Tendências

24/05/2012

por | Cultura Pop

Por Julia Pitaluga, em colaboração para o FFW

Carol Althaller, do WGSN ©Julia Pitalunga

No segundo dia de Fashion Rio Verão 2012/2013 (23.05), o portal de tendências WGSN organizou uma palestra sobre cool hunting apresentada pela correspondente do portal na América do Sul, Carol Althaller, que há três anos trabalha no escritório brasileiro da empresa, em São Paulo. Cool hunter é uma nova profissão e há cursos específicos para aprender como fazer um bom cool hunting, mercado que procura pessoas excêntricas que exprimem coisas novas e influenciam outras pessoas.

No começo da palestra Carol disse: “Espero que vocês saiam inspirados dessa sala”. E foi isso o que aconteceu. O lounge da SEBRAE RJ se tornou um nicho de inspirações para quem quisesse entender melhor como o comportamento e a cultura podem influenciar diretamente a constituição de uma coleção e a vontade dos consumidores que têm desejo de comunicar, por meio da sua maneira de vestir, o seu modo de vida e seus pensamentos.

Por que é tão importante a pesquisa de tendências? As tendências não são diagnosticadas através de bolas de cristal. O grupo do WGSN procura decorrências estéticas e de comportamento ao redor do mundo, seja no passado ou no presente, para prever o que as pessoas gostam e querem no seu momento atual e, assim, construir as macrotendências. “A reciclagem de ideias é importante. Reciclamos mais do que criamos. É tudo uma combinação de ideias, futuros e processos de vida”. Essa pesquisa vai muito além da moda. A busca é feita por meio de pessoas que estão abertas a novos caminhos, buscam ser diferentes e se destacam da massa por seus objetivos de vida. Como artistas, designers ou pessoas com possibilidade de viajar e contar coisas novas, sonhos novos e mostrar o que elas realmente sentem. “São essas as pessoas em quem ficamos de olho aberto!”, diz Carol.

Carol conta sobre as formas de disseminação de tendências em qualquer empresa cool hunter:

Existe o modelo randômico, como a Polaroid, por exemplo. Todos falam disso e fazem fotos com esse filtro. E o modelo linear, em que primeiro vê-se uma pessoa, depois uma roupa, depois uma marca e depois junta-se as informações para formar uma tendência.

“É importante não olhar para a moda. O mundo acontece no olhar sobre economia, política do lugar onde você vive, religião. Tudo isso leva ideia para a moda. É preciso conectar sinais e juntar as referências que já foram vistas antes também”. Ela explica: “Observamos muito os jovens, que estão sempre mudando e são influenciados por seus semelhantes e não pelo marketing. Chamamos de ‘jovens barra’ aqueles DJs, estilistas e atores, jovens que fazem muitas funções diferentes ao mesmo tempo. Tem-se que observar livros, revistas, ler coisas que acontecem onde você vive e no mundo inteiro. E mais que isso tudo, ver TV! Novelas! Tem que assistir. A televisão tem um impacto muito grande nas pessoas e é curioso saber o comportamento dos indivíduos perante esse meio de comunicação de massa”, ensina.

A internet também não pode ser ignorada. “Vemos muito a publicidade em blogs, Facebook e redes sociais em geral. Queremos saber o que os jovens estão compartilhando ali, no que eles se interessam e como eles traduzem as tendências na vida real. A música, as artes e a arquitetura orgânica das cidades (reparar em prédios, como as pessoas se comunicam em suas próprias cidades) também são muito importantes para entender o mercado de tendências”.

Olhos abertos então!