Lanvin comemora 10 anos sob direção criativa de Alber Elbaz

02/03/2012

por | Gente, Moda

Alber Elbaz posa atrás de modelos ©Reprodução

Em plena semana de moda de Paris, exatamente no dia em que a Lanvin apresenta a sua coleção (02.03), o designer Alber Elbaz comemora uma década no comando criativo da grife. As comemorações contarão com uma festa imediatamente seguida do desfile para convidados, e ainda a publicação de um livro que deve chegar às bancas em abril deste ano. Mais do que uma retrospectiva, o livro retrata todo o trabalho, esforço e dedicação que Elbaz coloca em cada coleção.

Para muitos críticos e editores de moda, o designer nascido no Marrocos e criado em Israel fez renascer a elegância dos vestidos na moda francesa na última década, por meio de tecidos leves e de design que valoriza as formas femininas, e transformou a marca em uma das mais desejadas no mundo. Ele também é um dos estilistas mais queridos pela indústria e pelas modelos.

Elbaz foi contratado em 1996 para liderar a criação da Guy Laroche em Paris, grife para a qual realizou três coleções jovens que lhe valeram a sucessão de Yves Saint Laurent no comando da Rive Gauche, onde ficou durante três temporadas. Quando ela foi comprada pelo grupo Gucci, Alber foi posto de lado. Depois disso, fez ainda uma temporada para a Krizia, em Milão, e ficou um ano afastado da indústria, sem saber se conseguiria retornar. No final de 2001, Elbaz se juntou à pequena e confortável casa Lanvin, onde se mantém até hoje.

Na entrevista abaixo dada ao “WWD”, o designer reflete sobre a sua carreira, as suas filosofias e as suas criações.

Algumas das criações mais antigas de Elbaz para a Lanvin: Inverno 2004; Primavera/Verão 2005 e Primavera/Verão 2008 ©Reprodução

Sabemos que ligou diretamente para a Sra. Wang (dona da maison) para pedir para trabalhar na Lanvin. Como a convenceu que era o homem certo para o lugar?

Não tive que convencê-la. Mesmo. Eu liguei e ela me retornou uma meia hora depois. Eu falei para ela que estava surpreso de ela ter retornado a minha chamada e ela respondeu: ‘Ouça, se o seu advogado ligar para o meu advogado, o meu advogado responde ao seu’. Uma resposta direta. E essa é a essência da nossa relação.  Somos muito diretos um com o outro.

Quando chegou na Lanvin, aceitou o trabalho como outro rejuvenescimento de uma marca ou como um “começar de novo”, construindo a marca do zero?

Quando se chega a uma casa como a Lanvin, você tem que tomar uma decisão. Ou você quer destruir tudo o que já existiu e começar do zero ou você quer ser um pouco mais positivo, e isso leva mais tempo: olhar para o passado de uma marca e analisar o que a tornou tão especial para existir durante tantos anos. Eu comecei com a abordagem positiva, pois não estou aqui para machucar o negócio.

E como descobriu os códigos secretos da Lanvin?

Quando olhei para os arquivos. A única palavra que não parava de vir na minha cabeça era “desejo”. Então eu trabalhei em volta desse conceito e falei: ‘Vamos fazer coleções para mulheres, dando ênfase ao desejo, o desejo na moda, o desejo no design’. E eu estava muito dentro do design, porque eu vinha da casa de Geoffrey Beene, que era muito focada no design e nós também o trouxemos para o universo do desejo, das mulheres, da realidade, da relevância. Acho que ser relevante é a história da minha vida.

Você é conhecido pelos vestidos. É por que é o que gosta mais de desenhar?

Eu acho que eu sou muito atento às mulheres e eu estou vendo que elas estão mudando. O seu estilo de vida está cada vez mais complexo e mais difícil diariamente. Então eu tento sempre simplificar as suas vidas. Por exemplo, muitas pessoas acharam os vestidos da primeira coleção muito românticos. Mas eu não conseguia ver o lado romântico dos vestidos. Eu via facilidade, simplicidade. Eu via acordar de manhã e ter as crianças e o marido e a sua mãe no telefone e o seu trabalho, e isso antes de inventar o SMS, porque agora tem isso também. As mulheres precisam de alguma coisa um pouco mais fácil no armário, em vez de terem que ficar pensando toda a manhã o que vai bem com o quê. Uma coisa que você puxa o zíper de manhã e tira à noite. E é assim que eu evoluo. Penso em algo e pronto, começo a trabalhar em volta disso.

Foi assim que começou a coleção de noivas?

Sabe, um dia ouço que uma amiga vai casar. E ela não tinha 31, ela tinha 51 anos e eles casaram em uma casinha pequena no sul da França. Ela não queria parecer com a Cinderela e eu falei: “Wow, vou começar a trabalhar nisso”. Então nem tudo é discutido em uma reunião de marketing. Acho que é fazendo parte do momento, como alguém que resolve problemas.

A linha infantil da Lanvin criada por Elbaz em 2011 ©Reprodução

O mesmo para a linha infantil?

Depois de eu ter 14 de 20 pessoas no estúdio esperando bebê, eu pensei que talvez fosse uma boa altura. Já que todo o mundo à minha volta tinha se tornado mãe, resolvi vestir as filhas.

Você parece adepto dos vestidos de cocktail. É verdade?

Eu não gosto muito dessa terminologia. Gosto de vestidos para a noite, porque gosto mais da after party do que da festa em si. Gosto do mistério, do sonho, de vestidos fantasiosos. E eu acho que nós fazemos as mulheres sonhar. As mulheres podem sonhar às 9 da manhã e às 10 da noite, não importa. E para mim também é importante que sejam pragmáticos, práticos e usáveis. Eu sempre digo, ‘se não dá para comer, é porque não é comida e se não dá para usar, é porque não é moda, é outra coisa qualquer’.

O que faz da moda moderna?

Sempre que penso em moderno penso em alguma coisa estranha e feia e tudo o que tento fazer é pensar que moderno pode ser bonito. Modernidade não é couro preto e não é 17 zíperes juntos e não é rock nem heavy metal. Modernidade para mim é beleza e emoção e conforto e atemporalidade.

Quando a Kate Moss usou um dos seus vestidos da coleção de verão 2003 para uma festa de Manolo Blahnik, as celebridades de repente se interessaram na Lanvin. Isso foi decidido em uma reunião de marketing?

Nós não a contratamos para usar o vestido. Ela veio, levou e devolveu. Sou contra correr atrás de celebridades. Se elas nos querem, elas sabem onde nos encontrar. Nós já não somos uma casa pequena. Mas também não somos gigantes. Eu sempre digo que nós somos de tamanho ‘humano’. Tentamos trabalhar com as celebridades pessoalmente, mas eu sempre lhes dou a escolha de vir ou não vir, de estar ou não estar.

Emma Stone, Julianne Moore e Natalie Protman, todas de Lanvin ©Reprodução

Você tem muitos amigos que usam Lanvin: Charlize Theron, Demi Moore e Julianne Moore, só para citar alguns. Como eles são?

Eu não me relaciono com eles no red carpet, nem quando estão rodando um filme. Eu os encontro quando eles acabam de fotografar ou antes de começarem. Eles sempre acham que não vão trabalhar de novo e estão em um momento tão frágil, tão bonito e tão sensível e eu amo porque me encontro com eles em momentos de verdade.

As suas campanhas de publicidade têm muitos resultados. Pode falar mais sobre a sua colaboração com o diretor de arte Ronnie Cooke Newhouse?

Nós rimos muito e choramos muito e achamos que isso é a essência deste trabalho. É como montar uma história. A gente não diz, “Pega uma menina bonita, faz um make bonito e mantém um visual clean”. Nós não começamos como outras marcas começam, com o visual clean. A gente gosta “sujo”! Gosto de algo mais para além de uma menina bonita usando o melhor vestido e a melhor maquiagem. Eu quero outra coisa. Penso muito em luxo e o consenso é que tem que ser muito ‘glossy’ e a maior parte das vezes as pessoas acham que deve ser ‘frio’ para ser respeitado. Você consegue ser você mesmo e ainda ser respeitado.

O vídeo em que dança com modelos foi um sucesso no YouTube. Como isso aconteceu?

Nós fomos ao YouTube e vimos a beleza da imperfeição. As meninas e os meninos que aparecem nos vídeos, sempre parecem muito reais, e isso é que os torna engraçados. Faz você rir e chorar porque a realidade faz você rir e chorar porque você consegue se relacionar com isso. E essa é toda a minha filosofia, que as pessoas precisam se relacionar com as coisas. Eu não quero que elas sintam que estão em uma farmácia em que tudo está lá, mas não pode tocar em nada. Eu quero que as pessoas toquem as minhas peças.

Por que ter um lado humano nas suas peças é tão importante para você?

Eu penso que quando tudo é sobre tamanho e dinheiro e poder, para você sobreviver precisa voltar a ser você mesmo, autêntico. Eu não preciso ser vistoso, preciso ser brilhante e estar certo.

Os seus desfiles são sempre um espetáculo e apelam à emoção. Como faz?

Estou sempre tentando colocar-me na posição das mulheres em cada vestido que faço: ‘Se eu fosse uma mulher, eu usaria este vestido?’. Ou um editor, convidado para um desfile, que espera 45 minutos no escuro, no calor ou no frio, talvez eu gostasse de uma bebida fresca ou de um pedaço de chocolate. É algo muito fácil, muito natural e muito pessoal. Algo que eu gosto de fazer  – deixar as outras pessoas se sentindo confortáveis.

As criações mais recentes da Lanvin: Primavera/Verão 2009; Inverno 2010 e Primavera/Verão 2012 ©Reprodução

Estilista da Lanvin, Alber Elbaz fala sobre pressão da indústria da moda

05/09/2011

por | Moda

alber_abreAlber Elbaz ©Reprodução

Um dos atuais criadores da moda mais interessantes de se ouvir as opiniões, e que ainda conserva um humor dos bons, é Alber Elbaz, diretor criativo da Lanvin, que recentemente deu uma entrevista ao site da revista “Vogue” UK, falando principalmente da pressão sobre os estilistas nos dias de hoje. O bom humor fica por conta da participação de Elbaz no vídeo-campanha da Lanvin, ao lado de Karen Elson e Raquel Zimmermann, que tem que ver até o final! Confira abaixo os melhores pontos da entrevista.

“Eu não entendo essa maratona da moda”, disse o designer à “Vogue” UK. “Hoje, espera-se que os estilistas produzam trabalhos maiores, melhores, mais rápidos e – nos dias de hoje – mais baratos. Um cantor pode sair depois que ele ou ela tenha feito dez grandes canções, um diretor pode terminar sua carreira uma vez que tenha feito cinco filmes incríveis, um escritor só precisa escrever três ótimos livros. Agora vamos dar uma olhada nos estilistas – eles produzem de seis a oito desfiles por ano, a maioria dos designers têm uma carreira de 20 anos, portanto, é preciso criar cerca de 250 coleções nesse tempo. Nem mesmo Danielle Steel poderia escrever 250 livros”, falou Elbaz.

O designer acrescentou: “Você começa a entender por que alguns estilistas fazem coisas estranhas, por que alguns estilistas falam com si mesmos, você tem que encontrar uma maneira de lidar com tudo isso”. Sobre as ferramentas que ele utiliza – ou utilizaria, faz graça: “Eu não uso drogas porque se eu fizesse, eu amaria isso – eu seria um drogado. E como eu sou judeu, provavelmente seria traficante também”.

alber_yslTrabalho de Elbaz na YSL na temporada de Inverno 2000 e Verão 2000 ©Reprodução

Alber Elbaz também falou sobre um período ruim em sua carreira, quando trabalhou como diretor criativa da Yves Saint Laurent, e foi demitido, em 2001, por Tom Ford, e quase deixou de vez o mundo da moda. “Na YSL eu me sentia como o genro, como se eu fosse parte da família, mas nem tanto. Quando fui demitido, me senti como a viúva. Foi doloroso e destruidor, mas não acabou comigo. Eu nunca fui Alber da Saint Laurent, assim como eu não sou Alber da Lanvin. Eu sou apenas o pequeno Alber. E eu sou bem pequeno”. O mundo tem muito a agradecer que ele não tenha desistido da moda, já que foi ele quem revitalizou a maison Lanvin, que estava praticamente entregue às traças.

Antes disso, no entanto, o estilista pensou em entrar na medicina: “Eu pensei em me tornar um médico. Eu sou hipocondríaco, por isso fazia sentido ir para a medicina – eu gosto de enfermeiras, gosto de comida de hospital, mas eu pensei ‘dez anos é muito tempo para treinar e me tornar um médico’. Eu simplesmente não via mais sentido na moda, mas me lembro de estar assistindo algo na televisão e uma mulher tinha perdido seu marido em um ataque terrorista. Eu pensei ‘o que essa mulher está vestindo não importa’, mas depois eu percebi que na verdade nosso trabalho como estilistas é fazer as mulheres sorrirem; levá-las chocolate sem calorias”.

alber_lanvinAlber Elbaz na Lanvin, nos três últimos desfiles da marca ©Reprodução

Hoje o estilista é detentor de inúmeros prêmios importantes de contribuição na moda, como Designer Internacional do Ano em 2005 pelo CFDA, mas o que ele mais se orgulha de ter feito na moda não tem a ver com premiação nenhuma. “Yves Saint Laurent deu às mulheres poder, Chanel as deu liberdade, então quando entrei na Lanvin, eu pensei ‘o que eu daria para as mulheres?’”, contou. “Um dia, eu recebi uma mensagem de texto de uma amiga de Nova York – ela estava em um táxi a caminho do tribunal para enfrentar seu ex-marido idiota, e ela me disse ‘Alber, eu estou usando um vestido Lanvin, e eu me sinto tão protegida’. Aquele foi o maior elogio que eu já recebi. Fazer com que um pedaço de 500 gramas de seda a fizesse se sentir protegida – aquilo me fez muito feliz, de fato”.

H&M libera vídeos e fotos da já hypada coleção com a Lanvin

03/11/2010

por | Moda

Ainda faltam cerca de 20 dias para as peças de uma das colaborações mais aguardadas da H&M chegarem às 200 lojas ao redor do mundo. Mas no último dia 02/11, conforme prometido, a gigante de fast-fashion liberou um pequeno filme com todos _isso mesmo, todos!_ os produtos da coleção Lanvin pour H&M. São vestidos, saias, camisetas, casacos, escarpins e maxi acessórios com a mais pura identidade da grife hoje comandada por Alber Elbaz, só que agora com preços que variam entre €50 e 300. Nada de básicos ou minimalismos neutros, na Lanvin pour H&M o lema é a mais deliciosa extravagância fashion. Prazer hedonísta e muito glamour a preços “populares”.

Em depoimento a imprensa internacional, Alber falou sobre a parceria: “Foi um exercício para eu entender qual é a relação entre o fascínio e o fast fashion. 95% das mulheres não podem comprar um Lanvin, então vamos dar a elas esse gostinho. É como se estivesse vivendo num lugar e abrisse algumas porta e dissesse ‘tomem chá comigo, experimentem a comida’. Não é sobre dar para alguém algo que pertencia a um terceiro, é sobre dividir”.

Veja na galeria abaixo fotos das coleção masculinas e femininas da Lanvin pour H&M.

Lanvin e H&M: confirmada parceria para coleção de fast-fashion

02/09/2010

por | Moda

Confirmou! Depois dos boatos em torno dos teasers sobre a nova parceria da H&M, a Lanvin _uma das marcas de maior prestígio da atualidade_ emitiu comunicado oficial afirmando que se uniu a gigante de fast-fashion sueca para mais uma coleção colaborativa.

De acordo com depoimento de Alber Elbaz a parceria não é sobre a Lavin se tornar popular, e sim sobre a H&M ganhar contornos de luxo. Com isso a grife que vem aos poucos aumentando sua abrangência de marketing _eles abriram recentemente a primeira loja em Nova York_ pretende expandir ainda mais seus mercados para territórios _e consumidores_ totalmente novos.

A coleção chega a 200 lojas H&M ao redor do mundo no dia 23 de novembro, porém um preview será lançado no dia 2 de novembro em forma de vídeo no site da rede de fast-fashion.

Diz que a nova parceria da gigante H&M vai ser com… a Lanvin!

01/09/2010

por | Moda

Estariam H&M e Lanvin prestes a revelar uma parceria? É sobre isso que falam os boatos ventilados na internet desde a última terça-feira (31/08). Foi nesta data que a gigante de fast-fashion disponibilizou em seu canal no You Tube 7 vídeos em preto e branco, nos quais apenas partes dos corpos dos personagens são reveladas.

Porém, segundo nota publicada na manhã do dia 01/09 no jornal “WWD”, o que importa mesmo nesses pequenos teasers não são as imagens, e sim os sons. Ou melhor os “voice-overs” que, apesar de digitalmente modificados, escondem algo extremamente à la Alber Elbaz. “ Design é muito importante, porque ele realmente transforma sonhos em realidade”, ou então, “eu acredito que seja realmente importante ser relevante e não cool”, são algumas das frases apontadas pelo jornal como um sinal da parceria.

Embora nenhuma das duas empresas confirmem os rumores, o mistério já tem data para ser resolvido. No dia 9 de setembro a H&M irá revelar com quem se unirá para mais uma parceria _de sucesso já garantido, é claro.

Sobre como Raf Simons e Lanvin sintetizaram a temporada masculina

30/06/2010

por | Moda

Na semana de moda masculina de Paris (que terminou no dia 27/06) a alfaiataria esteve no centro das atenções. Estilistas dos mais variados pareciam obcecados por encontrar um “novo terno” para o homem contemporâneo. Um uniforme masculino mais “iPad” ou “Twitter”, menos “486” ou “Startac”.

Alteraram proporções, inverteram silhuetas, ampliaram as partes de baixo, ajustaram as de cima, substituíram costuras por zíperes, esconderam botões, eliminaram golas, deceparam mangas e injetaram um pouco mais de criatividade do que aquilo que vimos em Milão.

masculinosYves Saint Laurent, Rick Owes, Kris Van Assche e Dior Homme verão 2011 ©firstVIEW

Stefano Pilati na Yves Saint Laurent eliminou as laterais das jaquetas, transformou calças em bermudas-saias com corte em “A”, e experimentou ao máximo nas proporções. Rick Owens alongou seus blazeres e arrancou as mangas num misto de androginia com religiosidade. Kris Van Assche deu extrema leveza a sua alfaiataria de volumes assimétricos na Dior Homme e a fundiu extraordinariamente com o sportswear numa das melhores coleções de sua própria marca.

Dries Van Noten misturou mods + skinheads e encurtou as barras de suas calças. Paul Helbers fez uma viagem étnico-cultural incorporando diversos elementos (de forma super inteligente) numa de suas melhores coleções para Louis Vuitton. E Riccardo Tisci, na Givenchy, uniu o blazer a calça, agora com gancho baixo, sobre camisa rendada em forma de estampa animal.

Mas o problema da alfaiataria, ou melhor, do terno, vai muito além dessas miudezas de modelagem, silhueta e proporção. Não diz respeito apenas à escassez de empregos, incerteza econômica, tão pouco à flexibilização dos dress-codes dos ambientes de trabalho. O real problema que assombra o tradicional costume masculino é sua atual falta de relevância sóciocultural.

Há muito tempo se foi a época em que a combinação calça + camisa + paletó vinha acompanhada de valores como respeito, prestígio, status social. Em tempos de hiperindividualidade, esse uniforme contemporâneo (em seus moldes convencionais), já não faz tanto sentido na vida das pessoas. São poucos aqueles (e principalmente da geração Y) que encontram nos ternos alguma real conexão com suas vidas.

O que parece faltar na moda masculina, então, é justamente acompanhar essa evolução desenfreada, ultraveloz e experimental que já faz parte das vidas de seus consumidores.

raf-simons-verao-2011Raf Simons verão 2011 © firstVIEW

É por isso que o verão 2011 de Raf Simons parece tão mais convincente. Há 15 anos no ramo, o estilista belga fez valer seu mérito como um dos designers de moda masculina mais vanguardistas do momento (foi ele que lá nos anos 90 introduziu o primeiro terno skinny, bem antes que Hedi Slimane fosse creditado, indevidamente, pela façanha).

Numa coleção repleta de ícones de sua carreira, Simons trabalhou a mesma silhueta alongada que deu o tom da temporada, porém com um impressionante equilíbrio entre precisão e emoção. Amplas calças que cobriam os pés vinham combinadas com suas famosas jaquetas/túnicas sem mangas mais ajustadas ao corpo. Nas costas, aplicou pesados zíperes industriais sobre faixas de cores intensas. A imagem final é menos formal e mais experimental, e nem por isso distante dos consumidores. Como dizia uma das estampas de suas camisetas,  foi uma coleção para falar de realismo (“realness”).

lanvin-verao-2011Lanvin verão 2011 © firstVIEW

Lucas Ossendrijver, sob a tutela do diretor criativo Alber Elbaz, parece também ter capturado o atual clima da moda masculina. Sua mais recente coleção para Lanvin falava justamente da urgência, ação e mobilidade que nos rodeia. Agora a silhueta parecia ansiosamente ajustada ao corpo, barras e acabamentos incompletos sugeriam uma constante pressa, ao mesmo tempo em que roupas ultratexturizadas (vide os ternos em bordados de pequenos recortes de seda) falavam de uma certa intimidade e necessidade de toque.

Algo de esportivo nas blusas enroladas nos ombros ou na cintura, nas calças levemente ajustadas nos tornozelos, nos blazeres abraçando o tronco e nas bermudas de tricô que simulavam aquelas de ciclistas, vinham agora não só falando de uma alfaiataria ou elegância despojada, mas também da agilidade e funcionalidade acentuada dos dias de hoje.

+ Veja as fotos das coleções completas que desfilaram o masculino em Paris Verão 2011.

Revista ’10′ comemora uma década e elege os ‘deuses da moda’

12/05/2010

por | Moda

Para comemorar seus dez anos de existência, a revista “10” resolveu colocar nas bancas dez capas diferentes. E históricas.

Os “deuses da moda” que estampam a edição comemorativa são: Karl Lagerfeld fotografado por ele mesmo, Vivienne Westwood por Juergen Teller, Tom Ford por Jeff Burton, Alber Elbaz por Julio Piatti e Tom de Ruitter, Azzedine Alaïa por Sarah Moon, Domenico Dolce e Stefano Gabbana por Terry Richardson, Donatella Versace por Alexei Hay, John Galliano por Paolo Roversi, Ralph Lauren por Bruce Weber e Helmut Lang numa foto que parece ter sido tirada do seu passaporte.

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Para os interessados, a edição pode ser folheada no site da revista. E, paralelamente às comemorações de 10 anos da versão feminina, eles lançam também a versão masculina, com o modelo Sid Ellisdon encarnando o jogador de futebol, fotografado por Mark Pillai.

Veja na galeria todas as 10 capas da edição:

Lanvin nos correios. Em comemoração aos 120 anos da maison, Alber Elbaz cria selos e produtos exclusivos

03/12/2009

por | Moda

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Se você mora e/ou visita a França com certa frequência, então vai poder estampar suas cartas com selos exclusivos da Lanvin no ano que vem – quer dizer, se você não preferir guardá-los como item de colecionador. Como parte das comemorações do aniversário de 120 anos da maison, Alber Elbaz, diretor criativo da marca, se uniu aos correios franceses para criar dois selos exclusivos que começam a circular em janeiro de 2010.

São dois modelos com os desenhos quase lúdicos e divertidos que são marca registrada de Elbaz – já viu a entrevista que ele deu ao site SPFW? Além disso, vai rolar uma edição limitada de pequenos corações de cerâmica que poderão ser enviados via correio às pessoas queridas.

Outros objetos comemorativos, como lápis, papéis de carta e cadernos também estarão à venda em agências dos correios selecionadas em Paris. Até janeiro, a Lanvin promete que vai lançar um site exclusivo para a comercialização de todos os produtos em edição limitada… fique ligado!

+ www.lanvin.com