
O Instituto Rio Moda e a Casa Electrolux foram os anfitriões de um bate-papo entre a estilista Lenny Niemeyer, o designer Guto Indio da Costa e o vice-presidente global de design da Electrolux, Henrik Otto. Moda e design foram os temas centrais da conversa que envolveu os convidados na última quinta-feira (20.10), na Casa Electrolux, flagship store da marca, em São Paulo.
A jornalista Alexandra Farah foi a mediadora do debate que começou com cada um apresentando o seu trabalho. A estilista Lenny contou de como começou a fazer seus biquínis no Rio de Janeiro há 30 anos e que há 20 criou sua marca própria e começou a se firmar como estilista. Guto Indio da Costa é designer e possui um escritório onde a equipe cria “em um dia barcos, no outro, fogões e geladeiras, depois quiosques de praia”, segundo o próprio. Quem completou o time de debatedores foi Henrick Otto, que comanda de seu escritório em Estocolmo, na Suécia, o design global da Electrolux.
A discussão começou pela frase do designer francês Philippe Starck, citada pela mediadora: “O design no século XXI vai ser imaterial e humano”. Guto disse que o design caminha cada vez mais para recursos de interação rápida e fácil e destacou que hoje em dia, a vida é muito virtual. Sobre este fato, Lenny confessou: “Só há um ano comecei a conseguir fazer trabalhos como estudo de cores no computador”, mas em contraponto, seu trabalho usa muitos materiais tecnológicos. Já Henrik afirmou apostar na performance como ponto fundamental dos produtos atuais de design.

Foram levantadas questões interessantes como um apelo ao retorno das texturas. Henrik disse que a tecnologia touch não traz nenhum apelo para o tato, e que ela é um dos exemplos de como o design está começando a esquecer a “poesia” dos produtos. “Você às vezes fica fascinado pelo produto antes mesmo de saber o que ele é”, destacou.
Uma discussão que não poderia faltar, claro, são as diferenças e semelhanças entre moda e design de outros produtos. Lenny destacou a importância de inovar na moda. Segundo ela, suas clientes, por mais que optem muitas vezes por modelos clássicos como os de lacinho nos lados, gostam de saber o que tem de novidade, o que a marca está fazendo. “As coisas não evoluem na moda, no sentido de uma mesma peça ser melhorada. Cada coleção nova tem de surpreender”, defende.
Guto concorda que a efemeridade na moda é inegável, e que os produtos se transformam muito rápido, mas ele acredita que o design também pode ser descartável. “O design que perdura tem que ter muita qualidade. O bom design permanece, por que a moda não pode permanecer também?”, levantou o questionamento.
Ao final, o público pôde fazer perguntas aos debatedores e uma das conclusões da noite – que conseguem resumir bem a discussão que aconteceu – foi de Henrik, que definiu que atualmente, as pessoas estão em busca de produtos capazes de ser, de certa forma, uma extensão de cada um. “As pessoas vão atrás de produtos que reflitam sua personalidade, que funcionem como uma extensão de como você quer ser visto”, concluiu. Você concorda?