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    Corinne Day, criadora do ícone Kate Moss, tem retrospectiva em Londres
    Corinne Day, criadora do ícone Kate Moss, tem retrospectiva em Londres
    POR Redação

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    Kate Moss para a “The Face” Nº 22, Julho de 1990 ©Corinne Day

    Se Kate Moss deve seu sucesso a alguém, esse alguém é Corinne Day. A fotógrafa inglesa, que morreu em agosto de 2010 em consequência de um tumor no cérebro, foi responsável por uma revolução no mundo da fotografia nos anos 90, influenciando toda uma geração a provocar cada vez mais com suas lentes. A galeria Gimpel Fils faz uma retrospectiva de seu trabalho em setembro, pouco mais de um ano depois de sua morte, que contará também com fotos não publicadas do começo da carreira de Day e um livro, feito pela Morel Books, com tiragem limitada, chamado “Heaven is Real”.

    Corinne trabalhava como modelo – e tinha uma boa carreira – quando, numa viagem do Japão para Los Angeles, pegou uma câmera e começou a registrar o estilo de vida de seus colegas de trabalho. Quando retornou à Inglaterra, estava com portfólio em mãos, que acabou a levando para a icônica revista “The Face”. Foi quando o editor pediu a Day que tirasse algumas fotos que ela foi em busca de sua musa. Rodando pelas agências de modelos de Londres, deparou-se com uma garotinha de 14 anos, magricela, que chamou a atenção por sua beleza crua. Era Kate Moss, e naquele momento Day acabava de encontrar a pessoa que definiria o espírito da moda nos anos 90.

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    Kate na “The Face”, em 1990, e na “Vogue” UK, em 1993 ©Corinne Day

    Em julho de 1990 Corinne fotografou um editorial de oito páginas para a “The Face”, com Kate Moss, com 16 anos à época, posando para algumas de suas mais icônicas fotos, como a de topless. Foi Day também que fotografou a primeira capa da revista “Vogue” de Kate, em 1993.

    Apesar de toda a ligação com a moda, ela virou as costas para esse mundo, dizendo que ele era “obsoleto, tudo é sobre sexo e glamour, quando existem outros elementos de beleza”. A fotógrafa aspirava à fotografia de reportagem, e passou, com o tempo, a produzir imagens mais íntimas, às vezes até brutais, capturando cada minuto das vidas das pessoas próximas a ela: “Fotografia está ficando tão perto quanto possível da vida real, mostrando-nos coisas que normalmente não vemos. Estes são os momentos mais íntimos das pessoas, e às vezes, a intimidade é triste”.

    O site “Nowness”, em razão da retrospectiva do trabalho de Day, convidou a curadora da mostra, Charlotte Cotton, e o diretor de arte Phil Bicker, o primeiro a convidar a fotógrafa para trabalhar com a “The Face”, para discutir seu legado. Confira o que eles falaram sobre ela abaixo:

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    Corinne Day ©Mark Szaszy

    Phil Bicker: Todo mundo acha que o trabalho de Corinne era muito simplista – que só documentava coisas que aconteciam, e que ela era ótima em capturar o momento, mas a realidade é que tudo era orquestrado, repetido, construído. Existe muita contradição a respeito de Corinne e seu trabalho, e um dos maiores desserviços foi que ela tentou chamá-los de momentos. Ela poderia ter sido vista como artista, em vez de uma fotógrafa de moda.

    Charlotte Cotton: Eu gosto do fato de que ela nunca produziu uma versão cliché feminina na fotografia. Seu trabalho tem inteligência emocional profunda e sofisticação, mas não é uma câmera particularmente responsável ou materna.

    PB: Era sobre ser “real” e não ter que promover marcas para anunciantes – sendo capaz de tirar fotos que eram principalmente sobre as pessoas. Ela se tornou associada ao termo “heroin chic”, mas isso foi algo construído pelos tabloides. Todo mundo acha que Corinne era uma fotógrafa urbana, mas ela era uma fotógrafa suburbana. Era muito mais sobre inocência do que drogas. Quando você olha as fotos dela de Kate, há um senso de ingenuidade.

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    Flea, do Red Hot Chili Peppers, com bebê (1992); Rockers [The 59 Motorcycle Club], publicada na “The Face”, outubro de 1990 ©Corinne Day

    CC: Corinne encontrou seu alter ego em Kate, não é mesmo?

    PB: Basicamente, Kate era Corinne – ela era a musa perfeita. Corinne foi uma modelo e ela se via em Kate. Ela trabalhou com Kate para realizar coisas que ela mesma não realizou e moldou Kate em algo que na verdade era um reflexo dela própria. Naqueles primeiros dias com Kate, as fotos eram praticamente como dias de inocência – de um jeito que se tornou muito mais artificial depois. As primeiras imagens são as melhores.

    CC: Uma das coisas que fica do livro e da exposição no mês que vem é a ideia de que sua assinatura, de uma maneira abstrata, estava lá desde o começo. Mesmo que ela estivesse pedindo à modelo que simulasse algo, era sobre simular algo real.

    Corinne Day – Heaven is Real

    ONDE Gimpel Fils Gallery – Londres

    QUANDO De 1° de setembro a 1° de outubro

    + gimpelfils.com

    Veja na galeria mais do trabalho de Corinne:

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