Izabel Goulart fala sobre quebra de contrato com a VS e dá suas dicas de beleza

23/05/2012

por | Gente

Por Julia Pitalunga, em colaboração para o FFW

Izabel Goulart no camarim da Cia. Marítima ©Juliana Knobel / FFW

Izabel Goulart se encontra na 12ª colocação no ranking do site models.com, referência suprema do mundo das modelos. Sempre saudável e reconhecida pelo corpo impecável, Izabel alavancou mais ainda sua carreira quando participou pela primeira vez de um desfile da Victoria’s Secret, em 2005. Desde então, ela tem contrato exclusivo com a marca de lingerie, mas se desvencilhou dele por motivos profissionais. Izabel conta para o FFW sobre seus trabalhos, seus planos familiares e seus cuidados não só para o verão, mas para a vida toda.

Vemos outras Angels já no segundo filho, e você? Como estão seus planos para construir uma família?

Bom, por enquanto eu me sinto bem tranquila. Meu relógio biológico está no tic tac ainda. Mas adoro a ideia da casa cheia sempre, tenho uma família grande. Acho que tudo tem sua hora e esse momento que estou agora é mais de dar importância ao meu trabalho. Há muitos anos eu tenho plantado bastante, estou colhendo fruto de cada trabalho meu.

Agora você voltou a desfilar para marcas independentes, como Balmain e Roberto Cavalli. Como foi essa decisão de sair do contrato exclusivo da Victoria’s Secret?

A minha primeira palavra é “foco”. Algumas coisas não dá para planejar, acabam acontecendo, mas eu gosto de fazer um planejamento da minha carreira sempre. Prefiro ser muito organizada e focada no trabalho. Nada acontece do dia para a noite. Quero alcançar meus objetivos, então pra mim, essa decisão de deixar de ser exclusiva da Victoria’s Secret foi uma decisão apenas minha, queria voltar a dividir toda a minha experiência e anos de aprendizado com outras marcas. Ser uma modelo “fashion” (de passarela) é uma coisa que eu gosto muito, de poder ser camaleoa, acho bacana poder criar. E isso tem sido muito bom para mim, me sinto mais “fresh”.

O que mudou na sua vida com essa decisão?

Ah, muita coisa. Normalmente as modelos são fashion ou comerciais e eu, claro que não sou a única, mas sou uma das poucas modelos que conseguiu quebrar esse paradigma. Posso fazer os dois agora.

O assédio é maior sendo uma Angel?

Ah, com certeza! O assédio é maior porque você não é apenas uma modelo da maquiagem da Victoria’s Secret que faz parte do casting. Você precisa ter a cara da marca, o que ela realmente procura. As pessoas acabam se identificando muito mais com você do que com a própria marca e é um marketing mundial. Eu sou muito agradecida por toda essa exposição que a marca me deu até hoje. E eu retribuo todas as vezes que estou na passarela e nas campanhas.

Izabel e o look que abriu o desfile da Cia Marítima ©Zé Takahashi/Ag. Fotosite

E o assédio dos homens?

Tem muito também! Mas eu acabo não sabendo tanto, não procuro muito, fico sabendo por outras pessoas, sou um pouco “shy” (envergonhada). Aparecem umas coisas no meu Twitter bem engraçadas, mas meu Deus, eu penso: “Como você pode escrever isso para uma mulher?”. (risos)

Você faz muito desfile de beachwear. Como você mantém o corpo em forma? Intensifica mais a malhação antes dos desfiles?

Malho bastante. Eu me identifico como uma mulher saudável. Não gosto dessas coisas de modelos muito magras e dietas malucas. Não acredito em nada que além do limite tenha um bom resultado. Por isso sempre me cuidei diariamente, nada de intensificar uma semana antes de algum desfile. Pratico pilates há três anos. Não tenho um lugar fixo para malhar, mas tenho personal trainer que me estrutura em Miami, Nova York ou no Brasil. Eu aviso sempre antes de chegar nos lugares para, quando chegar, já fazer os exercícios e não parar o ritmo. É uma disciplina, a gente se acostuma. Eu coloquei foco nisso. Tirei da minha vida as preocupações de viagens e o stress de trabalho, isso não dá saúde.

Cuidados com o seu cabelo: o que você usa e como cuida dele?

Meu cabelo está sempre em dia com o corte. Corto e pinto o cabelo com o Celso Kamura desde meus 15 anos. Meu cabelo tem muito volume, fica muito pesado em fotos quando não o corto, preciso estar sempre cortando. A cor também, preciso sempre clarear as pontas, ele é muito escuro, acaba não emitindo movimento na hora de fotografar. Também gosto das luzes bem naturais, nada muito marcado.

Você se acha atraente?

Às vezes sim. (risos)

Que modelo você acha linda e admira?

- Ah, a Izabel Goulart, né? (risos)

Isabel Hickmann

Modelo fala sobre relação com a irmã, auto marketing e planos para o futuro

23/05/2012

por | Gente

Isabel Hickmann no Fashion Rio Verão 2013 ©Juliana Knobel/FFW

Habitualmente festejada pela moda, a androginia encontrou em Isabel Hickmann muito mais que a simbiose de elementos femininos ou masculinos, mas uma elegância digna de rostos impactantes como Twiggy, Edie Sedgwick e Freja Beha Erichsen. Referir-se ao sobrenome é cair no clichê; no entanto, é quase impossível acreditar que a gaúcha de 23 anos é irmã da apresentadora e ex-modelo Ana Hickmann – essa última, loira de olhos claros, corpo e postura das bombshells da Victoria’s Secrets, enquanto a primeira se assemelha mais às amazonas da Céline ou Hermès. Apesar do parentesco, Isabel tem construído sua carreira à base do próprio mérito e é hoje um dos nomes mais frequentes nos castings nacionais.

Nesta terça-feira (22.05), enquanto se preparava no backstage da Alessa, Isabel conversou com o FFW sobre o início da profissão de modelo, a faculdade de Publicidade, a relação com a irmã Ana Hickmann e os planos para o futuro:

Há quanto tempo você está trabalhando como modelo de forma integral?

Comecei no início de 2009, então três anos e meio.

Você se formou em Publicidade na FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado); como aconteceu esta transição para a carreira de modelo?

Foi muito do nada, na verdade. Eu ainda não tinha me formado quando comecei, foi meio que um teste. E deu super certo, então me joguei de cabeça!

E eu fiz Publicidade, agora trabalho com a minha imagem, então linkou tudo. Foi ótimo.

Quantos anos você tem agora?

23.

Como é a experiência de entrar nesse mercado já com uma bagagem cultural e de vida maior que a maioria das modelos, que começam tão novinhas?

Foi tudo muito rápido. Eu comecei a modelar e em pouco tempo já estourei aqui no Brasil. Na minha primeira temporada fiz 45 desfiles em São Paulo; foi um momento muito importante, aprendi muito. Claro que tem os dias difíceis, os altos e baixos, mas eu ter começado mais tarde me ajuda a lidar com o lado negativo da profissão. Uma coisa complicada para mim é não ter rotina, porque antes eu tinha faculdade e fazia estágio… e agora às vezes passo uma semana sem trabalhar e depois trabalho 45 dias sem parar, sem ter fim de semana, então a falta de rotina foi bem difícil de acostumar, mas hoje me dou super bem.

Viajar também foi muito importante. Fui primeiro para Paris e no início do ano passado fui para Londres, que foi muito bom, trabalhei com pessoas superimportantes, como o Nick Knight e o David Sims. Aprendi muito, inclusive com a minha agência internacional, que é a Next (no Brasil, minha agência é a Way). Foram dois momentos muito importantes: o meu começo, que foi muito rápido, e a ida para Londres, que foi onde mais aprendi. É tudo bagagem; o mais difícil disso tudo é ficar longe, dá vontade de voltar, saudades, frio, mas tudo recompensa.

Isabel Hickmann sendo fotografada por Nick Knight ©Reprodução

Por você ter começado um pouco mais velha e ter se formado, sente alguma dificuldade em se relacionar com as outras modelos?

Não, as meninas vivem muita coisa com a profissão e sempre tem várias que fazem cursos. Claro que tem algumas que me identifico mais, mas nunca tive problemas.

Antes de 2009, você fazia trabalhos esporádicos de modelo, tipo freelancer?

Não, já cheguei a fotografar para um trabalho da faculdade, mas era eu e mais duas amigas. E vídeos comerciais, mas tudo para o curso de Publicidade. Profissional nunca tinha feito nada, 2009 foi o ano que realmente eu comecei.

Quando eu era muito novinha, mais ou menos aos 14 anos, já tive interesse pela profissão de modelo, mas meu pai não me deixou ir para São Paulo, não queria que eu parasse de estudar tão cedo. Depois me mudei para São Paulo para estudar e era super desencanada, gostava de acompanhar e assistir minha irmã, mas eu não me via fazendo aquilo.

E você se sente mais cobrada por ser irmã da Ana Hickmann? Sente alguma comparação?

As pessoas falam, olham, querem saber como é que é, mas eu não sinto pressão. É muito bom ter uma pessoa como ela ao meu lado, ela já viveu tudo isso, começou super cedo e sozinha; eu ainda tenho uma pessoa que passou por tudo isso para me orientar, é praticamente como ganhar na loteria. Vejo como uma sorte. Em relação a trabalho especificamente, não vejo diferença, até porque ela e eu temos perfis diferentes (apesar de fisicamente diferentes, nós temos um jeito bem parecido e nos damos super bem). No começo tive um pouco de medo de que as comparações fossem acontecer, mas me surpreendi porque realmente não aconteceu.

Tem algum trabalho que você almeje fazer?

Ah, uma campanha de perfume! Acho lindo; todas as campanhas de perfume são lindas.

E você pensa em voltar a atuar com Publicidade? Você gostava do curso?

Amava. Principalmente a parte de marketing. Já pensei em ser redatora, mas desencanei. E me dava muito bem com mídia. Eu ainda falo que eu trabalho com Publicidade, sou publicitária-modelo, faço marketing da minha imagem! Acho que mais para frente com certeza vou voltar [a trabalhar com Publicidade], porque a carreira de modelo não é para a vida inteira, então vou ter que focar em alguma coisa. E como Publicidade é uma coisa que eu já estudei e que eu gosto muito, provavelmente vou voltar um dia.

Isabel Hickmann na campanha de Inverno 2012 da D’Arouche ©Gustavo Zylberztajn/Reprodução

E agora você está morando em Londres ou São Paulo? O que você gosta de fazer no seu tempo livre?

Assim, a gente nunca tem um lugar totalmente fixo, mas este ano estou em São Paulo. Lá, de praxe no fim de semana, é andar de patins no parque [risos]. Cinemas; São Paulo oferece uma vida cultural muito boa, ao menos quando se tem tempo. E passei o Carnaval aqui no Rio, voei de asa delta, foi a primeira vez, foi lindo, a melhor experiência da minha vida, acho. Qualquer cantinho do Rio é lindo, então ver tudo lá de cima foi mais incrível ainda. Mas não conheço muito a cidade porque venho sempre tão rápido, a gente não tem muito tempo.

Tem algum produto de beleza que seja essencial para você?

Ah, tem produtinhos básicos, como hidratante labial. Meu cabelo é muito fininho, então uso um produto que chama “Volumizing”, que é uma aguinha que você passa nele úmido para dar mais volume e deixar com aspecto mais natural. E beber água é fundamental.

O que você gosta de ouvir?

Gosto de ouvir tudo, menos funk e axé. Mas muito rock dos anos 90, como Blondie. Atualmente gosto muito de Kings of Leon e Seu Jorge.

Top da moda

Conheca o stylist carioca Pedro Sales, um dos mais requisitados da cena fashion

23/05/2012

por | Gente

Por Nuta Vasconcellos

Modelos no backstage da Maria Bonita Extra, com styling de Pedro Sales, no Fashion Rio Inverno 2012 ©Rafael Canas/Agência Fotosite

Pedro Sales chegou a estudar jornalismo, mas assim que começou sua carreira como stylist viu que não teria mais tempo de nada, além de se dedicar ao trabalho. Hoje aos 34 anos, o carioca entra para o hall dos profissionais mais requisitados e respeitados na moda nacional. Só na temporada de Inverno 2012 ele assinou entre Fashion Rio e São Paulo Fashion Week nove desfiles, entre eles Maria Bonita Extra, Coven, Cantão, Huis Clos e Osklen. Agora no Verão 2013 está por trás do styling de diversas marcas, como Salinas e Patachou. Batemos um papo com ele para entender melhor como tudo começou, seu processo criativo e inspirações.

Quando você passou a se interessar por moda? Quais foram seus primeiros passos e oportunidades?

Sempre me interessei por moda. Acho que minha vida toda. Estudei a infância inteira e a adolescência tendo que usar terno e gravata. Desde essa época já era bem exigente com meu uniforme. Tudo tinha que ser feito com alfaiate. Tinha muito cuidado com a gravata, a camisa, o sapato.  Comecei a trabalhar profissionalmente como assistente da Adriana Bechara, hoje editora na “Vogue”. Aprendi muito com ela. Tive a sorte de logo no início trabalhar com meus ídolos da época, Cristina Franco, Beth Lago… A Patrícia Veiga, então editora do Caderno Ela (publicado pelo jornal “O Globo”), foi quem me convidou para meu primeiro trabalho sozinho.

Pedro Sales, à esquerda, trabalha com a equipe da Coven no backstage da marca no Fashion Rio Inverno 2012 ©Sergio Caddah/Agência Fotosite

Algumas pessoas importantes no styling de moda, como Daniel Ueda, citam você como uma pessoa cujo trabalho ele admira. Quem são suas influências e “ídolos” do meio?

Fico muito feliz em ser citado pelo Daniel, a quem respeito muito. Tenho grande admiração pelo Paulo Martinez e sempre quero ouvir o que ele tem a falar. Gosto muito da Renata Correa e do Maurício Ianês também. E ainda Carine Roitfeld, Miuccia Prada e Steven Meisel, por me fazerem constantemente repensar hoje que tudo pode ser diferente do que vi ontem.

Qual trabalho até hoje você achou mais desafiador fazer? E o que teve mais prazer?

São tantos… Tenho relações bem longas de trabalho e acho que o prazer vem sempre de trabalhar com amigos. E desafiador? Acho que o novo. Quero sempre que o próximo seja melhor.

Em uma entrevista você disse que gosta de se envolver três meses antes no trabalho e acompanhar o estilista no começo da formatação da coleção. Você se envolve na criação das peças? Influencia na escolha de modelo, trilha sonora ou cenário?

Sim, vejo meu trabalho mais completo quando estou envolvido desde o início no processo. O trabalho é uma troca constante entre os estilistas e eu. As ideias vão mudando ao longo do tempo e uma coleção não pode ser feita em 15 dias. Mesmo começando desde cedo, já mudamos sapatos de um desfile uma semana antes, beleza no dia, modelo na véspera. Busco a perfeição até o final. Mas tudo é feito em equipe. Me envolvo em tudo, mas só trabalho com profissionais que pensem como eu.

Backstage do desfile de Cantão, com styling de Pedro Sales, no Fashion Rio Inverno 2012 ©Sergio Caddah/Agência Fotosite

Quando o assunto é moda, música e arte, o que mais tem te influenciado e inspirado nos últimos tempos?

A liberdade e a provocação dos anos 80 me influenciam demais. Acho que hoje poucos ainda têm essa coragem… Maison Martin Margiela, Damir Doma, Haider Ackermann são inspiradores. O surrealismo na arte e na fotografia também me interessam muito.

“A felicidade é uma marca registrada da Alessa”, diz estilista carioca

23/05/2012

por | Gente

A estilista Alessa Migani pouco antes de seu desfile de 10 anos ©Juliana Knobel/FFW

O último desfile do primeiro dia (22.05) de Fashion Rio foi uma verdadeira celebração. A Alessa, da carioca Alessa Migani, comemorou nesta temporada 10 anos de existência. Para a ocasião, a estilista revisitou conceitos e materiais do início de sua carreira, mantendo, é claro, a já conhecida brasilidade que a define. Intitulada “Top 10”, a coleção foi desenvolvida como um tributo à história da marca, bem como uma confirmação irrefutável da paixão de sua criadora pelo ofício que adotou.

No entanto, não são apenas as cores e texturas das peças idealizadas por Alessa que distinguem esses 10 anos. A extroversão da estilista ao falar com a imprensa e, principalmente, ao agradecer o público nos finais de seus desfiles é algo sempre lembrado – talvez quase como um atestado de “carioquice” da marca. Em meio à ansiedade e à balbúrdia habituais do backstage, o FFW conversou com Alessa, que contou um pouco sobre a coleção de Verão 2013 e a alegria tão inerente a tudo que faz. Confira abaixo:

O que foi desenvolvido de especial para esta coleção de 10 anos de Alessa?

Esta temporada, comemoramos 10 anos da Alessa. A coleção vem com um pouquinho do retrô de quando eu comecei, trouxemos o chitão multicolorido assinado e o preto e branco, que é uma novidade. Foi com o material que eu comecei, fazendo alfaiataria, ternos, ele vem de novo, mas dessa vez assinado. Todas as estampas que a gente fez em laise, material que já vem com bordado, com uma bagagem artesanal, criaram uma textura super gostosa e nova para mim; cada vez que eu recebia um tecido estampado foi muito inspirador para eu começar as modelagens, que são bem simples, de verão mesmo. Tem capas de chuva de laise, vestidos longos com babados e muita camisaria e alfaiataria.

O board com quase todos os looks do Verão 2013 da Alessa ©Carla Valois/FFW

A Alessa tem uma estética bem brasileira e suas peças exalam alegria, assim como você. Como você sente isso ao longo desses 10 anos?

Foi muito aprendizado porque há 10 anos eu era diretora de criação em agência de propaganda, então, de repente, a moda me abraçou e eu me transformei em estilista. De publicitária para estilista e eu acho que, até hoje, tenho no meu DNA a brasilidade que todo publicitário tem, afinal a criatividade faz parte do DNA brasileiro. Acho que o bacana é que hoje, quando eu vejo o que eu faço, percebo realmente essa bagagem. Sempre exportei a minha criação publicitariamente e agora através da moda – continuo fazendo o que fazia, só a mídia é diferente.

Você passa essa alegria de forma bem clara, especialmente nos seus agradecimentos.

Sou realmente a típica brasileira, ou melhor, a típica carioca. Gosto muito de passear de manhã na areia, pertinho do mar, ir até o arpoador e dar um mergulho, isso vai relaxando a gente. Fiz 15 anos de balé clássico, adoro sambar, desfilo na Sapucaí, então nos momentos mais felizes o corpo mostra. A passarela, para mim, é o momento em que meu corpo mostra uma felicidade, um jogo de cintura que tem que ter mesmo para estar na passarela…

Eu sempre fui extrovertida; meu trabalho é moda, mas antes de tudo é arte, é o que eu sou, é autoral, quem olha a roupa que eu crio sabe de onde veio. Cada vez que eu coloco algo na passarela, é algo que eu gosto e penso, talvez por isso essa identidade de carioca. Claro que tenho o lado profissional, muito sério e perfeccionista, mas tem também o lado que vai extravasar isso tudo, e é o que acontece no final dos desfiles. Quando eu entro [na passarela] não dá vontade de sair mais!

As comemorações sempre marcantes de Alessa Migani; Fashion Rio Inverno 2012 e Verão 2012, respectivamente ©Marcelo Soubhia/Agência Fotosite

Você sente que essa extroversão tornou-se sua marca e, consequentemente, a da Alessa?

A felicidade é uma marca registrada da Alessa, sim. Está no DNA da marca e não tem como sair, por mais difícil ou trabalhoso, afinal há 10 anos eu mudei de profissão… eu não sabia fazer nada disso, foi muito empenho! Acredito até que agora é um marco zero porque tenho muito que aprender ainda, e acho que criatividade é isso, você sempre começa do zero. Sem fazer o que a gente gosta não se vai adiante.

Thais Losso

Consultora da Oh, Boy! fala sobre dançar conforme a música

22/05/2012

por | Gente

Thais Losso no backstage da Oh, Boy! ©Rafael Cañas/Agência Fotosite

Thais Losso já trabalhou à frente de marcas como Cavalera, Sommer e Zapping, mas há alguns anos vem atuando como consultora de moda de empresas que desejam adicionar sua expertise a coleções mais comerciais. A Oh, Boy!, que fez seu desfile de estreia no line-up do Fashion Rio nesta terça-feira (22.05), convidou a estilista para auxiliar sua equipe de criação. Desde dezembro de 2011, a paulista, formada em Desenho de Moda pela Faculdade Santa Marcelina, presta consultoria para a grife carioca – o FFW conversou com a designer, que, muito gentilmente, contou os detalhes da colaboração.

Como foi o convite para trabalhar com a Oh, Boy! e há quanto tempo já dura esta parceria?

Foi muito louco. Geralmente quem escolhe o stylist para um desfile é o estilista, mas quem escolheu o estilista para esse desfile foi o Felipe Veloso, stylist. A gente tem uma parceria de longa data, fizemos todos os desfiles da Zapping e quando eu fazia Sommer também trabalhamos juntos. Eu estou com a Oh, Boy! desde dezembro passado, ainda na coleção de Outono/Inverno 2012. Ajudei a finalizar essa coleção porque eles estavam sem coordenadora de estilo, que tinha se afastado para ganhar bebê, e eles precisavam de uma força de consultoria, que é a área que eu estou focando.

Como foi o trabalho de consultoria no caso da Oh, Boy!?

Eu danço conforme a música, ou seja, cada cliente é um trabalho bem diferente. A Oh, Boy! tem uma equipe de estilo, que eu chamo de “ministras” e que trabalham meio que em uma democracia, e eu as ajudo a amarrar, questiono, faço a advogada do diabo e até meto a mão nos desenhos, criando em colaboração. Acho que quando fazemos uma criação com milhões de mãos fica mais legal ainda.

Eles escolheram o tema e eu fiz os meus questionamentos, apresentei minhas posições – queriam que a coleção tivesse uma inspiração “oriental”, e eu dei a ideia de agregar mais alguma coisa, já que essa temática já está no ar há algum tempo. [Questionei] O que tem a cara da menina Oh, Boy!? Aí a gente ficou pensando e chegou às cheerleaders, ao college – não só por causa do clipe da Madonna, tá? Eu juro que foi depois, faz tempo que a gente está trabalhando com essa ideia. E aí, descobri no YouTube uma abertura do campeonato mundial das cheerleaders, em Tóquio, e morri do coração! Comecei a fazer uma super pesquisa sobre uniformes e trouxe exemplos para a equipe de estilo, e propus fundir ao tema já definido para que ele não ficasse muito literal.

Aí eu venho [de São Paulo para o Rio de Janeiro] uma vez por semana, uma semana eu fico um dia, bate e volta, e na semana seguinte eu fico dois dias. Nesses dois últimos meses, meu sócio, Marcos Kurtz, e eu estamos ficando meio que direto.

- Clipe “Give Me All Your Luvin’, parceria entre Madonna, M.I.A. e Nicki Minaj:

Qual é a sua visão da Oh, Boy!? Você se identifica com a proposta da marca e com a clientela?

Olha, para mim é sempre um desafio, todo cliente é, mas foi super gostoso porque eu sempre atuei como diretora de criação ou coordenadora de estilo de marcas jovens, com uma grande porcentagem da coleção dedicada ao feminino. Para mim foi como um resgate, é um público que eu gosto. Trabalho com outros clientes que também focam nesta menina que vai dos 18 aos 30 e poucos – porque hoje em dia a gente não fala mais dos “18 aos 24”, o leque de comportamento está muito maior, ao menos é o que eu acredito. Vou fazer 38 anos e tem um monte de roupas da coleção [de Verão 2013 da Oh, Boy!] que eu quero usar, minha sobrinha que acabou de fazer 18 “rouba” peças do meu armário sempre, então o target está muito mais amplo, cada vez mais dentro de uma loja você consegue ver várias opções.

Como é conciliar várias consultorias?

Eu trabalho só com contrato e não trabalho com concorrentes de forma alguma. Eu consigo conciliar os cronogramas; agora estou com a Oh, Boy! e outro cliente que é bem grande, mas que não posso falar o nome. Os calendários e tipos de trabalhos também são muito diferentes, além de poder contar com colaboradores, como o meu sócio, o Marcos, o Marcelo Ferrari e a Yoon Hee Lee, que é minha pupila e é uma excelente assistente de criação. Meu sócio e eu sempre procuramos fazer tudo que a gente sempre sonhou quando trabalhávamos em uma equipe de estilo, às vezes você está envolvido no dia-a-dia, na burocracia ou em vícios de mercado e pressões do comercial e vem alguém de fora e é fresh, um pontinho a mais pode fazer a diferença.

Tem algo da coleção que é mais seu, que teve menos interferência da equipe de estilo?

Ah, é chato eu falar que alguma coisa é mais minha, mas tem uma coisa que eu fiz muita questão, que conversei bastante com o Felipe Veloso: sempre que vou a Tóquio vejo muitas meninas com aquele uniforme de escola xadrez (saia de preguinhas e casaquinho), e eu queria fazer isso de uma maneira que não ficasse literal. O Felipe então propôs que fizéssemos em tecidos de verão; depois eu peguei um elemento da coleção, o panda, e a partir de uma imagem que vi, um panda em origami, pensamos em transformá-lo em uma espécie de pied-de-coq. O panda virou estampas corridas, imitando xadrez pied-de-coq, e localizadas. Isso eu fiz muita questão, enchi mesmo o saco!

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Mallmann revival

Top, que marca presença em desfiles de beachwear, conversou com FFW

22/05/2012

por | Gente

Por Julia Pitalunga, em colaboração com o FFW

Shirley Mallmann no backstage da Blue Man ©Juliana Knobel/FFW

O desfile de verão 2012/2013 da Blue Man comemorou seus 40 anos nessa terça-feira (22.05). Na fila A, personalidades marcantes da moda praia brasileira, como Lenny Niemeyer, eram homenageadas. Na passarela, após a entrada de Ana Claudia Michels, que abriu o desfile, vemos uma Shirley Mallmann saudável e linda e super em forma do alto de seus 35 anos. Ela ainda desfila para Lenny e Cia. Marítima.

Shirley já havia reaparecido em 2010 quando desfilou para as marcas Adriana Degreas, Colcci e Alexandre Herchcovitch no SPFW Verão 2011. Em novembro do ano passado também apareceu em um ensaio na edição brasileira da revista “Harper’s Bazaar”. Depois de alguns anos “sumida”, está a moda pedindo por um revival de Shirley Mallmann?

Antes mesmo das tops brasileiras da geração de Gisele conquistarem o mundo, Shirley já tomava conta de aberturas de desfiles e pegava trabalhos importantes, como a campanha para o perfume Allure, da Chanel. Porém, seu cotidiano mudou quando se mudou para Nova York, onde se casou e teve dois filhos, Axil e Zaya.

Shirley no desfile da Blue Man pelo Fashion Rio Verão 2013 ©Zé Takahashi/Ag. Fotosite

Aos 35, mantém-se linda, simpática e bastante criteriosa na hora de escolher um trabalho, especialmente aqueles que a levam para longe de casa. No backstage da Blue Man, ela bateu um papo com o FFW sobre seu próximo projeto, que não tem nada a ver com moda.

Com quais critérios você escolhe cada trabalho?

Ah, quando eu desfilo é sempre para alguém especial, para um marca especial ou em eventos especiais que me chamam e eu acho bacana. Fazia muito tempo que eu não fazia Fashion Rio, e quando me convidam eu adoro! Mas não dá mais para ter o mesmo ritmo de antes. Eu tenho família, me dedico muito a ela, é bem diferente de um começo de carreira de modelo, não posso fazer isso o tempo inteiro.

E a sensação de desfilar no Brasil, como você se sente aqui ao voltar para a casa?

É uma energia muito boa, muito acolhedora. O calor das pessoas, sempre sou muito bem recebida, estou em casa, né?

Qual a diferença que você vê hoje entre trabalhar no Brasil e no exterior?

Em termos profissionais eu não vejo diferença. Acho que agora os profissionais brasileiros trabalham em vários lugares do mundo porque as coisas estão muito organizadas e muito bem feitas. Mas eu vejo diferença no calor humano. As pessoas aqui parecem que são mais relax, não tem aquele stress que existe nos Estados Unidos ou na Europa. Aqui tem o lado mais pessoal, prazeroso e gostoso. As pessoas gostam de conviver umas com as outras.

Quais são seus planos de vida, o que você anda fazendo?

Estou trazendo pro mercado brasileiro uma linha de azeite, deve chegar por aqui entre julho e agosto.

Essa linha de azeite já foi divulgada nos Estados Unidos, onde você mora?

Foi lançado agora, estamos fazendo marketing, divulgando também na Itália, onde tenho contatos. São sabores diferentes de azeite, temperos. Estamos querendo trazer para cá logo. E é uma coisa saudável. Eu fui criada assim e estou tentando passar aos meus filhos esses valores que fizeram parte da minha criação. Tem que ser saudável, alimentação é uma coisa muito importante.

Fashion talk

Costanza Pascolato e Paulo Borges encontram-se para bate papo aberto em Recife

17/05/2012

por | Gente

Por Karol Nogueira, em colaboração para o FFW

A fachada da loja Dona Santa | Santo Homem ©Divulgação

O ffwMag! Fashion Tour 2012 é uma iniciativa da revista MAG!, que viaja pelo Brasil e tem como objetivo levar informação de moda ao grande público, além de aproximá-lo do universo das passarelas.

Entre as ações do projeto está um talk show entre Paulo Borges, diretor criativo do São Paulo Fashion Week e publisher da ffwMAG!, e Costanza Pascolato, empresária e consultora de moda. Na ocasião eles respondem perguntas do público presente, além de questões enviadas por diversos estilistas.

Outra grande atração do projeto Fashion Tour é uma mostra com fotos do editorial da revista “MAG!” estrelado por Costanza, homenageada desta 30ª edição, que posa ao lado das tops Ana Claudia Michels, Carol Trentini e Mariana Weickert.

Paulo Borges e Costanza Pascolato ©Divulgação

O evento, que já passou por Porto Alegre, Belo Horizonte e Blumenau, encerrou o circuito no Recife, mais precisamente na multimarcas Dona Santa | Santo Homem, das empresárias Lília e Juliana Santos. Com lançamento para cerca de 500 convidados, a loja foi o cenário para o “fashion talk”. Paulo Borges iniciou a conversa declarando sua admiração por Costanza. “A revista foi pensada e realizada em torno dela, nossa grande inspiração e referência”, contou. Pouco depois questionou a moda brasileira nos dias de hoje, e a consultora de moda revelou que atualmente existe um pensamento global e que o Brasil já consegue antecipar tendências.

A mostra com fotos do editorial da revista “MAG!” estrelado por Costanza Pascolato ©Divulgação

A reflexão sobre moda, seus impactos e influências a partir da visão da mulher mais elegante do país foi alçada, via vídeo, por estilistas como Alexandre Herchcovitch, Pedro Lourenço, Gloria Coelho, André Lima e Lino Villaventura. As questões abordaram assuntos sobre universo estético, legitimidade das marcas, fast fashions, velocidade da informação, movimento Prêt-à-Porter em Paris, jornalismo de moda e até meditação, e foram respondidas por Costanza com a elegância e o bom humor que lhe são habituais.

Ao final do talk show, os convidados tiraram dúvidas que iam desde a grade de numeração das roupas até o mercado de moda local. Paulo Borges encerra o bate papo com uma reflexão muito sábia: “Há alguns anos as pessoas olhavam para o que o estilista criava. Hoje em dia o estilista precisa olhar para o que as pessoas querem”.

Paulo Borges, Lília Santos, Costanza Pascolato e Juliana Santos ©Divulgação

Febre Nicopanda

Super stylist anuncia lançamento de coleção e abertura de lojas pop-up

08/05/2012

por | Gente

Nicola Formichetti com um dos seus Pandas ©Reprodução

Nicola Formichetti é conhecido em geral como o stylist da diva pop Lady Gaga. Mas não é só isso que o define. Uma de suas características é a energia sem fim que tem para criar e administrar tantas coisas ao mesmo tempo. O italiano-japonês é diretor criativo da Thierry Mugler – foi ele o responsável pela introdução de Zombie Boy -, é diretor de moda da Uniqlo, da “Vogue Hommes” japonesa, criador da febre Nicopanda e, recentemente, anunciou o lançamento de uma marca de sua autoria intitulada Formichetti, muito high-tech, digital e com base em energia solar. Como? Aliando-se a empresas de novas tecnologias, que já estão desenvolvendo materiais para responder aos questionamentos de Nicola. “Estamos trabalhando com o mesmo tipo de materiais há centenas de anos. É tudo ótimo mas precisamos de algo novo”, disse o stylist ao WWD. E com “algo novo” Nicola quer dizer tecidos que incorporem a utilização de energia solar para carregar celulares, por exemplo, ou tecidos que se moldem ao corpo das pessoas. “Por que precisamos de um zíper quando podemos ter uma jaqueta moldada ao formato do nosso corpo?”, questiona.

Abaixo assista ao vídeo de apresentação de Nicola Formichetti disponibilizado pela Lane Crawford:

A marca está prevista para ser lançada em 2013 e a sua concretização coincidiu com a mudança de endereço do stylist de Londres para Nova York e o início de seu trabalho para Gaga e Mugler. “Este ano quis focar nos meus sonhos. Enquanto stylist, você sempre se esconde por trás de uma marca, e senti necessidade de me colocar em cena. Tinha que abraçar esta vontade”, diz.

Enquanto isso não acontece, seus “seguidores” (sim, Nicola hoje tem até fan club!) são impactados via Facebook e Instagram pelo Nicopanda, personagem que criou inspirado no minimalismo da figura do Panda. A febre chegou a Hong Kong no dia 1.05 e segue para Pequim. Exposta na luxuosa loja multimarcas Lane Crawford com uma coleção pop-up de jogos mahjong (espécie de jogo de paciência), baralhos de cartas, camisetas, capinhas de iPhone e iPad, entre outras, tudo decorado com o “Pandachetti”.

Alguns dos produtos Nicopanda ©Reprodução

Nicola criou todo um universo de vídeos, fotos e aventuras nas redes sociais através deste personagem. Com as criações do Nicopanda, Nicola traz também uma coleção de mais de 20 looks desenvolvidos para Lady Gaga, nunca antes exibida, incluindo o famoso vestido de noiva de Christian Lacroix que a cantora usou no clipe da música “Judas”.

A linha Nicopanda pode ser comprada no site da Lane Crawford, com entrega no Brasil.

Anna Dello Russo

“Não gosto do cheiro de roupa velha”, diz, referindo-se à onda vintage

04/05/2012

por | Gente

Anna Dello Russo com casaco de peles Fendi ©Reprodução

Anna Dello Russo, a editora da edição japonesa da “Vogue” e uma das personalidades mais clicadas em fotos de street style durante as semanas de moda, afirmou em uma entrevista ao “Financial Times”  concedida junto com o estilista norueguês Peter Dundas, diretor artístico da Emilio Pucci, que não tem peças vintage e que para as suas aulas de yoga só usa roupas da marca Abercrombie & Fitch. A loucura dos europeus pela marca causa inclusive alguma admiração nos americanos. O que para eles são “roupas desleixadas”, como afirmam em uma matéria do Huffington Post, para Dello Russo a Abercrombie & Fitch é a marca mais confortável e ainda a faz se sentir bem, mas, sejamos claros, longe de seus figurinos de rua. “Se nos vestirmos com conforto não conseguimos obter o look”, brinca.

Anna Dello Russo escolhendo o look para a festa de 90 anos da “Vogue” francesa no Hotel Ritz ©Reprodução

A declaração, aparentemente ingênua, causou certo furor na internet. Muita gente achou o fim Anna dizer que não usa roupas vintage, mas veste A&F, marca que está sob os holofotes e em guerra com os tradicionais alfaiates da Savile Row, em Londres. A razão pela qual Anna não usa roupas vintage é porque não gosta do “cheiro de roupas velhas”, como a própria afirma. Considerando a sua extravagância e o seu gosto por usar qualquer tipo de roupa, desde que seja fashion, seria normal esperar que ela tivesse um guarda-roupa vintage incrível. Anna também não é fã de bolsas. “Qualquer coisa que seja prática, não é bonita. No máximo uso clutchs”, diz.

Preview dos acessórios que Anna criou para a H&M ©AnnaDelloRusso/Reprodução

Se por um lado Dello Russo não gosta do cheiro de roupas “velhas”, ela não tem nada contra o cheiro de roupas fast-fashion. A sua recente colaboração com a H&M mostra exatamente isso. Anna vai criar uma coleção especial de acessórios para a marca. “Queria criar acessórios impossíveis de encontrar em qualquer outro lugar. Enquanto stylist, sei a importância dos acessórios: é o que dá o toque pessoal a uma roupa”, diz em seu blog.

No vídeo abaixo, ela apresenta a parceria e mostra alguns dos seus looks mais especiais:

Na entrevista ela também fala sobre como enxerga a moda. “Moda é uma musa como o teatro, a arte, a música e a literatura; é um espelho, um sinal dos tempos. É atemporal, como a música – mesmo durante a guerra as pessoas não conseguiam parar de cantar. Você pode entendê-la como uma coisa frívola ou apenas como roupas, mas ela nunca vai acabar”, afirma.

E se a moda é uma musa, Anna é sem dúvida uma das musas da moda.

Um certo olhar

Em vez de jornalistas, “curadores” entram para a direção da revista Love

23/04/2012

por | Gente

A linda Lulu Kennedy, criadora do Fashion East ©Reprodução

A revista “Love” muda seu time de frente. Dirigida por Katie Grand, uma das stylists e consultoras de moda mais poderosas do mundo, a publicação é a cereja do bolo da Condé Nast em termos de visual, produção e criação.

Katie escalou profissionais que não são jornalistas, mas que tem (e de sobra) o que hoje é uma das principais ferramentas para o sucesso de um veículo: o olhar e a curadoria.

Para isso, recrutou Alex Fury, ex-diretor de moda do Showstudio nos últimos cinco anos, para ser editor da revista. E nesta segunda (23.04) confirmou a contratação de Lulu Kennedy como editor-at-large. Lulu, que veio ao Brasil em 2007 para a primeira edição do Pense Moda, é conhecida como a fada madrinha dos novos estilistas. Ela é idealizadora do evento Fashion East, que seleciona três designers por ano e trabalha com eles desde a coleção à organização do desfile, dando suporte total e acompanhando o seu desenvolvimento.

Duas capas da revista, com Elle Fanning e o beijo de Lea T e Kate Moss ©Reprodução

Recentemente, Lulu ganhou uma medalha das mãos da Rainha Elizabeth, em Londres, por seu trabalho com os novos talentos.  “A ideia de ter alguém com um MBE (Member of the British Empire) na direção da revista era simplesmente impossível de resistir”, diz Grand a imprensa britânica. Lulu devolve: “Katie é uma força criativa com um gosto excepcional. Observar sua jornada ao longo dos anos foi muito inspirador para mim. Suas publicações são sempre lindas e inovadoras. Estou honrada em receber essa oportunidade de me juntar a esse time”.

Lulu vai manter o Fashion East, que acontece durante as temporadas de moda e está implementado no line-up oficial da London Fashion Week.


 

O lado “Chapeleiro Maluco” do fotógrafo de street style Bill Cunningham

17/04/2012

por | Gente

Bill Cunningham, o fotógrafo de street style do “The New York Times”, como é visto normalmente: de bicicleta e câmera em punho ©Reprodução

Antes de Bill Cunningham se tornar o icônico (e o primeiro) fotógrafo de street style do “The New York Times”, o seu ganha pão eram os chapéus que fazia à mão, e que estarão à venda a partir de quarta-feira (16.04) no site 1stdibs.com.

Katy Kane, especialista em moda vintage, ficou responsável pela curadoria e pesquisa dos chapéus que Bill Cunningham fazia nas décadas de 40 e 50, sob o nome de William J. “Eu não usava o meu último nome porque a minha família tinha vergonha”, confessa Bill. O primeiro chapéu foi feito para a sua mãe usar na New York World’s Fair em 1939, mas ela recusou.

Uma das extravagantes criações de Bill Cunningham ©Reprodução

Os seus designs extravagantes, inspirados na natureza ou em outras culturas, eram vistos como uma forma de arte terapêutica pelo fotógrafo: “Eram uma experiência maravilhosa, libertadora e relaxante”. O problema, talvez, é que eles pareciam estar à frente do seu tempo, como o próprio Cunningham define: “Acho que não vendemos muito porque tudo o que eu fazia era um pouco exótico demais, você sabe, para pessoas normais”.

No documentário ”Bill Cunningham New York“, lançado no ano passado por todo o mundo, o fotógrafo fala um pouco sobre a sua antiga profissão, mas no vídeo dos arquivos do “The New York Times” que você pode ver aqui há todos os detalhes.

Confira abaixo algumas imagens da chapelaria de Bill Cunningham. Ou William J., como era conhecido na época.

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#Dia das Mães: mães e filhos posam com peças da Huis Clos para Riachuelo

16/04/2012

por | Gente

Camila Yahn, editora-chefe do FFW, posa com os seus dois filhos Anouk e Joaquim ©Divulgação

Para lançar a parceria especial de Dia das Mães entre a Huis Clos e a Riachuelo, as marcas vão organizar um almoço comemorativo da coleção, disponível nas lojas da Riachuelo já a partir do dia 24 deste mês.

O almoço, especial para convidados, será realizado no Baretto, bar do hotel Fasano, na terça-feira (17.04), e contará com uma exposição das fotos clicadas por Simone Monte de várias mães, de diversas profissões, convidadas a posarem com os filhos vestindo algumas das peças da parceria. Estas fotos só estarão disponíveis durante o almoço, mas abaixo você pode ver algumas imagens de making of.

A modelo e apresentadora Mariana Weickert posa com a sua mãe, Ana Maria ©Divulgação

A doceira Isabella Suplicy com os seus três filhos: Francesca, Max e Graziella ©Divulgação

A gastrônoma Aninha Gonzalez com Olivia e Pedro ©Divulgação

A empresária e dona do blog Colheita Especial Marina Sancvicente com Luna e Ravi ©Divulgação

A gerente de marketing da Riachuelo, Marcella Martins de Carvalho, com o seu filho Joaquim ©Divulgação

A maquiadora Vanessa Rozan ©Divulgação

Jovens Empreendedores: as camisetas rock’n'roll da Sympathy

13/04/2012

por | Gente

Algumas das estampas da nova coleção ©Juliana Knobel

Dando continuidade à série Jovens Empreendedores, desta vez fomos conhecer a Sympathy, uma marca de camisetas masculinas estampadas com motivos relacionados ao rock, fundada por Luís Sansana, 27, publicitário. Uma ideia simples (quem nunca pensou em estampar camisetas?) e com um investimento relativamente baixo, que ainda assim não deixa de demandar tempo. “É o único investimento que faço na marca hoje”, diz Luís.

Luís é um jovem empreendedor por excelência e não fundou só a Sympathy. Quando se formou, juntou-se a Rafael, Bruno e Márcio – os dois últimos também jovens empreendedores, donos da CãoFalido! -, para fundar a Mulisha, um estúdio criativo em que os sócios se relacionam diretamente com o cliente deixando de lado formalismos e desenvolvendo projetos de forma colaborativa e transparente.  A Mulisha foi também um investimento: “Ficamos uns dois anos trabalhando e investindo sem pegar nada para nós. A partir do terceiro ano, já começamos a tirar um salário. O investimento não era tanto colocar dinheiro, mas sim saber que não íamos ganhar dinheiro durante algum tempo. Hoje, cinco anos depois já dá para viver só da agência”, conta Luís.

Foi justamente na Mulisha, uma casa simpática e acolhedora, onde está o showroom e estoque da Sympathy, que Luís nos recebeu.

Luís Sansana, fundador da Sympathy ©Juliana Knobel

Como nasceu a Sympathy?

A Sympathy nasceu em dezembro de 2009, mas seu embrião é de 2002/2003, muito antes da faculdade. Eu cursei publicidade e já tinha um projeto caseiro de marca bem amador. Comprava camisetas prontas, estampava na raça, vendia para os amigos e com a grana que ia vendendo fazia mais. Cheguei a fazer bermuda, moleton, mas de uma forma bem amadora. E tudo saia do meu bolso. Sempre fiz sozinho, nunca tive investimento nem participação de ninguém. Gostava de mexer com isso e o gosto foi crescendo. Fazia como um hobby, aí o tempo foi passando, parei, porque comecei a faculdade, e acabei deixando aquilo de lado.

Na faculdade criei uma nova marca já com um sócio, um amigo meu de classe. Nós participamos do projeto Metofashion, [eu cursei na Metodista], e nesse projeto a gente tinha que criar uma campanha para uma grife. Na altura, eu já tinha a ideia das camisetas, chamei esse meu amigo e falei para o professor que a gente ia fazer a campanha de uma marca nossa. A faculdade parte do princípio de que você vai pegar uma marca que já existe e construir o projeto em volta dela. Nós não. Montamos a nossa marca, que chamava Kever, só de camisetas, e ela durou dois anos, até que meu sócio acabou saindo. Eu continuei sozinho durante algum tempo, mas depois montei a agência e o foco passou a ser só a Mulisha.

Em 2009, pensei que queria retomar esse projeto e comecei de novo. No final do ano lancei a primeira coleção da Sympathy. E embora seja uma coisa que eu já vinha mexendo há cerca de 10 anos, ainda foi muito na base do amadorismo. Agora é que ela se está tornando um pouco mais profissional, tudo deu certo.

O que você fez para ela crescer?

Aconteceu tudo naturalmente. O universo conspirou a favor (risos). Eu comecei da mesma forma que das outras vezes: produzia as camisetas, levava em um ponto de venda, levava em outro… Também comecei a ir mais atrás do que ia antes. Antes as marcas ficavam sempre dentro de um círculo de amigos, agora começaram a aparecer em revistas e em lojas, e isso gerou um conhecimento maior. No primeiro ano aparecemos na “VIP”, na MTV com o Marcelo Adnet, com o Chuck Hipólitho, em alguns pontos de venda, que depois vão indicando outros. Depois também tínhamos o site, o Facebook, e o e-commerce, então foi criando um corpo. Não teve um fato específico que fez estourar, foi-se construindo.

Quem faz a programação visual (logo, etiqueta…)?

Eu faço tudo. Desde a concepção das peças, estampas e etiquetas até a montagem do escritório, faço a parte comercial, acompanho a produção, vou em busca de tecido. E ainda distribuo nas lojas e nas marcas, coloco no correio e vou atrás de eventos e parcerias.Acho que ela não está em um patamar mais avançado por falta de tempo mesmo. Porque demanda muito e não é o meu único projeto.

O logo da marca em um dos cabides ©Juliana Knobel

De quais eventos você participa?

Eventos pequenos por enquanto, aqui no estúdio mesmo, chamamos os amigos, reunimos a galera e mostramos as peças. Esta é a quinta coleção. Nós não temos uma obrigatoriedade de lançar peças por estação. É uma marca off-season. Agora vai sair uma coleção para o Outono então a gente coloca uma malha mais grossa, faz uns moletons de manga comprida, no Verão a gente lança uma regata, uma malha mais fininha, um decote mais aberto. Camiseta é uma peça coringa. Em qualquer estação você vai ter camiseta no armário.

Onde é a produção agora?

A produção agora é terceirizada, não tenho fábrica própria. Nós usamos essa fábrica para trazer os tecidos do sul, então compramos os rolos direto na malharia. A fábrica estoca, produz e eu acompanho. Entrego a estampa, falo como quero e supervisiono toda a produção.

O que é preciso para ter um e-commerce?

Precisa ter um site que suporte uma integração com pagamento online, a gente tem integração om o PagSeguro, que é ótimo porque eles tratam de tudo. Tem várias formas de pagamento e eu não preciso homologar cartão de crédito ou ter outras coisas que um e-commerce um pouco mais completo necessita. A PagSeguro gerencia todo o pagamento, obviamente com uma comissão para eles.  Eu só preciso ter um sistema pronto nessa loja virtual e eu mesmo todo o dia levo no correio. Recebo os pedidos por email e após a confirmação de pagamento, separo tudo, embalo, no dia seguinte vou ao correio e despacho.

A entrada do Showroom da Sympathy ©Juliana Knobel

Onde encontramos as camisetas da Sympathy?

Pontos de venda só em São Paulo, mas tem o e-commerce para o Brasil inteiro. Vendemos na Tag and Juice, na TuA  e na TU – Mercado de Arte e Moda em Pinheiros. Também aqui no Estúdio e agora em São Bernardo, que fizemos um teste e deu super certo. Estamos estudando algumas representações e pontos de venda em outros estados. Temos uma estrutura enxuta e trabalhamos sempre com parceiros. Eu contratei um programador para fazer o site da Sympathy e arquei com o custo, mas depois ele acaba por prestar serviço para a agência também.

E como funciona o acordo com os pontos de venda?

Cada loja trabalha de uma forma. Tem lojas que trabalham com consignação, tem loja que acerta com comissão por preço vendido, então você põe um preço e recebe x% da venda, independente de quanto vende. E tem a loja que compra, que é o ideal. Fazemos um teste de um mês em consignação e se der certo, eles compram e vendem ao preço que quiserem. Mas tudo tem um preço estimado, para que o gap de preços entre os pontos de venda não seja tão grande.

Hoje daria para viver só da Sympathy?

Hoje ainda não. Infelizmente.

E já pagou o investimento?

A Sympathy por enquanto é rotativa. Todo o lucro que eu ganho eu invisto na marca, não fica para mim. Com o andar das coisas e se você tiver tempo para se dedicar só a isso, é possível viver só de marca sim. Como eu tenho dois projetos em andamento, acabo por não conseguir largar um para pegar outro, mas sinto que seria possível viver só da Sympathy. Ou investimos em coleção nova, em malharia melhor ou em produtos novos. Agora vamos fazer eco-bags, então precisamos investir nisso. É um capital de giro por enquanto. Como ela já tem um fluxo bacana, consegue manter e inovar.

As etiquetas de preço da Sympathy, com uma história da marca e com a etiqueta do fabricante do tecido ©Juliana Knobel

Qual foi o investimento inicial?

Assim, para começar, eu diria uns R$ 5 mil. Claro que depende do tecido que você quer comprar, da estampa que você quer fazer, do número de camisetas que você quer produzir. Produção, site, embalagens, idas e vindas à loja… Tudo isso se pagou. Produzindo as peças, o que você depois gasta é com gasolina, telefone e tempo. O que eu mais gasto hoje na Sympathy é tempo. A gente investe de acordo com a demanda.

E quando esse valor foi pago?

A cada duas coleções a gente paga o investimento. Então na segunda coleção eu consegui pagar a primeira e com esta, que já é a quinta, eu paguei todas as anteriores. Agora o investimento está pago.

As etiquetas são estampadas nas peças. Você não gosta das tradicionais?

Para produzir etiqueta, elástico e tudo o que é personalizado hoje, eu preciso ter um mínimo de produção, que para mim é muito grande. Teria que fazer mil ou duas mil e no início e não tinha esse poder aquisitivo. Então partimos para essa outra opção, que além de ser mais barato, fica mais personalizado. E tem a questão do conforto também. Eu sempre compro camiseta e a primeira coisa que faço é cortar a etiqueta.

Quantas camisetas produziram na primeira coleção?

Produzimos cinco modelos com 30 peças cada um. Hoje já fazemos 60 peças por modelo com intenção de produzir cada vez mais.

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Paixão por design: conheça Raf Simons, novo diretor da Dior

10/04/2012

por | Gente, Moda

O designer Raf Simons, agora novo diretor criativo da Dior ©Reprodução

Não se fala em outra coisa (no mundo da moda). Quem entra em uma grife, quem sai, quem substitui, quais as suas competências e será que vai estar à altura do designer anterior. Um desses casos é o de Raf Simons, que após sete anos bem sucedidos (ao menos no aspecto criativo) como diretor criativo da Jil Sander, deixa a marca e é chamado para substituir John Galliano na Dior, mais de um ano depois da demissão de Galliano. Muitos outros designers, de Marc Jacobs a Riccardo Tisci, foram sondados, mas o trabalho ficou mesmo com Simons. Controvérsias e questionamentos à parte, Raf Simons tem uma carreira – e um estilo – que merece a nossa melhor atenção.

Em 2007, a editora de moda do “The New York Times”, Cathy Horyn, escreveu o seguinte sobre a coleção de Inverno 2007 da Jil Sander, criada por Raf: “Na quinta-feira, um designer belga pouco conhecido chamado Raf Simons ganhou a atenção de todo o mundo da moda. A coleção do Sr. Simon para a Jil Sander, a sua terceira desde que se tornou diretor criativo da marca há 18 meses, estava perfeita. Vai fazer com que todo o resto pareça pouco inovador, desajeitado e um pouco pateta”. E assim foi.

Alguns looks da coleção de Inverno 2007 da Jil Sander: minimalismo e perfeição na alfaiataria ©ImaxTREE

O designer nasceu na pacata vila de Neerpelt, na Bélgica, em 1968, onde se formou em Design Industrial e de Móveis. Raf trabalhou como estagiário no estúdio de design do estilista Walter Van Beirendonck, atuando na decoração das suas coleções e showrooms. Ainda trabalhou como designer de móveis para galerias e para clientes particulares, mas decidiu mudar de profissão e quatro anos depois tornou-se designer autodidata de roupas masculinas, lançando a sua marca homônima, encorajado por Linda Loppa, presidente do departamento de moda da Academia Real da Antuérpia, uma das escolas mais respeitadas do mundo.

Sua primeira coleção, em 1995, foi inspirada em uniformes escolares (seu pai era militar e Simons estudou em uma escola católica muito rígida).  As duas coleções que se seguiram continuaram traduzindo sua linguagem. A coleção de Inverno de 1996 se chamava “We only come out at night” (A gente só sai de noite) e o vídeo de apresentação era um grupo de jovens ricos que se reuniam no sótão depois de uma festa de família, trocavam as suas roupas sociais por roupas casuais, fumavam cigarros e jogavam sinuca. Em 1997, Raf apresentou o seu primeiro grande show em Paris que, ao mesmo tempo que carregava a sua revolta juvenil, já mostrava também o seu cunho minimalista, em uma confecção perfeita demais para quem estava apenas na sua quarta coleção.

Inverno 1996 por Raf Simons “We only come out at night”:

Em março de 2000, cinco anos após sua primeira apresentação, Raf fecha a marca anunciando sua saída temporária da moda; ele queria refletir sobre o caminho que estava tomando, já que sua criatividade e individualidade tinham o seu quê de incompatibilidade com o lado comercial da moda. Um ano mais tarde ele retorna, respeitado como um dos estilistas de menswear mais inovadores da época, combinando movimentos jovens com cortes precisos e modernos. Para comemorar 10 anos de carreira, lançou o livro “Raf Simons Redux”, e outra marca de peças mais acessíveis, a Raf by Raf Simons.

Dois looks da coleção de Primavera/Verão de 2005 de Raf Simons: conceito e design ©Reprodução

Foi também nesse ano que Raf Simons foi chamado para ser diretor criativo da Jil Sander, arrancando as melhores críticas e elogios. “Como é que alguém sem treinamento e sem sinais aparentes de genialidade foi capaz de projetar um retrato tão fiel da juventude urbana?”, perguntou Cathy Horyn na época (ela, de novo). Como, não sabemos. A verdade é que os sete anos em que criou para a Jil Sander e os mais de 15 em que trabalha com moda só confirmam que Simons é um dos grandes talentos de sua geração.

Looks do último desfile de Raf Simons na Jil Sander: despedida com romance, cores e emoção ©ImaxTREE

A sua contratação para substituir outro gênio, John Galliano, lança um novo desafio ao designer. Não duvidamos que o mestre Christian Dior, de onde estiver, ficará orgulhoso. Sua primeira coleção será a de Alta Costura, apresentada em julho, em Paris.

+ Relembre o último desfile de Raf Simons para Jil Sander

Conheça Liu Wen: das vastas fronteiras da China para o mundo

03/04/2012

por | Gente

Liu Wen ©Reprodução

Simultaneamente à transformação econômica e social por que tem passado a China nos últimos 10 anos, os padrões estéticos ocidentais, tão fixados à beleza caucasiana, sofreram um bem-vindo alargamento. Se na década de 1990 as supermodelos se dividiam entre loiras e morenas de passaporte norte-americano ou britânico, nos últimos anos a moda tem sido palco para belas brasileiras, russas, sul-africanas, indianas e chinesas mostrarem seu potencial. Liu Wen, a primeira asiática a conquistar um contrato com a gigante dos cosméticos Estée Lauder e a primeira chinesa a desfilar para a Victoria’s Secret, é a prova dos novos rumos pelos quais tem caminhado o mercado internacional.

Liu Wen ao lado de Joan Smalls e Constance Jablonski em anúncio da Estée Lauder ©Reprodução

Apenas no mês de março, Liu foi destaque em duas grandes publicações ligadas à moda: a “T”, revista do jornal “The New York Times”, acompanhou a modelo em uma viagem a sua cidade natal, Yongzhou, localizada na província de Hunan, e o “Style” anunciou a chinesa como a top preferida dos leitores do site durante a temporada de Outono/Inverno 2012/13, com 25.375 votos, à frente de Joan Smalls e Candice Swanepoel. Liu, que se mudou para Pequim aos 18 anos, em 2006, e no ano seguinte estabeleceu-se em Nova York, sem falar uma palavra de inglês, já desfilou para os nomes mais importantes da indústria, como Chanel, Christian Dior, Jean Paul Gaultier, Burberry Prorsum, Hermès e Stella McCartney, além de já ter estrelado campanhas da Dolce & Gabbana, Calvin Klein, Bergdorf Goodman e, claro, Estée Lauder. Em setembro de 2010, Liu inclusive abriu o desfile de Primavera/Verão 2011 do estilista brasileiro Alexandre Herchcovitch na semana de moda de Nova York.

Nos desfiles da Victoria’s Secret e da Balenciaga e Christian Dior de Inverno 2012/13©Reprodução

Nascida em 1988, Liu é filha única (consequência da política de natalidade chinesa) de um casal de trabalhadores. Segundo a modelo, em Yongzhou, cidade que ironicamente também é a terra natal de Mao Tsé-Tung, as únicas referências conhecidas da cultura ocidental eram o McDonald’s e o Kentucky Fried Chicken. O contato com o exterior vinha por meio de novelas sul-coreanas e a moda era algo completamente desconhecido. A trajetória profissional de Liu começou quando, após vencer um concurso de modelos na província de Hunan e mudar-se para Pequim, foi “descoberta” por Joseph Carle, então diretor criativo internacional da “Marie Claire”. Logo se seguiram inúmeros desfiles e outros tantos editoriais para edições chinesas de publicações como a “Vogue”, “FHM” e “Cosmopolitan”, além da própria “Marie Claire”. No início de 2008, Liu debutou nas passarelas internacionais e de imediato já desfilou para Chanel, Hermès, Kenzo, Jean Paul Gaultier e Maison Martin Margiela.

Liu Wen com os estudantes da escola “Yongzhou No.3″, onde a modelo fez ensino fundamental ©Angelo Penneta/Reprodução

A curta biografia de Liu é um reflexo da própria China e da flexibilidade estética do novo século. As mudanças certamente vieram para o bem, já que a ampliação dos padrões de beleza consagram uma quantidade muito maior de mulheres e, não só facilitam as vendas em países emergentes, mas colocam no eixo da moda pessoas que até poucos anos atrás viviam sob o rótulo da exoticidade.

Elle China
©Reprodução
'''Elle'' chinesa de jan/2011
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