Ao 50 anos, maison Courrèges tem chances de reviver dias de glória

06/10/2011

por | Moda

courreges_abre©Reprodução

Em 2011 a Courrèges faz 50 anos e em uma espécie de comemoração os novos donos da marca, Jacques Bungert e Frédéric Torloting, que a compraram em janeiro, irão relançá-la durante o inverno do hemisfério norte, começando com um e-commerce, já em meados de novembro.

Esse será o primeiro passo para a reconstrução da marca que leva o nome de Andre Courrèges, ícone do “Space Age” dos anos 60 que possui hoje apena uma flagship, em Paris, sendo que já chegou a contar com 180 pontos de vendas espalhados pelo globo.

“Gostaríamos de estar presente de forma significativa em aproximadamente oito países dentro de três anos”, falou Bungert ao “WWD”. Entre os países citados estão EUA, Alemanha, Espanha, Rússia, Coreia do Sul, México, Brasil e eventualmente China, como mercados prioritários.

Outra boa notícia é que o e-commerce irá oferecer os clássicos do estilista em versõess atualizadas, como os vestidos em “A” e jaquetas cropped de vinil, além de itens resgatados dos arquivos de não vendidos da marca, um potencial paraíso para os amantes de peças vintage. E tem mais! Ainda em outubro será produzida uma edição limitada de 50 peças da jaqueta de vinil branca, uma das assinaturas de Courrèges, que serão vendidas na Colette, em Paris.

courreges_2©Reprodução

Bungert e Torloting também pretendem reavivar os licenciamentos de objetos como óculos de sol, bagagens e objetos para casa, e relançar os perfumes Eau de Courrèges e Empreinte, esses já para junho do ano que vem, quando é o Dia das Mães na França.

Coqueline Courrèges, que tem cuidado da empresa desde que seu marido se aposentou da moda nos anos noventa, tem focado em preservar a herança da marca através de livros e exposições, mesmo com a equipe criativa trabalhando e fazendo coleções que nunca foram fabricadas ou distribuídas. Nas mãos dos novos donos, isso mudou. O time de sete pessoas está trabalhando em novos designs de roupas, além de projetos externos, como uma colaboração com a água Evian, em uma edição limitada que será lançada ainda em outubro. Para o meio de 2012 espera-se o lançamento de relógios, sneakers e talvez até produtos de beleza.

“Há uma grande diferença entre o pequeno tamanho da empresa hoje e sua enorme notoriedade. Assim, a marca precisa recuperar o seu nível. Isso vai levar alguns anos, mas não é um objetivo puramente financeiro”, finalizou Torloting.

courreges_desfileDesfile de Courrèges, em 1969 ©Reprodução

De volta para o futuro: anos 1960 ressurgem no verão 2011

29/07/2010

por | Moda

cardin.slide2_Looks 1960s de Pierre Cardin ©Reprodução

O foco no corte, na forma e nas superfícies texturizadas deste verão 2011 recolocou os anos 1960 no centro das atenções. Para entender melhor o movimento, é preciso embarcar numa breve viagem no túnel do tempo: pegando carona na Guerra Fria _que teve como efeito colateral a Corrida Espacial_ estilistas como André Courrèges, Paco Rabanne e Pierre Cardin romperam paradigmas, viajaram para o espaço sideral, imaginaram como seria o homem do século 21 e, com isso tudo, revolucionaram a moda.

O mestre Yves Saint Laurent afirmou na época: “A moda nunca mais será a mesma depois de André Courrèges”. E de fato não foi. Aliás, depois de Courrèges e principalmente de Pierre Cardin que, em 1959, escandalizou a indústria ao introduzir a primeira coleção de prêt-à-porter. A ousadia resultou na sua expulsão da Chambre syndicale de la haute couture, mas abriu os caminhos para a moda como a conhecemos hoje.

Os vestidos 1960s de corte quadradão, caimento afastado do corpo, com todo tipo de recortes circulares e mangas orbitais sobre os braços eram ícones não só da Space Age, como também da explosão da cultura jovem. Capacetes aviadores, minissaias, meias-calças coloridas e a inovação dos tecidos sintéticos expressavam o fascínio pela vida no espaço e por todas as possibilidades que as novas tecnologias prometiam para vida na Terra.

pierre cardin2Looks de Pierre Cardin ©Reprodução

Roupas em forma de protesto. Emancipação feminina que vinha traduzida no corte prático e nos tecidos funcionais, possibilitando as mulheres irem trabalhar, almoçar, jantar, dirigir, cuidar da casa e tudo mais que fosse necessário. Liberdade _de movimento, de ideais, de sexualidade (foi nos anos 60 que a moda unissex também começou a ganhar força).

Quarenta anos depois, o século 21 chegou e continuamos em busca do futuro. A ironia é olhar para trás, para os anos 60, em busca do amanhã: afinal os mesmos conceitos de liberdade de movimento, conforto e praticidade continuam em voga. Menos futurismo e mais funcionalidade. É assim que os anos 60 reaparecem _reinterpretados_ nesta temporada.

reinalo-priscilla-alexandre

60sDa esquerda para a direita, de cima para baixo: Reinaldo Lourenço, Priscilla Darolt, Alexandre Herchcovitch, Forum e Gloria Coelho verão 2011 ©Agência Fotosite

Traduzido nas formas aerodinâmicas de Reinaldo Lourenço, na aparente simplicidade expressionista das cores de Alexandre Herchcovitch ou na exploração têxtil de Priscilla Darolt. Cortes simples, formas retas e pureza de design que remetem às criações de Courrèges, Cardin e Rabanne.

Caretice dos anos 1950 influencia a moda no próximo inverno

29/03/2010

por | Moda

O inverno 2010 coloca em jogo uma feminilidade mais adulta. Foco numa mulher crescida, dona do próprio nariz e segura de seu corpo – tipo o casting da Prada ou Louis Vuitton. Quadris acentuados, cintura marcada, seios evidentes. Pela primeira vez em muitos anos, a palavra “amadurecida” é usada na moda sem ter uma conotação necessariamente negativa.

feminilidadeLooks de Giambatista Valli, Giles, Prada, Louis Vuitton e Rochas: a nova mulher é madura © firstVIEW

Grifes como Dolce & Gabbana, Giles, Giambatista Valli e Rochas engrossam o coro: todas apostaram no visual ampulheta (super 1950s), casacos com cintura marcada e barra ampla, casaquetos de tweed em corte quadrado, vestidos com saias rodadas, calças de alfaiataria levemente secas, twinsets e tricôs ajustados ao corpo e, principalmente, saias godês – muitas saias godês!

As referências saem lá do final dos anos 1950 e começo dos 60. Antes de Mary Quant e André Courrèges revolucionarem o planeta moda com sua pegada ultrajovem e, também, antes do fast fashion dar seus primeiros sinais de vida. Também não podemos deixar de citar a influência do sucesso da série de TV americana “Mad Men”, de filmes como “Direito de Amar” e até da exposição sobre a musa da temporada, Grace Kelly, no Victoria & Albert Museum, em Londres.

mad menCena do seriado “Mad Men”: uma das maiores audiências nos EUA contribui para a disseminação da nova estética na moda © Divulgação

Como elementos principais, as peças de apelo clássico, atemporal, que favorecem as formas do corpo feminino e atestam a retomada de valores tradicionais. É como se a moda agora não se valesse mais das “tendencinhas”, e sim de roupas de verdade, que sintetizam o espírito da temporada: a busca pela praticidade, elegância e sofisticação.