Workshop em São Paulo reúne estilistas-cabeça para debate com plateia

29/03/2011

por | Moda

jum-nakao-ronaldo-fraga-fernanda-yamamoto-e-agustina-comasJum Nakao, Ronaldo Fraga, Fernanda Yamamoto e Agustina Comas fazem workshop em São Paulo ©Divulgação

Dica valiosa para quem trabalha, estuda ou simplesmente tem curiosidade pelo universo da moda: nos dias 1º e 2 de abril, o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo vai promover o workshop Trajetos Costurados com oficinas de quatro estilistas convidados: Jum Nakao, Ronaldo Fraga, Fernanda Yamamoto e Agustina Comas.

Cada um terá nada menos do que 3 horas para expor os temas que eles mesmos escolheram: Novas Formas de Modelar (Jum Nakao); Reconstrução do Olhar (Ronaldo Fraga); Trabalho de Superfície e Reconstrução de Volumes (Fernanda Yamamoto); e Criação em Tempos de Interatividade com Novos Meios (Agustina Comas). No sábado, encerramento do evento, será realizado um debate com todos os convidados e perguntas da plateia, com mediação da jornalista Alice Lobo.

De acordo com a organização do evento, a intenção é propiciar a interação entre estudantes e profissionais da moda com estilistas conceituados para expandir a visão e o conhecimento da área. Quer um exemplo de como isso será feito? O FFW conversou com Agustina Comas, a metade residente em São Paulo da dupla IN.USE – relembre aqui o FFW aposta feito com a grife – para descobrir o que ela e sua sócia Ana Piriz, residente em Montevidéu, prepararam para o evento:

A IN.USE tem uma metodologia bastante peculiar, com a comunicação feita pela internet – a ideia da palestra é mostrar essa metodologia?

O objetivo da palestra/workshop é que os participantes experimentem o trabalho de oficina a distância que usamos trabalhando na IN.USE. Ana Mora em Montevidéu e eu em São Paulo, então desde que o projeto começou, em 2008, nossa comunicação é feita usando diferentes ferramentas da internet (skype, flickr, google docs). A criação é feita através do skype, cada uma com seu manequim, trabalhando desde sua cidade.

O que será feito durante o workshop? Você e a Ana vão desenvolver uma peça na hora?

Na primeira parte vamos fazer uma palestra as duas, eu ao vivo e a Ana de Montevidéu pelo skype com a câmera. Mostrando nossa metodologia de trabalho e fazendo a proposta de trabalho para o seguinte momento, quando alguns voluntários dentre os participantes criarão peças experimentando a metodologia de desconstrução/reconstrução a partir de peças prontas.

Isto será feito com a modalidade de oficina à distância; os grupos trabalharão se comunicando com as ferramentas da internet, da mesma forma que a gente faz na IN.USE. O resto dos participantes poderá circular pelas diferentes salas de aula onde os voluntários estarão trabalhando, desta forma serão várias palestras práticas acontecendo em simultâneo, podendo eles escolher que lado da comunicação ver – uma forma dinâmica de assistir uma palestra.

Nesse contexto de consumidores cada vez mais sedentos por novidades, você acredita que há uma real viabilidade para a expansão de modelos de negócios como o da IN.USE, que desenvolve peças únicas a partir de roupas prontas?

A gente trabalha com sobras da indústria têxtil (roupas prontas e também tecidos e aviamentos). É uma fonte de matéria prima ainda não muito explorada e que cresce coleção a coleção com as sobras geradas em todas as etapas de produção da cadeia. Eu acredito que é um modelo de negócios que faz bastante sentido com os tempos que vivemos, com os recursos ficando cada vez mais escassos, já tem bastante material extraído da natureza!

Acho que é um modelo mais difícil de aplicar que o modelo padrão de fazer roupas, mas é totalmente viável. O desafio é retomar o ciclo do produto remixando o que ninguém quis, para fazer um produto com design, boa qualidade e bom gosto. A gente fala que faz uma “ressurreição das roupas”.

Workshop Trajetos Costurados
Centro Universitário Belas Artes de São Paulo – Unidade 3
Rua José Antônio Coelho, 879 – Vila Mariana
Dias 1 e 2 de abril de 2011
Sexta-feira, das 9 às 17 horas
Sábado, das 9 às 20 horas
Preços: R$ 260 (estudantes) e R$ 520 (profissionais)
As inscrições devem ser feitas pelo site Popshoponline.net

A intenção é que o evento seja publicado em forma de livro, que será acompanhado de um DVD com material exclusivo.

FFW aposta: IN.USE investe em moda criativa e 100% reciclada

18/08/2010

por | Moda

inuse_01Imagens do catálogo 2010 da IN.USE ©Ricardo Toscani

Agustina Comas (29 anos, signo: Escorpião) e Ana Piriz (também 29 anos, signo: Virgem) ainda não têm um público definido para sua marca, a IN.USE. Mas nesse caso, a ausência de um target específico não é de todo ruim. Mesmo porque o trabalho realizado pela dupla natural de Montevidéu é praticamente único no mercado nacional. Alinhadas à política da reciclagem, suas coleções são criadas a partir de peças já existentes. Nas mãos das estilistas, sobras de outras marcas e guarda-roupas são matéria-prima para coleções inteiras. Calças viram camisas, camisas viram saias e isso é só o começo. Uma verdadeira “ressurreição das roupas”, como a dupla define seu trabalho. “Roupas velhas/novas”.

O FFW conversou com Agustina _a metade da dupla que reside em São Paulo_ para entender um pouco mais do seu processo criativo e da estrutura da marca. Confira:

inuse_02Imagens do catálogo 2010 da IN.USE ©Ricardo Toscani

Como vocês se conheceram?
Estudamos na mesma faculdade, o Centro de Diseño Industrial de Montevideo, que é a escola pública de moda e design industrial de Montevidéu fundada nos anos 1980 através de um acordo entre o governo italiano e o MEC.

E de onde brotou o interesse na moda?
Eu queria estudar design industrial, o interesse pela moda veio muito mais através do interesse pelo design, pelos objetos, pela funcionalidade, por criar coisas que solucionem algum problema, do que pelo gosto pela moda em si. No segundo ano da faculdade, você tinha que escolher entre Têxtil e Moda ou Industrial. Aí eu fui me identificando mais com o jeito de criar e fazer da moda e naturalmente fui para esse lado.

E a ideia da IN.USE?
Pela experiência que a gente ganhou trabalhando em marcas, vimos que sobrava sempre muita peça depois de cada coleção (inclusive depois das liquidações e bazares), e nos perguntávamos: para onde vai toda essa roupa? Toda essa roupa fica morta? E se pegarmos toda ela e botar de novo na roda? Na época estávamos começando uma parceria com a Magma de Montevideo (grife Uruguaia) e essa foi a desculpa para começarmos com as experimentações.

E o nome IN.USE?
Fizemos um brainstorming buscando um nome que transmitisse o que queríamos. Chegamos a essa palavra que é um jogo entre “in use” (do inglês, “sendo usado”) e “inusé” (do francês, “não usado”). Aí ficou um jogo de palavras. O que está em desuso, em uso. Por isso no logo tem um acento em cima do “e”.

Qual o conceito da marca?
Reviver as roupas que estão paradas. Chamamos elas de roupas velhas/novas _velhas porque estão fora de moda e novas porque nunca ninguém as usou. Remixá-las e colocá-las de novo no ciclo da indústria. Fizemos um vídeo mostrando este conceito de “ressurreição das roupas”, são as roupas “cobrando vida”:

Como é o processo criativo?
Trabalhamos muito pelo Skype, então nosso vínculo é praticamente virtual. O trabalho é muito baseado nas ferramentas de internet (webcams, flickr, google docs, ftp). A inspiração é a própria roupa. Sempre começamos as coleções fazendo workshops livres, onde cada uma vai experimentando no manequim, explorando as possibilidades de vestir uma peça de formas diferentes. Aí vamos gerando um repertório e depois juntamos tudo e vamos vendo o que fica legal para finalizarmos as moulages. Com essa moulage vamos até a oficina para montar as peças-piloto e tocar a produção.

De onde vêm os materiais e peças que vocês usam para confecção das peças?
Compramos de diversos fornecedores, principalmente de fábricas e um pouco também de ateliês. Sempre estamos procurando estoques. Para a coleção de verão só trabalhamos com camisas de homem. A camisa é uma peça ótima de trabalhar, é incrível como cada vez que enfrentamos uma camisa, chegamos a resultados diferentes, chega a dar um nó na cabeça, tem horas que nem você entende como chegou numa forma.

Vocês trabalham com quantas coleções por ano?
Fazemos 2 coleções por ano, mas por conta da parceria que temos com a loja da Fernanda Yamamoto acabamos dividindo essas coleções em 2 menores. Assim entram novidades com mais freqüência. As peças conversam por cores e texturas, mas não queremos que uma coleção mate a anterior. Elas são continuações das anteriores.

E qual o público-alvo da marca?
Ainda não está muito definido, mulheres de diferentes idades e estilos acabam gostando das peças, estamos vendo quem é o publico meio que no dia a dia. Por enquanto fazemos as peças muito mais pela inspiração e curtição de fazer do que pensando num cliente final. Acho que isso virá com o tempo.

Onde vocês vendem suas roupas?
Em São Paulo na loja da Fernanda Yamamoto e neste inverno fizemos um projeto especial de tricô para Manos del Uruguay. Fora isso, já vendemos em Mutate e Magma, duas lojas uruguaias. Em Montevidéu por enquanto estamos vendendo mais entre amigos, mas estamos procurando alguma loja para ter uma parceria por lá.

Hoje você também trabalha como estilista da Daslu. Esse job te influencia de algum modo na IN.USE?
Me influencia em várias coisas, como a exigência com a qualidade do produto. A Lu Pimenta (estilista responsável pelo masculino da Daslu) tem um olho super apurado para fazer um produto bem construído e acabado. Neste tempo trabalhando com ela peguei muito disso. Por outro lado acho que tenho bastante influência do universo masculino e de certas coisas que se leva em conta na hora de fazer roupas de homem (funcionalidade e conforto, por exemplo).

Já tinha feito a linha masculina da marca do Gustavo Kuerten com o Jum Nakao, então me sinto bem tranquila fazendo masculino. Acho que de alguma forma essas duas coisas acabam se misturando no trabalho, mas também a ideia é que seja um espaço de experimentação e diversão, então sempre surgem vontades que na Daslu Homem não consigo satisfazer. Também acho que conviver com valores bem diferentes dos seus é um exercício interessante. Eu brinco que tenho uma vida dupla por fazer estes dois trabalhos e ter as duas convivências que são meio opostos.

IN.USE @ Fernanda Yamamoto
ONDE Rua Aspicuelta, 441 (entre a Fidalga e Fradique Coutinho) – Vila Madalena / SP
COMO CHEGAR veja o mapa
+ fernandayamamoto.com.br