> Notícias

Cabelo de parar o petróleo: madeixas podem ajudar em desastres ambientais

Você já parou para pensar onde vão os fios que ficam espalhados pelos salões de beleza? Alguém os recolhe com uma vassourinha e os tira da sua vista, mas e aí? As madeixas podem ser usadas posteriormente em coisas como perucas, mas o FFW não sabia, por exemplo, que elas podiam ajudar em desastres ambientais.

Para ajudar a reverter o quadro no Golfo do México – onde 200 mil galões de petróleo se espalham por dia depois que uma plataforma da British Petroleum explodiu e afundou, no dia 20 de abril –, salões e petshops pelos EUA estão mandando suas remessas para iniciativas como a Matter of Trust, que cuidam de estilizar os pêlos em tapetes que, ao serem jogados no mar, se encharcam de óleo.

Reprodução

Segundo a organização, cerca de 200 mil quilos de fios estão a caminho do Golfo – mas poderiam também estar ajudando outros países, já que o programa é internacional e esse tipo de acidente é mais comum do que deveria ser.

Se você também quer ajudar, não precisa sair por aí tosando o cão da casa ou cortando o cabelo à la Agyness Deyn: meias de náilon usadas também servem!

+matteroftrust.org

Comentários: 4
Bookmark and Share

WGSN exclusivo: biologia sintética e bactérias na indústria têxtil

O hype bureau de tendências WGSN acaba de divulgar um novo estudo de moda sobre… bactérias! O portal aposta em um futuro onde biologia sintética e bactérias permeiam também a indústria de tecidos e vestuário.

O argumento é baseado no trabalho de duas futurologistas, Suzanne Lee e Donna Franklin, que estão pesquisando algo que ainda parece ficção-científica: a criação de tecidos que se desenvolvem a partir de microorganismos.

Designers e artistas como o holandês Jelte van Abbema já testam novas possibilidades de fato: van Abbema criou uma fonte de bactérias que, mesmo após impressa no papel, continua crescendo e mudando de cor e forma durante seu ciclo de vida. Na prática, se aplicada como estampa numa roupa, essa fonte bacteriana criaria uma peça mutante, capaz de se alterar dia após dia. Genial, não? Além disso, como a impressão é um grande poluidor mundial, esta seria uma alternativa interessante (e bem orgânica) para amenizar o problema.

Jelte van AbbemaA fonte de bactérias de Jelte van Abbema: cores e formas mutantes © Reprodução

Já Mareike Frensemeier criou o “Bacs”, uma embalagem 100% biodegradável feita de bactérias alimentadas por açúcar. Quando cresce, a bactéria cria uma casca de um material parecido com papel que envolve o produto. Outro item da mesma linha é uma espuma protetora encontrada em forma sólida ou em creme, que pode ser usada para manter a comida fresca por mais tempo, por exemplo. As fibras ultra-finas do “Bacs”, atualmente não-comercializado, abrem as portas para várias outras aplicações sustentáveis para embalagens.

texto-Mareike-FrensemeierO projeto “Bacs”, criado por Mareike Frensemeier: embalagens 100% biodegradáveis © Reprodução

Sonja Bäumel é outra fascinada por essas criaturas invisíveis. Seu projeto “(in)Visible Membrane” (”membrana (in)visível”) explora a possibilidade da pele humana ser controlada para criar roupas que reagem ao ambiente e às necessidades do usuário, testando as reações de diversas bactérias em pedaços de tecidos.

texto-sonja-baumel-2As culturas de Sonja Bäumel em tecidos © Reprodução

Por enquanto, Sonja se concentra nas atividades da camada invisível (mas muito viva) de nossa pele, transformando-a em algo visível através de seus designs. É mais fácil de entender o conceito quando se vê o mapa corporal que ela fez de si mesma em uma placa de Petri gigante, onde as bactérias continuaram seu ciclo até mostrar uma silhueta.

texto-sonja-baumelA silhueta em bactérias de Sonja Bäumel ©Reprodução

O bureau termina de modo profético, chamando as bactérias de “um material onipresente que tem muitas possibilidades de ser moldado para servir uma variedade de indústrias.”

Comentários: 4
Bookmark and Share

Oskar Metsavaht decupa o Made in Brazil no Rio-à-porter

Na manhã de hoje (11/01), o palestrante Oskar Metsavaht começou avisando que o Instituto-e não é uma marca da Osklen, e sim uma parceria com ela. “É um erro comum”, disse o diretor criativo e presidente do Grupo Osklen, que apresentou, além do ramo de sustentabilidade da empresa, o que imagina para a futura imagem brasileira lá fora.

Como exemplo de imagem internacional, citou os EUA e o domínio do american way of life (o “made in USA”) e o Japão, que se tornou sinônimo de alta tecnologia (”made in Japan”).

“Hoje, o Brasil é principalmente um exportador de commodities. A manufatura nacional é vista como de baixa qualidade”, disse. “O ‘made in Brazil’ ainda não é bom.”

O caminho, de acordo com Oskar, é o desenvolvimento aliado à criatividade e à sustentabilidade, já que o país é significativamente abençoado com recursos naturais e profissionais talentosos. “O Brasil está na moda, mas não é por causa das roupas. O que está na moda é nosso estilo de vida”, disse.

Metsavaht explicou que a missão do Instituto-e – que já foi citado como modelo de sustentabilidade na moda por nomes como WWF, “Newsweek” e WGSN – é ajudar na criação de uma rede nacional de desenvolvimento humano sustentável, que conecte iniciativas e agentes sociais com “uma sinergia ideológica, de gestão e de mercado.”

Como exemplo, comentou sobre o selo e-, uma certificação de vários níveis concedida a empresas e ONGs dependendo da adequação do agente em questão nas cinco áreas de atuação do instituto (leia mais aqui). Se aprovada, a empresa concorda com monitoramentos e auditorias periódicas para manter o selo.

E de monitoramento a Osklen entende: foi a primeira rede de varejo de moda do mundo a ter suas emissões de CO2 neutralizadas através da compra de créditos sociais – os famosos créditos de carbono, presente no ainda mais famoso Protocolo de Kyoto.

Oskar definiu o Brasil como “um mercado de transição” em termos de sustentabilidade: temos muito para explorar e muito para proteger. Se o país quiser crescer no cenário internacional, tornar-se exemplo de nação ecologicamente sustentável é um dos melhores caminhos para chegar lá.

+ acesse o hotsite oficial do Rio-à-porter: ffw.com.br/rio-a-porter

Comentários: 7
Bookmark and Share

Casa de Criadores inverno 2010: moral da história. Com novas plataformas para descobrir talentos, mostra sinais de evolução.

A 26ª edição da Casa de Criadores, que aconteceu entre os dias 22 e 27 de novembro, já durante sua fase de divulgação dava sinais de que seria um marco na trajetória do evento. E de fato o foi. A semana de moda, que nasceu como incubadora de novos talentos, fez valer sua missão que há tempos parecia esquecida e/ou mal-sucedida.

A Casa de Criadores cresceu. Tanto no seu formato como na sua proposta. Para muito além da passarela restrita aos convidados, para além dos enfadonhos desfiles. Começando pela Fashion Mob, a “passeata fashion” que levou mais de 2.000 pessoas para as ruas do Centro de São Paulo, tirando qualquer dúvida sobre a presença de mentes criativas interessadas em se expressar através da moda.

03_dez_11h40_n1
Durante o Fashion Mob conhecemos Luiz Leite, estilista autodidata que levou o prêmio de desfilar como integrante do Projeto Lab na próxima edição da Casa de Criadores ©Agência Fotosite

Outra boa surpresa desta edição foi o Projeto Lab. Com line-up mais enxuto, os desfiles promoveram marcas jovens de estilistas que, embora inexperientes, já mostram sinais de evolução quando comparados ao que foi feito na edição anterior. Muitos deles são promessas para a moda brasileira.

03_dez_11h40_n2
Looks de Karin Feller e Danilo Costa, dois estilistas do Projeto Lab que estão entre os nossos favoritos ©Agência Fotosite

Quer nomes? Karin Feller com sua coleção feminina e romântica, mas nada boba, com execução e acabamentos que merecem destaque. Ou então Danilo Costa que, com sua moda simples, consegue despertar desejo por pequenos detalhes ou alterações em modelagens que fazem de suas peças lúdicas verdadeiros objetos de desejo instantâneos.

Outra frente que se mostra cada vez mais bem resolvida é o Ponto Zero. O projeto tem como objetivo premiar estudantes de algumas faculdades brasileiras. Quem levou o prêmio desta vez foi a estilista da Faculdade Santa Marcelina com sua coleção que explorava formas e sobreposições de pequenos tecidos. Além dela, outros estudantes também apresentaram ótimos trabalhos, como o jovem Bruno Gonzada, da FAAP, que apresentou uma coleção repleta de tecidos sintéticos e formas soltas que mixavam informação de moda com alta dose de vida real através de uma cartela de cores coordenada de forma muito inteligente.

03_dez_11h40_n3
Desfile de Bruno Gonzaga, aluno da FAAP que desfilou como parte do projeto Ponto Zero ©Agência Fotosite

A Casa de Criadores reafirmou nesta edição a sua vocação para promover novos talentos. Por outro lado, a forte presença desses jovens causa um desequilíbrio imediato no line-up principal do evento.

As grifes principais, que já estão consolidadas no evento, persistem nos mesmos problemas: acabamento ruim, modelagem problemática, temas mal explorados, desfiles sem edição de moda. Junte isso ao calendário demasiadamente intenso e as apresentações diárias se tornam cada vez mais cansativas. É como colocar uma lente de aumento em todos os defeitos.

Não por acaso, os destaques continuam sendo os mesmos: Gêmeas, Walério Araújo, João Pimenta, Rober Dognani e, a única novidade, Weider Silveiro. E a conclusão que tiramos? O novo sempre vem. E chegou a hora da Casa de Criadores rever sua velha-guarda.

03_dez_11h40_n4
Com as novas plataformas se mostrando bem resolvidas e promissoras, não seria hora de repensar critérios para algumas marcas que se apresentam no line-up oficial? ©Agência Fotosite

Comentários: 0
Bookmark and Share