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Promenade Chandon 2010: 57 estabelecimentos, 10 mil pessoas e um quadrilátero

No domingo 22 de agosto, o quadrilátero formado pelas ruas Oscar Freire, Haddock Lobo, Bela Cintra e Sarandi, em São Paulo, deve reunir cerca de 10 mil pessoas para a Promenade Chandon 2010t. O evento serve para 34 lojas apresentem suas coleções de verão 2011 em horário especial, até às 22h.

croqui-2Simulação da cenografia da 4ª Promenade Chandon, nos Jardins ©Reprodução

Além das lojas, há o Circuito Gastronômico, que conta com 23 restaurantes da região e menus especiais, harmonizados com as quatro variedades de Chandon (Réserve Brut, Brut Rosé, Riche Demi-sec e Passion). Tantas garrafas vazias de champagne, assim comos materiais de cenografia, tem um fim verde: seguem mais uma vez para a Reciclalazaro.

convite-bxOs convites da 4ª Promenade Chandon foram feitos pelo artista plástico Guto Lacaz ©Divulgação

Mais uma vez, a cenografia ficou por conta de Daniela Thomas, responsável pela mesma função no SPFW, e a direção criativa é de Cacá Ribeiro. Entre uma compra e outra, o visitante poderá assistir coreografias do Balé Stagium e apresentações de duos e trios de músicos tocando temas de grandes filmes.

A rua Oscar Freire ainda terá um jardim de 10 000 papoulas, patrocinado pela Kenzo. Os visitantes da Promenade ganharão uma papoula perfumada com a nova fragrância da marca, FlowerbyKenzo Essentielle.

A lista completa de participantes pode ser encontrada no site oficial.

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Diane von Fürstenberg doará maioria de sua fortuna para caridade

Quando Bill e Melinda Gates e Warren Buffet, três dos indivíduos mais ricos do mundo, tiveram a idéia de pedir que outros bilionários dos EUA doassem a maioria de seu dinheiro, eles não acharam que fosse ser difícil. Aparentemente, não foi mesmo: a The Giving Pledge ganhou forma, site e manchetes em agosto de 2010.

Até agora, 40 sobrenomes, entre indivíduos e casais, aceitaram a proposta, que pode ser efetuada em vida ou via testamento. Entre os famosos que já assinaram suas vontades estão Michael Bloomberg, Barron Hilton, George Lucas e… Barry Diller e Diane von Fürstenberg!

A única fashionista da lista é casada com o presidente da IAC/InterActiveCorp, um magnata das comunicações, desde 2001. Segundo sites ingleses, juntos eles têm cerca de US$ 1,6 bilhões. Nada mal!

+ thegivingpledge.org

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Europeus consideram Lea T. a primeira supermodelo transexual

25399-800wDepois do buzz gerado pela campanha de inverno 2010 da Givenchy e da foto com perfil (ao lado) que saiu na “Vogue Paris“, a transexual brasileira Lea T. virou trending topic no mundo da moda. A confirmação do hype vem agora pelo jornal “The Guardian” que manchetou Lea como sendo “a primeira supermodelo transex do mundo”.

“Nós [transexuais] nascemos e crescemos sozinhos”, disse Lea na entrevista. “Depois da operação [de troca de sexo] renascemos, mas novamente ficamos sozinhos. E morremos sozinhos. É o preço que pagamos”.

Boa parte de seu sucesso hoje é devido ao amigo de longa data Riccardo Tisci. Bem antes de se tornar um renomado estilista e diretor de uma das maisons mais conhecidas da frança [Givenchy], foi ele um dos primeiros a reconhecer a personalidade feminina de Lea quando se conheceram na Itália, onde o ainda Leonardo Cerezzo estudava. “Uma noite ele me convenceu a ir a uma festa de salto alto”, contou.

O “Guardian” sintetiza o dilema da brasileira Lea com uma das frases mais impactantes que ela soltou numa entrevista para a “Vanity Fair”: “É uma escolha entre ser infeliz para sempre, ou tentar ser feliz”.

+ guardian.co.uk

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Colar de pérolas falsas que pertenceu a Jackie O. pode valer 50 mil dólares

Os diamantes Cartier da duquesa de Windsor podem estar sob o martelo na Sotheby’s, mas outra casa de leilões, a Bonhams, está apostando no nome ao invés da pedra. No dia 15 de agosto, um colar de pérolas triplo que pertenceu à Jacqueline Kennedy deve faturar no mínimo US$ 47 mil _e as pérolas são falsas!

Não só as pérolas, como também a esmeralda e os diamantes que estão no fecho são falsos. Não é que a primeira-dama dos EUA não podia adquirir a joia verdadeira, mas dizem que ela perdia objetos com facilidade, então decidiu escolher algo mais prudente para perder, que custasse uma centena (ao invés de milhões) de dólares.

jackie-o-perolas-falsas-2As pérolas de Jackie Kennedy Onassis foram usadas principalmente em seus dias de primeira-dama dos EUA, nos anos 1960 ©Reprodução

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“Modelo tem que ser alta e magra”, diz sócio da agência Way

dandowaymodelAnderson Baumgartner, dono da Agência Way Model Management _atualmente considerada a mais importante do Brasil ©Fabio Bartelt

“Eu não saberia fazer outra coisa”, confessa Anderson Baumgartner com firmeza na voz. Apaixonado pelo o que faz, Dando (como é conhecido pelos amigos) é em primeiro lugar um defensor ferrenho de seus modelos _que ele chama de “meninas” e “meninos”_ e sócio da Way Model Management, uma das principais agências de modelos do mercado de moda brasileiro e do mundo.

Tops internacionais como Alessandra Ambrósio, Shirley Mallmann e Carol Trentini são algumas do seu casting de “mais ou menos 150 jovens de todo tipo de beleza”. O empresário abriu as portas da sua agência _na região mais nobre da Av. Rebouças_ ao FFW e contou sua trajetória, as dores, as verdades e os mitos por trás da cobiçada profissão.

Como tudo começou?
Quando eu tinha 15 anos, morava em Itajaí (SC) e conheci duas meninas que se chamavam Gisele. Elas tinham uma agência de modelos chamada GG L’Amour e estavam prestes a fazer um desfile para a universidade Univalle, e eu me ofereci para ajudar neste desfile. Me encantei, continuei ajudando sem remuneração, a minha família pegava super no meu pé. Deixava eles falarem e continuava fazendo. A Agência Elite tinha o concurso “The Look Of The Year”. Fui até o fotógrafo Jorge Moura, responsável da minha região, e me ofereci para ajudar. Organizava filas, ajudava a montar as modelos. Até que resolvi vir para São Paulo, ainda durante a época do Morumbi Fashion.

Eventualmente você veio parar em São Paulo.
Em 1998 vim para São Paulo com R$ 250 no bolso. Fiquei batendo na porta da Elite durante uma semana: fui na segunda e mandaram voltar na terça, na quarta, na quinta e na sexta, quando avisaram que não havia vagas. Eu estava na casa de uma amiga, que era modelo de Itajaí e amiga do Zeca de Abreu, que tinha saído da Elite. Ela perguntou se eu poderia ir junto a um jantar, e foi quando ele me contou que estava começando a Agência Marilyn.

Quando tempo ficou na Marilyn e qual foi a sua história lá dentro?
Nove anos. Comecei como assistente de todos os departamentos: da agência de booking _que é a ponte entre cliente e modelo_, do departamento internacional, do material, do new face e do próprio Zeca. Fiquei nove meses nessa posição até virar booker. Depois virei diretor, até que eu e o Zeca resolvemos abrir a Way, em 2006.

E qual motivo te levou a criar um negócio próprio?
A Marilyn tinha um dono francês, que não entendia de agência e era só investidor. Nunca me incomodei em ser funcionário [...] Mas aconteceram contratempos com ele, coisas que não concordávamos, que não vêm ao caso. Eu já havia sido convidado para abrir a Way, e o Zeca quis vir comigo. Tive a surpresa que todo mundo quis ir junto, todas as modelos, funcionários. Umas 150 modelos e 33 pessoas de staff.

DANDO1Anderson (de barba, falando ao celular) com parte de sua equipe na Agência Way, que fica em São Paulo ©Divulgação

Esse número aumentou desde então?
O staff continua o mesmo. As modelos continuam até hoje: as que não deram certo voltaram pra casa e algumas novas surgiram.

Quais são os maiores mitos que você precisa quebrar dentro de uma agência de modelos?
Algumas meninas chegam aqui em São Paulo com a família achando que em dois meses elas estarão em capas de revistas, com o bolso cheio de dinheiro. E isso não é verdade. Para ganhar dinheiro de verdade são necessários alguns bons anos de mercado. E tem gente truqueira. Pessoas abordam meninas de 1,60 m [de altura] na rua prometendo que serão modelos. Isso é mentira. A profissão de modelo é isso: tem que estar com a pele boa, cabelo bom, tem que ser alta e magra. Assim como uma jogadora de basquete precisa ter altura, impulso, força.

Financeiramente você está tranquilo?
Engana-se quem acha que dono de agência é rico. Eu, pelo menos, não sou! Os meus modelos estão sempre trabalhando. Enquanto a gente estiver trabalhando para melhorar _digo isso para os meus funcionários_ não temos motivos para preocupação.

caroltrentiniAnderson e super top model Carol Trentini em 2005 : amigo pessoal e agente profissional ©Acervo Pessoal

Como é a sua relação com a [top model] Carol Trentini?
Quando a conheci ela tinha quatorze anos. Veio num ônibus de meninos de Panambi, Rio Grande do Sul. Ela é uma pessoa muito boa, tem uma educação impecável, esse lado me conquistou desde o começo. A Carol tinha algo. Começamos uma relação de amizade _quando ela tinha quinze anos a convidei para viajar comigo para Itajaí. Temos uma relação de família, isso nunca mudou. Falo com a Carol todos os dias, mas nem sempre sobre trabalho.

E profissionalmente: como é ser agente da Carol?
Tê-la no meu casting me dá credibilidade. Uma vez a “Vogue Brasil” fez um especial sobre ela e pegamos depoimentos de algumas pessoas. Na época eu recebia e-mails diários com depoimentos de Anna Wintour, Irving Penn, Grace Coddington, Steven Meisel. Até então eu não tinha noção de como as pessoas a viam: uma modelo que veste bem a roupa, que se movimenta bem na frente de uma câmera, mas que também é uma boa pessoa.

Como você enxerga a mudança de limite para a idade das modelos que desfilam no SPFW e Fashion Rio [de 14 para 16 anos]?
Foi maravilhoso. Elas começavam muito cedo, aos 17 já tinham quatro anos de profissão e ainda não haviam se tornado modelos importantes, então desistiam. Aos quatorze elas não têm estrutura, o corpo não está formado. Isso atrapalha o desenvolvimento da menina. Aos dezesseis, elas ainda são adolescentes, mas é visível a diferença.

E a discussão do CFDA a respeito da magreza das modelos?
Tenho uma preocupação grande a respeito. Essas meninas são magras naturalmente. Aos dezesseis anos elas saem de casa desse jeito. Aos dezenove anos elas viram mulheres. A nossa preocupação é que elas lidem bem com isso. Temos psicólogos e nutricionistas para acompanhar. Mostramos para elas que existe um mercado: elas podem ganhar muito dinheiro, viajar para Nova York, fazer Victoria’s Secret, campanhas de cosméticos _que pedem mulheres lindas e com curvas. E ganhar muito mais dinheiro do que se fossem meninas fashion, que, por exigência do mercado, são as mais magras.

aliciaA modelo Alicia Kuczman, que faz parte do casting da Way Model, em foto para a U_MAG ©Reprodução

Em janeiro deste ano, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria sobre a magreza excessiva das modelos, ilustrada  por uma foto da Alicia Kuczman.
A Alicia é uma menina que já era assim. A mãe dela, que é nutricionista, tem 87 cm de quadril. Ela tem uma mãe que a ensina a comer bem desde pequena, mas a Alicia tem uma tendência a ser magrinha. Se a saúde psicológica dela foi prejudicada, a culpa é da matéria. O jornalista de um veículo como a “Folha”  tem o direito de falar o que pensa, mas a partir do momento em que ele acusa uma menina  _porque antes de tudo ela é uma menina_ de ser doente, ele perde toda a credibilidade. Existe sim anorexia na moda, não estou querendo esconder.

Existe uma grande competição entre as agências?
É uma boa pergunta. O Paulo Borges [diretor criativo da Luminosidade] sempre fala uma coisa que é verdade: se as agências de modelo se unissem, tudo seria melhor para o mercado. As modelos não ficariam tanto tempo em uma prova de roupa. Não teriam que trabalhar no meio da madrugada. Mas se a minha modelo não vai para essa prova, a modelo da outra agência vai. Hoje existe uma regra que uma modelo não pode trabalhar mais que 8 horas por dia e apenas até às 22h.

Você está nesse mercado há doze anos. O que mudou?
Elas ganham mais dinheiro no Brasil. Tenho modelos que têm carreira no exterior, mas ganham mais dinheiro aqui fazendo campanhas. Há marcas de cozinha e calçados investindo em modelos, sendo que antes só usavam atrizes. E tendo bons resultados. A mídia tem dado mais valor para elas e o consumidor final também.

E o que tem mudado no mercado masculino?
Os modelos brasileiros ganham cada vez mais importância no exterior. Meninos como Evandro Soldati, Michael Camiloto, Max Motta, Francisco Lachowski, Marlon Teixeira, Thiago Santos… Tivemos muita procura de agências internacionais nos últimos meses. Acho que eles perceberam que temos meninos de todos os tipos.

Liste cinco coisas que uma modelo precisa ter:
1) Altura. 2) Medida. 3) Personalidade. 4) Saber o que quer. 5) Uma boa agência por trás dela.

Cinco coisas que uma modelo não pode ter:
1) Ser modelo só porque a mãe deseja. 2) Chegar em São Paulo e se perder com as distrações da cidade. 3) Deixar o namorado interromper a carreira. 4) Achar que beleza é tudo. 5) Achar que entende mais que o agente.

+ waymodel.com.br

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Joias da Duquesa de Windsor vão à leilão com expectativa de arrecadar US$ 4,6 milhões

Wallis-time-26No século 20, não havia romance mais idealizado que aquele entre Bessie Wallis e o Rei Eduardo VIII do Reino Unido. A história, em síntese, é essa: o rei se apaixonou por uma americana divorciada duas vezes e, como sua posição de Governador Supremo da Igreja da Inglaterra não permitia o matrimônio, abdicou do trono e se exilou com a amada.

Sob o título de duque e duquesa de Windsor, o casal levou uma vida de glamour e mistério como membros da alta-sociedade, e esse tipo de coisa combina muito bem com joias. A Sotheby’s, que já havia vendido um lote dos acessórios preciosos da duquesa antes (foram US$ 50 milhões, um recorde para uma venda individual do tipo), anunciou um novo leilão de 20 peças dela em 30 de novembro, em Londres.

A expectativa da casa é arrecadar US$ 4,6 milhões, mas o valor pode ser superado. Entre os itens da Cartier, há um bracelete em forma de pantera de ônix e diamantes; um broche em forma de flamingo feito de rubis, safiras, esmeraldas, topázios e diamantes; uma cigarreira do duque gravada com uma mensagem de Natal; e um broche em forma de coração de esmeraldas, rubis e diamantes feito para comemorar 20 anos de casamento.

O dono das peças (algumas até fizeram parte da 1ª venda) foi mantido em segredo.

Na foto, Bessie Wallis na capa da “Time”, em 1936: ela foi a primeira “mulher do ano” da revista, graças ao escândalo que levou à abdicação do trono por parte de Eduardo VIII ©Reprodução

Joias da Duquesa de Windsor vão à leilão com expectativa de arrecadar US$ 4,6 milhões

Reprodução

Cigarreira dada de presente de Natal ao duque pela duquesa: as marcações no mapa da Europa eram significativas para o casal

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Marion Cotillard, musa da Dior, quer salvar a floresta do Congo

A revista “Interview” de agosto traz a magnética francesa Marion Cotillard fotografada por Mikael Jansson na capa e uma entrevista feita por Nicole Kidman no recheio. Entre os assuntos, está o ativismo ambiental da atriz, que é uma das porta-vozes do Greenpeace.

“Estive no Congo por uma semana porque estou trabalhando com o Greenpeace há um tempo e querendo fazer um documentário sobre a floresta de lá. É uma das mais antigas do mundo, e encontrei pessoas incríveis que tentam lutar contra a indústria madeireira. Realmente me conectei com as pessoas _suas esperanças e batalhas. Foi uma viagem intensa e linda”, contou Cotillard.

E se o papo da francesa ainda é (infelizmente) visto como um assunto entediante, ela, que é ecologicamente correta desde criança, sabe disso: “Estou feliz que isso [a mentalidade das pessoas] está mudando, e a consciência está se espalhando. Há 10 anos, minha mente não era muito normal para a maioria das pessoas. Eu soava como uma pessoa louca falando sobre o meio ambiente, as pessoas me viam como uma hippie que queria fazer meu próprio queijo e viver com animais em uma casa sem eletricidade.”

marion-cotillard-interview-Marion Cotillard na “Interview” de agosto de 2010 por Mikael Jansson ©Interview/Reprodução

Ela também falou um pouco sobre “A Origem”, o misterioso thriller de Christopher Nolan que está dividindo opiniões (e estreia no Brasil em 6 de agosto), no qual o personagem de Leonardo DiCaprio é um especialista em entrar nos sonhos das pessoas, de onde ele tenta roubar coisas e manipular o inconsciente do sonhador. “Eu amaria poder entrar num sonho de algum animal, como um leão ou um gato. Tenho certeza que é bem legal”, disse.

Marion ficou conhecida no mundo todo quando interpretou a cantora Édith Piaf _e ganhou um Oscar pelo feito_, e recentemente pegou novamente o microfone, sob o pseudônimo de Simone na banda de um amigo, Yodelice. “A luz está no cantor e eu estou na banda. Amo isso”, terminou.

Veja a atriz soltando a voz no vídeo abaixo!

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EXCLUSIVO! Franca Sozzani, da Vogue Itália: “A moda precisa de tempo”

franca-sozzani-portal-FFWFranca Sozzani, a mulher que comanda há 22 anos a revista “Vogue Itália” ©Divulgação

Entrevista por Juliana Lopes, de Milão

Um cachorrinho branco, peludo e pequeno late e dispara pelos corredores da Condé Nast em Milão. É Lazlò, importado da Hungria, que vai todos os dias trabalhar com Franca Sozzani, diretora de redação da “Vogue Itália”. Ele late para um dos funcionários que toma café num copinho de plástico. Ali perto, uma  secretária procura um papel timbrado para escrever um cartão de aniversário.

É uma redação de revista como qualquer outra. E posto que não existe glamour numa redação _nem mesmo de uma “Vogue”_ fica mais fácil penetrar na mente de Sozzani, que recebeu o portal FFW usando rasteirinhas, cabelos soltos e make “nada”.

Franca comanda a “Vogue Itália” desde 1988, quando tinha 38 anos de idade. Antes disso trabalhou para a revista “Lei” (“Ela” em italiano). Neste ano ela entra para a turma dos sexagenários, tendo dedicado 22 anos de sua vida somente para a versão italiana da “Vogue”, sempre de braços dados com o seu parceiro criativo Steven Meisel, que também conheceu nos anos 1980.

A moda mudou muito nas últimas duas décadas, mas o pensamento de Sozzani parece estar à frente. Na verdade ela parece tão forward que transmite a sensação de que, a qualquer momento, vai estar em outro lugar _mesmo fisicamente: Franca senta e me olha, mas de repente se levanta e vai examinar a vista de sua janela que dá para um belo bairro milanês. Ela está concentrada!? Empolgada!? Entediada!? Franca é intangível _e, sim, inatingível_, gosta de dar respostas ácidas e fluidas. “É preciso tempo para que a moda exista”.

Como é uma jornada sua de trabalho normal? Começa como e termina como?
Não existe nada de brilhante, são apenas projetos, reuniões, planos. Encontro com várias pessoas, converso com os redatores.

Quantas horas por dia de trabalho?
12 horas.

Conseguiria trabalhar menos?
Conseguiria. Se tivesse menos coisas para fazer.

Existem procedimentos?
Não tem regra. Se tivesse regra não seria uma revista criativa. Vamos decidindo o que queremos aos poucos, as ideias brotam.

E de onde brotam, por exemplo, as ideias para os editoriais de moda?
De qualquer lugar. Alguém me telefona, ou eu vejo um filme, alguma revista que me chama a atenção. Ou então numa conversa pinta uma ideia. Ou então alguém vem até a minha sala e me propõe alguma história. Não tem regra, entende?

Mas você tem as suas fontes de inspiração?
Depende. Algumas coisas me inspiram, de outras já não gosto mais. Se fosse burocrático seria um escritório e aqui não é um escritório, não é comercial. Desde 1988 é assim, foi sempre assim. A tendência se cria assim.

Falando em tendência, hoje muitas marcas pagam alto para ter acesso às pesquisas feitas por bureaus…
[corta a pergunta no meio] Tendência não se compra. Quem faz tendência não compra esse tipo de informação. Esse tipo de informação é pra outra coisa, não para criar estilo. É um blefe, não tem valor. Ou você acha que a Prada compra tendência? A Prada faz. Quem vai atrás da tendência é porque não a produz, entende? Cada um tem que produzir o próprio trabalho.

Então a senhora acha errado os países em desenvolvimento se inspirarem na moda que é feita em países consagrados?
Acho. Acho erradíssimo. É erradíssimo se inspirar nos outros, cada um tem que encontrar as coisas que funcionam em seu próprio lugar. Porque, se eu vou ao Fashion Rio e vejo coisas que estão sendo feitas em Paris, não tem sentido ir ao Rio, entende? Ir ao Rio é menos cômodo, mais complicado. Então ir ao Rio para ver Paris não me serviria para nada.

Como você enxerga o estilo brasileiro?
Não vejo um estilo brasileiro definido. Sei que existe uma beleza brasileira, mas não enxergo um estilo. Não é fácil encontrar a própria estrada, é preciso esforço e criatividade. A moda precisa de tempo.

Precisa de tempo e precisa de dinheiro, de uma economia forte…
A receita para levar a moda adiante é ter um conceito forte, um pensamento por trás.

E a Itália tem esse pensamento forte por trás da moda?
Temos gênios que confirmam isso, como Valentino. Nomes que você vê [no mundo todo] como Dolce & Gabbana, Versace. Não temos apenas estilo.

Então a senhora acredita que é preciso tempo para se construir moda?
Sim. Essa história não quer dizer que o passado precisa ser levado para as passarelas. Vivemos no presente. Mas, temos que ter alguma história pra contar.

O passado, então, não ajuda?
O passado pode ser um fardo. Ele pode minar a sua liberdade.

O fotógrafo Steven Meisel é um colaborador importante para a “Vogue Itália”. Quando começou essa parceria?
Nos conhecemos quando eu ainda era editora da revista “Lei”. Todos nós estávamos começando, não tínhamos nada a perder. Eu gostava do que ele fazia, de como via as coisas, percebia que existia um conceito em suas imagens, que até então eram poucas: ele tinha um book com 3 ou 4 fotos. A redatora na época era a [atual estilista] Anna Sui. Deu certo e assim ficou.

Como é fazer uma revista italiana com um fotógrafo que não mora na Itália?
Os editoriais da “Vogue Itália” são feitos nos Estados Unidos, entre Nova York e Los Angeles. Eu e Meisel nos telefonamos sempre. É mais viável fazer tudo lá do que trazer para cá a estrutura toda, os fotógrafos, as modelos, que praticamente moram todas no exterior. Quando temos que sair daqui [de Milão], vamos com uma equipe super reduzida.

E os novos fotógrafos? A senhora deve receber muitos portifólios…
Não. No momento não tenho nenhuma aposta. É preciso trabalhar, é preciso tempo para tudo.

Existe espaço na Itália para novos estilistas?
Esse não é um problema da Itália, é um problema mundial. É difícil também na Inglaterra, em Paris, em Nova York. É preciso dar tempo a esses nomes. Não podemos já chegar dizendo que eles são “gênios”, porque daí eles vão achar que já estão no topo. Muitos nomes se destacam numa temporada, mas depois somem. Não é fácil. Aqui na Itália existem novos talentos como o Francesco Scognamilio e muitos outros. Mas é preciso tempo: eles têm que trabalhar, têm que crescer.

A Itália é mundialmente famosa por fazer uma moda considerada sexy. O que acha disso?
Toda mulher se veste para agradar, para ser sexy. É o normal, mas sexy não pode ser sinônimo de vulgar. É possível ser sexy com camiseta e calça. As mulheres, em sua essência, são sensuais.

Saída de um país novo como o Brasil, temos alguns nomes na moda como Gisele Bündchen, que é a modelo mais bem paga, a número 1 do mundo.
A Gisele não é a número 1. Isso é um conceito brasileiro, não mundial.

Mas ela está no topo da lista das modelos mais bem pagas do mundo segundo a “Forbes”.
Ser a mais bem paga não significa que ela é a número 1, existem várias “números 1”. Várias modelos que são boas, que não são somente belas, mas têm personalidade, entendem o fotógrafo. Natalia Vodianova também é uma número 1. E outras 3 ou 4 também o são. Ser bem paga não quer dizer que ela seja a mais valiosa para o mundo da moda. Muitas modelos, por exemplo, não fariam Victoria’s Secret. Capisci?

Uma pergunta impossível de não fazer é sobre a Anna Wintour. O que a senhora achou do episódio em que o calendário de moda na Itália diminuiu porque ela avisou que não poderia estender sua estadia em Milão?
Existe um ditado: “A casa mia si mangia quello che mangio Io” (em tradução livre: “Na minha casa, come-se da minha comida”). Não dá para culpar quem vem de fora. É culpa de quem, em casa, não soube se impor.

Onde a senhora costuma comprar suas roupas?
Não tenho regra para isso. Posso passar na frente de uma loja e gostar de alguma coisa. Se tenho que dar algum exemplo, diria a Corso Como 10 [a loja foi fundada pela irmã de Franca, Carla Sozzani].

Você gosta de cozinhar?
Sim, para nós italianos a cozinha não é só questão de comer, mas é um momento onde convivemos entre nós, onde dividimos nossos momentos. Não cozinho, mas tenho meu prato favorito: tortelli di zucca, típico de Mantova, minha região.

Gosta de música?
Temos que ouvir de tudo. Fomos os primeiros a falar da banda Tokyo Hotel. Ouço música clássica, Sting, Tracy Chapman. Mas também gosto de Lady Gaga.

Lê muita revista?
Leio. Muitas. Quer dizer, vejo, vou passando os olhos. Vejo revistas até de arquitetura, decoração.

Quais?
Muitas, não sei dizer. Mas são muitas.

E livros?
Não leio livros teóricos sobre moda. Os livros que leio são de literatura, contos. Leio 3 ao mesmo tempo porque gosto de entender o que está acontecendo e pronto. Às vezes me canso do livro e troco, fico entediada.

A Itália conta com uma matéria-prima de altíssima qualidade e um diálogo constante entre estilistas e artesãos. Isso procede?
Quem desenha, desenha para ser produzido numa matéria-prima, então é óbvia essa troca. Se você vai fazer o sapato, desenhá-lo, vai desenhar em alguma coisa, não é? Assim funciona o nosso made in Italy, que conta com alta qualidade, mas também com muita produção.

Apesar de toda a produção, existe o impacto da crise econômica.
Tem crise sim, é inútil querer esconder. Crise na Itália e em todo o mundo. Nunca houve uma crise como essa, nessas proporções. Ouvimos geralmente sobre crises específicas, mas uma crise geral como essa, não me lembro.

Nem mesmo a crise de 1929?
É muito antiga essa crise, está num passado muito distante. As pessoas dessa época já não existem mais, ninguém lembra.

O que se pode aprender em momentos de crise?
Na crise se aprende a descobrir o novo.

***

Frases do Twitter de Franca Sozzani (twitter.com/francasozzani)

So many pointless blogs! Most of them a waste of time!
Tradução livre: Quantos blogs sem sentido! A maioria deles é uma perda de tempo!

The most surprising and annoying thing during fashion week is that everybody is constantly twitting: but who’s watching the shows?
Tradução livre: A coisa mais surpreendente e irritante durante uma semana de moda é que todo mundo não para de twittar: mas quem assiste ao desfile?

I don’t care what people think about Carla Sarkozy. She is just GREAT.
Tradução livre: Eu não me importo com o que as pessoas pensam da Carla Sarkozy. Ela é DEMAIS.

Not many fashion students can become great designers, but many can achieve important positions in the fashion industry
Tradução livre: Não são muitos os estudante de moda que podem se tornar grandes estilistas, mas muitos podem alcançar posições importantes dentro da indústria da moda.

The best part of social networks is getting in touch with people, the worst part is losing your privacy
Tradução livre: A melhor parte das redes sociais é o contato com as pessoas, a pior parte é a perda de privacidade.

Beautiful models give suggestions on how to be beautiful. Do you really believe that the same cream will have the same effect on you?
Tradução livre: Modelos lindas dão dicas de como ficar bonita. Vocês realmente acham que o mesmo creme vai ter o mesmo efeito em vocês?

This is the period in which everybody only talks about diet. Too late and too boring!
Tradução livre: Estamos numa época em que todo mundo só fala de fazer dieta. Muito tarde e muito tédio!

I love reading magazines and books. I love touching the paper.
Tradução livre: Eu adoro ler revistas e livros. Amo o contato táctil com o papel.

EXCLUSIVO! Franca Sozzani, da Vogue Itália: “A moda precisa de tempo”

©Juliana Lopes/FFW

O quadro negro na redação da Vogue Itália com um recado deixado por Steven Meisel para Franca Sozzani.

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Lara Stone na “Playboy” francesa: nada (ou muito pouco) a revelar

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Desde que foi reformulada há dois anos, a “Playboy” francesa vem se destacando entre todas as filiais ao redor mundo por conta dos editoriais com personalidades de peso como Juliette Binoche, Lou Doillon, Lily Cole e agora, a top número 1 do mundo Lara Stone na edição de junho/julho. Mas ela não é a coelhinha da capa, não.

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A modelo foi fotografada por Greg Lotus ano passado e só agora essas imagens foram publicadas. O editorial, que se chama “Lara Stone est ma Drogue” (”Lara é minha droga” em português), mostra a top em poses bem sensuais, usando uma peça de cristais da estilista Jenny Mercian e até mesmo sentada em uma cadeira de rodas.

Infelizmente a “Playboy” não saiu na frente dessa vez, afinal, a “Vogue Paris” e outras revistas de moda já cansaram de mostrar Lara como veio ao mundo em suas páginas.

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Floria Sigismondi: a nova antidiva nos bastidores de Hollywood

floriasigismondiFloria em editorial da revista britânica Lula ©Reprodução

Floria Sigismondi é nome quente em Hollywood. A diretora de “The Runaways”, filme com Dakota Fanning e Kristen Stewart _interpretando Joan Jett na sua primeira banda punk_ foi bem recebido pela crítica e levantou a cotação da diretora canadense na indústria cinematográfica.

Aos 44 anos, Floria _que começou a carreira como fotógrafa_ ficou conhecida dirigindo videoclipes, sendo premiada sete vezes por vídeos assinados para para artistas como Marilyn Manson, David Bowie, Sigur Rós, White Stripes, Incubus, sempre com uma estética pop-gótica e elementos politizados. “Eu ouço a música de novo e de novo e de novo até já não estar ouvindo nada, e é aí que começo a ver as imagens”, contou em entrevista.

Ela revelou ao site Rotten Tomatoes os seus cinco filmes prediletos. Confira a lista e clique para ver o trailer:

1 – “Laranja Mecânica“, 1971, Stanley Kubrick. “O que Kubrick faz é um statement social, é um mundo que eu amo”.

2 – “O Inquilino“, 1976, Roman Polanski. “É a linha entre a sanidade e a insanidade”.

3 – “Edward Mãos de Tesoura“, 1990, Tim Burton. “Tem algo muito próximo do meu coração nesse filme, é lindo”.

4 – “Sid And Nancy“, 1986, Alex Cox. “O jeito que capturava as cenas, as performances…”

5 – “Mamma Roma“, 1962, Pier Pio Pasolini. “Eu amo os filmes do Pasolini, são muito políticos e lidam com pessoas da vida real”.

O FFW elegeu os três clipes mais incríveis da sua carreira. Assista:

“Beautiful People” – Marilyn Manson

“Blue Orchid” – The White Stripes

“Sigur Rós” – Untitled # 1

+ Site oficial: floriasigismondi.com

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