Abrir fogo: jaquetas aviador bombardeiam o inverno 2010!

31/03/2010

por | Moda

jaquetas-aviador-balenciagaJaquetas aviador Balenciaga inverno 2004 © firstVIEW

Seis anos depois da Balenciaga desfilar um inverno repleto de jaquetas aviador, elas finalmente retornam aos holofotes: a diferença é que desta vez quem apertou o gatilho foi Christopher Bailey, diretor criativo da Burberry, que revirou o baú de guerra da grife para dar forma e força ao seu desfile de inverno 2010.

jaquetas-aviador-burberryBurberry inverno 2010: o resgate do passado bélico da grife fez ressurgir as jaquetas aviador © firstVIEW

O efeito colateral foi sentido em outras marcas: na 3.1 Philip Lim as jaquetas aviador vieram meio boho, enquanto Just Cavalli e Emilio Pucci optaram por um caminho mais glamourizado. Até a Topshop Unique fez algumas versões mais acessíveis ao grande público, com os forros de lã super aparentes.

jaquetas-aviador-philip-limJaquetas 3.1 Philip Lim, Topshop Unique, 3.1 Philip Lim e Just Cavalli inverno 2010: a jaqueta aviador é um item essencial © firstVIEW

As proporções e modelagens são variadas, indo das mais curtas até as mais longas, passando por versões mais clássicas com golas e lapelas maximizadas. O couro animal também dá lugar aos tecidos e peles sintéticas, e em alguns casos os pelos de carneiro tomam conta também da parte externa das jaquetas.

Como as jaquetas aviador são mais volumosas, cai bem fazer o contraponto com peças ou acessórios minimalistas, pra não exagerar na dose e harmonizar o look. E, é claro, atenção para os termômetros: apesar de super confortáveis para os dias mais frios, elas podem se tornar verdadeiros engôdos nos climas mais quentes.

CURIOSIDADE

As jaquetas aviador são itens de vestuário que saíram dos campos de guerra direto para os guarda-roupas de todo o mundo. Os modelos de couro/pelo de carneiro são os mais tradicionais, mas hoje em dia elas podem vir em diversos materiais, muitos inclusive sintéticos. Quando foram criadas durante a Primeira e Segunda Guerras Mundiais, elas foram pensadas para proteger os pilotos contra as intempéries de voos em elevada altitude, além de serem peças utilitárias. Na ocasião, foram batizadas de flight jackets, mas logo ganharam o apelido de bomber jackets – os militares que as usavam pilotavam aviões de bombardeio. A jaqueta bomber que encontramos hoje em diversas lojas, sem pelos de carneiro, é tipo a bisneta da jaqueta aviador.

O ‘novo militarismo’ vai dominar o Inverno 2010!

12/03/2010

por | Moda

Coven - Fashion Rio Inverno 2010Backstage do desfile de Inverno 2010 da Coven: militarismo reinterpretado através de tricôs e Lurex © Agência Fotosite

Agora que terminou a temporada de desfiles para o Inverno 2010, chegou a hora de filtrar as principais tendências que (re)apareceram nas passarelas.

Uma delas foi a onda militar, que contaminou todo o mundo da moda, transformando os trenchcoats nas novas jaquetas, os camuflados nos novos florais e o verde militar no novo preto, confirmando que a moda está em pé de guerra. Junya Watanabe, Burberry, Pedro Lourenço e Louise Goldin foram algumas das grifes que investiram na tendência nas semanas internacionais.

Apesar de serem eventos repudiantes, as guerras serviram, historicamente, como pool de inovações. Foi durante a 2ª Guerra Mundial, por exemplo, que surgiu o náilon como tecido usado nos paraquedas e outros itens militares. O próprio trenchcoat saiu dos campos de batalha. Além disso, macacões, jaquetas aviador, ombreiras, bolsos utilitários e uma infinidade de outros itens hoje comuns no nosso guarda-roupa antes eram restritos ao frontline.

A culpa pode ser da economia mundial instável, da violência urbana ou mesmo da ansiedade que já faz parte do nosso cotidiano. Cada vez mais queremos nos proteger do mundo lá fora. E a moda, como espelho da sociedade, reflete essa imagem de insegurança de váris formas, uma delas o militarismo.

A novidade agora é que a onda não se resume a jaqueta militar ou ao trenchcoat – item que foi tendência no Verão 2010. O militarismo do Inverno 2010 não é óbvio. Para muito além dos camuflados e jaquetas inspiradas nos anos 1940, as referências militares de agora são trabalhadas de maneira sutil. “Queremos apenas as referências leves do militarismo”, disse Maurício Ianês antes do seu desfile para a TNG em janeiro deste ano, durante o Fashion Rio.

Para a maioria dos estilistas que citaram a referência em suas coleções desfiladas nesta temporada, a sutileza foi um atributo essencial. O novo militar serve principalmente aos propósitos da alfaiataria, funcionando muito mais como elemento de decoração para blazeres, jaquetas, coletes e até camisas.

Foi assim na Juliana Jabour, onde o militar serviu de recurso essencial para dar força e estrutura a sua moda que costuma ser bem feminina. Para Alexandre Herchcovitch, veio como elemento de poder essencial para sua alfaiataria impecável, tanto no feminino quanto no masculino.

Na TNG, o militar também aparece escondido entre os motivos étnicos e mixado com as referências de esquimós caçadores do Alasca. Já na Cantão, a pluralidade de culturas e etnias de Budapeste abusa do verde militar e da modelagem de suas jaquetas e vestidos de ombros ligeiramente marcados. E na 2nd Floor uma das peças icônicas do militarismo – o trenchcoat – serve de base para modelagem da coleção inteira.

Até mesmo quando a referência militar é interpretada de forma mais literal, existem as modificações: nas proporções, modelagens e tecidos que ganham contornos mais contemporâneos, mais próximos da nossa realidade. Um dos melhores exemplos neste caso é a Coven que usou e abusou de tricôs e Lurex para retransformar o militar. Reveja:

+ Confira a Vitrine FFW especial sobre Militarismo

“Na moda, todos querem ser únicos”, diz Bailey, da Burberry

22/01/2010

por | Gente, Moda

Juliana Lopes, de Milão,  para o FFW

Músicas do The Cure recebendo convidados, George Craig na primeira fila, fãs twitando durante o desfile: o respiro inglês so rocker invadiu a capital da moda italiana. A coleção masculina outono/inverno 2010/11 da Burberry teve desfile real e interativo. Projeções de vídeos de cada look estampavam os modelos nas paredes enormes e, no site da marca, os fãs da grife podiam comentar o que achavam do desfile, transmitido ao vivo: “Tá começando, que excitante”, “Adorei a jaqueta” e etc.

A inspiração militar  não quer nenhuma proposta bélica: é apenas a estética do peso, do utilitarismo, dos cortes de uniforme que trazem ombros poderosos. Assim a Burberry lança linha com mega coturnos, parkas e trench coats com golas encorpadas, marcadas por tiras de couros e fivelas. A geometria dos ombros e o comprimento dos trench também serviu aos cardigans e blusões de tricô vintage. As calças, em contraste, bastante estreitas, e alguns jeans five pockets. É um remembering da história da marca: foi a Burberry, pelas mãos de Thomas Burberry que, no final do século 19, desenvolveu casacos para os oficiais britânicos.

Burberry: respiro inglês na temporada de moda masculina em Milão
Burberry: respiro inglês na temporada de moda masculina em Milão (foto: Juliana Lopes)

No backstage, pós-show, o estilista Christopher Bailey conversou com o FFW.

Você acredita que hoje é ainda possível pensar num “estilo inglês”, ou “estilo italiano”, enfim, buscar purismos na moda?

Não acho que dependa da geografia, mas depende da atitude, depende de como uma pessoa vê a moda e isso não significa que ela tenha necessariamente um estilo puramente inglês, ou italiano.

Falando em ponto de vista, o que as pessoas estão buscando hoje na moda?

Todos querem ser únicos. As pessoas querem isso, mas ao mesmo tempo querem estar unidas às outras. Existe uma busca pela individualidade. Isso tem que ser relacionado, no entanto, ao que é bem-feito.

Você sempre escolhe as trilhas dos seus desfiles.  Em que momento você junta moda e música?

Não tem segredo. Eu escuto muita, muita música. Eu preciso.

*As músicas da trilha do desfile são: “Maid of Orleans” (OMD), “Only You” (Yazoo) , “Vienna” (Ultravox) e “Trumpets” (Waterboys).

Referência militar no desfile da Burberry, em Milão
Referência militar no desfile da Burberry, em Milão (foto: Juliana Lopes)

Christopher Bailey recebe o prêmio de estilista do ano e apresenta sua coleção de pre-fall 2010

10/12/2009

por | Moda

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Prêmio mais que merecido: Christopher Bailey diretor criativo da Burberry recebeu ontem, em Londres, o prêmio de estilista do ano pelo British Fashion Council Award (espécie de CFDA Awards, só que na Inglaterra). Aliás, 2009 foi um ano excelente para Bailey. Só no último trimestre, suas criações para Burberry garantiram lucro de 6,1% (US$915.2 milhões). A marca ainda inaugurou um no QG em Londres, com direito até a presença do Príncipe Charles para homenagear o estilista responsável por dar uma cara contemporânea a uma das mais tradicionais marcas britânicas. Ah, e como se não bastasse, Bailey passou de mero diretor criativo, para chief creative officer da marca, algo como “diretor geral criativo”.

E as novidades não param por aí. Em seu discurso de agradecimento durante o evento de gala ontem, Bailey anunciou que a Burberry continuará se apresentando na semana de moda de Londres na próxima temporada de desfiles. Em setembro deste ano (2009), a grife trocou sua habitual passarela de Milão, pela fashion week londrina, como parte das comemorações dos 25 anos do evento. Segundo o estilista, a energia e emoção de se apresentar em sua terra natal foi tamanha, que não faria mais sentido para uma marca tão britânica, se apresentar em outra capital de moda.

4Looks da coleção pre-fall 2010 / © Burberry

Recentemente, Bailey também apresentou a compradores e imprensa sua coleção de pre-fall 2010. Focado no militarismo, que já se mostra como uma forte tendência para o inverno 2010, o estilista olha para os uniformes que a Burberry criou para militares da I Guerra Mundial como forma de inspiração. Quase na contra mão de seu verão 2010, mais feminino, com drapeados e babados, agora a imagem final é um pouco mais sóbria e madura. A silhueta se aproxima do corpo, os cortes ficam mais preciso, as formas mais definidas, resultando numa imagem extremamente sofisticada.

Do militarismo vem principalmente os casacos que ainda trazem bastante foco para os ombros, mas de forma nada óbvia. Se não por pequenas e delicada dragonas, que aparecem até mesmo de forma sofisticadas nos leves vestidos com mini drapeados, pela simples forma dos tecidos mais encorpados. São esses também os responsáveis para proporção extremamente fresca e interessante. Com parte de cima levemente mais volumosa, com formas mais estruturadas (vide as golas e ombros) a parte de baixo vem mais simplezinhas. Blusas e vestidos aparecem tecidos mais leves, bem próximos ao corpo, enquanto as calças de alfaiataria vem em modelagem ótima, seca ao mesmo tempo que com leve efeito eavsê perto da barra e as vezes com pregas que conferem delicado volume ao quadril.

E se toda essa imagem mais sóbria parece um tanto quanto sem novidade para você, nosso único consolo, é que se tratando de uma pre-fall (coleção de meia-estação), o objetivo é justamente atender demandas comerciais instantâneas. Ou seja, se as pessoas querem militarismo agora, é isso que terão.

Christopher Bailey, o rei da Inglaterra. Estilista ganha título de “chief creative officer” da Burberry

16/11/2009

por | Moda

Se ele já estava podendo há uma semana, agora pode fazer o que quiser, dentro das leis inglesas: Christopher Bailey, que se juntou à Burberry como diretor criativo em 2001, foi promovido a chief creative officer da marca, algo como “diretor geral criativo”.

O anúncio foi feito pela CEO Angela Ahrendts: “a marca Burberry está hoje mais coesa do que nunca, e deve muito à claridade, consistência e pureza de sua [de Bailey] incrível visão. Nesses últimos nove anos, Christopher inovou, protegeu e mordenizou todos os aspectos dessa companhia, dando a ela uma identidade e um ponto de vista que são completamente insuperáveis. Quem quer que você encontre, o que quer que leia, eles dirão a mesma coisa: ‘Christopher Bailey é o maior talento de sua geração e ele faz tudo com despretensiosa humildade.’”

O simpático estilista, claro, agradeceu: “estou verdadeiramente honrado por ser reconhecido dessa maneira.” Nada que ele não merecesse, especialmente após a criação do site Art of the Trench.

E uma dica: caso se encontre em uma conversa com Bailey, cuidado ao falar sobre a famosa estampa xadrez em inglês: “as pessoas continuam falando para mim que é ‘plaid’, e eu falo: ‘não, é check!’”, disse em entrevista à “The New Yorker”. Fora essa tecnicalidade, dizem que ele é muito tranquilo.

2O estilista Christopher Bailey e o fundo de… “check”! ©Reprodução

Burberry lança site dedicado ao trenchcoat. Peça que se tornou ícone da marca britânica ganha endereço online onde usuários podem colaborar com o conteúdo

10/11/2009

por | Moda

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A Burberry lança nesta semana um site em homenagem à sua peça mais famosa: o trenchcoat. Trata-se de um projeto entre a tradicional marca e alguns dos mais importantes fotógrafos da atualidade, que retrataram a evolução e contemporaneidade eterna da peça que saiu dos campos de guerra e invadiu o guarda-roupa de quase todo o mundo. Os nomes dos profissionais ainda não foram revelados, já que a ideia do projeto é atrair a audiência ao longo das próximas semanas.

Para a abertura do site, o diretor criativo da Burberry, Christopher Bailey, pediu que Scott Schuman, do blog The Sartorialist, fizesse uma ampla seleção de todas as pessoas que já clicou usando trenchcoats para compor uma verdadeira galeria de vida real. Assim, deixando clara a forte conexão do casaco com a vida e emoções das pessoas ao redor de todo mundo.

Pra reforçar ainda mais esse link com a vida dos consumidores, o site permite que usuários do Facebook enviem suas próprias fotos de looks compostos a partir do tradicional trenchcoat Burberry. Quer participar? Acesse: artofthetrench.com