os temas centrais da conversa que envolveu os convidados na última quinta-feira (20.10), na Casa Electrolux, flagship store da marca, em São Paulo.

A jornalista Alexandra Farah foi a mediadora do debate que começou com cada um apresentando o seu trabalho. A estilista Lenny contou de como começou a fazer seus biquínis no Rio de Janeiro há 30 anos e que há 20 criou sua marca própria e começou a se firmar como estilista. Guto Indio da Costa é designer e possui um escritório onde a equipe cria “em um dia barcos, no outro, fogões e geladeiras, depois quiosques de praia”, segundo o próprio. Quem completou o time de debatedores foi Henrick Otto, que comanda de seu escritório em Estocolmo, na Suécia, o design global da Electrolux.

A discussão começou pela frase do designer francês Philippe Starck, citada pela mediadora: “O design no século XXI vai ser imaterial e humano”. Guto disse que o design caminha cada vez mais para recursos de interação rápida e fácil e destacou que hoje em dia, a vida é muito virtual. Sobre este fato, Lenny confessou: “Só há um ano comecei a conseguir fazer trabalhos como estudo de cores no computador”, mas em contraponto, seu trabalho usa muitos materiais tecnológicos. Já Henrik afirmou apostar na performance como ponto fundamental dos produtos atuais de design.

Henrik Otto, Alexandra Farah, Guto Indio da Costa e Lenny Niemeyer ©Luciana Prezia/Divulgação

Foram levantadas questões interessantes como um apelo ao retorno das texturas. Henrik disse que a tecnologia touch não traz nenhum apelo para o tato, e que ela é um dos exemplos de como o design está começando a esquecer a “poesia” dos produtos. “Você às vezes fica fascinado pelo produto antes mesmo de saber o que ele é”, destacou.

Uma discussão que não poderia faltar, claro, são as diferenças e semelhanças entre moda e design de outros produtos. Lenny destacou a importância de inovar na moda. Segundo ela, suas clientes, por mais que optem muitas vezes por modelos clássicos como os de lacinho nos lados, gostam de saber o que tem de novidade, o que a marca está fazendo. “As coisas não evoluem na moda, no sentido de uma mesma peça ser melhorada. Cada coleção nova tem de surpreender”, defende.

Guto concorda que a efemeridade na moda é inegável, e que os produtos se transformam muito rápido, mas ele acredita que o design também pode ser descartável. “O design que perdura tem que ter muita qualidade. O bom design permanece, por que a moda não pode permanecer também?”, levantou o questionamento.

Ao final, o público pôde fazer perguntas aos debatedores e uma das conclusões da noite – que conseguem resumir bem a discussão que aconteceu – foi de Henrik, que definiu que atualmente, as pessoas estão em busca de produtos capazes de ser, de certa forma, uma extensão de cada um. “As pessoas vão atrás de produtos que reflitam sua personalidade, que funcionem como uma extensão de como você quer ser visto”, concluiu. Você concorda?

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Três magos: Hans Obrist, Rem Koolhaas e Petra Blaisse em SP

29/08/2011

por | Gente

Casa de Vidro  - Foto de Henrique Luz - Divulgação (5)A Casa de Vidro, de Lina Bo Bardi ©Foto Henrique Luz/Divulgação

O Sesc Pompeia recebeu um encontro que fez lotar os 700 lugares do auditório: o curador Hans Ulrich Obrist, o arquiteto Rem Koolhaas e a designer Petra Blaisse falaram para uma plateia jovem formada em sua maioria por estudantes e recém formados em arte e arquitetura. Algumas figuras importantes também prestigiaram o evento, como a artista Beatriz Milhazes, a galerista Maria Baró, o curador do SP Design Waldick Jatobá, e Danilo Miranda, diretor do Sesc SP.

O encontro ocorreu para lançar o projeto Casa de Vidro, que vai ocupar com arte a casa construída por Lina Bo Bardi (1914 – 1992), em São Paulo onde ela viveu e morreu. Grandes artistas nacionais e internacionais já estão confirmados para o evento, entre eles Cildo Meirelles, Dominique Gonzalez-Foerster (que já veio pra 27ª Bienal), Ernesto Neto, Gilbert & George, Paulo Mendes da Rocha, o escritório de arquitetura japonês Sanaa e ainda Petra e Koolhaas, que junto com Hans deram a largada no projeto.

No Sesc, Obrist, um dos mais importantes curadores de arte do mundo, fez seu papel e agradeceu aos parceiros e introduziu as palestras. Mas, mesmo quando fala de arte, seu discurso soa robótico e sem emoção.

petra-poster1A holandesa Petra Laisse ©Reprodução

Apesar de muita gente ter ido até lá para ouvir Koolhaas, foi Petra Laisse quem roubou a cena. Essa designer holandesa trabalha com interiores e exteriores e é daí que vem o nome de seu estúdio, Inside Outside. Através de uma série de projetos fascinantes, ela faz uma releitura para cada espaço, de museus e grandes prédios ao deserto do Quatar. Sua interferência nos espaços acontece através de efeitos lindos criados por luz natural, texturas e cores. É incrível ver o que ela faz com uma simples entrada de luz ou com um arranjo de plantas. Entre os seus projetos, está o paisagismo do Swarovski Building, na Áustria; os efeitos entre claro e escuro no Mercedes-Benz Museum, na Alemanha; a parte acústica e de iluminação natural da Casa da Música, na Cidade do Porto, em Portugal; consultoria para acabamentos de interiores da loja da Prada, em Los Angeles; e ainda a acústica e iluminação do Mick Jagger Centre, em Londres. Mas não deixe de visitar o site da Inside Outside, que traz informações completas sobre cada obra.

Casa_da_musica_interiorEspaço da Casa da Música projetado por Petra ©Reprodução

Seu escritório conta com diversas pessoas de nacionalidades, culturas e religiões diferentes. A celebração da diversidade começa aí e se expande na luz, nas cores, nos elementos e nas texturas, criando ambientes nada óbvios e muito inspiradores.

REM KOOLHAAS E A ARQUITETURA GENEROSA

A palestra de Rem Koolhaas foi interessante, apesar de sua frieza e dureza. Em primeiro lugar, ele deixou de lado o trabalho de design e arquitetura desenvolvido pelo seu escritório Oma, para tratar de uma arquitetura “generosa”, que pensa no bem-estar social e estuda as mudanças sócio-econômicas de cada região e como a arquitetura local é afetada por elas. “Gosto de criar ambientes com cor, som e luz de forma que as pessoas que convivem neles possam se sentir em seu melhor estado”, disse.

Quando era um adolescente, viu uma foto da Brasília de Niemeyer na capa da “Time” e ficou intrigado com o projeto. “Naquela época, eu não queria ser um arquiteto. Queria ser um arquiteto brasileiro”, brinca.

Mas o mesmo arquiteto que tanto o inspirou um dia é alvo de suas críticas em alguns de seus projetos, como o Cronocaos, que ficou exposto no New Museum, em Nova York. “O Brasil é um país que percebe seus arquitetos como heróis e eu não acho isso muito bom. Um herói não mostra suas fraquezas e todos nós temos fragilidades. Um herói também não olha para trás e, às vezes, nós precisamos rever o passado”.

Trailer do documentário “Rem Koolhaas: A Kind of Architect” (2008)

Ele passou por toda a sua vida, desde quando nasceu, numa Holanda destruída pela Guerra, até os dias atuais, em que tem buscado no interior das cidades fontes de inspiração.

Rem também faz uma crítica ao que o arquiteto se tornou hoje. “Antes o urbanismo servia para potencializar a infra-estrutura de cada cidade. Hoje ele apenas cria alguma ordem. O arquiteto hoje é um vendedor. Antes ele era um pensador, que estudava os assuntos com profundidade. Esse profissional de hoje não trabalha para o benefício da população”, diz. Sobre o Brasil, ele repete: “quero contribuir para que o Brasil reveja o heroísmo de seus arquitetos. Eles merecem o respeito, mas é essencial ser crítico com a arquitetura. Essa vai ser minha contribuição aqui”.

Todo o discurso de Koolhaas gira em torno do bem estar social, das grandes transformações e de como ser útil para a sociedade. E ele mostra fotos incríveis de áreas em que a arquitetura moderna faz um contraste enorme com áreas com infra-estrutura quase rural, mostrando a falta de planejamento, a exclusão e tratando a arquitetura como um gigante que vai comendo terra. “A economia tem um desinteresse nas cidades. Eu tento entender as cidades”.

Agora, além de pensar sobre as metrópoles, ele está interessado no interior. “Todo mundo fala que as pessoas querem sair do campo para as cidades, mas eu estou interessado em ver o que elas estão deixando para trás”.

Saiba mais:

Hans Ulrich Obrist é co-diretor da Serpentine Gallery, em Londres. Obrist já co-curou mais de 250 exposições desde a sua primeira, the Kitchen show (World Soup) em 1991-1994, em sua própria cozinha.

Petra Laisse é uma designer de interiores holandesa e dona do estúdio Inside Outside.

Rem Koolhaas, holandês, é um dos maiores arquitetos hoje em ação. Ele é sócio do escritório OMA e, recentemente criou o AMO, um estúdio de design e pesquisa. Seu escritório faz obras de todas as escalas, no mundo inteiro, da loja da Prada em Nova York à estatal de Tv na China.

A exposição na Casa de Vidro acontece de setembro de 2012 a janeiro de 2013

Design em pauta: São Paulo recebe superstars da criatividade

24/08/2011

por | Cultura Pop

Mob-design-2011

Aconteceu nesta segunda e terça-feira (22.08 e 23.08) no Teatro Shopping Frei Caneca a III Conferência Internacional MOB Design 2011. Já consolidado como um dos maiores ciclos de palestras sobre o Design e Economia Criativa no Brasil, o evento organizado pela Objeto Brasil trouxe nesta edição grandes nomes do design brasileiro e mundial, como Tucker Viemiester (Rockwell Group, Studio RED/Coca-Cola), Hartmut Esslinger (Frog Design e criador do design de um dos primeiros Macintoshs, o Apple II), Davin Stowell (fundador da Smart Design), Gianfranco Zaccai (Continuum), Ana Carla Fonseca (doutora em arquitetura e urbanismo focado em Cidades Criativas), Eduardo Duarte (professor da Rhode Island School of Design), Julio Bertola (VP de Design Electrolux) e Lincoln Seragini (Seragini Farné Guardado Design).

A palestra de abertura foi por conta de Tucker Viemeister, considerado o guru do design de acordo com a revista “Business Week”, que começou dizendo o que se demonstrou ser o lema do primeiro dia de evento: estamos numa era pós-industrial, a era do design. Em um dos exemplos citados, mostrou que a marca Ramones lucrou mais dinheiro com camisetas vendidas do que com álbuns e shows. Em uma retrospectiva de sua vida, Tucker explicou que sua carreira de designer começou quando viu seu pai, Read Viemiester, desenhando e se divertindo em seu ateliê. Read estava criando na época o design de um carro, que chamou de Tucker, em homenagem ao filho.

tucker-viemiester-mob-design-2011“Design com interatividade é a chave para criar uma conexão emocional com as pessoas” ©Daniel Ayub/FFW

Um dos pontos citados na carreira de Tucker, e grande exemplo da importância do design, foi a criação do Coke Cruiser, um veículo parecido com uma patinete eletrônica, usado em festas para distribuir garrafas da bebida. O resultado foi que 43% das pessoas acharam que a Coca-Cola vinda do veículo era mais gostosa do que as normais, demonstrando assim como o design influencia na opinião e apreciação de um produto pelo consumidor.

Mais focado hoje no design de ambientes para eventos, Tucker diz que a chave para o futuro está na interatividade. “Quando passamos por um lugar e este reage aos nossos movimentos, mudando suas formas, cores e sons, criamos uma conexão emocional e um sentimento de fazermos parte de algo maior”. Ótimos exemplos para isso são suas ambientações para a Bienal de Arquitetura em Veneza 2008 e o projeto Plug-and-Play, realizado em San Jose, California.

Vídeo sobre as instalações da Bienal de Arquitetura em Veneza 2008

Hartmut Esslinger

Eu quero o melhor design do mundo“, foi o que Steve Jobs disse a Hartmut Esslinger quando o chamou para desenhar o Apple II, um dos primeiros Macintoshs. Tendo passado por empresas como HP, General Electric e Olympus, o que mais nos chamou a atenção foi quando a Louis Vuitton apareceu na lista. “Entrei na empresa assim que Henry Racamier assumiu a liderança. Na época, a loja possuía apenas duas lojas, uma em Paris e outra em Nice, mas em pouco tempo fizemos um ótimo trabalho de renovação da marca, que se tornou a multinacional que todos conhecemos hoje“. Hartmut e Racamier chegaram a um conceito básico de design que chamaram de “non-matching”. Como as pessoas costumam combinar as roupas com suas bolsas, é necessário possuir muitos estilos diferentes do acessório. No entanto, os padrões do couro nas bolsas da Louis Vuitton tinham a característica de serem considerados neutros, e foi justamente essa neutralidade que eles buscaram levar para as cores, gerando assim uma linha de produtos de couro que combinavam com tudo, sendo considerados atemporais. Dessa forma, os produtos da Louis Vuitton passaram a ser comprados em todas as partes do mundo, por todas as classes e culturas, tornando-se uma marca global e não só parisiense.

hartmut-esslinger-mob-design-2011Hartmut considera que um produto inovador é fruto de 1% de ideia + 90% de produção + 9% de sorte. É preciso uma observação das pessoas, dos problemas, do mercado e das culturas. ©Daniel Ayub/FFW

Gianfranco Zaccai

Enquanto que no primeiro dia a questão estética foi tida como personagem principal, quando Gianfranco Zaccai começou sua palestra dizendo que “não devemos fazer produtos bonitos, mas sim aqueles que mudem a vida das pessoas“, uma nova postura foi definida. Co-fundador e CEO da Continuum, empresa de consultoria em design, Zaccai explicou que o design não deve ser um conceito exclusivamente visual, mas sim deve percebido com todos os sentidos – “Modele a experiência, não a estética”. Exemplificando, Gianfranco contou um pouco sobre como o tamanho dos tênis esportivos nos anos 80 era um problema pois não cabiam perfeitamente em cada pé. Foi então que teve a ideia para criar o Reebok Pump, em que a estética não importava, mas sim o fato de que ele inflava automaticamente, se encaixando nos pés de qualquer um. O resultado? Foi o maior sucesso de vendas na história da Reebok.

omnipodOmnipod da Continuum ©Reprodução

Entre os projetos da Continuum, um dos últimos destaques é o Omnipod Diabetes, que não foi uma invenção, já que injetores automáticos de insulina existiam antes. A inovação está no design, já que o novo produto é muito mais leve e não precisa de longos tubos como os outros modelos. O controle também não se parece com algo relacionado a um tratamento médico, mas sim a qualquer aparelho eletrônico, como um celular. Com esse visual mais limpo, as crianças não tinham vergonha de usá-los e o produto se tornou líder em vendas nos EUA.

davin-stowell-mob-design-2011Davin Stowell durante sua palestra ©Daniel Ayub/FFW

Davin Stowell

Seguindo a mesma linha de pensamento anterior, o fundador da Smart DesignDavin Stowell, também acredita no design que tenha sentido. Separando claramente a palavra design de styling, explicou a evolução do mercado americano através do design. “O mercado cresce quando há uma grande invenção ou um grande design, e não no styling”. Stowell acredita que a tecnologia sempre virá primeiro: “os IBMs, Apples e celulares não venderam porque eram bonitos, mas sim porque havia uma tecnologia nova e incrível por trás”. Mas então quando o design entra? A Apple estava prestes a falir após a briga perdida pelo domínio dos computadores nos anos 80 e 90, mas o design prático, leve e bonito do iMac G3 salvou a empresa. Da mesma maneira, quando um dos sócios da Sony pediu para que o departamento de som criasse um aparelho para que pudesse ouvir música clássica enquanto viajava, a tecnologia não precisava ser criada, mas sim aplicada a uma nova forma de uso, que foi o Walkman da Sony. Não foi uma questão de estética, mas sim de reinvenção do uso.

walkman-imacg3Primeiro Walkman Sony e o Apple iMac G3 ©Reprodução

Usando uma de suas criações como exemplo, Stowell mostrou como um simples conceito de design mudou completamente a imagem publicitária de um carro e também a vida das pessoas. A nova linha da Ford possui um painel LCD, em que era possível colocar qualquer tipo de imagem. Davin e sua equipe criaram um diferente tipo de medidor, o “Smart Gauge“, em que quanto mais folhas verdes tivesse, mais econômico e menos poluidor estaria sendo o seu uso do veículo – “Virou até uma brincadeira, as pessoas competem para ver quem consegue economizar mais”. O governo dos Estados Unidos chegou a premiar com 1,2 milhões de dólares a Universidade da California pela pesquisa: “Como sistemas do tipo do ‘Smart Gauge’ ajudam a economizar combustível“. Davin brincou: “Eles podiam ter perguntando para nós”.

smart-gauge“Smart Gauge”(à direita do painel) da Ford, que revolucionou a imagem publicitária dos seus carros nos EUA, assim como uma conscientização a respeito da economia de combustível ©Reprodução

Em resumo, para os empresários, o evento serviu para mostrar que a economia criativa é uma das que mais geram lucros frente aos investimentos. Para os designers, ensinou como aprimorar seu processo criativo através da observação crítica das relações que as pessoas têm com os produtos e ambientes. Para as outras pessoas, mostrou com que magnitude o design criativo pode mudar nosso modo de vida e não somente a estética dos produtos que colocamos em nossas casas.

A pergunta mais frequente feita aos palestrantes foi: “Como o designer brasileiro é visto lá fora?“, a resposta que Tucker deu foi: “O designer brasileiro pode ir a qualquer lugar do mundo e ser reconhecido“, o que nos leva a uma reflexão sobre algo que Ana Carla Fonseca comentou em sua palestra sobre as cidades criativas e o design como fator de competitividade: “O design pode ser o carro-chefe para a mudança da imagem do Brasil. Será que o avião brasileiro é visto lá fora como algo divertido vindo daquele país legal ou como um produto inovador que precisamos ter em nossas vidas?”. Que esta retórica fique como motivação para todos os designers e criadores no Brasil.

Conheça a arte pixelada de Aled Lewis e seu diário ilustrado no Flickr

22/08/2011

por | Cultura Pop

010©Reprodução

O designer e ilustrador Aled Lewis, que vive em Londres, tem um trabalho curioso que, entre cartazes e estampas de camisetas, reúne ideias muito interessantes. Seu projeto pessoal mais recente é o “Make Something 365”, no qual a proposta é que Aled produza algo visual todo dia, quase como um diário ilustrado.

Em seu site e no Flickr, o designer posta os resultados de seu trabalho. Uma das coisas mais bacanas que Aled produz são as ilustrações com pixels. Ele curte recriar personagens famosos de jogos e animações, como Mario, dos jogos da série “Mario Bros”, e Homer, de “Os Simpsons”, que às vezes aparecem em situações “normais”, dentro do contexto em que são comumente conhecidos, mas, na maior parte do tempo, surgem em situações inesperadas.

Em uma de suas séries, Aled coloca personagens de videogames em cenas reais: ele monta os desenhos de pixel em fotos e cria cenas engraçadas e inusitadas com a mistura. Em outra série, Aled coloca personagens de joguinhos eletrônicos dos anos 80 em “cenas” de quadros famosos como a “Santa Ceia”. Confira o trabalho de Aled em nossa galeria:

Maison Martin Margiela se abre para parcerias e reinaugura hotel em Paris

28/06/2011

por | Moda

mmmUm dos ambientes devidamente margielizados ©Divulgação/Maison Martin Margiela

Martin Margiela sempre foi reconhecido por ser uma pessoa reclusa. Não aparece em público, dificilmente dá entrevistas e assim sua grife cresceu sob essa nuvem de discrição. Tudo o que a marca faz leva a assinatura de Maison Martin Margiela e assim ela se mantém, mesmo após a saída do estilista da direção criativa. Após mais de 20 anos desenhando suas próprias lojas e showrooms, a Maison abre uma página nova de sua história, com projetos que envolvem arquitetura e design.

O que mudou de uns tempos para cá é que agora ela está se abrindo para o universo das colaborações. Após criar uma linha em parceria com a loja Opening Ceremony, a marca foi a selecionada em uma concorrência para repensar o design de interiores do hotel La Maison Champs-Elysées, localizado em um prédio histórico bem entre a avenida Montaigne, o Grand Palais e a Place de la Concorde.

IMG_0609Corredor do hotel ©Divulgação/Maison Martin Margiela

E é justamente essa parte histórica que será redesenhada pela MMM, que vai criar suítes, um restaurante, uma área para fumantes (afinal, trata-se da França), um bar e uma recepção. “Com a ajuda da MMM, nós queremos oferecer aos nossos clientes em busca de novas experiências outros conceitos de espaço, em uma atmosfera luxuosa, porém relaxada”, diz Bernadette Chevalier, porta-voz do hotel.

IMG_2306Novo ambiente do hotel ©Divulgação/Maison Martin Margiela

Levando em conta o estilo de Margiela e as fotos que ilustram essa matéria, a decoração será bem minimalista, com toques de surrealismo. Em um comunicado enviado a imprensa, a MMM diz que é um ambiente onde realidade e fantasia misturam-se.

O hotel será reinaugurado, já com o novo design, em julho deste ano.

IMG_0749Minimalismo na veia ©Divulgação/Maison Martin Margiela

FFW Entrevista: Irmãos Campana falam sobre design, Brasil e ecologia social

17/06/2011

por | Verde

por Mônica Horta

Fernando e Humberto CampanaFernando e Humberto Campana ©Cael Horta

Os brasileiros Fernando e Humberto Campana nos enchem de orgulho. Levam a vida com a arte do conceitual simples, fazendo do artesanato funcional o ponto de partida, a razão pela qual seus trabalhos estão expostos nos principais museus pelo mundo afora.

Da primeira cadeira, “Favela” criada em 90, (que ficou mais de seis anos sem ser vendida no Brasil, e foi vendida a 500 euros, pra Itália), até a última (feita especialmente pra esse Salão Design São Paulo, com o preço de mais de cento e vinte mil reais), a concepção do trabalho deles continua a mesma. Apesar de eu viver falando/pensando em handmade e sustentabilidade, foram eles que abordaram esses temas durante toda a palestra que fizeram e também no nosso batepapo. E como os Campanas não são “só mais dois caras criativos”, mas os ícones globais do design contemporâneo, e sabem exatamente o que estão falando/fazendo, separei algumas dicas preciosas dadas por eles, pra compartilhar aqui. Olha só:

Democratização e prática ética do design

“Engraçado que a gente faz umas fruteiras de papelão que é com drogados, que dormem em papelão. E foi tão interessante que eu não fui até lá, a pessoa orientadora me falou, eles sempre dormem em papelão, usuários de crack, e eles viram como eles podem transformar isso em um produto, sabe. É uma comunidade lá na Nove de julho, no centro de São Paulo. É interessante saber como você pode mudar uma vida por nada, e o Brasil tem muito isso né, muita gente ociosa, com talento bom, só precisando de uma orientação. É que eu acho importante, sabe, contaminar outros criadores, mostrar esse exemplo pra que outros designers possam também seguir a mesma coisa e mudar, porque acho que é uma ecologia social”.

Globalização inteligente

“Olhar o Brasil com as raízes, não tentar ser colonizado, fazer design igual ao parisiense, ou alemão”.

Linguagem projectual

“No Brasil, toda escola de design é focada em design industrial. E eles esquecem que a gente tem uma grande quantidade de mão de obra, habilidade manual com artesanato, que é relegado ao segundo plano”.

Futuro do Brasil

“A grande saída pro Brasil é isso, é artesanato. Se você tem um bom orientador, alguém que ensine, que vai te mostrando o caminho… pode ser muito produtivo, ser uma economia, uma grande força pro país. Mais comunicação entre designers e essas comunidades pode ser uma solução”.

Humberto Campana ao lado da cadeira exclusiva, feita especialmente pro Salão Design São Paulo, utilizando a produção de bichos da Ong Orienta VidaHumberto Campana ao lado da cadeira exclusiva, feita especialmente pro Salão Design São Paulo, utilizando a produção de bichos da Ong Orienta Vida ©Cael Horta

Psicologia social

“Se a gente trabalha com quem está do nosso lado, com as pessoas menos favorecidas, não cria barreiras, e até cria uma produção sustentável”.

Inspiração

“No meio da nossa pesquisa de novas formas de estofar sem usar os métodos tradicionais, observando esse monte de camelôs que a gente tem nas ruas, 25 de março e tudo o mais, a gente criou essa série chamada banquete, que é como se fosse a cadeia natural, do bicho”.

Identidade

“O design tem que mostrar de onde ele vem, sabe, ele não pode ser uma cópia fiel do que já foi feito, bem feito lá fora. Então, isso pode incluir arte, artesanato, nova tecnologia em um produto só, mas tem que mostrar a raiz, senão vai ficar muito igual tudo”.

Arte/artesanato

“O artesanato cria essa diferença. Ele dá esse toque humano, que é o que hoje se fala muito no slow design, que é começar a repensar a produção industrial de uma forma mais humana, que não agrida tanto o meio ambiente e agregue pessoas, comunidades dentro desse processo. Eu acho que aí você vai estar falando do seu país perante o globo”.

Design/moda

“A gente está tendo uma feira de design em meio à semana da moda, e abraçada pela moda, então essa democracia, arte e design… hoje as fronteiras são muito mais abertas; a limitação está na cabeça das pessoas”.

O segredo

“O que é muito elaborado, muito acabado a gente não tem interesse, porque não existe tanta transformação, ou daí a se tornar feio, o que não é o caso. Mas eu acho que é estar com o olho atento. Existe uma educação pro olho, um treinamento”.

Coopa-Roca

“A gente voluntariamente escolheu pra trabalhar com a Lacoste. A Lacoste há 3 anos atrás nos chamou pra fazer uma interpretação da pólo tradicional, dentro de um projeto que eles têm, o Holiday Collection, e aí a gente fez questão de trabalhar com uma comunidade brasileira, tendo esse link com uma empresa como Lacoste, fazendo essa camisa pólo só de etiquetas de jacarés”.

Irmãos Campana e fundador do Droog Design se encontram no Design São Paulo

05/06/2011

por | Cultura Pop

Design Sao Paulo Scenography Concept paper CampanasCroqui do espaço do São Paulo Design ©Divulgação

Um grande evento reunindo grandes nomes nacionais e internacionais invade a Oca, no parque Ibirapuera, durante a SPFW. É o Design São Paulo, que vai reunir vinte galerias e lojas de design. O projeto é uma parceria dos idealizadores Waldick Jatobá, Kátia d´Avillez e Lídia Goldenstein, com a  Luminosidade e o Instituto Nacional de Moda e Design (In-Mod) e vem sendo planejado há quatro anos.

O salão contará com mobiliário, iluminação e objetos de interior em peças únicas ou edições limitadas, tudo tratado como arte. Essa edição de estreia homenageia os irmãos Fernando e Humberto Campana, que expõe alguns de seus trabalhos mais marcantes, como a cadeira café, e os protótipos em alumínio e bambu da coleção Blow up, que a dupla desenhou especialmente para a Alessi (conceituada loja italiana de design).  Além disso, Humberto e Fernando fazem uma palestra para contar suas trajetórias e processos criativos. A área de palestra e bate-papo é tão interessante quanto as obras, pois reúne artistas, arquitetos e especialistas em design debatendo assuntos como a gestão do design e sua relação com a arte. Entre os participantes, estão o artista Marcius Galan, a galerista Maria Baró, o arquiteto Marcio Kogan e o designer holandês Gijs Bakker, um dos fundadores do grupo Droog Design.

Outra mostra especial é a dos designers Maurizio Galante, da Itália, e Tal Lancman, de Israel. A dupla marca presença com a exposição “Transversal Design”, que propõe um diálogo entre o design industrial e aquele voltado para a confecção de peças únicas e exclusivas.

Confira o line-up completo das palestras e workshops do evento que é gratuito, mas sujeito a limitação de lugares:

Auditório da OCA (120 lugares/acesso por ordem de chegada)

15/06, às 15h: Palestra com Irmãos Campana

17/06, às 15h: Palestra com Gijs Bakker (ex-Droog Design)

Praça dos encontros (80 lugares)

19/06, às 15h: Palestra com Mana Bernardes

Mesas redondas:

“Design e Arte”, dia 15/6 às 18h

Participantes: Rianne Makkink, Marcius Galan , Maria Baró e Waldick Jatobá

Mediação: Taissa Buesco

“A Gestão do Design”

Participantes: Guto Indio da Costa, Ucho Carvalho e Fred Gelli

Mediação: Alexandre Lazzarotto

“As Vertentes do Design”, dia 17/6, às 18h

Participantes: Marcio Kogan, Guto Requena e Heloisa Crocco

Mediação: Maria Helena Estrada

Design São Paulo

OCA, Parque Ibirapuera
Av. Pedro Álvares Cabral s/nº – Portão 3
de 15 a 17 de junho, das 14h às 22h
18 e 19 de junho, das 12h às 20h
contato@designsaopaulo.com.br

Veja na galeria algumas peças que estarão na Oca.

Jovens designers de móveis ganham novo espaço em Nova York

05/04/2011

por | Cultura Pop

Com tantas ofertas no mercado, quem se dá melhor é quem traz um olhar diferenciado, quem sabe exatamente quem é o seu público, o que ele quer e quanto ele pode pagar.  Esse é o caso da Johnson Trading Gallery, um espaço muito bacana, em Nova York, onde o dono da galeria, Paul Johnson, seleciona as melhores peças de novos designers, de olho em colecionadores sempre atrás de novidades. Móveis e objetos de decoração de encher os olhos preenchem os mais de 2.000m² do local.

01O galerista Paul Johnson ©Reprodução

O canadense Paul Johnson trabalhou por seis anos apenas expondo obras de designers conhecidos, como Paul Evans e Phillip Powel, em sua antiga galeria, a Noho. Em 2007, Paul resolveu mudar. Sua vontade era mostrar que arte e design caminham juntos e escolheu um ponto novo em Nova York para abrigar sua nova ideia: um espaço para designers que não queriam trabalhar para grandes marcas ou com produção em massa.

copperseries30©Reprodução

A exposição que está em cartaz atualmente é assinada pelo designer coreano Kwanghoo Lee. Os móveis de Lee misturam técnicas contemporâneas com outras clássicas do artesanato coreano e o efeito das pinturas nas cadeiras, mesas e armários, remete a textura de peles de bichos.

copperseries26©Reprodução

Entre os expositores passados, está o designer Max Lamb com seus móveis esculpidos em pedras brutas.

max-lamb-cadeiras-de-pedra©Reprodução

Quem estiver de passagem por Nova York, vale a pena passar pela  Johnson Trading Gallery para conhecer um panorama sempre atualizado de novos designers.

Johnson Trading Gallery

490 Greenwich Street

Arquitetura, design, moda e inovação: tudo isso no mesmo sapato

20/03/2011

por | Moda

lojaLoja da UN em Nova York

O que pode sair do encontro de um arquiteto de vanguarda com um sapateiro tradicional? Neste caso, é a United Nude, marca de sapatos de design criada por Rem D. Koolhaas, arquiteto holandês (sobrinho do Koolhaas “de verdade”) e pelo britânico Galahad Clark, da marca de calçados Clark’s.

Apesar de existir desde 2003, foi só há pouco tempo que a United Nude tornou-se mais conhecida e ganhou lojas em Nova York, Amsterdã, Londres, Viena, Shangai e Guangzhou, na China.

A United Nude começou a partir de uma história de amor. Com o coração partido por conta do término de um namoro, Koolhaas decidiu usar sua expertise para atrair a ex-namorada de volta e resolveu projetar… sapatos femininos. O primeiro modelo que surgiu foi o Mobius.

mobius1Mobius, onde tudo começou

É aí que entra Galahad, que viu o Mobius e ofereceu uma parceria para lançarem juntos uma marca de calçados fundada em inovação e design. Tudo isso aconteceu em 2003 e, desde então, a United Nude transita entre os universos da moda e do design, com dezenas de sapatos que dividem-se entre lindos, estranhos e inovadores. De sapatilhas básicas a modelos arquitetönicos a saltos mais finos que uma agulha, há modelos e cores para todos os gostos. O trabalho com as tonalidades, por sinal, é um destaque à parte.

Os sapatos custam a partir de 150 dólares e alguns modelos, como a ankle boot feita em parceria com a estilista holandesa Iris van Herpen, 100% feita à mão, pode chegar a 1.200 dólares (abaixo).

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Bom, dá para imaginar que as lojas da marca não seriam menos do que impactantes, em especial a de Nova York, aberta no ano passado, na Bond Street. O espaço é todo escuro, menos nos lugares em que os produtos estão expostos, na frente de uma parede de luz de LED, controlada por computador.

Parada obrigatória para quem se interessa por moda, arquitetura ou design. Mesmo para quem não quiser comprar nada, fica a dica de um passeio inspiracional.

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shoes 1Fold Mid

shoeFold Lo, unissex

shoes 3Elastic Hi

Shoes unEamz + Elastic, inspirado na cadeira Charles and Ray Eames, um clássico do design

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shoes 02004000047-1Ultra Mobius

Melissa lança novo olhar sobre design em plástico com projeto Academy

11/01/2011

por | Moda

via @SergioAmaral

De volta ao Fashion Rio e cheia de novidades, a Melissa lança nesta temporada de moda o projeto Melissa Academy, que pretende incentivar a criação em plástico por meio de workshops e oficinas em parceria com universidades e estudantes de design.

loungeO espaço da Melissa, na entrada do Pier, onde acontece o Fashion Rio ©Sergio Amaral/FFW

E o start foi com o pé direito. A primeira edição do projeto que rolou na renomada Head Gèneve (Escola Superior de Arte e Design de Genebra) já rende frutos: dos 24 designers participantes, 3 estudantes foram selecionadas para ter seus modelos produzidos e comercializados pela marca.

O desafio proposto aos alunos era criar um “walking object”, um “body accessory”. Vieram 1.001 pirações e o vídeo exibido no espaço da marca, em frente à entrada principal do Fashion Rio, mostra várias delas _pés pintados, plástico queimando, gente pulando, andando descalça, muitos desenhos e estudos anatômicos.

patoA Melissa Academy Duck + Head Gèneve, criação de Julie Simon ©Sergio Amaral/FFW

Das salas de aula na universidade de Genebra para as máquinas injetoras de Melissa saíram projetos ultra originais, como os das francesas Julie Simon, 26, que colocou um patinho de borracha no salto de seu modelo, e Morgane Ribeyrolles, 24, que desenvolveu um modelo customizável, que pode ganhar volume e mudar de proporções de acordo com a vontade (e a criatividade) de quem o veste. “Tomei como ponto de partida a bandeira do Brasil e suas estrelas, transformando-as em círculos que você pode interligar, brincando com a forma do calçado”, explica Morgane.

estrelasA Melissa Academy Metamosphose + Head Gèneve, criada por Morgane Ribeyrolles ©Sergio Amaral/FFW

A suíça Marine Stampfli, 26, também foi nesse caminho mutante, criando uma espécie de quebra-cabeças com flores de plástico. “Melissa para mim é diversão, prazer. Flores e quebra-cabeças são coisas com que eu adorava brincar na infância”, comenta.

floresA Melissa Academy Eclosion + Head Gèneve, de Marine Stampfli ©Sergio Amaral/FFW

As três peças estarão à venda a partir de abril na Galeria Melissa e no site melissa.com.br, em tiragem limitada de mil pares no total. Depois da incursão pela Head Gèneve, a Melissa Academy baixa ainda este ano no Senai (RJ), na Esdi (RJ) e na Unisinos (RS).