Psicodelia poética: o que está por trás das esferas mágicas de Yayoi Kusama

15/03/2012

por | Cultura Pop

Yayoi Kusama na década de 1960 ©Reprodução

Esferas. Perfeitamente simétricas e coloridas. Essa forma geométrica, tão imersa na vida cotidiana por meio de objetos banais, ganhou uma nova perspectiva a partir da visão peculiar de Yayoi Kusama. Contemporânea de nomes como Andy Warhol, Georgia O’Keeffe e Claes Oldenburg, a artista plástica japonesa converteu-se em um dos expoentes do movimento pop que dominou os Estados Unidos na década de 1960 e, muito antes de Takashi Murakami, conquistou Oriente e Ocidente com sua “psicodelia poética”. Desde o início de fevereiro, a Tate Modern, em Londres, está apresentando uma das maiores retrospectivas da obra de Kusama, que, prestes a completar 83 anos, continua ativa e inspiradora.

O abstracionismo quase mágico e a constante repetição de padronagens presentes nas pinturas, colagens, esculturas e instalações de Kusama estão intrinsecamente ligados ao seu estado mental e a sua obsessão por determinados símbolos, como as já citadas esferas e, em menor escala, as “infinitas redes”. A artista, que nasceu em 1929 em Matsumoto, Japão, apresenta um quadro severo de TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e, desde a infância, é acometida por alucinações que a levaram, em 1977, a se internar voluntariamente em uma instituição de saúde mental – o que não a impediu de produzir.

Yayoi Kusama no período que passou nos Estados Unidos ©Reprodução

Anteriormente à internação, no entanto, Kusama viveu 15 anos nos Estados Unidos. Durante esse período produziu inúmeras instalações e performances urbanas controversas como, por exemplo, um protesto contra a Guerra do Vietnã, em que pintou os corpos de dezenas de pessoas com poás, ou ainda “Grand Orgy to Awaken the Dead at the MoMA”, quando reuniu homens e mulheres nus no jardim do museu nova-iorquino, em 1969. Isso sem contar na participação da 33ª Bienal de Veneza, em 1966, onde expôs “Narcissus Garden”, obra que reúne 500 esferas espelhadas e que hoje se encontra no Museu da Arte Contemporânea, em Inhotim, Minas Gerais.

“Narcissus Garden”, em Inhotim ©Reprodução

Além das obras de artes plásticas, Kusama já escreveu alguns romances, produziu e atuou em dois filmes (“Kusama’s Self-Obliteration”, de 1968, ganhou os prêmios da 4º Competição Internacional de Filmes Experimentais, na Bélgica, e do Festival de Cinema de Maryland) e recentemente colaborou com a Louis Vuitton (que, inclusive, é a patrocinadora da mostra na Tate Modern) e a Lancôme, desenvolvendo acessórios, joias, relógios, bolsas e sapatos ao lado de Marc Jacobs e uma linha de seis batons tipo gloss, respectivamente.  Apesar de toda a produção individual, parcerias e exposições, Kusama não saía do Japão há 12 anos e raramente faz aparições públicas ou dá entrevistas, mas para a abertura da mostra na Tate, a japonesa se fez presente com sua já tradicional peruca vermelha e vestido…de poás.

Conheça na galeria abaixo mais do trabalho fascinante e curioso de Yayoi Kusama.

Yayoi Kusama no Tate Modern ©Reprodução

“Yayoi Kusama” @ Tate Modern
Bankside, Londres SE1 9TG
De 09 de fevereiro a 05 de junho
+ Site Tate Modern  

The Obliteration Room, exhibition Look Now, See Forever
©Reprodução