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Filmes clássicos ganham versão retrô em brincadeiras da internet

Pôster da série “E se…”, com filmes deslocados de seu tempo e elenco original ©Peter Stults/Reprodução

Não. Não são refilmagens ou reedições de cenas perdidas. São obras do novaiorquino Peter Stults, que criou uma série de cartazes de filmes contemporâneos como se tivessem sido lançados nas décadas de 50, 60 e 70. Inspirado pelo trabalho semelhante de Sean Hartter, que faz cartazes de filmes como se fossem de outra época e, às vezes, de outro gênero, Peter resolveu focar na mudança temporal e no elenco. A brincadeira despretensiosa poderia facilmente ter ficado na gaveta, mas na era da internet, com uma ideia envolvendo filmes cultuados e uma execução impecável, suas imagens rapidamente ficaram conhecidas e sua arte divulgada em diversos blogs e sites de cultura.

Obra de Sean Hartter, que inspirou Peter Stults ©Sean Hartter/Reprodução

É claro que a ideia de repensar filmes antigos, seja com cartazes, roteiros, novas produções e mudanças de gênero, não é nova. No entanto, o retrô nunca deixará de agradar aos fãs e inspirar novos artistas, como Aaron Wood, que saiu do anonimato ao criar pôsteres das redes sociais em um clima de guerra fria. Quanto ao vídeo, já mostramos no FFW a releitura sobre a vilania, feita pela “NYT Magazine”, contando com atuações de Brad Pitt, Gary Oldman, Viola Davis, entre outros.  Uma diferente e interessante abordagem surgiu em 2005, quando uma reedição humorística do trailer de “O Iluminado” (1977) virou hit no youtube.

“O Iluminado” (1977) Recut:

O vídeo foi criado para um concurso da AICE (Association of Independent Creative Editors), e acabou gerando uma febre entre os editores profissionais e amadores. Trailers apresentando diferentes temáticas para filmes clássicos, como a trilogia de “De Volta para o Futuro” (1985, 1989 e 1990), “Exterminador do Futuro” (1984) e “Mary Poppins” (1964), foram feitos. Para encontrá-los basta procurar por trailer+recut no youtube.

Veja abaixo os cartazes de Peter Stults e alguns de Sean Hartter:

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Pôster retrô de Peter Stults

Filmes clássicos ganham versão retrô em brincadeiras da internet

Feira de arte online acontece esta semana com galerias do mundo todo

“New Ads for São Paulo”, de Franz Ackermann representado pela Galeria Fortes Vilaça ©Reprodução

Começa nesta sexta (03.02) e vai até quarta-feira (08.02) a segunda edição da VIP Art Fair, feira de arte online que reúne galerias de todo o mundo em um único site. Lá, podemos encontrar representadas galerias de arte e  exposições internacionalmente reconhecidas como, por exemplo, a mostra do polêmico Damien Hirst, “The complete Spot Paintings 1986-2011”, presente na Galeria Gagosian.

“Lanatoside B”, de Damien Hirst, na Galeria Gagosian ©Reprodução

O Brasil está representado por oito galerias (Luisa Strina, Raquel Arnaud, Fortes Vilaça, Millan, Gentil Carioca, Nara Roesler, Casa Triângulo e Mendes Wood) e por nomes como Franz Ackerman, Tunga e Laura Lima, com a série de transformações de cadeiras de design renomado em cadeiras de rodas.

Adaptação da cadeira “Paulistano”, do  arquiteto brasileiro Paulo Mendes da Rocha, por Laura Lima, representada pela Galeria Gentil Carioca ©Reprodução

A curadoria das várias galerias presentes ficou a cargo de James e Jane Cohan da galeria James Cohan Gallery, presente em Nova York e em Shangai. O site, depois do registo online, permite ver todos os quadros das exposições, com a opção de avaliar o tamanho da peça colocando-o ao lado do perfil de uma pessoa, conversar em um chat com a galeria responsável por cada peça e ainda assistir a performances livestream e previews.

Com a digitalização do mundo moderno, é natural que a internet se torne cada vez mais vitrine e instrumento de compra. Já tínhamos visto esta tendência na música e agora vemos também nas artes plásticas. Lembramos que Catrin Davies, editora sênior de Artes e Viagens do portal WGSN, em conversa com o FFW durante o Fashion Rio Inverno 2012, já se tinha referido ao fato de a internet ser uma plataforma importante como divulgação de um artista ou de uma galeria.

Exemplo de uma das páginas do site ©Reprodução

Feira de arte online acontece esta semana com galerias do mundo todo

40 anos de Ziggy Stardust: como David Bowie mudou o mundo

©Romeu Silveira

Em junho de 1972, com o lançamento do álbum conceitual “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”, David Bowie conquistou o que poucos artistas conseguiram ao longo da história: criar canções e uma estética que revolucionaram o mundo e, 40 anos depois, continuam influenciando universos culturais tão abrangentes quanto a música e a moda.

Apesar de que até 1971 já tivesse lançado quatro discos bem-sucedidos, foi com o personagem “Ziggy Stardust” que David Bowie, nome artístico de David Robert Jones, atingiu o cerne da cultura jovem e desafiou as barreiras da sexualidade ao fabricar para si uma imagem cheia de androginia, que veio a se tornar símbolo da geração glam rock. “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” traz a história de um alienígena, encarnado pelo cantor inglês, que vem à Terra com o intuito de passar uma mensagem de esperança nos últimos cinco anos de existência do planeta, que iria acabar devido à falta de recursos naturais.

Ziggy Stardust ©Reprodução

Ziggy Stardust é a epítome da caricatura do rock star: promíscuo, egocêntrico, usuário de drogas e portador da paz. Acompanhado de Mick Ronson, Trevor Bolder e Mick Woodmansey, que constituíam as “Spiders from Mars”, David Bowie deu vida a verdadeiros espetáculos teatrais em seus concertos, tão impactantes e exaustivos que segundo o cantor converteu-se em uma necessidade íntima dissociar a persona de Ziggy de sua própria: em um curtíssimo período de tempo, o alter ego alcançou uma fama tão gigantesca que levou David Bowie a um vicioso ciclo de questionamentos.

A última performance de David Bowie como Ziggy Stardust aconteceu em três de julho de 1973 em Londres (e foi documentada em um filme de D.A. Pennebaker), no entanto, a figura do extraterrestre messiânico é até hoje referência: só nos últimos meses, as edições francesa e alemã da “Vogue” trouxeram em suas páginas (e, no caso da primeira, também na capa) Kate Moss e Daphne Guinness com perucas vermelhas e maquiagens poderosas em clara homenagem à personagem, isto sem contar as matérias em revistas especializadas em música, como a “Rolling Stone”, que estampou Bowie, ou melhor, Ziggy, em sua capa de fevereiro.

As onze canções presentes em “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” também se propagaram no tempo: a quantidade de covers de músicas como “Suffragette City”, “Starman” e “Moonage Daydream” é incontável. Nomes como Mr. Big, Alice In Chains, Boy George, Duran Duran, Red Hot Chilli Peppers e Guns n’ Roses já regravaram temas do álbum, além das versões nacionais na voz de Seu Jorge. No cinema, a herança do glam rock de David Bowie inspirou o filme britânico “Velvet Goldmine” (que, aliás, é o nome de uma música do cantor escrita na “era Ziggy Stardust”, mas só lançada em 1975).

Ziggy Stardust revisitado: Kate Moss e Daphne Guinness na pele do extraterrestre ©Reprodução

Capa da “Rolling Stone” de fevereiro de 2012 e Karolina Kurkova como Ziggy Stardust em editorial da “Viva! Moda” ©Reprodução

O “fim” de Ziggy Stardust em 1973 não é, porém, sinônimo do término de sua “carreira” como trendsetter: no mesmo ano, David Bowie lançou “Aladdin Sane” – o raio no rosto do cantor virou outro ícone da cultura ocidental, copiado por músicos e editores de moda – e, em 1976, “Station to Station”, onde Bowie deu vida ao Thin White Duke, nova persona inspirada no papel protagonizado pelo inglês no filme “The Man Who Fell to Earth”. Entre alter egos esquizofrênicos e 23 discos geniais, 40 anos são pouco para definir a extensão dessa obra e de como David Bowie mudou o mundo com glitter, e muita poesia.

40 anos de Ziggy Stardust: como David Bowie mudou o mundo

A Vila Madalena recebe exposições de moda da Mostra SP de Fotografia

Uma das fotos que vai estar exposta na loja da Fernanda Yamamoto na Vila Madalena, do desfile de Gloria Coelho durante o SPFW Inverno 2011 ©Agência Fotosite

A Jameson, marca de whisky irlandês vendida no Brasil, vai patrocinar pela primeira vez a Mostra SP de Fotografia, projeto anual que acontece na Vila Madalena dentro das comemorações do aniversário da cidade, entre os dias 25 de janeiro e 19 de fevereiro, em diversos pontos do bairro.

A Mostra SP de Fotografia, que conta também com o patrocínio da Canon, abrange várias áreas culturais, tais como moda, arquitetura, arte e fotojornalismo, e além das imagens espalhadas por lojas e galerias da Vila Madalena, vai  contar ainda com ações promocionais da Canon. Você pode acompanhar a programação no blog criado especificamente para a mostra.

A Aspicuelta, rua de lojas como Fernanda Yamamoto e Ronaldo Fraga, vai abrigar as exposições sobre moda. São elas: a exposição inédita do primeiro portfólio do fotógrafo de moda brasileiro Otto Stupakoff, cedidas pelo Instituto Moreira Salles, com imagens feitas entre 1955 e 1964 e que estarão expostas no Espaço Canon; as fotos de Paulo Vainer, que vão estar na loja do Ronaldo Fraga, reunidas em um caderno de polaroides que ilustram alguns dos seus ensaios; e a agência Fotosite, que vai apresentar algumas das suas fotos de “primeira fila” do São Paulo Fashion Week, um dos maiores eventos de moda da América Latina — as imagens terão uma visão mais romântica e artística do evento e estarão expostas na loja da estilista Fernanda Yamamoto.

Se você ainda não conhece, aproveite para dar um passeio pela Vila, visitar as exposições e se deliciar em um dos bairros mais modernos de São Paulo.

Onde:

Otto Stupakoff – Espaço Canon na R. Aspicuelta, 305. Segunda a sexta das 10h às 19h.

Paulo Vainer – Ronaldo Fraga (loja) na R. Aspicuelta, 259. Segunda a sexta das 10h às 19h; sábado das 10h às 16h.

Agência Fotosite – Fernanda Yamamoto (loja) na R. Aspicuelta, 441. Segunda a sexta, das 10h às 19h; sábados das 11h às 17h.

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©Agência Fotosite

Backstage da Amapô durante o SPFW Inverno 2011

A Vila Madalena recebe exposições de moda da Mostra SP de Fotografia

Oscar 2012: saiba tudo sobre os concorrentes a Melhor Figurino

@FFW

A maior – e mais famosa – premiação da indústria cinematográfica, o Oscar, acontece dia 26 de fevereiro nos Estados Unidos. Como aquecimento, o FFW destrincha os cinco filmes indicados a uma das categorias mais fascinantes do cinema: o figurino. Como habitual, os filmes de época prevalecem como destaques, mas este ano abrangem períodos bem distintos: da Inglaterra de Elizabeth I (século XVI) à Paris da década de 1930, passando pela Hollywood de 1920.

“ANONYMOUS”

“Anonymous”, 2011 ©Reprodução

“Anonymous”, 2011 ©Reprodução

O filme britânico “Anonymous” se passa na Inglaterra do século XVI e especula a verdadeira história de William Shakespeare. Em uma época dominada por intrigas políticas e romances ilegais, o longa-metragem dirigido por Roland Emmerich foca nas personagens masculinas. Em consequência, o figurino, desenvolvido por Lisy Christl, é repleto de indumentárias de cores escuras e terrosas, com direito a espartilhos, gibões, braguilhas, rufos e chapéus, além da inclusão de elementos tipicamente militares em algumas cenas. A Rainha Elizabeth I, único destaque feminino de “Anonymous”, é a responsável pelas roupas mais ornamentadas e em tons mais coloridos.

“JANE EYRE”

“Jane Eyre”, 2011 ©Reprodução

“Jane Eyre”, 2011 ©Reprodução

Escrito por Charlotte Brontë em 1847, “Jane Eyre” tornou-se um clássico da literatura inglesa e, como todas as obras literárias que se propagam no tempo e se transformam em “clássicos”, ganhou inúmeras adaptações para o cinema e televisão. Nesta versão de 2011, produzida pela rede britânica BBC e dirigida por Cary Fukunaga, o figurino da história da órfã que é rejeitada pela tia, vai viver em um colégio interno, converte-se em preceptora e depois em rica herdeira reflete todas as fases por que passa a jovem Jane: os vestidos escuros e em tecidos rústicos dão lugar, no final, a cores claras e leves, como a própria alma da protagonista. Michael O’Connor, o responsável pelo figurino do longa-metragem, é velho conhecido da Academia – ganhou o Oscar em 2008 na categoria por “A Duquesa”.

“O ARTISTA”

“O Artista”, 2011 ©Reprodução

“O Artista”, 2011 ©Reprodução

Pode parecer brincadeira, mas o filme sensação do ano é francês, preto e branco e mudo. Em “O Artista”, do diretor e roteirista Michel Hazanavicius, o glamour e a magia dos anos 1920 são capturados por meio da história de George Valentin (Jean Dujardin), astro do cinema mudo que cai no ostracismo com o surgimento das películas faladas, e Peppy Miller (Bérénice Bejo), aspirante à estrela. O figurino primoroso, desenvolvido pelo americano Mark Bridges, tem nos smokings, cartolas, vestidos de melindrosa e chapéus cloche os grandes destaques – uma pena que não possamos ver esses últimos em cores, mas faz parte do charme da produção.

“A INVENÇÃO DE HUGO CABRET”

“Hugo”, 2011 ©Reprodução

“Hugo”, 2011 ©Reprodução

Ambientado na Paris dos anos 1930, “A Invenção de Hugo Cabret”, dirigido por Martin Scorsese, conta a história de um garoto de 12 anos que perde o pai em um incêndio e passa a viver com o tio, relojoeiro que trabalha na estação ferroviária de Montparnasse mantendo os relógios sempre intactos. Após o desaparecimento do tio, Hugo tem que viver sozinho entre os muros da estação, mantendo os relógios, roubando comida e tentando finalizar o projeto que seu pai deixou antes de morrer: um robô autômato. O figurino do filme ficou a cargo da inglesa Sandy Powell, já indicada ao Oscar dez vezes na categoria (e vencedora de três: em 2009 por “A Jovem Rainha Victoria”, em 2004 por “O Aviador” e em 1998 por “Shakespeare Apaixonado”).

“W.E. – O ROMANCE DO SÉCULO”

“W.E.”, 2011 @Reprodução

“W.E.”, 2011 @Reprodução

O segundo filme de Madonna como diretora traz a trajetória real do Rei Edward VIII, que no final da década de 1930 abdicou do trono inglês para casar com a socialite americana (e divorciada duas vezes) Wallis Simpson. Paralelamente, é narrada a história ficcional de Wally Winthrop (Abbie Cornish) que, em 1998, é fascinada pelo amor de Wallis e Edward e busca conhecer a fundo os fatos do que considera como “o romance do século”. O figurino de “W.E.”, extremamente bem feito, foi elaborado por Arianne Phillips, stylist de Madonna há mais de uma década. A personagem de Wallis Simpson, vivida por Andrea Riseborough, ganhou um “guarda-roupa” de mais de 80 vestidos, entre os quais vários de marcas como Balenciaga, Christian Dior, John Galliano, Vionnet e Issa, além de joias Pierre Cartier e chapéus Stephen Jones (o figurino, aliás, fez tanto sucesso que ganhou um editorial na “Vanity Fair” americana).

+ Confira os indicados em outras categorias do Oscar 2012

Oscar 2012: saiba tudo sobre os concorrentes a Melhor Figurino

“Don’t Think”: filme do Chemical Brothers terá exibição única em vários países

Imagem do show que deu origem ao video “Don’t Think” ©Reprodução

Em 2011, quando o Chemical Brothers tocou para 50 mil fãs no Fuji Rock Festival, no Japão, ninguém imaginou que as imagens das mais de 20 câmeras que filmavam o show de performance, luz e  som fossem produzir um vídeo de 85 minutos que será exibido uma única vez, em 20 países do mundo, entre os dias 1° e 4 de fevereiro. Na direção do filme, resultado da primeira vez que um show da dupla é documentado na íntegra, está Adam Smith, responsável também por todo o audiovisual que complementa as apresentações do Chemical Brother.

Para quem for assistir ao resultado do trabalho, a dupla inglesa de DJs Tom Rowlands e Ed Simons (ou Chemical Ed e Chemical Tom) dá um conselho tão bom que virou o nome do filme: “Don’t think.” (“Não pense”). Para quem nunca esteve presente em um show do Chemical Brothers, acredite, este é sem dúvida um bom conselho. Relaxe a mente, esqueça suas preocupações e se prepare para um espetáculo que promete despertar os seus sentidos com uma energia contagiante.

No Brasil, a exibição está marcada para as 23h59 da sexta-fera (03.02) em salas de cinema de Fortaleza, São Paulo, Curitiba, Salvador, Rio de Janeiro e Recife; avaliando pelo trailer, o filme deve ser um bom animador para a balada.

Para a sua divulgação, “Don’t Think” conta com página de Facebook, site oficial com imagens e vídeos para download, e atualizações no Twitter pela hashtag #dontthinkmovie, para ir despertando a curiosidade.

Como se o trailer não fosse suficiente:

Os ingressos podem ser comprados aqui.

“Don’t Think”: filme do Chemical Brothers terá exibição única em vários países

Surrealismo pop de Mark Ryden é reunido em novo livro-desejo da Taschen

©Divulgação

Belo, sombrio, inocente, kitch, perturbador, fofo, surreal. É impossível descrever o trabalho de Mark Ryden com apenas um destes adjetivos, e é exatamente isso o que torna a sua obra tão instigante. Afinal, suas meninas de grandes olhos redondos podem até estar posando em cenários rosa-bebê (uma das cores mais utilizadas pelo ilustrador, a propósito), mas justaposto à delicadeza do traço e dos tons pastel, há sempre um toque de subversão — mesmo que ele não seja imediatamente identificável.

No universo do “Surrealismo Pop” de Mark Ryden, crianças se misturam a bichinhos peludos, pedaços de carne, símbolos religiosos, abelhas… até ao ex-presidente dos EUA, Abraham Lincoln, figura recorrente em suas obras. Para quem quiser conhecer mais do trabalho do artista – ou para quem já é fã –, “Pinxit”, livro recém-lançado pela editora Taschen, compila quase 20 anos de sua carreira em 366 páginas organizadas pelos temas de suas principais exposições, como “The Meat Show”, “Bunnies & Bees” e “The Tree Show”. Algumas da páginas são foldouts que, quando abertas, medem 150 cm!

“Pinxit” foi publicado em duas versões: a edição de colecionador, em tiragem de mil cópias assinadas por Mark Ryden; e a edição de Arte, em tiragem de apenas 50 cópias, com um print original em silk screen. Vale dizer que esta versão, que custava seis mil dólares, já está esgotada no site da Taschen.

A edição de colecionador de “Pinxit” pode ser comprada por mil dólares pelo site da Taschen (que, infelizmente, não entrega no Brasil). Veja abaixo a capa e algumas páginas da obra:

©Divulgação

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Surrealismo pop de Mark Ryden é reunido em novo livro-desejo da Taschen

Jack White libera na internet o primeiro single de seu primeiro álbum solo

Jack White ©Reprodução

Quase um ano depois de ser oficialmente anunciado o fim do White Stripes, Jack White publicou na tarde desta segunda-feira (30.01) o primeiro single de seu primeiro álbum solo, “Blunderbuss”, que tem lançamento previsto para 24 de abril. A nova música, chamada “Love Interruption”, é uma balada envolvente com muitas notas de teclado e acordes de guitarra acústica, além da divisão dos vocais entre Jack e uma cantora até agora não identificada.

Apesar de mais conhecido por seu trabalho como vocalista e guitarrista do White Stripes, o cantor americano já mostrou sua flexibilidade musical ao formar os supergrupos The Raconteurs, com Brendan Benson, Jack Lawrence e Patrick Keeler, e The Dead Weather, com Alison Mosshart, do The Kills. Jack White, que é dono da gravadora Third Man Records, também participou das trilhas sonoras dos filmes “Cold Mountain” e “Quantum of Solace” (da franquia britânica James Bond), produziu trabalhos da cantora country Loretta Lynn e da dupla de hip-hop Insane Clown e, mais recentemente, o primeiro disco de sua ex-mulher, Karen Elson.

Ouça “Love Interruption”, primeiro single do álbum “Blunderbuss”:

O single “Love Interruption” pode ser encomendado no site oficial de Jack White, mas só estará disponível a partir do dia 7 de fevereiro, em formato vinil e com um B-side chamado “Machine Gun Silhouette”. Para os fãs mais ansiosos, a versão digital da canção pode ser comprada a partir da madrugada desta sexta-feira (03.02) (3h, no horário de Brasília).

Jack White libera na internet o primeiro single de seu primeiro álbum solo

Projeto fotográfico sobre o amor “embala” casais a vácuo

Suzu&Miki, 2011 ©Reprodução

A expressão de ideias e sentimentos é o que torna a arte tão poderosa. As telas podem ser destruídas, os livros queimados e as fotografias rasgadas, mas o conceito por trás deles é capaz de permanecer e se disseminar ao longo dos anos. Esse raciocínio foi o ponto de partida para que um japonês, autodenominado “Photographer Hal”, iniciasse a série “Flesh Love”, onde busca capturar a essência do amor por meio de casais embalados a vácuo.

Hal, que cresceu e reside em Tóquio, começou a fotografar após uma viagem pela Índia e Oriente Médio: “A câmera se tornou a chave para superar a timidez e a limitação da linguagem local”, conta em seu website. Ao voltar para o Japão, ele adotou a fotografia como sua profissão e, através das lentes, passou a capturar o amor em imagens. A busca do artista, no entanto, não se reduz apenas à representação óbvia do sentimento romântico.

Anie&Uesugi, 2011 ©Reprodução

A partir do impacto das imagens, Hal pretende questionar problemas tão antigos quanto o próprio homem: “De duas pessoas a um grupo, de uma vila a uma comunidade, de uma cidade a um país, de fronteira a fronteira, o anel do amor deve prevalecer. Eu comecei a criar o meu [anel do amor] na cidade de Tóquio, acreditando que um dia um mundo pacífico e sem segregação e discriminação se tornará real”. A intenção do japonês pode não parecer explícita, mas suas fotografias trazem sensações que variam da admiração à agonia: os casais, escolhidos por Hal pelas ruas de Tóquio, se misturam de modo tão intenso que dão a impressão de se transformar em um único ser.

O desconforto causado pelos casais lacrados é quebrado com o uso de cores no plano de fundo ou nas próprias roupas dos protagonistas das fotografias, que em sua maioria parecem ter saído dos clássicos desenhos japoneses ou, no mínimo, do famoso bairro Harajuku. A poesia da série vai além das próprias imagens já que Hal retrata uma verdadeira democracia do afeto, sem distinções de etnia ou sexualidade.

Hal

©Reprodução

Lim&Kyohei, 2011

Projeto fotográfico sobre o amor “embala” casais a vácuo

Para pensar e inspirar: a relação intrínseca entre moda e arte

Wheatfields off Woldgate, 2006 ©David Hockney/Reprodução

A moda, desde os seus “primórdios”, sempre teve uma relação muito próxima às artes plásticas. Através do impacto visual – e, em alguns casos, emocional –, pinturas e fotografias podem dar vida a cartelas de cores que variam do pastel ao chocante, como visto em coleções de Primavera/Verão 2012 da Semana de Moda de Londres, com ênfase nas criações dos estilistas Jonathan Saunders, Erdem MoraliogluMary Katrantzou e Basso & Brooke. Combinados à tecnologia têxtil 3D e a estampas inebriantes, estes tons doces, quase hiperglicêmicos, ajudaram a definir o que será usado – e desejado – na próxima estação internacional.

Looks de Primavera/Verão 2012 de Jonathan Saunders ©Reprodução

Looks de Primavera/Verão 2012 da Erdem ©Reprodução

Looks de Primavera/Verão 2012 de Mary Katrantzou ©Reprodução

Alexander McQueen, o provável precursor desta “tendência” multidimensional com sua última coleção, Platos Atlantis, desfilada em outubro de 2009, elevou as estampas, em especial as digitais, à vanguarda da moda. Se nessa área a tecnologia multimídia começou a ser usada há pouco, em outros territórios da cultura, como na música, no cinema e nas próprias artes plásticas, tal movimento se encontra já estabelecido. O direcionamento “moda se espelha na arte” parece natural, já que atualmente o espectador não quer mais apenas visualizar uma obra, quer ter todos os seus sentidos contemplados.

Em alusão à cartela de cores e às estampas 3D que pretendem reinar na temporada de Primavera/Verão 2012, as obras dos artistas britânicos David Hockney e Gary Hume parecem brilhar no escuro. Se usados como referenciais, as pinturas de Hockney e Hume ajudam a compreender o fascínio e a necessidade da sociedade contemporânea, chamada pelo filósofo contemporâneo francês Gilles Lipovestky de “Hipermoderna”, de preencher todos os vazios, inclusive os não-táteis, verdadeiramente existenciais.

May Blossom on the Roman Road, 2009 ©David Hockney/Reprodução

O pintor inglês David Hockney, de 74 anos, começou a experimentar técnicas de trompe-l’œil muito antes de James Cameron lançar o seu “Avatar” ou do movimento dos “Jovens Artistas Britânicos” (“Young British Artists”) ser iniciado em 1988 e virar “moda”. Convidado pela Royal Academy of Arts de Londres a apresentar as telas desenvolvidas a partir da paisagem de sua terra natal, Yorkshire, o pintor ganhou uma exposição multimídia em que, além dos quadros, é possível encontrar os desenhos de Hockney feitos em iPads e uma série de vídeos produzidos com 18 câmeras que, exibidos em diferentes telas, proporcionam uma viagem através dos olhos do artista.

Ao contemplarmos as pinturas de Hockney, as cores e as formas se destacam e quase é possível sentir o ar fresco e a textura da grama verde. Já Gary Hume, que ganhou uma mostra chamada “The Indifferent Owl”, na galeria londrina White Cube, trabalha com formas mais abstratas, mas que por meio do uso pontual dos tons opacos e do alumínio parecem saltar da tela. Hume, inclusive, já colaborou com a designer espanhola Consuelo Castiglioni ao criar estampas de camisetas para a grife italiana Marni.

Paradise Painting e Horizon, ambas de 2011 ©Gary Hume/Reprodução

As cores escolhidas por Jonathan Saunders e Erdem Moralioglu para vestir as mulheres na Primavera/Verão 2012 parecem se encaixar perfeitamente à obra de Gary Hume, enquanto Mary Katrantzou fez jus a sua origem grega e captou a vivacidade encontrada nas pinturas de David Hockney. A conexão entre as tendências sugeridas nas passarelas e as obras de determinados artistas pode ser meramente subjetiva; no entanto, o uso de tonalidades específicas e, principalmente, de tecnologia têxtil e de estamparia trompe-l’œil é um fato objetivo.

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©David Hockney/Reprodução

More Felled Trees on Woldgate, 2008

Para pensar e inspirar: a relação intrínseca entre moda e arte