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Grandes nomes da moda fecham parceria com rede de fast-fashion

abre-fashion-five-riachueloLooks de André Lima, Maria Garcia, Huis Clos, Juliana Jabour e Martha Medeiros ©Reprodução/FFW

Acontece nesta quarta (16.11) o desfile que apresenta as coleções de cinco marcas para a Riachuelo. O evento acontece na Casa Fasano. Conheça abaixo o que cada estilista vai trazer para a empresa de fast fashion.

Opção é o que não falta quando o assunto é colaborações entre grandes redes varejistas e grifes high-fashion. Que o diga a Riachuelo, que anunciou não uma, mas cinco parcerias para o fim do ano: trata-se da coleção Fashion Five, com peças criadas pelos estilistas André Lima, Juliana Jabour e Martha Medeiros, com suas grifes homônimas, e Clô Orozco, com suas marcas Huis Clos e Maria Garcia.

Em entrevista ao FFW, Marcella Martins de Carvalho, gerente de marketing da Riachuelo, explicou a escolha das grifes para essa colaboração múltipla: “A gente sempre trabalha com nomes bacanas, incríveis, de muita visibilidade, e para esse projeto, com a proposta de ser uma coleção de festa, queríamos atender todos os gostos possíveis, por isso escolhemos essas grifes super diferentes e respeitamos o DNA de cada uma delas, para garantir que a cliente vá à Riachuelo e encontre o que ela quer”.

A Riachuelo entrou na onda das colaborações em outubro de 2010, com Oskar Metsavaht, e desde então lançou coleções também com Cris Barros e Pedro Lourenço. “A primeira parceria, com o Oskar, foi pioneira, foi tudo muito novo e muita gente achou uma loucura; por ser uma parceria com o Oskar Metsavaht, e não com a Osklen, havia dúvidas se ela seria bem-sucedida, se as pessoas reconheceriam o nome por trás da marca. Mas foi tudo bem feito, tratamos a parceria com seriedade, e o resultado foi tão bom que hoje em dia a gente tem mais facilidade e começamos até a ser procurados pelas grifes”, afirmou Marcella.

Ela contou também que a rede já está iniciando negociações com outros grandes nomes da moda – que ainda não podem ser divulgados –, e falou sobre quem seria o consumidor desse tipo de produto: as pessoas que já conhecem as grifes e vão à Riachuelo especialmente para comprá-las, ou os clientes Riachuelo que passam a conhecer as grifes a partir dessas colaborações. “Acho que acontece os dois. No passado, havia dois grupos consumidores: o de alto poder aquisitivo, que queria consumir moda, e o de baixo poder aquisitivo, que só consumia roupa. Hoje em dia há um terceiro grupo, de pouco poder aquisitivo, mas que quer consumir moda. Esse é o nosso público, que entendemos que é um mercado muito bem informado; mas acredito que atingidos também os outros mercados”, afirmou a gerente de marketing.

A linha completa Fashion Five, com roupas, sapatos e acessórios, só chega às lojas da Riachuelo no dia 4 de dezembro, e ainda não tem imagens de divulgação. Enquanto aguardamos, fique com os depoimentos dos próprios estilistas envolvidos, relembre seus desfiles mais recentes e saiba mais sobre o estilo de cada um:

André Lima

andre-lima-sao-paulo-fashion-weekLooks das quatro últimas coleções de André Lima desfiladas na SPFW

O estilista afirmou em entrevista para o FFW que a abordagem da Riachuelo “foi simples e direta. Depois de uma primeira reunião para apresentação do projeto, nos reencontramos para conversar sobre minhas ideias, e o trabalho começou”. Sobre a produção em larga escala de suas peças, sempre muito autorais, ele disse: “Uma grande rede de varejo é quem pode dizer se está na hora do produto ser consumido em larga escala. Esse é um momento na carreira do estilista em que seu nome e suas criações podem chegar a lugares aonde antes ele não imaginava. Levar o produto a estes lugares é a tarefa de uma empresa madura como a Riachuelo”, completando que a rede foi “magistral na engenharia do produto. Eu consegui fazer com que meu desenho se tornasse possível em larga escala através do trabalho deles. O mercado de festa é um mercado muito atual. Nunca o mundo foi tão red carpet quanto hoje e todos podem viver seu momento de glamour agora”.

A respeito das peças criadas para o Fashion Five, André Lima adiantou: “Criamos um mix de produtos em conjunto com o marketing e o estilo da Riachuelo trabalhando em cima de peças para um momento especial, um momento de festa. Começamos selecionando as silhuetas dos vestidos e imaginando biótipos e situações, daí veio uma calça e o resto da coleção. O último passo foi definir que modelo iria para qual tecido”. Sobre qual seria a sua expetativa em relação a essa parceria, o estilista define: “Que a identidade que eu tanto busquei, busco e defendo no meu país retorne a ele através do meu trabalho”.

+ Site oficial André Lima / Desfiles na SPFW

Clô Orozco

huis-clos-sao-paulo-fashion-weekLooks das quatro últimas coleções da Huis Clos desfiladas na SPFW

Apesar do duplo desafio de criar peças tanto para a Huis Clos quanto para a Maria Garcia, a estilista Clô Orozco afirmou ao FFW que “foi tudo muito fácil e rápido. Nossos modelos foram desenvolvidos internamente, as peças-piloto entregues prontas e tudo foi aprovado sem alteração. Já observava as parcerias passadas que eles realizaram e sempre achei que existia um comprometimento real em manter fiel o universo das marcas convidadas. Comprovei que estava certa com a conclusão deste trabalho. Sempre tive vontade de fazer uma história que levasse a Huis Clos e a Maria Garcia para mais pessoas. Meu departamento de marketing ligou para Riachuelo para oferecer a história de fazermos uma linha de festa com nossas marcas. Eles não só gostaram, como cresceram a ideia convidando outros estilistas e trazendo mais força para o projeto”.

+ Site oficial Huis Clos / Desfiles na SPFW

maria-garciaLooks da coleção Verão 2012 da Maria Garcia

A respeito das coleções em si, ela disse que “não trabalhamos em cima de temas em nossas criações. Fazemos um estudo do que ficaria bonito para cada mulher idealizada nas respectivas marcas”, e esclareceu que “apesar de pertencerem ao mesmo grupo e de ambas serem sofisticadas, estamos falando de duas marcas distintas. Na Huis Clos temos uma mulher que procura ganhar atenção com uma peça não tão óbvia aos olhos de todos, então desenvolvemos um modelo de macacão de festa, por exemplo. A mulher Maria Garcia é mais jovem e, consequentemente, se aventura mais por vestidos minis e paetês”.

Sobre sua expectativa para a parceria com a Riachuelo, Clô Orozco explicou: “Que mais pessoas tenham contato com nossas marcas. Teremos a Huis Clos e Maria Garcia em território nacional, seja para pessoas que não conhecem a marca e passarão a ter contato, como para admiradores que não conseguem comprar em nossas lojas por pertencermos a um segmento de luxo. A ideia de democratização da nossa história é o que mais gostamos nessa parceria”.

+ Site oficial Maria Garcia / Desfiles na SPFW

Martha Medeiros

martha-medeirosLooks de coleções Martha Medeiros

A estilista Martha Medeiros tem ateliê fixo em São Paulo, mas é em Alagoas, seu estado natal, que ela busca a matéria-prima que caracteriza o seu trabalho: a renda artesanal confeccionada por cooperativas de rendeiras localizadas às margens do rio São Francisco. Sobre a tradução de seu estilo para a colaboração com a Riachuelo, ela afirmou ao FFW: “Foi um grande desafio e, ao mesmo tempo, uma enorme realização ver meu estilo em um grande número de pessoas. A Riachuelo me deu muita liberdade para criar, consegui estampar o DNA da marca nas roupas. Desenvolvemos 12 looks para as festas de final de ano, desde minivestidos, t-shirts com maxi laços de paetês, saias, até acessórios, tudo com muita renda e com ar romântico, exatamente como são as peças das clientes que usam Martha Medeiros”.

+ Site oficial Martha Medeiros

Juliana Jabour

juliana-jabourLooks das quatro últimas coleções de Juliana Jabour desfiladas na SPFW e Fashion Rio

Em entrevista ao FFW, Juliana Jabour afirmou que “a experiência está sendo super produtiva e satisfatória, em termos de resultado final, tanto de produto, quanto de imagem. Como está tudo sendo feito a quatro mãos, e inclusive o processo de pilotagem é interno aqui na marca, está tudo saindo exatamente do jeito que eu gostaria e planejei”. Sobre a coleção em si, ela disse que, dentro da temática de moda festa, ponto central do projeto para todas as cinco marcas envolvidas, ela adaptou “essa festa com peças mais casuais, que são a cara da marca, e pensando em fim de ano, deixei com um ar de cruise collection”. E ela ainda revelou seus itens preferidos da parceria com a Riachuelo: “Gosto muito das peças de georgette estampado com a maxi estampa de girafa e também das peças de linho, são a cara deste verão!”.

Esta não é a primeira vez que Juliana Jabour firma colaboração com uma grande rede de varejo; quem acompanha o FFW deve lembrar que em setembro ela lançou uma coleção de sapatos com a Shoestock. Sobre o retorno que ela tem recebido com essas parcerias, a estilista afirmou: “O retorno é enorme, em termos de consumo de produto e imagem também. O mais gratificante é saber que passo a comunicar meu produto e imagem com uma nova fatia do mercado. Gosto muito da democratização que essas parcerias viabilizam!”.

+ Site oficial Juliana Jabour / Desfiles na SPFW e Fashion Rio

Grandes nomes da moda fecham parceria com rede de fast-fashion

Clô Orozco retoma Maria Garcia e conta um segredo sobre a marca

looks-maria-garciaLooks da coleção Verão 2012 da Maria Garcia ©Divulgação

A segunda grife de Clô Orozco, Maria Garcia, traz uma novidade (na verdade, um retorno) neste Verão 2012. A coleção tem, novamente, Clô na direção de estilo da marca. Em breve papo com o FFW, Clô explica a retomada: “Já tinha muita vontade de ficar na direção e quando a Camila [Cutolo] saiu, vi que minha hora havia chegado! Tem uma coisa que quase ninguém sabe, mas meu nome é Clotilde Maria Orozco de Garcia”, revela. “A Clô Orozco é a mulher empresária responsável, a Maria Garcia é mais irreverente. É esse “alter-ego” que a marca reflete desde sempre”, conta.

O clássico da literatura infantil “Masquerade”, do escritor e ilustrador britânico Kit Williams, foi o ponto de partida de Clô para a coleção. “O conto caiu como uma luva para dar um start. A obra é leve, jovem, de viés romântico sem ser careta. Sua atmosfera abstrata e misteriosa faz com que não tenhamos uma inspiração caricata, o que sempre evitamos em nossas coleções. Sendo assim, as combinações de cores das ilustrações impõem uma influência sutil às estampas, nuances e construções dos looks”, diz Clô.

clo-escolhaA saia de patchwork é a peça favorita de Clô na coleção ©Juliana Knobel e ©Divulgação

A coleção traz silhuetas que dão leveza e jovialidade aos looks, com proporções harmoniosas. Algodão, seda, malha e paetê são alguns dos materiais que se destacam. O mix de estampas também está presente, incluindo florais, padronagens de renda e geométricos.

E a aposta de Clô para a coleção é uma saia patchwork e os vestidos que também brincam com essa mistura de tecidos. “Essa mistura aliada ao mix de estampas é justamente um dos pontos que aposto para este verão”, afirma. As novas peças chegam HOJE (18.08) às lojas da Maria Garcia. Veja antes o look book da marca em nossa galeria:

Clô Orozco retoma Maria Garcia e conta um segredo sobre a marca

Testamos toda a coleção da Huis Clos para Shoestock; confira o resultado!

Lembra que falamos sobre a coleção da Shoestock feita em parceria  com a marca Huis Clos? Na quinta-feira (07.04) as bolsas e sapatos assinados por Clô Orozco chegaram à loja física da Shoestock, na Vila Olímpia, em São Paulo. Foram 20 modelos de sapatos _entre oxfords, sapatilha, botas e scarpins_ e três de bolsas.

O espaço estava bem cheio, mas nada de confusão. As outras duas lojas físicas da Shoestock _todas em São Paulo, na Zona Norte e em Moema_ receberam a coleção hoje. Quem gostou dos modelos deve correr, não vai haver reposição do estoque!

shoestock-huis-clos-lancmento-1©Cacau Araújo

O evento fechado para convidados aconteceu no próprio espaço da Vila Olímpia, em uma área separada, onde todos os modelos da coleção estavam expostos, em três blocos: o primeiro com cores escuras, com paleta de cores de preto e cinza; o segundo, com tons neutros, como beges e marrons (onde estavam as peças favoritas da estilista Clô Orozco: o oxford que mistura cores e texturas e a bota de couro bege com salto e bico pretos, em nobuck); o terceiro bloco trazia sapatos com estampas de bicho.

Clô Orozco estava animada com o lançamento. “Fiquei muito feliz com o resultado. Fiquei impressionada desde o primeiro momento, quando vi o que eles [a Shoestock] disponibilizavam para fazer as peças, as formas, os materiais”, contou animada ao FFW. De fato, os modelos trazem certas características que são a cara da Huis Clos, como as estampas de bicho, que já apareceram em sapatos de coleção própria da grife; a mistura de materiais e cores; e os sapatos tipo masculino, mas que não perdem a elegância e feminilidade. Destaque também para os saltos do tipo Anabela “eles são arredondados atrás, o que deixa o salto mais leve”, apontou Clô.

clo-orosco-favoritosClô mostra seu favorito da coleção ©Cacau Araújo

Os materiais são bacanas, o mix de couro com nobuck e pelo, além dos efeitos de estampa de bicho e couro de crocodilo fazem as peças parecerem bem sofisticadas. As três bolsas _uma em modelo pasta, outra em versão menor que mistura pasta com box (e detalhes em estampa de bicho) e uma terceira de pelos com couro_ também ficaram bem acabadas, mas, talvez pela maior variedade, os sapatos impressionam mais.

FFW testou

Os sapatos eram bonitos, pareciam bem acabados e mostravam a presença da Huis Clos, mas é preciso provar. Já ouvi dizer por aí que o melhor momento para provar, escolher e comprar sapatos novos é quando chega o fim do dia, quando os pés já estão cansados _e talvez mais inchados_ e você realmente consegue saber se eles são confortáveis ou se parecem bons na loja e vão te matar ao longo do dia. Talvez seja conto da carochinha, mas, se essa ciência popular conta, a hora certa de provar era aquela, no fim do dia.

Não havia confusão _e olha que calço 37, número bem “popular”_ foi tranquilo provar algumas peças. Comparando o que havia no catálogo e o que havia nas prateleiras em exposição, dava pra perceber que algumas coisas já tinham voado dali, pelo menos na versão 37. Provei duas sapatilhas, um oxford sem cadarço e de efeito envernizado e a bota favorita de Clô, entre outros.

De forma geral, nada me pareceu desconfortável, nem mesmo os scarpins _com bicos bem finos_ que geralmente sofro ao por no pé, e sinto os dedos ficarem espremidos. Na breve caminhada pela loja, nenhum foi digno de reclamação, mas a sapatilha de estampa de cobra com bico arredondado de verniz foi, disparado, a mais confortável.

O oxford de verniz e sem cadarço eu tive oportunidade de usar por mais tempo e consegui constatar detalhes. O sapato é confortável, como achei que fosse na primeira prova. Caminhei pelas calçadas irregulares das ruas de São Paulo, com direito a tropeço, mas não por conta do sapato, mas de um buraco no caminho. Ao longo do dia, nenhuma decepção com os pisantes.

oxford-rosa-huis-clos-shoestock©Cacau Araújo

Dica: se você, como eu “calça 37, mas às vezes o 36 fica melhor encaixado”, vale provar os tamanhos para ter mais segurança; senti que, ao longo do caminho, o sapato ficou um pouco folgado. A fôrma é um pouco mais larga que outros sapatos que costumo usar. A única coisa que de fato incomodou foi algo que sempre acontece comigo, quando uso sapatos de materiais mais ‘duros’, como é o caso do testado, pega no calcanhar, mas não chega a machucar.

O saldo no fim foi positivo, é sim um jeito legal de ter uma peça assinada por Clô Orozco por um preço mais amigo. E, como ela mesma disse, “ajuda a democratizar a marca e apresenta o nome Huis Clos pra gente que talvez não conheça, ou não presta atenção por achar que é muito conceitual”.

Gostou de algum modelo? Corre na Shoestock mais próxima (pode ser pela internet) e garanta o seu (não será feita reposição do estoque, lembra?). Veja na galeria alguns modelos da parceria. E em breve _ainda sem data confirmada_ deve chegar novidade na loja de departamento: uma coleção de sapatos e bolsas assinada por Gloria Coelho. Vamos aguardar!

Testamos toda a coleção da Huis Clos para Shoestock; confira o resultado!

Pense Moda 2010: Susanne Tide-Frater fala sobre a anatomia das marcas

Colaborou Stephanie Noelle

Susanne Tide Frater (4)Susanne Tide-Frater © Divulgação

A segunda palestra do 2º dia do Pense Moda foi com a consultora Susanne Tide-Frater. É ela a responsável por toda apresentação e branding da marca da Victora Beckham e da reformulação que fez da loja de departamentos Selfridges um verdadeiro case de sucesso no Reino Unido. Isso e mais um monte de coisa, na verdade. “Me considero uma médica de marcas”, conta ela sobre seu trabalho que consiste numa verdadeira imersão no universo e trabalho de marcas que desejam qualquer tipo de reformulação, sempre tendo a criatividade como fio condutor. “Só a verdadeira criatividade pode ser comercial”, afirmou ela.

Tide-Frater, num vestido creme-dourado de Victoria Beckham, com ankle-boots Alexander McQueen, falou sobre a “anatomia das marcas”, quase como pilares essenciais para que se atinja o sucesso: produto, história, apresentação, modos de vendas e on-line.

Produto porque não há como ter sucesso sem que este seja realmente bom em termos de qualidade e inovação. História não no sentido de tradição, mas de uma história para contar, uma narrativa ou uma mensagem consistente que seja de algum modo cativante e que valha a pena ser notada. Apresentação porque como ela mesmo disse, não há como se promover sem “se mostrar _de um jeito bom, é claro”. Como exemplo, citou Hussein Chalayan e suas apresentações que beiram performances de arte. O que as torna moda? “Um produto impecável”. Modos de venda porque o consumidor hoje não quer simplesmente ter um produto empurrado para si. E on-line, bem, por razões óbvias.

>> O que o FFW pensa:

O FFW concorda plenamente com a posição de Susanne de que sem um produto de qualidade nada é possível. Para ela o consumidor é sempre a maior e principal preocupação: “sem eles não há moda, é arte.” Retomando o exemplo de Hussein Chalayan, amigo e cliente de Tide-Frater, suas apresentações ultra-tecnológicas só podem ser entendidas sobre a ótica de moda graças ao produto de extrema qualidade e a consistência de sua narrativa/história, sempre em torno de uma mesma identidade.

Concordamos mais ainda sobre sua posição sobre criatividade a qualquer custo, independente dos recursos disponíveis. “Sem desafios não existe criatividade”, explicou quando Jussara Romão perguntou sobre ser possível fazer seu trabalho no Brasil, onde condições das mais adversas acabam formando barreiras assustadoras.

O foco no consumidor é outro ponto que merece atenção. Muitas marcas nacionais parecem não se preocupar com a experiência que este recebe, seja no atendimento de suas lojas, seja numa simples visita a seu site _quando esse existe. São poucas aquelas cujos profissionais estão realmente engajados em proporcionar uma experiência de consumo realmente única e cativante.

>> O que os convidados pensam:

Clo Orosco (3)Clô Orozco © Divulgação

Sobre o método de trabalho que Susanne apresentou, ele é viável no Brasil?

Clô Orozco: Deveria ser, seria genial e de grande valor para o desenvolvimento de moda. O que foi falado deveria ser ouvido pelas compradoras das multimarcas, seria maravilhoso, pois elas são as pessoas que realmente precisam ouvir esse tipo de coisa.

Como a Huis Clos e a Maria Garcia se encaixam no que foi falado por Susanne?

Clô Orozco: Nas marcas você identifica o DNA muito forte. Essa discussão (relacionada aos temas tratados pela palestrante) existe, e somos muito cerebrais, não fazemos nada gratuitamente. Não é porque algo é tendência, ou coisa parecida, que nós vamos incorporá-la. No entanto a parte de comunicação das marcas ainda não está à altura do trabalho criativo, mas está mudando. Exatamente por isso é que estive presente nessa palestra.

Além disso, pretendemos fazer um trabalho relacionado com internet, inclusive e-commerce, mas só têm nos procurado lojas virtuais interessadas em vender coleções passadas à preços mais baixos, e nós não queremos isso. Queremos vender coleções atuais, pois temos clientes no Brasil inteiro, e o e-commerce facilitaria muito.

Como você enxerga o consumidor “do futuro”?

Clô Orozco: Tenho uma visão pessimista, e acho que existirão dois extremos: O cliente bem informado, que possui autoconhecimento, formação de estilo, sabe o que quer e busca design e criatividade; e o cliente que é um simples consumista de moda, que gosta de marca, de ostentação, e procura uma marca de roupa baseado em seu posicionamento social. E é esse tipo de consumidor que mais vai crescer.

+ Veja a cobertura completa das palestras no blog do evento

+ Veja a transmissão ao vivo das palestras pelo site da Renner

Pense Moda 2010: Susanne Tide-Frater fala sobre a anatomia das marcas

Mostra leva ao universo particular (e finérrimo!) de Clô Orozco

Em se tratando de exposições de grandes criadores brasileiros de moda, São Paulo está fervilhante. Conrado Segreto, estilista falecido em 1992, tem exposição em sua homenagem na Galeria Mezanino, obras do modernista Flávio de Carvalho fazem retrospectiva da moda brasileira no MuBE e até pouco tempo atrás era possível conferir desenhos do gênio Dener no Museu de Belas Artes de São Paulo.

A homenageada da vez é a Huis Clos, marca de Clô Orozco, que pretende mostrar na exposição “Entre Quatro Paredes” (curiosamente, o significado da expressão ‘huis clos’) tudo aquilo que é essencial para a grife que existe desde 1979.

Inaugurada na noite da última quarta-feira (17/11) para imprensa e convidados, a mostra “pop up” vai somente até o dia 01 de dezembro, no terraço do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, e pretende ser mais do que uma retrospectiva dos 31 anos da marca. O objetivo principal é envolver os visitantes em tudo o que a rodeia, explorando muito mais os ícones e as referências da Huis Clos do que as roupas propriamente ditas. Materiais gráficos, fotos, publicações na mídia, vídeos de desfiles, resíduos de processos de criação, roupas de diferentes coleções e uma seleção musical farão o público penetrar nas quatro paredes que cercam Clotilde Maria Orozco de Garcia.

O espaço, um cubo branco, leva assinatura de Beto Guimarães, e terá um editorial com peças de diversas coleções, fotografado por Daniel Malva, aposta do FFW que já teve esse ensaio e esse outro publicados em nossa seção Shooting. O texto de apresentação é de autoria de Ignácio de Loyola Brandão.

Clô Orozco foi estudante de sociologia, na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, aluna de teatro (ela chegou a contracenar com Sônia Braga) e fazia parte da turma dos politizados-engajados da faculdade, fato que dificultou sua transição para o efêmero mundo da moda.

Sorte da moda brasileira que ela tenha vencido os próprios preconceitos, já que hoje não seria totalmente equivocado afirmar que Clô (e sua Huis Clos) ajudaram a delinear a elegância da mulher brasileira.

huis-clos-entre-quatro-paredes-daniel-malvaFoto de retratos de Daniel Malva na exposição “Entre Quatro Paredes”, promovida pela Huis Clos ©Juliana Knobel/FFW

“Huis Clos | Entre Quatro Paredes”
De 18 de novembro a 01 de dezembro
Terraço Shopping Cidade Jardim @ Avenida Magalhães de Castro, 12.000, Morumbi – SP

Confira fotos da exposição na galeria:

Mostra leva ao universo particular (e finérrimo!) de Clô Orozco

Camila Cutolo deixa direção criativa da Maria Garcia

O FFW acaba de receber um comunicado oficial, sobre a saída de Camila Cutolo da grife Maria Garcia. Confira na íntegra:

“Informamos que a estilista Camila Cutolo se desliga da direção criativa da marca Maria Garcia, a partir de dezembro, após uma parceria de sucesso de 10 anos. A estilista, que pretende tirar longas férias, não será substituída, e a marca permanece sob comando de Clô Orozco, fundadora das marcas Huis Clos e Maria Garcia, com a mesma equipe de estilo atual.

Vale reiterar que a Maria Garcia não participará da temporada outono/inverno 2011 da São Paulo Fashion Week, afastada das passarelas desde a última estação. Nesta fase, o foco da marca é não somente no varejo, com a reinauguração de sua loja no Shopping Iguatemi, como também no atacado, participando pela primeira vez de eventos como o Minas Trend Preview, em Belo Horizonte e o showroom Casamoda, em São Paulo.”

Camila Cutolo deixa direção criativa da Maria Garcia

Exclusivo FFW: 10 mulheres que movimentam a indústria da moda

Muita gente acha que moda é coisa de mulher. Aproveitando essa opinião, o FFW escolheu algumas das mulheres mais poderosas da moda atual, no Brasil e no mundo.

Elas são capazes de lançar tendências, ajudam a definir gerações, transformam a moda em exercício intelectual e, no geral, fazem do ramo algo muito mais interessante do que apenas tecidos costurados.

ANGELA AHRENDTS

angela-ahrendts

Não reconhece o nome? Tudo bem, a posição dela não é proeminente em sites de moda. Mas a de seu melhor funcionário, Christopher Bailey, sim. Ahrendts é a CEO da Burberry, a empresa familiar criada no século 19 que tornou-se uma das marcas mais famosas do planeta (tanto que as palavras trenchcoat e estampa xadrez são imediatamente associadas à grife).

Quando Angela assumiu em 2005 – com a benção de Bailey, que já havia trabalhado com ela na Donna Karan –, os números estavam bem, mas a grife estava superexposta, o que estava fazendo a Burberry perder seu lugar entre as gigantes do luxo.

A empresária começou eliminando 35 linhas de produtos (a maioria utilizava a então desgastada estampa) e logo expandiu para mercados emergentes asiáticos e também para os EUA. Desde que ela assumiu, os lucros da empresa subiram 30%.

Outras escolhas certeiras que a norteamericana fez foram criar novas linhas (esportivas, de sapatos, de jeans), contratar a atriz Emma Watson para as campanhas e investir em tecnologia (até agora, a Burberry é quem melhor utiliza o espaço online através de streamings, vendas relâmpago e sites interativos) – tudo para atrair os jovens consumidores. Mulher esperta…

ANNA WINTOUR

A editora-chefe da "Vogue US", Anna Wintour ©Reprodução

Editora-chefe da “Vogue” norteamericana desde 1988, Anna Wintour comanda cada aspecto da revista, incluindo o econômico, como escancarou o documentário “The September Issue”, de 2009, e a iniciativa Fashion’s Night Out.

A “Vogue” de Wintour tem um lugar especial no meio: é, ao mesmo tempo, uma das revistas mais criticadas (há quem a julgue entediante e comercial demais) e uma das mais importantes.

Ainda considerada uma bíblia digna de referências, a “Vogue” tem uma circulação de 1,2 milhões de exemplares, o que a transforma em uma das revistas de moda mais influentes do mundo. Além disso, Anna é peça-chave das campanhas do CFDA (Council of Fashion Designers of America) e não tem medo de tocar, pelo menos, em assuntos polêmicos, como fez recentemente com a questão do peso das modelos.

A persona que Anna construiu, mesmo antes de dominar o título, também faz parte do seu sucesso. Sua fama faz muita gente experiente tremer e, se depender dela, ainda vai fazer por um bom tempo.

CATHY HORYN

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Conhecida por sua língua ferina, Cathy Horyn já trabalhou nas melhores publicações de moda do mercado, e é crítica de moda do norteamericano “The New York Times” desde 1998 (ela é a segunda mulher com esse cargo no periódico).

Sua opinião é respeitada pela grande maioria, mas há quem a considere ácida demais e aqueles que simplesmente não conseguem aceitar uma opinião tão divergente – é famosa a vez em que Giorgio Armani deixou-a fora de seu desfile por causa de uma crítica.

O fato é que as resenhas de Horyn, assim como suas outras matérias, são leitura obrigatória para quem se interessa pelo assunto. Ela não tem medo de dizer o que acha e o faz com propriedade – e frequentemente com humor também.

CLÔ OROZCO

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Clotilde Maria Orozco de Garcia (explica tudo, não?) aprendeu modelagem com duas tias nos anos 1970. Naquela época já fazia roupas para si e para as amigas, mas só começou a vendê-las na faculdade.

Em 1975, a confecção era sob encomenda e vendida em algumas lojas do Shopping Iguatemi, em São Paulo. No livro “Brasil Na Moda”, Clô relembra seu primeiro sucesso nacional: uma roupa “meio riponga” de algodão branco que consistia em uma saia com três babados, camisa pólo e lenço na cintura, tudo tingido no fogão do sítio dos pais.

Logo mudou para a Rua Hungria, no mesmo prédio da pronta-entrega da G de Glória Coelho – a própria Clô tinha por volta de 20 peças para o mesmo propósito.

Na mesma época, formou com colegas o Grupo Paulista, que desfilava no Hotel Maksoud. “Tinha a Armazém, Companhia Ilimitada, da Selma, a G, o Alcides e eu. E tudo o que acontece hoje já acontecia: manequins que brigavam, a Regina [Guerreiro, stylist] que tinha ataques e desmaiava no meio, a produção que atrasa…”

O nome Huis Clo surgiu em 1979, e a primeira loja, em 1983. Não é exagero dizer que Clô Orozco definiu a mulher elegante brasileira. A qualidade impecável e o corte perfeito das roupas tornou-a sinônimo de uma sofisticação muito referenciada até hoje no Brasil.

COSTANZA PASCOLATO

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Nascida na Itália e criada no Brasil, Costanza foi de menina rica a uma das mais famosas personas da moda brasileira.

Nos anos 1970, começou na “Claudia” ambientando cenários e logo partiu para a produção de moda. “Me boicotavam muito porque me achavam dondoca. Sumiam com minhas roupas nas produções, faltavam nas minhas fotos”, relembrou em “Brasil Na Moda” (vol. 1).

Costanza já acordou Tania Caldas no tapa, fez make e cabelo em editoriais, participou de reuniões que criaram o primeiro calendário brasileiro unificado de lançamentos, escreveu livros, para a “Folha de S. Paulo”, para a “Vogue”, deu consultorias e hoje sua principal função é tocar a tecelaria da família, a Santaconstancia.

Quando comandava a “Claudia Moda”, sua influência era imensa, como comprova um episódio de 1983, em que ela que as mulheres adotassem a meia-calça preta: “Vieram me falar que as vendas de meias pretas estouraram no Brasil inteiro… E que o estoque de coloridas encalhou.”

Mesmo sem representar um veículo fixo, Costanza ainda é presença obrigatória nos desfiles nacionais mais importantes. Paulo Martinez, editor de moda da “MAG!”, explica: “Primeiro por causa da história dela e, segundo, porque ela não cochilou. Continua acordadíssima, é muito informada, e isso faz diferença quando ela escreve sobre moda.”

EMMANUELLE ALT

Emmanuelle Alt ©Reprodução

Muitos podem considerar a escolha de Emmanuelle um erro. Afinal, não é Carine Roitfeld quem comanda a “Vogue Paris”?

Mas não é como subordinada de Roitfeld que Alt está aqui. Ela também é consultora e stylist de duas das marcas mais influentes, em termos globais, da Europa: Balmain e Isabel Marant.

Desde 2007, sob o comando de Christophe Decarnin, a Balmain vem galgando os degraus entre as grifes mais importantes do mundo. Não pela originalidade do trabalho, mas pela imagem rock’n'roll extremamente desejável que criou – em grande parte, mérito da stylist.

Já Isabel Marant é reconhecidamente uma das promessas da nova geração. O estilo despojado que todas as garotas cool querem ter – e outros estilistas atrás dessas garotas também – muitas vezes parece saído diretamente do armário de Alt.

Como na moda a Europa ainda é a parte mais referenciada do mundo, essas influências acabam, de uma maneira ou outra, respingando mundo afora. E Emmanuelle tem suas mãos nelas.

GLORIA COELHO

gloria-coelho

Gloria Coelho começou a carreira aos 6 anos, quando ganhou sua primeira máquina de costura da mãe no internato em que estudava. “Fiquei acordada a madrugada toda na expectativa de poder brincar de costura na manhã seguinte… Não sei porque me deu tanta ansiedade. Talvez a moda ja estivesse escrita na minha vida”, disse.

Aos 13, já vestia as amigas. Criava tubinhos, um sucesso nos anos 1960, e trocava-os por roupas do famoso Dener com a mãe de uma amiga. Aos 19, criou um estilo de camiseta que foi uma febre.

Depois de uma viagem a Europa, da qual trouxe saias indianas, criou uma de patchwork já com a etiqueta G – ela, que não brinca com astrologia, lembra que esta é “a sétima letra do alfabeto” –, outro sucesso retumbante. “As pessoas não paravam de me procurar atrás dessas saias… Quer dizer, eu não procurei a moda, a moda que me procurou.”

Nos anos 1980, abriu sua primeira loja e passou a desfilar. Desde então, não parou mais. Nos anos 1990, ainda lançou uma segunda marca, a Carlota Joakina.

Gloria teve muitos hits na carreira, o que mostra seu tino para os negócios: há a “roupa de reflexão” (como ela chama as roupas de desfile), que impressiona críticos com sua originalidade, e também a roupa comercial, uma mistura de criação com afinidade consumidora.

Assim, de roupa futurista em roupa futurista, de look andrógino em look andrógino, Gloria deixa sua marca na moda brasileira e na moda brasileira de outros também.

MIUCCIA PRADA

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Ah, Miuccia. Talvez a figura mais mítica da moda atual, essa italiana tem o poder de fazer o que quiser na sua passarela, sem medo algum. Afinal, a Prada é o Norte pelo qual os outros profissionais do meio se orientam: nem todo mundo quer seguir naquela direção, mas saber onde ela fica é bom para se situar.

Politizada, discreta, misteriosa e extremamente hábil em atender aos desejos fashionistas, Miuccia Prada cria, temporada após temporada, itens que ninguém sabia que queria mas, de repente, são absolutamente necessários.

E não são apenas bolsas ou sapatos, mas imagens inteiras, que ela faz questão de deixar inconstantes. Houve as lupinas de 2006, as viajantes de 2007, as rendeiras de 2008, as beach girls de 2009.

A moda segue seus passos há pelo menos 20 anos, e deve continuar seguindo por sabe-se lá quanto tempo mais. O irônico é que, enquanto a moda sempre busca o novo, Miuccia reinventa o que já fez – e nós aceitamos de bom grado.

PHOEBE PHILO

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Phoebe Philo é a garota dos olhos do mundo da moda. Quando deixou a Chloé para se concentrar na família, a estilista deixou também um sem número de fãs desolados porque, francamente, ninguém faz como ela faz.

Seu talento para descobrir o que as garotas descoladas querem é único. Na Chloé, ela reinou com sucesso por cinco anos, e é creditada por ter tornado a marca cool mais uma vez: seus vestidos femininos e calças de cintura alta, além das muitas (muitas!) it bags tornaram o trabalho de Philo, sempre bem recebido pela crítica, extremamente rentável.

Em 2008, ela aceitou comandar a Céline, a convite da LVMH. Em apenas dois anos, já reina novamente, mas de maneira distinta: substituiu a feminilidade de outrora pelo minimalismo.

Como resultado, os cortes retos e simples da Céline estão se alastrando por páginas de revistas e redes de varejo mundo afora. Pode ser cedo para dizer, mas há uma boa chance que a nova mulher criada por Phoebe Philo torne-se uma das imagens da década. Uma vez rainha…

SUZY MENKES

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A contraparte britânica de Cathy Horyn, Suzy Menkes escreve para o “International Herald Tribune” desde 1988. Por seu trabalho como jornalista, ela já recebeu o OBE (Ordem do Império Britânico, dada pela família real) e a Legião de Honra (dada pelo governo francês).

Menkes é considerada por muita gente a jornalista de moda mais importante hoje, e não é por acaso: seus textos são claros, informativos e ao mesmo tempo opinativos – uma combinação rara em um ramo tão egocêntrico.

Mas tanta experiência tem lá seus problemas. Recentemente, Suzy deu sua opinião na discussão sobre blogueiros de moda. Não foi a melhor coisa a dizer e ela mesma tratou de se retratar, pouco depois.

Apesar dos deslizes de quem aprendeu o ofício em outros tempos, críticas de moda como Suzy Menkes dificilmente vão se tornar obsoletas. Elas são um clarão de entendimento quando certos aspectos de certas coleções nos deixam à deriva.

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Exclusivo FFW: 10 mulheres que movimentam a indústria da moda

Cores, tecidos e tendências: a bola de cristal da Première Vision

cores-pantone-verao-2011-premiere-visionPremière Vision Verão 2011: o inverno ainda está sendo desfilado, mas a feira já antecipa a cartela de cores acima como tendência do Verão 2011 © Divulgação

Nem só de glamour vive a moda. Enquanto editores, jornalistas, compradores – e até blogueiros mirins! – fazem a linha fina na fila A, estilistas e gerentes de produto lotam suas agendas nos salões de negócios (ou trade shows) que acontecem paralelamente. Aqui no Brasil, por exemplo, tem o Rio-à-Porter, que em janeiro deste ano gerou mais de meio bilhão em negócios no Rio de Janeiro.

Uma das feiras mais importante deste segmento é a Première Vision – evento que acontece em Paris atraindo mais de 15.000 visitantes de todo mundo e 600 expositores do ramo têxtil. A Vision funciona como termômetro para as temporadas que estão por vir. Enquanto o Inverno 2010 é desfilado nas passarelas, tecidos e materiais para o Verão 2011 já são expostos e negociados, apontando os futuros rumos que a moda deve tomar.

regenerate-tailoring-premiere-vision-verao-2011Painel de tecidos apresentados na Première Vision Verão 2011: mix de sintéticos com naturais, algodão com poliamida e texturas são tendência © Divulgação

“É na Première Vision que nossas ideias começam a ganhar forma”, conta a diretora de criação da Huis Clos, Sara Kawasaki. Em busca de novos tecidos, a estilista – responsável pelo estilo da marca fundada por Clô Orozco – viaja pelo menos duas vezes por ano à Paris, especialmente para a feira que acontece em fevereiro e setembro. “Analisamos principalmente as misturas, texturas e pesos dos tecidos”, explica.

sparkling-nonchalance-premiere-vision-verao-2011Painel de tecidos mostrados na PV Verão 2011: piquês, xadrezes, listras, acabamentos luminosos e, de novo, a combinação de sintético e natural no mesmo material © Divulgação

Inaugurada em 1980, a Première Vision era inicialmente reservada às tecelagens e empresas francesas. Em sua segunda edição, um espaço de 30% foi aberto aos produtores de outros países. Conforme compradores, estilistas e fabricantes passaram a reconhecer a importância da PV como caldeirão de tendências, as concessões foram aumentando.

Hoje,  a Première Vision é uma feira global, com 87% de seus expositores de nacionalidades não francesa. Além disso, verões reduzidas da feira, conhecidas como Première Vision Previews, acontecem em outras seis capitais do mundo – Nova York, São Paulo, Moscou, Xangai, Pequim e Tóquio.

cheeky-opulance-premiere-vision-verao-2011Mais tendência da Vision: tecidos brilhosos, sedas finíssimas, organzas, acabamentos com aspecto aquoso são tendência para o Verão 2011 © Divulgação

A edição mais recente do evento, que aconteceu de 9 a 12 de fevereiro em Paris, aponta os caminhos para o Verão 2011: tecidos tecnológicos que mimetizam as propriedades da água devem estar em alta, assim como materiais que enaltecem valores como tradição e história (pense em tecidos com finalização ou aparência mais artesanal). A economia também entrou na pauta da PV, com os preços acessíveis no topo da lista de tendências para o próximo Verão.

+ Site oficial: premierevision.fr

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Cores, tecidos e tendências: a bola de cristal da Première Vision