Música para os olhos: veja a arte de Bianca Casady, do CocoRosie

07/07/2011

por | Cultura Pop

biancaA multiartista Bianca Casady ©Reprodução

Quando lançou o projeto musical CocoRosie com sua irmã, Bianca Casady encontrou uma maneira de canalizar toda a sua força criativa. Com a música, ela se expressa através das letras, da melodia e também de seu corpo, que é usado para incorporar diversas personas e fantasias. Quem foi ao lindo show que a dupla fez em São Paulo em 2006 lembra-se do ambiente poético e lúdico que as irmãs criaram.

Mas esse cenário não bastou e Bianca começou a explorar as artes plásticas paralelamente. Para as letras e poemas que escrevia, ela tinha duas possibilidades de plataforma: a música e a arte.

Seu espaço no mercado de arte contemporânea vem crescendo, apesar dela trabalhar despretensiosamente. Bianca já ganhou mostra solo na Deitch Projects, de NY, e também expôs na Art Basel, em Miami.

bianca4Vernissage de exposição que fez em Milão, com concerto de piano à luz de velas ©Reprodução

Muitos dos elementos que encontramos em sua música também estão presentes em suas pinturas, colagens e desenhos. Bianca questiona a religião, a condição da mulher hoje e a sexualidade. Como homossexual, ela não tolera que seu trabalho tenha um gênero ou que as pessoas assim o percebam. Suas obras, cultura pop na veia, mostram o encontro de referências lúdicas, como arco-íris, barbies, balões e cores com caveiras, suásticas, dinheiro e imagens de crianças sem sexo.

Uma curiosidade? Bianca é fanática por esportes e muitas das suas ideias aparecem quando ela está dentro de uma academia. “Muitas das minhas obras surgiram na pista de corrida que havia na minha academia, especialmente à noite, quando as luzes fortes se acendiam. A natureza é tão maravilhosa e criativa por si só, que a gente não precisa inventar mais ainda. Acho que é essa coisa sintética que me faz andar para frente. Estar em um lugar sem janelas”.

Conheça abaixo um pouco mais de seu trabalho.

FFW Inspirações: Brooklin dos anos 80 inspiram Graziela Peres

07/07/2011

por | Gente

jamel_abreAs fotografias de rua do Brooklin nos 80′s ©Jamel Shabazz

Graziela Stramandinoli de Matheus Peres é diretora de arte da “MAG!” desde sua primeira edição, e está o tempo todo pesquisando referências e inspiração para criar cada nova revista. Carioca, mas morando em São Paulo há 13 anos, deixou a cidade maravilhosa para trabalhar como diretora de arte da “Vogue Brasil”, em São Paulo, e por aqui ficou, assumindo em 2006 o cargo na revista da Luminosidade.

Graziela contou ao FFW que encontra inspiração ao olhar para o nada. Parece contraditório, mas não é: “Me inspiro mesmo quando deixo minha cabeça solta, não to pensando em nada especifico, o que eu chamo de um estado pré-meditativo. Quase como ficar olhando nuvem no céu com aquele olhar fixo. Eu adoro olhar pro nada, é uma coisa que me inspira à beça. Digo olhar pro nada, e pode ser uma nuvem no céu, pode ser olhar uma árvore, andar aqui em São Paulo e ver um Ipê roxo na rua, isso sim me inspira e me emociona”.

Graziela, o que te inspira?

“Sou uma apaixonada por fotografia, então nesse momento eu tô fazendo pesquisa pra próxima revista e tô apaixonada por um fotógrafo americano chamado Jamel Shabazz. Acho que ele é uma espécie de “The Sartorialist” dos anos 80, ele fotografou o Brooklin, a rua, é muito inspirador.

jamel©Jamel Shabazz

jamel02©Jamel Shabazz

E como a gente tá falando de preto e branco, eu estou olhando muitas coisas na África. Tô fazendo uma pesquisa sobre o cinema na Nigéria, e também tô muito inspirada pelas fotografias que eu tô vendo. Eu gosto muito de fotografia africana. Já até publicamos na primeira “MAG!”.

Eu adoro o Malick Sidibe. Acho inspirador o trabalho que ele fez, como ele retratou a cultura local, a cidade dele, as pessoas, as festas; eu adoro o Pieter Hugo, que é um fotógrafo da África do Sul, que tem um trabalho de retratos muito, muito fortes; e o trabalho do J. D. ‘Okhai Ojeikere também.

inspiracoes_malik©Malik Sidibe

O que mais chama minha atenção no trabalho dele é a intimidade que ele conseguiu com quem ele estava fotografando. Você vê assim que a relação entre fotógrafo e fotografado ali naquele caso é muito íntima.

Às vezes você se inspira por alguma coisa e o resultado sai outro. Não é tão detectável assim. Nesse caso especifico até vai ser, porque vamos fazer uma entrevista com o Jamel Shabazz em Nova York e ele vai ilustrar a próxima “MAG!”, um artigo.

inspiracoes_pieter©Pieter Hugo

Tem dois livros fundamentais, um chama “A time before crack” e o outro “Back in the days”, do Jamel Shabazz. Do Pieter Hugo tem o livro “Nollywood”, “Malick Sidibe”, do Malick e “J.D. ‘Okhai Ojeikere: Photographs”, do Ojeikere.

E tem um site que é uma coisa incrível, que eu acho inspirador, é o Ubu Web, que é um site que você acha muito filme, muita coisa de vanguarda –vanguarda eu digo movimento de arte dos anos 60 e 70, que você não acha via Google. Ele não é indexado no Google.

Inclusive um dos princípios do site é não ser achado pelo Google. E aí você acha uns documentários iranianos dos anos 70, você acha filme experimental, você acha uma entrevista com a Pina Bausch, você acha coisas que não estão tão fáceis. É uma segunda camada de pesquisa.

E como o próprio diretor do site fala, se você vê alguma coisa boa, faça download, porque na web nada garante que estará lá no dia seguinte, isso também é uma coisa muito importante para quem gosta de pesquisar. Você viu o negócio, faz download, guarda, porque você pode procurar amanhã e ele já ter desaparecido”.

Mostra na Emma Thomas exibe panorama de jovens artistas

06/07/2011

por | Cultura Pop

emma 2Obras expostas na mostra Quarto das Maravilhas, na galeria Emma Thomas ©Divulgação

Desde quando inaugurou, em 2006, a galeria Emma Thomas trabalha com a proposta de divulgar artistas novos/jovens que ainda não têm representatividade comercial no mercado. Mas o que aconteceu nesses últimos anos é que esse nicho específico, o dos jovens artistas sem galeria, explodiu e há muita gente bacana que a Emma Thomas espertamente pegou para representar. Cuidando de 14 artistas, a galeria participou das últimas edições da SP Arte e assim entrou no mapa dos colecionadores. Em um passeio pela galeria, entrei na sala da direção e fiquei até nervosa, pois de uma série de pequenos quadros a grandes obras, queria levar tudo pra casa.

Isso vale só como um pequeno teaser para a nova mostra da galeria, Quarto das Maravilhas, que exibe obras de 12 artistas sob a perspectiva de um gabinete de curiosidades do século 16, em que os exploradores recolhiam vários elementos de todas as naturezas em suas viagens e os organizavam divididos por categorias. “Encontramos uma maneira de achar beleza nesse acúmulo de informações”, diz Juliana Freire, sócia da Emma Thomas. “Esse excesso de coisas faz um paralelo com o que rola no Brasil. Há muitos artistas bons, muita criatividade, mas pouco espaço para mostrar. No ambiente privado é difícil, pois as pessoas querem investir em artistas mais conhecidos, então usamos esse espaço para disseminar uma arte contemporânea jovem e brasileira”.

luisaritter_altaObra de Luisa Ritter ©Divulgação

O ambiente da Emma Thomas é outro diferencial, em um galpão bem bacana na Barra Funda onde também está a galeria Baró. Essa exposição resulta em um ambiente menos elitizado, com obras que vão de R$ 200 a R$ 2 mil. “Queremos incentivar os novos colecionadores. Apesar de bons, os artistas que participam estão pouco inseridos no mercado e essa é uma maneira de chamar pessoas interessadas para abrirem os olhos para essa nova arte”.

Estão na mostra Carolina Paz, Daniel Athayde, Diego Castro, Francisco Hurtz, Janaina Mello, Jaques Faing, Luisa Ritter, Marcos Gorgatti, Paulo Bega, Peter de Brito, Ricardo Luis Silva e Marcio Simnch, que também lança seu primeiro livro, “Save the Youth“. Recentemente, ele e sua namorada, também fotógrafa, abriram uma editora para publicar livros de fotografia em edição limitada. Esperamos que esse seja o primeiro de muitos!

Quarto das Maravilhas @ Galeria Emma Thomas

De 30 de junho a 23 de julho (terça à sábado, das 11h às 19h)

Rua Barra Funda, 216, Barra Funda – São Paulo

(11) 3666-6489

Cantão aposta no “viver bem” e convida três fotógrafos para traduzir essa ideia

06/07/2011

por | Moda

cantao0Lucas Bori fotografa campanha Verão 2012 da Cantão ©Divulgação

A marca carioca Cantão elegeu três fotógrafos para retratar sua campanha de Verão 2012. O objetivo é que cada um interprete com suas próprias lentes o que é viver bem, o tema desta coleção. O lúdico, a espontaneidade e a leveza são sensações que a grife pediu para que fossem captadas na fotografia. Segundo Rick Yates, do marketing da marca, a ideia de viver bem com alegria faz parte do mote da grife. “A gente acredita que essa coisa de viver bem é atemporal e a alegria é uma escolha, você escolhe a alegria como mote de vida. O Cantão tem essa característica, é uma marca colaborativa, criada a muitas mãos e tem uma capacidade de renovação muito grande”, diz.

cantao1Prévia das fotos da campanha por Lucas Bori ©Divulgação

Os três fotógrafos também entraram na história para trazer visões diferentes, já que têm personalidades e trabalhos bem distintos: Lucas Bori,  Vavá Ribeiro e Jorge Bispo. Bori fez dois ensaios, um com uma ideia de piquenique, com duas modelos em um pomar, e outro com uma pegada de tons neutros e naturais, estrelado pela modelo Aline Zanella, com o salão nobre do parque Lage como locação. As fotos de Bispo brincam com o conceito de color blocking, que, segundo Rick Yates, tem tudo a ver com a marca. Já Vavá Ribeiro ficou com os dois ensaios estrelados pela top Carol Trentini, um sobre jeans e outro mais geral, que parte da história do “viver bem”.

cantao5Prévia das fotos da campanha da Cantão ©Divulgação

A ideia de permitir que cada um dê sua visão do que é viver bem vai além dos fotógrafos. A Cantão lançou também um concurso de contos, no qual os participantes devem escrever sobre o que é viver bem e concorrem a um iPad, R$ 1,500 em roupas da Cantão, a publicação de seu conto em um livro e mais cinco exemplares deste livro. “A Cantão é uma marca que aponta para o fomento cultural e da arte, a gente quer alinhar o posicionamento da grife ao apoio à cultura, arte, comportamento. É para onde que a gente aponta”, afirma Rick.

cantao4Mais fotos da campanha da Cantão ©Divulgação

A campanha começa a ser veiculada em agosto, junto com a chegada da nova coleção às araras das lojas.

Prepare-se: Uniqlo deve abrir sua primeira loja no Brasil na avenida Paulista

06/07/2011

por | Moda

uniqlo-soho1A loja do Soho, em NY, que recebe cerca de 24 mil consumidores em um sábado regular. Será que a da Paulista será assim? ©Jeff Chien-Hsing Liao para “New York Magazine”

Há um ano, em junho de 2010, começou um burburinho de que a gigante japonesa Uniqlo – famosa por suas peças básicas e baratas – estaria se preparando para abrir suas portas no Brasil.

Na ocasião, o diretor criativo da empresa, Kentaro Katsube, declarou ao jornal “Folha de S.Paulo” que o país era estimulante, muito criativo e com uma economia animadora. Ele também acrescentou que a expansão para o Brasil aconteceria a médio prazo. “Neste ano vamos nos concentrar na Ásia, mas o Brasil está no radar para os próximos três ou quatro anos.”

uniqloTadashi Yanai, fundador da Uniqlo, seu patrimônio que gera mais de 9 bilhões de dólares ©Getty Images

Aparentemente, a expansão está mais próxima do que nós imaginamos, já que o caderno Mercado, também da “Folha”, publicou a informação de que a primeira loja da Uniqlo no Brasil provavelmente será na avenida Paulista onde, por dia, circulam cerca de 1,5 milhão de pessoas, sendo que muitas delas são consumidores que compram 10 vezes mais roupas que moradores da Grande São Paulo. Tem muito mais a ver com o conceito da marca do que com a versão brasileira da Topshop, que vai abrir dentro de um shopping center do Grupo Iguatemi.

A Uniqlo surgiu em 1984, no subúrbio de Hiroshima, mas só ganhou fama em 2006, quando abriu sua primeira loja em Nova York, no Soho. A receita da marca naquele ano foi de US$ 3,5 bilhões, e em 2010 ultrapassou US$ 9 bilhões. E pensar que todo esse dinheiro surgiu a partir da venda de camisetas básicas de US$ 19,50…

Drops de moda: documentário sobre t-shirts, Kate Moss, Terry Richardson e +

06/07/2011

por | Moda

joias-vogue“Vogue” italiana prepara mostra de fotos de joias ©Reprodução/Jamie Nelson

Milão, na Itália, receberá uma exposição de fotos dedicada a joias. A editora-chefe da “Vogue” italiana, Franca Sozzani, anunciou a notícia em seu blog e a equipe editorial da revista já escolheu algumas fotos da seção de joalheria do site. Para a mostra, serão escolhidas obras de dez fotógrafos e um desses profissionais pode ser selecionado para fotografar a campanha de uma renomada marca de joias.
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ju-oliviapalermo-fashionrioverao2012-105Olivia Palermo, nova blogueira no pedaço ©Juliana Knobel

A socialite Olivia Palermo, que esteve no Brasil para desfilar para a Coca-Cola Clothing no Fashion Rio, vai investir em uma nova empreitada: virar uma blogueira de moda. Uau, que novidade… Olivia contou ao “WWD” que o blog terá dicas de estilo e deve ser lançado no meio do verão do hemisfério norte. Olivia não está sozinha nesse mundo de famosinhas que viraram blogueiras. Lembra do “The Beauty Department”, de Lauren Conrad?
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camisetasDocumentário conta história das camisetas ©Divulgação

O canal francês Canal+ exibiu na semana passada o documentário “T-shirt Stories”, que investiga a história e o poder das tão populares T-shirts. O filme, dirigido pelos jornalistas franceses Dimitri Pailhe e Julien Potart, capta a incrível influência cultural das camisetas e conta história de gente criativa e apaixonada pelas camisetas, como o fundador da American Apparel, Dov Charney, o ex-vocalista do Sex Pistols Johnny Rotten e o skatista Tony Alva. O documentário, produzido especialmente para o Canal+, foi exibido no dia 29 de junho, mas um DVD com o filme já foi lançado e está sendo vendido na Colette. Veja o trailer:

T-SHIRT STORIES TRAILER from Julien Potart on Vimeo.
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nicolaNicola Formichetti nega que não gosta de trabalhar com modelos GG ©Reprodução

Depois da “W Magazine” ter publicado uma entrevista com Nicola Formichetti onde ele afirmava já ter abandonado uma sessão de fotos após descobrir que seus modelos eram cheinhos, o estilista fez questão de negar os fatos em sua página no Facebook. “Eu sei que deveria deixar para lá, mas realmente odeio quando os jornalistas escrevem o que querem. ‘Eu não trabalho com pessoas gordas’… Por que alguém diria isso? Você não precisa ser magro para ser lindo. Não acreditem em tudo o que vocês leem”, afirmou. Nicola também postou em seu perfil fotos de editorais estrelados por modelos plus-sizes. “Sempre trabalhei com diferentes tipos de corpo”, completou.
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moss-hince-terryBeijo dos noivos Jamie e Kate ©Reprodução/Terry Richardson

O fotógrafo Terry Richardson postou em seu blog, “Terry’s Diary”, fotos super insiders do casamento de Kate Moss e Jamie Hince. Veja na nossa galeria os retratos dos convidados da festa, como Jude Law, Jack White e Paul McCartney.

História de novela: conheça a trajetória da modelo Lóris Kraemerh

06/07/2011

por | Gente

abre-modelo-loris-kraemerhLóris Kraemerh no dia da entrevista ao FFW ©Juliana Knobel

A história da menina bonita de família humilde que vira modelo e conquista fama e dinheiro é sempre associada aos contos de fadas, mas no caso da paulistana Lóris Kraemerh, de apenas 19 anos, a coisa está mais pra uma novela mexicana mesmo. Começando pelo começo: o trabalho de parto de Lóris começou dentro de um helicóptero, para desespero do seu pai, que pilotava a máquina, e de sua mãe, que não sabia que estava grávida. Desde então, a vida da hoje modelo da agência Joy foi uma sequência de reviravoltas que incluem: a perda do dinheiro da família, violência doméstica, o abandono paterno, a mudança para a favela e o trabalho infantil. Em relato gentilmente concedido ao FFW, conheça algumas das (muitas) histórias de Lóris Kraemerh, por Lóris Kraemerh:

O nascimento

“Eu nasci de cinco meses e meio. Minha mãe tinha 17 anos, não sabia que estava grávida, e meu pai era piloto de avião. Eles estavam dentro de um helicóptero, ela começou a passar mal, eu comecei a nascer e ele entrou em desespero. Estavam só os dois no helicóptero, meu pai pousou no [hospital] Albert Einstein e foi. Eu tinha parado no meio do caminho, e o médico falou ‘olha, a gente vai tirar, porque ou é a mãe ou a criança – a criança vai morrer, ela não vai aguentar’. Deu que eles tentaram, tentaram e tentaram falar que eu não ia sobreviver: e estou aqui, firme e forte. Fiquei três meses e meio na incubadora e foi assim”.

Época de vacas gordas

modelo-loris-kraemerh-início-da-carreira“Eu tive uma ótima educação, sempre viajei, morei fora, meu pai por muito tempo foi piloto do governador do Rio Grande do Sul, depois foi ser comandante da VARIG. Tive uma vida muito boa, ele ganhava muito bem. Eu morava em lugares incríveis, tinha arte dentro de casa. E um dia você ter tudo isso e no outro você não ter o que comer… é uma coisa que te marca, eu lembro bastante. Vou colocar assim: eu fui começar a viajar de avião comercial quando comecei a  modelar (à esq., polaroid do início da carreira de modelo); antes disso era só particular”.

A (não) relação com o pai

“Meu pai era de uma família muito bem sucedida no Rio Grande do Sul, até que se meteu com alcoolismo e começou a bater na minha mãe. Um belo dia ela estava grávida de 9 meses do meu segundo irmão, cozinhando há uma semana sem dormir – ela era doceira e fazia biscoitos pra bingos – e meu pai sem o emprego, bebendo horrores, perdendo tudo porque nunca aprendeu a gerenciar o que tinha. Olhei pra minha mãe e falei ‘quero ir embora, morar com a nossa família em São Paulo’. E quando ela falou ‘vou separar’, ele disse, ‘então tá, você escolhe: já que quer ir embora, ou você fica com as crianças, ou fica com o dinheiro e a casa’. Minha mãe falou ‘fico com as crianças’, e ele fez a gente sair só com a roupa do corpo.

Viemos pra São Paulo e minha mãe entrou com processo pra pedir pensão. Nunca mais ninguém o encontrou. Hoje em dia, depois de muito tempo procurando, eu sentei na internet e, de todas as tentativas possíveis, o achei no Skype. Liguei e falei: ‘E aí? Conhece? Tá sabendo quem é?’. E foi de onde começamos a conversa. A relação que a gente tem não é das melhores. Eu entendi que na época ele era um cara doente pra ter feito isso – e minha mãe também era uma pessoa bem problemática, então os dois se distanciaram porque um não aguentava mais olhar pra cara do outro. Ainda não nos encontramos… não sei se tenho essa coragem, prefiro ficar só no Skype. São 11 anos sem se ver”.

A mudança para São Paulo

“A gente não tinha nada, eu lembro até de ter roubado uma Barbie, porque nem os brinquedos meu pai deixou eu levar. Éramos a minha mãe e três crianças, sendo um recém-nascido, e ficamos um mês circulando: uma noite na casa de um tio, outra noite na casa de outro, só que na família da minha mãe ninguém tinha dinheiro nem estrutura pra sustentar outra família, então a gente foi pra favela. Foram dois anos morando naqueles prédios CDHU de Sorocaba. Na época não era o que é hoje, era barra-pesada mesmo. Vi gente sendo morta, testemunhei venda de drogas, dealer entrando em casa, acerto de conta… já tive que dar refúgio pra traficante senão ele matava a família inteira”.

modelo-loris-kraemerh-entrevista-ao-ffwLóris Kraemerh durante entrevista ao FFW ©Juliana Knobel

Os anos felizes

“Eu tenho muitas lembranças boas dessa época. Por mais que eu tivesse dinheiro com o meu pai, ele nunca dava atenção, batia muito na minha mãe, então por mais que tivesse conforto material, não era uma coisa afetiva. E a minha mãe era sempre muito doente da cabeça, histérica. Apanhei muito dela quando eu era pequena, porque meu pai batia nela, ela se estressava, e tenho todos os ossos do meu corpo quebrados. E quando a gente foi morar na favela, foi uma época que a gente não tinha dinheiro – se a gente não se unisse, íamos morrer de fome, virar sem teto, então todo mundo se ajudava. Foi uma época em que, por incrível que pareça, eu fui feliz, e descobri o que é o amor de família. Não tinha o que comer… não tinha, era o amor mesmo! A vida te ensina de formas que você não pode imaginar. Fui muito feliz morando na favela, por incrível que pareça”.

O primeiro trabalho

“Eu sustentei a casa desde os 9 anos, quando comecei a trabalhar. Meu primeiro emprego foi em loja, arrumando estoque, limpando, lavando banheiro… Eu era desse tamanho [mostrando a altura com os braços] e ninguém falava que eu tinha 9 anos – mas a pessoa que me contratou sabia a minha idade. É que nesses lugares não tem nenhum policial pra checar se você tá trabalhando ou não. Foi nessa época que eu acordava às 5 da manhã, andava 9 km pra ir pra escola, trabalhava e voltava pra casa sabe-se lá que horas. Já fui babá, fui vendedora, ajudei em restaurante… fiz bastante coisa”.

O início da carreira de modelo

modelo-loris-kraemerh-vogue-italia“Comecei com 15 anos, mas nunca foi o meu sonho. O meu sonho era o exército, eu sempre fui molecona. Foi uma época que eu estava sem emprego e a minha mãe e o meu padrasto se separaram — ele era caminhoreiro e a gente havia se mudado para o interior em 2001 por causa do trabalho dele. O [scouter] Newton Oliveira veio pra minha cidade na época, e deu no rádio, aquela coisa de cidade pequena, e eu falei, ‘não vou’. Aí lembro até hoje o dia que cheguei em casa e a minha irmã  [a mais nova da família, hoje com 8 anos] pediu pra comer alguma coisa — eu abri os armários e não tinha nada, nada, nem água, tava uma situação horrível. Falei: ‘É isso que vocês querem que eu faça? Então eu vou’. Fui, fui a única que passei na seleção, quatro dias depois estava em São Paulo trabalhando”.

Época de vacas magras

“Um dos trabalhos mais marcantes foi a primeira “Vogue” Italia (à dir., Lóris no editorial de junho de 2008), que foi minha primeira viagem pra Paris. Eu não falava inglês, não falava francês, e foi o dia mais frio em Cannes, onde a gente fotografou. Estava fazendo 3ºC e eu estava de biquíni dentro da água. (risos) É, foi bem inesquecível. Eu não gosto de frutos do mar, mas os franceses adoram; então você imagina um moleca de 15 anos, sem saber pedir, sem conseguir ler um cardápio decentemente, sentada no restaurante e todo mundo comendo polvo vivo, escargot e o caralho a quatro, e eu tipo ‘pelo amor de deus, eu quero um x-tudo, batata-frita’ (risos) — eu passei muita fome naquele trabalho”.

Percepção do mundo da moda

“Não me irrito com o lado ‘glamour’ da moda porque eu cresci com dinheiro, tive uma boa criação. Mas tem certos pontos e atitudes desnecessárias que me irritam, como falta de educação, gente que abusa do poder; booker de 50 anos que vai dar um esporro gritando com uma menina de 12 anos que acabou de sair de casa. Eu também já fui mal tratada várias vezes. Muito. Gente falando que ‘você não serve pra esse trabalho, você é horrorosa’… ou você dá ‘bom dia’ e a pessoa fica olhando pra sua cara em silêncio. Daí você tenta mais uma cinco vezes e a pessoa fala ‘você ainda não entendeu que não é um bom dia?’.

Mas tem a parte boa também; eu gosto muito de viajar e conheci muitos lugares sendo modelo. Como eu não tenho família, eu sempre falo que minha família acaba sendo fotógrafo, stylist, cliente; eu tenho uma família nova todo dia, conheço muita gente, tenho experiência de vida e uma bagagem enorme”.

modelo-loris-kraemerh-durante-entrevista-ao-ffwLóris Kraemerh durante entrevista ao FFW ©Juliana Knobel

Comer, Rezar, Amar

“No começo da carreira eu era um pintinho perdido no meio do galinheiro, não sabia onde estava, o que estava fazendo… porque eu trabalhava muito, era uma pirralha, tinha acabado de sair de casa, onde eu passava fome, e falava ‘O que estou fazendo aqui?!’. Cheguei a pensar em desistir da carreira várias vezes. Em um dos momentos em que o trabalho estava devagar, pensei: ‘Não é pra mim, não tenho sangue pra fazer isso, então prefiro ir pra casa e cuidar da minha mãe, dos meus irmãos’. Mas daí pensei: ‘Tô sendo bem retardada, hein? Acorda, você tá aí na bad porque quer!’. Levantei e fiz acontecer de novo.

Mas até parei uma vez, por quatro meses. Eu nunca tinha tirado férias, nunca tinha ido pra casa no Natal; daí tirei férias e eu não tinha nem telefone, ninguém me achava. Só depois apareci e falei, ‘oi galera, vamos começar de novo’. Foi no ano passado, na época que eu estava com o meu ex, e ele me ajudou nessa empreitada de se auto redescobrir e reeducar. Foi como aquele filme “Comer, Rezar, Amar”. Aprendi tudo de novo. Porque eu não sabia mais comer direito, dormir, ir ao banheiro, o que era ser uma pessoa de verdade – eu sentia que estava o tempo todo montada. Isso não é saudável. Parei, aprendi tudo de novo e comecei do zero, new face”.

modelo-loris-kraemerh-editorialLóris Kraemerh ©Reprodução

Os irmãos

“Hoje a gente tá muito afastado, porque minha mãe me expulsou de casa e eu não posso mais chegar perto deles, o que me deixa muito triste porque meus irmãos, pô… dou a vida por eles, mataria por eles. Sobre eu ser modelo, acho que eles gostam, mas sentem muita falta e de uma certa forma sentem raiva porque estou sempre viajando e perdi muito da infância deles, eu que sempre fui uma pessoa muito presente, que fui a mãe deles de fato”.

“Eu queria que eles se lembrassem de mim como uma pessoa que sempre se importou e fez de tudo por eles. Porque tudo o que eu fiz e que eu faço é por eles. Nada é por mim, tudo é por eles”.

Futuro

“Aprendi que nada dura pra sempre. Você tem que estar sempre preparada porque a vida, quando resolve falar ‘ei, acorda, você está muito folgado aí no seu canto’, te dá uma rasteirinha e você tem que aprender a levantar e lidar com a situação. Foi o que aconteceu comigo desde criança, desde muito cedo… é uma coisa que me ajuda, porque eu sei lidar com isso”.

“Para o futuro, penso em voltar a estudar, definitivamente. E sempre gostei dessa coisa meio militar, quem sabe eu não viro uma fuzileira? Minha booker fala que eu tenho que ser atriz; mas não sei se eu vou pra esse lado. Talvez fotografia. O meu sonho é ser mãe. Montar uma família. Não sei as outras coisas ainda, mas definitivamente quero ser mãe”.

+ Veja mais imagens de Lóris Kraemerh na galeria abaixo:

A modelo Liberty Ross estreia como atriz em filme de Madonna

05/07/2011

por | Gente

liberty_abreLiberty Ross adiciona ‘atriz’ ao currículo ©Reprodução

A modelo veterana Liberty Ross, britânica nascida em 1978 e uma das preferidas de Mario Testino, não diferente de muitas outras modelos, fará seu debut nos cinemas. No entanto, a estreia de Ross se dará em um filme de outra veterana, mas da música: Madonna, que já esteve em mais de 20 filmes, e dirige pela segunda vez.

Sobre a experiência, Ross contou a “Vogue” UK que a cantora está mais inspirada do que nunca: “Ela tem uma visão tão forte. Toda a sua carreira foi baseada em aparências e determinação. Como diretora ela foi simplesmente brilhante. Ela sabia exatamente o que queria. Há tantas coisas para decidir quando se dirige algo – eu ficaria desesperada, há tantas escolhas. Ela trabalhou duro”.

Voguecovers_libertyNa “Vogue” UK em dois momentos: janeiro de 2002 e junho de 2000 ©Reprodução

O filme “W.E.” é ambientado na Inglaterra dos anos 30, e trata da abdicação de Eduardo VIII e seu caso com Wallis Simpson. A modelo interpreta a irmã de uma das amantes do Rei, e o elenco conta também com Andrea Riseborough, Abbie Cornish (de “Sucker Punch”) e James D’Archy.

Além de ser a primeira vez que Liberty atua, foi também a primeira audição que ela fez, após seu empresário colocá-la a par da oportunidade. “Eu mandei uma fita minha para Madonna – e ela ficou emocionada. Eu voei para conhecê-la e ganhei o papel. Foi incrível. Eu estava muito animada por causa da época do filme, e meus avós são dos anos 30, então eu sempre me intrigava e me inspirava por essa época. Eu amei ver como foi para eles”, contou ela à revista. Além de “W.E.”, Liberty também está trabalhando em uma nova versão de Branca de Neve, com Kristen Stewart e Charlize Theron, e em um curta metragem dirigido por Sam Taylor-Wood, de “O Garoto de Liverpool”.

covers_libertyLiberty Ross na “i-D” de novembro de 2002 e na capa de aniversário de 20 anos da “The Face” ©Reprodução

Apesar de sua incursão no cinema, Liberty garante que não vai abandonar a carreira de modelo: “Uma combinação das duas pode ser ótima. Não acho que eu tenha que escolher uma ou outra – não são trabalhos completamente diferentes. Eu só quero ter certeza de que estou aproveitando ao máximo cada oportunidade que aparece em meu caminho”.

E a modelo-atriz completa: “Atuar sempre foi algo que eu quis fazer. Acho que as melhores modelos são atrizes, você incorpora uma personagem. Nesse sentido, eu venho atuando há um bom tempo. Não me parece uma transição maluca. Atuar é um grande passo ao modelar, de certa maneira. Modelar é mais fácil quando você não se parece com você. Quando você parece outra pessoa, você se sente diferente. Atuar vai mais fundo nisso, você tem que se mover e falar como aquele personagem. Eu amo isso!”

Dureza: editores top criticam coleção de alta-costura da Dior

05/07/2011

por | Moda

bil-fimBill Gaytten ao fim do desfile da Dior ©ImaxTREE

Nesta segunda-feira (04.07) a temporada de alta-costura em Paris começou com destaque para o desfile da Christian Dior. A coleção dividiu opiniões e chegou a arrancar críticas duras de grandes editores, que questionaram até a postura da marca em decidir não pular esta temporada. Esta foi a primeira coleção apresentada sem a assinatura de Galliano e, ao que parece, a mesma imprensa que o condenou agora sente a sua falta.

Quem entrou para colher os aplausos ao final do desfile foi Bill Gaytten, ex-assistente de Galliano e que já foi confirmado como o novo diretor criativo da John Galliano. Ele ainda não está oficialmente contratado na Dior, mas teve carta branca para fazer o que quisesse, além de dispor de uma das melhores equipes da moda.

A editora de moda do “Financial Times”, Vanessa Friedman, afirmou em sua coluna que o episódio é uma boa forma de descrever a necessidade de uma marca em ter um designer de verdade à frente. “Ou mais especificamente, uma pessoa que dê o ponto de vista, uma ideia sobre o que exatamente está sendo feito e por quê”, escreveu. Para Vanessa, a Dior poderia facilmente ter ficado fora desta temporada de alta-costura, e todos teriam entendido, “o que me faz pensar por que eles não fizeram isso”, pondera. Para Vanessa, que chegou a chamar a coleção de  “desastre”, a única resposta que realmente faz sentido é a de que os dirigentes da Dior acreditam que toda marca precisa de  “alguém que sirva de ponte” entre designers de sucesso, que limpe as memórias dos consumidores e os preparem para receber uma nova pessoa de grandes ideias”. “Fazendo uma bagunça na alta-costura, a Dior pode sim estar trilhando um caminho entre Galliano e quem quer que venha depois”, concluiu.

dior1Looks Dior por Bil Gaytten ©ImaxTREE

O jornalista Tim Blanks escreveu para o “Style.com” que este desfile representava a realização de um sonho para Bill Gaytten, que por anos foi assistente de Galliano, mas de repente, por força do destino, teve de tomar o papel principal na marca. Mas o resultado, segundo Blanks, não foi bom. “O desfile mostrou que houve um esforço para impressionar em uma estética que, bem ou mal, é uma das mais claramente definidas da indústria da moda”.

Já a ácida editora de moda do “New York Times”, Cathy Horyn, foi mais dura em sua crítica. “As coisas devem ter sido bem estranhas nesses dias na Dior, julgando pelo desfile de alta-costura que acabamos de ver no Museu Rodin”, disse na abertura de sua coluna. “Todo tipo de vibrações estranhas, com a falta de um designer líder, conseguiu transparecer nas roupas”.

Diferentemente de Vanessa Friedman, Cathy afirmou que era impensável que a Dior deixasse de levar a coleção para a passarela. “A Dior tem outros produtos para promover, como a linha de joias finas”, assinalou, e se mostrou surpresa que a casa tenha dado tanto espaço a Bill Gaytten. “Eu o conheço há uma década e ele é forte na modelagem. Gosto dele, ele é um fofo, mas não é um designer”, afirma. Ui!

dior2A coleção foi muito criticada ©ImaxTREE

“A coleção apresentada hoje, com formas da arquitetura moderna como referência (só isso explicaria os cubos e esferas nos cabelos das modelos), foi uma bagunça”, continua Cathy. Ela chegou a perguntar a Bill Gaytten no backstage se ele queria o trabalho de diretor criativo da marca, ao que ele respondeu: “claro que quero, não sou bobo”.

Cathy destacou que a maison teve quatro designers desde a morte de Christian Dior: Yves Saint Laurent, Marc Bohan, Gianfranco Ferre e John Galliano. “Se a Dior é uma casa histórica, um pedaço da história da França, ela precisa achar um designer que consiga criar uma visão estética para a próxima década ou mais. E então, precisam deixar esta pessoa fazer seu trabalho com todo o suporte”, acredita a colunista.

E você o que achou da coleção da Dior comandada por Bill Gaytten? Veja todos os looks aqui.

Acompanhe a temporada de alta-costura em Paris, com desfiles de Chanel, Jean-Paul Gaultier, Valentino, Givenchy e mais!

Jason Wu é o mais novo colaborador da Melissa; veja os dois modelos

05/07/2011

por | Moda

jason-wu-é-novo-colaborador-da-melissaJason Wu ©Reprodução

O jovem estilista Jason Wu acaba de ser anunciado como o novo colaborador da Melissa: ele customizou dois modelos clássicos da marca, Lady Dragon e Ultragirl, adicionando detalhes femininos como laços e rendas que têm tudo a ver com o estilo da sua grife homônima. Os produtos chegam às lojas em setembro no Brasil e em novembro no mercado externo.

E mais: para celebrar a parceria, o estilista virá ao Brasil para uma estadia de cinco dias em São Paulo, de 18 a 22 de julho, sendo que no dia 19 a marca brasileira fará uma festa só para convidados na Galeria Melissa.

Esta é a segunda  colaboração gringa anunciada pela Melissa para 2011; no primeiro semestre do ano, foi a vez do britânico Gareth Pugh passar por aqui para divulgar a sua parceria com a marca — relembre a entrevista que ele concedeu ao FFW!

melissa-jason-wu-1 Melissa Lady Dragon + Jason Wu: R$ 169,90 ©Divulgação

melissa-jason-wu-2Melissa Ultragirl + Jason Wu: R$ 109,90 ©Divulgação

Fashion Day In supera expectativa das organizadoras, que devem repetir evento

05/07/2011

por | Moda

fran-e-carol-fdiFran e Carol, idealizadoras do Fashion Day In ©Divulgação

No último sábado (02.07), o Museu Brasileiro de Escultura, o MuBE, recebeu o primeiro Fashion Day In, um evento nos moldes de uma semana de moda, com uma série de desfiles, que uniu marcas de jovens empreendedores que têm um público classe A. “São sócios e sócias bem relacionados e que conhecem bem seu público final e esta é a chave do sucesso de suas marcas”, definiu a produtora de eventos Carolina Macéa, que ao lado da estilista Francesca Monfrinatti idealizou o evento, que contou com o empresário João Peixoto como sócio investidor.

“A nossa expectativa foi superada com o evento, a aceitação foi muito boa. Tivemos o número esperado de pessoas assistindo e todos os desfiles lotaram as cadeiras. Foram mil e poucos convidados, assistindo a apresentações bacanas, bem dirigidas e com roupas de qualidade, comemora Carol.

O evento tem uma pegada mais comercial, mas isso não é um problema para as sócias. “Essa foi sempre a intenção, de atingir mesmo o público final, os consumidores dessas marcas e as mídias que conversam com esses consumidores. O evento é para quem vai ver a roupa e se tiver vontade de comprá-la amanhã, vai poder porque já vai ter chegado às lojas”, explica a sócia.

desfile-thelureDesfile da Thelure no MuBE ©Divulgação

As grifes que fizeram parte do piloto do evento foram Pop Up Store, Alór, Zapälla, Jo/Dri e Thelure. Para as próximas edições, a ideia é repetir a parceria com as mesmas marcas e ampliar para que, no máximo, o line-up tenha 10 ou 12 grifes no total. “Não queremos que o evento fique maior do que um dia, mas queremos incluir outras lojas, trazer algumas marcas masculinas que tenham esse mesmo DNA”, contou Carol. O critério para escolher as marcas que vão desfilar, segundo Carolina, é que sejam marcas que ela e Francesca gostem e que sejam também do gosto do público que elas conhecem.

A ideia do projeto nasceu porque as sócias viam as mesmas pessoas frequentando eventos separados organizados por cada grife e perceberam que, como o público era o mesmo, talvez fosse possível organizar uma estrutura maior, onde todos poderiam apresentar suas coleções de uma vez só. E foi. “A gente sentia falta de um evento que conversasse com essas marcas, onde elas pudessem se comunicar com seu público. Criamos um evento para atingir estes consumidores, que são muito parecidos. A gente não quer ampliar para atingir outro segmento, mas sim as pessoas que já frequentam os eventos individuais, gente que é amiga dos donos das lojas e fiel às marcas há muito tempo”, avalia Carol.

O evento, que, de acordo com Carolina, dá uma oportunidade às marcas de fazerem desfiles mais bem produzidos sem gastar uma fortuna, deve continuar e ela já prevê as datas. “Daqui pra frente, queremos fazer a edição de verão em agosto e a de inverno em março, mais perto de quando as coleções de cada estação estarão nas araras das lojas”, concluiu.

Confira os destaques do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica

05/07/2011

por | Techno

abre-nemo-observatorium“Nemo Observatorium”, do artista belga Lawrence Malstaf, é uma das atrações do FILE 2011 ©Divulgação

A 12ª edição do FILE, Festival Internacional de Linguagem Eletrônica, acontece de 19 de julho a 21 de agosto em São Paulo com exposições, performances e workshops com entrada gratuita em uma programação complexa e segmentada em nove áreas de interesse: FILE Exposição Interativa, FILE PAI (Paulista Avenida Interativa), FILE Games, FILE Maquinema, FILE Anima+, FILE Tablet, FILE Media Art, FILE Hipersônica, e FILE Symposium e Workshop. Veja a programação completa no site oficial do evento.

O evento, que também acontece no Rio de Janeiro e já teve duas edições em Porto Alegre, ocupa nesta edição diversos espaços pela capital paulista como o Centro Cultural Fiesp, a Galeria de Arte do SESI-SP e o Centro Cultural São Paulo, com expoentes nacionais e internacionais de cada segmento do festival. Um dos destaques do FILE Exposição Interativa, por exemplo, é a obra “Nemo Observatorium”, do artista belga Lawrence Malstaf: uma simulação em que o visitante senta em uma cadeira dentro de um grande cilindro de PVC e tem a experiência sensorial de estar dentro de um tornado, podendo ver padrões visuais cíclicos e diferentes camadas de pixels 3D.

FILE-the-Lost-Thing“The Lost Thing”, parte do FILE Anima+, é uma obra vencedora do Oscar de melhor animação de curta-metragem ©Divulgação

Já o FILE Symposium e Workshop, focado na reflexão e produção de conteúdos na área de artes e mídias digitais, traz artistas e pensadores que ministrarão palestras e workshops como a interativa “Huggable Nature”, de Hye Yeon Nam e Carl DiSalvo. Vale lembrar que para participar dessas atividades, é necessário fazer inscrição online.

Para conferir a programação do Symposium e preencher a ficha de inscrição, clique aqui.

Para conferir a programação do Workshop e preencher a ficha de inscrição, clique aqui.

FILE SÃO PAULO 2011
Galeria de Arte do SESI
Av. Paulista, 1313
19 de julho a 21 de agosto, 2011
Das 10h as 20h – segunda-feira a sábado | Das 10h as 19h – domingo
Entrada Gratuita

FILE SYMPOSIUM 2011
Sala Paulo Emílio – Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000, Paraíso, SP
19 a 22 de julho, 2011
Das 14h às 19h
Entrada Gratuita

FILE WORKSHOP 2011
Espaço Oficinas – Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000, Paraíso, SP
19 a 22 de julho, 2011
Das 10h às 13h
Participação Gratuita

AA SÃO PAULO DESIGN WORSHOP
FIESP
Av. Paulista, 1313 – São Paulo, SP
12 a 21 de julho, 2011
Exposição dia 22 de julho, 2011
Participação Gratuita

+ Mais endereços e informações no  File.org.br

Jovem ativista usa a internet para lutar contra a homofobia

05/07/2011

por | Cultura Pop

iOiO Tillett Wright ©Dan Martensen

Foi por acaso que o nome de iO Tillett Wright chegou por aqui. Um amigo de uma amiga mandou o link do Self Evident Truths, projeto desta jovem nova-iorquina a favor de direitos iguais para os homossexuais nos Estados Unidos. Com apenas 25 anos, iO é uma máquina criativa, que usa a internet como principal plataforma para realizar suas ideias (e são muitas), através do site Darling Days. Seu trabalho de fotografia traz um pouco do universo cru e pessoal visto nas imagens de Ryan McGinley, Larry Clark, Harmony Korine e Nan Goldin, esta última com quem conviveu durante sua infância e adolescência. iO cresceu em uma família de artistas, em meio às cenas punk e new wave de NY, recebendo influências diretas de pintores, poetas e performers.

Mandamos um email para ela e, minutos depois, vem a resposta atendendo ao nosso pedido de entrevista com uma mensagem inspiradora à todas as pessoas que sofrem preconceito. Atualmente iO dedica-se apenas aos seus próprios projetos. “É uma correria e uma loucura, mas agora não tem mais volta”, diz.

Quando você teve a ideia de fazer o Self Evident Truths?

Comecei a primeira versão no inverno de 2010. Fui convidada para mostrar meu trabalho em uma mostra chamada Manifest Equality, organizada pelo jovem publicitário Yosi Sergant, que atuou na campanha do poster Hope, criado por Obey para o Obama. No último minuto, decidi que queria fotografar o máximo possível de pessoas homossexuais e humanizar a ideia de quem elas eram porque ainda tem muita gente que acha que não conhece ninguém que seja gay. Eu coloquei essas imagens em uma pilha na frente do trabalho que estava expondo e todos podiam pegar uma de graça.

Em que momento você se encontra no projeto?

Agora estou atrás de patrocínio para viajar através do país. O vídeo que fizemos virou um viral e centenas de pessoas estão escrevendo para a gente, oferecendo ajuda, o que é maravilhoso. Nós também estamos construindo nosso site, que será muito interativo e também vai direcionar as pessoas para os órgãos que elas devem contatar no Governo para aprovar ou mudar leis que dizem respeito aos direitos dos homossexuais. Eu já fotografei cerca de 300 pessoas em Nova York e 100 na Califórnia.

Como se deu a parceria com a Human Rights Campaign?

Nunca achei que seria uma ativista. Tudo aconteceu de forma orgânica, mas eu estava tomada por uma vontade forte de mudar o que está errado no nosso país. Eu acabei conhecendo a mulher que cuida das parcerias da Human Rights na exposição da Manifest Equality e conversamos sobre como eu poderia representar uma faixa maior de pessoas e então tivemos a ideia de sair pelo país. Neste ano meu produtor e eu montamos uma proposta e levamos para ela, que aceitou oficialmente apoiar o projeto.

coladosFotos de iO para a matéria Emerging Adulthood, do “NYT”

Como foi crescer em um ambiente tão artístico?

Acho que você vai ter dificuldades em achar uma casa mais artística do que a minha. Meus pais são artistas (pintura, performance, filme, música, poesia, escultura). Eu cresci no downtown de Manhattan nos anos 80, rodeado pelas cenas punk e new wave em uma área de porto-riquenhos. Minha madrinha é fotógrafa, mas eu sempre tive mais contato com músicos, pintores e performers. (N.R.: entre os artistas com quem iO conviveu e que o inspiraram, estão Diego Cortez, Nan Goldin e Jim Jarmusch)

Você usa a internet como plataforma para mostrar seu trabalho e dividir seus projetos criativos. Você também trabalha com galerias?

Eu fiz meu primeiro show solo em uma galeria em NY em setembro passado e vou fazer o próximo na Vacant Gallery, em Tóquio, em agosto. Artes plásticas é o meu foco. As pessoas acham que eu sou fotojornalista por causa do meu trabalho com o “New York Times”, mas, apesar de amar isso, meu foco está nas artes plásticas.

homesick for lonelinessImagem do projeto “Homesick for Loneliness”

Quais são os artistas que você admira?

Muitos e em campos diferentes. Como artista e ser humano, minha amiga Bianca Casady é a força criativa mais inspiradora que eu conheço. E minha mãe também. Em termos de inspiração, eu comecei a olhar bastante para Caravaggio depois que comecei a fazer retratos mais escuros. Em filme, Jim Jarmusch, Sara Driver, Darren Aronofsky, Harmony Korine, Fernando Meirelles, James Rasin, Josh Fox. Na fotografia Anders Petersen, Daido Moriyama, Wolgang Tillmans, Philip Lorca Dicorcia, Robert Frank, Nan Goldin, Leigh Ledare… É uma lista enorme!

Três palavras que melhor te descrevem: Aberta, audaciosa e flexível.

Amor é… Liberdade.

Minha meta na vida é: entender e defender o meu caminho seja lá qual for ele.

O que você conhece sobre o Brasil?

Eu estive no Brasil duas vezes (meu irmão é brasileiro), mas eu ainda estou descobrindo muito sobre a situação do país no que diz respeito a esse assunto. Eu amo a cultura brasileira e tenho milhares de amigos brasileiros que são pessoas maravilhosas. Fico muito triste em ouvir sobre os ataques homofóbicos, mas ao mesmo tempo é muito bom que algumas relações gays estão sendo legalizadas.

Tem alguma mensagem para os gays brasileiros?

Minha mensagem é essa: é muito frustrante sofrer preconceito e mudar as regras às vezes parece impossível. Vá aos poucos. Reconheça que a coisa mais forte que você tem é a sua comunidade e também a forma como você trata as pessoas. Como um homossexual (ou bissexual ou trans ou o que for), você é um embaixador de uma cultura futura de aceitação. Você tem que reconhecer que o seu comportamento é muito importante. Trate as pessoas com gentileza e entenda que, às vezes, as pessoas não têm um entendimento grande das coisas e elas podem aprender melhor ao ver você sendo uma pessoa gentil e aberta. Explique as coisas a elas, responda as suas questões e defenda sua comunidade firmemente no fato de que você deve ser tratado, no mínimo, como um semelhante.

Mosstock: tudo sobre o casamento de Kate & Jamie

05/07/2011

por | Gente

mosstockCasamento rock’n'roll ©Reprodução

A top Kate Moss começou bem o mês de julho, casando com o roqueiro Jamie Hince, do The Kills, com quem ela namorava desde 2007. A cerimônia, na cidade de Little Faringdon, perto de Londres, começou nesta sexta-feira (01.07), com direito a 14 daminhas de honra, incluindo a filha da noiva, Lila Grace, de 8 anos. Kate Moss apareceu reluzente com um vestido retrô assinado por seu amigo John Galliano — de certa forma, um ato de coragem e homenagem ao estilista envolvido em problemas com a justiça por conta de acusações antissemitas.

moss1Jamie, Kate (de Galliano) e Lila ©Reprodução

Acompanhando o vestido, Kate usou sandálias assinadas por Manolo Blahnik, que criou um par especial para a ocasião e incluiu até uma palmilha azul para ser o “algo azul de Kate”, como manda a tradição das noivas gringas; já o noivo usou um terno Yves Saint Laurent.

A celebração do casamento foi até apelidada de Mosstock, em referência ao Festival de Woodstock, pois vai durar até domingo e deve contar com shows de Iggy Pop, Beth Ditto, Snoop Dogg e Carl Barât. Entre os convidados, a atriz e designer Sadie Frost (que foi madrinha), o ator Jude Law, a top Naomi Campbell (de Givenchy), a editora-chefe da “Vogue” americana, Anna Wintour, Jade Jagger, Daphne Guinness e a estilistas Vivienne Westwood e Stella McCartney, que desenhou os looks pós-cerimônia de Kate, de acordo com o jornal “Daily Mail”.

Após três dias de festa, Kate e Jamie mandam garrafa de champagne para vizinhos

Beleza nórdica e acervo da Chanel encantam em livro de fotografias

04/07/2011

por | Moda

abre-northern-women-in-chanelUma das imagens do livro “Northern Women em Chanel” ©Reprodução

Top models nórdicas, paisagens do Ártico e malas recheadas de Chanel couture foram os ingredientes principais para a produção do livro “Northern Women in Chanel”, projeto da stylist Ingela Klemetz-Farago com seu marido-fotógrafo Peter Farago em colaboração com a grife francesa.

O casal sueco atravessou planaltos do Ártico e florestas seculares fotografando modelos de ascendência nórdica e báltica como Carmen Kass, Helena Christensen e Freja Beha Erichsen, com acesso irrestrito ao acervo da Chanel e total colaboração da marca – o próprio Karl Lagerfeld assina o prefácio do livro de 384 páginas.

“Northern Women em Chanel”, que levou pouco mais de um ano para ser concluído, já está à venda no site da editora Farago por salgados €155, mas é por uma boa causa. Todas as modelos, agentes, beauty artists e assistentes trabalharam de graça para o projeto, que tem cunho beneficente: todo o dinheiro arrecadado com a venda do livro e com a exposição itinerante das imagens será revertida para a organização Save the Children e para a construção de escolas para meninas em países bálticos. Veja algumas das imagens:

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