Jeremy Scott: ‘O humor é a coisa mais sexy do mundo’

03/05/2010

por | Gente, Moda

Jeremy-Scott_029Jeremy Scott usa um dos moletons medievais que criou para o inverno 2010 da Adidas © Divulgação

Durante a semana de moda de Paris, o FFW visitou o showroom da Adidas na cidade-luz para conferir de perto a nova coleção assinada pelo estilista americano Jeremy Scott. Com inspiração medieval, o inverno 2010 da marca transforma o streetwear em armaduras esportivas, com moletons relembrando as veste de cavaleiros da Idade Média, formas estruturadas, tecidos metalizados e muitas tachas.

Por que o tema medieval?
Eu já havia trabalhado com referências medievais nas minhas coleções, então é um tema com o qual me relaciono bastante. Gosto dessa ideia de armadura como o começo do sportswear, uma mistura de proteção e agilidade de movimentos. O que tentei fazer aqui foi transformar algo totalmente antigo em moderno. Para isso trabalhei bastante com a noção das superfícies metalizadas e principalmente com a justaposição do rígido contra o macio.

Como esses projetos paralelos (Adidas, Longchamp, etc.) se relacionam com a sua própria grife e com seu estilo?
O que eu faço com a Adidas tem voz própria. Acredito ter criado meu próprio universo dentro da marca. Mas é claro, às vezes há um cruzamento com o que estou fazendo na minha própria marca, mas geralmente as coleções que desenvolvo para outras grifes têm vida própria e independente.

Você já desfilou em Londres, Nova York e Paris. Existe alguma diferença na maneira que as coleções são recebidas entre essas capitais da moda?
Absolutamente. Em Paris é sempre a moda pela moda, você pode ser totalmente over the top ou teatral que está tudo bem, enquanto em Nova York há uma mentalidade mais prática em relação a moda. A cidade é mais comercial, enquanto Londres tem um sentimento de “vale tudo”, sendo que o que vale mesmo é ser criativo.

jeremy-scott-inverno-2010Looks da coleção de Jeremy Scott inverno 2010 © firstVIEW

Seu desfile em Nova York pareceu extremamente focado no lado comercial. O que te levou a essa mudança? Foi o fato de estar apresentando em Nova York ou foi algo no atual clima da moda global?
Em parte foi pelo tema em si: a moda propriamente dita e sobre como às vezes ela se transforma em algo totalmente mercadológico, sem nenhum aspecto criativo de fato. A ideia era brincar um pouco com esses conceitos super clichês da moda. Como o LBD (o “Little Black Dress”), as fashion victims com vestidos com estampas de alvos, a idolatria das marcas quase como uma religião e as cópias. Todos aspectos muitos abstratos sobre a moda que precisavam ser apresentados do modo mais objetivo possível.

Bem crítico, mas sem perder o senso de humor…
Exatamente.

E isso é algo recorrente no seu trabalho: você sempre usa elementos lúdicos, referências pop e pitadas de humor para abordar importantes temas sobre moda, cultura, política e sociedade.
Eu acredito que contar algo com humor é sempre o melhor jeito de fazer valer seu ponto de vista. Penso que quando você sai apontando dedos e pregando seus ideais, as pessoas logo perdem o interesse no que você tem a dizer. Mas quando você conta algo com humor, você atrai a atenção das pessoas, tornando mais fácil o entendimento da sua mensagem. E isso é simplesmente parte da minha natureza. Acho o humor a coisa mais sexy do mundo.

Há espaço para essa moda bem humorada, alegre e cheia de energia?
Com certeza, eu acho que sempre vai haver lugar para esse tipo de moda. É parte do que precisamos em nossas vidas. Sempre precisamos de um pouco de fantasia, um pouco de escapismo. Sim, a moda está ficando mais séria, e temos vistos coisas maravilhosas nessa estética mais austera. Mas acho que, para mim e para as pessoas para quais eu crio, o humor ainda é algo fundamental, assim como o glamour e outros elementos que fazem a vida mais divertida.

Atualmente você está morando em Los Angeles, a cidade influencia de alguma maneira seu trabalho?
Eu adoro morar lá, a qualidade de vida é excelente. Tem um arquitetura super eclética e, claro, tem Hollywood, que torna tudo mais divertido. Com certeza a cidade influencia meu trabalho em tantos aspectos que mal posso identificá-los…

Como a cultura pop?
É um lugar que respira cultura pop. É onde acontece a cerimônia de entrega do Oscar! Acredito que boa parte da cultura pop é moldada em Hollywood.

E a cena noturna em LA?
Eu não acho que a noite de Los Angeles seja tão boa. Para começar tem o horário limite – tudo fecha às 2h da manhã. Mas tudo bem, não é o tipo de vida que levo lá. Eu trabalho, vou jantar, vou ao cinema… Eu tenho Paris, Nova York e Tóqui para sair e curtir a noite.

Então qual a melhor cidade para sair?
Paris é ótima, porque você pode continuar na festa até o dia seguinte, sem parar. Nova York também não é nada mau.

Novo estagiário de Anna Wintour pagou US$ 42 mil pelo emprego

03/05/2010

por | Gente, Moda

anna-wintourEm “O Diabo Veste Prada”, Andy Sachs passa por maus bocados como assistente da editora-chefe da revista “Runway”, sob o comando da temível Miranda Priestly (Meryl Streep). Na história, escrita por Lauren Weisberger (que foi assistente de Anna Wintour na vida real), a personagem tem que ouvir o tempo inteiro que “um milhão de garotas morreriam pelo seu emprego”.

Aparentemente, ninguém precisa morrer para passar um tempo perto da mais poderosa e temida editora de moda da atualidade, só de um pouco de dinheiro: um estágio de 7 dias na “Vogue US” foi leiloado por 42 mil dólares. O valor será integralmente revertido para o Centro Robert F. Kennedy para Justiça e Direitos Humanos, e o nome do ganhador não foi divulgado.

Mrs. Wintour nem esperou: já existe outro leilão, que termina em 13 de maio, em que o vencedor poderá encontrar Anna Wintour, assistir um desfile da semana de moda de Nova York, levar um vale-presente de Christian Louboutin e it bags de Proenza Schouler e Alexander Wang.

Contatos imediatos de quinto grau: JC de Castelbajac invade a Selfridges

30/04/2010

por | Moda

JCdC-at-Selfridges-02

Quem passar pelas ruas Oxford e Orchard em Londres até o dia 30 de junho vai se deparar com uma invasão extraterrestre nas vitrines da Selfridges: trata-se de uma exposição sobre o trabalho do estilista francês Jean-Charles de Castelbajac.

Há 40 anos na moda, o francês de família nobre ficou conhecido por suas criações lúdicas, ultrapop, com inspirações diretamente da arte, música, celebridades e, principalmente, história em quadrinhos e desenhos animados.

A vitrine retrata uma invasão alienígena com as peças de Castelbajac, entre elas o famoso vestido paetizado com o rosto do atual presidente americano Barack Obama. O tema intergaláctico tem um motivo: o estilista declarou se sentir um alien no mundo da moda.

No interior da loja, peças da coleção para o verão 2010, inspirada em piratas, podem ser encontradas ao lado de uma linha de objetos domésticos, roupas de cama, relógios e abajures.

Duplex de Yves Saint Laurent está à venda por US$ 31,4 milhões

30/04/2010

por | Gente

O estilista Yves Saint Laurent, falecido em 2008, foi uma pessoa com muitos bens materiais: lindas coleções de arte, arquivos imensos, mansões em Marrakech, Normandia e Paris – e quase tudo já foi vendido por Pierre Bergé, seu parceiro de longa data que explicou que manter essas coisas, sem YSL, “não faria sentido”.

A novidade do momento é que Bergé colocou à venda o duplex de 11 quartos que pertenceu ao casal, na rue de Babylone, em Paris. São 5.600 m² de área útil mais um jardim de 4.700 m² em um discreto prédio de tijolos vermelhos com entrada privativa e vagas para dois carros.

Interessou-se? O preço inicial do imóvel é US$ 31,4 milhões. A melhor parte é que Bergé costuma reverter parte da renda obtida com essas vendas para as pesquisas contra a AIDS.

Veja algumas fotos do imóvel, quando mobiliado, na galeria e no site de Hedi Slimane, que clicou a residência pouco tempo depois da morte do estilista .

#FFWsetlist: especial BUATI + meninas da Amapô

30/04/2010

por | Cultura Pop

Nesta sexta-feira (30/04) o Lions Nightclub recebe a segunda edição da BUATI aqui em São Paulo.

Organizada por José Camarano e Marcelo Argento, desta vez a festa conta com a presença do DJ residente Gustavo Tatá, de Filipe “Mustache” Raposo, Camila Levy e ainda a dupla Pitty Taliani e Carô Gold, as cabeças por trás da marca Amapô – e que o assinam #FFWsetlist dessa semana! “Esse é o nosso universo musical”, convidam.

Aperte o play:

“Smooth Criminal” – Michael Jackson

“Faz Parte Do Meu Show” – Cazuza

“Redenção” – Fresno

“I Wish” – Skee Lo

“Praieira” – Chico Science

“Livin’ On A Prayer” – Bon Jovi

“Time Of My Life” – Dirty Dancing

“I’m A Slave For  U” – Britney Spears

“Twist and Shout” – Beatles

Meias 7/8 ganham força máxima no inverno dos comprimentos mini

30/04/2010

por | Moda

O FFW avisou: neste inverno, o comprimento das saias vai diminuir. E se você acha complicado usar minissaias, shorts ou microvestidos para enfrentar o frio do inverno, já temos uma solução – as meias 7/8.

O modelo, que chega a ficar até dois palmos acima dos joelhos, oferece várias possibilidades de combinações. A estilista Juliana Jabour, por exemplo, usou meias 7/8 envernizadas, em cores mil, para dar mais vida às suas peças que vinham em tonalidades neutras, com uma pegada mais militar. Já Reinaldo Lourenço optou por modelos mais sóbrios para sofisticar sua coleção que também fala de militarismo. Lino Villaventura, por sua vez, ficou com as meias em cores escuras (roxo, verde, azul, bordô) para dar uma certa graça aos seus vestidos exuberantes.

dior-inverno-2010-meia-sete-oitavosDetalhe da meia 7/8 no desfile da Dior para o inverno 2010: o charme está no pedaço da coxa que aparece entre a meia e a saia ©firstVIEW

O importante é a pequena faixa de pele que fica à mostra entre o começo da meia e o fim da peça de cima. É aí que se concentra toda a atenção e graça do look – aumentando e diminuindo ao caminhar, essa pequena amostra de pele confere sensualidade ao visual.

Quem quiser adotar as meias 7/8 sem correr grandes riscos, pode começar por peças em tonalidades neutras e de cores próximas – o efeito final é superlegal, ajudando a alongar a silhueta. E as meias funcionam para todos os tipos de coxas, das mais fininhas até as mais grossas. No caso das mais cheinhas, é só reduzir a “quantidade” de pele à mostra para um efeito equilibrado.

Marc Jacobs e Liya Kebede na lista dos 100+ influentes da ‘TIME’

30/04/2010

por | Gente, Moda

A equipe FFW adora listas, ainda mais quando é aquela famosa da “TIME” com as 100 pessoas mais influentes do mundo. Na mesma matéria que elegeu o presidente Lula como um dos líderes mais influentes do mundo, Lady Gaga, Robert Pattinson, Banksy, Marc Jacobs e Liya Kebede ganharam espaço – ele o único estilista escolhido, e ela a única top model.

Os textos que acompanham a centena de nomes são costumeiramente escritos por amigos, fãs ou estudiosos – o de Bill Clinton, por exemplo, foi feito por Bono –, e no caso de Jacobs quem fez as honras foi Victoria Beckham: “Marc Jacobs é sem dúvida um dos estilistas mais influentes de todos os tempos. Ele nunca seguiu a moda ou as tendências, ele segue seu coração e dita tendências.” E continua: “Você sempre pode dizer quando alguém está usando Marc Jacobs.”

marc-jacobs-timeMarc Jacobs, o único estilista entre os “Artistas” da lista ©Reprodução

Já Liya, recentemente nomeada Embaixadora da Boa Vontade pela Organização Mundial da Saúde, foi descrita por Tom Ford, que em seus tempos de Gucci impulsionou a carreira da etíope ao fechar com ela um contrato de exclusividade. Ele escreve: “No mundo atual, celebridades ativistas não são raras. O que é raro é encontrar uma cuja devoção e foco vêm de um desejo genuíno de melhorar nosso mundo. O trabalho de Liya vem da sinceridade, e sua beleza é muito mais que superficial.”

liya-kebede-timeLiya Kebede, a top ativista entrou na seção “Heróis” ©Reprodução

A vez deles: modelos masculinos ganham fanzine internacional

29/04/2010

por | Moda

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Acontece no dia 4 de maio (terça-feira), na Cartel 011, em São Paulo, o lançamento do fanzine “Made In Brazil Magazine” – projeto idealizado por Juliano Corbetta, pelo fotógrafo Cristiano Madureira e pelo stylist Heleno Manoel que pretende divulgar e incentivar o trabalho de fotógrafos, produtores de moda, designers gráficos, modelos e artistas brasileiros.

“O projeto surgiu quando fotografei o catalogo de verão da minha marca, a Butch, com o Cris e com o Heleno em agosto no ano passado”, explica Juliano. “Pensamos em desenvolver um fanzine com tiragem limitada focado em beleza masculina, com conteúdo somente impresso, sem interferências de propagandas ou limitações por conta de anunciantes.”

made_in_brazil_magazineOs modelos Evandro Soldati e Arthur Sales na capa e contracapa, respectivamente, da “Made In Brazil Magazine” ©Cristiano Madureira

Segundo o stylist Heleno Manoel, “a intenção é dar a mesma atenção dada as meninas, aos meninos, valorizando a beleza e sensualidade brasileira que os gringos amam e que nós brasileiros muitas vezes não valorizamos.”

Para esta primeira edição, que vem com tiragem limitada de 1.000 cópias, o trio dedicou a publicação aos principais modelos masculinos do Brasil. Evandro Soldati, Arthur Sales, Alex Schultz, Andre Ziehe, Rodrigo Calazans, Romulo Pires, Mateus Verdelho, Leo Peixoto, Francisco Lachowski, Max Motta, Marlon Teixeira e Michael Camiloto são apenas alguns dos 28 meninos clicados por Cristiano. “Resolvemos coletivamente que seria legal que o primeiro número fosse com os maiores modelos masculinos do país, algo até então inédito”.

made_in_brazil_magazine_02Os modelos Rodrigo Calazans e Marlon Teixeira ©Cristiano Madureira

As próximas edições pretendem explorar temas específicos sob o ponto de vista brasileiro, e devem contar com a colaboração de um seleto time de fotógrafos, editores, jornalistas, modelos e personalidades nacionais – ainda não divulgados.

Onde encontrar? “Os fanzines serão vendidos online, em algumas lojas no exterior, e possivelmente na Galeria Mezanino, em São Paulo”, explica Juliano.

As vendas realizadas no site da publicação a ser lançado na quarta-feira da semana que vem (5 de maio) terá entrega global.

+ blogmadeinbrazil.com

+ madeinbrazil.typepad.com

‘Lixo Extraordinário’ de Vik Muniz ganha prêmio nos EUA

29/04/2010

por | Cultura Pop

O documentário “Lixo Extraordinário” foi feito ao longo de três anos no Jardim Gramacho, um dos maiores aterros sanitários do mundo que fica nos arredores do Rio de Janeiro. Os diretores Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley acompanharam a colaboração entre o artista plástico Vik Muniz e catadores do aterro, que acabou resultando em um dos projetos mais famosos e emocionantes do brasileiro: retratos dos trabalhadores feitos do próprio lixo.

wasteland-vik-muniz

A novidade é que o filme acaba de receber o Target Filmmaker Awards, o prêmio mais importante do Dallas International Film Festival 2010. O título se junta a outras duas importantes nomeações de Melhor Documentário, ambas Prêmios da Audiência em Sundance Film Festival 2010 e Festival de Cinema de Berlim 2010 (neste último, “Lixo Extraordinário” também ganhou um prêmio da Anistia Internacional).

As duas produtores do filme, a brasileira O2 Filmes e a britânica Almega Projects, decidiram doar o valor de R$ 25 mil concedido pelo festival para a Associação de Catadores do Aterro Metropolitano do Jardim Gramacho.

No vídeo abaixo é possível ver como a foto que ilustra o cartaz do filme foi transformada numa obra de arte gigante:

+ wastelandmovie.com

+ Canal oficial de Vik Muniz no You Tube: youtube.com/user/VikMunizStudio

Papéis trocados: Anna Wintour na capa da primeira ‘Industrie’

29/04/2010

por | Gente

Engana-se quem pensou que a supermodelo canadense Daria Werbowy seria a capa da primeira edição da “Industrie”: ela perdeu o posto para a figura mais famosa do mundo da moda e que, dificilmente, é capa de alguma revista –  Anna Wintour,  editora-chefe  da “Vogue US”.

No recheio, a primeira edição da “Industrie” traz o editor de moda Karl Templer, o diretor de arte Luis Venegas, o stylist Panos Yiapanis, a brasileira Alessandra Ambrósio, entre outros ilustres da indústria da moda: o propósito da revista é se tornar referência para a indústria, e não para o mercado consumidor.

Se vai dar certo ou não, só o tempo dirá. Mas uma coisa é inegável: Anna Wintour na capa, vende!

industriecoverAnna Wintour na capa da primeira Industrie © Reprodução

SAMO© está entre nós: filme revela intimidade de Basquiat

29/04/2010

por | Cultura Pop

Desde que morreu, em 1988, Basquiat nunca foi tão bem retratado como no documentário “Jean-Michel Basquiat: The Radiant Child”, feito por sua amiga Tamra Davis, que reuniu material inédito de entrevistas e imagens do artista que foi responsável por colocar a arte de rua e o grafite em evidência lá nos anos 80, deixando frases de protesto pelas ruas de Nova York assinadas como SAMO© (“Same Old Shit”, em tradução livre: “a mesma merda de sempre”).

Basquiat acabou virando queridinho de Andy Warhol, responsável por projetá-lo para o mundo das artes por conta de uma exposição que fizeram juntos em 1985.

basquiat

No último Festival de Sundance, o documentário foi elogiado como um dos melhores sobre a vida de Basquiat. Tamra guardou esse material a sete chaves desde a morte do amigo até 2008, quando resolveu juntar tudo e montar o projeto.

O documentário entrou em cartaz no circuito internacional, mas ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.

Veja o trailer:

+ jean-michelbasquiattheradiantchild.com

WGSN exclusivo: o barroco urbano na moda

29/04/2010

por | Moda

O que é barroco urbano? O nome soa um pouco truque, mas a explicação faz sentido: o barroco urbano mistura a estética militar (principalmente francesa) com esportes e elementos rococó (sim, o estilo de decoração!). O barroco se faz presente, além de em tecidos e detalhes do décor, em estampas e aplicações extravagantes no melhor estilo bizantino.

texto-wgsn-barroco-urbanoO Imperador francês Napoleão em quadro de Jean-Louis David; campanha da Adidas; ambiente tipicamente barroco © Reprodução

A ideia é transformar a roupa casual em uma mistura de shapes históricos, proporções e efeitos esculturais – pense nas golas vitorianas características de Gloria Coelho ou nos bordados recentes de Alexandre Herchcovitch.

O bureau fez um guia explicando alguns dos elementos-chave. Confira:

ESTAMPAS

A inspiração pode vir das estampas exageradas da Versace, na época do fundador Gianni Versace, misturadas digitalmente com gemas coloridas, cordas e correntes douradas, bem bling.

wgsn-estampas-barrocoStreetshots de Londres (e) e Tóquio (via Livedoor) ©WGSN

INSPIRAÇÃO NO DÉCOR

Aqui está aberta a porta para experimentação: cordas de cetim e detalhes dourados adicionam opulência ao look, macramé e tapeçaria aparecem em casacos e tricôs e bordados dão nova vida aos tecidos.

wgsn-decor-barrocoStreetshots de Tóquio (o primeiro via Livedoor) e desfile de Inverno 2010 da PPQ ©WGSN

APLICAÇÕES

O uso moderno do barroco aparece através da ornamentação excessiva, mas o contraste com o sportswear ou elementos do boudoir transformam o visual em algo mais urbano.

wgsn-aplicacoes-barrocoEditorial da “Rodeo” #58 (e), Jeffrey Cohen para Contributing Editor e streetshot de Londres ©WGSN

SILHUETAS HISTÓRICAS

Novos shapes podem ser criados através de experimentações com pregas e amarrações medievais, e o uso de tecidos tipicamente de decoração dá volume às peças, criando formas arquitetônicas. A dica é misturar silhuetas históricas com alfaiataria e aplicações joviais.

wgsn-silhuetas-historicas-barrocoClique de Facehunter (e) e streetshots de Londres ©WGSN

A brasileira natural de Goiás que arrebatou a gigante Maybelline

29/04/2010

por | Beleza, Gente

Nos anos 1990, o slogan “Maybe she’s born with it. Maybe it’s Maybelline” tornou-se uma das mais famosas frases publicitárias no âmbito internacional. A lembrança ficou, mas o casting de modelos mudou de tempos em tempos. A novidade de 2010 é que a nova contratada da marca é Lisalla Montenegro (Ten), natural de Goiás, a segunda brasileira a integrar a equipe (a primeira foi Adriana Lima).

lisalla

“Além de ser incrivelmente bela, Lisalla é uma das pessoas mais agradáveis e determinadas que já conheci. Ela tem uma beleza natural e fresca, mas levemente felina”, disse Cyrill Chapuy, a presidente global da marca que atualmente mantém Erin Wasson, Julia Stegner e Christy Turlington como porta-vozes.

Os novos anúncios começam a ser veiculados em junho. Será que vão ter comerciais de TV também?

Estreante na Casa de Criadores, Gabriela Sakate quer fazer roupas ‘possíveis’

28/04/2010

por | Moda

Virginiana, natural de São Paulo e com apenas 23 anos, Gabriela Sakate é uma das novas integrantes do line up do Projeto LAB – braço da Casa de Criadores dedicado aos novos estilistas.

“Minhas inspirações são coisas lúdicas, olhares sobre momentos, situações, objetos” conta. Tecidos não muito estruturados prometem trazer uma certa leveza inspirada nos trabalhos do designer Jaime Hayon, enquanto papéis metálicos e recortes em estruturas fluídas vão dar conta dos destaques da coleção que ela desfila no verão 2011 da CdC.

croqui

Como surgiu o interesse em moda?
Desde pequena sempre quis trabalhar com moda, minha mãe fazia quase todas as roupas dela em uma costureira e eu desenhava os modelos. Mesmo no colégio eu sempre fazia os trabalhos com algum tema de moda, ou desenhava croquis. Daí quando eu tinha 14 anos, comecei a trabalhar com um designer que fazia desenvolvimento de aviamentos de moda, catálogo para algumas marcas, etc. Foi aí, então, que comecei a trabalhar mesmo com moda.

Você cursou faculdade de moda?
Fiz Design de Moda com habilitação em Estilismo na Universidade SENAC.

Você também passou um tempo na Saint Martins, em Londres. Como que foi essa experiência?
Fiz o curso de Estamparia Digital, onde aprendíamos todas as técnicas de utilização dos programas digitais e até mesmo como trabalhar com bases diferentes, possibilitando declinar o curso para a linha de acessórios, etc. Estudar na CSM foi uma das melhores experiências que já tive. A escola é totalmente ligada a explorar a criatividade pessoal, proporcionar ao aluno maneiras de cada um experimentar técnicas novas, conceitos, sair dos padrões estabelecidos na elaboração de projetos. Os professores deixam os alunos livres para criar de verdade e da maneira como se sentem mais confortáveis e acredito que isso é um diferencial de lá.

Você já produz suas coleções? Comercializa em algum ponto de venda?
Produzo. Não tenho ainda um ponto de venda então acabo vendendo através do meu blog (gabrielasakate.blogspot.com) e do Flickr (flickr.com/gabrielasakate). Mas tenho planos de abrir uma loja ainda este ano.

Quem é seu público-alvo?
São mulheres dinâmicas, que buscam estar informadas, valorizam sua independência e que, independente de faixa etária, se sintam jovens. Pessoas que visualizem a moda também como uma maneira de complementar o dia a dia. Acho legal pessoas que gostam de fazer composições. De sair daquele padrão combinadinho. Saber trabalhar a peça, misturando com outras do seu guarda-roupa. Acho que a mulher que vai vestir minha marca também gosta de criar para cada peça maneiras de torná-la usável em diferentes situações.

E qual a principal característica da sua marca?
Procuro trabalhar sempre fazendo peças que podem deixar a passarela e ir direto para a loja. Vejo que muitas pessoas têm dificuldade em coordenar as peças de desfile pois são conceituais demais. Também foco na questão de acabamentos que acho que é um diferencial das peças; além de você oferecer ao cliente um produto de qualidade compatível.

Você diria então que seu trabalho é mais comercial?
Quando falo em peças comerciais é porque acredito que fazer o experimental e trazer coisas novas para a moda não significa apenas fazer peças totalmente revolucionárias em termos de materiais, modelagem e tornar a roupa algo que só possa ser visto na passarela. Acredito que o trabalho de experimentação acaba sendo mais um desafio se aliado ao ponto de vista de como tornar aquela peça algo desejável para se usar no dia a dia.

O Projeto LAB, assim como outros projetos de moda visam sim buscar e trabalhar a criatividade, mas acredito eu que, uma das características desses projetos é visar também o lado empreendedor do negócio, uma vez que, é um projeto para lançar pessoas com ideias novas e, além disso, introduzi-las para se manterem no mercado.

Falando LAB, como surgiu o convite?
Enviei meu portifólio para seleção e soube que havia ganhado.

Na sua opinião qual a importância de participar de um evento como a Casa de Criadores?
É uma maneira de começar um projeto sabendo que pessoas que estão no mercado de moda há muito tempo e que são essenciais para a moda brasileira acreditam no seu trabalho. De certa forma, é saber que essas pessoas viram no meu trabalho algum diferencial e potencial. É um grande desafio e ao mesmo tempo uma realização pessoal.

Tem algum ídolo?
Não…

Nem na moda?
Gosto muito do trabalho do Marc Jacobs, admiro o Phillip Lim e também o Alexandre Herchcovitch, que sempre tem um olhar muito a frente e é bem inovador. Amo o trabalho da Coco Chanel.

Cibelle monta cabaré apocalíptico no ótimo disco ‘Las Venus’

28/04/2010

por | Cultura Pop

Estar fora de moda é cool, e ninguém sabe disso melhor que Cibelle. Sob o codinome Sonja Khalecallon e com a banda Los Stroboscopious Luminous, a cantora paulistana radicada em Londres lança neste mês o álbum “The Las Venus Resort Palace Hotel”, que sucede o bem recebido  “The Shine Dried Of Electric Leaves”, de 2006.

Com 52 minutos e 13 faixas, “Las Venus” é um disco conceitual que se passa no último cabaré de planeta Terra pós-apocalipse. Ela encarna um alter ego tropicalista e punk: Sonja, que abraça tudo o que é exótico, cafona, exagerado e caricato.

“Fui DJ de música exótica por seis anos, é isso que eu ouço. Yma Sumac vestida de princesa Inca dançando no topo de montanhas peruanas nos anos 1940, Gal Costa num vestido de paetês vermelhos sem sutiã cantando ‘cha cha cha’”, conta Cibelle em um depoimento sobre o disco.

Ironicamente, ela acaba mais perto do que é cool. O conceito é traduzido em maneirismos vocais e ritmicos, presentes no quase bolero “Braid My Hair” ou na ensolarada “Man From Mars”. A produção, assinada por Josh Weller (Björk) é cristalina e valoriza os arranjos, ora atmosféricos (“Melting The Ice”), ora minimalistas (“It’s Not Easy Being Green”, um cover dos Muppets!), ora enérgicos (como no single “Lightworks”) .

Assista ao vídeo de “Lightworks”, dirigido por Gustavo Guimarães e Macau Amaral:

Musicalmente, o disco é repleto de acertos, que ela compartilha com colaboradores bacanas como Fernando Catatau (“Cidadão Instigado”), nas faixas “Escute Bem” e “Sapato Azul”, onde evoca Gal Costa. Há também escorregões: “Mr and Mrs Grey” e “Man From Mars” se perdem em melodias pouco memoráveis, e “Sad Piano” tem pouca personalidade. Mas o cabaré de Cibelle (ou melhor, Sonja) traz aquilo que promete: plumas, paetês, diversão e música.

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