Direto de Paris

Bad girls ou jovens rainhas? Tudo sobre a coleção Cruise da Chanel

17/05/2012

por | Moda

A última fila da Chanel, no desfile apresentado no Palácio de Versalhes ©Camila Yahn

“Live fast, die young
Bad girls do it well

Live fast, die young
Bad girls do it well”

A música “Bad Girls”, de M.I.A., serviu de trilha para o desfile Cruise Collection da Chanel, que aconteceu nesta segunda (14.05) nos jardins do Palácio de Versalhes, a meia hora de Paris. O FFW e a revista “Mag!” estavam entre os convidados que presenciaram esse momento especial: um desfile leve e fresco em um cenário deslumbrante e com um final de tarde de céu azul, sem nuvens. Na Chanel não há espaço para erros e até o clima que até então estava instável resolveu colaborar.

A atriz Tilda Swinton, na after-party da Chanel ©Camila Yahn

Os convidados foram acomodados em tendas espalhadas por um corredor de fontes. Entre eles estavam Tilda Swinton, Ines de la Fressange e Vanessa Paradis, mas foi a atriz britânica que concentrou todo o foco de atenção dos fotógrafos e fashionistas, escoltada pelo estilista Haider Ackermann, protegido de Karl Lagerfeld.

Assim que o desfile começa, logo entedemos o cruzamento entre Chanel, Versalhes e M.I.A. Bom, Chanel e Versalhes, como disse o editor de moda da “Vogue”, Giovanni Frasson, fazem parte da bandeira francesa.

Karl recebe Tilda e Ackermann após o desfile ©Camila Yahn

Maria Antonieta viveu no século 18, período que foi marcado pelo estilo rococó, que traduzia os excessos e a busca pelo prazer pessoal da sociedade na época. Na moda, ele é representado por cores delicadas, excessos nos enfeites, formas extravagantes, com laterais armadas, e ornamentos, como fitas, babados, amarrações e flores artificiais. Tudo, claro, feito com materiais dos mais preciosos e, ainda assim, as roupas comunicavam juventude, leveza e riqueza.

Looks do desfile ©Olivier Saillant/Divulgação

Looks do desfile ©Olivier Saillant/Divulgação

Pois tudo isso está na coleção: nos tons clarinhos (rosa, azul e verde entre eles), nos adornos (bordados, aplicações, flores, dourados, laços) e nas armações laterais que vimos em diversas peças e em volumes diferentes. Assim como era a proposta do rococó, as roupas da Chanel também são agradáveis aos olhos e muitas delas podem literalmente sair das passarelas direto para as ruas. O desfile parece acompanhar a trajetória de Maria Antonieta e termina com os vestidos inspirados no “chemise à la reine” (algo como camisa à moda da rainha), as vestimentas brancas de algodão, mais simples, que ela passou a usar para escapar da vida rigorosa da corte.

Final da apresentação da Cruise Collection da Chanel ©Camila Yahn

Jovens rainhas ou bad girls, elas transitam com acesso livre por passarelas, ruas e festas misteriosas na calada da noite. Lindsey Wixon, Carmen Pedaru e Saskia de Braun, uma das modelos do momento de Karl, estão entre as modelos que deram asas a mais um sonho da Chanel. O desfile termina e o sol continua até as 21h, embalando os últimos convidados da after-party, que teve como atração a banda de Alice Dellal, que mostrou seu rock cru com um pocket show de três músicas. O engraçado é que tudo o que acontece em volta parece acompanhar o clima de uma leveza cool ditado pela coleção. Um desfile adorável para uma tarde igualmente adorável.

A previsão para amanhã? Chuva.

Gerais do desfile da Chanel ©Divulgação 

Gerais do desfile da Chanel ©Divulgação

Gerais do desfile da Chanel ©Divulgação

+ Veja aqui as fotos com super-zoom do desfile da Chanel Cruise 2013

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De olho: os highlights da maior conferência de moda sustentável do mundo

16/05/2012

por | Verde

Juliana Lopes, direto de Copenhague

©Juliana Lopes

Os pensamentos e planos em volta de uma grande ação exigem um grande evento. Por isso mesmo o Brasil, referência de recursos naturais abundantes – mas não inesgotáveis – vai hospedar o Rio + 20 em breve. Mas antes, para não perder o pé do que tem acontecido no mundo da moda sustentável, o FFW esteve presente no começo do mês na segunda edição do Copenhagen Fashion Summit. Conheça um pouco quem são e veja o que os palestrantes disseram para a plateia do incrível teatro (super high tech) Opera House.

Princesa Mary da Dinamarca

Super apoiadora de moda sustentável, a princesa da Dinamarca esteve presente nas duas edições do evento. O modo de ser e de se apresentar ao público é uma lição de elegância. Em vez de querer estardalhaços, a princesa sempre entra, discretamente, por algum cantinho que ninguém desconfia. Se estão todos focados na passarela para ver o desfile, ela chega pelo lado oposto. Bonita e bem vestida, lembra ligeiramente Kate Middleton.

A princesa fez um apelo às marcas de moda que protejam e preservem o planeta e os seres humanos. Pediu que as indústrias sejam transparentes, que informem o modo como trabalham e que sejam cuidadosas com o uso de substâncias químicas nocivas. “Information is needed” (“Informar é necessário”), resume o seu pensamento. E no final, um cutucão fashion: “Já ficou fora de moda ignorar esses valores”.

Anne Prahl, consultora sênior do WGSN

Representando o birô de tendências mais famoso do mundo, Anne Prahl frisou a importância de dois elementos basilares para uma moda melhor: informação e conexão. Ou seja, os produtos devem encontrar alternativas para informar de onde e como foram feitos. E o designer deve estar conectado ao consumidor, em um canal de informação onde o consumidor percebe o que está sendo criado e se aquilo respeita determinados valores. O que é mais interessante é que, no geral, se sente a questão de que é importante comprar melhor, mas menos.

Alguns valores que Anne Prahl citou como importantes para esse novo momento da moda: longevidade dos produtos, inovação e criatividade para criar novos tipos de mercado e reutilização de ideias, de matéria-prima, tendência. Enfim, aproveitar mais o que temos, olhar a mesma peça com outros olhos. Estudantes de design, fiquem de olho, a solução vem de vocês!

Helena Helmersson, diretora de Sustentabilidade da H&M

A H&M não se escondeu dessa discussão, apesar de existir um consenso geral de que as empresas de fast fashion abusam da natureza e dos seres humanos para fazer uma moda tão rápida. A presença de Helena é uma ótima oportunidade de continuarmos observando se alternativas estão sendo tomadas. Mas é ainda bem difícil enxergar o processo produtivo da H&M. Helena aconselhou os consumidores, apontando parcela de responsabilidade também a eles, a terem novas táticas de preservação das roupas, inclusive lavando menos. Porém, as roupas da H&M duram menos que as outras, ainda as lavemos menos. Ela também afirmou que a empresa é a maior utilizadora de algodão orgânico no mundo. Mas isso também pode causar impactos!

“As pessoas gostam de moda e eu não quero que elas se sintam culpadas por isso”, disse. “Estamos fazendo tudo o que podemos”. Ok, Helena, então se tivermos certeza da transparência das empresas podemos consumir com tranquilidade.

Kirsten Brodde, chefe das campanhas de “Detox” do Greenpeace International

O Greenpeace vem lançando essa campanha chamada “Detox”, ou seja, desintoxicar as indústrias. Principalmente as poluidoras da água. O discurso de Kirsten foi bem direto ao ponto. “A moda que estraga a água não é nada glamurosa”, falou, mostrando imagens de águas poluídas. Isso porque, em processos de lavagens de tecido, muitos resíduos destroem o ambiente. Sem contar a quantidade de água usada em processos como o denim, por exemplo, em que litros e litros são necessários. Kirsten pediu comprometimento político aos governantes. E disse que um dos objetivos do Greenpeace é transformar consumidores em ativistas. O consumidor ativista, entre outras coisas, simplesmente deixa de comprar as marcas nocivas.

Mas antes de finalizar, Kirsten acenou marcas que vêm demonstrando comprometimento em investigar a si próprias, como Puma, Gucci e Alexander McQueen.

Holly Dublin, assessora de Sustentabilidade do grupo de luxo PPR

O grupo PPR abrange várias marcas de luxo super conhecidas: Stella McCartney, Balenciaga, Yves Saint Laurent, Bottega Veneta e muitas outras. O grupo lançou um documento prometendo, em abril, atingir metas de sustentabilidade até 2016. Reduzir emissão de carbono, conduzir os métodos de trabalho, lançar coleções sem PVC, e não usar nenhum ouro ou diamante que cause impacto social ou ambiental nas comunidades produtoras. O discurso de Holly foi um dos mais cativantes. Ela disse que, se a moda tem a capacidade de influenciar lifestyle e inspirar os outros a seguir, então ela tem capacidade de espalhar esses valores nobres que precisam ser fortalecidos. Holly surpreendeu. Vamos ficar de olho nesse nome!

A conferência rendeu muitas novas ideias e revelou personagens interessantes. O FFW promete divulgar mais sobre o assunto nos próximos posts!

+ Veja mais fotos do Copenhagen Fashion Summit:

1-Copenhagen-Fashion-Summit
©Juliana Lopes

Festival de Cannes

65 anos de história em pôsteres icônicos

16/05/2012

por | Cultura Pop

Os pôsteres das três primeiras edições do festival de Cannes: em 1946, uma ilustração original de Leblanc; em 1947, de Jean-Luc e, em 1949, de G. C. Chevane (em 1948 o festival não foi realizado) ©Reprodução

A 65ª edição do festival de Cannes começou nesta quarta-feira (16.05) e, com ela, os tapetes vermelhos que precedem a exibição dos filmes concorrentes à Palma de Ouro de 2012. A premiação, definitivamente a mais charmosa da indústria, foi fundada em 1946 e, desde 1952, acontece anualmente no mês de maio (até 1951, o evento ocorria em setembro; em 1948 e 1950 não foi realizada, em virtude de problemas financeiros). Para cada edição, é desenvolvido um pôster com os dados essenciais do festival, mas a informação contida é o que menos chama a atenção na maioria desses cartazes – quase sempre com fotografias icônicas ou ilustrações belíssimas, os pôsteres de Cannes tornaram-se parte essencial de sua história, e componente intrínseco de seu fascínio.

Os pôsteres de 2012, 2011 e 2010. Em 2012, Marilyn Monroe foi a escolhida para estampar o cartaz; em 2011, a atriz Faye Dunaway e, em 2010, a francesa Juliette Binoche ©Reprodução

Em 2012, a organização do festival escolheu Marilyn Monroe para estampar o pôster oficial da 65ª edição – uma provável homenagem ao cinquentenário de falecimento da atriz. Se já se passaram 65 premiações nessas mais de seis décadas de evento, há também mais de 60 pôsteres, que refletem a evolução estética desse longo período. O FFW reuniu todos os cartazes de Cannes e apresenta a transformação gráfica por que passou o evento – qual seu preferido?

Os pôsteres de 1953, 1952 e 1951, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1956, 1955 e 1954, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1959, 1958 e 1957, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1962, 1961 e 1960, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1965, 1964 e 1963, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1968, 1967 e 1966, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1971, 1970 e 1969, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1974, 1973 e 1972, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1977, 1976 e 1975 (os três ilustrados por Siudmak), respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1980/1981, 1979 e 1978, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1984, 1983 (adaptação de uma ilustração de Akira Kurosawa) e 1982 (adaptação de uma ilustração de Frederico Fellini), respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1987, 1986 e 1985, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1990, 1989 e 1988, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1993 (Cary Grant e Ingrid Bergman em “Interlúdio”, de Alfred Hitchcock), 1992 (Marlene Dietrich em fotografia de Don English) e 1991, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1996, 1995 e 1994 (adaptação de uma ilustração de Frederico Fellini), respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 1999, 1998 e 1997, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 2001 e 2000, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 2003 e 2002, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 2006, 2005 e 2004, respectivamente ©Reprodução

Os pôsteres de 2009, 2008 e 2007 respectivamente ©Reprodução

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Drops de moda

Lady Gaga censurada, o renascer de um ícone, Amapô com óculos exclusivos e mais!

16/05/2012

por | Moda

A fachada da loja da Louis Vuitton no bairro parisiense de Saint-Germain-des-Prés ©Reprodução

A francesa Louis Vuitton é conhecida pelo seu sentimento de revivalismo: do glamour perdido das viagens, dos baús antigos e, agora, de escrever cartas em papel, à boa maneira tradicional. Segundo o “WWD”, além das canetas, agendas e livros de viagem que já fazem parte do seu repertório, a marca anunciou que vai lançar uma linha de escritório, com papel timbrado, envelopes e material relacionado. O lançamento acontece ao mesmo tempo em que a grife expande a sua boutique em Saint-Germain-des-Prés, bairro parisiense associado a escritores, livrarias e editoras.

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Os modelos da bolsa Baguette a serem relançados pela Fendi ©Reprodução

A bolsa Baguette da Fendi faz 15 anos este ano e, em clima de festejo, a grife vai relançar seis dos seus mais icônicos modelos e um livro com a história da bolsa, publicado pela Rizzoli. Popularizada por Sarah Jessica Parker em “Sex and the City”, aquela que é considerada a primeira it-bag de todos os tempos já teve mais de mil versões e foi criada em 1977 por Silvia Venturini Fendi a partir de “uma necessidade pessoal”, segundo o “Financial Times”. Na época, a designer queria “uma bolsa decorada e bonita, mas com uma alça para libertar as mãos”, revelou a diretora criativa de acessórios da marca. O sucesso foi imediato e as listas de espera mundiais dispararam, apesar do seu preço ligeiramente salgado. Os relançamentos da Baguette estarão à venda nas lojas Fendi já a partir do dia 1º de junho.

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Lady Gaga por Terry Richardson ©Reprodução

Em um país onde o uso de minissaia pode ser considerado um crime pornográfico, imagine o que as roupas de Lady Gaga não significam. Desta vez, levaram ao cancelamento do seu show, o maior da sua turnê asiática com 52 mil pessoas confirmadas e com ingressos esgotados, que a cantora ia fazer no dia 3 de junho em Jacarta, capital da Indonésia. A polícia local viu-se forçada a aconselhar a cantora a cancelar o show quando um grupo de extremistas muçulmanos ameaçou o uso de força para impedir a diva pop de atuar, devido aos seus outfits provocantes.

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Alguns dos designs vencedores Uniqlo + Coca-Cola ©Reprodução

A loja de departamento japonesa Uniqlo juntou-se à Coca-Cola para definir o tema deste ano do UT Grand Prix, um concurso de apoio a novos talentos criativos, feito pela marca desde 2005. O objetivo é que designers profissionais ou amadores de todo o mundo criem uma camiseta que pode ficar disponível para compra no site da marca. As 10 vencedoras desta parceria, já disponíveis no site, foram selecionadas de entre mais de 6 mil designs diferentes vindos de 72 países do mundo.

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Uma das criações da Central St Martins para a Lacoste ©Reprodução

Como comemoração ao primeiro aniversário dos perfumes Lacoste L.12.12, disponíveis em diferentes cores com diferentes aromas associados – branco, azul e verde -, a Lacoste introduz mais uma cor e, consequentemente, mais um aroma: o vermelho, cor que simboliza energia. Para marcar este lançamento, o diretor de design, Christophe Pillet, convidou os alunos da escola londrina Central St Martins para criarem visuais de campanha inspirados pela coleção, com direito a cerimônia de entrega de prêmios no estúdio criativo “Hospital Club” em Londres.

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Modelos da linha Dior Croisette ©Reprodução

Já estão disponíveis no Brasil os novos modelos de óculos da Dior, os Dior Croisette. Com seis modelos diferentes, sendo dois deles de grau, a coleção apresenta releituras anos 70 do modelo aviador. Inspirados no trabalho do ilustrador italiano Rene Gruau, que desde as décadas de 40 e 50, e até aos dias de hoje, vem trabalhando com as melhores casas francesas e publicações internacionais, os óculos são feitos em acetato e custam em torno de R$ 1000.

Dior: Rua Haddock Lobo, 1589, São Paulo

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As designers da Amapô, Carolina Gold e Pitty Taliani ©Divulgação

A marca brasileira Amapô se uniu à Vogue Eyewear para criar uma nova identidade para a marca de óculos. Além dos uniformes utilizados pelas promotoras da marca na Feira Abióptica 2012, as estilistas Carolina Gold e Pitty Taliani criaram também uma mini coleção de acessórios com uma nécessaire, uma coleção de lenços para bolsas, um leque e um chaveiro, de estampas exclusivas. Os novos modelos de óculos que se enquadram nos looks da Amapô vão estar também na passarela do desfile da marca Primavera-Verão 2013 da grife, no SPFW.

No video abaixo, as estilistas falam sobre a parceria:

Ingmar Bergman

Diretor sueco ganha maior retrospectiva este ano no CCBB em três cidades brasileiras

16/05/2012

por | Cultura Pop

Cena de “Gritos e Sussurros”, de 1972 ©Reprodução

Ingmar Bergman está para a Suécia como Tom Jobim está para o Brasil. A comparação pode inicialmente parecer despropositada, mas a magnitude e a relevância de suas obras alçaram o nome de ambos ao posto de estandartes culturais de seus países. Considerado por muitos, incluindo-se aí Woody Allen, o maior diretor de cinema de todos os tempos, Bergman transpôs as barreiras geográfica e idiomática para elevar-se perene sobre o tempo, conservando-se até hoje, 66 anos após seu primeiro longa-metragem, “Crise”, símbolo máximo de sua pequena e fria terra natal. Este ano, o CCBB traz ao Rio de Janeiro, a São Paulo e a Brasília a maior retrospectiva já realizada nacionalmente da carreira do diretor e escritor sueco, com a exibição da maioria de suas películas (boa parte em 35mm) e curso ministrado por Sérgio Rizzo, além de uma palestra inédita com Stig Björkman, documentarista responsável pelos filmes “…Mas o Cinema é Minha Amante” (2010) e “Imagens do Playground” (2009) e pelo livro “Bergman on Bergman: Interviews with Ingmar Bergman” (1970).

Ingmar Bergman ©Reprodução

A retrospectiva, que se chama simplesmente “Ingmar Bergman”, acontece cinco anos após o falecimento do diretor, em 2007. “[...] O que torna uma obra inesquecível e continuadamente importante através dos tempos?” — a reflexão é o fio condutor da mostra, que pretende oferecer ao público a oportunidade de penetrar o denso universo de Bergman, marcado sobretudo pelas problemáticas humanas. Morte, fé, medo, tristeza, traição, doenças físicas e mentais transformam-se em poesia sob as lentes do sueco, que, apaixonado por seu trabalho, escreveu e dirigiu mais de 60 filmes e 150 peças teatrais. A produção artística de Bergman não distinguiu apenas o cinema de seu país, mas também a trajetória de inúmeros atores, como Liv Ullmann, Harriet Andersson, Max von Sydow, Lena Olin, Ingrid Thulin e Erland Josephson; sem mencionar a extensa colaboração com Sven Nykvist, vencedor de dois Oscar de Melhor Fotografia por “Gritos e Susurros” (1972) e “Fanny & Alexander” (1982) .

Dentre as obras que serão exibidas na retrospectiva, que teve início no dia 8 de maio no CCBB do Rio de Janeiro, estão os icônicos “O Sétimo Selo” e “Morangos Silvestres”, ambos filmados em 1957; “Persona” (1966); “Sonata de Outono” (1978), com Ingrid Bergman (apesar da coincidência, a atriz e o diretor não eram parentes) e os já citados “Gritos e Sussuros” (1972) e o autobiográfico “Fanny & Alexander”, bem como longas-metragens menos conhecidos, como “A Flauta Mágica” (1975), “Chove Sobre Nosso Amor” (1946) e “Crise” (1946), esses dois últimos os primeiros da bem sucedida filmografia de Bergman. A mostra se desloca para São Paulo no dia 13 de junho, onde permanece até 15 de julho, e acontece quase que em paralelo em Brasília (19 de junho a 22 de julho). Confira a programação completa no site oficial do evento.

+ Assista abaixo a alguns trailers de filmes icônicos de Bergman:

- Trailer de “Sonata de Outono”, com Ingrid Bergman e Liv Ullmann:

- Trailer de “Gritos e Sussurros”, com Liv Ullmann, Ingrid Thulin e Harriet Andersson:

- Trailer de “Persona” (1966), com Liv Ullmann e Bibi Andersson:

- Trailer de “O Sétimo Selo” (1957), com Max von Sydow:

Mercado

Top fotógrafos unem-se por melhores condições de trabalho

15/05/2012

por | Moda

Editorial de Fabio Bartelt para a revista “Elle” Brasil ©Fabio Bartelt/Reprodução

No dia 04.05 as editoras das principais revistas de moda brasileiras receberam um email do fotógrafo Bob Wolfenson, que há 20 anos está entre os mais cobiçados pelas publicações.

A mensagem avisa sobre uma nova tabela de preços organizada por um grupo de fotógrafos com o objetivo de “rever os preços pagos aos editoriais de moda, congelados há muito tempo”. O texto também lembra que os fotógrafos tiveram que se adequar a fotografia digital, o que resulta em grandes investimentos em equipamento. A cada semestre aparece uma câmera, um computador e um jogo de lentes sempre superiores aos do ano passado.

Pensando nisso, Bob reuniu um grupo de fotógrafos que inclui outros nomes importantes, como Fabio Bartelt, Gui Paganini, André Schiliró, Henrique Gendre, Mauricio Nahas e Jacques Dequeker, para criar e formalizar essa nova planilha de custos que deve vigorar a partir do dia 01.06. “Precisamos ordenar os editoriais de uma maneira que não fique tão indigente. Faz dez anos que as revistas trabalham com os mesmos valores”, diz Wolfenson ao FFW.

Até agora Bob sabe que o assunto repercutiu nas redações, mas ele não recebeu nenhuma resposta ou telefonema por parte das editoras. “Essa iniciativa deveria ter partido dos próprios veículos”, diz. “Se você vai abrir uma revista hoje tem que pensar que tem que ter cachê pro fotógrafo, tem que ter dinheiro pra produção…”.

Editorial de Henrique Gendre para a revista “Vogue” Brasil ©Henrique Gendre/Reprodução

Outra reclamação cada vez mais comum entre os fotógrafos brasileiros é o fato de que as principais revistas de moda, que carregam títulos internacionais, estão em guerra declarada pela edição mais especial e exclusiva, mês a mês. E nessa busca, vão atrás de modelos, fotógrafos e stylists estrangeiros para suas capas. “O cara vem pra cá e não traz nem a câmera dele. Tudo é alugado aqui, eles pedem várias exigências e as revistas aceitam”, conta Bob.

Para Kika Brandão, editora de moda da revista “Alfa”, que integra o portfolio da editora Abril, esse email é um bom sinal. “Fiquei surpresa de perceber que a classe está unida. Tem revistas que pagam muito pouco mesmo e ainda não oferecem estrutura”, diz. “Esse tipo de ação pode qualificar e padronizar o relacionamento desses profissionais com as publicações”.

Para Kika, ainda não é isso o que ocorre. Segundo a editora, a “Alfa” paga aos fotógrafos R$ 2 mil para um ensaio de oito páginas, de fato um valor considerado bom dentro do mercado editorial. Mas isso ainda não parece suficiente na hora de conseguir um profissional renomado, mesmo que a revista tenha uma tiragem de 120 mil a 140 mil exemplares por mês, como é o caso da “Alfa”. “Não existe o interesse por não se tratar de um título internacional”, reclama. “Nossos ensaios são sempre com atrizes de primeiro time, como Camila Pitanga, e eu preciso trabalhar com gente bacana, até mesmo para atender as demandas das próprias atrizes. O que me deixa triste é essa falta de interesse”.

Daniela Falcão, diretora de redação da “Vogue”, também acha a iniciativa válida. “Sobretudo porque acredito que diálogo é sempre bom, e é louvável que os fotógrafos estejam dialogando entre si. Quanto às reivindicações, estamos também dialogando com nossos fotógrafos, para atender da melhor maneira possível as necessidades de cada um. Porque eles trabalham em condições diferentes, estão em momentos diferentes de carreira e de vida, têm aspirações diferentes. Logo, o mais importante para um, não necessariamente é tão importante assim para o outro”.

Com uma tabela padronizando os valores, os fotógrafos ganham na luta por mais direitos e as revistas também têm que melhorar o serviço oferecido. “Isso só vai funcionar se essa tabela for mesmo para todas as revistas. Não adianta ele cobrar pouco de um título internacional, chegar na minha revista e cobrar mais. Isso deve quebrar um pouco a panelinha da moda porque as revistas que não tiverem orçamento vão precisar buscar outros fotógrafos”.

E se isso de fato acontecer, muitos fotógrafos sem espaço no mercado, mas com talento, dedicação e bom gosto, podem começar a trabalhar mais, aprender com essa experiência e se tornar capazes de atender publicações de primeiro nível, abrindo assim o mercado de trabalho na moda. “Faltam revistas que apostem em novos talentos e que deem espaço para quem nunca foi assistente do Bob, do Gui ou do Duran”, diz Kika.

Editorial de Bob Wolfenson para a revista “Alfa” ©Bob Wolfenson/Reprodução

Fotógrafos unidos jamais serão vencidos. Mas e o restante da equipe? Quem joga a pergunta é o stylist Thiago Ferraz. “Trabalhamos tanto quanto e continuamos ganhando o mesmo? As revistas nos dão exposição criativa, mas em troca disso precisamos viver esse perrengue eterno?”, questiona.

Por perrengue eterno, leia-se uma verba que pode ir de R$ 150 a R$ 1.000 por trabalho, dependendo do projeto e da publicação; falta de carro para produção e de verba de alimentação. Fotógrafos, stylists e maquiadores ainda têm que dar um cachê para seus assistentes. “Muitas vezes nós pagamos para fazer um editorial”, diz.

Vale observar que não são todas as revistas que se comportam assim. Existem de fato publicações mais independentes e com poucos recursos e também revistas importantes que mantém uma conduta correta de remuneração.

O que o stylist pede é um mercado mais equilibrado. “Somos parte de um sistema que deve ser padronizado. Cada um tem uma opinião, mas estão todos debaixo do mesmo guarda-chuva. Falar que não tem dinheiro é mentira, pois o mercado de moda está claramente evoluindo, com muitos anunciantes gringos e o editorial precisa acompanhar essa evolução”.

Em uma mensagem postada no Facebook para Thiago, Bob Wolfenson sugere: “Não estamos reivindicando uma inserção do país no mundo? Proponho que cada setor se organize. Acho que de fato o país mudou, o mercado mudou, chegaram grandes corporações e nós continuamos na mesma indigência no setor de revistas. O nosso clamor é por mudanças”.

O que dá para tirar dessa discussão é que, de fato, o mercado de moda, inclusive o editorial, está mudando, o interesse pelo Brasil está aumentando da mesma forma que os investimentos. O fotógrafo, o stylist, o maquiador e a modelo, só para citar a equipe de frente envolvida em um ensaio, são responsáveis por fazer a gente acreditar no sonho da moda, a criar desejo e adoração no consumidor e também a manter nos leitores a expectativa da chegada das revistas nas bancas. Imagem, em uma publicação de moda, é tudo. Nada mais natural que eles sejam levados em conta neste momento de mudanças.  “Amor pela moda, a gente tem pra dar. E tem de sobra”, diz Thiago Ferraz. Mas só amor não paga as contas.

+ Leia abaixo a carta na íntegra criada por um grupo de fotógrafos e enviada para as redações de revistas de moda:

Às Editoras e afins,

Nós, fotógrafos aqui reunidos decidimos por unanimidade rever os preços pagos aos editorias de moda congelados há muito tempo. Apesar dos reajustes feitos por alguns veículos, sentimos que estamos muito defasados em relação aos aumentos concedidos, em qualquer setor, nestes últimos anos.

Sem contar que ao passarmos do sistema análogico para o digital houve um investimento muito grande de nossa parte em equipamentos e adequações. Além disso, o que era custo para as revistas como filmes, polaroids, revelações e ampliações, evaporou-se e virou receita das próprias.

O que começaremos a praticar a partir de 1º de Junho, sem exceções, é uma nova tabela de preços mínimos. Acima disso as negociações serão feitas entre as partes.

Aqui segue a tabela:

  • Editoriais de moda: R$ 300,00 por página.
  • Retratos ou algo que ocupe apenas uma página: R$ 1000,00.
  • Capa da revista: R$1500,00.
  • Equipamento de luz- do própro fotógrafo posto em uso: R$ 800,00.
  • Estúdio: R$ 800,00 a diária.

Quente! Confira o line-up completo do SPFW Verão 2012/2013

15/05/2012

por | Moda

Desfile de André Lima no SPFW Inverno 2012 ©Edu Lopes / Agência Fotosite

Todos já estão ansiosos pela chegada do Verão 2012/2013? A 33ª edição do SPFW, que acontece de 11 a 16 de junho na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo, inicia a temporada de moda brasileira recheada de novidades. Como já falamos aqui, a Forum retorna às passarelas do evento com a estilista carioca Marta Ciribelli; Paula Raia e Ronaldo Fraga retornam ao line-up depois da ausência no Inverno 2012; e Vitorino Campos e Têca por Hêlo Rocha estreiam no line-up, enquanto Maria Bonita, Cori e Mario Queiroz pulam esta edição. Além disso, Cia Maritima e Poko Pano passam a mostrar sua moda praia no Fashion Rio. Reinaldo Lourenço, Cavalera, Paula Raia e Neon farão desfiles externos.

Para esta temporada, a Colcci traz Candice Swanepoel para substituir Alessandra Ambrósio, que recentemente deu luz a seu segundo filho, Noah Phoenix. A modelo sul-africana é a estrela da campanha da linha “Luxury”, que conta com oito modelos de tops em jeans. Ashton Kutcher, que esteve no Brasil nos últimos dois desfiles da marca, não virá para o Verão 2012/13 – o ator está filmando a biografia de Steve Jobs. Já a Animale traz novamente a top britânica Rose Huntington-Whiteley, que é a atual garota propaganda da grife carioca, para abrir e fechar seu desfile. Aguarde, em breve teremos muitas outras novidades e um preview com as coleções que serão apresentadas no próximo SPFW.

Confira abaixo o line-up completo do SPFW Verão 2012/2013 e fique ligado no FFW para a cobertura completa do evento!

11 de junho (segunda-feira)
Animale: 16h30
Alexandre Herchcovitch (fem): 17h45
Tufi Duek: 19h00
FH por Fause Haten: 20h30
Triton: 21h30

12 de junho (terça-feira)
Paula Raia: 11h00
Ellus: 15h30
Movimento: 17h00
Iódice: 18h30
Ronaldo Fraga: 20h30

13 de junho (quarta-feira)
Agua de Coco por Liana Thomaz: 17h00
Uma Raquel Davidowicz: 18h30
Adriana Degreas: 20h00
Forum: 21h30

14 de junho (quinta-feira)
Neon: 15h30
João Pimenta: 16h30
Juliana Jabour: 17h30
Jefferson Kulig: 18h30
Osklen: 20h00
Colcci: 21h30

15 de junho (sexta-feira)
Reinaldo Lourenço: 11h30
R.Rosner: 15h30
Gloria Coelho: 17h00
Alexandre Herchcovitch (masc): 18h30
Vitorino Campos: 20h00
Lino Villaventura: 21h30

16 de junho (sábado)
Cavalera: 11h00
André Lima: 13h00
Têca por Hêlo Rocha: 15h30
Fernanda Yamamoto: 17h00
Amapô: 18h30
Samuel Cirnansck: 20h00

+ O calendário da moda brasileira vai mudar; ajuste começa já em 2012

+ Na temporada Verão 2012/2013, o Rio-à-Porter e o Fashion Rio migram do Pier Mauá para o Jockey Club, no Jardim Botânico. O Rio-à-Porter acontece de 21 a 24 de maio; e o Fashion Rio vai de 22 a 26 de maio — veja o line-up completo aqui!

Correio fashion

Britânicos celebram ícones da moda em coleção de selos

15/05/2012

por | Cultura Pop

Alguns dos selos da coleção com criações de Paul Smith, Vivienne Westwood, Zandra Rhodes e Alexander McQueen ©Reprodução

A empresa de correios britânica, a Royal Mail, criou uma série de selos que vão tornar qualquer correspondência mais fashion. A “The Great British Fashion Stamps” surge como celebração dos últimos 60 anos de moda do país e conta com designs de alguns dos seus estilistas icônicos como Alexander McQueen, Zandra Rhodes, Paul Smith e Vivienne Westwood, que tiveram suas criações mais marcantes fotografadas pelo norueguês residente em Londres Sølve Sundsbø e impressas em selos de correio desenhados pelo designer gráfico inglês Johnson Banks. O lançamento vem também em tempo para a comemoração do Jubileu de Diamante da Rainha e, claro, das Olimpíadas.

Uma coleção que agrada tanto colecionadores quanto fashionistas, o conjunto com todos os selos vem com uma pequena história ilustrada da moda britânica, escrita por Amy de la Haye, professora da London College of Fashion, e pode ser adquirido, assim como os selos individuais, em postos de correio pelo Reino Unido e online no site do Royal Mail ou na sua loja do eBay.

Veja as restantes criações na galeria abaixo:

 

rm_fash_01
©Reprodução
Hardy Amies


Björk

Jornal britânico desvenda as inspirações de uma inspiradora

15/05/2012

por | Cultura Pop

A cantora Björk por Inez van Lamsweerde e Vinoodh Matadin ©Reprodução

A cantora islandesa Björk era uma das atrações principais do festival Sónar, que aconteceu esta sexta e sábado (11 e 12.05) em São Paulo. Após a descoberta de um nódulo nas cordas vocais, porém, a cantora viu-se obrigada, por rígidas orientações médicas, a cancelar alguns shows pela América Latina, entre eles os de Buenos Aires e São Paulo, onde a cantora iria apresentar o seu novo projeto “Biophilia”, cuja complexidade de melodias e ondas sonoras relacionadas com a natureza e ciência o tornaram trilha sonora do naturalista britânico Sir David Attenborough, que usa a sua música como pano de fundo de vídeos da natureza, e de grupos de aprendizes de música que se inspiram nos arranjos de “Biophilia” para estudar o verdadeiro som de diversos instrumentos.

Bjork – Sacrifice [Death Grips Remix]:

Recentemente, o jornal inglês “The Guardian” fez uma lista de inspirações da cantora que inspira milhares. Não é nenhuma surpresa a variedade e particularidade de algumas delas, que vão desde grupos de rap experimentais a cantoras paquistanesas e água de coco.

Death Grips

“A minha amiga Leila Arab me apresentou para eles. Adoro as suas músicas especialmente “Full Moon” e “Guillotine”. Um rap intenso, letras e batidas exuberantes. É muito bom. Eles se destacam porque são muito locais e ao mesmo tempo muito globais, uma mistura fresca de um negro inglês, uma baterista californiana, punk e hip-hop. Normalmente não ouço rap experimental, mas vou descobrindo que existem pérolas, como em qualquer outro gênero musical”.

Amália Rodrigues

“Ouço-a há muitos anos anos, mas recentemente vi um documentário sobre ela – tanta emoção crua! E livre de muitas complicações que a música por vezes tem. A música dela é sempre muito direta, simples e forte, sem enrolações. Ela vai direto ao coração. A sua colaboração íntima com poetas portugueses é admirável. E é bom saber que foi ela quem ajudou em grande parte a definir o estilo musical fado. Descobri o fado acho que há uns 15 anos. Tem a mesma crueza que o flamenco, mas é menos flamboyant, mais austero e forte de alguma forma”.

Ilha da Páscoa

“Estive lá agora porque fizemos alguns shows na América do Sul. As pessoas lá são muito patriotas e muito… polinésias, encantadoras e diretas. É maravilhoso para caminhadas e eu me relacionei muito com o tamanho da ilha e o seu aspecto remoto. É como a Islândia, mas mais extremo – quando o lugar onde você vive é como a sua silhueta, uma extensão do que você está vestindo. E o mito sobre o homem que nadava até às ilhas menores para trazer um ovo de andorinha na cabeça, não é mito, é verdade! E essas mesmas andorinhas voam até à Islândia durante o nosso verão. As mesmas!”.

Clima de floresta tropical

“Preciso, preciso, preciso! E descobri que é muito bom para a minha voz também. 70% de umidade é o ideal para as cordas vocais. Não é muito diferente daquilo com que cresci – a Islândia é muito úmida, mas não é quente. Estive escalando na Costa Rica há algumas semanas e estava chorando por dentro. Não queria mais sair”.

Current Value

“Um criador de batidas com muita energia. Direto! Recomendarem-me e eu adorei. Cada barulho que ele produz tem muita energia”.

Ernesto Neto

Obra do brasileiro Ernesto Neto, “Navedenga” (1998), em exposição no MoMA de Nova York ©Reprodução

“Ele teve uma grande exposição em Buenos Aires, onde estive agora. Gosto muito da forma como ele junta modernidade com coisas mais étnicas e naturais. Tão raro! E tem uma estética de celebração que parece, infelizmente, ser quase ilegal no mundo das artes. Não tenho certeza do que falta [às artes] mas tem alguma parte desse mundo que é um pouco seco…”

The Hearing Trumpet”, de Leonora Carrington

Auto-retrato de Leonora Carrington, “The Inn of the Dawn Horse”, em exposição no Met em Nova York ©Reprodução

“Este livro é tão inspirador! Os ingleses deveriam se orgulhar dela. O livro parece destinado a se transformar em um filme, fluído e com muita imaginação. Adoro a sua liberdade, o seu humor e como ele inventa as suas próprias regras”.

The Hourglass Sanatorium

“É um filme baseado em um livro do Bruno Schulz. Acho que a palavra “surreal” tem sido usada levianamente como uma palavra bonita para definir “estranho”, mas este filme é totalmente surreal para mim. Você entra no sonho e vê a conexão entre ele e a vida emocional… Poucas vezes vi isso tão bem documentado em um filme. É um estado de espírito e eu reconheço o sentimento de admiração”.

Abida Parveen

“Ela é uma cantora paquistanesa com uma voz incrível. É interessante ouvir aqueles poemas cantados por uma mulher. A energia feminina é diferente de alguma forma. Não melhor, só diferente, com mais emoção, pura e mais aberta de alguma forma. Mais receptiva também. É difícil descrever… e eu sou muito vaga descrevendo som!”.

Dirty Projectors

“O seu novo álbum vai sair agora e eu estou ansiosa! Eles são verdadeiramente talentosos, uma das bandas mais interessantes que chegou do outro lado do Atlântico [Estados Unidos]. David [Longstreth] tem uma capacidade quase psíquica de escrever para outras vozes – as suas linhas melódicas mudam de acordo com a pessoa para quem ele as escreve. E ele mesmo é um grande cantor. Me sinto muito sortuda de ter sido como uma mosquinha, acompanhando de perto o seu crescimento, porque eles são muito bons, e sinto que o melhor deles está ainda por vir. O David escreveu para mim para a peça Mount Wittenberg e foi a segunda vez que experimentei algo do tipo [a primeira vez foi com o compositor britânico John Tavener]. Me sinto muito honrada de ser um instrumento deles, uma extensão.  Ainda não mostramos o trabalho ao vivo, mas acredito que será em breve”.

Água de Coco

“Adoro! É a coisa mais alcalina que se pode encontrar e eu uso para tudo. Sabia que pode passar por uma transfusão de sangue só com água de coco? Em termos nutricionais, é a única coisa com a qual você pode sobreviver sem precisar de mais nada! É bom saber para se alguma vez ficar preso em uma ilha deserta”.

Caminhadas

“Adoro caminhar, na Islândia principalmente porque tem um monte de trilhas incríveis. Também amei fazer caminhadas em Idaho, nos Estados Unidos, e em Yakushima, a ilha da floresta tropical que serviu de casa à Princesa Mononoke. É mágico. Tem algo no ritmo de caminhar que passado mais ou menos uma hora e meia, o corpo e a mente entram em sintonia. Escrevi a maior parte das minhas músicas caminhando e acho definitivamente que é uma das melhores maneiras de pegar tudo o que está acontecendo, costurar tudo junto e ver a sua vida como um todo. E caminhadas em cidades não são a mesma coisa, tem que ser em um ambiente rural”.

Alejandro Jodorowsky

O psicomago chileno Alejandro Jodorowsky ©Reprodução

“Tenho visto algumas entrevistas dele sobre psicomagia e o seu episódio sobre tarot. É excelente. Gosto da forma como ele é apaixonado e muito pé-no-chão com estes assuntos que muitas vezes são tratados com uma transcendentalidade bizarra. Acima de tudo, gosto muito da visão sul americana de modernidade e natureza.”

Rios e Portos nas cidades

“Como já devem ter notado, tenho uma relação complicada com cidades. A maior parte das minhas turnês, que já faço há dois terços da minha vida, são em cidades. O que sempre me salva são os passeios que faço em portos, junto à água. Ou em algumas cidades loucas como Hong Kong em que vou para o topo dos arranha-céus e fico perto do céu. Desde que me mudei para Nova York, há 12 anos, a minha família tem-me ajudado a resolver este problema. Começamos por ter um barco bem velhinho, depois um enorme onde planejávamos viver durante um tempo e agora temos um meio-termo, perfeito. Quando a matriz de concreto fica desesperadora, podemos acelerar pelos canais e fugir um pouco.”

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Voodoohop + Cinema

Festa recebe o festival londrino Future Shorts nesta quarta, em São Paulo

15/05/2012

por | Cultura Pop

Pôsteres de “Bear”, de 2011, e “Venus”, de 2010 ©Reprodução

A Voodoohop foi criada há mais de dois anos com o intuito de adicionar elementos artísticos à agitada noite paulistana, bem como revitalizar áreas abandonadas da cidade, adicionando música, performances, exibição de vídeos e até live painting. O clima propositalmente hedonista – e nonsense – garante a cada edição uma surpresa, como já avisa a descrição publicada no site oficial da festa. Nesta quarta-feira (16.05), a novidade será a realização do festival londrino Future Shorts, que foi concebido em 2003 para apresentar a produção de curtas-metragens desenvolvida internacionalmente na última década, além de disseminar a cultura das películas de menor duração.

A primeira edição do “Future Shorts” no Brasil será realizada no térreo do Trackers Towers, localizado no bairro da República, e contará com a presença do documentarista britânico Edward Davies, que atualmente mora em São Paulo. “A cada três meses os organizadores mundiais do festival fazem uma seleção que é enviada para os representantes do evento ao redor do mundo”, contou Davies. Para a estreia, serão oferecidas duas sessões – às 21h e às 22h30 –, onde o público poderá conhecer curtas-metragens de países como Austrália, Dinamarca, Estados Unidos, Reino Unido e, claro, Brasil.

Entre os destaques do festival estão os curtas-metragens “Morrer ao seu lado” (2011), animação dirigida pelo americano Spike Jonze em parceria com o francês Simon Cahn; “Te amo demais” (2007), da inglesa Sam Taylor-Wood; e “O Braço” (2011), de Brie Larson, Sarah Ramos e Jessie Ennis, que venceu neste ano o prêmio Especial do Júri no Festival de Sundance. Confira abaixo a programação completa do evento, que além da exibição dos filmes, terá discotecagem de Laurence Trille, Thomas Haferlach e Uala Vandeik.

Primeira Sessão (21h):

“BEAR” (“Urso”)
Direção: Nash Edgerton
Ano: 2011
País: Austrália

“QUADRANGLE”
Direção: Amy Grappell
Ano: 2010
País: Estados Unidos

“VENUS”
Direção: Tor Fruergaard
Ano: 2010
País: Dinamarca

“L’HOMME SANS TETE” (“O Homem sem Cabeça”)
Direção: Juan Solanas
Ano: 2003
País: França

“THE ARM” (“O Braço”)
Direção: Brie Larson, Sarah Ramos e Jessie Ennis
Ano: 2011
País: Estados Unidos

Segunda Sessão (22h30):

“MOURIR AUPRÈS DE TOI” (“Morrer ao seu lado”)
Dir: Spike Jonze & Simon Cahn
Ano: 2011
País: França

“LOVE YOU MORE” (“Te Amo Demais”)
Direção: Sam Taylor-Wood
Ano: 2007
País: Reino Unido

Filmes brasileiros – Exibição especial:

“MEU MEDO”
Direção: Murilo Hauser
Ano: 2010
País: Brasil – 2010

“MURO”
Direção: Tião (Bruno Bezerra)
Ano: 2009
País: Brasil

- Vídeo promocional do festival Future Shorts com os trailers dos curtas-metragens que serão exibidos no evento desta quarta-feira (16.05):

Future Shorts @Voodoohop
Local: Trackers Tower (R. Dom José de Barros, 337 F.11 3337-5750)
Data: 16 de maio de 2012
Entrada: R$ 10 (até 21h). Após, R$ 15 (Entrada somente com nome na lista)
Sessões às 21h e às 22h30
Todos os filmes têm legendas em português.

Sónar 2012

Saiba como foram os dois dias de festival e assista aos vídeos das apresentações

14/05/2012

por | Cultura Pop

Com a colaboração de Juliana Knobel

Sónar SP ©Divulgação

A 2ª edição do Sónar São Paulo aconteceu neste fim de semana (sexta-feira, 11, e sábado, 12) no Parque do Anhembi, em Santana, e trouxe à capital paulistana mais de 50 atrações musicais. Nomes já estabelecidos, como os alemães do Kraftwerk, os escoceses do Mogwai ou os franceses do Justice, dividiram os três palcos do festival com artistas menos conhecidos do grande público, mas que são verdadeiras promessas, como o britânico James Blake e o brasileiro Silva. A proposta do evento, criado em 1994 em Barcelona, na Espanha, é essa mesmo: atuar como plataforma para os novos talentos, unindo a vanguarda ao mainstream.

Além da música – em sua maioria eletrônica e experimental, já que o evento se chama Festival Internacional de Música Avançada e New Media – o Sónar apresentou uma programação repleta de efeitos audiovisuais marcantes e até um espaço dedicado à exibição de documentários e curtas e longas-metragens, chamado SonarCinema.

Dia 1 (sexta-feira, 11 de maio)

James Blake (DJ set) 

James Blake em sua apresentação como DJ no primeiro dia de Sónar ©Juliana Knobel/FFW

Pela primeira vez no Brasil, o cantor, multi-instrumentista e produtor inglês James Blake fez não apenas uma, mas duas apresentações no Sónar. Na sexta-feira (11.05), o músico tocou um set especial como DJ no palco principal, o SonarClub – entrou pontualmente no horário marcado, às 21h30, mas o público ainda não era muito grande; talvez por se tratar de um dia de semana muitas pessoas chegaram ao festival após as 22h.

Muti Randolph & Clara Sverner

Clara Sverner ©Juliana Knobel/FFW

Apesar do atraso de 30 min, a apresentação de Clara Sverner no palco SonarHall foi emocionante e um espetáculo audiovisual inovador. Em paralelo a cada nota tocada pela pianista, efeitos gráficos de imagem e luz, desenvolvidos por seu filho, o designer carioca Muti Randolph, apareciam no telão ao fundo. A intenção do projeto é transformar a experiência de um recital, trazendo interação e possibilidades imaginativas ao espectador.

Kraftwerk

Kraftwerk ©Juliana Knobel/FFW

A apresentação mais esperada da noite, e talvez de todo festival. Os alemães do Kraftwerk entraram no SonarClub sob uma ovação da plateia, já muito mais numerosa após a saída de James Blake. O show, em 3D, baseou-se em uma série de performances que o grupo fez em abril no MoMA (Museu de Arte Moderna), em Nova York. “The Robots” foi a primeira música a ser tocada e a ela se seguiram outros clássicos da banda, como “Spacelab”, “Numbers” e “Autobahn”.

Com duração de cerca de 1h30, a apresentação emocionou e empolgou os presentes. Apesar dos mais de 40 anos de carreira, o Kraftwerk mostrou que está atualizado e é ainda um dos grandes expoentes da música contemporânea.

Criolo

Criolo empolgou a plateia do SonarHall ©Divulgação

A grande atração brasileira da noite, Criolo empolgou a plateia do Palco SonarHall com um show que, apesar de ter se iniciado durante a apresentação do Kraftwerk, estava repleto de pessoas. O rapper deixou as cadeiras do auditório vazias – à frente do palco os presentes dançavam e cantavam os sucessos do paulista, como “Não existe amor em SP”, “Subirusdoistiozin” e “Samba Sambei”.

Chromeo

Chromeo ©Juliana Knobel/FFW

O duo canadense de electro-pop atraiu o público remanescente do festival para o SonarClub e, de acordo as palavras do vocalista Dave 1, esse foi o “primeiro show” de verdade da dupla no Brasil (anteriormente eles haviam vindo ao país para tocar em uma festa fechada para poucas pessoas). Os presentes dançaram e cantaram as músicas do Chromeo, que, em cerca de 1h de apresentação, misturou hits, como “Tenderoni” e “You’re so Gangsta”, a canções novas sem que a plateia perdesse o interesse.

Dia 2 (sábado, 12 de maio)

Gang do Eletro

Os paraenses da Gang do Eletro ©Divulgação

Diretamente do Pará, a Gang do Eletro foi uma das primeiras atrações do segundo dia de Sónar. Apesar da quantidade relativamente pequena de pessoas, algo compreensível para o horário (17h30), o palco SonarVillage foi dominado pela animação do quarteto, que mistura em suas canções elementos da música caribenha e eletrônica ao tecnobrega e ao carimbó, criando o que a banda denomina “eletromelody”.

DJ Waldo Squash, Marcos Maderito, William Love e Keila Gentil fizeram uma apresentação memorável, assim como seu figurino fosforescente, e mostraram o que o Pará tem de mais divertido ao público paulistano.

SILVA

O capixaba Silva em apresentação no Sónar ©Divulgação

Uma das promessas da nova música brasileira, Lúcio Silva de Souza, ou simplesmente Silva, apresentou-se no palco intimista do festival, o SonarHall. Com apenas 23 anos, o capixaba é violonista de formação clássica, mas também toca vários outros instrumentos – no concerto de sábado, Silva contou somente com o auxílio de um baterista. Apesar de só possuir um EP com cinco faixas, lançado no final de 2011, as cerca de 400 pessoas presentes no auditório cantaram com real conhecimento as faixas do álbum – além de outras compostas mais recentemente e disponibilizadas online pelo músico.

Alva Noto & Ryuichi Sakamoto

A dupla Alva Noto & Ryuichi Sakamoto em apresentação no Sónar São Paulo ©Divulgação

A dupla formada pelo alemão Alva Noto (Carsten Licolai) e o japonês Ryuichi Sakamoto apresentou-se no SonarHall e lotou o auditório com sua música experimental – elementos característicos da sonoplastia, como barulhos conseguidos eletronicamente, unidos ao piano clássico, criaram um amálgama sonoro.

Sakamoto é um compositor brilhante e já colaborou com diversos artistas brasileiros, como Caetano Veloso e Gilberto Gil, além de ter sido fundador, no final dos anos 1970, da Yellow Magic Orchestra. A plateia presente no concerto contemplou a execução das músicas da dupla em profundo silêncio.

Mogwai 

Os escoceses do Mogwai ©Divulgação

Os escoceses do Mogwai já têm uma carreira sólida – a banda foi formada em 1995, em Glasgow – e são conhecidos como percussores do “post-rock”. A apresentação do quinteto foi uma das prestigiadas do festival: o palco SonarHall ficou completamente lotado de pessoas que, em pé ou sentadas, assistiam maravilhadas a maestria instrumental do grupo, que constituiu a atração mais rock n’ roll do evento.

Cee Lo Green 

Cee Lo Green ©Divulgação

Aparentemente deslocado no line-up do Sónar, Cee Lo Green fez uma apresentação divertida no palco principal do evento, o SonarClub. Muito simpático, o cantor americano interagiu bastante com a plateia e comemorou com doses de tequila a vinda ao Brasil.

James Blake 

James Blake em sua apresentação ao vivo no Sónar São Paulo ©Divulgação

A segunda apresentação de James Blake no festival foi um show intimista no palco SonarHall, onde o músico mostrou seu repertório para uma plateia atenta e silenciosa. Apesar dos problemas com o som, que muitas vezes não suportavam as notas graves presentes no trabalho do inglês, o show foi muito bonito.

Justice

Justice no Sónar São Paulo ©Divulgação

Gaspard Augé e Xavier de Rosnay, mais conhecidos como a dupla francesa por trás do Justice, lotaram o SonarClub com suas batidas eletro-pop. A plateia não parou de dançar um minuto e os hits do primeiro álbum do duo, em especial “D.A.N.C.E”, foram os momentos mais animados da apresentação.

Drops de moda

A expansão de Manolo Blahnik, H&M pró-água, as estampas Kate Spade e +!

14/05/2012

por | Moda

Nadezhda Fedotova, aluna da Central St Martins, com o seu design vencedor ©Reprodução

Para celebrar os dez anos do programa de patrocínio firmado entre a escola londrina Central St Martins e a Swarovski, a luxuosa marca de cristais e pedras preciosas desafiou os alunos do primeiro ano do curso de Design de Joias a criarem peças de joalharia únicas e criativas utilizando as suas pedrarias. Foram criados quatro grupos de inspiração com os temas Berlim, Istambul, Ficção e Luminescência, para os quais os alunos tinham que criar uma peça final, apresentada na sexta-feira (11.05) à diretora criativa da marca, Nadja Swarovski, à designer de joias Hannah Martin e à editora digital da revista “Grazia” inglesa, Jessica Vince. As oito peças vencedoras, que você pode ver no vídeo abaixo, surpreenderam todos os jurados pelos seus “designs inovadores e ao mesmo tempo muito usáveis”, de acordo com a própria Nadja Swarovski, e estarão expostas na Central St Martins de 14 a 18 de maio.

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Uma das imagens da campanha de Pre-Fall 2012 clicada por Lagerfeld ©Reprodução

Enquanto esperamos pelas imagens e comentários do desfile da Chanel Cruise collection, que acontece segunda-feira (14.05) nos jardins do palácio de Versailles em Paris e onde está a editora-chefe do FFW, Camila Yahn, podemos relembrar, através das imagens da campanha, a coleção de Pre-Fall 2012 da grife, que teve inspiração indiana. Clicada por Karl Lagerfeld e com styling de Carine Roitfeld, a modelo Daria Strokous é o rosto da campanha P&B da coleção que ligou Paris a Mumbai.

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Detalhe de um sapato Manolo Blahnik ©Reprodução

O sapateiro Manolo Blahnik vai expandir o seu império no Reino Unido. O designer de sapatos queridinho de Carrie Bradshaw, do seriado Sex and the City, que só tinha uma loja no sossegado bairro inglês de Chelsea, assinou um contrato para começar a vender as suas criações nas lojas de departamento Harrods e no recentemente aberto shopping boutique The Liberty em Londres. A boutique já tem algumas criações de calçados e conta ainda com bolsas, lenços e artigos de escritório com as estampas de Blahnik.

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Imagem da campanha Primavera-Verão 2012 da Kate Spade ©Reprodução

Para apresentar a sua coleção Primavera-Verão 2012, a marca americana Kate Spade organizou um desfile para esta quarta-feira (16.05) às 11h na galeria Zipper em São Paulo, a ser antecedido por um brunch para imprensa e convidados. A coleção, que conta com as ilustrações da artista australiana Florence Broadhurst, é divertida ao estilo Kate Spade e remete a grafismos P&B bem anos 70, juntamente com toques de neon rosa e amarelo.

Abaixo você pode ver o delicioso vídeo da campanha:

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Dois dos looks da coleção  H&M for Water ©Reprodução

A gigante de fast-fashion H&M lançou a coleção socialmente responsável H&M for Water, que terá 25% de suas vendas revertidas à ONG WaterAid, que ajuda a fornecer água e condições básicas de saneamento a áreas pobres no mundo. A coleção, inspirada no Havaí, é toda pensada para o verão e para toda a familia, com peças que vão desde maiôs retrô e vestidos floridos a bermudas e camisetas masculinas – todas com versão infantil. Feita com algodão orgânico e outros materiais mais sustentáveis, a coleção H&M for Water estará à venda a partir de 31 de maio, em cerca de 200 lojas em todo o mundo. Confira abaixo mais peças da coleção:

Cannes 2012

Festival começa hoje; conheça os concorrentes à Palma de Ouro e veja os trailers

12/05/2012

por | Cultura Pop

Cartaz da 65ª edição do Festival de Cannes e pôster de “Moonrise Kingdom”, filme  de Wes Anderson que abrirá o evento ©Reprodução

A 65ª edição do Festival de Cinema de Cannes acontece dos dias 16 a 27 de maio na cidade homônima, localizada ao sul da França. De acordo com a “Folha de S.Paulo”, foram inscritos aproximadamente 1.779 filmes, mas apenas 21 foram escolhidos para disputar a Palma de Ouro, incluindo “Na Estrada” (“On The Road”), dirigido pelo brasileiro Walter Salles e produzido por Francis Ford Coppola.

- Trailer de “On The Road”, de Walter Salles:

Além dos filmes concorrentes, o festival exibirá em sua abertura “Moonrise Kingdom” (ainda sem título em português), novo longa de Wes Anderson, protagonizado por Tilda Swinton, Bruce Willis, Bill Murray, Edward Norton e Harvey Keitel. Já “Thérèse Desqueyroux”, última película dirigida pelo francês Claude Miller, que faleceu no início de abril, será responsável pelo encerramento. A atriz franco-argentina Bérénice Bejo, que atuou ao lado de Jean Dujardin em “O Artista”, será a mestre de cerimônias dessa edição, que, aliás, trouxe Marilyn Monroe em seu cartaz publicitário, uma provável homenagem ao cinquentenário de falecimento da americana.

- Trailer de “Cosmopolis”, de David Cronenberg:

Nanni Moretti, diretor italiano de filmes como “O Quarto do Filho” e o recente “Habemus Papam”, será o Presidente do Júri da competição. Nesta quarta-feira (25.04), foram anunciados por Thierry Fremaux, diretor do Festival, os demais membros do júri: o designer francês Jean Paul Gaultier, os atores Ewan McGregor e Alexander Payne, a atriz alemã Diane Kruger e o diretor haitiano Raoul Peck. Na lista dos longas concorrentes, destacam-se “Amour”, do alemão Michael Haneke, vencedor da Palma de Ouro em 2009 por “A Fita Branca”; “Cosmopolis”, adaptação do canadense David Cronenberg para o livro homônimo de Don DeLillo; e “Like Someone In Love”, do iraniano Abbas Kiarostami, também já ganhador do prêmio máximo de Cannes em 1997 por “Gosto de Cereja”; além de “Vous n’avez encore rien vu”, do local Alain Resnais.

Pôsteres de “Na Estrada”, de Walter Salles, e “Cosmopolis”, de David Cronenberg ©Reprodução

Os curtas-metragens e os filmes “escolares” também são prestigiados no Festival de Cannes. Na categoria de curtas foram selecionadas 10 produções internacionais, todas de, no máximo, 15 minutos: “Mi Santa Miranda”, “Gasp” (“Souffle”), “Ce Chemin Devant Moi”, “Waiting For P.O. Box”, “The Chair”, “Night Shift”, “Chef De Meute”, “Yardbird”, “Cockaigne” e “Silent”. Já na “Sélection Cinéfondation”, competição criada em 1998 para premiar os anteriormente mencionados filmes escolares, foram escolhidos 15 películas, entre elas uma argentina: “Pude Ver um Puma” (os três primeiros lugares receberão € 15 mil (cerca de R$ 37 mil), € 11.250 (cerca de R$ 28 mil) e € 7.500 (cerca de R$ 19 mil, respectivamente). A banca julgadora nessas duas categorias é distinta e será presidida pelo belga Jean-Pierre Dardenne.

- Trailer de “Moonrise Kingdom”, de Wes Anderson:

Por fim, há uma mostra paralela à seleção oficial do Festival de Cannes chamada “Um Certain Regard”, que premia com € 30 mil (R$ 74 mil) longas-metragens mais experimentais ou de diretores fora do mainstream. Neste ano, Brandon Cronenberg, filho de David Cronenberg, concorre na categoria com seu primeiro filme, “Antiviral”. Tim Roth, ator britânico conhecido por seus papeis em filmes como “Pulp Fiction”, “Violência Gratuita” e “Cães de Aluguel”, será o Presidente do Júri e entregará o prêmio criado em 1978 no dia 26 de maio, véspera do encerramento do evento.

- Trailer de “Like Someone in Love”, de Abbas Kiarostami:


LONGAS-METRAGENS CONCORRENTES À PALMA DE OURO DE 2012

“MUD” (Jeff Nichols)
“DE ROUILLE ET D’OS” (Jacques Audiard)
“HOLY MOTORS” (Leos Carax)
“COSMOPOLIS” (David Cronenberg)
“THE PAPERBOY” (Lee Daniels)
“KILLING THEM SOFTLY” (Andrew Dominik)
“REALITY” (Matteo Garrone)
“AMOUR” (“LOVE”) (Michael Haneke)
“LAWLESS” (John Hillcoat)
“DA-REUN NA-RA-E-SUH” (“IN ANOTHER COUNTRY”) (Hong Sangsoo)
“DO-NUI MAT” (“THE TASTE OF MONEY”) (Im Sang-soo)
“LIKE SOMEONE IN LOVE” (Abbas Kiarostami)
“THE ANGELS’ SHARE” (Ken Loach)
“V TUMANE” (“IN THE FOG”) (Sergei Loznitsa)
“BEYOND THE HILLS” (Cristian Mungiu)
“BAAD EL MAWKEAA” (“AFTER THE BATTLE”) (Yousry Nasrallah)
“VOUS N’AVEZ ENCORE RIEN VU” (Alain Resnais)
“POST TENEBRAS LUX” (Carlos Reygadas)
“NA ESTRADA” (“ON THE ROAD”) (Walter Salles)
“PARADIES : Liebe” (“PARADISE: LOVE”) (Ulrich Seidl)
“JAGTEN” (“THE HUNT”) (Thomas Vinterberg)

- Trailer de “A Música Segundo Tom Jobim”, de Nelson Pereira dos Santos, que será apresentado nas “sessões especiais” de Cannes:

CURTAS-METRAGENS CONCORRENTES À PALMA DE OURO DE 2012

“MI SANTA MIRADA” (Alvaro Aponte-Centeno/Porto Rico)
“GASP” (“SOUFFLE”) (Eicke Bettinga/Alemanha)
“CE CHEMIN DEVANT MOI” (Mohamed Bourokba/França)
“WAITING FOR P.O. BOX” (Bassam Chekhes/Síria)
“THE CHAIR” (Grainger David/EUA)
“NIGHT SHIFT” (Zia Mandivwalla/Nova Zelândia)
“CHEF DE MEUTE” (Chloe Robichaud/Canadá)
“YARDBIRD” (Michael Spiccia/Austrália)
“COCKAIGNE” (Emilie Verhamme/Bélgica)
“SILENT” (“SESSIZ-BE DENG”), (L.Rezan Yesilbas/Túrquia)

SÉLECTION CINÉFONDATION 2012

“BEHIND ME OLIVE TREES” (“DERRIERE MOI LES OLIVIERS”) (Pascale Abou Jamra/ALBA, Líbano)
“THE BARBER” (“RIYOUSHI”) (Shoichi Akino/Universidade de Artes de Tóquio, , Japão)
“THE RAPTURES” (“LES RAVISSEMENTS”) (Arthur Cahn/La Femis, França)
“SLUG INVASION” (Morten Helgeland/The Animation Workshop, Dinamarca)
“TAMBYLLES” (Michal Hogenauer/FAMU, República Checa)
“MATTEUS” (Leni Huyghe/Sint-Lukas Brussels, Bélgica)
“THE CAMP IN RAZOARE” (Cristi Iftime/UNATC, Romênia)
“THE ROAD TO” (“DOROGA NA”) (Taisia Igumentseva/VGIK, Rússia)
“LAND” (“TERRA”) (Piero Messina/CSC, Itália)
“THE HOSTS” (“LOS ANFITRIONES”) (Miguel Angel Moulet (EICTV, Cuba)
“THE BALLAD OF FINN + YETI” (Meryl O’Connor/UCLA, EUA)
“HEAD OVER HEELS” (Timothy Reckart/NFTS, Reino Unido)
“ABIGAIL” (Matthew James Reilly/NYU, EUA)
“DOG LEASH” (“RESEN”) (Eti Tsicko/TAU, Israel)
“COULD SEE A PUMA” (“PUDE VER UN PUMA”) (Eduardo Williams/UCINE, Argentina)

Cinema

Para ver e rever: os filmes que inspiram a moda e são inspirados por ela

11/05/2012

por | Moda

por Daniel Ayub e Carla Valois

A relação entre cinema e moda é, de forma indubitável, simbiótica. Involuntariamente – ou até voluntariamente – esses dois universos artísticos se influenciam e transformam o cotidiano em poesia, as formas e cores em tendências. O FFW selecionou alguns longas-metragens, clássicos e atuais, que representam em definitivo essa ligação. De Antonioni e Buñuel a Sofia Coppola e Tom Ford, assista aos trailers e deixe-se levar pela beleza e o drama tão inerentes a essas obras.

“A Bela da Tarde” – “Belle de Jour”  (1967)

Luis Buñel consolidou o surrealismo na 7ª arte com seu grande clássico, obrigatório para estudantes de cinema, “Um Cão Andaluz” (1929). Em “A Bela da Tarde” (1967), Catherine Deneuve faz o papel de uma pacata dona de casa em Paris que decide viver suas fantasias sexuais, não supridas pelo seu marido, nas ruas, como uma prostituta em suas horas vagas. Com figurino de Yves Saint Laurent e com a musa da elegância no século 20, Deneuve, no elenco, a relação do filme com a moda fala por si só.

Direito de AmarA Single Man (2009)

Dirigido pelo estilista Tom Ford, ex-diretor criativo da Gucci, este filme respira moda. Com Colin Firth e Julianne Moore no elenco, o trama aborda a vida de George, um professor de inglês em Los Angeles após a morte de seu namorado. Com pensamentos suicidas, George acaba influenciando aqueles à sua volta pelo peso do luto, enquanto isso, o personagem se prepara para a morte. Atenção a fotografia e a cenografia do filme, impecáveis. Entre outros destaques, está o figurino assinado por Arianne Phillips, e a presença estonteante da modelo brasileira Aline Weber.

Barbarella (1968)

Um clássico do cinema trash sexual de ficção científica, “Barbarella” (1968) é tudo o que o “futurismo” sessentista tinha de melhor, incluindo o figurino, feito por Paco Rabanne, designer francês conhecido pela estética futurista em suas roupas. Na história, a personagem de Jane Fonda, Barbarella, é uma astronauta do século 41, que vai ao Planeta Lythion (!) para combater o vilão alienígena Durang Durang – sim, foi disto que a banda tirou o nome – na cidade de Sogo, curiosamente as duas primeiras sílabas de Sodoma e Gomorra.

“Dolls” (2002)

“Dolls” se destaca em relação aos outros filmes, tanto por ser o único não-ocidental, mas também por possuir um dos melhores figurinos na lista. Se há um mérito em que o cinema japonês se sobressai dos outros é o uso das cores. Com vermelhos saturados, brancos estourados e um belo uso de constrastes, a fotografia e direção de arte fazem um espetáculo a parte. Neste filme do diretor japonês Takeshi Kitano, são contadas três histórias, a de um amor em oposição às decisões da família, a de um mafioso Yakuza que vive a nostalgia de um amor perdido e a de um pop star desfigurado que se vê diante do fanatismo de sua maior fã.

Flashdance (1983)

Dança é pura expressão corporal, e por este viés está relacionada com a moda. Um dos grandes clássicos sobre a dança é “Flashdance” (1983), onde Jennifer Beals faz o papel de Alex Owens, uma operária de dia e dançarina de boate à noite que treina incessantemente para tentar entrar em uma conceituada escola de ballet. Deste filme saiu a música Maniac, enorme referência cult nas boates hoje em dia.

Laranja Mecânica“A Clockwork Orange“ (1971)

Provavelmente a grande obra-prima de Stanley Kubrick, Laranja Mecânica (1971) é um marco do cinema, tendo influenciado não somente a moda (veja o desfile de Alexandre Herchcovitch Verão 2011), mas também toda uma geração de artistas, seja pela paleta de cores (laranja, branco e preto), pelas interpretações ou pela direção de arte. É o cult no mais sentido mais completo do termo: cultuado. Na história, Alex DeLarge é o líder dos The Droogs, uma gangue suburbana em uma Inglaterra futurista. Eles se encontram todas as noites para espalharem o caos pela cidade, estuprando, espancando mendigos, roubando e matando. Eventualmente Alex é preso e submetido a uma lavagem cerebral que o torna dócil, transformando-o em uma propaganda para o governo.

Maria AntonietaMarie Antoinette (2006)

Maria Antonieta foi a rainha da França e Navarra no século 18. A esposa de Luís XVI, é hoje uma das maiores representação icônica do luxo e da moda imperial. Tendo como residência, em maior parte de sua vida, o palácio de Versailles. Neste filme, protagonizado pela bela Kirsten Dunst e dirigido por Sofia Coppola, a história toma conta de sua ascênsão e declínio, que terminou com a perda de sua cabeça, literalmente falando, após julgamento durante a revolução francesa. No que diz respeito ao figurino, vencedor do Oscar em 2007, Milena Canonero criou uma infinidade de vestidos, que aliados com elaborados penteados e cerca de vinte sapatos especialmente criados por Manolo Blahnik, fizeram jus ao estilo vivido pela rainha.

Velvet Goldmine (1998)

Um homônimo da música de David Bowie e com “Rise” e “Fall” no subtítulo, se torna óbvio que o filme trata da vida do artista britânico; mas não. Apesar de ser esta a intenção do diretor, Bowie não quis vender os direitos autorais de suas músicas, alegando pretender fazer ele mesmo um filme sobre o Glam Rock algum dia. Direitos à parte, é disso que o filme trata. Longe de ser somente um estilo musical, o Glam foi o estilo de uma geração, tendo influenciado a moda em todos os segmentos com seus couros, metais, cabelos vermelhos e poses à la Ziggy Stardust. Com Ewan McGregor e Christian Bale, o filme conta a história de de um repórter(Bale) que investiga a vida de Brian Slade (McGregor), um astro glam dos anos 1970.

Bonequinha de LuxoBreakfast at Tiffany’s (1961)

Baseado no romance de Truman Capote, “Bonequinha de Luxo” (1961) traz o que pode ser considerado o principal papel de Audrey Hepburn no cinema. Paul Varjak (George Peppard), um escritor se muda para um apartamento em Nova York, onde começa a observar os costumes de sua vizinha, Holly Golightly (Audrey Hepburn), é uma acompanhante de luxo que esbanja sensualidade, classe e sofisticação nas festas da cidade, mas esconde uma personalidade frágil e metódica, fruto de problemas pessoais como seu casamento aos 14 anos e sua fuga de casa devido à pobreza familiar. Se há uma imagem que resume beleza e luxo no cinema do século 20, com certeza é a de Audrey Hepburn usando Givenchy com colar, luvas e seu cigarro na piteira.

Studio 54 (1998) e Boogie Nights (1997)

Dois filmes sobre lendária discoteca de Manhattan e outro a indústria pornográfica na Californa, mas a mesma proposta: ilustrar o estilo de vida, comportamento e a moda nos anos 70. Em “Studio 54″ (1998) é contada a história de Steve Rubell (Mike Myers), o criador do clube que tinha como frequentadores praticamente todas as celebridades interessantes vivas nos anos 70. De Sinatra a Warhol e Michael Jackson a Woody Allen, a casa era o antro da cultura pop, onde fãs só podiam sonhar sobre as conversas que saiam do lugar. Pulando para outro mundo glamuroso, “Boogie Nights” (1997) se passa na outra costa dos Estados Unidos. Centrado na indústria pornográfica da California, onde Eddie Adams (Mark Wahlberg) conhece o diretor de cinema pornô Jack Horner (Burt Reynolds), que o transforma em Dirk Diggler, um astro da pornografia. Dois lados opostos do mesmo país e duas cenas sociais são unidas pela mesma palavra: glamour.

Blowup“Blow-up: Depois Daquele Beijo (1966)

Antes de qualquer coisa, “Blowup” (1966) é uma aula. Uma aula de semiótica, fotografia, moda e direção. Baseado no conto “As Babas do Diabo” (1959), de Júlio Cortázar, o filme de Michelangelo Antonioni também entra para a lista dos obrigatórios para qualquer estudante de fotografia e moda. No enredo, Thomas (David Hemmings), um fotógrafo de moda conceituado, divide seu trabalho com outros fetiches particulares. Durante o exercício de um deles, acaba fazendo imagens voyeurs de Jane (Vanessa Redgrave) e seu provável amante. Analisando as fotos, Thomas fica obcecado por um detalhe atrás de uma árvore, o que o leva crer que tenha ocorrido um assassinato no momento em que estava fazendo as fotos. Este foi um dos primeiros filmes na carreira de Jane Birkin, além de também mostrar a eterna musa da moda Veruschka em ensaios sexuais sensuais.

Ícone

A desafiadora pluralidade estética do fotógrafo Steven Meisel

11/05/2012

por | Cultura Pop

Imagem do editorial “Wild is the Wind”, da “Vogue” italiana de março de 2011 ©Reprodução

Apesar do estigma de promiscuidade incutido à moda pelos mais ferrenhos críticos, em poucos segmentos é possível encontrar uma parceria tão duradoura quanto a de Steven Meisel com a “Vogue” italiana. A trajetória do fotógrafo e da revista, dirigida por Franca Sozzani desde 1988, parece misturar-se de tal maneira que constitui uma verdadeira simbiose – há quem desconheça, inclusive, a nacionalidade do americano, julgando-o erroneamente italiano. Mas o vínculo perene com a publicação não é o único na carreira de Meisel, que, desde 2004, é o responsável por todas as campanhas publicitárias da Prada. Além dos trabalhos mais comerciais que o tornaram um ícone da fotografia de moda, o americano colaborou com Madonna no livro “Sex”, lançado em 1992 para alavancar as vendas do disco “Erotica”.

Madonna e Steven Meisel na capa da “New York” e o fotógrafo em uma de suas poucas fotos sozinho ©Reprodução

O apetite pelo que é polêmico e a busca constante pelo novo fizeram com que a obra do fotógrafo não compreendesse uma única estética; o portfólio de Meisel abrange o colorido e o preto e branco, o bonito e o feio, o kitsch e o minimalista. O alarde de seu trabalho, no entanto, não se estende ao homem que é: se as imagens que cria são sempre mirabolantes, sua personalidade e efígie são pouco conhecidas. Pouco afeito a entrevistas e à autopublicidade, Meisel raramente se deixa retratar e tampouco possui site oficial ou livros próprios. A vida pessoal do fotógrafo, contrariamente à profissional, é marcada pela discrição – apesar de abertamente homossexual, pouco se vê sabe sobre seus relacionamentos afetivos ou sobre suas amizades (à parte à proximidade com nomes fortes no mercado do entretenimento, como Madonna).

Campanha de Outono/Inverno 2011 da Prada ©Steven Meisel/Reprodução

A reserva pessoal é motivo de fascínio; como pode alguém tão relevante no mercado da moda – conhecido por seu egocentrismo – ser tão “obscuro”? Nascido em 1954 nos Estados Unidos, Meisel é fascinado pela beleza desde a infância. Em vez de entreter-se com brinquedos, o fotógrafo passava seus dias desenhando mulheres e utilizava revistas, em especial a “Vogue” e a “Harper’s Bazaar”, como fontes de inspiração. E foi a ilustração que Meisel escolheu, inicialmente, como profissão: após cursos na Parsons e na High School of Art and Design, o americano trabalhou na Halston e no “Women’s Wear Daily”, além de lecionar meio período. Mas, de acordo com o próprio Meisel em uma de suas raras entrevistas, concedida a Pierre Alexandre de Looz para a edição #16 (Inverno 2008/2009) da “032c”, algo estava faltando e a fotografia parecia uma evolução.

Imagem do editorial “Joy to the World”, publicado na “Vogue” americana em dez/2002 ©Steven Meisel/Reprodução

À época em que trabalhava como ilustrador no “WWD”, Meisel costumava frequentar as agências de modelos com uma câmera fotográfica para tentar capturá-las, quase como um paparazzo. A primeira oportunidade real surgiu através da revista “Seventeen”, que publicou imagens criadas pelo americano em seu apartamento em Gramercy Park, em Nova York, e o convidou para colaborar com frequência. Na entrevista à “032c”, o americano apontou 1979 como o ano em que as pessoas começaram a perceber seu talento – e sua vertente provocativa. Em 1984, Meisel fotografou a capa do álbum “Like a Virgin”, de Madonna – a colaboração com a cantora já rendeu inúmeros projetos, como o já citado livro “Sex” (1992) e campanhas publicitárias, como a de Outono/Inverno 2009 da Louis Vuitton.

Imagens do livro “Sex”, de Madonna, publicado em 1992 e fotografado por Steven Meisel ©Reprodução

Imagens do editorial “Smoke and Oil”, publicado na “Vogue” italiana de jan/2009 ©Steven Meisel/Reprodução

O interesse de Meisel pela música e pelo cinema, no entanto, não de restringe à ligação com Madonna. Em seu trabalho para a “Vogue” italiana, que começou em 1988, é possível perceber referências a estilos e filmes que influenciam o fotógrafo, como editoriais inspirados em “Persona”, de Ingmar Bergman, ou “8 ½”, de Frederico Fellini, além de constantes referências à cultura motociclista. A figura de Meisel, inclusive, se assemelha bastante aos típicos adeptos dessa cultura: sempre portando uma bandana e com longos cabelos negros, o homem que retrata a beleza em suas mais diversas formas aventurou-se, em 1983, em um curta-metragem chamado “Portfolio” e, mais tarde, ao lado de Annie Leibovitz para a GAP. “Eu odeio”, afirmou o americano sobre estar do outro lado das câmeras.

- O curta-metragem “Portfolio”, de 1983: 

Voltando à “Vogue” italiana, a parceria de mais de 20 anos é, para Meisel, a chance de expressar-se em sua forma plena: “Em termos das revistas “Vogue” com as quais trabalho, com certeza a italiana é a que mais me permite fazer mais ou menos o que eu quero. Não que eles não eliminem coisas, mas isso não acontece com frequência; tem sido o canal mais criativo que possuo. Costumo pensar que a Itália é muito conservadora, o que é estranho, eu sei. Franca Sozzani, a editora-chefe, me dá espaço e muito apoio. Nós trabalhamos juntos antes da “Vogue” italiana, quando ela ainda não era editora, em outra revista chamada “Lei”. E lá havia uma versão masculina, a “Per Lui”. Ela realmente gosta do que eu faço e sou grato”, justificou a longevidade da colaboração à “032c”.

Imagens do editorial “Haute Mess”, publicado na “Vogue” italiana de março de 2012 ©Steven Meisel/Reprodução

Imagem do editorial “Organized Robots”, publicado na “Vogue” italiana de março de 2006 ©Steven Meisel/Reprodução

Foi a confiança de Sozzani que permitiu a Meisel dar vida a imagens que contestam e satirizam o universo da moda, bem como criar verdadeiros manifestos. Em julho de 2008, a “Vogue” italiana publicou uma edição totalmente dedicada à beleza negra. Idealizada pelo americano como forma de protesto ao racismo na moda, a “Black Issue” é apenas um dos vários números da revista que propuseram ao leitor refletir sobre os rumos comportamentais do mercado e da própria sociedade. Em agosto de 2005, a “Makeover Madness” trouxe Linda Evangelista e outras modelos viciadas em cirurgias plásticas; além de outros tantos editoriais que simulam a internação de jovens em clínicas de reabilitação, banhadas em óleo (“The Latest Wave”, de agosto de 2010) ou simplesmente retratando belas mulheres plus-size (“Belle Vere”, de junho de 2011).

Capas de algumas edições da “Vogue” italiana: “A Black Issue”, de julho de 2008; “Makeover Madness”, de agosto de 2005; “The Latest Wave”, agosto de 2010; “#Overthetop”, de março de 2012; “Highly Style”, de novembro de 2011; e “Belle Vere”, de junho de 2011 ©Steven Meisel/Reprodução

No entanto, dotado de imenso talento e sabedoria mercadológica, Meisel não vive apenas de polêmica e sátira. Além do trabalho autoral que publica mensalmente na revista comandada por Sozzani, o fotógrafo colabora com frequência com a “Vogue” americana, de Anna Wintour. Na publicidade, é o preferido de Miuccia Prada, mas também da Louis Vuitton, Balenciaga, Dolce & Gabbana e Lanvin. E também é considerado um homem generoso, e sagaz: com o poder que tem, é responsável pela “descoberta” e promoção da carreira de nomes como Linda Evangelista, Naomi Campbell, Christy Turlington, Kristen McMenamy, Coco Rocha, Karen Elson, Raquel Zimmermann e outras tantas. Ser retratada, ou auxiliar Meisel na produção de suas fotografias, é o sonho que qualquer profissional que inicia pelos tortuosos caminhos da moda.

Veja mais da série “Ícones da Fotografia”:
- Robert Capa
- Deborah Turbeville
- Patrick Demarchelier
- Paolo Roversi
- German Lorca
- Nick Knight
- Helmut Newton

+ Confira mais imagens da carreira de Steven Meisel na galeria abaixo:

Vogue-US-Aug-2007
©Steven Meisel/Reprodução
Imagem do editorial ''True to Form'' da ''Vogue'' americana de agosto de 2007