Use com moderação: anos 70 fazem retorno minimal no inverno

14/04/2010

por | Moda

look-anos-70Looks de Kenzo, Salvatore Ferragamo, 3.1 Philip Lim, Chloé e Marc Jacobs ©firstVIEW

O minimalismo está de volta na moda. E se para alguns estilistas a tendência continua apática (looks de modelagem simples e tonalidades neutras como os da Celine e Jil Sander, só pra citar alguns exemplos), para outros ela vem bem menos careta: elementos típicos dos anos 1970 surgem como uma das mais importantes vontades da temporada.

Marc Jacobs e Philip Lim investiram no visual à la Annie Hall (do filme “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, de 1977), dando o pontapé inicial nos setentismos. A confirmação veio em Milão, onde Miuccia Prada e Salvatore Ferragamo reforçaram o movimento, enquanto em Paris coube a Kenzo e a Hannah MacGibbon, na Chloé, dar cara atual ao look de Ali MacGraw no clássico “Uma História de Amor”, também dos anos 1970.

A vibe 70s de agora vem aliada ao clima da estação: um guarda-roupa real para mulheres contemporâneas que precisam de praticidade + sofisticação + elegância. À medida que a modelagem skinny perde força, a pantalona volta a colocar a cintura na sua posição natural, enquanto as pernas ganham mais conforto nas modelagens amplas, quase bocas-de-sino.

No caso das calças, vale mencionar a importância do guarda-roupa masculino com o rigor típico da alfaiataria – elemento essencial para esta estação. Blusas levemente volumosas e arrematadas com laços nas golas são combinadas aos blazeres acinturados e pantalonas evasês. O mesmo pode ser dito para as saias e vestidos alongados que servem de base para sobreposições interessantes com vários tricôs de aspecto vintage que apareceram ao longo de toda temporada. Estampas florais, ou então grafismos geométricos, surgem como alternativa para os tons neutros que prevalecem nesta estação.

Abrir fogo: jaquetas aviador bombardeiam o inverno 2010!

31/03/2010

por | Moda

jaquetas-aviador-balenciagaJaquetas aviador Balenciaga inverno 2004 © firstVIEW

Seis anos depois da Balenciaga desfilar um inverno repleto de jaquetas aviador, elas finalmente retornam aos holofotes: a diferença é que desta vez quem apertou o gatilho foi Christopher Bailey, diretor criativo da Burberry, que revirou o baú de guerra da grife para dar forma e força ao seu desfile de inverno 2010.

jaquetas-aviador-burberryBurberry inverno 2010: o resgate do passado bélico da grife fez ressurgir as jaquetas aviador © firstVIEW

O efeito colateral foi sentido em outras marcas: na 3.1 Philip Lim as jaquetas aviador vieram meio boho, enquanto Just Cavalli e Emilio Pucci optaram por um caminho mais glamourizado. Até a Topshop Unique fez algumas versões mais acessíveis ao grande público, com os forros de lã super aparentes.

jaquetas-aviador-philip-limJaquetas 3.1 Philip Lim, Topshop Unique, 3.1 Philip Lim e Just Cavalli inverno 2010: a jaqueta aviador é um item essencial © firstVIEW

As proporções e modelagens são variadas, indo das mais curtas até as mais longas, passando por versões mais clássicas com golas e lapelas maximizadas. O couro animal também dá lugar aos tecidos e peles sintéticas, e em alguns casos os pelos de carneiro tomam conta também da parte externa das jaquetas.

Como as jaquetas aviador são mais volumosas, cai bem fazer o contraponto com peças ou acessórios minimalistas, pra não exagerar na dose e harmonizar o look. E, é claro, atenção para os termômetros: apesar de super confortáveis para os dias mais frios, elas podem se tornar verdadeiros engôdos nos climas mais quentes.

CURIOSIDADE

As jaquetas aviador são itens de vestuário que saíram dos campos de guerra direto para os guarda-roupas de todo o mundo. Os modelos de couro/pelo de carneiro são os mais tradicionais, mas hoje em dia elas podem vir em diversos materiais, muitos inclusive sintéticos. Quando foram criadas durante a Primeira e Segunda Guerras Mundiais, elas foram pensadas para proteger os pilotos contra as intempéries de voos em elevada altitude, além de serem peças utilitárias. Na ocasião, foram batizadas de flight jackets, mas logo ganharam o apelido de bomber jackets – os militares que as usavam pilotavam aviões de bombardeio. A jaqueta bomber que encontramos hoje em diversas lojas, sem pelos de carneiro, é tipo a bisneta da jaqueta aviador.

A batalha entre peles de verdade e sintéticas: quem deve ganhar?

15/03/2010

por | Moda

Por mais polêmico que este assunto seja, não dá para ignorá-lo: as peles de animais – sintéticas ou naturais (preferimos as sintéticas sempre!) – foram elementos essenciais para a composição do Inverno 2010 no Hemisfério Norte. O derivado do mundo animal foi recorrente nos desfiles de Nova York, Londres, Milão e Paris.

Presentes nos casacos – uma das peças mais importantes da temporada –, as peles apareceram de forma decorativa com foco nas golas, ombros, lapelas, barras e, principalmente, nas mangas. Foram importantes no jogo de texturas e na coordenação dos tecidos de diferentes pesos, sendo usadas para glamourizar e enriquecer as roupas que seriam simples demais para a temporada de frio.

A diferença agora são as tecnologias. Os tecidos animais ganharam tingimentos modernos, textura plumária e uma leveza antes impossível. A coisa avançou tanto que hoje é possível aplicar couro de animal com pelos sem comprometer o caimento final da peça.

cavalli-balenciaga-fendi-furDa direita para a esquerda: peles nos desfiles de Roberto Cavalli, Balenciaga e Fendi © firstVIEW

As possibilidades são várias, permitindo uma ampla utilização do material em formas que extrapolam os pesados casacos invernais. Na Fendi, por exemplo, as peles vieram fundidas a outros tecidos ou até mesmo a diferentes peles num patchwork ultra sofisticado. Na Balenciaga, vieram raspadas quase como aparência de camurça. Na Marni, apareceram com bordados e Roberto Cavalli deu a elas uma leveza extraordinária.

O clímax, contudo, foi o desfile da Chanel, onde Karl Lagerfeld não somente usou peles como elementos decorativos em vestidos e casaquetos, como também cobriu botas, calças e imensos casacos no couro com pelos.

A surpresa maior veio depois da apresentação, quando o estilista confessou que todas as peles eram, na verdade, falsas. “Falsas fantasias”, em suas palavras.

chanel-inverno-2010-fw-2010-pele-fur-animalO fabuloso Expresso Polar da Chanel: todas as roupas tinham peles sintéticas, mas o truque só foi revelado depois do desfile © firstVIEW

É muito possível que o retorno das peles tenha um motor puramente mercadológico: nos últimos anos, lutando contra a recessão e políticas anti uso de peles de animais, os fabricantes do material deram início a uma agressiva estratégia de marketing para incentivar marcas a utilizarem peles em suas coleção.

Mas com uma apresentação impecável da Chanel onde todas as peles usadas eram sintéticas, fica a pergunta: é realmente necessário promover o uso de peles de animais de verdade? O portal FFW acha que não.

“Estamos entrando num período modernista”, diz analista

18/02/2010

por | Moda

Assim como as artes, literatura e música, a moda também passa por diferentes movimentos estilísticos. Do Clássico ao Barroco e Rococó, do Surrealismo ao Futurismo. Segundo a analista de tendências globais do site Stylesight, Sharon Graubard, “estamos entrando num período Modernista”.

Nem tanto pelas formas abstratas que artistas desse movimento gostavam de explorar, mas sim pela extrema atenção ao trabalho com forma e materiais. “Para os Modernistas, o que importa no o conjunto final é a essência do material, a o trabalho de formas pura que explora toda qualidade da matéira”, explica Sharon. “E para o inverno 2010, os tecidos são os elementos mais importantes”.

As texturas – e suas diversas coordenações – são essenciais para dar um toque extra às roupas simples de formas básicas que se mostram como um dos principais rumos desta estação. “Queremos roupas de verdade, não mais aquele básico chato de antes, mas um novo ‘supe básico’”, comentou Sharon em entrevista ao FFW. “Roupas como as que Phoebe Philo mostrou na Celine no verão 2010, ou como Marc Jacobs apresentou em seu inverno 2010”.

Phililp Lim, estilista jovem com faro apurado para o que suas consumidoras desejam, foi outro que sentiu essa necessidade de uma moda mais pé no chão, mas nem por isso menos interessante. Sua coleção apresentada na última quarta-feira (17/02) aqui em Nova York foi uma das mais bem sucedidas da sua carreira, dessa vez trazendo um estudo de materiais responsáveis por enriquecer as peças de cortes e modelagens simples.

3.1-philip-lim-inverno-20103.1 Philip Lim inverno 2010 © FirstView

Buscando inspiração no fim dos anos 1970, quando a Era disco começava a se fundir com o punk, Lim encontrou terreno fértil para trabalhar de maneira sutil a tendência boêmia que também tem sido recorrente.

Casacos impactantes em couro, forrados com lã ou com aplicações de peles (outro elemento recorrente) vêm sobrepostos aos vestidos túnicas leves e blusas transparentes numa excelente coordenação de tecidos de pesos e opacidades diferentes. Calças são um caso à parte. Com cintura alta, corte reto ou levemente evasê, elas são objetos de desejo indispensáveis junto aos casacos de aspecto pesado responsáveis por transformar a menina delicada de antes numa mulher sofisticada com roupas modernas, simples, que transmitem extrema segurança e força.

Nos estúdios Milk, no Meatpacking District, a música começou a tocar bem alto: “I can be a freak every day of the week”. Era o desfile de Jeremy Scott que, depois de algumas temporadas se apresentando em Paris, voltou a seu pais de origem. E enquanto o novo single da cantora Estelle (devidamente sentada na primeira fila do desfile) tinha tudo a ver com o universo da marca, o que se viu na passarela foi quase que o oposto.

jeremy-scott-inverno-2010Jeremy Scott inverno 2010 ©FristView

Se Scott quer ser um freak (aberração, em português) todos os dias da semana, então seu inverno 2010 é mais normal do que se espera. As estampas bem humoradas e as extravagâncias – aqui em fivelas de cinto em forma de corps femininos do tamanho das modelos – estavam todas lá, mas de forma amenizada. As roupas, às vezes decoradas com aplicações de joias, vinham prontas para o consumidor final, como os vestidos de tricô soltinhos, os justos de couro e as jaquetas esportivas.

A mensagem – eque resume a temporada de modo geral – veio no meio do desfile: uma camiseta alongada, de mangas amplas onde se lia a palavra “style” de um braço ao outro, atestando que o inverno 2010 não fala sobre moda, mas sobre estilo.

Na apresentação da grife Proenza Schouler, Jack McCollough e Lazaro Hernandez parecem ter voltado às suas origens para resgatar alguns de seus elementos mais essenciais e misturá-los com a atitude ingenuamente sexy que se tornou característica da marca nas últimas coleções.

Dessa forma, com calças ultra justas de cintura alta, voltam os blazeres e jaquetas que lembram uniformes escolares, às vezes com leve toque militar. Adornados por peles levíssimas (que chegam a ter movimento), eles ganham ar maduro, de mulher sofisticada, mas que não perdeu seu espírito jovem.

proenza-schouler-inverno-2010Proenza Schouler inverno 2010 © FirstView

Vestidos curtinhos, com leggings e meias calças atribuem o mesmo efeito, substituindo as peles por um interessante trabalho de jacquard, ou então ganhando ares mais descontraídos quando combinados aos pulôveres de tricô simples. Interessante também o trabalho de estampas de grafite, mais bem resolvido quando apresentado em boas coordenações de cores, como os brancos com azuis. O resultado final pode não ser tão inventivo ou cativante como o da última coleção da dupla, mas essa retomada do passado e o investimento em peças simples com detalhes especiais faz sentido para o atual momento da moda.

Camisetas de couro: inadequadas ou extremamente desejáveis?

03/02/2010

por | Moda

Tudo começou com o verão 2010 da Celine – que, assim como a Lanvin, se tornou uma grife de referência para algumas marcas brasileiras. Simples, prática e sofisticada, a coleção apresentada pela estilista Phoebe Philo se conectou de imediato ao estilo de vida das mulheres (de verdade) do século 21.

Na mesma temporada, outras grifes como Balenciaga, 3.1 Philip Lim e Hermès investiram numa versão incomum de camiseta. Em vez de algodão, jérsei ou poliéster, elegeram o couro como material para dar forma (e peso) às peças. Meses depois, as camisetas de couro – que não pareciam adequadas – se tornaram extremamente desejáveis.

camisas-de-couroMaison Martin Margiela inverno 2010, Balenciaga, Celine verão 2010 e TNG inverno 2010 © FirstView e Agência Fotosite

Algumas marcas brasileiras resolveram seguir essa micro tendência. Na TNG, Mauricio Ianês brincou com a camiseta de couro, fazendo mixagem com vestidos de tricô. A estilista Patrícia Viera, conhecida como a “papisa do couro” no Brasil, também mostrou algumas variações do modelo.

Já falamos aqui que, através de avançadas tecnologias têxteis, hoje é possível deixar o couro leve, maleável e confortável.

O uso de camisetas não-básicas tem se mostrado uma alternativa esperta na hora de turbinar um look simples. Além disso, é importante relembrar que desde 2008 os vestidos tem perdido força nas passarelas, dando cada vez mais lugar aos looks separates (compostos por 2 ou mais peças independentes). Neste contexto, as t-shirts são essenciais.

Primeiro veio a Prada, depois Hussein Chalayan e até Alber Elbaz (para Lanvin) criaram linhas especiais só de camisetas, adicionando detalhes para fazer a diferença: modelagens, estampas, aplicações e bordados agregam valor e informação de moda, transformando as camisetas nos itens perfeitos para quem busca simplicidade e praticidade, mas sem abrir mão da elegância.

Novas tecnologias transformam o couro no tecido do verão

29/12/2009

por | Moda, Techno

Basta o termômetro subir alguns graus e as peças de couro são devolvidas ao devido lugar: o fundo do armário. Afinal, trata-se de um material pesado e que não permite muita troca de calor entre nosso corpo e o ambiente, certo? Em parte, sim.

O couro, em seu estado natural, tem todas essas características que são muito úteis nas temporadas de frio, mas graças às avançadas tecnologias da indústria têxtil, já é possível utilizá-lo em condições que seriam, outrora, adversas. Não por acaso, o couro foi um dos tecidos mais recorrentes na última temporada de desfiles internacionais (Verão 2010).

Looks verão 2010 de Celine, Alexander Wang, 3.1 Philip Lim e Hermès

Looks Verão 2010 de Celine, Alexander Wang, 3.1 Philip Lim e Hermès ©FirstView

A Hermès, por exemplo, maison conhecida por seus acessórios de equitação e artigos de couro, abusou do material em sua coleção para o Verão 2010. Vestidos, calças e até uma saia plissada bem esportiva ganharam versões no tecido. Alexander Wang, 3.1 Philip Lim e Celine foram outras marcas que utilizaram couro bem leve para dar estrutura à saias, aos vestidos e até blusas que fogem da forma e função clássicas que imaginamos para o couro.

Portanto, esqueça valores como poder, sensualidade e fetichismo. O couro do Verão 2010 vem mergulhado na onda da praticidade do sportswear, mas com um toque extra de sofisticação. Sempre em modelagens mais soltas e confortáveis, ele dá forma e estrutura às peças cotidianas, que se tornam mais refinadas em decorrência do material empregado.

Segundo a estilista Patricia Viera, autoridade máxima no trabalho com o material aqui no Brasil, a tecnologia têxtil está tão avançada que já é possível produzir um tipo especial de couro – até na cor preta – que tem 40% menos penetração de calor, ou seja, é mais fresco e arejado.

Além disso, a tecnologia de corte e tratamento também permite versões ultra finas e com aparência de outros tecidos, conferindo à peça caimento mais confortável, toque mais leve, frescor e grande maleabilidade. Assim, aquela blusa de couro que pode parecer abafada demais, na verdade possui toque tão delicado quanto o da seda.

Vestido de ráfia resinada Reinaldo Lourenço, vestido de tecido sintético Lanvin, vestido de jeans resinado Gustavo Silvestre, vestido resinado Maria Bonita, todos verão 2010 © Agência Fotosite e FirstView

Vestido de ráfia resinada Reinaldo Lourenço, vestido de tecido sintético Lanvin, vestido de jeans resinado Gustavo Silvestre, vestido resinado Maria Bonita, todos verão 2010 ©Agência Fotosite e FirstView

Outra saída pra quem quer investir no visual são os tecidos ou materiais que imitam a aparência do couro. Peças resinadas – como os jeans do Inverno 2010 de Gustavo Silvestre –, látex, PVC, tie-weck e náilon podem ganhar aparência similar a do couro. Mas mesmo assim eles ainda são inadequados para altas temperaturas. O que reforça ainda mais a soberania do couro neste verão.

E você: usaria uma peça feita de couro mesmo no calor brasileiro? Comente abaixo!

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Looks verão 2010 de Celine, Alexander Wang, 3.1 Philip Lim e Hermès