Mini mania: versões reduzidas de modelos clássicos de bolsas são o novo hit dos fashionistas

11/02/2014

por | Moda

Depois da onda das bolsas grandes, a nova mania são as mini bolsas. As bolsinhas já deixaram de ser tendência e estão por toda a parte, nos ombros ou nas mãos de fashionistas. Muitas delas têm a alça menor para levar na mão, mas também têm a opção de serem usadas a tiracolo. As grifes perceberam rapidamente o movimento e quase todas elas fizeram versões mignon dos seus modelos mais clássicos, como a Chanel 2.55 e a Lady Dior.

Aliás, a mania das baby bags vem em um bom momento para as grifes internacionais que têm tido dificuldades em transformar novos modelos em it-bags. Apesar de todo o investimento em coleções e desfiles, para muitas marcas de luxo o que vende mesmo são as bolsas. É o caso, por exemplo, da Louis Vuitton — e a saída de Marc Jacobs está diretamente ligada ao fato de que ele é ótimo em criar lindas imagens, mas nem sempre consegue transformar o encantamento em ganhos financeiros. A Louis Vuitton está acreditando tanto nas mini bolsas que fez uma campanha exclusiva para elas (assista ao vídeo no fim da matéria).

Para quem estava habituado às maxi bolsas, a dificuldade é fazer uma seleção forte do que levar, porque em muitas delas não cabe muito mais do que o celular, a carteira e a chave de casa. Acha impossível sair de manhã de casa só com isso? Pois as bolsinhas não são apenas para usar à noite, mas compõem o look muito bem durante todas as horas do dia. Agora só não espere que o preço de uma mini de grife seja assim tão diferente daquele cobrado pelo tamanho original. Veja alguns exemplos e se inspire!

Louis Vuitton:

Atris chinesa Fan Bing Bing com Mini Alma Bag branca ©Reprodução

A marca está apostando forte nas minibags e colocou um ícone específico no site para facilitar a busca. O preço aqui no Brasil varia de R$ 1.630 (Mini HL) a R$ 10.500, no caso da SC Bag BB.

Fendi:

Olivia Palermo com a mini Peekaboo preta ©Reprodução

A Fendi também aposta nas minibags e criou uma área no seu site destinada exclusivamente às minibags. Na loja do shopping Cidade Jardim, em São Paulo, tem várias opções de cores à venda. O preço varia de R$ 7.150 a R$ 9.800 (a de píton). Também há outros modelos em versão mini, como a Petit 2Jours.

Dior:

A mini Lady Dior verde de Dita Von Teese ©Reprodução

A maison investiu em uma versão mini da super clássica Lady Dior, a bolsa da princesa Diana. A loja do shopping Cidade Jardim, em São Paulo, já recebeu a versão mini da Diorissimo, que custa R$ 10.300.

Longchamp:

A bolsa super tradicional Le Pliage ganhou uma versão bem pequena em couro ©Reprodução

A Longchamp apostou em vários modelos mini: Au Sultan, Le Pliage, Bambou, LM, Veau Foulonné. No Brasil, a versão mini em couro da Le Pliage custa R$ 520, e a LM, R$ 675.

Chanel:

Alexa Chung apareceu por toda a parte com a mini 2.55 preta, da Chanel ©Reprodução

A Chanel fez versões reduzidas de alguns modelos, como a mini 2.55. Alexa Chung virou uma espécie de embaixatriz do modelo, e não larga mais! As versões mini tanto da 2.55 como da Boy estão à venda nas lojas dos shoppings Cidade Jardim, JK e Iguatemi, em São Paulo. Os preços são sob consulta.

Prada:

Versão em cor de rosa da minibag Prada em couro Saffilo ©Reprodução

A Prada fez versões mini de vários modelos, como esse muito delicado em rosa. Dá vontade de colecionar! Veja aqui outras versões.

Dolce & Gabbana:

A modelo checa Eva Herzigova e a Mini Sicily Bag ©Reprodução

A Dolce & Gabbana lançou a versão mini da Sicily Bag, um dos seus modelos mais conhecidos. As lojas de São Paulo já tiveram os modelos à venda, mas estão esgotados.

Balenciaga:

A ex-modelo Helena Christensen leva apenas o necessário na Classic Mini City ©Reprodução

A Balenciaga fez a versão mini de vários modelos das suas bolsas, como a City, a Twiggy, a Pompon e a A4.

Céline:

Rihanna combina a Nano Luggage preta com jaqueta jeans para um visual mais despojado ©Reprodução

A grife lançou a versão mini e a nano (ainda menor) da sua it-bag Luggage. Compare o tamanho das duas.

As versões nano (menor) e mini da Luggage, da Céline ©Reprodução

Givenchy:

A baby Obsedia tem um ar mais rocker e combina muito bem com jeans ©Reprodução

A grife fez várias versões mini, como Pandora e a Obsedia. A mini Pandora sai por cerca de US$ 1.400.

Proenza Schouler:

A PS1, bolsa que abriu espaço para Proenza Schouler no coração dos fashionistas, também em tamanho petit ©Reprodução

A marca fez recentemente versões bem pequenas de seus modelos mais tradicionais: PS1, PS11 e PS13. A mini PS1 ficou uma graça!

+ Assista à campanha da Louis Vuitton das minibags:

Em Paris: os seis pontos em comum entre os desfiles de Haider Ackermann e Céline

30/09/2013

por | Moda

O colombiano Haider Ackermann e a britânica Phoebe Philo, da Céline ©Reprodução

Dois desfiles, dois estilistas, duas ideias. Seis pontos em comum. Mesmo tão diferentes, é interessante notar como Phoebe Philo, diretora criativa da Céline, e Haider Ackermann podem compartilhar semelhanças e desejos. Cada um à sua maneira, os dois designers integram o alto escalão das marcas a se prestar atenção sempre.

Phoebe é hit maker, especialmente em se tratando de bolsas, e suas coleções falam direto com a mulher contemporânea com informação de moda e gosto por design. Sensível, ela desenha a partir dos próprios desejos, sempre pensando em trazer algo novo, porém usável ao guarda-roupa feminino. Ackermann já é mais austero e frio, mas não menos brilhante. Com peças de corte impecável, ele mira na mulher moderna que absorve informações do vestuário masculino. As silhuetas que cria, temporada após temporada, são geniais, com ótimas jaquetas e calças, criando um mood despojado e elegante.

No retrato dos estilistas no alto da página, fica claro como o estilo pessoal de cada um interfere nas coleções que criam. Ambos são respeitados pelos pesos pesados da moda, e Haider é um dos preferidos de Karl Lagerfeld, chamado de o “príncipe da moda”. Phoebe é a princesa elogiada por Tom Ford e Stella McCartney.

Para o Verão 2014, Phoebe olhou para os anos 1980, para o grafite, e apostou no efeito de pinceladas grossas em uma coleção gráfica e colorida e bem diferente do minimalismo eficiente que vinha mostrando nas últimas temporadas.

Haider contou à imprensa internacional que criou em cima de uma “handsome woman” (handsome é um termo normalmente usado no masculino, reafirmando sua visão andrógina sobre a mulher). Ele trabalha a dualidade e tem como característica forte a maneira como pensa os looks em camadas sobrepostas.

Nos dois desfiles, há bastante informação da parte de cima, fazendo um contraste com o easy da parte de baixo, mais solto, mais leve ou relax.

Veja aqui as coleções completas de Haider Ackermann e Céline.

 PALETÓS LONGILÍNEOS

Paletós pretos alongados mostram uma alfaiataria eficiente que é forte em ambas as marcas. Ambos usados com botas pretas ©Imaxtree

PLISSADOS

O plissado tem um peso nas duas coleções, aqui na cor branca, e ajuda na criação de uma silhueta que é mais pesada em cima e fluída embaixo ©Imaxtree

BRANCO

Apesar de não ser a cor mais importante para as duas marcas, elas recebem o mesmo peso, quase o mesmo número de looks e passam a ideia de um verão mais leve ©Imaxtree

CASACOS

Ackermann e Céline investem em casacos e jaquetas com cortes impecáveis. Aqui, os dois looks trazem sobriedade e minimalismo, características que integram a estética das marcas, mas não necessariamente dão o tom desta coleção, funcionando mais como complementos ©Imaxtree

MOVIMENTO NA CINTURA

Nos dois desfiles, a cintura puxa o olhar em muitos looks, marcada por cintos e amarrações ©ImaxTree

TRANSPARÊNCIA

Saias pretas transparentes (na Céline também em branco) foram usadas  para criar imagens leves dentro de construções mais elaboradas ©Imaxtree

Até tu, Phoebe?

27/03/2013

por | Moda

À esquerda, a versão de Geoffrey Beene, de 2004; à direita, o look apresentado na coleção de Inverno 2013 da Céline ©Reprodução

Tem circulado pela internet e esquentado os foruns de moda a notícia de que Phoebe Philo teria copiado um casaco do estilista americano Geoffrey Beene, morto em 2004. A “versão Phoebe” foi vista no desfile de Inverno 2013 da Céline. O primeiro site a mostrar os dois looks foi o Garmento Zine.

Um email com fotos das duas peças chegaram até as caixas postais de estilistas como Alber Elbaz e Karl Lagerfeld, que, segundo o “WWD”, se diz chocado com a similaridade.

O casaco em questão é um de lã com bolsos grandes e as mangas amarradas na frente. Dizem que, na época, o casaco de Beene foi fotografado com as mangas amarradas para ilustrar sua leveza. “A peça, recriada pela Céline em 2013, era uma peça assinatura do senhor Beene e uma amostra de como seu trabalho é atemporal”, disse ao “WWD” um porta-voz da Fundação Geoffrey Beene, que ainda afirma que o estilista inspirou muitos outros profissionais nos últimos anos.

A marca Céline não se pronunciou oficialmente.

Leitores do “WWD”, de blogs e tumblrs, e participantes de fóruns de moda esquentaram a discussão sobre os limites que separam cópia da homenagem. Muitos atacaram Phoebe Philo, uma das principais estilistas do mercado hoje, enquanto outros saíram em sua defesa. “Depois eles culpam os chineses pelas cópias”, disse um comentário. “Se ainda fosse em outra cor, mas é a mesma cor, o mesmo material…”, aponta outro.

No “WWD”, um leitor escreveu: “É raro ver um designer que pode ser chamado de original, no real sentido da palavra. Onde estilistas buscam suas inspirações? Em designers mais antigos”.

Até que alguém defendeu o direito de Phoebe: “Porque Beene decidiu dobrar as mangas, isso tem que ser registrado? Só porque as mangas, na hora da foto, foram amarradas, isso se torna uma violação de design? Com o passar do tempo, o passado e o futuro referenciam a história da moda para formar um novo futuro”. “Vamos apenas dizer que Phoebe prestou uma homenagem a um incrível estilista americano”.

Conversamos com o estilista Alexandre Herchcovitch, considerado um dos criadores mais autorais do Brasil, e segue sua resposta sobre a polêmica: “Sem se importar com o que as pessoas iriam falar sobre esta cópia, na minha opinião, foi tudo consciente. Ela deve ter pensado: ‘Sou a melhor do mundo e faço o que eu achar certo’. Nunca fui muito favorável a cópia, mas qual seria a diferença se ela não tivesse copiado e sim feito algo original? As vendas iriam baixar? Ela ia deixar de ser a número um do mundo? Nada disso aconteceria, pois não é isso que importa mais. Seu histórico não é de cópias, portanto ela continua com muito crédito. Isso já não acontece com quem copia em todas as coleções. As cópias são detectadas imediatamente pois sabemos de tudo o que acontece em tempo real e não dá mais para enganar as pessoas. De fato, você é criador, estilista ou confeccionista, isto sim é medido pelo número de cópias e apropriações que você faz ao longo da carreira. O que não dá para acontecer é ser um copiador compulsivo, se intitular criador! Ninguém é tão idiota mais”.

Geofrey Beene sempre foi considerado um inovador e grande professor. Entre suas clientes figuravam artistas e personalidades como Faye Dunaway, Glenn Close e Nancy Reagan. E entre seus “alunos”, Alber Elbaz, diretor criativo da Lanvin.

Muitas de suas peças da década de 1960 encontram ecos da moda atual, não apenas nas formas, mas na manipulação de materiais. Beene abriu sua primeira loja em Nova York em 1963 e a partir de então sua carreira deslanchou. Recebeu inúmeros prêmios, do Coty Awards ao CFDA, e em 1988 comemorou 25 anos de carreira com o super desfile “25 Anos de Descobertas”.

Faleceu aos 80 anos, em 2004, devido a complicações de um câncer. Em 2008, a editora Assouline publicou o livro “Geoffrey Beene: An American Fashion Rebel”, e desde 2009, o CFDA (Council of Fashion Designers of America) oferece o Geoffrey Been Lifetime Achievement Award, que, neste ano foi entregue à estilista Vera Wang.

E então? Cópia ou homenagem? O que diferencia um do outro? Mais sobre esse assunto em breve aqui no FFW.

+ Entenda o hype por trás de Phoebe Philo

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Casaco de lã Geoffrey Beene de 1972

Toque de Midas: entenda o que faz de Phoebe Philo a estilista nº 1 do mundo hoje

11/03/2013

por | Gente

A estilista Phoebe Philo, diretora criativa da Céline ©Reprodução

“A mulher Céline não é exibida. Quero poder andar pelas ruas de Londres sem chamar a atenção de ninguém, mas com uma sensação gostosa de que as roupas que uso são as mais bem feitas possíveis e que vestem meu corpo com perfeição e conforto”.

Essa frase de Phoebe Philo serve tanto para descrever o estilo que imprimiu na marca Céline, da qual é diretora criativa, quanto uma boa amostra de sua personalidade. Apesar de ser uma das melhores estilistas de sua geração, ela é uma pessoa bastante reservada para alguém em sua posição.

Phoebe, 40, está por trás das melhores coleções das últimas estações e certamente fez o melhor desfile na temporada Inverno 2013/14, o que a coloca como a nº 1 da pirâmide fashion, dividindo espaço com os também aclamados Haider Ackermann e Riccardo Tisci, da Givenchy.

A modelo brasileira Chris Herrmann abre o desfile da Céline Inverno 2013/14; mais looks ao centro e à direita ©Imaxtree

Mas o que é que Phoebe tem? O que ela faz que torna seus desfiles ultra disputados e comentados? Simples: ela tem uma habilidade enorme para antecipar o que mulheres como ela querem vestir. Ou como a jornalista Sarah Mower escreveu no site da “Vogue”, “é o trabalho de uma mulher trabalhando para outras mulheres”.

Mais do que isso, Phoebe é uma “hit maker”. Desde que entrou na Céline, em 2008, a casa mais que dobrou o faturamento e passou de uma marca adormecida para a grife definitiva e com o poder de mudar a maré da moda conforme seu gosto.

A Céline foi comprada pelo grupo LVMH em 1996 por €412 milhões, mas era tida como um caso sem esperança, uma casa sem identidade.

A modelo Gemma Ward em dois looks da Chloé, com a bolsa Paddington ao centro ©Reprodução

Phoebe também vinha de uma história peculiar. Após se formar na Central Saint Martins, ela mudou-se para Paris para ser assistente de Stella McCartney na Chloé. Quando Stella saiu para abrir sua própria marca, Phoebe ficou no posto de diretora criativa. Fez um tremendo sucesso, foi eleita Melhor Estilista do Ano pelo British Fashion Council, e colocou no mercado peças que viraram febre e esgotaram nas lojas, como a bolsa Paddington, o jeans de cintura alta e a plataforma de madeira. Mas no auge de sua carreira, largou tudo para se dedicar à família. Ela não estava dando conta de ter residência fixa em Londres, onde estavam seu marido e primeiro filho, e trabalhar em Paris, sede da Chloé.

Se todo mundo ficou com o queixo caído, para Phoebe foi uma atitude natural. “Na verdade, foi uma decisão muito fácil de tomar”, disse em uma entrevista ao “Financial Times”.

Nos dois anos que tirou, teve seu segundo filho e decidiu que quando voltasse a trabalhar, seria nos seus termos. E então veio a proposta da Céline. “Na época a marca não significava muito para mim. Tinha outras ofertas, mas nenhuma aceitava que eu trabalhasse em Londres, o que era algo que eu não estava disposta a negociar”, diz.

A Céline permitiu. Após seis meses de negociação, negócio fechado, e a LVMH construiu um ateliê para ela em Londres. Outro ponto foi o fato de que a marca não tinha uma identidade forte. “Não importa o que ela foi, ela agora passaria a ser o que eu fizesse enquanto estivesse lá”.

Look da coleção Resort 2010 da Céline, a estreia de Phoebe Philo na marca ©Reprodução

Sua primeira coleção já colocou Philo de volta ao topo do mercado, mas com crescimento cuidadoso e sem pular etapas. “Com a Céline, andamos passo a passo, sem nenhuma estratégia gigante. Sou um ser humano, com limitações humanas e preciso respeitar isso”, disse a Vanessa Friedman no “Financial Times”.

O estilo de suas roupas é minimalista, mas com as já cultuadas inserções de cores e formas que são confortáveis e ao mesmo tempo reverenciam o corpo feminino. “Quero fazer algo que seja honesto, uma mistura do que quero vestir e como quero viver. Simples e real”.

As roupas são limpas, mas fortes. Os acessórios, impactantes, traduzem as necessidades da mulher contemporânea por algo que seja belo e sofisticado, mas que seja utilitário e tenha vida longa. Phoebe virou cult, assim como suas peças, e a cada temporada aumenta a legião de Philophiles, como são chamadas suas seguidoras.

Sandálias de pele no desfile da Céline Verão 2013 ©Imaxtree

“Minha relação com a moda é divertida e expressa muito como eu estou me sentindo”. Certamente o desfile de Verão 2013 é uma boa tradução para essa frase. Com seu terceiro filho ainda pequeno, Phoebe buscava conforto e passava por uma fase de laços familiares cada vez mais fortes. Dessa forma, ela humanizou a imagem da mulher ao colocar na passarela sandálias felpudas tipo Birkenstock para combinar com uma série de roupas oversized e soltas.

Philo leva as crianças à escola e está em casa novamente na hora de jantar e coloca-las na cama. Avessa ao Facebook, diz que não gosta de se comunicar com seus amigos dessa maneira e que não quer ter muito contato com pessoas que não sejam família ou amigos.

Na Céline, nunca contratou uma celebridade para ser embaixadora. Suas campanhas têm foco na roupa e no lifestyle da marca enquanto a fotografia de Juergen Teller segue sua estética minimalista. Sucesso anunciado para a menina que, aos quatro anos, brigava para se vestir sozinha e ainda adolescente ganhou sua primeira máquina de costura para fazer suas próprias roupas.

 LINHA DO TEMPO

1973: Nasce na França de pais britânicos. Sua mãe é designer gráfica e ajudou a fazer a capa do álbum “Aladdin Sane”, de David Bowie

1993: Entra na Central Saint Martins

1997: Muda-se para Paris com Stella McCartney para ser sua assistente na Chloé

2001: Stella sai da Chloé e Phoebe torna-se diretora criativa da marca

A top Eugenia Volodina com o jeans de cintura alta da coleção de Spring 2004 ©Reprodução

2003: Mostra um jeans de cintura alta que vira hit e esgota nas lojas logo no primeiro dia (segundo o “Financial Times”)

2004: Casa-se com o galerista Max Wigram e tem sua primeira filha, Maya

2005: As plataformas de madeira da coleção de Verão 2006 viram mania entre as jovens fashionistas

2006: No auge do sucesso, deixa a Chloé e a moda para se dedicar à família e retorna para Londres

2008: Aceita a proposta da Céline para ser diretora criativa da marca

2010: Ganha pela segunda vez o prêmio de Melhor Estilista do Ano pelo BFC

Fotografada em seu ateliê em Londres ©Reprodução

2011: É premiada Designer Internacional do Ano pelo CFDA

2011: A Céline anuncia que vai pular a temporada de Inverno 2012, por conta da terceira gestação de Phoebe; a coleção é apresentada para uma quantidade pequena de jornalistas

2012: A revista “Vogue” americana a coloca na lista das pessoas mais influentes da moda com menos de 45 anos

2013: A Céline faz o melhor desfile da temporada e posiciona Phoebe Philo como a número um da moda internacional

celine summer 2013 campaign
Campanha de Verão 2013 com Daria Werbowy, fotografada por Juergen Teller

Direto de Paris: vimos a coleção da Céline bem de pertinho!

07/03/2012

por | Moda

Por Paula Rita Saady, em Paris

A loja da Céline, em Saint German ©Paula Rita Saady/FFW

Nesta temporada, a Céline optou por um desfile intimista, para pouquíssimos jornalistas, na loja da Rue de Grenelle, no bairro de Saint Germain. Foi a maneira encontrada para aliviar o trabalho de Phoebe Philo, que está na fase final de gestação de seu terceiro filho.

Em uma visita ao showroom da marca, foi possível entender melhor os valores da estilista, que continua no caminho do purismo perverso, essa “nova feminilidade”, que tem agradado a imprensa especializada e colocou a Céline no topo da moda atual. Ver a roupa de perto desperta toda uma reflexão entre os significados dessa forma andrógina, sexy, meio armadura.

Minimalismo e androginia no desfile da marca francesa

Vejamos: Phoebe Philo é britânica, nascida na década de 70, e passou sua juventude nos anos 90, no auge da excêntricidade cool do Brit Pop e da música eletrônica. Os ingleses são conhecidos por serem mais pragmáticos e metódicos do que os franceses e italianos, e por isso são mais práticos na hora de se vestir. Leia-se: casual. A década de 90 foi marcada pela moda sportswear chic e releitura do kitsch dos anos 60. De certa forma, essa época foi também um momento que apresentou uma nova forma de sensualidade.

Nesse cenário, é possível enxergar algumas das peças-chave da coleção: a praticidade esportiva das calças masculinas e do neoprene; o fetiche nos tops em couro e peças com zíperes em locais imprevisíveis; e o kitsch num longo casaco de pele pink com preto ou nos sobretudos que parecem paletós gigantes super encorpados.

Coleção forte em ótimas calças

Zíperes estratégicos 

É  uma coleção minimalista com a já consagrada silhueta quadrada. Arquitetura nas formas e audácias nas cores vivas, que mostram o azul, o vermelho e o pink contrabalançados por preto, branco, salmão e bordô.

Pequenas surpresas, como o top de couro branco com zíper no pescoço, que desvenda um interior preto, assim como o mix materiais, como em alguns tops que misturam pele, neoprene, croco e couro, cada um de uma cor, criando efeito de listras, fazem desta apresentação um dos pontos altos da temporada.

Cores fortes em contraponto aos tons tradicionais

ACESSÓRIOS

Entre os sapatos mais interessantes, está o scarpin de bico fino com salto extra grosso e corte geométrico (ficou especial em dourado laqueado). Esse mesmo tom aparece na bolsa clássica, pequena e quadrada, que também poderá ser encontrada em ouro rosa e branco. As maxi clutch, carteiras maximalistas, são perfeitas para o iPad, apesar de não terem sido criadas exatamente para essa função. O momento duvidoso fica com as botas de bico quadrado com zíper no topo, que lembram antigos clássicos da Maison Martin Margiela.

Bota branca “a la Margiela” e bolsa perfeita para levar o i-Pad

O perfume 90 está aí, mas da maneira que Phoebe Philo mostra, tudo se transforma em algo novo e refrescante. Tratam-se de roupas sem data de validade. E em um momento multitask, as mulheres querem tudo: juventude, carreira, marido, filhos e ainda por cima continuar cool. Para orquestrar todas essa forças com serenidade, sem dúvida é preciso uma dose de loucura. E até isso a Céline tem.

A Céline proíbe que seu desfile seja fotografado e também a publicação das fotos feitas no showroom

Perfil: conheça a estilista que vai assumir a direção criativa da Chloé

17/05/2011

por | Gente

clare_waight_keller 2Clare Waight Keller, nova estilista da Chloé ©Reprodução

Muito se falou do troca-troca que rolou na Chloé, com a estilista britânica Clare Waight Keller entrando na vaga de Direção Criativa deixada por Hannah MacGibbon, que estava há 10 anos na marca. Hannah foi assistente de Phoebe Philo, que por sua vez foi assistente de Stella McCartney. Ambas atuaram como estilistas da Chloé. Stella saiu para montar sua própria marca e Phoebe está transformando a Céline em uma das grifes mais desejadas no planeta. Já Hannah saiu no susto. Foi mandada embora menos de um mês após a marca divulgar que renovaria seu contrato. A grife, porém, disse que Hannah estava saindo para se dedicar a novos projetos.

Clare, nascida em Birmingham, chega com boa bagagem e credibilidade no mercado. Foi ela a responsável por dar uma boa atualizada na tradicional Pringle of Scotland, onde trabalhou como diretora de criação de 2005 até março último, com uma maneira fresca de manusear o tricô, misturando formas modernas a processos artesanais. Clare também criou colaborações entre a marca e artistas, como a atriz Tilda Swinton e a cantora Amy Winehouse.

A estilista tem uma trajetória rica, que dá o estofo necessário para o seu novo papel. Aprendeu tricô com sua mãe, aos cinco anos, e levou a coisa a sério, tanto que completou um MA em Fashion Knitwear, no Royal College of Art. Foi para Nova York, onde trabalhou na Calvin Klein e na Ralph Lauren até ser contratada por Tom Ford, na época da Gucci. Então, deu seu primeiro grande pulo ao assumir a direção de estilo da Pringle, esforço que a coloca agora como uma das boas promessas do ano. Sua primeira coleção para a Chloé será apresentada na próxima estação parisiense, em outubro.

Drops de moda: a linha de joias de Kate Hudson e fofura na J.Crew

27/04/2011

por | Moda

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A Céline abrirá ainda neste semestre duas flagships, uma em Paris e outra em Nova York. O conceito das lojas ficará a cargo do arquiteto Peter Marino, o preferido da moda, com projetos para Chanel, Dior e mais um montão de marcas importantes. De acordo com o site “WWD”, fontes do mercado afirmam que a Céline foi deficitária no ano passado, mas que para este ano, é esperado que a fortuna da grife cresça, com previsão de lucros em 200 milhões de euros. A última vez que a Celine teve um momento de glória assim foi entre 1997 e 2004, quando era encabeçada por Michael Kors. Agora, sob a mão firme de Phoebe Philo, a marca conseguiu se reerguer. O sucesso de Phoebe à frente da Céline é atribuido ao estilo despretencioso que ela conseguiu dar à grife, além de uma estética minimalista adulta.

Phoebe-Philo Phoebe é só elogios da crítica ©Reprodução

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A atriz Kate Hudson fechou uma parceria com a joalheria Chrome Hearts para desenvolver uma coleção cápsula de joias. O nome da linha será CH + KH e terá peças feitas de diamantes, pérolas e pedras preciosas. As joias devem ser lançadas no segundo semestre deste ano.

kate-hudsonKate Hudson assina coleção de joias ©Reprodução

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A britânica Vivienne Westwood venceu uma batalha judicial contra o designer Anthony Edward Knight. Vivienne acusou Knight ter copiado desenhos similares aos seus para a marca Too Fast to Live Too Young to Die. O juiz considerou que Knight feriu leis de direito autoral e que os desenhos de Knights eram tão parecidos com o de Vivienne que poderiam confundir os consumidores.

0,,46547806,00Vivienne Westwood ©Reprodução
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A H&M lançou uma coleção unissex para arrecadar fundos para campanha contra o vírus da AIDS. A linha Fashion Against AIDS traz várias celebridades como Selma Blair, Penn Badgley, Akon, Ginnifer Goodwin e Scissor Sisters vestindo as roupas para apoiar a causa, com direito a vídeo de alguns famosos na sessão de fotos, chamando os consumidores a juntarem-se à luta contra a doença.

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O amor é tema do novo catálogo da J.Crew e quem aparece posando nas fotos é a top Arizona Muse, ao lado de seu filho de 2 anos, Nikko. O menino já apareceu em um ensaio com a mãe na “Vogue” americana e agora aparece nesse catálogo que tem tudo a ver com o dia das mães que está para chegar.

Coachella 2011: com que roupa elas (e ele) foram ao festival

18/04/2011

por | Moda

coachella_materia©Reprodução

Para os apaixonados por música, o festival Coachella, que acontece em Índio, na Califórnia (USA), é um deleite. Mas mesmo para aqueles que não conhecem a maioria das bandas do line-up, o Coachella rende assunto no dia seguinte graças aos modelitos que as meninas — celebridades ou não — escolhem para enfrentar a maratona de shows. Vale lembrar que dentre todos os grandes festivais de música do mundo, como Glastonbury e Lollapalooza, o Coachella virou o queridinho das celebridades.

coachella_kanye Da passarela da Céline para o palco do Coachella ©Reprodução

Embora um ou outro look seja informal — e ousado — demais, e a maioria escolha a mesma fórmula do shorts jeans e botinha, dá para tirar inspirações para o calor quase que constante do Brasil, de jeitos interessantes e confortáveis. Na ala masculina, Kanye West surpreendeu — e arrasou — com uma camisa de seda da marca Céline, que não faz masculino, inclusive. Fica de incentivo para os homens que morrem de medo de sair do casulo e ser diferente nas escolhas.

Confira na galeria nossa seleção:

FFWupdate: os destaques do pre-fall 2011

21/01/2011

por | Moda

Enquanto acompanhávamos as propostas das marcas do Fashion Rio para o inverno 2011, no Hemisfério Norte as grandes grifes aproveitaram a entressafra de temporadas de moda para apresentar sua coleções de pre-fall 2011.

CÉLINE

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No seu outono, ou pré-inverno 2011, Phoebe Philo deu continuidade ao trabalho com cores em estampas geométricas que introduziu no seu verão 2011. Continuam as modelagens simples, proporções práticas e imagem final bem limpa, porém toda essa estética minimalista que a estilista tomou para si agora ganha novos elementos. Daí brotam não só as estampas geométricas, como as de animal, os metalizados, as peles e os recortes e patchworks em tecidos de tonalidades e cores diferentes.

As calças também passam por mudanças. Se antes vinham retas e amplas, agora se aproximam do corpo em lindas cigarettes (adoramos aquelas com recortes coloridos). E os tricôs, volumosos ou mais folgados também ganham mais espaço e destaque na coleção. Os looks para a noite seguem o caminho da simplicidade e praticidade em looks pretos longos e confortáveis, tendo no macacão tomara-que-caia a síntese perfeita do trabalho de Philo para Céline: roupas simples, práticas, com silhueta limpa e descomplicada para mulheres reais e contemporâneas.

JIL SANDER

jil-sander-pre-fall2011

As cores exerceram papel essencial no verão 2011 da marca e continua assim no pre-fall 2011. São elas que se destacam, ainda que em tonalidades mais neutras ou apagadas. Aparecem em blocos de cores ou em casacos feitos em intarsia _aquela técnica estamparia através de fios de cores diferentes. A simplicidade e estética minimalista são onipresentes, agora dando preferência a alfaiataria, na qual destacam-se os estudos sobre formas estruturadas, um pouco mais rígidas que àquelas do verão.

STELLA MCCARTNEY

stella pre-fall 2011

Tipo lá em casa. Foi assim que Stella McCartney apresentou seu pre-fall 2011, com as modelos circulando pelo evento, bebendo e comendo como qualquer convidado. E é nesse mesmo clima de conforto que a estilista desenvolve suas coleções. Sempre em formas amplas _algumas até oversized, como os lindos maxi-casacos_ fala de sua excepcional alfaiataria, agora com calças levemente ajustadas no tornozelo (tipo moletom, mesmo) e blazeres de corte simples; tricôs e cardigans com estampas geométricas, e delicados vestidos acinturados com transparências tipo renda.

GIVENCHY

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O marrom é o novo preto? Pelo menos foi isso que Riccardo Tisci disse em entrevista. Tudo para explicar a ausência completa da cor negra em seu pre-fall 2011. No seu lugar, investiu pesado no marrom, que tem como justificativa a inspiração em pescadores e caçadores da década de 70. Vem daí boa parte das formas e modelagens que dão volume e forma utilitária às ótimas jaquetas da coleção. Elas vêm num delicioso contraponto aos modelos mais delicados, como vestidos em tecidos leves, decorados com os já habituais babados de Tisci. Melhor ainda, quando as saias se alongam, esvoaçantes e transparentes, como no verão 2011.

ROCHAS

rochas-pre-fall-2011

Desde que assumiu a direção criativa da Rochas, Marco Zanini vem imprimindo um interessante estilo esquisitinho, ainda que pautado por uma constante sofisticação e qualidade sartorial. No pre-fall 2011 não é diferente. Olhando para o inverno nórdico, tira de lá um certo rigor, suavizado pelas proporções femininas, que parecem cair sobre o corpo, como uma elegância bem descomprometida. O melhor fica por conta das proporções das calças, super amplas e exageradas (no bom sentido). Em contraponto aos vestidos soltinhos, mais femininos, trazem uma imagem interessante com os casacos em tecido mais estruturados.

#TrendingTopics: as camisas da vez e suas (des)construções

05/01/2011

por | Moda

Edição: Luigi Torre (@luigi_torre)

Com o eterno jogo do masculino no feminino como um dos principais rumos para o verão 2011 do Hemisfério Norte, a clássica camisa branca surge como peça chave da temporada. O mais legal porém, são suas variações, seja em tecidos molinhos e transparentes, ou em desconstruções de modelagem, decepando mangas, ampliando e deslocando colarinhos, ou simplesmente substituindo esses por grandes laços _afinal os anos 1970 estão com tudo, não é mesmo?

DIRETO DE PARIS: Stella McCartney, Ungaro, Yves Saint Laurent e +!

05/10/2010

por | Moda

>> É interessante como algumas roupas podem parecer completamente apáticas na foto, e ao vivo fazem você querer esfregá-las todinhas pelo seu corpo. Com essa atual onda pró-minimalismo, então, isso é ainda mais comum. Virtualmente, as roupas da Céline podem parecer nada além de linhas puras e uma enorme limpeza no design. Porém, ao vivo, a perfeição de execução e acabamento, aliado ao mais puro conceito de simplicidade, funcionam quase como um calmante visual.

Simples. Elegante. Sofisticado. Luxuoso sem querer assim parecer. Era essa a sensação ao entrar na loja com decoração bruta, como se estivesse em reforma, com tubulações de ar e tijolos aparentes. Isso e a vontade de apertar e acariciar toda e qualquer peça texturizada exposta quase como uma obra de arte.

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>> Aconteceu hoje no famoso prédio de paredes cinza da Avenue Montaigne, o press day da Dior. Trata-se de um grande showroom onde a imprensa pode conferir de perto as roupas da mais recente coleção desfilada na última sexta-feira (01/10) aqui em Paris. Tipo um backstage pós-desfile _só que com comidinhas e bebidas.

Nos manequins e araras a coleção exatamente como desfilada imprimiu ainda mais comercial. Sem a iluminação, música e toda aquela emoção da apresentação, são roupas prontas para a vida real. Aliás, uma vida real à beira-mar. Sempre bem colorido, o mais interessante foi poder ver de perto os tingimentos _em seda ou em crochê, quase como uma versão simplificada daqueles utilizados no inverno 2010 de alta-costura em julho deste ano_, e o trabalho artesanal de tiras de tecidos entrelaçados.

Cacharel Spring 2011 Ready-to-Wear>> Afastada das passarelas desde 2003, a Cacharel marcou seu retorno para a semana de moda parisiense na última temporada (inverno 2010), atraindo uma considerável atenção de imprensa e compradores. De lá para cá, a marca expandiu com extrema rapidez sua presença em lojas de departamemto ao inaugurar novos pontos de venda ao redor do mundo _só nos EUA foram 50.

O sucesso não é à toa. Agora sob o comando do estilista francês Cédric Charlier a marca dá início a uma nova fase _mais contemporânea e jovial, ainda que mantendo sua essência. Assim, o verão 2011 vem todo trabalhado em cima das cores. Dos neutros aos ácidos são elas que dão força a coleção, toda trabalhada em algodão e seda.

As formas são simples, quase geométricas, com algumas sobreposições interessantes _principalmente quando aparecem os tricôs_, sempre em silhuetas afastadas do corpo. A camisaria é um elemento importante, aparecendo desde sua versão clássica (ou de smoking) e longos chemises com micro pregas no centro, até desconstruções mais elaboradas as transformando em micro coletes.

E os florais que se associam tão facilmente com a marca, agora ficam abstratos. Olhando para o trabalho de pintura de Kim Gordon, Charlier pensou em estampas quase como uma explosão de tintas, mas cujas formas se assemelhavam à flores.

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>> “Girls who are boys, who like boy to be girls, who do boys like they’re girls, who do girls like they’re boys…” E assim, ao som de Blur, Stella McCartney falou exatamente sobre um dos principais rumos do verão 2011: o incansável jogo do masculino no feminino que encontrou na atual vontade minimalista e em algum resquício dos anos 80 a desculpa perfeita para se fazer mais uma vez presente.

E aí falou das calças de cintura alta, das camisas _aqui totalmente abotoadas_, das tão em alta camisetas-túnicas de mangas, das pantalonas e das sobreposições. Todos elementos que a estilista há tempos chama de “seus”, bem antes de toda essa onda pró-minimalista. Mais interessantes são seus vestidos longos de manga inflada, com torso ajustado e saias longas com plissados assimétricos e as estampas de limões e laranjas que aparecem no último bloco do desfile. Mais do mesmo? Pelo menos foi divertio.

Chlo�>> O problema do minimalismo é que, na verdade, ele é chato. Fazer algo dentro desta estética sem cair na mesmice não é tarefa fácil. Tanto que apenas uma estação após ter se tornado a nova coqueluche fashion, a tendência já começa a dar sinais de desgaste. A antropofagia reciclável da moda tomou proporções tão extremas que os habituais 6 meses já são suficientes para fazer do novo, velho?

Se a gente tomar como exemplo o verão 2011 da Chloé a resposta pode ser: sim. Quer dizer, pode ser: talvez. Para não dizer que não houve nenhuma mudança, Hannah MacGibbon deixou o sportswear da coleção passada de lado para dar contornos mais elegantes para esta atual. Fato que, aliás, acabou eliminando sua jovialidade.

Se antes havia uma clara distinção entre a mulher Chloé e a Céline, agora essas duas praticamente se confundem. O desenho purista, as linhas e cortes simples, falam de uma maturidade um tanto austera demais para marca.

Vestidos de saia no meio da perna vinham, então, na mais perfeita execução. Corte preciso, linhas puras e uma cartela de cores neutras que só reforçou a sensação de sofisticação limpa da coleção. Tecidos encorpados nas partes de cima delineavam ainda mais firmemente as formas clássicas da coleção. Roupas lindas, mas um tanto herméticas demais. Onde antes havia algo de diversão e bem estar jovem, agora há caretice.

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>> Tudo bem que era um dos desfiles mais aguardados, mas ninguém imaginou que a estréia de Giles Deacon na direção criativa da Ungaro fosse causar tamanho alvoroço. Fãs (da marca ou do estilista?) se aglomeravam na entrada do desfile impedindo que alguns importantes nomes da indústria conseguissem passar para o lado de dentro.

E numa passarela coberta de grama (artificial?) com carros antigos repletos de flores, Deacon levou a Ungaro de volta… bem, de volta para a França. Roupas extremamente femininas, que incluíam vestidos envelopes, saias drapeadas, blusas transparentes, lenços, calças cigarretes, laços, rendas, lingeries à mostra e todo aquele je ne sais quoi que fazem das mulheres parisienses particularmente sexy estavam ali na passarela. Havia também algo de lúdico na apresentação. No caminhar das modelos, nas poses… Um pouco daquele humor irreverente do novo estilista.

Jovial como nunca, sofisticada, bem humorada e provocativa, a coleção de verão 2011 sob comando de Giles Deacon, parece estar finalmente colocando a Ungaro no caminho certo.

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>> Será que podemos dizer que a alta dose de glamour e todo clima 1970s presentes no desfile da Yves Saint Laurent seriam uma adequação de Stefano Pilati as vontades do momento? Ou seriam o caminho inverso? Afinal de contas, o grande Yves Saint Laurent em si é referência máxima para esta temporada.

Seja lá qual for a resposta, o que importa mesmo é que Pilati apresentou uma das melhores interpretações da década. Uma versão obscura, com batons mate bem escuros, cabelos presos e sensualidade latente no ar. Calças de cintura bem marcada (e alta) vinham combinadas com blusas-colete frente única ou bons macacões de silhueta seca, saias estreitas faziam par com blusas volumosas ou camisas de manga ampla,vestidos transparentes no melhor estilo 70s, e acessórios felpudos imprimiam ainda mais sensualidade e glamour.

O mais interessante, contudo, é como Pilati conseguiu fazer tudo parecer autêntico e atual. Aplicando recortes geométricos em suas peças _como as fendas arrematadas por pequenos bolsos nas saias evasês_ o estilista fala de uma certa contemporaneidade discreta, balanceando bem passado e presente.

DIRETO DE PARIS: Céline, John Galliano, Givenchy e +

04/10/2010

por | Moda

Colaborou Augusto Mariotti

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>> Céline! O nome mais comentado _e desejado_ dos últimos tempos. Referência máxima e absoluta para as redes de fast-fashion (e muitos jovens estilistas), mas que, por enquanto, só parece agradar os guarda-roupas de fashionistas.

O tão aguardado 3º desfile da grife, agora sob comando da britância Phoebe Philo, apontada como a responsável por a atual onda minimalista na moda, aconteceu na manhã deste domingo no Tennis Club de Paris _locação afastada, que acabou gerando consideráveis reclamações por parte dos fashionistas que tiveram que acordar um pouco mais cedo (ou menos tarde) que o normal.

Na passarela, Philo deu continuidade a sua vibe minimalista, só que dessa vez expandindo um pouco suas propostas para incluir algo de descontraído em seu looks. Suas famosas calças retas _agora em tecidos dos mais leves, como a seda_ vêm com modelagem ligeiramente diferenciada: a cintura cai para a linha do quadril, e as pregas (antes discretas ou inexistentes) geram volumes suaves ampliando a proporção. Combinadas com parkas, jaquetas, túnicas e camisetas quadradas _muitas vezes em couro ou outros tecidos encorpados com barras sem acabamento_ imprimem uma imagem interessante: sofisticada e low-profile, com um luxo elegante, ao mesmo tempo com algo de rústico _principalmente naqueles tops de aparência felpuda, num macramê de pontas desfiadas e nas estampas geométricas que quebravam o domínio neutro da coleção.

O recorrente dilema do masculino vs. feminino que vem pautando muitas das coleções em Paris aparece aqui de um jeito totalmente único, onde as formas mais duras e geométricas ganham contornos de extrema elegância e adaptação ao corpo feminino. Menos poder e mais confiança. É assim que podemos definir o trabalho de Philo, que desde sua primeira temporada na direção da marca vem se dedicando a encontrar uma nova alfaiataria para a mulher do século 21. Ainda assim, fica difícil não se perguntar até quando a estilista conseguirá manter esse visual atual ou relevante. Por mais que seja extremamente desejável, seu novo minimalismo começa a mostrar sinais de fadiga, com pouca evolução de uma coleção para outra.

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>> Demorou quase 1h para começar, e os convidados já reclamavam dos lugares apertados. Mas a espera valeu a pena. O verão 2011 da John Galliano foi uma de suas melhores coleções dos últimos anos. Não que algo de muito inovador tenha sido apresentado. Na verdade, foi um pouco mais daquilo que Galliano sempre gostou _um forte estilo romântico, com alguma decadência e subversão_, porém com uma maestria na execução acumulada ao longo de intensos anos de trabalho na sua marca e na Christian Dior.

Os tão amados anos 1920 voltam em cena, inspirados em Maria Lani, artista que pediu para que diversos outros como Henri Matisse, Jean Cocteau e Marc Chagall fizessem retratos seus com a promessa de que entrariam para um filme no qual iria estrelar. Porém, o filme nunca sequer chegou a ser produzido e Lani acabou vendendo as obras e fugindo para os EUA com todo dinheiro.

Assim, cada roupa veio pensada como um retrato. Único, individual, com estilo próprio. As modelos _entre elas Jasmin Lebon_, cada uma como uma personagem, caminhavam num passado encenado, fazendo mil e uma poses _fato que irritou os fotógrafos, que gritavam para que elas dessem espaço para o clique do próximo look. Vestidos em viés em tecidos transparentes revelavam lingeries provocantes, e os blazeres acinturados em materiais brilhosos eram combinados com as mais incríveis calças volumosas extremamente desejáveis. Decadence avec elegance.

Mas o que fez do desfile de John Galliano algo especial não foi apenas o espetáculo _dessa vez com direito a um palco de verdade, na Opéra Comique. Muito menos suas roupas incríveis, que embora enaltecidas como peças de um figurino de ópera podiam facilmente descer do palco rumo a vida real. O que fez seu verão 2011 brilhar como uma verdadeira grande comédia (aqui no significado teatral da palavra) foi a paixão de cada detalhe _da barra da saia, ao olhar da modelo. Paixão e sentimento que fazem de tudo aquilo algo autêntico e com força de expressão, capaz de despertar desejo e emocionar.

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>> Na mesma locação das últimas 2 estações, o Licee Carnot, o italiano Riccardo Tisci mostrou na noite de domingo aqui em Paris uma coleção levemente punk para Givenchy, assim encerrando mais um dia da semana de moda francesa.

No casting as brasileiras Lais Ribeiro, Marcelia Freez e Izabel Goulart, que segundo boatos fará a próxima campanha da maison. Ah, e como não podia faltar, a transsexual mineira e amiga do estilista, Lea T. Na primeira fila, nomes poderosos: Justin Timberlake e Liv Tyler, garotos propaganda de perfumes da grife, Ronnie Wood e sua namorada brasileira Ana Araujo, Lily Allen e Courtney Love.

O desfile abriu com um interessante trabalho com zíperes que dividiam jaquetas, blazers e coletes em varias partes. Funcionais e decorativos, vinham ora como junções entre partes de uma peça, ora com algum adorno para delinear os ombros, marcar a cintura ou potencializar a conotação sexual.

Outro ponto forte _e quase onipresente_ foi a estampa de leopardo, elemento recorrente no trabalho de Tisci para Givenchy. Clássica, ou então como um jacquard nas peças pretas, a padronagem vinha ora discreta, ora marcante, ganhando até um interessante efeito meio deep-dye, indo do preto à sua cor natural. Junto com o vermelho, branco e preto, o animal print é elemento essencial da identidade da marca sob o comando do estilista italiano.

Havia também um duelo entre as partes de cima, ajustadas e rígidas, com as de baixo, em saias esvoaçantes e transparentes, muitas vezes sobre calças de modelagem levemente evasê. A sensação era um tanto dramática, com algo de romântico. Um atitude poderosa, provocativa, ao mesmo tempo com um toque de suavidade e delicadeza.

A imagem final pode não ser das mais interessantes para a temporada. Talvez pesada para o verão e sem incorporar algo de novo para o legado de Tisci. Mas numa estação onde o masculino vs. feminino está em foco, Tisci deu voz própria ao tema e ainda mostrou imensa precisão na construção e execução de suas peças _principalmente na sua já excelente alfaiataria.

De peito aberto: editora lendária afirma que os seios estão na moda

23/08/2010

por | Moda

lara-stone-seiosLara Stone, a porta-voz dos seios fartos na moda, em retrato para a revista “Love” ©Divulgação

Seios estão na moda de novo (quando foi que eles saíram, né?). E conforme as coleções para o inverno 2010 começam a chegar às lojas do Hemisfério Norte, podemos estar vivenciando um marco na história da moda _algo como um reconhecimento das conquistas femininas no último século.

É essa a opinião da crítica de moda do “International Herald Tribune”, Suzy Menkes, num texto sobre o assunto no blog da “T Magazine“. Nele, Menkes explica que, desde que as mulheres começaram a achatar os seios num movimento revolucionário na moda dos anos 1920, os bustos praticamente saíram de cena tendo poucas chances de voltar.

Nos anos 1950, as saias cresceram e, com o volume cobrindo as pernas, o foco voltou para o colo feminino. Porém, a volúpia fashion que contou com o famoso New Look Dior como propulsor durou apenas até o começo dos anos 1960, quando o prefixo “mini” se juntou ao substantivo “saia”.

De lá para cá foram poucos _e curtos_ os períodos em que a moda (e as roupas) enalteceram as curvas do corpo feminino. Porém, com o inverno 2010 repleto de referências aos anos 1950, o cenário começa a dar sinais de mudanças. Pense na coleção da Prada com ênfase nos bustos com babados ou estruturas volumosas, acompanhados de cintura no lugar e saias amplas. Na Louis Vuitton não foi diferente, e com imagem bem calcada na moda do final da década de 50 e começo dos anos 60.

Até mesmo os mais adeptos do minimalismo, como Phoebe Philo na Céline, Hannah MacGibbon na Chloé e Raf Simons na Jil Sander, começam a mudar sua visão. A modelagem ficou mais tridimensional, dando curvas e contornos arredondados para jaquetas e calças.

+ Leia o artigo na íntegra aqui

Chic, moderna e prática: a nova bolsa feminina tem que ser versátil

27/07/2010

por | Moda

Lembram do modelo de bolsa que as mulheres  usaram e abusaram na década de 1990? Aquele bem quadradão, com alça comprida de carregar no ombro? Elas estão de volta.

bolsa_02Bolsa Céline: minimalista, chic, prática e funcional ©Reprodução / Jack  & Jill

Basta olhar para as coleções internacionais do verão 2010 _a estação do momento no Hemisfério Norte. Um dos principais fundamentos é o foco na praticidade. Peças fáceis, simples, mas sofisticadas e elegantes, adaptáveis às diversas situações.

O inverno 2010 _estação do começo do ano no Hemisfério Norte_ reforçou a pureza no design das peças. O tal do “novo minimalismo”. Ou, como apelidaram alguns especialistas, o “utilitarismo chic”. Pense nas grifes Céline, Chloé, Stella McCartney e Hermès.

Sendo assim, a bolsa da vez não é uma it-bag imensa, nem uma clutch delicada para se carregar nas mãos, mas sim aquela boa e velha bolsa de alça comprida feita para carregar no ombro. Chique, moderna, prática.

Reedições de modelos que foram sucesso nos anos 70, 80 e 90 aparecem agora no topo da lista dos principais acessórios da temporada. Versões moldadas para as necessidades atuais, com um leve toque retrô.

+ Veja o FFW Vitrine especial de bolsas

Sportswear, conforto e praticidade: tudo começou nos anos 1950

23/02/2010

por | Moda

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Conforme os excessos caem em desuso com a preferência por roupas simples feitas em tecidos de altíssima qualidade e tratamentos avançados, o legado de Bonnie Cashin, estilista conhecida como “mãe do american sportswear“, se faz mais presente e relevante do que nunca.

Phoebe Philo, com sua coleção de estreia no verão 2010 da grife Celine, é a referência mais forte para outros estilistas que desfilaram no inverno 2010 da New York Fashion Week. Marc Jacobs, Phillip Lim e Michael Kors foram alguns dos nomes que trilharam os rumos apontados por Philo, detentora do mérito de ser umas das primeiras estilistas a detectar essa necessidade por roupas reais, que estejam em sintonia com o dia a dia das mulheres de verdade.

A atenção extrema ao material empregado na construção de peças de modelagem simples, favorecendo o conforto da mulher em diversas ocasiões do dia, contudo, tem origem nos anos 1950, quando Bonnie Cashin revolucionou a moda e o modo como as mulheres se vestiam num período em que a moda ainda era ditada pelas grandes maisons de altacostura em Paris.

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Dior vivia o auge com o seu New Look, devolvendo a feminilidade à moda que andava sóbria e masculina por conta da 2ª Guerra Mundial. Enquanto isso, nos EUA, as mulheres começavam a ganhar mais independência e assumir uma vida profissional de fato. Bonnie Cashin, aparentemente cansada do mimetismo da moda apresentada na Europa, lançou em 1952 a Bonnie Cashin Designs, abrindo caminho para uma série de marcas como Ralph Lauren, Donna Karan e Calvin Klein.

Na contramão da moda ultra feminina da época, revolucionou ao purificar as formas, trabalhando tecidos e cores de forma totalmente original e inovadora, criando coleções compostas por roupas feitas para durar.

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Cashin se cansou de ser controlada pelos fornecedores e foi a primeira a trabalhar com diferentes empresas ao mesmo tempo, produzindo coleções muito mais abrangentes e com preços ultra democráticos: suas etiquetas variavam entre US$ 15 e US$ 2.000.

Em 1951 introduziu o conceito das sobreposições de finas camadas de tecidos, influenciando o modo como nos vestimos até hoje. Dois anos mais tarde, em 1953, foi uma das primeiras a usar couro e camurça para moda de luxo; e em 1955 passou a utilizar materiais industriais para decorar suas criações. Em 1975, foi a primeira a lançar o conceito de “Sete Peças Fáceis”, de itens intercambiáveis e combináveis entre si.

Reverenciada por sua abordagem intelectual, artística, independente e ousada da moda, Bonnie Cashin foi considerada uma pioneira no segmento. Toda essa reinterpretação que a moda tem feito das roupas, em busca de looks mais confortáveis, com alta durabilidade, materiais de extrema qualidade e foco nas vontades das consumidoras é, de certa forma, graças ao legado de Cashin.

+ bonniecashinfoundation.org