Parceria do bem

20/08/2012

por | Moda

©Catarina Gushiken, Dudu Bertholini e Karin Feller/Divulgação

A 4ª edição do Brazil Fashion Cruise não rendeu apenas desfiles e badalação em alto mar, mas também a produção de pinturas que, desenvolvidas em parceria entre artistas plásticos e designers de moda, originaram a exposição “Co-criação”. A mostra, que permaneceu em cartaz até 27 de julho no Museu do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (muBA), originou um leilão beneficente, que acontece nesta quarta-feira (22.08) à noite no mesmo local – parte do lucro obtido com a venda das peças será revertido para o GRAAC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer).

©Catarina Gushiken, Askim Passos e Karin Feller/Divulgação

Entre os nomes que participaram da produção das telas presentes na exposição “Co-criação” estão os artistas plásticos/ilustradores Catarina Gushiken e Askim Passos e os estilistas Dudu Bertholini, da Neon, e Karin Feller, que desfila na Casa de Criadores. As pinturas foram desenvolvidas ao vivo (live painting) durante o período da 4ª edição do Brazil Fashion Cruise e, depois de finalizadas, serviram como cenário para um editorial fotografado por Cauê Moreno com itens confeccionados pelas marcas integrantes do line-up do evento (Thais Gusmão, Amapô e Ellus 2nd Floor, à parte as já citadas Neon e Karin Feller).

A presença no leilão beneficente, assim como aconteceu na exposição, é livre; mas ainda há a possibilidade de visualizar as peças e oferecer lances virtuais através do site “Nail on Wall” até quarta-feira (22.08), quando ocorre o arremate das obras e uma grande festa de encerramento.

©Catarina Gushiken/Divulgação

Leilão beneficente das peças da mostra “Co-criação” @ Museu do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (muBA)
Rua José Antônio Coelho, 879, Vila Mariana, São Paulo – SP
Quarta-feira (22.08), a partir das 18h
Entrada livre

+ Veja mais imagens das obras abaixo:

Brazil-Fashion-Cruise-Co-criacao
©Divulgação
Mais de 30 pessoas entre artistas, ilustradores e estilistas da 4ª edição do Brazil Fashion Cruise colaboraram nesta tela

Colorindo a Aclimação: Catarina Gushiken convoca seus alunos para pintar escadaria em SP

27/04/2012

por | Cultura Pop

Parte da escadaria pintada por Catarina Gushiken ©Reprodução

Enxergar não significa perceber os detalhes sutis da vida cotidiana. O cinza que domina as grandes metrópoles torna-se costumeiro para a maioria, que o internaliza e aceita de maneira fatídica. No começo de 2011, Catarina Gushiken decidiu quebrar esse ciclo de apatia e transformar por conta própria um pedaço de São Paulo, ocupado pela sujeira e desgastado pelo tempo. O gesto, documentado no vídeo “Colorindo a Aclimação”, foi bem recebido pelos moradores do bairro paulistano e originou uma proposta ainda mais ousada: a artista plástica convocou seus alunos do estúdio “Sala Ilustrada” para pintar em conjunto os 15m de escadaria nos dias 05 e 06 de maio.

- Vídeo “Colorindo a Aclimação”:

A ideia inicial surgiu porque as escadas em questão ficam no caminho entre a casa de Catarina e seu estúdio, localizado no bairro da Aclimação. Cansada de se deparar com aquela paisagem, a ilustradora recolheu todo o lixo que ocupava o lugar e, aos domingos, seu único dia de folga, pintou parte da escadaria. Após muitos elogios e de conseguir a autorização para colorir completamente o local, Catarina decidiu compartilhar a oportunidade com seus amigos e alunos. A única regra, estabelecida para manter uma harmonia, é a cartela de cores: preto, branco, amarelo e vermelho; à parte tal determinação, os participantes da iniciativa têm liberdade para escolher quais técnicas, tintas e formas que irão adotar.

Parte da escadaria pintada por Catarina Gushiken ©Reprodução

“Cada um pinta o que quiser e do jeito que quiser. Acho que é uma forma do grupo “Sala Ilustrada” se enriquecer artisticamente, além, é claro, de se divertir. E, mais do que isso, é uma forma de transformar a cidade, trazendo um pouco de cor, arte e alegria para este monte de cinza dos prédios e do asfalto”, contou Catarina ao FFW. Os habitantes da Aclimação com certeza terão motivos para sorrir e, mesmo para quem não souber pintar, ou não quiser se arriscar, a ocasião será um momento de genuína beleza, digna de ser observada – com ou sem pinceis.

“Colorindo a Aclimação”, pt. 2 @ Rua Doutor Nicolau de Sousa Queirós, 730 – Aclimação
Dias 05 e 06 de maio
Telefone para informações: (11) 3271-6932/7814-8504

+ Confira na galeria abaixo as pinturas feitas em 2011 por Catarina Gushiken na escadaria da Aclimação:

Catarina-Gushiken-Colorindo-a-Aclimacao
©Reprodução

Em visita ao Brasil, editor da série “Illustration Now!” fala sobre design

09/01/2012

por | Cultura Pop

Capa do livro “Illustration Now! 4″ ©Juliana Knobel/FFW

O trabalho de ilustração existe desde que o homem passou a ter necessidade de se expressar, comunicar ao mundo ao seu redor suas opiniões e sentimentos. Da metade dos anos 1990 até o começo dos 2000, no entanto, esse tipo de arte vinha sendo deixada de lado em consequência do rápido desenvolvimento da tecnologia digital e da criação de imagens feitas a partir dos recursos gerados por ela. Em contrapartida a esse “movimento”, Julius Wiedemann, editor especializado no segmento de designer gráfico da Taschen, editora alemã que publica livros há mais de 30 anos, tomou para si a missão de descobrir e divulgar ilustradores das mais diferentes partes do globo na série “Illustration Now!”, que se tornou um hit entre os profissionais da área.

No Brasil para o lançamento do volume quatro da série – “Illustration Now! 4” –, que aconteceu sexta-feira (06.01) na FNAC, Julius Wiedemann bateu um papo com a ilustradora paulistana Catarina Gushiken e André Diniz, dono da galeria Urban Arts, que promove o trabalho de novos artistas nacionais. Sobre a compilação e seu propósito, Wiedemann mencionou que o livro foi desenvolvido para valorizar a ilustração contemporânea e criar um diálogo entre profissionais de diversos países. Segundo o editor, todas as edições da série têm sido feitas a cada 18 meses e exibem o trabalho de 150 ilustradores, entre os quais estão sempre alguns brasileiros.

André Diniz, Julius Wiedemann e Catarina Gushiken ©Juliana Knobel/FFW

Após falar um pouco sobre o seu próprio processo de criação, Julius Wiedemann passou a palavra para Catarina Gushiken contar um pouco de sua experiência como ilustradora: “Eu sempre gostei de desenhar, desde criança. Pintava até as paredes de casa”, divertiu-se ela, emendando que, com o apoio do pai, investiu em sua paixão e começou a estudar ilustração a sério. Sem nenhuma experiência anterior, Catarina estagiou na editora Abril e depois na parte de estamparia e estilo da Cavaleira, onde permaneceu trabalhando por oito anos ao lado da estilista Thais Losso. Sobre o mercado da moda e suas exaustivas exigências, ela comentou que decidiu mudar os rumos de sua carreira e tornar-se ilustradora em tempo integral quando percebeu que não tinha mais prazer com o que fazia (“O desenho ficou sufocado. Precisava sair!”).

Além dos questionamentos sobre o panorama atual da ilustração e o mercado de talentos nacional, Julius, Catarina e André falaram sobre o retorno financeiro desse tipo de arte e da conexão direta que a imagem possui com o seu “espectador”. O FFW conversou o editor, que apesar do nome é brasileiro, e descobriu que seu interesse por ilustração surgiu no período que morou em Tóquio trabalhando com design e direção de arte. “Eu era muito ruim”, ele brincou sobre sua aptidão como designer. A ideia da série “IIlustration Now!” veio após Julius observar a revolução pela qual passou a ilustração após os anos 1990, época em que predominou a imagem vetorizada e ocorreu a “explosão dos quadrinhos”, e o retorno do traço humano.

Ilustração de Catarina Gushiken ©Juliana Knobel/FFW

Para Julius, os profissionais brasileiros não estão devendo nada ao mercado de ilustração internacional. Com a praticidade da internet, o ilustrador brasileiro adquiriu a possibilidade de mostrar sua obra e até desenvolver projetos para fora: “Hoje existe um grande número de ilustradores brasileiros que desenham quase que exclusivamente para publicações internacionais e enviam seus trabalhos digitalizados”, diz o editor.

O livro “Illustration Now! 4″ pode ser encontrado na Livraria Cultura, na Saraiva e no Amazon.

Illustration Now_catarina
©Reprodução
Ilustrações de Catarina Gushiken

FFW Inspirações: Catarina Gushiken e o mundo da ilustração

30/06/2011

por | Gente

abre-catarina-gushiken-no-ffw-inspiracoesA ilustradora Catarina Gushiken ©Reprodução

Ex-coordenadora de estilo da Cavalera, ilustradora das melhores e dona de um estúdio que desenvolve projetos para clientes como Brastemp, C&A e Reinaldo Lourenço, Catarina Gushiken é a convidada da vez do FFW Inspirações, que descobre o que tem feito a cabeça do povo da criatividade. E ela compartilha não apenas um, mas três nomes pelos quais ela anda vidrada: os ilustradores franceses Philippe Noyer e Frédéric Boilet, e o japonês Suehiro Maruo. Saiba mais sobre os três e ainda fique por dentro da exposição que Catarina Gushiken está preparando em São Paulo:

Philippe Noyer

1-catarina-gushiken-philippe-noyerO livro comprado por Catarina Gushiken e uma das ilustrações selecionadas pela própria ©Reprodução

“Eu o descobri num sebo, andando pela Brigadeiro, quando voltava do Parque Ibirapuera e fui mexer na seção de Artes. Ele não é conhecido – eu, pelo menos, nunca tinha visto nada dele em destaque nas livrarias; foi um garimpo mesmo! O que me chamou a atenção é que é um universo feminino super delicado, com uma mulher francesa sofisticada, mas num contexto louco de viagens à Ásia, à África, cercada de onças e pássaros tropicais. Já mostrei o livro pra várias pessoas e elas se apaixonaram também e foram procurar mais informações, mas é muito difícil achar referências. Pesquisei e encontrei bem pouca coisa.

2-catarina-gushiken-philippe-noyerDuas ilustrações de Philippe Noyer selecionadas por Catarina Gushiken ©Reprodução

As imagens são lindíssimas e eu gosto muito dessa coisa art nouveau, da delicadeza, a natureza, as formas orgânicas, a postura delicada da mulher; me identifiquei bastante. As minhas preferidas dele são as pinturas dos anos 1940 e 1950, mas o livro tem obras nos anos 1940 até os 1970″.

Frédéric Boilet

1-catarina-gushiken-Frederic-BoiletA capa e uma imagem de “O Espinafre de Yukiko”, de Frédéric Boilet ©Reprodução

“Ele tem um estilo de HQ tipo “La Nouvelle Mangá” e é um trabalho muito legal, que mistura o romantismo da nouvelle vague e o erotismo japonês. A impressão que se tem quando olhamos a obra dele é que ele desenha sobre fotografias, até pelo ângulo das imagens.

2-catarina-gushiken-Frederic-BoiletImagem de “O Espinafre de Yukiko”, de Frédéric Boilet ©Reprodução

A história do Fredetic Boilet – de verdade, que aconteceu mesmo – é que ele foi morar no Japão, e muitas obras dele são como relatos de relacionamentos que ele manteve com várias japonesas. Ele tem uma publicação incrível chamada “O Espinafre de Yukiko”, que é como uma narrativa da história que ele teve com uma dessas mulheres”.

Suehiro Maruo

1-catarina-gushiken-Suehiro-MaruoA capa e uma imagem de “O Vampiro que Ri”, de Suehiro Maruo ©Reprodução

“O Suehiro Maruo é um japonês que faz HQs de horror, com um estilo romântico e delicado, mas também com um quê de bizarro, do lado freak japonês. Na verdade se eu falar pra alguém que conhece o trabalho do Suehiro que eu acho o estilo dele romântico, a pessoa vai achar que eu sou louca (risos).

2-catarina-gushiken-Suehiro-Maruo Imagem de “O Vampiro que Ri”, de Suehiro Maruo ©Reprodução

Mas é que ele é mais agressivo, principalmente se comparar com o Philippe Noyer, por exemplo, mas ele tem o traço delicado, o que é um contraponto muito legal. A minha obra preferida dele é “O Vampiro que Ri”; acho que é porque foi a primeira que eu vi, então já li meio apaixonada. É uma história romântica contada de um jeito louco”.

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Para quem quiser conhecer mais do trabalho de Catarina Gushiken – ou para quem já for fã –, a artista terá uma mostra individual na Z Carniceria, em São Paulo, de 6 de julho a 6 de agosto. “É um trabalho bem diferente do que eu geralmente faço; eu sempre coloco muita cor, texturas, pensando no figurino e nos acessórios que compõem o universo da personagem, mas desta vez é tudo muito mais limpo. Estão todas nuas, desenhadas com grafite, e o único adorno é o fio que, na instalação, vai quase que costurando e tecendo uma roupa tridimencional”, ela contou ao FFW.

Por um Fio
De 6 de julho a 6 de agosto de 2011

Z Carniceria
Rua Augusta, 934, Bela Vista, São Paulo
Entrada franca