Indicada ao Globo de Ouro (que ficou com Meryl Streep) e ao Oscar na categoria de Melhor Atriz, Rooney Mara é a nova queridinha dos críticos de cinema internacional. Com a conturbada personagem Lisbeth Salander, do filme “Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres” (“The Girl with the Dragon Tatttoo”), baseado no romance do jornalista sueco Sieg Larsson, a americana de 26 anos teve sua grande oportunidade após quase seis anos de carreira.
Nascida em Bedford, cidade ao norte de Nova York, Rooney cresceu em meio a atletas e altos executivos do esporte: sua família paterna é fundadora do time de futebol americano New York Giants e até hoje vive em função da equipe. Sua mãe, Kathleen, é uma agente imobiliária e sua irmã mais velha, Kate, é atriz e já participou de filmes premiados como “Brokeback Mountain” e “127 Horas”.
Apesar da influência fraterna, Rooney demorou a se interessar pelo mundo do cinema e esperou se graduar em Psicologia e Relações Internacionais na Universidade de Nova York para realmente investir na carreira artística. Durante esse período, a americana participou de algumas produções estudantis e até apareceu ao lado da irmã Kate no filme de terror “Lenda Urbana 3 – A Vingança de Mary”. Após a estreia no longa, Rooney atuou em alguns programas de TV, como o drama “Law & Order: Special Victims Unit” e “The Cleaner”.
Decidida a continuar a carreira como atriz, Rooney Mara conseguiu seus maiores papeis a partir de 2010 (nesse mesmo ano, ela atuou na refilmagem “A Hora do Pesadelo” e no vencedor de três Oscars, “A Rede Social”). A seleção de Rooney para viver a protagonista da trilogia Millennium veio como uma surpresa para quem aguardava a adaptação: Carey Mulligan, Ellen Page, Natalie Portman, Keira Knightley e Emma Watson, todas atrizes mais conhecidas, haviam sido cotadas para viver Lisbeth Salander.
Para se preparar para o filme, Rooney Mara cortou seu cabelo bem curto e o pintou de preto, descoloriu as sobrancelhas e tatuou (temporariamente) um dragão nas costas, teve quatro lugares do corpo cobertos por piercings, fez aulas de kick boxing e aprendeu a andar de skate. O estilo de Lisbeth Salander inspirou profissionais de moda e das artes, como, por exemplo, a stylist Trish Summerville, responsável pelo figurino do filme, que criou para a gigante do fast fashion H&M uma linha baseada no guarda-roupa da personagem. A atuação – e beleza – de Mara também cativou editores como Anna Wintour, que a colocou na capa da “Vogue” americana de novembro. Mais ou menos na mesma época, ela também apareceu nas capas da “W”, “Allure” e “Dazed & Confused”. E isso é apenas o começo.
Em clima de esquenta para o feriado, os bloquinhos de pré-Carnaval já estão aquecendo (ainda mais) as ruas do Rio de Janeiro. As lentes da turma do RIOetc, que durante todo o ano captam o estilo dos cariocas, estão bem atentas ao agito da cidade e aos personagens em torno dele.
São quase 500 os blocos de Carnaval que desfilam pelas ruas do Rio, alguns com início às nove da manhã. Cedo? Talvez. Mas quando a bateria dá os primeiros toques, a hora deixa de ser importante e a festa começa, sem hora para acabar.
De máscaras mais ousadas às fantasias mais tradicionais, confira aqui algumas das imagens divertidas e de alegria contagiante que a equipe do RIOetc tem feito dos foliões cariocas.
Sergio Pedreira Filho, 30, é um jovem empreendedor baiano cujo negócio mostra bem as novas possibilidades de trabalho desses tempos. Serginho, como é conhecido, criou o site Favela9 apenas para vender e divulgar sua linha de camisetas. Desde o início, o projeto combina o universo das tatuagens com o poder de expressão da moda com formas mais independentes de comercialização.
Não é de hoje que a moda tem uma relação com a tatuagem – e com os tatuados. Trazendo o assunto para tempos mais recentes, em 2009, Jean Paul Gaultier fez tatuagens temporárias nos rostos e corpos de suas modelos para seu desfile de inverno. Em 2010, o super tatuado Zombie Boy virou ícone de moda e garoto-propaganda da marca francesa Mugler. E até para as areias quentes do Rio ele veio.
O que Sergio faz é unir essa arte (que, apesar de milenar, é sempre considerada de vanguarda ou alternativa), ao seu próprio lifestyle, sempre próximos dos amigos e de acordo com suas possibilidades reais de negócios. Um amigo tatuador faz as artes que Sergio imprime nas camisetas de sua linha. A divulgação, além de ocorrer na internet, no próprio site da marca, também ocorre via Instagram, mas com um ótimo tempero baiano: para ele, Iemanjá, Salvador, tattoos, flores, rituais e moda integram um mesmo grupo de inspiração.
“Favela9 é a intensidade de uma vida gravada em estampa e tatuagem”. Assim é como Sergio define seu projeto, que surgiu em 2005 como um canal para divulgar suas linhas de camisetas. Após duas coleções, ele interrompeu, largou a faculdade de Administração e foi para o Rio estudar teatro. E por lá ficou algum tempo, trabalhando com TV e cinema até que recebeu um convite para trabalhar como videomaker no canal Multishow. “Não tenho diploma de nada disso, mas foi o aprendizado que tive e as pessoas que conheci que resultaram no lugar onde me encontro hoje”, diz.
De volta a Salvador, Serginho decidiu pegar o projeto de jeito e fazer acontecer. Ele dirige as fotos, faz o casting, cuida da loja online e da operação do negócio sozinho, mas conta com a ajuda de amigos para tatuar, fotografar e posar. E é isso que dá unidade e também está por trás de um dos conceitos da marca, que Sergio chama de Family Iron (Família de Ferro). “A marca só existe nesse formato por causa dos amigos que tenho e que trabalham comigo por quantias simbólicas. Eles colocam energia criativa e boa vontade e é isso o que faz as coisas fluírem assim”. Alguns amigos foram ainda mais longe e chegaram a tatuar os desenhos do Favela9 na própria pele. “Tatuagens que viram estampas e estampas que viram tatuagens”.
O nome Favela9 também traduz essa união. “Favela é sinônimo de improviso. Infelizmente conhecemos uma visão errada da favela. Muitas pessoas juntas são mais fortes, podem alcançar níveis de trabalho e de tudo o que a gente quiser”.
Se no começo Sergio vendia de porta a porta, hoje, morando em São Paulo, ele se vê esperançoso de que seu negócio encontre um caminho feliz pela frente. Já está com as duas próximas coleções prontas, que formam a trilogia do projeto e contam a história dos seus amigos. Tudo vendido exclusivamente online, através de seu site. Lá também é possível ver vídeos e fotos, e visitar a loja online de dezenas de camisetas tatuadas, com as artes de Tartaruga, o tatuador que fez a primeira tattoo em Serginho. Pode parecer clichê, mas o velho ditado “a união faz a força” não caberia melhor na história de Serginho.
As fotos abaixo, dos modelos tatuados usando as camisetas do Favela9, foram feitas por Rogerio Cavalcanti a pedido de Paulo Borges, em cuja coluna na revista “Isto É Gente” este texto foi publicado.
Em meio a alguns novos rostos inexpressivos que despontam a cada temporada, velhos – e saudosos – talentos cativam a atenção geral. Miguel Adrover, designer visionário que impactou o mercado de moda nova-iorquino durante o final dos anos 1990 até meados dos 2000, ressurgiu após quase uma década de ostracismo para apresentar-se novamente na NYFW.
Adrover, que nasceu em Maiorca, Espanha, em 1965, e mudou-se para Nova York em 1991, teve suas primeiras apresentações, em especial “Manaus-Chiapas-NYC” de 1999, muito festejadas pela crítica. No entanto, em virtude de problemas financeiros (o Pegasus Appareal Group, parceiro comercial e maior patrocinador da marca do espanhol, fechou as portas pouco depois dos ataques de 11 de setembro), dos “confrontos” com parte da opinião pública que considerava seu trabalho e suas opiniões ofensivas, e da má sorte de exibir uma coleção (“Utopia”, de 2001) inspirada no Oriente Médio apenas dois dias antes dos atentados ao World Trade Center, Adrover abandonou os Estados Unidos em 2005 para retornar a sua cidade natal.
Durante o período em que ficou sumido dos holofotes, Miguel passou a trabalhar como diretor criativo da Hessnatur, marca alemã especializada em produtos ecológicos, além de viajar por diversas localidades do mundo. A volta às passarelas de Nova York deu-se como uma surpresa a boa parte dos profissionais do mercado, mas a explicação do espanhol é pontual: “Eu deixei Nova York e minha marca em 2005 e estive aprendendo muito desde então. Tive a oportunidade de viajar para vários lugares do mundo, o que me inspirou bastante. Eu não podia mais segurar. E, também, acredito que há uma grande falta de criatividade na indústria, que está muito focada no lado comercial. Há um vazio lá fora, e eu tenho muito a dizer”, contou em recente entrevista ao “WWD“.
Em sua nova coleção (Outono/Inverno 2012/13), chamada “Out Of My Mind”, Adrover reafirma seu espírito contestador: quase todos os 45 looks apresentados no Teatro Latea na noite do último sábado (11.02) eram customizações de peças do guarda-roupa do próprio designer, itens coletados por ele em suas viagens ou reaproveitados da Hessnatur. O espanhol não comprou um único pano ou utilizou qualquer máquina de costura, tudo foi unido à mão por ele e quatro assistentes. O hábito de transformar elementos de outras marcas também foi mantido: se, no começo dos anos 2000, Adrover exibiu uma série de trench coats da Burberry ao avesso, agora ele converteu lençóis Ralph Lauren em elementos integrantes de vestidos e saias.
A proposta por trás desta reutilização de matérias-primas, segundo Adrover contou à “Another Magazine”, é mostrar como belas roupas podem nascer sobrepondo às velhas convenções. A ideia acometeu o espanhol após uma viagem ao Egito e a Cuba. Durante a vivência que experimentou nesses locais, Adrover diz ter percebido o quão pouco é necessário para ser feliz e produzir algo realmente genuíno: “Eu não quero aderir a um sistema que produz coisas não autênticas, onde qualquer um pode ter qualquer coisa, em qualquer lugar e a qualquer tempo. Eu quero me re-entusiasmar, achar um modo de me expressar novamente que seja significativo e sustentável e respeite as mudanças que eu vejo acontecendo no mundo”.
A fotografia é a arte de capturar a mágica do instante, tornando-o eterno: as imagens, capazes de superar o tempo e o espaço, têm o poder de atingir pessoas com as mais distintas experiências e personalidades. A força – e a disseminação – de tais imagens, no entanto, é por vezes tão esmagadora que encobre seus próprios criadores. Quem associa os poéticos retratos de Paolo Roversi a sua figura física? Ou, mais extensivamente ainda, quantos se lembram do rosto de Edvard Munch diante do quadro “O Grito”? Há, decerto, artistas que se convertem em estrelas midiáticas e, por motivação particular ou não, acabam por vincular suas obras à vida pessoal – como desassociar, por exemplo, o trabalho de Andy Warhol de sua polêmica persona? A fotógrafa americana Deborah Turbeville foi uma das primeiras mulheres a conquistar um espaço nesse segmento até então dominado por homens e, ao longo dos mais de 35 anos de carreira, manteve-se sempre discreta por trás das lentes, dando prioridade a sua criação autoral, de uma beleza ímpar.
Apesar de colaborar frequentemente com publicações como as revistas “W”, “V”, “Grey” e diversas edições da “Vogue”, Deborah Turbeville nunca se considerou uma fotógrafa de moda. Sua carreira, que começou quase que por acidente, sempre foi direcionada para atender suas referências e desejos pessoais: o amor pelo cinema atmosférico de Rainer Werner Fassbinder, Luchino Visconti e Jean Cocteau, que inspirou de forma definitiva seu estilo, o fascínio por São Petersburgo e Paris e a preferência por retratar artistas ou personagens reais em lugar de modelos são percebidos com facilidade mesmo em seus trabalhos mais comerciais. Turbeville, que nasceu em 1938 no estado de Massachussetts, Estados Unidos, cresceu rodeada por adultos. Sua grande timidez, os poucos amigos e o isolamento durante os verões na longínqua cidade de Ogunquit moldaram a personalidade e a obra da americana.
Em meados de 1957, com aproximadamente 20 anos, Deborah Turbeville mudou-se sozinha para Nova York. Lá, trabalhou como modelo de prova e depois como assistente da estilista americana Claire McCardell. Logo após, a americana conseguiu um emprego na “Harper’s Bazaar”: “Quando eu fui trabalhar na Bazaar, em 1963, era um período incrível para a fotografia de moda. (…) Duas vezes por ano eles produziam um imenso portfólio de crianças e disseram: Venha com uma boa ideia e nós lhe atribuiremos um fotógrafo”, comentou em recente entrevista ao Style. Ao lado de Bob Richardson (pai de Terry Richardson), Turbeville atuou como stylist e ambos conquistaram relativo êxito até serem presos em um rancho no Texas e serem “convidados” a deixar a revista.
Ao deixar a “Harper’s Bazaar”, Deborah Turbeville fez algumas importantes matérias em colaboração com Diane Arbus e Richard Avedon. Esse último, inclusive, tornou-se uma espécie de mentor e incentivador da americana. A partir daí, Turbeville comprou sua primeira máquina – uma Pentax – e, simultaneamente ao novo trabalho na “Mademoiselle”, começou a fotografar seus próprios editoriais para a revista: “[exercer as funções de stylist e fotógrafa] me ajudou porque eu não precisei a princípio ganhar a vida como fotógrafa. Eu nunca teria conseguido. Minhas imagens tinham um foco sútil, era uma coisa completamente nova”.
Da mesma maneira que a paixão pela fotografia surgiu em decorrência das circunstâncias, o estilo adotado por Deborah Turbeville também foi em parte acidental: “Começou em consequência da forma que eu utilizava a câmera. Eu tinha lentes de foco muito suave e gostava desse tipo de foco, tudo saía muito suave”, justificou a fotógrafa ao Style. As imagens criadas pela americana parecem sempre dotadas de uma atmosfera fantasmagórica, enquanto que os protagonistas retratados guardam uma melancolia aparentemente indolor – eles não precisam gesticular ou derramar lágrimas para causarem no “espectador” um forte sentimento de nostalgia e piedade. A obra de Turbeville possui unidade – a beleza etérea de seus elementos é borrada, misteriosa, passional, quase como se aqueles seres estivessem a ponto de se desintegrar.
Além das reproduções mais autorais, sua obra abrange imagens de moda icônicas e revolucionárias para seu tempo. Em 1975, a americana fez uma de suas fotografias mais importantes e talvez a mais polêmica: em um trabalho para a “Vogue” de seu país, capturou cinco garotas trajadas informalmente em um enorme banheiro. Para olhos acostumados à sociedade do espetáculo deste século XXI, a imagem pode não causar nenhum impacto, mas à época a repercussão foi massiva: “Quando ela foi publicada, várias pessoas cancelaram suas assinaturas. Disseram que era ofensiva e que parecia com Dachau [campo de concentração nazista construído em 1933] ou com viciadas em drogas. Eu sabia que o que estávamos fazendo era diferente, mas nunca imaginaria que se chegaria a isso”, relembrou Turbeville.
Com “Bathhouse”, Deborah Turbeville reservou para si um espaço de destaque no universo masculino da fotografia e abriu caminho para que outras mulheres a seguissem. Como ao longo de sua vida deu prioridade às criações autorais, a americana só lançou um livro com suas principais imagens de moda em outubro de 2011. “The Fashion Pictures” conta com uma introdução de Franca Sozzani, editora-chefe da “Vogue” italiana, e traz mais de 300 páginas de reproduções memoráveis tiradas de editorais e campanhas publicitárias. A obra de Deborah Turbeville é como respirar ar puro em meio ao sufocante mundo plastificado de photoshop.
Há dois anos, completados no dia 11.02, a moda perdia uma de suas mais brilhantes mentes criativas: Lee Alexander McQueen. Nessa data, última quinta-feira de 2010 anterior ao Carnaval, os fãs de moda do Brasil se preparavam para aproveitar o feriado ou acompanhavam os desfiles de Outono/Inverno da semana de moda de Nova York. Todos, no entanto, voltaram seus olhos em choque para a Inglaterra diante da notícia do suicídio do estilista, encontrado sem vida em seu apartamento no bairro londrino de Mayfair.
A morte de qualquer nome da importância de Alexander McQueen inspira comoção internacional e curiosidade, ainda mais em um segmento em que sua genialidade se fazia tão presente. Entretanto, o designer inglês era dono de uma personalidade tão amável e um trabalho tão fascinantemente autoral e comovente que sua perda tocou não só as mentes, mas também os corações de quem sempre acompanhou sua trajetória. Nascido em Londres em 17 de março de 1969, Lee Alexander McQueen era o sexto filho de uma família simples: seu pai, Ronald, trabalhava como taxista e sua mãe, Joyce, era professora de ciências sociais.
A ligação de Alexander McQueen com a moda teve início “oficialmente” em 1984, quando aos 16 anos largou a escola para trabalhar como aprendiz em ateliês de alfaiates na famosa Saville Row em Londres. Com as técnicas e a habilidade desenvolvidas no período que passou nas oficinas de Anderson & Sheppard, Gieves & Hawkes e, por último, Angels and Barns, o britânico mudou-se para Milão, onde exerceu a função de cortador de tecidos na marca Romeo Gigli por um curto espaço de tempo. Em 1990, aos 21 anos, McQueen retornou a Londres e candidatou-se ao cargo de professor na Central Saint Martins, mas seu portfólio era tão impressionante que, no lugar do emprego, ganhou um convite para cursar o mestrado da faculdade – sua coleção de graduação, apresentada em 1991, foi inteiramente comprada pela stylist Isabella Blow, que viria a se tornar sua grande amiga e incentivadora.
Após a formatura, Alexander McQueen – o inglês utilizava seu primeiro nome, Lee, mas foi convencido por Isabella Blow a adotar esse pelo qual ficou conhecido – iniciou sua trajetória de sucesso. Desde suas primeiras coleções, o viés teatral e controverso de sua criações e desfiles, que eram considerados verdadeiros espetáculos, renderam-lhe a reputação de “enfant terrible” e “hooligan da moda britânica”. A introspecção e as perdas de entes queridos (Blow cometeu suicídio em 2007 e sua mãe faleceu na primeira semana de fevereiro de 2010) levaram McQueen a acabar com sua vida. O impacto que causou na moda por meio de seu trabalho, no entanto, permanece intacto na memória dos entusiastas desse universo e consta como legado para os novos apaixonados que surgem a cada dia.
Sempre viajando devido ao seu trabalho no Fórum de Inspirações da Assintecal e, claro, para pesquisas de suas coleções lançadas a cada temporada, o estilista Walter Rodrigues é fascinado desde sempre por antropologia, e uma de suas paixões é a curiosidade por novas aventuras pelo mundo. “Sou imensamente curioso e aberto a descobertas e a novas experiências, mesmo tendo muitas vezes quebrado a cara, e acredito que tudo isso é que me inspira e me renova todo o tempo!”, revelou Walter para o FFW.
“Sou inspirado pelas pessoas que me cercam, desde as com quem eu convivo diariamente, que são Zeca, Lucius Vilar e Ilse Guimarães, e também por desconhecidos que encontro em minhas viagens mundo afora por causa do meu trabalho no Fórum de Inspirações da Assintecal. Sempre fui apaixonado por antropologia, e conhecer e vivenciar experiências em outros lugares do mundo sempre foi um grande sonho.
Viajar é portanto a maior fonte de inspiração para mim, visitar lugares importantes na história do homem e também locais onde o cotidiano pode ser percebido, como os grandes mercados, as ruas populares e até pequenos vilarejos; sempre trago algo para acrescentar às minhas coleções e ao meu aprendizado.
Adoro livros que podem ser de fotografia, artes plásticas e também moda e de lugares incríveis; adoro ler e meu escritor favorito é Márai Sándor – um escritor húngaro que me emociona muito, leio e releio os meus livros favoritos que são: “As Brasas”, “O Legado de Eszter”, e “Libertação” – todos eles relatos pungentes das mazelas, das alegrias e das esperanças de seus personagens tão intensamente humanos.
Experimentar é uma palavra que move minha busca por inspirações e por isso a comida tem um destaque especial. Gosto de ao viajar sentir os sabores locais e percorrer os mercados e sentir os perfumes, e descobrir e entender, nas estranhezas e muitas vezes na maneira de preparar um prato, a cultura local.
Um dos meus restaurantes favoritos no mundo é o Chez Omar – um clássico da comida do norte da África, onde a comida do Marrocos é celebrada, tem muita gente bonita e tem também suas esquisitices: não aceita cartões e nem reservas, mas vale ficar na fila para poder ver Jean Paul Gaultier e sua trupe e mais outros personagens da moda em busca de diversão e boa comida.
Música para mim é essencial, e agora com o a loja do iTunes estou bem feliz! Gosto imensamente de Antony and the Johnsons, do The Knife, Fever Ray, e mesmo com a explosão e enorme exposição continuo ouvindo Adele. Ouço música muita clássica e também músicas inusitadas como as de Misora Hibari, uma grande dama da canção japonesa.
Meu filme favorito no momento é “Walachai”, que vem a ser um documentário sobre algumas comunidades da serra gaúcha onde imigrantes alemães ainda falam o alemão dos seus ancestrais e por isso se sentem isolados do mundo; é um brilhante trabalho da diretora Rejane Zillis! E tem também o filme do Michael Haneke, “A Fita Branca”, que inspirou a coleção de Inverno 2012“.
Chez Omar
47 Rue de Bretagne – Marais -3ème arr – 01 42 72 36 26 – Paris
Há um ano, no Festival de Cinema de Sundance, um documentário sobre a forma como a mídia americana limitava a representatividade feminina criando uma geração de jovens mulheres definidas pela aparência, jovialidade e sensualidade, causava furor. O documentário em questão era “Miss Representation”, da atriz, produtora e ativista Jennifer Siebel Newsom, e contava com a participação de várias mulheres poderosas, entre elas Condoleezza Rice e a atriz Jane Fonda, falando da falta de representatividade feminina na mídia e de como isso condiciona a ambição das meninas.
Um ano depois, agora com o apoio do site missrepresentation.org e com apresentações marcadas por todos os Estados Unidos, Jennifer, produtora do filme famosa pela participação em seriados como Mad Men e Numb3rs, tornou-se uma ativista na construção de uma mensagem feminina mais encorajadora na mídia.
Sobre a ideia para o documentário, Jennifer conta em uma palestra para o evento TEDx: quando ela e o seu marido, o atual governador da Califórnia, Gavin Newsom, tiveram a sua primeira filha, Montana, ela recebeu muitos elogios a sua aparência e muitas coisas rosa. Um ano e meio depois, quando nasceu o seu segundo filho, Hunter, ele recebeu menos elogios quanto a sua aparência, muitas coisas em azul, uma camiseta que tinha escrito “Futuro Presidente” e uma carta diretamente da Casa Branca falando: “O mundo está a sua frente, você pode ser aquilo que você quiser”. Comovida, Jennifer continua contando que ficou honrada com os presentes que Hunter tinha recebido, mas por outro lado pensou que nunca ninguém falou para a sua filha mais velha que ela tinha todas as oportunidades que ela quisesse.
Então, Jennifer teve uma visão: estas mensagens inconscientes que são ditas aos nossos filhos determinam o que eles acham que podem ou não ser no mundo. E Jennifer não quer que a sua filha cresça pensando que tem coisas que ela não pode ser. Com base em estatísticas consultadas, Jennifer percebeu que problemas como distúrbios alimentares e falta de confiança nas jovens de hoje em dia eram causados pela imagem errada que a mídia constrói das mulheres.
Esta influência da mídia na construção de modelos femininos é uma temática que vem sendo discutida em vários niveis. Recentemente, a “Vogue” anunciou a criação do Health Initiative, um instituto que pretende regulamentar as “Vogues” de todo o mundo quanto à promoção de um estilo de vida saudável.
Desta visão, surgiu o documentário “Miss Representation”, apoiado pela magnata da mídia, Oprah Winfrey, que o transmitiu em seu site, e que tem como objetivo exigir por parte da mídia uma cultura que represente as mulheres e que as valorize.
O trailer abaixo mostra um pouco do filme de 90 minutos:
Este ano, também no Festival de Sundance e dentro da mesma temática feminina, Jennifer participou como produtora executiva do documentário vencedor do Audience Award (prêmio atribuído pelo público), “Invisible War” (Guerra Invisível), que relata a história de mulheres que sofreram abusos sexuais no exército americano, e o seu esforço para serem ouvidas e para que os infratores sejam punidos de forma justa.
Tilda Swinton, atriz, artista plástica e eventual modelo, tem se tornado cada vez mais musa da moda. Em cada entrada nos tapetes vermelhos de eventos que premiam o seu trabalho como atriz, ela surpreende pelo seu estilo simples e elegante e pela sua postura sem exageros. De Haider Ackermann, como a vimos no Globo de Ouro deste ano, a Lanvin nos SAG Awards, as suas escolhas sempre realçam a sua beleza natural, a sua tez perfeita e os seus olhos claros reveladores.
A referência de moda em que Tilda Swinton se transformou não é algo de agora. Já em 2003, os estilistas da Viktor & Rolf se inspiraram nela para criar uma apresentação de “sósias Swinton”. O desfile, “One Woman Show” (“Show de uma mulher só”) mostrava todas as modelos como cópias de Tilda enquanto a mesma lia um poema de sua autoria que dizia: “There is only one you. Only one” (“Só tem uma de você. Só uma”). E, até hoje, o destaque de Tilda nesse universo continua forte: ela foi o rosto da campanha de Inverno 2011 da marca Pringle of Scotland, e volta e meia aparece em capas de revista e editoriais.
Mas a sua reputação vai muito além de musa da moda; ela é uma atriz versátil e de renome e uma figura bastante respeitada no meio artístico, não só devido a sua carreira rica em diferentes referências culturais e artísticas, como também devido a sua formação política e social.
Katherine Matilda Swinton, ou Tilda Swinton, como a conhecemos hoje, nasceu em Londres em novembro de 1960, no seio de uma família privilegiada. Ela é filha de mãe australiana, e o seu pai é o Major-General escocês Sir John Swinton de Kimmerghame, de uma família anglo-escocesa tradicional, cujas raízes remontam até o século IX. Enquanto criança, frequentou a escola West Heath Girls’ School, na mesma classe que Diana, princesa de Gales, e em 1983, graduou-se em Ciências Sociais e Politicas pela Universidade de Cambridge.
No início dos anos 80, Swinton trabalhava com teatro em Edimburgo, embarcando em uma carreira de cinema logo em seguida. Participou de vários filmes de Derek Jarman, como “War Requiem”, uma espécie de poema visual sem diálogo, e “Edward II”, que em 1991 lhe rendeu o prêmio de melhor atriz nos Vulpi Cup Awards, no Festival de Cinema de Veneza.
No entanto, o seu papel mais notável dessa época vem do filme “Orlando – A Mulher Imortal”, uma adaptação cinematográfica do romance de Virginia Woolf, no qual o seu personagem, pertencente à nobreza, vive por 400 anos, mudando de sexo de homem para mulher. O filme de 1992, no qual Tilda ajudou financeira e criativamente a diretora Sally Potter, continua até os dias de hoje com uma devota legião de fãs.
A atriz foi nomeada para o seu primeiro Globo de Ouro de Melhor Atriz em 2001, para o filme “Até o Fim”, que já tinha impactado a crítica no Festival de Sundance e de Cannes; e em 2008, ela ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para o filme “Conduta de Risco”, contracenando com George Clooney e Tom Wilkinson, e que lhe rendeu também um prêmio BAFTA na mesma categoria.
Embora o seu papel mais marcante nos sucessos de Hollywood tenha sido o de Bruxa Branca no filme “As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, Tilda apareceu também como atriz coadjuvante em filmes como “A Praia”, com Leonardo DiCaprio, “Vanilla Sky”, com Tom Cruise, e em “Constantine”, como o anjo Gabriel, contracenando com Keanu Reeves. Em 2008, voltou a trabalhar com George Clooney no filme “Queime Depois de Ler”, dos irmãos Coen.
Em 2009, a atriz aprendeu a falar russo e italiano para o filme de Luca Guadagnino “Um sonho de amor”, indicado ao Oscar 2011 de Melhor Figurino, pelos vestidos minimalistas usados por Swinton de belos cortes e cores vivas, todos de Raf Simons para Jil Sander com a curadoria da italiana Antonella Cannarozzi.
Em seu mais recente trabalho, “Precisamos falar sobre Kevin”, Swinton interpreta o papel extremamente humano e controverso de Eva Khatchadourian, a mãe de um adolescente problemático tentando resolver um conflito interno bastante intenso, que lhe valeu a nomeação para o Globo de Ouro 2012 de Melhor Atriz.
O trailer abaixo, para quem ainda não viu, mostra um pouco do seu personagem:
Mas a sua paixão por arte não se limita aos filmes e ao teatro. Em 1995, Tilda Swinton foi aclamada pelo mundo artístico ao apresentar na Serpentine Gallery, em Londres, uma instalação performática em que a própria se apresentava ao público, dormindo ou acordada, fechada em um quadrado de vidro, durante uma semana. A performance, intitulada “The Maybe” (“O Talvez”) acabou por ser repetida em Roma, no Museu Barracco.
Na sua carreira recheada de sucessos, Tilda Swinton tem ainda tempo para se dedicar à fundação que tem em conjunto com o diretor Mark Cousins, a 8 ½ Foundation, que celebra o aniversário de oito anos e meio de crianças escocesas com eventos cinematográficos. A ideia surgiu em 2005 quando Tilda fez um discurso em São Francisco sobre o estado do cinema no mundo. O discurso, que inspirou Mark Cousins, estava no formato de uma carta ao seu filho de oito anos e meio.
Preferindo sempre arte à fama, Tilda é uma personagem discreta do tapete vermelho e do mundo do cinema em geral, provando sempre que menos é mais. Menos maquiagem, menos vestidos “show off” e menos brilhos resultam sempre na elegância a que Tilda Swinton nos habituou.
Há três anos, o British Fashion Council e a revista “Vogue” se uniram para criar o “Designer Fashion Fund”, premiação que visa ajudar jovens talentos residentes em Londres. O vencedor da edição deste ano, anunciado na última quarta-feira (01.02), foi o estilista escocês Jonathan Saunders, que foi laureado com a quantia de £ 200 mil (aproximadamente R$ 545 mil) e um plano de 12 meses de consultoria financeira desenvolvido especificamente para que sua marca converta-se em um negócio de moda global.
Jonathan Saunders, que concorria ao “Designer Fashion Fund” com nomes expoentes como Marios Schwab, Mary Katrantzou, Meadham Kirchhoff, Nicholas Kirkwood, Peter Pilotto, Richard Nicoll, Roksanda Ilincic e Zoe Jordan, nasceu em 1977 na Escócia em uma família extremamente religiosa. Contrariamente à vontade de seus pais, que planejam para o jovem Jonathan um futuro ligado à carpintaria e desaprovavam materialismos e frivolidades, ele optou por se graduar em Estamparia na Glasglow School of Art, em 1999. Logo depois, o estilista se mudou para Londres, onde concluiu em 2002 um mestrado (também em Estamparia) na famosa Central Saint Martins. Pouco mais de um ano e meio depois, no Outono/Inverno 2003/2004, Jonathan Saunders debutou nas passarelas da London Fashion Week com uma coleção que foi elogiada por veículos importantes como o Style.com e a “Vogue” britânica, que em janeiro de 2004 trouxe na capa Natalia Vodianova em um vestido bicolor do designer.
O “Designer Fashion Fund”, no entanto, não foi o único prêmio na carreira já vitoriosa de Jonathan Saunders: em 2002, o escocês ganhou o “Lancôme Fashion Awards” por sua habilidade com as cores e, em 2006, ganhou o “Fashion Enterprise Awards” do British Fashion Council. Em 2009, foi eleito o “Designer do ano” pela Elle e, no ano seguinte, pelo “Scottish Fashion Awards”. Além dos títulos, Jonathan Saunders conquistou mulheres como Michelle Obama, Sienna Miller, Thandie Newton e a própria diretora da “Vogue” britânica, Alexandra Shulman, que se disse encantada com a vitória do escocês no “DFF”.
Após nove coleções apresentadas em Londres, Saunders desfilou por três temporadas na Semana de Moda de Nova York até retornar na Primavera/Verão de 2010 para a cidade que o acolheu desde o seu início como estudante. Além da direção criativa de sua marca homônima, o “colorista” escocês já prestou consultoria criativa para a Pucci, Chloé, Alexander McQueen e Pollini. Comentando o novo prêmio, Jonathan Saunders afirmou: “Estou muito feliz. Os últimos 12 meses foram muito emocionantes para mim e para a minha equipe e estou muito orgulhoso do trabalho duro que realizamos. Nós temos planos empolgantes para o futuro próximo e este apoio fornecido pelo BFC nos possibilitará alcançar nossas metas”.