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Oscar 2012: saiba tudo sobre os concorrentes a Melhor Figurino

@FFW

A maior – e mais famosa – premiação da indústria cinematográfica, o Oscar, acontece dia 26 de fevereiro nos Estados Unidos. Como aquecimento, o FFW destrincha os cinco filmes indicados a uma das categorias mais fascinantes do cinema: o figurino. Como habitual, os filmes de época prevalecem como destaques, mas este ano abrangem períodos bem distintos: da Inglaterra de Elizabeth I (século XVI) à Paris da década de 1930, passando pela Hollywood de 1920.

“ANONYMOUS”

“Anonymous”, 2011 ©Reprodução

“Anonymous”, 2011 ©Reprodução

O filme britânico “Anonymous” se passa na Inglaterra do século XVI e especula a verdadeira história de William Shakespeare. Em uma época dominada por intrigas políticas e romances ilegais, o longa-metragem dirigido por Roland Emmerich foca nas personagens masculinas. Em consequência, o figurino, desenvolvido por Lisy Christl, é repleto de indumentárias de cores escuras e terrosas, com direito a espartilhos, gibões, braguilhas, rufos e chapéus, além da inclusão de elementos tipicamente militares em algumas cenas. A Rainha Elizabeth I, único destaque feminino de “Anonymous”, é a responsável pelas roupas mais ornamentadas e em tons mais coloridos.

“JANE EYRE”

“Jane Eyre”, 2011 ©Reprodução

“Jane Eyre”, 2011 ©Reprodução

Escrito por Charlotte Brontë em 1847, “Jane Eyre” tornou-se um clássico da literatura inglesa e, como todas as obras literárias que se propagam no tempo e se transformam em “clássicos”, ganhou inúmeras adaptações para o cinema e televisão. Nesta versão de 2011, produzida pela rede britânica BBC e dirigida por Cary Fukunaga, o figurino da história da órfã que é rejeitada pela tia, vai viver em um colégio interno, converte-se em preceptora e depois em rica herdeira reflete todas as fases por que passa a jovem Jane: os vestidos escuros e em tecidos rústicos dão lugar, no final, a cores claras e leves, como a própria alma da protagonista. Michael O’Connor, o responsável pelo figurino do longa-metragem, é velho conhecido da Academia – ganhou o Oscar em 2008 na categoria por “A Duquesa”.

“O ARTISTA”

“O Artista”, 2011 ©Reprodução

“O Artista”, 2011 ©Reprodução

Pode parecer brincadeira, mas o filme sensação do ano é francês, preto e branco e mudo. Em “O Artista”, do diretor e roteirista Michel Hazanavicius, o glamour e a magia dos anos 1920 são capturados por meio da história de George Valentin (Jean Dujardin), astro do cinema mudo que cai no ostracismo com o surgimento das películas faladas, e Peppy Miller (Bérénice Bejo), aspirante à estrela. O figurino primoroso, desenvolvido pelo americano Mark Bridges, tem nos smokings, cartolas, vestidos de melindrosa e chapéus cloche os grandes destaques – uma pena que não possamos ver esses últimos em cores, mas faz parte do charme da produção.

“A INVENÇÃO DE HUGO CABRET”

“Hugo”, 2011 ©Reprodução

“Hugo”, 2011 ©Reprodução

Ambientado na Paris dos anos 1930, “A Invenção de Hugo Cabret”, dirigido por Martin Scorsese, conta a história de um garoto de 12 anos que perde o pai em um incêndio e passa a viver com o tio, relojoeiro que trabalha na estação ferroviária de Montparnasse mantendo os relógios sempre intactos. Após o desaparecimento do tio, Hugo tem que viver sozinho entre os muros da estação, mantendo os relógios, roubando comida e tentando finalizar o projeto que seu pai deixou antes de morrer: um robô autômato. O figurino do filme ficou a cargo da inglesa Sandy Powell, já indicada ao Oscar dez vezes na categoria (e vencedora de três: em 2009 por “A Jovem Rainha Victoria”, em 2004 por “O Aviador” e em 1998 por “Shakespeare Apaixonado”).

“W.E. – O ROMANCE DO SÉCULO”

“W.E.”, 2011 @Reprodução

“W.E.”, 2011 @Reprodução

O segundo filme de Madonna como diretora traz a trajetória real do Rei Edward VIII, que no final da década de 1930 abdicou do trono inglês para casar com a socialite americana (e divorciada duas vezes) Wallis Simpson. Paralelamente, é narrada a história ficcional de Wally Winthrop (Abbie Cornish) que, em 1998, é fascinada pelo amor de Wallis e Edward e busca conhecer a fundo os fatos do que considera como “o romance do século”. O figurino de “W.E.”, extremamente bem feito, foi elaborado por Arianne Phillips, stylist de Madonna há mais de uma década. A personagem de Wallis Simpson, vivida por Andrea Riseborough, ganhou um “guarda-roupa” de mais de 80 vestidos, entre os quais vários de marcas como Balenciaga, Christian Dior, John Galliano, Vionnet e Issa, além de joias Pierre Cartier e chapéus Stephen Jones (o figurino, aliás, fez tanto sucesso que ganhou um editorial na “Vanity Fair” americana).

+ Confira os indicados em outras categorias do Oscar 2012

Oscar 2012: saiba tudo sobre os concorrentes a Melhor Figurino

Herói do grunge: tudo sobre Mark Lanegan, que toca em SP em abril

Mark Lanegan ©Steve Gullick/Reprodução

Dos tempos áureos do grunge, não restaram muito mais que as lembranças e a bagagem repleta de canções e parcerias musicais bem sucedidas. No entanto, Mark Lanegan, conhecido por ter sido o vocalista da “falecida” banda Screaming Trees, é dono de uma carreira solo de qualidade incontestável. E é como parte da divulgação de seu novo álbum – o poético e melancólico “Funeral Blues” (2012) – que o cantor vem ao Brasil em abril apresentar-se no Cine Joia, em São Paulo.

Lanegan é um verdadeiro sobrevivente do movimento grunge que emergiu de Seattle nos anos 1990 para dominar o mundo. Ao contrário de muitos de seus contemporâneos que continuam até hoje à frente das bandas que os alçaram à fama (Eddie Vedder, Scott Weiland, Mark Arm), o barítono de voz rouca nascido em Ellensburg, pequena cidade do estado de Washington, optou por seguir com seu trabalho autoral que, ao longo de mais de 20 anos de carreira, se desdobra em sete álbuns solo, três ao lado de Isobel Campbell (ex-Belle & Sebastian) e um em conjunto com Greg Dulli (ex-The Afghan Whigs), além das colaborações com o Queens of the Stone Age, Mad Season, Soulsavers, só para citar algumas.

“Nearly Lost You” – Screaming Trees:

“Shadow Of The Season” – Screaming Trees:

“Dollar Bill” – Screaming Trees:

A carreira musical de Lanegan teve início em 1985 ao formar o Screaming Trees – ao lado de Gary Lee Conner, Van Conner e Mark Pickerel. A banda lançou sete álbuns relativamente bem sucedidos (com destaque para “Sweet Oblivion”, de 1992, que em virtude dos singles “Dollar Bill” e “Nearly Lost You” foi o disco de maior êxito comercial do ST), mas apesar de ser considerada uma das mais promissoras da cena grunge, nunca atingiu o sucesso comercial do poderoso quarteto de Seattle composto por Alice in Chains, Nirvana, Pearl Jam e Soundgarden. Em 1991, “The Winding Sheet”, primeiro trabalho solo de Lanegan, foi lançado pelo selo Sub Pop, conhecido por abrigar o Nirvana e o Soundgarden em seus tempos de iniciantes.

Em 1995, já com seu segundo álbum solo (“Whiskey for the Holy Ghost”) disponibilizado, Lanegan colaborou com algumas faixas do disco “Above”, do “super grupo” Mad Season, projeto de Layne Staley (Alice in Chains), Mike McCready (Pearl Jam), John Baker Saunders (The Walkabouts) e Barret Martin. O Screaming Trees passava por um período de hiato e desde 1992 não gravava algo novo; em 1996, no entanto, lançou “Dust”, que viria a tornar-se a última compilação da banda, que pôs fim às suas atividades em 2000.

“Long Gone Day” – Mad Season:

Logo em seguida ao término do Screaming Trees, Lanegan – já com quatro álbuns solo – passou a colaborar com o Queens of the Stone Age. Sua primeira “aparição” na banda de Josh Homme foi no disco “Rated R”, de 2000, onde cantou as músicas “In the Fade”, “Leg of Lamb”, “Autopilot” e “I Think I Lost My Headache”. Após o lançamento de seu quinto projeto individual em 2001, “Field Songs”, o americano uniu-se em caráter permanente (até 2005) ao QOTSA, inclusive participando dos shows e turnês mundiais.

“In the Fade” – Queens of the Stone Age:

“I Think I Lost My Headache” – Queens of the Stone Age:

Lanegan, com sua voz poderosamente rouca, parece não conseguir manter-se parado: em 2004, mesmo fazendo parte full-time do QOTSA, encontrou tempo para compor “Bubblegum”, sexto álbum solo. Neste mesmo período, o multi talentoso artista iniciou uma parceria com Isobel Campbell, ex-vocalista e violoncelista da banda escocesa Belle & Sebastian. Juntamente com Isobel, Lanegan gravou três álbuns: “Ballad of the Broken Seas”, de 2006, “Sunday at Devil Dirt”, de 2008 e, mais recentemente em 2010, “Hawk”. A colaboração recebeu muitos elogios da crítica e até uma indicação, em 2006, ao Mercury Prize.

“Come On Over (Turn Me On)” - Mark Lanegan & Isobel Campbell:

“Revolver” - Mark Lanegan & Isobel Campbell:

Capas dos seis primeiros álbuns solo de Mark Lanegan ©Reprodução

Em 2008, a parceria iniciada com Greg Dulli (ex-Afghan Whigs e atual Twilight Sisters) há mais de cinco anos finalmente rendeu um álbum: “Saturnalia”. Sob o nome de The Gutter Twins, os músicos vieram ao Brasil em julho de 2009 para se apresentar nos palcos do Bourbon Street Music. Além dos trabalhos intimistas com Dulli e Isobel Campbell, Lanegan ainda empreendeu (após o fim do Screaming Trees) colaborações com os britânicos do Soulsavers e do UNKLE.

“The Gravedigger’s Song” - Mark Lanegan Band:

Apesar de tantas boas colaborações, a carreira solo de Lanegan andava meio “estacionada” até o lançamento, em fevereiro deste ano, de “Funeral Blues”. O álbum, que teve Josh Homme (Queens of the Stone Age), Alain Johannes e Martyn LeNoble como contribuidores, mantém o espírito soturno e intimista dos trabalhos pós-Screaming Trees de Lanegan e pode ser considerado uma verdadeira pérola musical. O cantor vem pela terceira vez ao Brasil – além da vinda ao lado de Greg Dulli em 2009, ele veio em 2010 para participar do festival Popload Gig, e, no palco do Cine Joia, vai com certeza emocionar os presentes com sua voz dolorida e suas canções embriagadoras.

“Methamphetamine Blues” - Mark Lanegan:

Capa de “Blues Funeral”, 2012 ©Reprodução

Mark Lanegan @ Cine Joia
Praça Carlos Gomes, 82
Liberdade, São Paulo – SP
Dia: 14 de abril
+ Cine Joia 

Herói do grunge: tudo sobre Mark Lanegan, que toca em SP em abril

Prepare suas rosas: Morrissey volta ao Brasil para três shows

O carismático Morrissey ©Reprodução

Em março deste ano, em três shows em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, sobe aos palcos Morrissey, o mítico líder do The Smiths, uma das bandas mais idolatradas do cenário britânico dos anos 80.

O The Smiths foi fundado em 1982, quando Steven Patrick Morrissey e Johnny Marr, acompanhados por Andy Rourke no baixo e Mike Joyce na bateria, constituíram a base da banda que seria trilha sonora de uma geração inteira. Em bandas como James (que abriu os shows da banda na turnê de 85), The Stone Roses e mais recentemente Oasis e Blur, a inspiração do The Smiths está presente em acordes de sua música, entre outros inúmeros grupos que tem os Smiths como uma de suas principais influências.

The Smiths em 1984 ©Reprodução

O nome foi escolhido por Morrissey, “porque era um nome comum e este é o tempo em que pessoas comuns do mundo mostram seus rostos”, como o mesmo afirmou ao jornal de música da época “Melody Maker”. Marr e Morrissey trabalhavam em conjunto sendo que Morrissey era responsável pelas letras e pelas melodias vocais, e Marr tratava dos arranjos musicais, sempre sem sintetizadores, mantendo vivo o som puro do rock melodramático que produziam.  É famosa a música “Panic”, em que ele canta, em um protesto à música eletrônica o refrão: “Burn down the disco, Hang the blessed DJ, Because the music that they constantly play
its says nothing to me about my life”. Entre 1984 e 1987, com quatro discos lançados, o The Smiths foi presença constante entre os 10 primeiros lugares dos charts do Reino Unido. A separação da banda aconteceu em 1987 devido, dizem por aí, ao crescente número de desentendimentos entre Morrissey e Marr.

Capa de “Viva Hate”, disco que Morrissey lançou após a separação do The Smiths ©Reprodução

Seis meses depois, Morrissey lançou o seu primeiro disco solo intitulado “Viva Hate”, uma metáfora do ódio que o cantor sentia pelo fim da banda. Os seus dois singles “Suedehead” e “Everyday is like Sunday” catapultaram o seu disco de estreia para os primeiros lugares do ranking de hits britânicos, comprovando mais uma vez a maestria musical do cantor. Em 1992, Morrissey voltou a surpreender produzindo juntamente com Mick Ronson, guitarrista de David Bowie, o álbum “The Arsenal”, que lhe valeu o Grammy para Melhor Álbum Alternativo, com os singles “We Hate It When Our Friends Become Successful” e “You’re the One for Me, Fatty”.

“Suedehead”:

“Everyday is like Sunday”:

Em 1994, com a morte de Mick Ronson, Morrissey canalizou as suas energias para o disco que é considerado por muitos um dos melhores álbuns da sua carreira solo, “Vauxhall and I”. Alguns anos depois, Morrissey confessou que achou que este seria o seu último disco, difícil de superar, de tão genial e profundo que era. Efetivamente os dois álbuns que lançou em seguida não foram bem acolhidos pela crítica nem pelos fãs, o que fez com que Morrissey ficasse fora da cena musical por alguns anos, época em que foi alvo de um processo judicial do baterista Mike Joyce, que o acusava de não ter pagado devidamente os direitos autorais.

No início dos anos 2000, Morrissey alegrou os seus fãs com uma coletânea que reunia alguns dos seus maiores sucessos e uma turnê mundial que passou por quatro shows no Brasil. Os shows foram marcados pela eterna esperança de que o artista tocasse os sucessos da banda que o tornou famoso, mas Morrissey veio para promover as suas músicas novase foi o que fez.

Em 2003, a rede de televisão Channel 4 lançou o documentário que você pode ver abaixo, “The Importance of Being Morrissey”, estrelado pelo próprio, em que artistas como Bono e Noel Gallagher falam sobre a influência do cantor na música e em suas vidas.

Um ano depois, assinou com a gravadora Sanctuary Records e lançou “You Are the Quarry”, com grande sucesso de crítica e público, seguido por “Ringleader of the Tormentors”, em 2006. Em novembro de 2008, a revista “Rolling Stone” incluiu Morrissey na sua lista dos “100 melhores cantores de todos os tempos”. Em 2009, Morrissey lançou mais um disco de músicas originais a que chamou de “Years of Refusal”, e em 2011 lançou “The Very Best of Morrissey”, uma coletânea que reúne os seus maiores sucessos, acompanhada de um DVD de alguns momentos de seus shows que sempre terminavam com fãs invadindo o palco querendo tocar no seu ídolo.

Morrissey ainda é um ídolo cult e representa uma musicalidade autêntica. O seu estilo desajeitado de dançar no palco e as rosas que recebe nos shows são traços marcantes de suas apresentações ao vivo.

Para os milhares de fãs que aguardam ansiosamente o dia do show, podem ir acompanhando as novidades por meio da página de Facebook criada especificamente para o evento; e como a esperança é a última que morre, podem esperar que Morrissey toque alguns dos hits do The Smiths. Não custa sonhar.

Morrissey do lado de uma frase onde se lê: “O rock nunca morre” ©Reprodução

Serviço:

Belo Horizonte
7 de março de 2012
Chevrolet Hall Belo Horizonte
Av. NS Carmo, 230 – São Pedro
Belo Horizonte – MG

Rio de Janeiro
9 de março de 2012
Fundição Progresso
Rua dos Arcos, 24 – Centro
Rio de Janeiro – RJ

São Paulo
11 de março de 2012
Espaço das Américas
Rua Tagipuru, 795  - Barra Funda
São Paulo – SP

Prepare suas rosas: Morrissey volta ao Brasil para três shows

Maior exposição sobre Marilyn Monroe chega a SP em março com entrada franca

Fotografia de Douglas Kirkland, 1961 ©Reprodução

Com suas curvas estonteantes e seu jeito ingenuamente sensual, Marilyn Monroe conquistou diretores da magnitude de Billy Wilder, John Huston e Fritz Lang, além de fotógrafos e artistas plásticos míticos, como Henri Cartier-Bresson, Richard Avedon e Andy Warhol. Mesmo após 50 anos de sua morte – completados em agosto deste ano – a americana, que nasceu em Los Angeles em 1926 e superou uma infância conturbada em lares adotivos para transformar-se em uma das mais celebradas atrizes do cinema e ícone da cultura pop do século XX, continua referência de beleza e glamour. Como homenagem ao cinquentenário de falecimento deste cânone hollywoodiano, a Cinemateca Brasileira apresenta, a partir de 04.03, a exposição “Quero ser Marilyn Monroe!”.

Marilyn por Cecil Beaton e Henri Cartier-Bresson ©Reprodução

A mostra, que já foi exibida em diversos países da Europa, além de Estados Unidos e Canadá, conta com um acervo de 125 obras entre fotografias e pinturas de artistas contemporâneos. A partir destes trabalhos – e da apresentação dos mais importantes filmes de Marilyn, bem como do documentário “Marilyn Monroe: o fim dos dias” (2001), de Patty Ivins Specht –, a exposição pretende dissecar a mulher por trás do sex symbol, inclusive suas muitas vulnerabilidades.

Por meio das imagens que estarão expostas na Cinemateca, será possível compreender um pouco sobre a trajetória de Marilyn, dos tempos de aspirante a atriz à estrela internacional. Já na entrada da mostra, a bela “Red Velvet Pose”, fotografia tirada por Tom Kelley em 1949 para a “Playboy”, apresenta uma ainda desconhecida Marilyn (aos 22 anos), enquanto na série “One Night with Marilyn”, do fotógrafo Douglas Kirkland, a atriz aparece no auge de sua fama  – e apenas um ano antes de morrer – envolta por lençóis.

Marilyn Monroe por Douglas Kirkland e Tom Kelley ©Reprodução

A obra cinematográfica de Marilyn também terá grande destaque através da exibição de filmes como “Quanto Mais Quente Melhor” (1959) e “O Pecado Mora Ao Lado” (1955), clássicos de Billy Wilder; “Os Homens Preferem as Louras” (1953), dirigido por Howard Banks; “Torrente de Paixão” (1953), de Henry Hathaway; “A Malvada” (1950), longa-metragem protagonizado por Bette Davis em que Marilyn aparece como figurante; e “Os Desajustados” (1961), último papel da americana antes de falecer, em 1962.

A carreira de Marilyn Monroe pode ter sido breve, mas sua figura continua extremamente presente na cultura popular — prova disto são os editoriais e as campanhas com alusão ao estilo da atriz, sem contar o filme “Sete Dias com Marilyn”, lançado em 2012 e protagonizado por Michelle Williams. Alguém duvida que esta exposição é imperdível para os amantes do cinema, da fotografia e da moda?

“Quero ser Marilyn Monroe!” @ Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207
Exposição: de 4 de março a 1° de abril (todos os dias, das 10h às 22h)
Mostra de filmes: de 4 a 25 de março (terça a domingo)
Entrada Franca
(11) 3512-6111 (ramal 215)
+ www.cinemateca.gov.br

Heidi-Popovic-Marilyn

©Heidi Popovic/Reprodução

''Marilyn Contemporary'', de Heidi Popovic (2008)

Maior exposição sobre Marilyn Monroe chega a SP em março com entrada franca

Nan Goldin finalmente expõe no Rio, desta vez sem censura

Algumas imagens da série de slides “Balada da Dependência Sexual” de Nan Goldin ©Reprodução

Após ter sido suspensa por conta da desistência do patrocinador, a exposição “Hearbeat”, de Nan Goldin, finalmente entra em cartaz no MAM do Rio de Janeiro, onde fica até o dia 8 de abril. O trabalho da fotógrafa americana gerou controvérsia no ano passado por conta do conteúdo explícito de algumas das imagens, que provocou o cancelamento da mostra. Por sorte, ela encontrou outros parceiros e não deixou de ser realizada.

A exposição conta com três exibições de slides, entre elas o  trabalho que catapultou a fotógrafa para o cenário internacional e que esteve exposto na Bienal em 2010. “Balada da Dependência Sexual” é uma projeção de 720 slides com a duração de 42 minutos de imagens compiladas entre 1981 e 1996, e com estética snapshot. A coleção mostra a vida real de seu grupo de amigos nos anos 80 em Nova York, com cenas de uso de drogas, sexo ou violência. Em meados dos anos 90, grande parte desses personagens já havia morrido, de overdose ou complicações por conta da AIDS. Desde 2004 a obra pertence ao acervo do MoMA.

Foto que integra a obra “Balada da Dependência Sexual” ©Reprodução

Na parte impressa, o MAM exibe a série “Paisagens”, de fotos feitas em Cibachrome, uma técnica de impressão reconhecida por sua definição, intensidade da cor, pureza dos brancos e pela fidelidade em relação às características da sua origem. Faz parte dessa série a imagem “Jesus no Rio”, um trabalho de Nan de 1997 que mostra o Cristo Redentor envolto em nuvens.

Nan Goldin nasceu em Washington em 1953. Ganhou sua primeira câmera aos 15 anos e logo mudou-se para Boston, onde se formou e se apaixonou pela cultura underground da cidade, documentando em fotos suas comunidades gays e transexuais, relatos que continuaram mesmo quando a fotógrafa mudou para Nova York.

Fiel ao seu estilo e a sua história, até hoje, Goldin capta a realidade, da forma mais crua possível, sem photoshop, câmeras digitais ou luzes especiais. A fotógrafa viria ao Rio para a abertura da exposição, mas cancelou a viagem por conta de problemas de saúde de sua mãe. Em sua visita, ela faria uma palestra e também fotografaria uma nova série de trabalhos. Espera-se agora que ela venha em abril, para a finalização da mostra. Quem morar ou estiver no Rio, pode aproveitar, pois “Heartbeat” não tem previsão de visitar outras cidades no Brasil.

Da série “Paisagens”, a foto “Jesus no Rio”, 1997 ©Reprodução

Nan Goldin: “Heartbeat”
Curadoria: Ligia Canongia e Adon Peres
Onde: MAM Rio
Quando: 9 de fevereiro a 8 de abril
De terça a sexta, das 12h às 18h; sábado, domingo e feriado, das 12h às 19h

Destaque-Nan-Goldin

©Reprodução

Joey at the Love Ball, NYC, 1992

Nan Goldin finalmente expõe no Rio, desta vez sem censura

“Dance ou estaremos perdidos”, pede Pina Bausch em documentário 3D

Algumas das imagens do documentário de Wim Wenders para Pina Bausch ©Stylesight/Reprodução

Esta semana o portal Stylesight publicou um artigo sobre o documentário ”Pina”, dirigido por Wim Wenders para Pina Bausch. Há um ano ele estreou no Berlinale, o Festival Internacional de Cinema de Berlim, e foi aclamado pela crítica especializada. Agora, ele está entre os concorrentes ao Oscar de Melhor Documentário. “Pina” é um projeto concebido por Wenders com a colaboração da própria coreógrafa, que morreu em 2009, aos 68 anos. O filme, em 3D, conta sobre a vida, a carreira e a obra dessa bailarina que marcou a história da dança no mundo.

A mistura de Wenders e Bausch resulta em uma sequência de imagens maravilhosas que fica com a gente mesmo depois que o filme termina. O figurino de Rolf Borzik tem um papel muito importante nesse sentido, na medida em que contribui para toda a estética deslumbrante de todo o filme e retrata o trabalho de Bausch. A peça central são os figurinos em estilo camisola, uma peça de roupa íntima de tendência minimalista que varia de tons nudes a cores pastel que entre saltos e piruetas prova uma vez mais a sua beleza e elegância atemporais.

A coreógrafa alemã Pina Bausch ©Reprodução

A figura de Pina Bausch teve uma extrema importância para o universo da dança e da arte. Apesar da sua formação clássica na tradicional Julliard School, em Nova York, Pina foi além. Em 1976, ela rompe com os padrões de dança da época, buscando novos movimentos em outras formas de expressão artísticas, como o teatro, a performance e as danças contemporâneas, construindo assim a obra que a transformou em uma das coreógrafas mais inovadoras e prestigiadas do mundo.

O documentário rende um caldeirão de inspirações, seja para o design, para o mercado de lingerie, para a dança ou para a vida. O filme promete colar o público na poltrona com imagens estonteantes de alguns dos trabalhos mais renomados de Pina.  Tudo em 3D. Espera-se que ele chegue às telas brasileiras em março, mas até lá, deixe-se encantar pelo trailer abaixo:

Wim Webers fala sobre o filme e sobre a morte da bailarina:

“Pina era mais do que a personagem principal, ela era a razão de eu fazer este filme. Estávamos em meio aos preparativos imediatamente antes do primeiro teste da filmagem em 3D, com a equipe em Wuppertal, quando recebemos a notícia da sua morte repentina. Claro que paramos tudo imediatamente. Parecia que tinha perdido o sentido fazer o filme. Afinal, Pina e eu pensávamos juntos neste projeto há mais de 20 anos! Originalmente, fui eu que sugeri a Pina, ainda nos anos 80, de fazermos um filme juntos. Virou até piada. Ela perguntava: “Que tal a gente fazer o filme agora Will?” e eu respondia que ainda não sabia como fazer. Eu não tinha ideia de como se filmava dança apesar de já ter estudado todos filmes com esse tema. O Tanztheater de Pina Bausch (academia de dança na Alemanha) tinha tanta energia, tanta jovialidade, era tão cheio de vida que eu realmente não sabia como o filmar propriadamente. Até que um dia vi pela primeira vez uma mostra de 3D Digital. Liguei para ela, ainda da sala de cinema: “Agora eu sei Pina”. Não precisei dizer mais nada, ela entendeu na hora”.

“Dance ou estaremos perdidos”, pede Pina Bausch em documentário 3D

A beleza etérea da fotografia autoral de Deborah Turbeville

Kerim Ragimov e Olga Rastrosta, São Petersburgo, 1996 ©Deborah Turbeville/Reprodução

A fotografia é a arte de capturar a mágica do instante, tornando-o eterno: as imagens, capazes de superar o tempo e o espaço, têm o poder de atingir pessoas com as mais distintas experiências e personalidades. A força – e a disseminação – de tais imagens, no entanto, é por vezes tão esmagadora que encobre seus próprios criadores. Quem associa os poéticos retratos de Paolo Roversi a sua figura física? Ou, mais extensivamente ainda, quantos se lembram do rosto de Edvard Munch diante do quadro “O Grito”? Há, decerto, artistas que se convertem em estrelas midiáticas e, por motivação particular ou não, acabam por vincular suas obras à vida pessoal – como desassociar, por exemplo, o trabalho de Andy Warhol de sua polêmica persona? A fotógrafa americana Deborah Turbeville foi uma das primeiras mulheres a conquistar um espaço nesse segmento até então dominado por homens e, ao longo dos mais de 35 anos de carreira, manteve-se sempre discreta por trás das lentes, dando prioridade a sua criação autoral, de uma beleza ímpar.

Fotografias para as revistas “Vogue Pelle”, 1982 e “Nova”, 1973 ©Deborah Turbeville/Reprodução

Apesar de colaborar frequentemente com publicações como as revistas “W”, “V”, “Grey” e diversas edições da “Vogue”, Deborah Turbeville nunca se considerou uma fotógrafa de moda. Sua carreira, que começou quase que por acidente, sempre foi direcionada para atender suas referências e desejos pessoais: o amor pelo cinema atmosférico de Rainer Werner Fassbinder, Luchino Visconti e Jean Cocteau, que inspirou de forma definitiva seu estilo, o fascínio por São Petersburgo e Paris e a preferência por retratar artistas ou personagens reais em lugar de modelos são percebidos com facilidade mesmo em seus trabalhos mais comerciais. Turbeville, que nasceu em 1938 no estado de Massachussetts, Estados Unidos, cresceu rodeada por adultos. Sua grande timidez, os poucos amigos e o isolamento durante os verões na longínqua cidade de Ogunquit moldaram a personalidade e a obra da americana.

Em meados de 1957, com aproximadamente 20 anos, Deborah Turbeville mudou-se sozinha para Nova York. Lá, trabalhou como modelo de prova e depois como assistente da estilista americana Claire McCardell. Logo após, a americana conseguiu um emprego na “Harper’s Bazaar”: “Quando eu fui trabalhar na Bazaar, em 1963, era um período incrível para a fotografia de moda. (…) Duas vezes por ano eles produziam um imenso portfólio de crianças e disseram: Venha com uma boa ideia e nós lhe atribuiremos um fotógrafo”, comentou em recente entrevista ao Style. Ao lado de Bob Richardson (pai de Terry Richardson), Turbeville atuou como stylist e ambos conquistaram relativo êxito até serem presos em um rancho no Texas e serem “convidados” a deixar a revista.

Fotografia para a “Vogue” italiana de 1978 ©Deborah Turbeville/Reprodução

Ao deixar a “Harper’s Bazaar”, Deborah Turbeville fez algumas importantes matérias em colaboração com Diane Arbus e Richard Avedon. Esse último, inclusive, tornou-se uma espécie de mentor e incentivador da americana. A partir daí, Turbeville comprou sua primeira máquina – uma Pentax – e, simultaneamente ao novo trabalho na “Mademoiselle”, começou a fotografar seus próprios editoriais para a revista: “[exercer as funções de stylist e fotógrafa] me ajudou porque eu não precisei a princípio ganhar a vida como fotógrafa. Eu nunca teria conseguido. Minhas imagens tinham um foco sútil, era uma coisa completamente nova”.

Da mesma maneira que a paixão pela fotografia surgiu em decorrência das circunstâncias, o estilo adotado por Deborah Turbeville também foi em parte acidental: “Começou em consequência da forma que eu utilizava a câmera. Eu tinha lentes de foco muito suave e gostava desse tipo de foco, tudo saía muito suave”, justificou a fotógrafa ao Style. As imagens criadas pela americana parecem sempre dotadas de uma atmosfera fantasmagórica, enquanto que os protagonistas retratados guardam uma melancolia aparentemente indolor – eles não precisam gesticular ou derramar lágrimas para causarem no “espectador” um forte sentimento de nostalgia e piedade. A obra de Turbeville possui unidade – a beleza etérea de seus elementos é borrada, misteriosa, passional, quase como se aqueles seres estivessem a ponto de se desintegrar.

“Bathhouse”, 1975  ©Deborah Turbeville/Reprodução

Além das reproduções mais autorais, sua obra abrange imagens de moda icônicas e revolucionárias para seu tempo. Em 1975, a americana fez uma de suas fotografias mais importantes e talvez a mais polêmica: em um trabalho para a “Vogue” de seu país, capturou cinco garotas trajadas informalmente em um enorme banheiro. Para olhos acostumados à sociedade do espetáculo deste século XXI, a imagem pode não causar nenhum impacto, mas à época a repercussão foi massiva: “Quando ela foi publicada, várias pessoas cancelaram suas assinaturas. Disseram que era ofensiva e que parecia com Dachau [campo de concentração nazista construído em 1933] ou com viciadas em drogas. Eu sabia que o que estávamos fazendo era diferente, mas nunca imaginaria que se chegaria a isso”, relembrou Turbeville.

Com “Bathhouse”, Deborah Turbeville reservou para si um espaço de destaque no universo masculino da fotografia e abriu caminho para que outras mulheres a seguissem. Como ao longo de sua vida deu prioridade às criações autorais, a americana só lançou um livro com suas principais imagens de moda em outubro de 2011. “The Fashion Pictures” conta com uma introdução de Franca Sozzani, editora-chefe da “Vogue” italiana, e traz mais de 300 páginas de reproduções memoráveis tiradas de editorais e campanhas publicitárias. A obra de Deborah Turbeville é como respirar ar puro em meio ao sufocante mundo plastificado de photoshop.

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©Deborah Turbeville/Reprodução

Fotografias da exposição ''The Russian Years'' 1995-2005

A beleza etérea da fotografia autoral de Deborah Turbeville

Drops de Arte: a Hollywood de Terry Richardson, Van Gogh interativo, e +!

Terry Richardson, Untitled (red lips), 2011 ©Reprodução

Quem estiver em Los Angeles de 24 de fevereiro a 31 de março pode aproveitar para visitar a galeria OHWOW, que vai abrigar a primeira exposição solo do fotógrafo Terry Richardson. A mostra, de inspiração Hollywoodiana, foi batizada de “Terrywood” e reúne mais de 25 das suas mais recentes fotografias. “Terrywood” pretende retratar por meio das obras de Richardson o que Hollywood representa: celebridades, sonhos partidos e histórias bizarras, um imaginário coletivo reinterpretado pelo fotógrafo.

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Yayoi Kusama ©Reprodução

Ainda na onda das exposições, mas desta vez em Londres, a Tate Gallery vai exibir até o dia 5 de junho a mostra da artista plástica japonesa viciada em pontinhos Yayoi Kusama. O seu quadro de 1959 chamado “No.2”, vendido em um leilão da Christie’s em Nova York por 5,7 milhões de dólares, catapultou a artista para o segundo lugar de artistas vivas com o valor mais elevado atingido em leilão. Escultora, pintora e escritora avant-garde, mudou-se do Japão rural para Nova York onde expôs até 1973, data em que regressou a sua terra natal, onde se inspira até hoje.

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Dois dos looks de Mary Katrantzou para a Topshop ©Reprodução

Quem acha que moda não é arte, olhe com mais atenção. Mary Katrantzou, designer grega que apresenta as suas coleções em Londres, conhecida pelas suas estampas trompe l’oeil, consegue criar verdadeiras obras de arte em cada uma das suas peças, por meio do seu exímio trabalho de estamparia. A boa notícia é que a estilista se uniu à Topshop para criar uma coleção de dez peças que apresentam a sua arte a um preço amigo — ou nem tanto, pois os valores podem chegar as 350 libras, como no caso dos seus vestidos quase iguais aos que já conhecemos nas passarelas.

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Audrey Hepburn ©Bob Willoughby/Reprodução

Quando o fotógrafo de Los Angeles Bob Willoughby recebeu a sua primeira câmera fotográfica no seu aniversário de 12 anos, não imaginava que essa seria a sua profissão até a sua morte, em 2009, aos 82 anos de idade. As suas fotografias icônicas de Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor e Jane Fonda ajudaram a definir a elegância e a essência dos anos 50 e 60. Porém, o seu caso amoroso fotográfico foi com Audrey Hepburn, cujas fotografias estão agora reunidas no livro publicado pela Taschen, “Bob Willoughby: Audrey Hepburn. Photographs: 1953-1966”. A obra está disponível nas livrarias Saraiva por R$ 2.299,90.

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Sabe quando vamos a uma galeria ou a um museu e dá aquela vontade de tocar em alguns quadros? Então, não sabemos se foi isso que inspirou Petros Vrellis, o artista grego que criou esta versão interativa incrível do quadro de Van Gogh “A Noite Estrelada”, mas a ideia faz sentido. Ele criou um app que, ao som de uma trilha inspiradora, permite ao usuário intervir na arte do pintor holandês apenas com o toque de um dedo. O aplicativo está disponível para download aqui.

Drops de Arte: a Hollywood de Terry Richardson, Van Gogh interativo, e +!

Exposição: o caos social e urbano sob o olhar crítico do Coletivo BijaRi

“Poder”, obra presente na exposição “Estado de Sítio”, do Coletivo BijaRi ©Juliana Knobel/FFW

O Coletivo BijaRi é conhecido por sua produção artística experimental de caráter extremamente engajado em questões sociopolíticas e pela utilização de recursos tecnológicos, como o video mapping. O grupo, formado em 1997 por uma equipe de arquitetos e artistas plásticos, é habituado a obras de tamanho extenso, como a projeção holográfica realizada nas fachadas do prédio do MASP em maio de 2011 ou ainda intervenções públicas que podem ser vistas com frequência por diversos lugares do Brasil. A convite de Eduardo Saretta e Mariana Martins, no entanto, o Coletivo aceitou o desafio de desenvolver trabalhos em escala reduzida, que coubessem em uma mostra dentro da galeria paulistana Choque Cultural, localizada no bairro de Pinheiros. Neste sábado (11.02), a exposição, chamada “Estado do Sítio”, foi finalmente inaugurada.

A partir de 12 trabalhos apresentados na forma de objetos, instalações e video mappings, a exposição “Estado do Sítio” pretende fomentar uma reflexão sobre o caos social das grandes metrópoles e as complicações da vida contemporânea. Sob um fundo vermelho, elementos simples ganham um vasto simbolismo, como na obra “Poder”, em que dois cassetetes são unidos para transformar-se em uma cruz ou em “Sós”, união de azulejos que brinca com os significados das palavras “SOS” e “Sós”. O FFW esteve presente na abertura da exposição e conversou com Maurício Brandão, um dos fundadores do Coletivo BijaRi, para entender a ideia por trás de “Estado do Sítio”.

Maurício Brandão, membro do Coletivo BijaRi, à frente da obra “Ideologia” ©Juliana Knobel/FFW

Como surgiu e qual foi a ideia por trás da criação do Coletivo BijaRi?

O grupo surgiu meio sem pretensão. No início, era apenas um espaço que uns colegas de Arquitetura dividiam para fazer trabalhos de faculdade, festas e “obras” artísticas ainda de forma individual. Passado um tempo, alguns amigos começaram a nos pedir trabalhos de cenografia e de desenhos de disco, então a gente começou a trabalhar e assinar como um grupo. Nesse começo erámos como uma cooperativa, dividíamos o espaço, as ideias, com todas as coisas boas e ruins de projetos coletivos: a multiplicidade de ideias e referências, mas também o caos e a desorganização.

E a exposição “Estado do Sítio”? Como foi criar obras em escala reduzida, se comparadas com as que o Coletivo costuma desenvolver?

O nosso trabalho sempre esteve ligado à rua, a intervenções e performances em espaços públicos, sempre contextualizadas e com associação à vida real. A ideia da exposição na Choque Cultural foi como traduzir essa nossa abordagem da arte em uma galeria, que tem um espaço menor e mais condensado. O desafio foi como criar objetos que coubessem em uma galeria e pudessem mesmo assim transpor a multiplicidade dos trabalhos de arte pública para a galeria, então muitas vezes acho que a gente conseguiu trazer todas as questões poéticas que abordamos nas intervenções urbanas e sintetizar em objetos mais conceituais e formalmente mais parecidos com esculturas.

E do que se trata realmente a mostra “Estado do Sítio”? O que o Coletivo BijaRi quis propor?

Sempre estamos muito atentos às questões das tensões sociais e o “Estado de Sítio” nos pareceu uma metáfora para abordar diversas situações da realidade, como eventualmente a Cracolândia, a tomada dos Morros no Rio de Janeiro, a reintegração de posse no Pinheirinho e uma série de situações de conflitos sociais e políticos que inspiraram o projeto e nos fizeram pensar nos estados de sítio que permeiam a vida nas cidades, trazendo inclusive para o universo mais pessoal e subjetivo. A ideia então era pensar os estados de sítios em diversas esferas, não só as questões de Estado.

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©Juliana Knobel/FFW

''Ideologia'', obra pertencente à exposição ''Estado de Sítio''

Exposição: o caos social e urbano sob o olhar crítico do Coletivo BijaRi

Grammy 2012: os vencedores, as homenagens e o tapete vermelho

Adele, a grande vencedora da noite ©Reprodução

Na noite de domingo (12.02) aconteceu a premiação do Grammy, em uma festa que teve duas protagonistas. Adele, nos prêmios, e Whitney Houston, nas homenagens. A notícia da morte da cantora pegou a todos de surpresa e fez com que os artistas se reunissem para performances “in memorium”. Adele, a jovem britãnica de 23 anos, foi quem levou para casa o maior número de prêmios, seis no total, entre eles o de canção do ano com a música “Someone Like You”, e disco do ano, atribuído ao seu disco “21″. Nesta noite, foi a primeira vez que ela cantou em público depois de, no final do ano passado, ter sido submetida a uma cirurgia nas cordas vocais.

Entre outros destaques, estão a banda Foo Fighters, cujo novo álbum “Wasting Light” ganhou Melhor Álbum na categoria Rock; e Taylor Swift, grande vencedora da categoria Country.

As homenagens, claro foram todas para Whitney Houston, que havia falecido na tarde de sábado, na véspera do evento. Ela foi lembrada e mencionada por todos os vencedores que subiram ao palco quer para cantar, quer para receber prêmios. A cantora Jennifer Hudson interpretou um dos grandes sucessos de Whitney, “I Will Always Love You”,  enquanto o apresentador do Grammy, LL Cool J, fez uma oração para a família, amigos e fãs da cantora. Outro dos momentos mais emocionantes da noite foi quando os pais de Amy Winehouse subiram no palco para receber por ela o prêmio de Melhor Performance Grupo para a música “Body and Soul”, um dueto da cantora com Tony Bennett.

No tapete vermelho, os prêmios de melhor look vão para Katy Perry, com o cabelo pintado de azul, da cor do vestido de sonho criado por Elie Saab; Gwyneth Paltrow, a imagem do cool chic com um vestido Stella McCartney; e Taylor Swift, com um Zuhair Murad rendado em tons de dourado.

Taylor Swift de Zuhair Murad, Gwyneth Paltrow de Stella McCartney e Katy Perry linda de Elie Saab ©Reprodução

Paris Hilton de Basil Soda, Jessie J de Julien Macdonald e Alicia Keys de Alexandre Vauthier ©Reprodução

Kelly Rowland de Alberta Ferretti, Fergie de Jean Paul Gaultier e Kelly Osbourne de Tony Ward ©Reprodução

O prêmio excentricidade foi, claro, disputado por Lady Gaga e Nicki Minaj, ambas de Versace. 

As excêntricas Lady Gaga e Nicki Minaj, ambas de Versace ©Reprodução

O show foi encerrado com uma apresentação de Minaj, seguida por um pesado show de guitarra de Paul McCartney, Bruce Springsteen, Dave Grohl e Joe Walsh.

Confira abaixo a lista dos vencedores nas principais categorias:

Melhor gravação:

Rolling in The Deep, Adele
Holocene, Bon Iver
Grenade, Bruno Mars
The Cave, Mumford & Sons
Firework, Katy Perry

Canção do ano:

Rolling in the Deep, Adele
All of the Lights, Kanye West
The Cave, Mumford & Son
Grenade, Bruno Mars
Holocene, Bon Iver

Melhor artista revelação:

Bon Iver
The Band Perry
J. Cole
Niki Minaj
Skrillex

Disco do ano:

21, Adele
Wasting Light, Foo Fighters
Born This Way, Lady Gaga
Doo-Wops & Hooligans, Bruno Mars
Loud, Rihanna

Melhor performance Pop individual

Someone Like You, Adele
You and I, Lady Gaga
Grenade, Bruno Mars
Firework, Katy Perry
F***in’ Perfect, Pink

Melhor performance Pop em grupo

Body And Soul, Tony Bennett & Amy Winehouse
Dearest, The Black Keys
Paradise, Coldplay
Pumped Up Kicks, Foster The People
Moves Like Jagger, Maroon 5 & Christina Aguilera

Melhor disco Pop vocal:

21, Adele
The Lady Killer, Cee Lo Green
Born This Way, Lady Gaga
Doo-Wops & Hooligans, Bruno Mars
Loud, Rihanna

Melhor gravação de dança:

Scary Monsters And Nice Sprites, Skrillex
Raise Your Weapon, Deadmau5 & Greta Svabo Bech
Barbra Streisand, Duck Sauce
Sunshine, David Guetta & Avicii
Call Your Girlfriend, Robyn
Save The World, Swedish House Mafia

Melhor performance Hard Rock/Metal:

White Limo, Foo Fighters
On The Backs Of Angels, Dream Theater
Curl Of The Burl, Mastodon
Public Enemy No. 1, Megadeth
Blood In My Eyes, Sum 41

Melhor performance Rock:

Walk, Foo Fighters
Every Teardrop Is A Waterfall, Coldplay
Down By The Water, The Decemberists
The Cave, Mumford & Sons
Lotus Flower, Radiohead

Melhor música Rock:

Walk, Foo Fighters
The Cave, Mumford & Sons
Down By The Water, The Decemberists
Every Teardrop Is A Waterfall, Coldplay
Lotus Flower, Radiohead

Melhor Disco Rock

Wasting Light, Foo Fighters
Rock ‘N’ Roll Party Honoring Les Paul, Jeff Beck
Come Around Sundown, Kings Of Leon
I’m With You, Red Hot Chili Peppers
The Whole Love, Wilco

Melhor discfo alternativo

Bon Iver, Bon Iver
Codes and Keys, Death Cab For Cutie
Torches, Foster The People
Circuital, My Morning Jacket
The King Of Limbs, Radiohead

Melhor colaboração Rap:

All Of The Lights, Kanye West, Rihanna, Kid Cudi & Fergie
Party, Beyoncé & André 3000
I’m On One, DJ Khaled, Drake, Rick Ross & Lil Wayne
I Need A Doctor, Dr. Dre, Eminem & Skylar Grey
What’s My Name?, Rihanna & Drake
Motivation, Kelly Rowland & Lil Wayne

Melhor canção Rap:

All Of The Lights, Kanye West, Rihanna, Kid Cudi & Fergie
Black And Yellow, Wiz Khalifa
I Need A Doctor, Aftermath
Look At Me Now, Chris Brown, Lil Wayne & Busta Rhymes
Otis, Jay-Z & Kanye West
The Show Goes On, Lupe Fiasco

Melhor disco de Rap:

My Beautiful Dark Twisted Fantasy, Kanye West
Watch The Throne, Jay-Z & Kanye West
Tha Carter IV, Lil Wayne
Lasers, Lupe Fiasco
Pink Friday, Nicki Minaj

Melhor disco R&B:

F.A.M.E., Chris Brown
Second Chance, El DeBarge
Love Letter, R. Kelly
Pieces of Me, Ledisi
Kelly, Kelly Price

Melhor performance country individual:

Mean, Taylor Swift
Dirt Road Anthem, Jason Aldean
I’m Gonna Love You Through It, Martina McBride
Honey Bee, Blake Shelton
Mama’s Song, Carrie Underwood

Melhor canção country:

Mean, Taylor Swift
Are You Gonna Kiss Me Or Not, Thompson Square
God Gave Me You, Blake Shelton
Just Fishin’, Trace Adkins
Threaten Me With Heaven, Vince Gill
You And Tequila, Kenny Chesney

Melhor disco country:

Own The Night, Lady Antebellum
My Kinda Party, Jason Aldean
Chief, Eric Church
Red River Blue, Blake Shelton
Here For A Good Time, George Strait
Speak Now, Taylor Swift

Grammy 2012: os vencedores, as homenagens e o tapete vermelho