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Bonecos gigantes de Olinda desfilam looks de estilistas do SPFW

Desfile de bonecos gigantes de Olinda com look de Walério Araújo

Na quinta-feira (02.02), em frente à Prefeitura de Olinda, aconteceu um desfile de moda bem inusitado. Havia passarela, plateia, fotógrafos e roupas assinadas por estilistas famosos, mas, no lugar das modelos, estavam os conhecidos bonecos gigantes de Olinda. Eles vestiam criações de João Pimenta, Amapô, Neon, Totem, Ronaldo Fraga, Cavalera e Melk Z-Da, integrantes do line-up do SPFW, e de Walério Araújo, da Casa de Criadores, com acessórios Elisa Stecca.

Os looks maximizados foram criados inicialmente para um editoral da “ffwMAG” #29, lançada durante o SPFW (com venda no Nordeste a partir de 08.02, na Dona Santa), e que teve como tema “Pernambuco: Beleza em um Estado Bruto”. Sílvio Botelho, “pai” dos bonecos gigantes de Olinda, topou a ideia de colocar seus bonecos para ser os modelos, em parceria com a Secretaria de Patrimônio e Cultura de Olinda e apoio da Kalimo. O desfile, aberto ao público, foi organizado pela Prefeitura de Olinda.

Confira na galeria abaixo as imagens do desfile dos bonecos gigantes:

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Look da Amapô

Bonecos gigantes de Olinda desfilam looks de estilistas do SPFW

Estilista Jonathan Saunders vence prêmio do British Fashion Council

Jonathan Saunders ©Reprodução

Há três anos, o British Fashion Council e a revista “Vogue” se uniram para criar o “Designer Fashion Fund”, premiação que visa ajudar jovens talentos residentes em Londres. O vencedor da edição deste ano, anunciado na última quarta-feira (01.02), foi o estilista escocês Jonathan Saunders, que foi laureado com a quantia de £ 200 mil (aproximadamente R$ 545 mil) e um plano de 12 meses de consultoria financeira desenvolvido especificamente para que sua marca converta-se em um negócio de moda global.

Jonathan Saunders, que concorria ao “Designer Fashion Fund” com nomes expoentes como Marios Schwab, Mary Katrantzou, Meadham Kirchhoff, Nicholas Kirkwood, Peter Pilotto, Richard Nicoll, Roksanda Ilincic e Zoe Jordan, nasceu em 1977 na Escócia em uma família extremamente religiosa. Contrariamente à vontade de seus pais, que planejam para o jovem Jonathan um futuro ligado à carpintaria e desaprovavam materialismos e frivolidades, ele optou por se graduar em Estamparia na Glasglow School of Art, em 1999. Logo depois, o estilista se mudou para Londres, onde concluiu em 2002 um mestrado (também em Estamparia) na famosa Central Saint Martins. Pouco mais de um ano e meio depois, no Outono/Inverno 2003/2004, Jonathan Saunders debutou nas passarelas da London Fashion Week com uma coleção que foi elogiada por veículos importantes como o Style.com e a “Vogue” britânica, que em janeiro de 2004 trouxe na capa Natalia Vodianova em um vestido bicolor do designer.

Capa da “Vogue” britânica de janeiro de 2004 ©Reprodução

O “Designer Fashion Fund”, no entanto, não foi o único prêmio na carreira já vitoriosa de Jonathan Saunders: em 2002, o escocês ganhou o “Lancôme Fashion Awards” por sua habilidade com as cores e, em 2006, ganhou o “Fashion Enterprise Awards” do British Fashion Council. Em 2009, foi eleito o “Designer do ano” pela Elle e, no ano seguinte, pelo “Scottish Fashion Awards”. Além dos títulos, Jonathan Saunders conquistou mulheres como Michelle Obama, Sienna Miller, Thandie Newton e a própria diretora da “Vogue” britânica, Alexandra Shulman, que se disse encantada com a vitória do escocês no “DFF”.

Jonathan Saunders Primavera/Verão 2012 ©Reprodução

Jonathan Saunders Outono/Inverno 2011 ©Reprodução

Após nove coleções apresentadas em Londres, Saunders desfilou por três temporadas na Semana de Moda de Nova York até retornar na Primavera/Verão de 2010 para a cidade que o acolheu desde o seu início como estudante. Além da direção criativa de sua marca homônima, o “colorista” escocês já prestou consultoria criativa para a Pucci, Chloé, Alexander McQueen e Pollini. Comentando o novo prêmio, Jonathan Saunders afirmou: “Estou muito feliz. Os últimos 12 meses foram muito emocionantes para mim e para a minha equipe e estou muito orgulhoso do trabalho duro que realizamos. Nós temos planos empolgantes para o futuro próximo e este apoio fornecido pelo BFC nos possibilitará alcançar nossas metas”.

Estilista Jonathan Saunders vence prêmio do British Fashion Council

Lucas Barros: talento alagoano além das barreiras geográficas

Coleção “Baile!”, da AP401 ©Reprodução

O talento não tem endereço, idade ou sexo. É notório que no Brasil, assim como no restante do mundo, é quase que requisito essencial realocar-se nos grandes centros comerciais para chamar a atenção do mercado de moda, mas, aqueles dotados de verdadeira criatividade e habilidade, acabam por ascender e conquistar espaço, seja com a ajuda de pessoas que enxerguem além, ou através dos novos recursos de comunicação trazidos pela internet. Lucas Barros, criador e designer da marca alagoana AP401, é um desses talentos que transcendem as barreiras geográficas para desenvolver um trabalho carregado de beleza e nostalgia.

O estilista Lucas Barros, criador da AP401, em sua casa ©Carla Valois/FFW

Lucas Barros mostrou como estampa imagens a partir da técnica de serigrafia ©Carla Valois/FFW

Natural de Paulo Jacinto, município de Alagoas, Lucas Barros começou a dar vida às peças que hoje fazem parte da história da AP401 durante a faculdade de Arquitetura. O designer, que recebeu o FFW em sua casa durante uma tarde ensolarada de janeiro, contou que desde a infância era ligado ao desenho e à pintura, mas foi em consequência de um projeto da disciplina de Urbanismo que encontrou sua verdadeira vocação: o contato com a estética disforme, improvisada e quase kitsch do bairro da Levada, periferia de Maceió, deu a Lucas o fundamento visual para que ele fizesse o que mais ansiava: criar.

Diante das paisagens fragilizadas e consideradas desprovidas de beleza, Lucas percebeu que a necessidade desta população carente dava vazão a uma criatividade sem limites: “Queria transformar o “não belo”, o não desejado, em desejo, em algo sensível aos olhos de mais pessoas”. Utilizando-se de elementos dessa estética “imperfeita”, como texturas de fachadas, cerâmicas unidas heterogeneamente, paredes improvisadas e varais de roupas expostos, o alagoano montou um ateliê em seu apartamento e passou a confeccionar camisetas, sob o nome de “Orion Cstm”. Após duas coleções, no entanto, a marca de t-shirts passou a não suprir mais a inquietação criativa de Lucas.

Do fim da “Orion Cstm” nasceu a “AP401”: os princípios do improviso, espontaneidade e fragmentação continuavam dominando a criação de Lucas Barros, mas agora o designer estava pronto para desenvolver um variado número de peças, de vestidos a blazers, de calças às “velhas” camisetas. A primeira coleção sob o novo nome foi a de Verão 2010, lançada em outubro de 2009 e batizada de “A Minha Casa é um Apartamento”. As peças produzidas para essa temporada já revelavam o potencial de Lucas – com o auxílio da técnica da serigrafia, que o designer aprendeu a usar sozinho, as estampas lúdicas converteram-se desde o início em símbolo do trabalho artesanal da AP401.

Campanha da coleção “Santo”, de Inverno 2010 ©Reprodução

Logo se seguiu “Santo”. O Inverno 2010 da AP401 foi inspirado nas memórias afetivas e na infância de Lucas, ao lado dos pais e dos avós em Paulo Jacinto. Os dias de festa religiosa, as flores e as frutas que coloriam o jardim da avó e, sobretudo, o oratório da família, com imagens de santos no altar, deram vida à coleção que, nas palavras do criador: “Foi para mim, até hoje, a mais cuidada, minuciosa e especial. Talvez pelas memórias tão fortes que tomei para construí-la, talvez pelo tempo que levei para conceber as peças”. Na estação seguinte, para comemorar o aniversário de um ano da marca, Lucas tomou um caminho completamente diferente em seu processo criativo: o momento era de alegria, por isso a proposta do Verão 2011 da AP401 foi uma festa na floresta; árvores, folhagens, cavalos, pássaros, insetos, escamas e outros elementos lúdicos viraram estampas.

As coleções mais recentes, “Corpo” (Inverno 2011) e “A Ilha” (Verão 2012), foram desenvolvidas em cima de outras paixões de Lucas. A primeira, na biologia e no corpo humano; já a segunda resgatou velhas lembranças: “Lembrei-me dos passeios a cavalo que fazia com meus pais nos finais de semana para visitar duas tias e meus avós. Eles moravam em uma zona rural pertencente ao município de Mar Vermelho. A viagem a cavalo durava cerca de duas horas e a chegada era motivo de muita alegria, passávamos as tardes conversando à sombra dos cajueiros e a paisagem do agreste alagoano era tão linda, com muita vegetação verde e as trilhas em barro alaranjado”. A partir dessas memórias, das imagens valiosas trazidas por elas e da associação ao trabalho de outro artista local, Pedro Lucena, Lucas fez uma viagem ao povoado da Ilha do Ferro, no município de Pão de Açúcar, no sertão alagoano. Com a vivência empreendida no local, o designer montou sua cartela de cores e texturas.

Campanha da coleção “A Ilha”, mostrada em primeira mão pelo FFW ©Lucas Barros

Ao conversar também sobre questões mais práticas com o FFW, o alagoano disse que seus maiores objetivos no momento são o lançamento de sua loja online e conquistar pontos de venda em Recife e São Paulo, além de começar a criar acessórios e itens de decoração. Especificamente sobre o mercado de moda em Alagoas, Lucas afirmou sentir a ascensão que o segmento sofreu desde a época de sua marca de camisetas e que sua proposta, mesmo carregada de referências regionalistas e afetivas, conquistou o respeito e a atenção de veículos de nacionais: “O trabalho artesanal foi valorizado sem ser rotulado como apenas produto regional, gerando orgulho para o estado”. A história de Lucas Barros ainda é muito recente, mas seu talento é visível e incontestável.

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©Lucas Barros

Campanha da coleção ''Corpo'', exibida em primeira mão pelo FFW

Lucas Barros: talento alagoano além das barreiras geográficas

Direto de Madri: papo sério com a diretora da semana de moda

Leonor Pérez Pita, diretora da Mercedes-Benz Fashion Week Madrid ©Reprodução

Bastidores da semana de moda de Madri. Sala da diretoria. De repente entra uma senhora toda vestida de preto. Atrás dela, vem um segurança uniformizado segurando um casaco de pele e o entrega a um assistente. Essa é Leonor Pérez Pita, ou simplesmente Cuca, como é conhecida por aqui. Aos 72 anos, ela é o braço de ferro por trás da semana de moda de Madri, evento que fundou em 1985, com apenas sete estilistas no line-up.

Agora, Cuca vê seu evento dar mais um passo, e, desta vez, um dos grandes. Um mês antes de o evento acontecer, ela fechou um acordo de patrocínio com a Mercedes Benz, que também está por trás de semanas de moda em Nova York, Berlim e Moscou.

A personalidade de Cuca remete à imagem que guardamos da mulher espanhola: firme, forte, destemida. De poucas palavras e respostas curtas e objetivas, ela pouco sorri, mas é solícita e muito educada. Apesar de uma pessoa do evento reconhecer que Madri não está no mesmo patamar de Paris ou Milão, em termos de moda, Cuca não gosta nem de pensar no assunto. “A Espanha não é diferente do resto do mundo”, diz.

A Mercedes Benz Fashion Week Madrid está sob o guarda-chuva da Ifema (Institución Ferial de Madrid), que além da semana de moda, também cuida da organização e produção de mais 70 feiras por ano, incluindo joalheria, turismo e catering, e ainda com participação em eventos internacionais. Vai encarar?

A Espanha passa por uma crise muito séria. De que forma ela afetou o mercado da moda?

Outros setores foram seriamente mais atingidos do que a moda aqui na Espanha. Mas é claro que a indústria sente. As empresas tiveram que baixar seus preços e os estilistas agora têm que usar sua imaginação de uma maneira mais eficaz. Pensar em que materiais podem usar para substituir os mais caros e também em como se manter atraente trabalhando com uma matéria-prima inferior. Em tempos de crise, temos que ser criativos.

Com a entrada da Mercedes Benz como patrocinadora master, o evento cresceu e mudou o posicionamento. Muitos jornais espanhóis escreveram que vocês querem projeção internacional.

Sim, nós agora somos parte da colônia fashion, junto às outras cidades que têm o patrocínio da Mercedes Benz, como Nova York, Berlim, Moscou e muitas outras. E sim, o evento vai crescer por conta desse primeiro acordo, que tem a duração de quatro edições. O investimento no evento aumentou e isso se traduz em crescimento. Essa é a razão pela qual fizemos isso.

Qual é a ordem de valor para colocar de pé uma semana de moda como essa?

Três milhões de euros por edição.

Parte deste dinheiro paga os desfiles das marcas, certo?

Sim, nós pagamos tudo: modelos, maquiagem, cabelo, convites, passarela… O dinheiro deles é gasto com as coleções.

O evento está em sua 55ª edição. Que mudanças você viu acontecer ao longo desses 25 anos?

Houve muitas mudanças, mas elas ocorreram gradualmente. Esse tipo de coisa não acontece de repente. Nós começamos em 1985 com apenas sete estilistas participantes. Os desfiles aconteciam em uma arena de circo que a gente alugava na época. E então o evento passou a crescer e a mudar a cada estação, até ficar do tamanho que tem hoje.

Quais os diferenciais da moda espanhola?

Não acho que há algo específico sobre a moda espanhola. Muitos de nossos designers poderiam mostrar suas coleções em outros lugares do mundo. Há vinte anos, um estilista nosso fez coisas que vi há dois anos em um desfile do Jean Paul Gaultier. As coisas vão e voltam. Claro que existem os designers que têm um toque a mais, que de certa forma representam o país, mas a Espanha não é diferente do resto do mundo.

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PALMAS

©FFW

Aqui em Madri, logo se vê que o público é louco por moda. É comum as pessoas aplaudirem quando gostam de algum look. Para elas, não importa se a roupa é boa ou não, se é linda, diferente ou bem feita. Tem apenas que causar impacto. Uma roupa muito transparente, muito brilhante ou com muito volume já ganha o gosto – e os aplausos – da plateia. Mesmo se, na nossa humilde opinião de jornalistas de moda, avaliamos que a roupa não é assim especial, o que importa aqui é o show.

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AH, JON…

Jon Kortajarena desfila para Roberto Verino em Madri ©Reprodução

Falando em show, o primeiro a receber tais aplausos foi o modelo-ator espanhol Jon Kortajarena, que desfilou para a grife Roberto Verino, que abriu o evento. Para quem não liga o nome à pessoa, Jon foi namorado de Tom Ford (dizem por aqui) e atuou no filme “Direito de Amar”, dirigido por Ford. Ele fez três entradas. E Jon disse que foi o próprio Verino que lhe deu sua primeira chance no início da carreira. Desde então, já caiu nas graças de Ellen von Unwerth, Steven Meisel e Tom Ford.

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QUATRO EM UM

O final do desfile de Agatha Ruiz de la Prada ©FFW

A semana de moda de Madri está se modernizando e mudando de posicionamento, mas algumas características permanecem, como o fato de as marcas mais tradicionais dividirem suas apresentações em até quatro blocos, como se fossem quatro minidesfiles, organizados por cartela de cores ou estilos, por exemplo. Assim, muitas vezes, é difícil de encontrar uma unidade, já que a cada dez looks, a passarela fica vazia, outra música começa e entra uma nova série de roupas. Foi assim com marcas como Roberto Verino, Jesús del Pozo e Francis Montesinos. Outra coisa que acontece bastante é sempre um gran finale, com todas as modelos reunidas na boca de cena, fazendo a alegria dos fotografos.

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GALLIANISMOS

Looks do desfile de Elisa Palomino ©Reprodução

Todos recomendaram: não perca este desfile. Era o da estilista Elisa Palomino, uma das marcas mais elegantes de Madri e reconhecida por seu acabamento e suas roupas de noite. Foi quem, até agora, mais trabalhou com estampas, a maioria floral e com perfume lúdico. Havia algo de sonho e de fantasia em sua coleção, com longos vestidos estampados e bordados usados por modelos com perucas rosas e roxas. No final, descobrimos: Elisa foi, por muito tempo, assistente de John Galliano.

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SMACK!

Movimentação no Kissing Lounge ©FFW

No grande galpão em que acontece o evento, há um espaço chamado Kissing Lounge. Patrocinado pela Absolut, é onde os estilistas recebem a imprensa e os convidados após os desfiles. Como é um dos lugares onde a social corre solta, deram, espertamente, o nome de Kissing Lounge, pelas muitas trocas de beijinhos com os estilistas.

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QUICK TRENDS

Looks de Roberto Torretta, Jesús del Pozo e Duyos ©Reprodução

Nas passarelas: muito preto e cinza; dourados; tecidos com acabamentos metalizados; rendas e transparências; mohair e pele; alfaiataria feminina e misturas inusitadas, como plástico com seda, que rendeu um lindo vestido na coleção de Duyos.

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Slippers: da aristocracia para a “Playboy” e, agora, para a vida real

Por Julie Segal*, em colaboração para o FFW

©FFW

Se nas estações passadas a tendência da androginia nos calçados viu seu ápice por meio dos oxfords, brogues e mocassins, exaustivamente desfilados dentro e fora das passarelas, surge para as próximas temporadas outra opção: os slippers.

O modelo, que imita as pantufas de antigamente, vem ensaiando sua entrada nos armários dos fashionistas mais antenados, e de uns tempos para cá, ganhou força e promete ser uma forte tendência para as próximas estações.

A origem dos slippers é nobre: feitos de veludo e bordados de iniciais e brasões, os homens da aristocracia inglesa costumavam usá-los quando recebiam convidados para eventos formais em casa. Não é à toa que também são conhecidos como Prince Albert Slippers, ou Pantufas do Príncipe Albert. Da realeza para a cultura pop, alguns anos depois, na década de 70, Hugh Hefner, fundador da “Playboy”, transportou os chinelos para a sua mansão, transformando-os em sua marca registrada, junto com os robes vinho e as “coelhinhas”.

Os slippers de agora, além do modelo clássico em veludo, aparecem em versões repaginadas, com estampas de bichos, tachas e glitter, e vêm caindo nas graças dos mais descolados, já que são uma alternativa confortável e com informação de moda.

À esquerda: modelos Alexander McQueen, Charlotte Oplympia e Christian Louboutin; à direita, Stubbs & Wootton ©Reprodução

Como são uma versão mais suave dos sapatos masculinos, como o oxford, e, ao mesmo tempo, não são tão delicados quanto as sapatilhas, ficam bem tanto com vestidos e saias quanto com shorts e calças mais secas, especialmente as mais curtas.

Os modelos já apareceram nas passarelas internacionais, como no desfile da The Row, Jenni Kaynes e Valentino Couture:

The Row Inverno 2011,  Jenni Kaynes Inverno 2011, Valentino couture Verão 2012 ©Reprodução

Detalhe dos slippers Valentino couture Verão 2012 ©Reprodução

E também em ícones de estilo, como Alexa Chung, Olivia Palermo, Anne Hathaway, Pixie Lott e Giovanna Battaglia, que já aderiram aos sapatinhos:

Alexa Chung com seu modelo Kitty Flats da Charlotte Olympia; Olivia Palermo com modelo de veludo da Stubbs & Wootton; e Anne Hathaway ©Reprodução

Pixie Lott e Giovanna Battaglia ©Reprodução

Os homens não ficam de fora — nada mais justo, afinal, os slippers são originalmente do armário deles:

Kanye West; clique do The Sartorialist; campanha Tom Ford Verão 2009 ©Reprodução

No Brasil, você pode encontrar um par para chamar de seu em lojas de distribuição nacional como a Schutz, Arezzo, ANACAPRI, Shoestock, Christian Louboutin e até mesmo na versão plástico, da Melissa. Veja algumas sugestões de modelos na galeria ao fim da matéria.

Fashionistas, comemorai: mais um item atual, que não vai causar bolhas e dores no final do dia.

*Julie Segal é autora do blog closet180.com

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©Divulgação

Modelo Melissa Virtue Special glitter (também na versão flocada), R$ 119,90

Slippers: da aristocracia para a “Playboy” e, agora, para a vida real

Direto de Madri: semana de moda muda estratégia e abre temporada

Cartaz de divulgação da Mercedes Benz Fashion Week Madrid

Após a intensa cobertura do Fashion Rio e do SPFW, o FFW está agora em Madri, para conhecer a semana de moda espanhola, organizada pela Ifema – Feria de Madrid. Parece que a crise pela qual a Espanha passa, com o maior índice de desemprego em décadas, ainda não pegou a moda de jeito. O evento, que está em sua 55ª edição, passou por uma mudança de posicionamento e agora se chama Mercedes Benz Fashion Week Madrid, assim como a semana de Nova York, que também é patrocinada pela montadora de carros alemã.

Com isso, Madri alterou sua data e passa a acontecer duas semanas antes de Nova York, abrindo assim a temporada internacional, tanto na estação de inverno quanto na de verão. Essas mudanças mostram que o evento está buscando prestígio internacional, postura também visível na ênfase dada aos convidados da imprensa internacional; cerca de 40 jornalistas de diversas partes do mundo estão em Madri para acompanhar os desfiles. Do Brasil, além do FFW, também estão presentes o “Valor Econômico”, com Vanessa Barone, e o site Lilian Pacce, representado por Jorge Wakabara.

Looks da Duyos na Mercedes Benz Fashion Week Madrid ©Reprodução

E o calendário não é moleza! São 44 marcas desfilando em cinco dias (cerca de oito desfiles diários), das 10h às 21h, com uma breve pausa para o almoço. O line-up é bastante heterogêneo e engloba desde as grifes mais tradicionais, como Roberto Verino, até as mais jovens, como a Duyos, do ótimo estilista Juan Duyos. Entre as mais conhecidas, está Agatha Ruiz de la Prada. O último dia, domingo (05.02), é reservado aos novos estilistas, em uma mostra chamada Ego Fashion shows. Todos os shows são transmitidos ao vivo através do site oficial. Em sua última edição, o portal do evento contabilizou 74 mil visitas de pessoas que assistiram aos desfiles de seus computadores ou celulares e iPads.

E, diferentemente de todas as outras capitais fashion no mundo, os desfiles aqui não atrasam mais do que dez minutos. Um milagre, praticamente. Para isso acontecer, há não só uma grande organização nos bastidores, mas também simplicidade no que diz respeito à produção. Como os estilistas dividem-se em duas salas (em São Paulo são três, fora os desfiles externos), não há tempo para cenários mirabolantes. Eles acabam interferindo cenograficamente apenas na boca de cena, com pouquíssimos móveis, objetos ou projetos cênicos.

O evento começou nesta quarta (01.02) e ainda é muito cedo para tirar uma conclusão ou criar uma imagem, mas, se depender da gentileza dos espanhóis, do profissionalismo e do trabalho que estão fazendo para se tornarem relevantes perante Milão e Paris, a moda espanhola, através de seus melhores representantes, deve logo encontrar seu boom.

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Direto de Madri: semana de moda muda estratégia e abre temporada

Ética comercial na moda? Esta nova marca acredita ser possível

Campanha da HonestBy por Bruno Pieters ©Alex Salinas/Reprodução

Imagine uma grife completamente justa e honesta. Imagine que você pode comprar qualquer peça e saber exatamente pelo que está pagando. Quanto custou o tecido, de onde ele vem, quem o costurou, qual foi o preço das linhas, das agulhas, das horas de design da peça… Enfim, imagine que você pode saber exatamente o valor de cada centavo seu.

Agora pare de imaginar e acesse o site HonestBy, do ex-diretor criativo da Hugo Boss, o belga Bruno Pieters. Ele apresentou a sua última coleção à frente da Hugo Boss na temporada Primavera/Verão 2010 em Paris, para depois se retirar para viajar pelo mundo durante um ano, e encontrar o que realmente o fazia feliz. Na Índia, o designer não encontrou a felicidade, mas encontrou um caminho: “Seja a mudança que você quer ver no mundo” foi a frase de Gandhi que o inspirou a criar um comércio de moda que procura ser totalmente justo e transparente.

Video de apresentação HonestBy:

A criação de Pieters, lançada dia 30 de janeiro de 2012, não é atraente apenas por ter um site esteticamente agradável e com um conceito inovador (logo na página principal, por exemplo, o usuário pode escolher a cor do background!), como também porque abre um precedente na indústria da moda.

Ao navegar pelo site, que apresenta a mais recente coleção de Bruno, de inspiração marcadamente minimalista, experimente clicar em um dos itens e ver a descrição abaixo. Lá, irá encontrar todas as informações sobre a peça, desde o tempo que o designer demorou a concebê-la até ao nome da costureira que costurou o botão. Outra novidade do site  é que a escolha da roupa pode ser feita por filtros como Vegan, onde se escolhem peças com tecidos livres de produtos animais, Skin Friendly (“amigo da pele”), com certificado de tecido antialérgico, Recycled, cujas peças são elaboradas com tecidos reciclados, e ainda European, com certificado que garante a confeção 100% europeia. 

Dois looks da coleção de Pieters: casaco jeans orgânico e calça de algodão  e casaco de algodão satinado ©Alex Salinas/Reprodução

E não é só. A marca destina 20% dos seus lucros a uma ONG, e trabalha com coleções limitadas —  a atual é composta por 56 peças para homens e mulheres. Além disso, daqui a três meses já começam as colaborações com outros designers (que ainda estão sendo mantidos em segredo) dispostos a se envolverem com a causa.

Ao longo dos anos, a discussão sobre o preço a pagar por uma peça tem pautado as mesas redondas de vários debates sobre moda. Do preço dos materiais utilizados até o preço intangível de uma criação, são as grifes que decidem quanto querem cobrar. O design atemporal, a escassez de matéria-prima, a exclusividade, a força da marca, a garantia de qualidade e tantas outras questões sempre servem para precificar uma peça — mas para muitas pessoas, sempre fica a desconfiança de que se está pagando mais do que o preço “real”. No entanto, se por um lado as marcas decidem quanto vão cobrar, por outro, os consumidores também decidem se estão dispostos a pagar esse valor. Tudo é muito subjetivo e passível de discussão. A HonestBy vem de certa forma desconstruir essa ideia e, quem sabe, fazer um convite para que outras marcas façam o mesmo. Bruno Pieters, inclusive, oferece  em seu site consultoria a outras marcas de moda que queiram seguir esse caminho.

Bruno Pieters e a próxima designer ainda não revelada (alguém consegue adivinhar quem é?) ©Reprodução

Sustentável e totalmente transparente em relação ao seu trabalho, porque, como afirma o designer, “eu também sou consumidor”, o grande objetivo de Pieters é criar moda adequada ao mundo em que vivemos hoje: reconhecendo a crise mundial e o cuidado com que as pessoas gastam o seu dinheiro, respeitando os animais, as mudanças climáticas e do meio ambiente e, acima de tudo, ensinando o ser humano a ser mais consciente consigo mesmo.

Conheça aqui o HonestBy — que, sim, faz entregas para o Brasil!

Ética comercial na moda? Esta nova marca acredita ser possível

Veja em primeira mão o Inverno 2012 Cris Barros, inspirado em Corinne Day

Cris Barros durante apresentação do seu Inverno 2012 ©Juliana Knobel

A coleção Inverno 2012 de Cris Barros só chega às lojas em março, mas na terça-feira (31.01) a estilista recebeu a imprensa em seu atelier, em São Paulo, para apresentar o conceito e as peças-chave da temporada.

O ponto de partida para a coleção é a obra da britânica Corinne Day, ícone da fotografia de moda e creditada como a “criadora” do mito Kate Moss. “Tinham me falado de uma mostra da Corinne Day em Londres, quando eu estava lá, mas eu tinha esquecido. Daí parei pra almoçar, e do lado do restaurante estava a exposição, então acabei entrando e… me apaixonei. Acho que ela realmente revolucionou a estética da década de 90, olhando mais pra coisa natural mesmo; ela começou a trabalhar com a personalidade dos modelos, e não com aquela foto super produzida. E eu acho que isso trouxe pra moda uma outra estética, porque se você valoriza a personalidade da pessoa, a roupa também não é tão ‘montada’ — então a forma começou a ser mais orgânica, a acompanhar mais o corpo”, a estilista disse ao FFW.

Assim, a década de 1990 foi o objeto de estudo para a coleção, que consequentemente traz muitas referências ao sportswear, “mas de uma forma muito mais refinada”, como Cris explica, com uma série de antagonismos: o orgânico X o estruturado; a sensualidade X a naturalidade; a transparência X as texturas; e a complexidade X a simplicidade.

Há uma grande variedade de texturas e tecidos nesta coleção, como a seda metálica e o chiffon, que aparecem nos plissados; jacquards de seda e veludos de algodão para a parte de alfaiataria; tule e telas para uma transparência usável; neoprene; e o veludo de seda com brilhos discretos. Todas as peças têm muita textura (inclusive os sapatos!), e muitas delas têm adornos tridimensionais e/ou trabalhos nas costas. Vale ver todos os detalhes nas fotos da galeria abaixo:

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©Juliana Knobel

Veja em primeira mão o Inverno 2012 Cris Barros, inspirado em Corinne Day

Regina Guerreiro: “Há muita memória e pouca imaginação”

Regina Guerreiro autografando uma cópia do livro “Ui!” ©Juliana Knobel

Regina Guerreiro esteve na terça-feira (31.01) no MuBE, em São Paulo, durante o preview para imprensa da coleção de Inverno 2012 da Renner, para o pré-lançamento de seu livro autobiográfico “Ui!”. O FFW teve acesso à publicação em primeira mão: desordenado cronologicamente, livre de censuras e preconceitos e com frases soltas, escritas por Regina sobre a sua carreira e os seus mais profundos pensamentos, cada página conta uma história ilustrada por uma imagem de moda.

Em todos os seus aspectos, podemos afirmar seguramente que “Ui!” resume bem o percurso de vida de uma das mais influentes personagens do cenário da moda brasileira. Ficamos agora ansiosamente esperando a exposição, que terá início no dia 13 de fevereiro no MuBE.

Em conversa com o FFW, Regina Guerreiro contou um pouco mais sobre as suas inspirações e sobre a sua visão do mundo da moda.

A Regina é um ícone para muitas pessoas. Quem é o seu ícone?

No Brasil respeito muito a imagem da Costanza [Pascolato], acho que ela percorreu um percurso muito bom, ela tem um estilo pessoal muito forte, talvez seja das mulheres mais elegantes do Brasil, mas ícones eu não tenho nenhum.

Estou apostando muito no Pedro Lourenço como estilista. Eu falei isso há dois anos, nas edições que eu fazia para a “Caras”, e este ano ele saiu na “Elle” francesa, então eu fico feliz de acertar as minhas previsões.

Quem inspirou a sua carreira?

Deixa eu pensar… Diana Vreeland, sem dúvida. Eu aprendi com ela que para vender uma coisa, você primeiro tem que vender emoção, daí a pessoa compra o vestido. Então é muito importante fazer esse casamento: emoção que provoca desejo que provoca “Ui! Esse eu quero!”.

O que mudou no mundo da moda?

Eu acho que estamos em um péssimo momento. Estamos num momento em que os consumos engoliram os sonhos. Então são produções tão grandes que a gente até se espanta com o nível de dificuldade que eu vejo. Sou muito a favor de dar dignidade e possibilidade para todo mundo mas eu não sou a favor da não-criação. E isso é muito difícil. A gente precisa primeiro ver o custo e depois criar. Então eu acho que isso esmaga, encolhe a moda, entende?

A nova geração de moda é muito pouco informada. É impressionante como eles se deslumbram com coisas que já aconteceram. Não é legal. O que é a mulher de hoje não é a mulher de ontem, então tem muita memória e pouca imaginação.

E o seu blog? É um veículo para essas observações?

Sem dúvida. O meu blog tá parado… Esse ano passei o ano inteiro meio doente e parei de escrever no blog, mas vou voltar. Vou só descansar um pouquinho mais! (risos)

O livro de Regina de formato especial ©Juliana Knobel

Regina Guerreiro: “Há muita memória e pouca imaginação”