John Galliano

Revista americana publica primeira entrevista exclusiva com estilista desde 2011

16/05/2013

por | Gente

O estilista John Galliano ©Reprodução

A edição de julho da revista americana “Vanity Fair” trará uma entrevista exclusiva – e muito aguardada – com John Galliano.

É a primeira vez que o estilista concede uma entrevista desde que perdeu seu cargo na Dior em 2011 por conta de insultos antissemitas em um bar de Paris.

A matéria, como esperado, está sendo guardada cuidadosamente e somente algumas pessoas da revista tiveram acesso ao conteúdo. “Eu não tenho ideia dos assuntos abordados, pois ainda não li o artigo”, diz ao “WWD” Liz Rosenberg, PR de Galliano. Apesar de ter acompanhado a entrevista, ela refere-se ao fato de não saber se o texto será pró Galliano. Mas, baseando-se pelo perfil da revista, será um texto esclarecedor, mas que aborda os dois lados da história. De qualquer forma, um veículo respeitado e sério e uma excelente oportunidade para Galliano se colocar publicamente.

Liz também não respondeu por que escolheram a “Vanity Fair” como o primeiro veículo a publicar o depoimento de Galliano. As negociações que antecederam a entrevista incluíram todos os tópicos que a revista gostaria de abordar. Quem assina o texto é a jornalista Ingrid Sischy, co-editora das edições italiana, alemã e espanhola da publicação, o que representa uma grande divulgação simultânea em diversos países. Ninguém da “Vanity Fair” comentou oficialmente.

O estilista vem, aos poucos, traçando sua volta à moda. Desenhou o vestido de noiva de sua amiga Kate Moss e através de Anna Wintour conseguiu trabalhar para Oscar de la Renta para o desfile de Inverno 2013. Também havia sido confirmado para dar um curso na Parsons The New School for Design, que foi cancelado recentemente. Saiba aqui por quê.  John foi visto passeando com Grace Coddington, diretora criativa da “Vogue” americana. Espera-se que a entrevista traga, mais uma vez, os pedidos de desculpa de John Galliano e sua esperança de retornar à moda.

+ CEO da Oscar de la Renta fala ao FFW sobre o caso Galliano

Mostra sobre Isabella Blow reúne looks da mais original musa da moda

10/05/2013

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A editora Isabella Blow ©Reprodução

Antes de Lady Gaga e Anna Dello Russo, houve Isabella Blow (1958 – 2007). Ícone mais excêntrico da moda e conhecida por seus chapéus arrebatadores, Blow é tema de uma mostra organizada por Daphne Guinness, em parceria com a escola Saint Martins e a Isabella Blow Foundation.

Cerca de 100 peças serão exibidas, todas pertencentes a Guinness, que comprou o guarda-roupa inteiro de Blow em um leilão após sua morte. Grande parte do acervo é composto por peças de Alexander McQueen e do chapeleiro Philip Treacy, que além de confidente, também está por trás de seus chapéus. Isabella descobriu os dois designers, os abrigou no início da carreira e ainda fez a ponte nas negociações entre o Grupo Gucci e McQueen. Ela ainda lançou as modelos Stella Tennant e Sophie Dahl, a quem chamava de uma “boneca inflável com cérebro”.

Respeitada e temida, Blow era considerada genial justamente por ser ousada e corajosa, como uma Diana Vreeland dos anos 1990. Suas assistentes tremiam quando ouviam seus passos no corredor e a primeira coisa que faziam era retocar o batom. “Se você não está de batom, eu não posso conversar com você”, ela dizia. Mas sua vida pessoal teve caminhos obscuros, que ela tentava esconder por trás de seu estilo exuberante e divertido.

Só para se ter uma ideia, entre os momentos mais difíceis, está a morte do irmão mais velho por afogamento quando era criança; o abandono da mãe, que segundo a imprensa britânica, ficou tão devastada com a perda, que apenas apertou a mão de suas filhas, disse tchau e foi embora. Ela também foi deserdada pelo pai, dono de uma fortuna de milhões de libras, e descobriu que seu marido, o marchand Detmar Blow, tinha uma amante. Para se vingar, foi para Veneza, onde teve um caso com um gondoleiro que acabou por roubar o pouco que ela ainda tinha.

Mas vamos às coisas boas. Em 1981, a britânica Isabella foi contratada como assistente de Anna Wintour na “Vogue”. Enquanto morava em Nova York, ficou amiga de Andy Warhol e Basquiat. Ao voltar para Londres, em 1984, trabalhou com Michael Roberts, na época diretor de moda da “Tatler” e do caderno “Style”, do “Sunday Times”. Já no final dessa década, passa a usar as criações de Treacy e aí começa sua história de amor pública com a moda. Nasce uma lenda.

Participação de Isabella Blow como Antonia Cook em cena do filme “A Vida Marinha com Steve Zissou”, de Wes Anderson ©Reprodução

Sempre com humor, ela tinha uma resposta pronta sempre quando era perguntada sobre sua loucura por chapéus: “Uso para manter todos afastados de mim. Eles dizem, oh, posso beijá-la? Eu digo, não, muito obrigada. É para isso que uso o chapéu. Não quero ser beijada por qualquer um. Quero ser beijada pelas pessoas que amo”.

Blow foi diretora da “Tatler” e prestou consultoria para marcas como Lacoste e Swarovski. Em 2002 foi tema da exposição “When Philip met Isabella”, com sketches e fotografias suas usando as peças de Treacy. Em 2004, aparece no filme “The Life Aquatic With Steve Zissou” , de Wes Anderson, devidamente vestida, claro.

Mas por trás dos trabalhos, do convívio com as estrelas da moda e da participação em projetos mais que especiais, ela passava por uma forte depressão. Nenhuma revista apostava nela o suficiente para contrata-la como editora. “Parece que todo mundo ganha contratos enquanto eu ganho apenas vestidos de graça”, ela disse. Cathy Horyn escreveu no “The New York Times”: “Blow não conseguia encontrar uma casa no mundo que ela própria influenciara”. Isabella também sofria com sua infertilidade e já havia tentado fertilizações in vitro por oito vezes, sem sucesso. “Somos como um par de frutos exóticos que não podem procriar quando estão juntos”, disse.

Já no final de sua vida, foi diagnosticada com câncer do ovário. Em 2006 veio a primeira tentativa de suicídio, saltando do Hammersmith Flyover. Em 2007, saiu de uma festa dizendo aos amigos que ia fazer compras, mas foi encontrada desmaiada por conta de ingestão de veneno (seu avô e seu sogro também terminaram suas vidas dessa maneira).

Blow dava a impressão de ser superconfiante, mas por trás de seus chapéus de dente de crocodilo, naves espaciais e lagostas, era insegura e se sentia sozinha e abandonada.

A moda não deu conta de absorver o espírito livre e desafiador de Isabella Blow. Agora, ao menos parte dessa história será revista e o que vai permanecer na mente de todos são as lembranças do estilo incorrigível de uma mulher verdadeiramente original e sem medo de viver.

Isabella Blow: Fashion Galore! @ Sommerset House
De 20 de novembro de 2013 a 14 de março de 2014
Londres

Top

Bronzeada, sexy e saudável, Kate Upton ganha a capa da “Vogue” americana

10/05/2013

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Kate Upton  em editorial da “Vogue” alemã de janeiro de 2013 ©Bruce Weber/Reprodução

Migrar das páginas da “Sports Illustrated” para as capas da “Vogue” não é um feito corriqueiro. Kate Upton, no entanto, parece estar fazendo essa transição com certa facilidade, mesmo sendo dona de uma voluptuosidade atípica no mercado de alta moda. A modelo norte-americana, nascida em 1992 em uma família de esportistas, é a personificação da Flórida, estado onde cresceu: bronzeada, extrovertida e aparentemente muito saudável. Após ganhar a capa do primeiro número da “CR Fashion Book”, de Carine Roitfeld, ela chega à capa da “Vogue” americana, na edição de junho, o posto mais cobiçado do mundo entre modelos e celebridades. A revista anuncia Kate como a “modelo mais quente da Terra” e a “bombshell favorita dos Estados Unidos”.

Kate na capa da “Vogue” americana ©Reprodução

Relembre o perfil que fizemos com ela em dezembro de 2012:

Upton começou a carreira de modelo após comparecer a um teste da agência Elite Model Management em 2008, que a contratou no mesmo dia. Não muito tempo depois, ela mudou para Nova York, onde assinou com a IMG Models. O primeiro trabalho foi para a marca Dooney & Bourke, que em seguida deu lugar a três campanhas da Guess e editoriais sensuais na “Sports Illustrated” e na “GQ”. Talvez Upton estivesse fadada a estampar apenas as páginas de revistas masculinas ou desfilar para a “Victoria’s Secret”, mas graças ao vídeo que gravou durante um jogo do time Los Angeles Clippers em abril de 2011, ela virou sensação na internet.

A partir do vídeo, que se tornou viral nas redes sociais, Upton conquistou pontas em um episódio do seriado “Tosh.0” e nos filmes “Roubo nas Alturas” e “Os Três Patetas”, além de ter aparecido na badalada capa na Swimsuit Issue de 2012 da “Sports Illustrated”. A edição, aliás, foi revelada no Late Show with David Letterman em fevereiro de 2012, que teve a modelo como convidada especial. Logo depois, Terry Richardson gravou um vídeo caseiro com Upton dançando a música “Cat Daddy”, do trio Rej3ctz, com um biquíni minúsculo, e esse também virou hit na internet, gerando ainda mais popularidade para a modelo.

Em parte, os dois vídeos foram revertidos em aparições públicas e, claro, retorno financeiro a Upton, mas ela também foi alvo de piadas e descrédito. Em junho deste ano, no entanto, a “Vogue” americana publicou um editorial e um mini perfil da modelo; com o aval de Anna Wintour e Grace Coddington, quem ousaria duvidar do potencial da jovem loira, curvilínea e praticante de hipismo? Logo seguiram ensaios na “Vogue” espanhola, na revista do jornal “Sunday Times”, na “Interview” russa e capas da “Jalouse”, “Cosmopolitan” e a mais saborosa das publicações de moda, a edição de Outono/Inverno 2012 da “CR Fashion Book”, de Carine Roitfeld. Se no vídeo sexy debochado de Terry Richardson Kate é uma bombshell de arrepiar, na capa do CRFB, ela parece uma jovem de família, ingênua, doce e inocente. Em ambos os casos, ela tem um frescor e espírito de diversão.

Kate Upton nas capas das edições britânica e italiana da “Vogue”, da “CR Fashion Book”, da “Jalouse”, da “Muse” e da “GQ” ©Reprodução

Em novembro, Upton foi fotografada por Steven Meisel e estrelou a capa da “Vogue” italiana, que veio com uma simples manchete: “Seductive”. Para muitos, inclusive para Robert Sullivan, jornalista da “Vogue” americana, ela é uma “potencial embaixadora” do padrão de saúde que a moda necessita. Upton foi escolhida por Bruce Weber para estrelar um dos editoriais da “Vogue” alemã, e eleita por Alexandra Shulman para a capa da “Vogue” britânica, clicada por Alasdair McLellan, ambas edições de janeiro de 2013.

Kate Upton em editorial publicado na “Vogue” italiana de novembro de 2012 ©Steven Meisel/Reprodução

Kate Upton já está no número cinco do ranking de modelos mais sexy do “Models.com” e foi recentemente votada a terceira mulher mais desejada do mundo pelo portal “AskMen”, perdendo apenas para Jennifer Lawrence e Mila Kunis. Se ela vai ser só mais uma sensação passageira advinda da internet ainda não é possível dizer, mas se conseguir traduzir seu amor por esportes e sua confiança de que não é necessário ser magérrima para vencer na moda, já será um grande serviço, sobretudo para as new faces.

+ Veja na galeria abaixo mais imagens da carreira de Kate Upton:

cosmopolitan novembro 2012 kate upton
Matt Jones
Kate Upton na capa da ''Cosmopolitan'' de novembro de 2012

Filho de David Bailey estreia como fotógrafo; conheça seu trabalho

02/05/2013

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Sascha e Fenton Bailey, filhos do fotógrafo David Bailey ©Reprodução

Filhos do super fotógrafo britânico David Bailey, Fenton e Sascha Bailey começam a ganhar seu próprio espaço. Eles acabam de abrir sua primeira exposição, “Human Relations”, em uma galeria em Londres, onde vivem. Sascha veio com a ideia e com o tema enquanto Fenton participa com as fotos. A dupla chamou a fotógrafa Mairi-Luise Tabbakh, amiga da família, para expor em conjunto. Conheça a obra de David Bailey.

Os dois trabalhos olham para a figura feminina. Fenton tem um olhar mais pessoal e fotografa suas “musas reais”, duas namoradas que teve em fases diferentes da vida e com quem conviveu em Londres e no Japão. As fotos são sensuais, mas extremamente intimistas. Já Mairi joga um foco mais erótico e voyeurístico com retratos femininos p&b e um clima misterioso.

Foto de Fenton Bailey ©Reprodução

Foto de Fenton Bailey ©Reprodução

Foto de Fenton Bailey ©Reprodução

A abertura para convidados reuniu, como era de se esperar, a descolândia britânica, tanto do mundo das artes como da moda. Fenton ainda se parece com seu pai quando jovem e agora, com seu trabalho na fotografia, não tem como negar que certa expectativa recai sobre ele.

De uma forma ou de outra, ele sempre esteve envolvido com fotografia. Começou sua carreira trabalhando na empresa do pai, mas não tinha o interesse em tirar fotos. Também trabalhou como modelo e fez campanhas para a Burberry ao lado de Kate Moss. Vez ou outra, tirava uma foto aqui e ali. “Eu cresci nesse meio e meu pai sempre esteve muito envolvido no meu processo de aprendizado”, diz à imprensa britânica.

Ser filho de um fotógrafo que moldou a fotografia de moda não é uma posição lá muito confortável. “Ainda tenho muito para aprender. Meu pai fez muito em termos de qualidade e quantidade. Não é nada fácil conquistar o que ele conquistou”. Fenton ainda trabalha como assistente para David e usa a parte da noite e as férias para fazer seus próprios projetos e trabalhos. Mas para quem sonha em trabalhar com Bailey pai, ele avisa: “Você tem que pegar as coisas de forma muito rápida se quiser estar perto dele, caso contrário está fora”.

Tudo isso faz com que sua estreia na fotografia ainda traga sensações de nervosismo e frios na barriga, mesmo tendo acompanhado o pai em projetos tão especiais. “Tudo o que posso fazer é esperar por uma reação positiva”.

Quem estiver em Londres pode passar lá para ver. “Human Relations” fica até 31 de maio na Imitate Modern.

Em tempo: quem gosta de David Bailey ou quer entender sua importância na fotografia pode assistir ao filme “We’ll Take Manhattan”, que conta a história do fotógrafo com sua então namorada, Jean Shrimpton, e seu primeiro trabalho fora da Inglaterra, para a “Vogue” americana. O ator Aneurin Barnard faz o papel de Bailey. O filme estava passando na TV a cabo no Brasil.

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Pai e filho: David e Fenton na abertura da exposição, em Londres

Entrevista

Conheça a trajetória e o sucesso do furacão Chris Pitanguy

30/04/2013

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Chris Pitanguy fotografada em Paris com blazer Saint Laurent e casaco Fendi ©Reprodução Chris Pitanguy

Difícil não notar Christina Pitanguy. Online e off-line, Chris tem se tornado uma das figuras mais requisitadas quando o assunto é moda. Online porque a consultora carioca tem um perfil com quase 50 mil seguidores no Instagram e um site ativo e cheio de sessões em que mostra do seu look do dia a coberturas de eventos a notícias do mercado. Off-line porque… Chris é linda. Um mulherão, como dizem, a bordo de peças Givenchy e Stella McCartney, arrematadas por um sorriso aberto e matador ao mesmo tempo.

Sobrinha-neta do cirurgião Ivo Pitanguy, ela também é dona da Chris Pitanguy Fashion & Luxury Consulting, em que atende marcas que querem focar no mercado de luxo. Entre seus clientes estão o shopping Leblon e a Lancôme.

Chris também é figura onipresente na semana de moda de Paris, que frequenta há oito anos. Mesmo não representando nenhum veículo tradicional, ela recebe acesso livre a desfiles concorridíssimos, como Céline e Viktor & Rolf. Convites para festas então, são confetes em noite de Carnaval. “Cubro os eventos há muito tempo e sei que tudo tem que partir de mim: tenho que me expor, falar e dar conta de tudo. Fico louca durante a semana de moda, ninguém nem fala comigo”, conta.

A receita de Chris para ter sucesso nos negócios parece infalível: beleza, independência financeira, um bom sobrenome, personalidade carismática, foco e uma dose de coragem. Então, é só ligar na tomada e o barulho está feito. “Sabe o que é? Eu não tenho medo”, diz, revelando o último ingrediente. Vestindo as melhores marcas (no desfile da Hermès, ela apareceu com um longo preto e casaco de pele, modelo digno de um tapete vermelho), Chris acaba sendo naturalmente uma plataforma de comunicação para muitas grifes, já que seu bom gosto aliado ao poder de compra e paixão pela moda rendem bons looks. Em seu site, há anúncios de marcas como Riachuelo e Arezzo, que têm seu público como target.

Fora do Brasil, ela conhece os PRs internacionais e é amiga de estilistas como os Dolce & Gabbana e Giambattista Valli. Quando Kate Moss veio a São Paulo neste ano, foi com Chris que ela bebeu na varanda da Fazenda Boa Vista. “Ela está linda, em uma fase madura e é uma ótima mãe”, disse sobre a top.

Kate Moss e Chris Pitanguy na fazenda Boa Vista, interior de São Paulo ©Reprodução Chris Pitanguy

Chris é formada em Jornalismo e entrou para o mundo da moda através da execução de eventos. Em 1997, ela fez o Fashion Fair, uma plataforma de desfiles e feira de negócios que acontecia em um galpão de Ricardo Amaral, antigo dono da noite carioca. Então começou a fazer assessoria para marcas como Santa Ephigênia. Bem relacionada, Chris divulgava as grifes por onde circulava, além do trabalho tradicional de imprensa.

Aos 26 engravidou de Gabriel, hoje com 12 anos, e quase mudou seu rumo profissional. “Pensei: vou ter filhos, virar perua, curtir as crianças…”. Não aguentou. Hiperativa, voltou três meses após o nascimento de Gabriel.

Em 2006, foi convidada para ser consultora do shopping Leblon, no Rio. O trabalho consistia em criar um DNA para a empresa, fazer contatos com marcas internacionais e pensar em ações que promovessem o shopping, além de assinar uma coluna no site oficial.

Mas a principal mudança, a que encaminhou Chris para o que ela faz hoje, também tem a ver com seus filhos. Sua segunda criança, Julia, pegou uma pneumonia quando tinha dois anos e ficou um mês no hospital. E foi lá, onde praticamente viveu por todo esse tempo, que Chris descobriu o melhor da internet: poderia criar um blog e escrever de onde estivesse, até mesmo de um hospital. “Queria botar minhas ideias e informações para fora e fiz um Blogspot”, conta. Era 2007.

Chris no Rio, com calça Stella McCartney e top Céline ©Denise Leão/Chris Pitanguy

Em 2011, os blogs já haviam entrado definitivamente na nossa cultura e Chris resolveu investir pesado. Passou a postar todos os dias, montou uma pequena redação e os anunciantes começaram a aparecer. Hoje tem uma equipe com cinco pessoas e acumula dois milhões de pageviews por mês.

Esperta, ela dança conforme pede o mercado e não perde uma oportunidade. Uma das seções em seu site é o Style.Me, em que posta seus looks do dia. “Não é o meu objetivo, é só uma coisa que faço porque a indústria pede esse lado mais pessoal. Se tivesse que depender disso, daqui a dois anos estaria fora”, brinca, se achando fora do jogo aos 38 anos. Quando começou a publicar os looks, Chris recebia ligações do tipo “você tá achando que é modelo?”, mas a verdade é que ela não liga, mesmo porque, muitas de suas leitoras/seguidoras querem ainda saber o que ela está vestindo.

E se um dia isso mudar, Chris certamente mudará junto, atenta para não perder as transformações impostas pelo mercado. Porém, uma coisa não vai mudar: quando ela entra em uma sala com sua calça de couro, cabelão solto e seu sorriso, o impacto é matador.

Encontro

Ex-Nouvelle Vague e músicos do Red Hot e Santigold criam a trilha d´OEstudio

19/04/2013

por | Gente

Por Raisa Carlos de Andrade, em colaboração para o FFW

A cantora Karina Zeviani ©Felipe Abe

Após 19 anos afastada das passarelas, Karina Zeviani aceitou desfilar novamente. Ex-integrante do Nouvelle Vague, a cantora também assinou a trilha com sonoridade minimalista, se adequando perfeitamente ao tema da coleção da OESTUDIO, baseada na sobrevivência altruísta.

Com dez versos e mensagem densa, ‘Engenharia do Ser’ foi composta em parceria com Ian Longwell, baterista da Santigold (letras dela, produção dele), e Mauro Refosco, percussionista do Red Hot Chilli Peppers. A música foi apresentada ao público pela primeira vez equanto Zeviani descobria que desfilar é daquelas coisas que permanecem. “Foi bem legal. Fiquei apreensiva, pensando se daria certo pelo comprimento da música, pela mensagem da música. Fico me perguntando se as pessoas estavam prestando atenção na letra. Acho que sim, porque fala justamente do homem híbrido, que pode usufruir do melhor de si. Um cara sensitivo, sentimental, que pode usar a tecnologia para potencializar tudo isso”, conta.

Empolgada com o projeto que tomou forma ao visitar o estúdio de Ian em Nova York há cerca de um mês, Zeviani cogita uma possibilidade de ampliar o projeto. A cantora conheceu o músico quando Santigold se apresentou no festival Back2Black, em 2012, no Rio. Já Mauro é um amigo de longa data, chamado por ela de padrinho.

A música se constituiu de forma semelhante à sua temática, com grande influência tecnológica para afinar a distância. Enquanto Karina mandava as linhas vocais do Rio de Janeiro, Mauro e Ian mostravam o trabalho por videoconferência em Nova York. “Fiquei com vontade de fazer um disco todo pelo Skype com os meninos, até para fazer parte do projeto, uma troca online”, diz, comemorando o êxito da união despretensiosa.

Reserva

“Essa coisa de que brasileiro é gringo acabou”, diz Rony Meisler sobre desfile protesto

19/04/2013

por | Gente

Por Raisa Carlos de Andrade, em colaboração para o FFW

Rony Meisler, de camisa jeans, ao fim da apresentação da Reserva Verão 2013/14 @Zé Takahashi / Agência Fotosite

Mais uma vez, a Reserva apostou no olhar reflexivo sobre a moda na hora de expôr sua coleção. Sob o tema “Moda, Foque”, a marca desfilou  no quarto dia de Fashion Rio Verão 2013/14 e tentou mostrar um caminho inverso à reprodução visual europeia. “De cinco anos para cá, essa coisa de que brasileiro é gringo acabou. A gente é brasileiro, anda pelado. Então cadê o coração batendo, o sorriso na cara? Moda não é jeito de vestir, é jeito de agir e a gente está muito mais preocupado com quem está vestindo do que com o que está vestindo”, explica Rony Meisler, sócio-fundador da marca, logo após o desfile (veja a apresentação aqui).

Mantendo o ar questionador, ele garante não ser crítico. Para ele, o problema está diretamente relacionado ao conteúdo exibido naquele espaço. “Desfile é um negócio tão bacana e se a gente tem espaços tão bons como o Fashion Rio e o São Paulo Fashion Week, por que mostrar só roupa?”, diz. Por isso, deixou que seus modelos trouxessem fantasias, exibidas em uma armação que mostrava a fantasia (homem-aranha, Shrek, padre…) na frente da roupa do desfile. “Dá no mesmo. O que importa é quem está carregando o negócio”.

Além das fantasias, a banda Exalta Rei encerrou o desfile com uma mistura de carnaval e Roberto Carlos. A estratégia era ir além da fila A. “Queria uma banda para tirar de dentro dessa caixa, né? A coisa fica muito restrita à caixa, sempre à primeira fila. A gente queria sair, queria que a festa fosse para fora”, explica Rony, que continuará usando as temporadas para se manifestar além das propostas de looks.  “A gente gosta de desfiles de verdade, multimídia e que não se importam com o lado mercadológico. O nosso barato é fazer o que ama”.

Poderoso chefão

Conheça Zee Nunes, o disputado diretor de desfiles

19/04/2013

por | Gente

Por Raisa Carlos de Andrade, em colaboração para o FFW

O diretor de desfiles e fotógrafo Zee Nunes ©Felipe Abe

O diretor de desfiles e fotógrafo Zee Nunes é o nome por trás de boa parte dos desfiles das temporadas brasileiras de moda. Neste Fashion Rio Verão 2013/14, 10 marcas atravessaram a passarela sob seu olhar minucioso. O trabalho, que alcança cerca de 18 horas diárias, é capaz de afastar qualquer questão de sua vida pessoal durante os cinco dias em que as coleções são apresentadas. De tudo, ele só não cuida da confecção. Todo o resto é passado por sua equipe, que trabalha por dois meses para que a coleção seja apresentada. Seu nome é um dos mais temidos nos backstages, mas por trás do timbre de voz há o encantamento pela moda.

Cada vez mais apaixonado pela fotografia, Zee aos poucos designa a parte técnica dos desfiles a Bill Macintyre, com quem trabalha há mais de uma década. Ainda assim, admite estar longe de abrir mão do desgaste físico dos desfiles: a criação do conceito é seu grande interesse e razão pela qual pretende trabalhar no mínimo mais 20 anos. “Meu maior medo é parar de ser criativo e virar preguiçoso. Chego em casa,  ligo o computador, vejo o desfile de todo mundo, vejo as modelos, faço pesquisas de imagens. Estou pesquisando constantemente”, conta.

Como explica o interesse de tantos clientes pelo seu trabalho?

Sou uma pessoa muito séria e apaixonada pelo que faço. Estou passando meu cargo para o Bill, que já trabalha comigo há muitos anos e é meu agente. Não fiz a coleção passada e me deu quase uma tristeza. Sou completamente apaixonado por moda, por imagem de moda. A fotografia é a minha paixão principal. Na verdade, cinema é uma coisa que eu amo, fiz New York Film Academy, mas senti muita falta de ter feito os desfiles. Acho que todos me procuram por essa paixão.

Em que momento a moda entrou na sua vida?

Me lembro que queria ser diretor de cinema aos 12, 13 anos. Sempre quis dirigir, desde que vi “A Noviça Rebelde”. As imagens e o poder de criá-las para serem apreciadas pelos outros sempre foi uma coisa minha. Depois fui ser surfista, fiz biologia, me chamaram para ser modelo, mas sempre fui um modelo que se interessava por tudo. Ia fazer um desfile e olhava a roupa. Sempre apreciava ou não o que estava vestindo, a fotografia… Sempre queria saber quem era o fotógrafo, se eu admirava ou não o trabalho dele. Sempre gostei, não sei explicar.

E seu trabalho com a fotografia foi resultado disso?

Uns seis anos atrás eu fiz NY Film Academy e quando voltei, vi que não teria tempo de fazer cinema. Vi que teria que parar tudo para começar uma nova história. Fiz dois ou três curtas e resolvi fazer um projeto pessoal. Sempre fotografei com luz contínua, mas fiz uma exposição com luz natural, me apaixonei completamente e aí foi crescendo. Fui fazendo coisas pequenas, especiais; a princípio não queria fazer moda, fui fazer artes e concluí que estava quase mentindo – para mim e para as outras pessoas – porque eu tinha um olhar de moda sobre aquilo. Então vi que não era vergonha, que era algo que eu era apaixonado e a cada coleção mais pessoas me chamavam para fotografar.

Moda é arte?

Para algumas pessoas o pensamento de uma coleção é artístico, completamente artístico. Para outras, não. Mas arte também é comércio, né? Todo artista quer comercializar e ser aceito, entendido, gostado. Acho que na moda tem pessoas incríveis.

Existe alguma marca que tenha interesse em fotografar?

Tem marcas que não são conhecidas ou comerciais e eu tenho o maior prazer em fazê-las também. Existem também as que eu ache a imagem ruim ou defasada e gosto de pegar aquilo, entender o DNA da marca e refazer. Aí chamo pessoas com quem eu gosto de trabalhar, coisa que é muito importante no que faço. Trabalho só com stylists que eu gosto, gente que faz cabelo e maquiagem que eu gosto. Para mim, a equipe é o sucesso para construir uma marca. E sempre pergunto se vendeu bem, como foi aceita. Gosto muito de entender. Não faz sentido de outra forma. É ficar fazendo portfólio e ganhando dinheiro, o que não é o meu interesse.

De onde vem a imagem temida nos backstages?

Hoje em dia não, mas sou uma pessoa meio explosiva às vezes. Falo alto, acho que é um pouco isso, mas sou super carinhoso com as meninas. Tenho um carinho absurdo pela minha equipe, ninguém toca nela. Respeito todo mundo, tenho o maior cuidado para não desrespeitar as pessoas. Mas tem isso de ser explosivo, de falar o que vem na cabeça na hora porque é muita pressão.

Dá para conciliar tanto trabalho à vida pessoal?

Mais ou menos. Sou casado há oito anos e trabalho todos os dias. Saio pouco, no máximo para jantar com meus amigos. Tenho só a noite para sentar junto com ele, assistir televisão. No meu tempo livre estou em casa, nunca fui baladeiro.

Mas durante a semana de moda não…

Não. Não dá para nada. Mal dá para dormir. Tenho dormido duas, três horas por noite…

Sua profissão é vista com certo glamour.

Que bom que acham que tem glamour. A gente precisa de gente nova, sangue novo. Tem tudo isso se você ama, vai continuar tendo essa sofisticação, mas é algo que dá muito trabalho. É bom que as pessoas achem isso, desde que percebam o quão duro e difícil é ter realmente essa paixão para continuar.

Como é a sua rotina por aqui?

Tenho que vir, olhar, ver a montagem, bater o ponto para que tudo seja impecável. Aprendi que se você não tem esses cuidados, o próximo dia é muito mais estressante, muito mais cansativo. Prefiro dormir menos e ter menos stress do que dormir bem e acordar com um pepino gigante. Acho que fiz 10 desfiles nesta temporada, trabalhando no mínimo 18 horas por dia.

Pretende deixar a direção de lado pela fotografia?

Quero mudar. Não quero parar de trabalhar na imagem da marca. Algumas marcas eu faço a campanha e outras não, mas gosto muito de amarrar. Tem trabalho que é meio esquizofrênico, que o desfile é uma coisa, a campanha é outra. Eu sempre tento juntar a música, o cenário. Isso eu ainda tenho paixão. Eu não tenho mais paixão pela coisa mais básica, como soltar modelo. Gosto do pensamento da luz, de ver acontecer, criar o conceito. Hoje em dia, com 50 anos de idade, posso me dar ao luxo de ficar com essa parte.

Pensa em parar?

Não tenho vontade de me aposentar. Estou longe disso. Espero trabalhar até os 70. Meu maior medo é parar de ser criativo e virar preguiçoso. Chego em casa,  ligo o computador, vejo o desfile de todo mundo, vejo as modelos, faço pesquisas de imagens. Estou pesquisando constantemente.

Feito na Finlândia

Jornalista finlandesa Johanna Piispa fala sobre o Fashion Rio e a moda de seu país

18/04/2013

por | Gente

Johanna Piispa no terceiro dia da edição de Verão 2013/14 do Fashion Rio ©Felipe Abe/FFW

Além da Nokia e da banda Nightwish, o que você conhece da Finlândia? O país, que é localizado bem ao norte da Europa, possui invernos bastante rigorosos e uma população que mal ultrapassa os cinco milhões de habitantes, mas, em compensação, apresenta índices altíssimos de desenvolvimento humano, expectativa de vida e saúde e segurança públicas exemplares.

Para compreender mais sobre a Finlândia, em especial sobre sua moda, conversamos com a jornalista Johanna Piispa, da revista “Costume”, que veio ao Rio de Janeiro exclusivamente para acompanhar os desfiles de Primavera/Verão 2013/14 do Fashion Rio. Em entrevista ao FFW, ela deu sua opinião sobre o que tem visto no evento e compartilhou detalhes bem interessantes seu país; leia abaixo:

É a sua primeira vez no Brasil? O que está achando até agora?

Sabe, eu não tinha muitas expectativas, mas tem sido mais simples do que eu imaginava. É que eu pensava que veria mais estampas tropicais, glamour e elementos extravagantes e, na verdade, tem sido mais simples, moderno e até com um certo estilo europeu.

Até agora gostei muito da Maria Filó, que foi minha favorita, e do desfile da Blue Man, que foi bem over-the-top, algo que nunca vemos na Finlândia, porque não temos swimwear e nosso verão é muito diferente do verão do Brasil. Também gostei da Iódice.

Você tem escrito para a “Costume” todos os dias após os desfiles? Quais as diferenças e semelhanças você encontrou até agora com a moda finlandesa?

Eu tenho um blog no website da “Costume” e tenho feito alguns posts sobre o evento, em especial, tenho postado várias fotografias em nosso Instagram. Para nós, a moda brasileira é muito exótica, afinal a Finlândia e o Brasil são tão diferentes, então quero que os nossos leitores saibam como as coisas aqui são de verdade.

Looks da coleção de Verão 2013 da Marimekko  ©Reprodução

A Finlândia, por causa do clima, tem marcas muito boas para roupas de inverno, como casacos de lã, malharia e pulôveres de materiais pesados. Então, por exemplo, o que seria moda de verão na Finlândia, seria inverno no Brasil. Mas há também similaridades, como as estampas, os finlandeses adoram estampas. A Marimekko, que é a marca finlandesa mais conhecida internacionalmente e que é adorada no Japão, faz estampas coloridíssimas, assim como outras marcas finlandesas, como a Samuji e a Minni f. Ronya, que são ótimas em estamparia. E acho que na moda brasileira é a mesma coisa, em que fazem formas simples e estampas fortes.

Looks de Verão 2013 da Samuji ©Reprodução

Como é a indústria da moda na Finlândia? Como é a presença de marcas marcas da Europa central, como Prada e Louis Vuitton, no país?

É bastante pequena. Nós ainda não temos nossa própria semana de moda, então algumas de nossas marcas se apresentam na semana de moda de Copenhague, na Dinamarca. Basicamente, nós não temos um sistema financeiro por trás das marcas e elas não são tão comerciais, então são pequenas e possuem um viés mais artístico.

As marcas dinamarquesas e suecas são bem grandes na Finlândia, mas acho que os finlandeses tendem a usar pequenos designers, tanto para apoiá-los quanto porque é mais cool para nós. Não nós temos muitas lojas de marcas de luxo na Finlândia, temos Louis Vuitton e algumas multimarcas, mas não temos Prada e Miu Miu, por exemplo. Lá nós temos [mais espaço para] marcas de high street e designers pequenos e independentes.

Looks de Verão 2013 da Minni f. Ronya ©Reprodução

Na Finlândia, em especial em Helsinque, existem faculdades de moda?

Não. As pessoas que querem cursar moda podem fazer a educação básica na Finlândia, mas se se quer focar em algo específico, elas normalmente vão estudar em Londres ou Paris.

Então há espaço para publicações de moda na Finlândia? Existem muitos blogs de moda famosos lá?

Sim, claro. Os blogs estão crescendo, os (as) blogueiros (as) são bem grandes e têm muitos seguidores na Finlândia, como são em todos os lugares. Quando às revistas de moda, nós não temos “Vogue” ou “Harper’s Bazaar”, temos “Elle”, “Trendi”, “Olivia” e a “Costume”, que é a única focada exclusivamente em beleza e moda.

Capas da edição finlandesa da revista “Costume” de maio de 2013 e abril de 2012, respectivamente ©Reprodução

A “Costume” geralmente cobre as semanas de moda de outros países?

Sim, fui à França, mas como posso dizer? A “Costume” existe também na Dinamarca e na Noruega, são como revistas-irmãs, e nós usamos o conteúdo umas das outras, como a “Elle” faz: a “Elle” francesa produz algo que, às vezes, a “Elle” norueguesa usa. Acho que não é necessário ir a cada semana de moda, porque hoje se pode ver as fotografias e assistir aos vídeos, então não é preciso viajar a todos os lugares para selecionar as tendências.

O que você cursou na faculdade? Estudou fora da Finlândia?

Não, estudei na Finlândia mesmo. Fiz bacharelado em Moda em uma cidade chamada Jyväskylä, minha monografia foi sobre moda online e impressa e meio que foquei nisso, tínhamos muitos projetos e fiz estágios, que foi onde realmente aprendi.

Se você quer ser editor (a) de moda, o mais importante é ir aos lugares, falar com as pessoas, como aqui, onde tenho encontrado outros jornalistas internacionais, e ver como eles trabalham.

Papo com modelo

“Amo vir ao Brasil, nem considero trabalho”, diz argentina Magda Laguinge

18/04/2013

por | Gente

Magda Laguinge na Marina da Glória, durante a edição de Verão 2013/14 do Fashion Rio ©Felipe Abe/FFW

No backstage de Andrea Marques, desfile que abriu o terceiro dia da edição de Primavera/Verão 2013/14 do Fashion Rio, o FFW conversou com Madga Laguinge, modelo que já estrelou campanhas de Marc Jacobs, Louis Vuitton e Etro. Natural de Córdoba, na Argentina, ela é hoje considerada pelo Models.com a 17ª new face mais requisitada do mercado e vive em Nova York, mas adora desfilar no Brasil, em especial ao Rio de Janeiro, onde disse recarregar as energias só de olhar o mar.

Além de comentar sobre sua carreira, que, apesar de ter somente dois anos, já pode ser considerada mais do que promissora, Magda falou sobre a situação e sobre o potencial criativo da Argentina, de como foi “descoberta” e da profissão que queria seguir caso não tivesse se tornado modelo. Leia abaixo a entrevista na íntegra:

Como você se tornou modelo?

Na primeira vez que me viram, foi em uma praia de Mar Del Plata, eu tinha 13 anos, mas era muito nova e não queria ser modelo. Depois, quando tinha 17 anos, voltaram a me encontrar, e aí muitas pessoas me diziam que eu tinha que ser modelo e aí decidi que podia fazer. Fui a Buenos Aires, porque sou de Córdoba, e lá assinei com minha agência-mãe, que se chama Look 1, mas nesse momento se chamava Hype, e trabalhei na Argentina por três meses. Terminei o colégio porque estava no último ano e, em janeiro, viajei para Nova York com a Next Models, minha agência para todo o mundo.

Magda Laguinge nas campanhas de Outono/Inverno 2012 da Etro e Primavera/Verão 2012 da Topshop ©Reprodução

De Nova York não voltei mais. Comecei a viajar pela Europa. No início, passei mais tempo na Europa, depois em Nova York, onde vivo há mais ou menos oito meses. Na realidade, vivo em aviões. Em dezembro do ano passado, em 20 dias, fui a nove países. Tenho um ritmo de vida muito agitado e por isso que me encanta vir ao Brasil. Amo vir aqui, nem considero como trabalho.

Nas primeiras vezes, você viajou acompanhada dos seus pais ou sozinha?

Sempre sozinha, já tinha 18 anos quando viajei [para trabalhar como modelo]. Meus pais são ótimos e temos uma relação muito próxima, somos muito unidos, então sempre confiaram muito em mim e eu sempre fui transparente.

Toda a minha família vive em Córdoba e, às vezes, como eu não posso ir muito à Argentina, aliás, tenho vindo mais ao Brasil que à Argentina, meus pais vão me encontrar onde eu estou. Já vieram ao Rio de Janeiro uma vez, como também já foram me ver em Paris e em Nova York.

Magda Laguinge nas capas das revistas “Oyster” e “i-D”, ambas de Primavera 2013 ©Reprodução

Não há muitas modelos argentinas conhecidas internacionalmente; você sente que sua carreira é um estímulo para outras meninas do seu país?

Não me considero como uma “it” nada, ou algo do tipo, mas houve algumas argentinas que já foram bem na carreira de modelo, agora, não sei o porquê, está meio parado e há poucas modelos argentinas vivendo e trabalhando fora. Creio que é de época, mas não sei dizer porque estou quase todo o tempo entre Nova York, Milão e Paris, então não tenho muito contato e nem sei bem o que se passa na Argentina. E bem, ser a primeira modelo argentina que fez alguns trabalhos, como Louis Vuitton e Marc Jacobs, é um luxo, mas antes já houveram outras meninas que fizeram coisas incríveis.

Como você sente o mercado de moda argentino? Por que você acha que a semana de moda de Buenos Aires, assim como as marcas do país, não têm muita expressão internacional?

Capaz que é porque é um país que está em crise e isso afeta em muitas áreas, sobretudo nas de criação. Inclusive a política que se tem agora meio que proíbe toda a influência exterior, a Argentina está se fechando muito, o que é uma pena pois é um país que tem muitas possibilidades e gente criativa. Acho que faltam incentivos por parte do governo…

Magda Laguinge nos desfiles de Verão 2013/14 da Espaço Fashion, Maria Filó e 2nd Floor ©Ag. Fotosite

E o que você acha do Brasil?

Foi depois de ir pela primeira vez a Nova York e a Europa. Estou muito contente, sempre fui bem aqui e adoro as pessoas, como disse antes, nem parece trabalho. Claro que estou cansada, estou fazendo um monte de desfiles, mas é só ver o mar e a areia que fico feliz. Pouco antes estava lá fora do backstage sentada ao sol, aliás.

O que você mais gosta da moda brasileira?

[As pessoas] são muito profissionais, concisos e trabalham rápido, mas, sobretudo, são simpáticos e relaxados. Depois, quanto à moda e às tendencias, sempre me impressiona no Brasil ver a cabeça aberta, as inspirações, as texturas e como não se tem medo de usar cores. E sempre me apaixono pelos sapatos brasileiros.

Em termos de organização, não sinto muita diferença daqui para os Estados Unidos e a Europa.

Magda Laguinge ao lado de Tatiana Cotliar campanha de Outono/Inverno 2012 da Marc Jacobs ©Juegen Teller/Reprodução

Dos desfiles e das campanhas que você já fez, quais mais te marcaram?

Fotografar para Marc Jacobs com o Juergen Teller, que é meu fotógrafo preferido. Foi tudo natural, espontâneo, estávamos todas no Bronx, nos Estados Unidos, ao lado de um rio e simplesmente corríamos com toda a roupa posta e a maquiagem, que era bem louca, podíamos fazer o que queríamos e ele seguia tirando fotografias.

Magda Laguinge na capa da “Sunday Telegraph” de novembro de 2011 e em editorial da “Vogue” chinesa de agosto de 2012 ©Reprodução

Há alguma marca com a qual você sonha em trabalhar?

Sim, Balmain, que eu adoro. Também nunca fotografei para a “Vogue” francesa, o que me encantaria. Outra coisa que tenho como uma fantasia é fazer algo mais comercial, ou ainda, vídeos em locações lindas, em uma praia no verão, por exemplo.

Com o que você queria trabalhar antes de se tornar modelo?

Ciências Econômicas. Continuo interessada por isso, mas agora que comecei a trabalhar como modelo e viajar…

“Desfilo porque tenho que pagar as contas”, diz Isabeli Fontana em entrevista ao FFW

17/04/2013

por | Gente

Por Raisa Carlos de Andrade, em colaboração para o FFW

Isabeli Fontana no backstage da Maria Filó no Fashion Rio Verão 2013/14 ©Felipe Abe

Em julho, Isabeli Fontana completa 30 anos, 17 deles dedicados às passarelas. Após uma vida mergulhada no ritmo acelerado das semanas de moda, a top escolheu desfilar para apenas uma marca no Fashion Rio: Maria Filó (veja o desfile aqui). Sem medir palavras, ela explica que até o interesse pela profissão mudou com o passar dos anos. “Desfilo porque tenho que pagar as contas” [o cachê de Isabeli gira em torno de R$ 40 mil por desfile]. Foram duas entradas e alguns minutos de muitas entrevistas pouco antes de embarcar para Paris.

Antes de desfilar, ela marcou presença no lounge da L´Oreal no evento, que recentemente a anunciou como rosto da marca. Circulam boatos que seu cachê para este trabalho gira em torno de R$ 400 mil. Diante da carreira que alavancou de forma inusitada, Isabeli assume que trocaria a moda pelas artes plásticas. “Mas até agora não pude aprender nada porque não tenho tempo, então vou aproveitar os próximos anos da minha vida sendo modelo. E já é um gancho para seguir outra história. Estou desenhando coisas”, conta. Enquanto isso, os caminhos são unificados através da criação: além de óculos para a marca Vogue, Isabeli assina o conceito da francesa Faith Connexion. “Escolhi os tecidos, dei as ideias. Tudo foi em cima do meu gosto pessoal. Acho que moda é muito aberto. O meu conceito, a minha moda é de um jeito e a galera está me procurando para desenhar coisas. Acho isso incrível”.

As angústias, ainda que pareçam relacionadas à idade, são tratadas por ela de maneira natural. “Comecei com 13, vou fazer 30. É uma vida inteira trabalhando na mesma coisa, né? Então agora quero fazer o que realmente amo: criar”, explica, atribuindo a característica ao signo. Isabeli é canceriana e justifica deste modo boa parte do seu jeito, o mesmo que acredita ter garantido o êxito de sua carreira. “Sou uma pessoa que chego neutra e eles me constroem. Acho que é por isso que cheguei aqui e estou até hoje. Minha imagem vem da minha personalidade: tive dois filhos, meus casamentos não deram certo porque sou uma mulher de verdade e aí virei embaixadora da L’óreal. Não é porque eu sou uma modelo que virei embaixadora deles. Hoje em dia existe menos isso… É importante saber que cheguei aqui sendo eu mesma, acreditando nas minhas coisas, que era possível viver feliz tendo a vida que eu tive”.

Sem se deslumbrar com a fama que chega a tomar sua privacidade, ela também relembrou o peso das escolhas feitas desde então. “Quando engravidei do meu primeiro filho, todo mundo disse que a minha carreira havia acabado e eu mal tinha começado. Disseram que meu corpo não iria voltar e aí que trabalhei mais ainda, fui persistente por algo que amava, que me motivava, o meu filho”.  Mãe de Zion e Lucas, ela trata a fama com certa abstração. “Isso nunca me afetou. Hoje vim preparada para entrevistas, já até acostumei. Mas na rua as pessoas nem me reconhecem porque ando tão mulambenta… Sou comum”.

Valdemar Iódice

“Todas gostam da minha marca no Rio”, diz estilista sobre mudança para o Fashion Rio

16/04/2013

por | Gente

Por Raisa Carlos de Andrade, em colaboração para o FFW

Valdemar Iódice no camarim antes do desfile de estreia da sua marca no Fashion Rio ©Felipe Abe

Sob a intenção de fixar ainda mais a marca no Rio de Janeiro, que recebeu seu primeiro ponto de venda no Rio Design Barra, na Zona Oeste da Cidade, a Iódice apresentou sua coleção nesta terça-feira (16.04) no Fashion Rio.

Minutos antes do desfile, Valdemar Iódice falou ao FFW sobre a mudança do SPFW para o FR, a indústria de moda e a razão por ter demorado tanto a apostar no mercado do Rio, lugar onde sua modelagem é tão bem aceita que deverá resultar em outro ponto de venda em breve. “Não digo que é um desfile para a carioca, porque distribuo a marca para o Brasil inteiro. Visto uma pernambucana, uma paraense… Faço um produto para o Brasil, para a mulher brasileira. Não faço um produto universal, mas quando uma mulher é feminina, é feminina no mundo inteiro. Gosta de decote, de fenda… Faço para esta mulher. Agora, todo mundo no Rio gosta da marca. As pessoas gostam, se identificam”. Veja o desfile da Iódice Verão 2013/14 aqui.

A troca de evento é para agregar. Não se trata de uma preferência pelo evento ou sua localização. “Não é nada contra o São Paulo Fashion Week, até porque o evento também é do Paulo (Borges), que está na luta com a gente e sabe que a vida não é fácil”, conta. Iódice acompanhou as transformações do mercado desde o fim da década de 80, período em que fundou sua marca. “Acho que houve uma evolução de trabalho nas marcas. Neste tempo todo, as grifes foram ficando mais profissionais e ganhando mais identidade. No meu caso, de 87 para cá, fiz desfiles antes do Morumbi Fashion, onde exibia 120 looks. Nós criamos tudo isso. Tudo isso era um sonho do Paulo Borges, fazer uma semana de lançamento no Brasil. Nós conseguimos muita coisa. E hoje tem a concorrência, né? Acho que a concorrência que vem de fora é saudável”, avalia.

Sem se preocupar com a presença voraz do baixo custo, Valdemar Iódice explica a fórmula que o fez sobreviver às crises mercadológicas. “O que vale para a companhia, a espinha dorsal, é o produto: tem que ter qualidade, tem que ter matéria-prima boa, design, estilo, modelagem, ser bem costurado. Se você tem esse alicerce, é durável”, diz. “Acho que cada um tem um caminho. Quem quer fazer preço, quer fazer muita coisa. Eu não preciso ter preço barato, eu preciso ter preço que justifique o que eu faço. Aí vou conseguir vender muito…  Tenho público para isso”.

Entrevista

“Eu só sou bom quando sou livre”, diz Nicola Formichetti à “ffwMag!”

05/04/2013

por | Gente

Nicola Formichetti por Kevin Amato para a WeTheUrbanMagazine ©Reprodução

O FFW tem um caderno impresso na revista “ffwMag!”. Na mais recente edição, uma homenagem a Regina Guerreiro, trazemos uma entrevista com o stylist e diretor criativo Nicola Formichetti, que na época ainda trabalhava para a Mugler. Ele é agora diretor da Diesel; acompanhe tudo por aqui.

Leia abaixo a entrevista na íntegra:

Conheci Nicola Formichetti quando morava em Londres, lá pra trás, no meio dos anos 1990, e éramos dois jovens que gostavam de moda. Quer dizer, no caso de Nicola, um jovem obcecado por moda.

Quem o acompanha pelo Facebook ou Instagram tem que tomar cuidado para não entrar em depressão achando que a vida é muito desinteressante ou comum demais. Explica-se: nas fotos, Nicola aparece um dia em Tóquio, trabalhando com as japonesas mais modernas do mundo; no outro, de férias em uma locação paradisíaca na Costa Rica. Sem contar seus dias em Paris, Londres, Hong Kong e Nova York, onde tem residência fixa, se é que consegue ficar em um mesmo lugar por mais de uma semana.

Mas sua interação com as mídias sociais mostra seu entusiasmo e crença em tudo o que diz respeito à internet. Nicola, que começou como colunista da revista “Dazed and Confused”, construiu sua carreira em cima da experimentação e da conectividade. Suas ideias e projetos sempre são compartilhados nas plataformas online, o que deu a ele um número gigante de seguidores virtuais, mas que também mantém presença na vida real.

Hoje, oficialmente, Formichetti é diretor criativo da Mugler e a mente por trás dos figurinos de Lady Gaga, mas também assina matérias como stylist para revistas mundo afora, como a “V Magazine”, “Vanity Fair” e “Dazed & Confused”. Até pouco tempo atrás 2também era diretor da “Vogue Homme” japonesa, que deixou de circular.

Só o cargo de diretor criativo de uma marca já parece suficiente para tomar todo o seu tempo. Só trabalhar como stylist de Lady Gaga também parece algo bastante movimentado. Ser um stylist bem sucedido e cobiçado garante trabalho para o mês inteiro. Como uma pessoa consegue fazer tudo isso ao mesmo tempo então? “Sou muito focado. Quando estou trabalhando em um projeto, ele é a única coisa na minha cabeça. E também não levo tudo a sério demais. Eu me divirto muito trabalhando e acho que é por isso que consigo ser uma pessoa multitask”, diz em entrevista exclusiva para a “Mag!”.

Um dia, quando nos encontramos em Nova York, passamos uma tarde juntos e seu celular não tocou uma vez. Na verdade, nem vi o aparelho. Não estava em sua mão freneticamente tampouco em cima da mesa no almoço. Obviamente não é que ninguém ligou ou mandou whatsapp; isso apenas mostra como de fato ele consegue se organizar e dar tempo ao tempo. Na Mugler, ele trabalha 10 dias por mês em Paris. Aquele dia em Nova York estava com a tarde livre.

Nicola tem um time enxuto na sua cola, mas todos que trabalham com ele têm que ter ao menos uma característica em comum: “Têm que ser multi tarefas. Meu time é pequeno considerando o número de projetos nos quais me envolvo. É uma pequena família e todos nós nos desdobramos em muitos”. Para Nicola, esse é o segredo do sucesso hoje. “Nós somos a geração multitask. Você não precisa ser apenas uma coisa. Dá para ser várias, o que você quiser, ao mesmo tempo”.

Formichetti é um dos grandes criadores de imagem de sua geração. Ainda na “Dazed & Confused”, começou a assinar matérias de moda até se tornar diretor criativo da publicação. Recentemente, a revista prestou uma homenagem ao seu colaborador mais ilustre, com uma edição dedicada a ele e curada por ele. “Nicola trouxe uma nova onda de cores e experimentação para as páginas da Dazed”, diz Jefferson Hack, fundador da revista. “Claramente há a fase antes e depois de Nicola na nossa história. Ele sempre esteve à frente do seu tempo e foi a primeira pessoa que eu conheci que fazia casting pela internet. Ele literalmente contatava 100 pessoas para fazer um simples ensaio, então a energia saía pelas páginas”, continua Hack, em texto publicado nas páginas da “Dazed”.

Em 2012 Nicola abriu com seu irmão Andrea a Nicopanda, marca que lançou no Japão com o nome de seu “mangavatar”, cujos produtos traduzem algo como “Hello Kitty encontra streetwear”. “É uma coisa pequena e eu quero mantê-la assim, pequena e pessoal. Basicamente eu seleciono cinco ou seis peças todas as semanas e coloco na loja online”. A cada peça que divulga no Instagram, centenas de “likes” e comentários acompanham a foto. “Amo a resposta instantânea e a comunicação com meus seguidores. É muito inspirador ouvir as opiniões deles, que para mim, são mais importantes do que as dos críticos”.

Nicola Formichetti fotografado por Eisuke Negishi @Cortesia do fotógrafo

Hummm. Qual a importância que uma crítica de moda tem de fato no seu trabalho? Existe uma leva da imprensa que questiona se não-estilistas podem mesmo dirigir uma marca artisticamente. Nos velhos tempos em Londres, ao sair das festas de madrugada, parávamos em uma banca de revistas para esperar os jornais chegarem com os reviews dos desfiles da temporada. Nicola lia tudo sobre todos. E hoje? “Leio quase tudo, dos jornais aos blogs. Gosto de ouvir os comentários de todos”, diz. Mas, segundo ele, a crítica hoje influencia apenas o designer e seu trabalho para a marca. Compradores e clientes são pouco impactados pelas opiniões especializadas.

Uma das razões que o fizeram aceitar o cargo na Mugler foi justamente para mostrar para a indústria que você não tem que ser um designer com formação clássica para dirigir uma maison. “Adoro o trabalho que Carol Lim e Humberto Leon, da Opening Ceremony, estão fazendo na Kenzo como diretores de criação. São novos tempos, tudo está mudando e há espaço para todo mundo. Você pode ser estilista no mais puro contexto da palavra ou ter um perfil mais colaborativo. Depende do DNA da marca”.

De um dia para o outro, Nicola estava inserido em um universo com um universo forte, porém adormecido. Mas as imagens e os looks emblemáticos criados por Thierry Mugler tinham o efeito de uma caixa de brinquedos nas mãos de uma criança. “Tive muita sorte em ter um acervo maravilhoso como ponto de partida. O acervo da marca é muito forte. Estou apenas canalizando o espírito do que o Thierry fez e jogando para uma nova era”.

E claro, como manda a regra desta nova era de estilistas, ele mantém uma mão na criação e a outra nos negócios. Uma de suas primeiras tacadas foi rapidamente lançar uma linha de bolsas, acessório que, quando bem sucedido, chega a responder por grande parte do faturamento de uma empresa. “O business é uma parte muito importante para mim. Agora estamos no processo de criar nossa primeira loja. Não vamos esquecer que eu entrei há apenas dois anos e estamos indo muito bem para tão pouco tempo de trabalho. Mas agora eu quero é que a Mugler domine o mundo, rsrs!”.

Energia é o que não falta no trabalho de Nicola. Seja nos figurinos mais absurdos de Lady Gaga, nas páginas de revistas ou na passarela da Mugler, é como se tudo acontecesse sob o mesmo ritmo de excitação só mesmo possível quando os olhos estão abertos para o “novo” novo e as antenas permanentemente ligadas. “Adoro descobrir novos lugares ou coisas que são tabus ou não tão legais. Mau gosto às vezes pode ser bom gosto. Mas no geral, olho para tudo, não deixo nada escapar”.

Depois de experimentar em tantas plataformas, o olhar fica mais exigente e inovar, renovar ou criar fica cada vez mais difícil? “Não digo que fica mais difícil, mas não fica mais fácil também. Tenho a sorte de amar o que faço. Criar imagens é a minha paixão e eu só trabalho em projetos que tenho vontade. Dessa forma eu posso ser livre. Eu só sou bom e só funciono quando sou livre”.

+ Nicola Formichetti

Eu amo moda porque… É divertido.

Meus modelos favoritos são: Meus amigos.

Novos talentos que me inspiram: Artistas incríveis que eu descubro no Tumblr.

A Hauss of Gaga é… Uma turma de amigos se divertindo e fazendo coisas juntos.

O que a Mugler tem: Força e o fato de que você está entre a fantasia e a realidade. O universo Mugler vai além da moda. É futurista, é divertido e é digital.

Lady Gaga já recusou um look? Ela nunca diz não para os meus looks, haha! Gaga é uma grande apoiadora do meu trabalho e eu amo ela.

Hedi Slimane na Saint Laurent: Hedi conquistou sua liberdade porque sua visão é muito respeitosa com o senhor Saint Laurent.

Mais Slimane: Amo fotografar com Hedi. O processo começa sempre a partir de uma locação ou um casting. Então decidimos o que estamos sentindo sobre aquilo e… Vamos embora! Já estivemos em muitos lugares juntos, Londres, Paris, Los Angeles, Tóquio…

É dolorido ser criativo? Eu não sei fazer de outra maneira.

Estilistas estrelas são velhas estrelas? Não acho. Mas hoje há espaço para outros tipos de estrelas.

+ Acompanhe Nicola no Instagram, no Facebook e no Tumblr

Exclusivo

Carla Sozzani e a garagem que virou um dos primeiros concept shops do mundo

04/04/2013

por | Gente

Carla Sozzani em sua galeria com o fotógrafo Helmut Newton ©Divulgação Galleria Carla Sozzani

Existe algo muito semelhante entre mulheres que criam, que conseguem ver todas as dimensões de expressão de uma vez só. E olham apenas para frente, pra um futuro ainda vazio, que precisa ser completo de coisas belas.

Carla Sozzani é assim (é a irmã mais velha de Franca Sozzani, diretora da “Vogue” Itália). O mundo já amplo de uma revista de moda não bastava para ela, 22 anos atrás. Era diretora da “Elle” italiana e circulava entre roupas, maquiagens, personagens, imagens, páginas. Queria mais. Então se apossou de um lugar “do avesso” num bairro “errado” de Milão, por onde ninguém interessante passava. Fez então o que chamava de um “jornal vivo”, concreto. E naquele chão de cimento e paredes abandonadas, em vez de páginas, colocou tudo o que podia. Fotografias de autorias célebres. Roupas de designers cobiçados. Livros, flores, cheiros, cores, música, gostos, e mais plantas, café, quartos decorados. Foi varrendo o lugar de beleza.

Até que a tal rua caída se transformou em um lugar por onde todos querem passar.

Agora, quando se fala em “10 Corso Como”, pensa-se num cantinho glamouroso e delicioso de Milão, onde se pode apenas beber um cappuccino ou sair com um par de botas Martin Margiela. E borrifado de perfumes improváveis. Mas sempre, sem complicações ou filas, ver exposições de ícones da fotografia, sobretudo as que dialogam com a moda.

Fomos convidados para um bate-papo com Carla no backstage de sua galeria. A conversa você pode ler abaixo.

Como é que tudo começou? A loja tem tantas facetas que não dá pra adivinhar qual foi o primeiro passo.

Abri em 1990 a Galleria Carla Sozzani. Em 1991, a loja. O coração está aqui mesmo, há 22 anos, mas tudo começou com a galeria e a livraria.

A galeria Carla Sozzani com uma mostra de Helmut Newton, em 1993 ©Divulgação Galleria Carla Sozzani

É na galeria que está também o teu coração?

(Risos. Aliás, Carla sorri muito) Ah, meu coração também bate por outras coisas… (risos). A base é aqui. Depois da galeria foi quando abrimos as lojas, onde colocamos tudo. Das velas às joias, os livros e os vestidos. E foi quando o Francesco Morace (sociólogo italiano) disse: “Terminaram as lojas de imagem, agora começaram as lojas de conceito”.  E escreveu o termo “concept shop”, que depois virou uma maneira de definir um modo de apresentar e fazer. Mas o primeiro a dizer alguma coisa a respeito foi ele mesmo.

Ah, então o batizado do termo foi também na Itália?

Bravo! Foi um italiano! Bravo! (risos)

Temos que dizer “Brava!” pra senhora também, que acabou inventando o que hoje se chama concept store.

Eu fazia apenas aquilo que sentia.

Mas o que a senhora sentia encaixava com o gosto do momento.

Pra mim, num certo sentido, não tinha escolha. Eu era jornalista de moda já há 19 anos. Sabia qual era minha paixão e maneira de me expressar. Por isso comecei com a galeria. A fotografia e a arte são fundamentais pra mim. Trouxe também a moda porque sem ela não conseguiria ficar! (risos) E então pensei, ah, faço uma coisa que se pareça com um jornal, mas um jornal vivo. Em vez de colocar uma nova página a cada dia, eu colocava várias coisas e mudava os espaços! E eu continuamente fico girando dentro da loja. É a minha maneira de comunicar. Tiro tudo do lugar o tempo todo. Assim começou um diálogo muito interessante entre visitantes e clientes.

Teve um momento em que a senhora decidiu “agora faço isso”?

Depois que eu saí da revista. Eu era diretora da “Elle”, fiz o lançamento da “Elle” italiana. Pensei em abrir uma casa editorial, fazer livros e abrir uma galeria. Depois eu percebi que tinha que fazer uma galeria de fotografia, porque a fotografia naquele momento não era considerada arte. E eu colecionava fotos. E quando olho para trás, vejo que era tudo errado! Não conhecíamos o bairro. O espaço era um corredor, não tinha nem vitrines na loja. O piso era de cimento num momento em que tudo era de mármore. Era tudo errado! (risos) Tudo ao contrário. Mas eu estava tão convencida da ideia, adorava tudo aquilo, que fui em frente, estava animada! E hoje tenho o mesmo entusiasmo de sempre.

Qual foi a primeira mostra de fotografia organizada na galeria?

Louise Dahl-Wolfe. Trabalhava com Avedon, trabalhou na “Harper’s Bazaar”. Depois dessa mostra, de uma coisa nasceu outra. Com a Corso Como foi assim, de um trabalho nascia outro trabalho, depois abrimos o restaurante, foi tudo um acontecimento. E tudo veio de um desejo que eu tinha de criar um lugar onde as pessoas se sentissem bem.

E estar bem é também estar cercado de beleza, não?

O tipo de elogio mais belo que eu já recebi foi de gente que estava triste, meio deprimida ou de mau humor e ficou bem depois de passar por aqui.

Um dos espaços da multimarcas italiana 10 Corso Como, de Carla Sozzani ©Divulgação 10 Corso Como

O fato de colocar muitas coisas diferentes juntas nos faz pensar também no conceito da moda. Que não é a roupa, apenas.

Não, certamente que não! Teve um momento, principalmente com a descoberta do prêt-à-porter, na metade dos anos 70, metade 80, em que as pessoas pensavam que a moda era o vestido. Isso durou pouco. As mulheres são inteligentes demais pra pensar que a moda gira em torno apenas de um vestido.

De qualquer forma esse conceito ainda existe por aí. Não será porque existem países onde ainda se está engatinhando no estudo da moda?

Eu vi muitas mudanças recentes. Como na China, onde acabamos de abrir a 10 Corso Como Shanghai. Vi uma evolução do gosto muito veloz, uma mudança na construção das marcas, no modo de fazer pesquisa, tudo está muito mais rápido.

E por que ainda não pensaram em abrir uma loja no Brasil?

Não sei! (risos) Um dos que me falou foi o Francesco! Ele disse que eu tenho que ir pro Brasil.

Quando pensamos que a moda não é apenas “vestido”, mas abarca muitas coisas, nos vem à mente a questão da moda esbarrar na arte. Qual é o seu conceito de arte hoje? 

(silêncio)

… por exemplo, se uma criança te pergunta “O que é arte?”, o que a senhora responderia?

Se uma criança hoje me pergunta o que é arte eu a levo imediatamente para dar uma volta nas igrejas de Milão. Porque lá tem tudo, tem arquitetura, pintura. A arte é toda forma de beleza em diversas expressões, difícil definir. Mas no meu caso, eu sou italiana, o que você quer? (risos) Sou fascinada pelo Renascimento, pela Idade Média… No fundo tudo o que gostamos acaba sendo arte, não adianta ficar procurando entender muito, não é? Quando uma coisa é bonita, se entende na hora.

O papel do design também mudou, inclusive se tornou muito mais expositivo e também se cruza com a arte.

Claro, eu acho que tudo acaba se cruzando. Muitas expressões de moda se aproximam do que é arte. Como a fotografia, por exemplo. E mesmo na fotografia existe uma parte dela que é arte, e outra que não, como o fotojornalismo. Muito difícil. A arte fica num ponto onde a expressão individual se acentua, e é única, é bela. Quem vai definir?

Nesses anos de galeria a senhora consegue citar cinco mostras que foram as suas favoritas?

Olha, seguramente penso em Helmut Newton (1920 – 2004),  Horst (1906 – 1999), que foi a primeira fotografia que eu vendi. Depois eu fiz uma mostra de Duane Michaels, que é também uma pessoa maravilhosa. Sarah Moon, fiz três mostras, adoro.

Carla Sozzani com Azzedine Alaïa, um de seus estilistas preferidos ©Divulgação 10 Corso Como

Mas com a introdução da parte de moda, você também acabou reencontrando importantes estilistas que já conhecia na época da “Elle”, não?

Pra mim foi muito bom ter encontros com meus designers favoritos. Como Rei Kawakubo, da Comme des Garçons, Azzedine Alaïa… São ícones, são os pilares. Como Miuccia Prada, com quem tivemos um encontro interessantíssimo, porque vi todas as mudanças da marca, vi o crescimento. Somos da mesma geração. Os encontros foram muitos.

A sua irmã, Franca Sozzani, que também circula pelo mundo estético, é alguém com quem você compartilha ideias de trabalho?

Com a minha irmã eu tenho uma relação emotiva muito grande. Nos encontramos sempre, vamos almoçar com a família, nos damos muito bem. Claro que podemos comentar se vimos algo bonito ou interessante, mas não em termos profissionais, é tudo meio por acaso, mais solto, é uma relação de irmã, com o coração.

Pra entender como era Milão décadas atrás, sem internet, em que situação as pessoas da moda se encontravam mais? Por exemplo, entre a senhora e Miuccia Prada, onde é que vocês se encontravam?

Mas nós nos conhecíamos há taaaaaantíssimo tempo! Nem me lembro! E eu era diretora da “Elle”. A Miuccia já tinha aquela loja maravilhosa na Galleria Vittorio Emanuele, no centro de Milão, eu conhecia a mãe dela também, a irmã. Mas o lugar onde nos encontrávamos mais era em Paris, nos desfiles. Não existia um lugar típico de Milão como aconteceu, por exemplo, com o bar Jamaica (bar no bairro Brera), onde todos se encontravam numa época. Nos anos 50, 60 não tinha isso. Tinham muitos bares mais ou menos burgueses, mas não existia “o lugar”.

Aqui no bairro da 10 Corso Como certamente não…

Ah, não, ninguém passava por aqui! (risos) As pessoas iam ao centro ou pra Brera. Aqui não acontecia nada.

Quando olha pra trás, o que pensa que ainda falta?

Aqui na 10 Corso Como? Falta sempre alguma coisa! (risos). Porque é tudo uma evolução. É como uma viagem que não acaba nunca.

Os assistentes de Carla vêm pedir ajuda pra pendurar outras fotos e ela sai andando com calma, mas olhando tudo em volta pela mesa, parede, e até o caderno e as folhas de rascunho onde foram anotadas as respostas desta entrevista.

+ Nós também entrevistamos sua filha, Sara Maino, editora sênior da “Vogue” italiana

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Espaço da loja 10Corso Como, em Milão

amfAR update

Saiba quais celebridades já estão no Brasil e o que estão fazendo por aqui

04/04/2013

por | Gente

A cantora Fergie na abertura da loja da Hugo Boss no shopping Leblon ©Reprodução

O Inspiration Gala da amfAR (The Foundation for AIDS Research) acontece nesta sexta-feira (05.04), na casa de Dinho Diniz em São Paulo, e as celebridades internacionais que participarão já estão em território brasileiro.

+ Veja as fotos da festa pré-amfAR promovida pela Schutz no Baretto, em São Paulo;

Segundo o site da “Vogue” Brasil, Sharon Stone, que preside o evento ao lado do diretor da ONG, Kenneth Cole, e dos anfitriões Dinho, Felipe e Lucília Diniz, está em Santa Catarina com o namorado argentino Martin Mica. Fergie, vocalista do Black Eyed Peas (e futura mãe), está hospedada no Hotel Fasano, no Rio de Janeiro, e marca presença também na quinta (04.04) em um coquetel que a Hugo Boss organiza na cidade. Dita Von Teese, que fará performance no evento, e a modelo Karolina Kurkova chegam a São Paulo apenas um dia antes do baile.

Quem já está passeando feliz e contente pela cidade é a top Kate Moss, uma das grandes atrações da noite, que veio acompanhada da sua filha Lila Grace. Kate desfilou pelo bairro dos Jardins, almoçou no restaurante A Figueira Rubaiyat, e segundo a assessoria da NK Store, fez compras na loja, encomendou uma joia para a sua filha que faz anos em setembro e tirou fotos com as designers de joias Sandra Aron Souss e Taísa Hirsch, da Aron & Hirsch.

Foto de Derek Blasberg em São Paulo ©Derek Blasberg/Reprodução

O jornalista Derek Blasberg também está no Brasil para a gala da amfAR e postou uma foto segurando um coco no seu Instagram com a legenda “¡Bem-vindo a São Paulo!”. A modelo Carol Trentini deu-lhe as boas-vindas à cidade em um dos comentários da foto e também confirmou a sua presença no evento — e com look Louis Vuitton, segundo a foto que a top colocou no aplicativo com a legenda “Fitting #amfar #euvou #friday”.

Carol Trentini faz prova de roupa para a gala da amfAR ©Carol Trentini/Reprodução

A dançarina burlesca Dita Von Teese, que irá apresentar uma das suas performances na gala da amfAR, também já está em São Paulo. A diva visitou a galeria Melissa, na rua Oscar Freire, na tarde desta sexta-feira (05.04) e escolheu alguns pares da marca. Abaixo a foto que a Melissa colocou no Instagram:

Dita Von Teese na galeria Melissa ©Melissa Oficial/Reprodução

O FFW vai cobrir o evento e você vai poder ver as fotos dos looks dos convidados na nossa seção Gente.