Confira abaixo opiniões, comentários e estilos sobre alguns dos mais importantes desfiles mostrados em Nova York, que segue até 17/02. Todas as fotos das principais coleções podem ser vistas na seção Desfiles.

DIANE VON FURSTENBERG
O desfile de Diane não provocou muito entusiasmo por parte da imprensa especializada. Muito por conta do novo diretor criativo da marca, Yvan Mispelaere, ex-diretor do feminino da Gucci e da Chloé, com passagens pela Lanvin e Valentino. Segundo o style.com, nem todos os looks parecem à vontade com os códigos estabelecidos da casa. E escreveu: “Se vc é minimalista, ache um outro lugar para comprar suas roupas”
Coleção: O tema American Legends evoca o espírito do oeste americano, com muitas franjas, chapéus e botas de camurça em estilo cowboy. O poncho e o uso da pele, manias dessa estação, também aparecem. O melhor está nos looks monocromáticos (azul, verde, violeta), com paletós maxi e shapes mais amplos, muito charmosos. Claro, há muitas estampas, uma das marcas registradas de Diane, assim como os wrap dresses, que apareceram, mesmo que timidamente, em modelos longos (e brilhantes) de noite.
Opinião: É certo que suas roupas fazem grande sucesso comercial, mas os desfiles deixam um pouco a desejar em termos de criatividade e novidades. Ok, não está a cargo dela mudar os rumos da moda, Diane é uma estilista focada, com bom lugar na indústria e clientela fiel. Certamente, a vinda de Yvan para sua equipe deu uma refrescada no processo criativo sem ignorar a linguagem que Diane criou para sua grife.

DEREK LAM
Derek Lam está com tudo. As críticas de seu desfile foram praticamente unânimes: está aí um estilista talentoso com capacidade de criar roupas com personalidade e apelo comercial. A editora de moda do New York Times, Cathy Horyn, adorou o desfile, o que conta vários pontos, já que ela está entre as mais ácidas das editoras.
A proporção das roupas e o uso dos materiais foram muito elogiados. Em seu release, Lam fala sobre o aumento do preço de fábricas como cashmere, algodão, lã merino e seda e que, por conta disso, muitas tecelagens responderam a essa alta criando novas combinações com materiais menos nobres. “Mas que fique claro que essas propostas não são imitações baratas de tecidos caros”, explicou ele. “As tecelagens conseguiram criar materiais com novos toques e fluidez, únicos e modernos”.
Coleção: Lam parte do ditado de George Balanchine que diz: “There are no new steps, only new combinations”. E leva isso à risca e com maestria, especialmente no que diz respeito às novas misturas de tecidos. Ele traz elementos clássicos do sportswear renovados por formas frescas e pesquisa de materiais, como a pele encerada, que é mais resistente à água e ainda tem uma cara de úmido à peça. As proporções realmente são muito boas e o styling compos os looks de forma que faz a gente querer quase tudo AGORA. Há muitos casacos derivados do paletó e ótimas calças, que vão desde modelos amplos e confortáveis, passando pelas retas até sknnies supersexy, que pelas mãos de Derek Lam, parecem novidade.
Opinião: Um clássico é uma peça atemporal, daquelas que vale investir emu ma boa peça poise la deve durar por muitas e muitas estações e render combinações diversas. Mas com essa coleção Derek Lam derruba essa verdade e mostra onde está sua maior expertise (e inteligência): faz a gente querer comprar os clássicos todos outras vez.

ALTUZARRA
Joseph Altuzarra faz sua coleção mais comercial até então. O que poderia ser um tiro no pé no olhar de alguns editores, foi visto como uma maneira de se relacionar mais com o público e conseguir mais capital para suas próximas coleções. “Não foi a sua melhor apresentação, mas ele deve se relacionar mais facilmente com como as jovens mulheres gostam de se vestir hoje”, escreveu Horyn em sua coluna On the Runway. Entre as inspirações está o look grunge de Kate Moss na época de Johnny Depp e ainda surgiram comparações a Marc Jacobs, em sua fase grunge para a Perry Elis. “Não é nada novo, porem é mais acessível e, para Altuzarra, ver sua moda na rua é uma meta que ele deve atingir”, resumiu a editora do “NYT”. Ao “Style”, ele disse que queria fazer algo solto, feminino e sensual, mas ao mesmo tempo utilitário.
Coleção: Há muitos vestidos, sempre com comprimentos abaixo do joelho. A estampa clássica do xadrez escocês aparece em diversos tecidos, com o melhor resultado na seda, com efeito transparente. Há muitos casacos estilo parka, de nylon, mais largões, utilitários com capuz e bolsos, usados com calças, saias e vestidos.
Opinião: É uma delícia quando a gente admira uma coleção e também consegue nos imaginar usando alguma peça. É o que acontece com Altuzarra, que mostra com quantos casacos se faz um bom inverno. Se separarmos as peças, encontramos diversos ítens básicos, como calças, jaquetas e cardigans, que podem nos acompanhar por muitos invernos.

ALEXANDER WANG
Sucesso meteórico tem sempre os dois lados: o bom, da projeção grande e rápida e todos os benefícios que isso traz em termos de contatos e retorno financeiro; e o ruim, da cobrança pesada, da inveja e do compromisso em se xxx a cada temporada. Este parece ser o caso de Alexander Wang, a mais jovem estrela da moda atual, cujo crescimento foi rápido. Dessa forma, também se dividem em dois lados os editores que gostam de Wang e os que não gostam. Do lado “de lá”, está a poderosa Cathy Horyn, que representa o “New York Times”. Tudo bem, ela é quase sempre muito dura e tem em vários estilistas grandes desafetos. Pois na resenha do NYT, o jornalista Eric Wilson segue a pegada da chefe e diz que quase pegou no sono durante o desfile e ironiza o fato de Wang ter comprado um apartamento no valor de US$ 2 milhões em Tribeca. Como se dissesse algo do tipo: se os negócios estão indo tão bem, por que não notamos diferença nas roupas? Hoje, sua empresa vale cerca de US$ 25 milhões e Wang nega boatos sobre investidores e diz que sua empresa é totalmente familiar, com a mãe e os irmãos trabalhando duro e com estratégia.
Pulamos para a turma do “lado de cá”, a do Style + Vogue, que têm outra visão. Para eles, Alexander é o que há na moda hoje. Acham sua roupa sexy, forte e com atitude, para ser usada por meninas mais do que cool.
Coleção: Sua pegada urbana agora ganha pitadas de luxo e tecnologia. Ele parte do smoking para desconstruir e reconstruir em formas diferentes com bom uso de materiais. Mas o mais marcante é o uso da técnica que emenda dois tecidos em uma mesma peça, em um efeito parecido com um dégradé no caso das cores. Há muitas variações de paletós, como os que viram casacos de pele e há a jaqueta bomber que vira poncho (alias, um statement neste desfile). E mesmo no vestido-poncho, Wang não perde seu gosto pelo utilitário e coloca bolsos e cordões.
Opinião: A moda precisa ser alimentada por “novas estrelas”, por isso não é difícil um auê acontecer quando aparece alguém que entrega um produto que mistura inovação, design e usabilidade. No caso de Wang ele também tem ótimas estratégias de marketing e cultiva um bom relacionamento com a imprensa. E quando sua marca é vestida por modelos hypes e celebridades internacionais então… Aí o negócio fica sério. Mas de fato ele é sim uma pessoa para ficar de olho. É talentoso e tem faro para entender o que querem suas clientes cosmopolitas e loucas por moda.

JASON WU
Desde que Michelle Obama escolheu um vestido de Jason Wu para o baile de posse em janeiro de 2009, o estilista deu um pulo enorme e, imediatamente, todos queriam saber quem era o jovem de 26 anos. Pois nessa estação, o desfile de Wu era o que tinha o pit de fotógrafos mais lotado em Nova York. E, Segundo os principais veículos de moda internacionais, ele entregou à altura da expectativa.
Coleção: Focada no trabalho de alfaiataria, brincou com uma imagem masculina na hora de compor looks com paletós, camisas e calças hiperbem cortadas e próximas do corpo. O lado feminino aparece nos lindos bordados de renda que pontuam a coleção até explodir nos vestidos de festa ao final da apresentação. Se por um lado é andrógino, por outro traz uma influência do barroco pelo uso da renda e dos laçarotes no pescoço.
Opinião: Um trabalho muito consistente e executado com perfeição para um estilista tão jovem. Wu merece a atenção que está recebendo, especialmente porque está conseguindo entregar sem se deixar levar pela pressão e expectativa. Ele não se perde e isso está visível nessa apresentação que vai atiçar os desejos de consumo de mulheres mais maduras, e, quem sabe ainda, de Michelle Obama…

PETER SOM
Peter Som fez um desfile morno, com bons momentos que se sobressaíram. Ele afirmou que queria fazer roupas para mulheres normais e que se inspirou no trabalho Untitled Film Stills, de Cindy Sherman. A mistura dos dois causou um certo estranhamento.
Coleção: Tem um clima retrô, com todas as peças com cintura marcada. Os comprimentos são no joelho e há boas calças cigarettes e uma série de paletós e casacos, alguns com pele nas mangas, o que parece ser um hit deste inverno. Os sapatos criados por Charlotte Dellal são bem graciosos, objeto de desejo da coleção, que termina com um belo vestido de festa, azul metálico, que resume a parte sexy da apresentação.
Opinião: Em Nova York, onde a moda é mais comercial, mesmo os estilistas mais jovens, nesta estação, parecem querer mostrar uma roupa usável e fácil de vender. Peter Som disse que queria fazer uma roupa que suas amigas tivessem vontade de usar: “roupas reais para mulheres reais”. Por conta disso, pediu para Charlotte Dellal, que faz seus sapatos, que trocasse os saltos altíssimos por modelos baixos, estilo kitten heels. Muito bom um designer mirar suas amigas como inspiração, mas mesmo assim Som ainda ficou muito preso em uma modelagem específica.